Saturday, 31 December 2022

Saídas ao Sábado: Os 'Reveillons' dos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
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O dia 31 de Dezembro fica marcado pelo chamado 'Reveillon' - a festa de passagem de ano que, dependendo da zona do país ou até do agregado familiar, reveste uma série de actividades e tradições bastante distinta. E apesar de, hoje em dia, haver uma variedade bastante maior de opções de entre as quais escolher nesta data, os anos 90 não deixavam, eles mesmos, de possibilitar às crianças e jovens portugueses passagens de ano bastante distintas entre si.


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E se, para os mais novos, a data era normalmente passada em família (sempre bem acompanhados pelos especiais de Ano Novo televisivos e pelos tradicionais espectáculos de fogos de artifício comunitários vistos da varanda ou do jardim, e quiçá com direito a um pequeno gole de champanhe ou de outra bebida, quando já mais 'crescidinho') os jovens e adolescentes não deixavam de encontrar uma série de maneiras distintas de celebrar a entrada do novo ano, desde as tradicionais discotecas (para os mais velhos e/ou abastados) até às não menos típicas festas entre amigos (em casa de uns ou de outros, e sempre com comida e bebida à descrição) ou até algo mais 'aventuroso' e memorável, como o aluguer de uma casa onde passar um fim-de-semana inesquecível. Cada uma destas opções tinha, claro, as suas vantagens e desvantagens - as discotecas, por exemplo, eram menos intimistas e mais dispendiosas, mas permitiam 'ser visto', enquanto que os encontros entre amigos forneciam maior intimidade e liberdade em troca de um investimento bastante menor - tendo as mesmas de ser equacionadas na hora de escolher um plano em definitivo para o Ano Novo.


Qualquer que acabasse por ser a 'táctica' adoptada, no entanto, os 'reveillons' dos anos 90 e 2000 acabavam, invariavelmente, por ser tão ou mais marcantes do que os actuais - até por ser bastante menos fácil 'alinhavar' planos e combinar encontros. É em memória desses anos, e com um olho sempre no futuro, que queremos desejar aos nossos leitores umas excelentes entradas em 2023. Feliz Ano Novo!

Friday, 30 December 2022

Sessão de Sexta (de Natal): Milagre em Manhattan (1994) - O Milagre de Um 'Remake' Bem Conseguido

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Durante o mês de Dezembro, temos feito uso dos 'posts' de Sexta-feira para recordar alguns filmes marcantes estreados em Portugal durante esse mês, em diversos pontos dos anos 90; nesta última Sexta-feira do ano - e apesar de a época natalícia já se encontrar oficialmente encerrada e de os pensamentos de grande parte dos nossos leitores estarem já nos preparativos do Reveillon de Ano Novo - manteremos esse padrão, e aproveitaremos para recordar um último filme de Natal da época, no caso o 'remake' de 'Milagre em Manhattan', de 1994.


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Produzido quase cinco décadas após o original (estreado em 1947, e também originalmente intitulado 'Miracle on 34th Street', mas que em Portugal recebeu o título 'De Ilusão Também Se Vive') e chegado aos cinemas nacionais a 16 de Dezembro de 1994 (quase exactamente dois anos após a estreia em Portugal de 'Sozinho em Casa 2', e dois anos antes da de 'O Tesouro de Natal'), o filme traz como principal atractivo para as crianças a presença, no papel principal, da pequena Mara Wilson, actriz que atravessava à época o 'estado de graça' da sua carreira, após a sua auspiciosa estreia em 'Papá Para Sempre', do ano anterior, e que viria também a viver a popular personagem infantil Matilda, dois anos depois; já os adultos tinham no veterano Richard Attenborough, conhecido pelos mais jovens como John Hammond, o milionário excêntrico de 'Parque Jurássico' e aqui coadjuvante da menina, a garantia de uma prestação de qualidade, que lhes mantivesse o interesse até ao final do filme e os impedisse de adormecer em pleno cinema. Juntos, os dois actores são responsáveis por 'aguentar' a grande maioria do filme, auxiliados aqui e ali por Elizabeth Perkins, no papel de Dorey Walker, mãe da pequena Susan, vivida por Wilson.


O resultado é um filme que, sem deslumbrar nem entrar para a História do cinema, cumpre com distinção a sua missão de ser um filme de Natal acima da média e capaz de agradar a toda a família, conseguindo mesmo a proeza de constituir um 'remake' bem conseguido de um clássico intemporal, ainda que sem chegar ao patamar de qualidade do mesmo. Ainda assim, haveria decerto, à época, opções muito piores para passar uma tarde em família no cinema - ou, em anos subsequentes, frente à televisão; como tal, e numa altura em que os serviços de 'streaming' permitem fácil acesso a uma enorme variedade de filmes (de que este não é excepção) nada melhor para as tardes chuvosas que se avizinham do que abrir o Disney + e prolongar por mais uns dias a atmosfera natalícia, enquanto, ao mesmo tempo, se mostra às novas gerações que os filmes de Natal noventistas não se resumem apenas ao inevitável 'Sozinho em Casa'...


Thursday, 29 December 2022

Quintas de Quinquilharia: Os Enfeites de Natal

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


E numa altura em que o Natal já passou, mas em que as decorações ainda têm mais duas ou três semanas de 'vida útil' antes de regressarem à caixa e ao armário ou sótão, nada melhor do que dedicar algumas linhas a esse que é, também, um dos elementos indispensáveis da experiência natalícia ocidental, incluindo a portuguesa.


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Com as tradicionais bolas coloridas, metalizadas ou com padrões como símbolo, os enfeites típicos de uma árvore de Natal estendem-se destas aos também populares sininhos, lacinhos e chocolates de pendurar, à indispensável estrela ou anjo para pôr no topo da árvore, ou ainda a decorações menos 'práticas' de carregar e guardar, como os não menos obrigatórios fios de luzes piscantes e guirlandas brancas ou prateadas. Apesar de apenas estes elementos típicos já ajudarem a criar uma árvore de belo efeito, no entanto, uma das características mais memoráveis da decoração do pinheiro de Natal (e respectivo elemento circundante) residia - e talvez ainda resida - nas possibilidades de improviso criativo, de que algumas crianças tiravam o máximo proveito, adicionando ao acervo de enfeites criações feitas à mão (muitas vezes na escola) ou ainda 'quinquilharias' que pouco tinham a ver com a época do ano, como os 'bonecos de agarrar', muito populares nos anos a que este 'blog' diz respeito. Longe de estragarem ou escamotearem o efeito, estes 'desvios' ajudavam a dar às respectivas árvores um toque de personalidade, que as distinguia dos pinheiros 'linha de montagem' existentes em outros lares.


Tal como acontece com o presépio, a decoração da árvore - e respectivo tipo de enfeites e 'quinquilharias' - foi dos rituais que menos inovações e mudanças sofreu ao longo dos anos, permanecendo, hoje em dia, quase imutável em relação ao vivenciado pela geração dos anos 90, ou até pela anterior; e, tal como sucede com a cena da Natividade, resta esperar que este paradigma se mantenha, para que pelo menos uma tradição pré-digital consiga continuar a passar, quase inalterada, de geração em geração...

Wednesday, 28 December 2022

Quartas aos Quadradinhos: A Colecção 'Humor Com Humor Se Paga'

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Numa edição passada desta rubrica, falámos de Mafalda, uma das mais influentes personagens de banda desenhada das décadas de 70, 80 e 90. No entanto, apesar de a contestatária menina ter sido o principal contributo do seu criador, Quino, para a História desta forma de arte, a mesma esteve longe de ser a sua única criação de sucesso, tendo o mercado português sido testemunha de, pelo menos, mais uma: a colecção 'Humor Com Humor Se Paga', cujos últimos volumes completam, neste ano que ora finda, precisamente três décadas sobre a sua edição nacional.


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Os três volumes da série editados nos anos 90


Iniciada ainda nos anos 70, e concluída vinte anos e trinta e seis volumes depois (tendo apenas os três últimos sido editados já nos anos 90), a colecção da Dom Quixote permitiu, aliás, a outros autores que não apenas Quino cimentar a sua marca na indústria portuguesa; Sempé, por exemplo (o co-criador do popular 'O Menino Nicolau' ao lado de René Goscinny, guionista de Astérix) teve direito a vários volumes, além de artistas menos conhecidos, mas dentro do mesmo estilo satírico e 'cartoonesco', como Coco e Palomo. No entanto, a esmagadora maioria dos tomos da colecção trazia, mesmo, autoria de Quino, servindo como uma introdução algo mais 'leve' que Mafalda ao seu inconfundível estilo, através de 'gags' de imagem única, bem ao estilo do que se podia encontrar em muitos jornais mundiais da altura, e declaradamente dirigidas a adultos, afastando assim parcialmente o público infantil que (talvez erroneamente) se afeiçoara e fidelizara à menina da bandolete e aos seus amigos.


Apesar de - por esse mesmo motvo - ser potencialmente menos nostálgico para a juventude portuguesa que a criação principal do desenhador argentino, ou que outros 'ilustres' como Calvin e Hobbes, a série em causa merece, ainda assim, destaque nestas nossas páginas, por alturas do trigésimo aniversário da sua conclusão, por constituir mais um dos inúmeros exemplos da 'era de ouro' dos 'cartoonistas' disponíveis no mercado português.

Tuesday, 27 December 2022

Terças de TV: O Sequim D'Ouro

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A programação natalícia em Portugal é sinónimo de uma série de coisas bem conhecidas: o 'Sozinho em Casa', o Circo de Natal, a missa...e a mais antiga de todas essas tradições, o concurso internacional de canto infantil conhecido como Sequim D'Ouro. Uma espécie de Festival da Eurovisão para crianças (ou, se preferirmos, um 'Mini Chuva de Estrelas' à escala internacional, e sem a vertente 'cosplay') este concurso realiza-se anualmente, sem falta, desde finais dos anos 50 (normalmente em Novembro), e é transmitido de forma igualmente assídua pela televisão estadual portuguesa, como parte da sua grelha de Natal.


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O conceito do concurso requer que cada mini-concorrente (oriundo dos quatro cantos do continente europeu, exactamente como na versão 'dos crescidos') interprete uma música original em duas versões - a primeira na sua língua natal e a segunda em Italiano, a língua do país organizador do concurso; cada interpretação é, depois, julgada por um júri especializado, sendo no final escolhido um vencedor. Um formato simples, e que permite que o foco seja posto onde verdadeiramente deve: nos esforços vocais dos jovens intérpretes, sempre devidamente acompanhados pelo coro infantil residente do Teatro Antoniano de Bolonha, onde o festival é tradicionalmente gravado.


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Durante o auge da sua popularidade, o  boneco Topo Gigio era presença habitual no concurso.


Nos anos 80 e 90, a transmissão anual deste concurso trazia, ainda, o atractivo adicional da presença do Topo Gigio, mascote nativa americana que, à época, gozava de alguma popularidade em Portugal, fruto do programa homónimo que tinha 'apresentado' na RTP, em inícios dos anos 80, e que na década seguinte renovaria essa mesma popularidade ao surgir no programa-estandarte da SIC ao lado de João Baião; só mais um incentivo para as crianças portuguesas sintonizarem a estação estadual no dia de Natal, e assistirem a uma emissão que reunia vários ingredientes perfeitos para a programação desta época do ano, e que continua, ainda hoje (mais de seis décadas após a sua estreia) a afirmar-se como um clássico da mesma, quanto mais não seja pela longevidade e inevitabilidade da sua presença na grelha natalícia nacional, que rivaliza já com a do referido 'Sozinho em Casa' e respectiva segunda parte...

Monday, 26 December 2022

Segundas de Sucessos: Os Tops Musicais de 1992 e 1997

NOTA: As informações contidas neste 'post' têm por base dados recolhidos do 'blog' Topdisco.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


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Numa altura em que a época natalícia está oficialmente encerrada (ou quase) e em que se caminha a passos largos para o final de mais um ano, achámos por bem embarcar na habitual maré de estimativas, listas e somatórios totais de tudo e mais alguma coisa, ainda que, naturalmente, com o nosso próprio traço distintivo - no caso, o facto de estarmos a analisar os 'tops' musicais nacionais não do ano que ora finda, mas de há, respectivamente, três décadas e um quarto de século (1992 e 1997).


Como se poderá decerto imaginar (sobretudo se se viveu a respectiva era temporal) ambas estas listas são significativamente diferentes, não só das actuais, mas até mesmo entre si; numa época em que a passagem de meia dúzia de anos implicava tendências por vezes diametralmente opostas, não é, de todo, de admirar que as mesmas se reflictam no tipo e volume de discos vendidos nos dois anos em análise. O que, sim, surpreende, são certas outras 'nuances' que se percebem ao analisar os 'tops' lusos de finais do século XX, e que talvez se afirmem como inesperados para os membros mais novos ou distraídos da geração daquele tempo.


O top de 1992, por exemplo, revela a força e influência que a música portuguesa tinha naquela que era uma das suas épocas áureas - suficientes, neste caso, para fazer com que o colosso 'Nevermind', dos Nirvana, fosse destronado não por um, mas por DOIS lançamentos nacionais, que tomavam para si os dois primeiros lugares da parada daquele ano: por um lado, 'Palavras ao Vento', do supergrupo Resistência, e por outro, o histórico 'Rock In Rio Douro', dos GNR cuja popularidade fora cimentada pelo bombástico e memorável concerto dado pelo grupo no antigo Estádio de Alvalade, em Abril daquele ano (ambos, aliás, lançamentos a que, paulatinamente, daremos atenção neste mesmo espaço.)


Atrás destes dois marcos do pop-rock nacional (e do ainda mais marcante documento histórico de Cobain e companhia) perfilavam-se discos de alguns dos 'suspeitos do costume' da época, dos Scorpions, Simply Red e Guns'n'Roses (todos então ainda em alta) aos 'recuperados' ABBA e Queen (que surgiam em dose dupla, com o excelente 'Greatest Hits II', uma das melhores colectâneas de rock de sempre, e o não menos clássico 'Live at Wembley '86'); e apesar de nenhum dos outros oito representantes da lista ser oriundo de Portugal, nada pode retirar aos dois grupos do topo a sensação de triunfo e 'conquista' do seu próprio país, bem como de 'dever cumprido' na prossecução de um marco histórico para a música portuguesa.


O triunfo da língua portuguesa sobre propostas internacionais cantadas em inglês é, aliás, uma característica em comum entre as duas tabelas em análise, já que também o 'top' de 1997 apresenta o padrão de dois discos lusos situados acima de um 'colosso' de vendas oriundo do estrangeiro. Neste caso, os dois 'conquistadores' são 'Quase Tudo' de Paulo Gonzo - cujo sucesso foi, em grande parte, movido pelo sucesso retumbante da regravação do mega-êxito 'Jardins Proibidos', ao lado de Olavo Bilac, dos também mega-populares Santos e Pecadores - e 'Saber A Mar', dos perenes Delfins, ambos os quais se superiorizaram, em território luso, ao fenómeno Spice Girls, cujo histórico álbum de estreia não logrou ir além do terceiro lugar.


Já as restantes posições reflectiam um domínio ainda maior da música portuguesa em relação a cinco anos antes, já que - além dos dois artistas de topo - também o super-projecto Rio Grande e o malogrado António Variações se lograram 'imiscuir' no top, onde a língua portuguesa era, ainda, representada pela brasileira Daniela Mercury, cujo clássico 'Feijão com Arroz' continuava, um ano depois, a mover unidades no mercado nacional. Do contingente internacional, além do 'girl group' britânico, marcavam presença na tabela Andrea Bocelli (uma daquelas 'anomalias' que por vezes acontecem no mercado 'pop'), os rapidamente esquecidos Kelly Family, e a 'resposta' masculina às Spice Girls, os Backstreets Boys, que davam então os primeiros passos daquilo que seria uma célere e bem-sucedida caminhada rumo ao mega-sucesso internacional.


Duas listas muito diferentes, portanto, mas que continham, ainda assim, um ponto em comum - a presença de (boa) música portuguesa entre os maiores sucessos de vendas, uma tendência que se viria a verificar progressivamente menos com o passar dos anos e das décadas. Também por isso, os dois tops servem como uma interessante 'cápsula temporal' das sociedades portuguesas de inícios e finais dos anos 90, tão diferentes entre si como o são da actual - e não apenas no mundo da música...

Sunday, 25 December 2022

Domingos Divertidos (de Natal): As Brincadeiras de Dia 25

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Se o dia 24 de Dezembro era (e é) normalmente dedicado às jantaradas e outras tradições ligadas à Consoada, o dia 25 tinha - tanto para as crianças dos anos 90 como para as de hoje em dia - apenas um propósito: experimentar todos os brinquedos e presentes encontrados debaixo da árvore.


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Fossem peluches, figuras de acção, Barbies, Nenucos, LEGOs, Playmobil, Pinypons, pistas de corridas, carrinhos de empurrar ou telecomandados, jogos de tabuleiro, uma das muitas consolas 'da moda' ou até algo maior, como um 'skate', bicicleta, kart a pedal, veículo eléctrico ou par de patins em linha, a tudo era dada a sua quota-parte de atenção, pelo menos até um dos presentes ser eleito 'favorito' e monopolizado em detrimento de todos os outros. E mesmo que, um dia ou dois depois, o interesse na maioria dos referidos presentes tivesse, normalmente, decrescido consideravelmente, aquele dia 25 era, invariavelmente, mágico, repleto de possibilidades e com a imaginação como único limite. É em memória desse anos que desejamos a todos os nossos leitores um Feliz Natal.

Saturday, 24 December 2022

Saídas ao Sábado / Sábados aos Saltos (de Natal): O Jantar de Natal

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


As 48 horas da Consoada conformam ainda hoje, para a maioria dos portugueses, uma série de tradições e rituais, normalmente levados a cabo sempre na mesma ordem; e, destas, uma das principais, tanto nos Anos 90 como hoje em dia, serve como uma espécie de 'dois-em-um' entre Saída ao Sábado e Sábado aos Saltos.


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Falamos do jantar de Natal em família, uma Saída de Sábado que subentende, normalmente, uma reunião de parentes de vários quadrantes da 'árvore' familiar - não só os pais e avós, mas também os tios, primos (direitos e em segundo grau) e outras figuras apenas esporadicamente vistas durante o ano; e, claro, casa cheia significa, para os membros mais novos da família, mais oportunidades de passar um belíssimo Sábado aos Saltos na companhia dos primos e outros familiares da mesma idade - mesmo antes de abertas as prendas, à meia-noite ou no dia seguinte, conforme a tradição. E no final, claro, há o jantar propriamente dito, com as suas iguarias (sejam elas peru, bacalhau ou cabrito) e sobremesas típicas desta época do ano, que continuam a tornar esta parte da experiência da Consoada tão memorável para as gerações actuais como foi para a dos seus pais, e resistente a todas e quaisquer mudanças sociais verificadas nos últimos trinta anos.


 

Friday, 23 December 2022

Sessão de Sexta (de Natal): 'O Tesouro de Natal' (1996) - 'Arnie' Salva o Natal

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Apesar de a principal vertente da sua fama ter surgido no contexto do cinema de acção - do qual foi um dos grandes heróis durante os anos 80 e 90, tendo participado numa série de filmes marcantes do género - Arnold Schwarzenegger atravessou, no início e meados da última década do século XX, uma fase em que se tentou, também, afirmar como actor de comédia, tirando proveito do seu aguçado 'timing' cómico; e a verdade é que esta experiência, apesar de nem sempre totalmente bem conseguida, não deixou de render pelo menos um verdadeiro clássico, no excelente 'Um Polícia no Jardim-Escola', lançado logo em 1990. E apesar de os filmes seguintes do actor no mesmo registo - como 'Júnior' ou 'O Último Grande Herói' - não terem conseguido o mesmo sucesso, 'Arnie' viria, ainda, a contribuir para mais um filme de culto entre a juventude dos anos 90, bem como entre os fãs dos filmes de Natal. É desse filme, que completou esta semana vinte e seis anos sobre a sua estreia em Portugal, que falaremos nesta última Sexta de Sucessos antes da Consoada.


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Trata-se de 'O Tesouro de Natal' ('Jingle All The Way' de seu título original) estreado em terras lusas a 20 de Dezembro de 1996, numa altura em que a imagem de Schwarzenegger era, ainda, suficiente para 'vender' filmes por si só. E a verdade é que, sem 'Arnie', este filme talvez nem tivesse adquirido o estatuto de 'meme' 'tão mau que é bom' de que hoje goza, já que é das 'caretas' e dichotes de efeito do actor que advêm os momenos mais memoráveis da película, ficando as intervenções sem graça do insuportável Sinbad e restantes tentativas falhadas de fazer rir a audiência algo 'esquecidas' por comparação.



Schwarzenegger é responsável por muitos dos melhores momentos do filme.


Tal como existe, e longe de ser um bom filme ou merecer o estatuto de clássico da época natalícia gozado por filmes como 'Gremlins', 'O Estranho Mundo de Jack' ou o binómio 'Sozinho em Casa', 'O Tesouro de Natal' vale o visionamento apenas pela exibição tresloucada de 'Arnie', ao estilo das que tornam, hoje, conhecido Nicolas Cage, mas bastante mais intencional, e que transforma uma comédia de Natal comercial e medíocre em algo ainda hoje lembrado - ainda que ironicamente - por toda a geração que a ela assistiu há um quarto de século.


Thursday, 22 December 2022

Quintas ao Quilo: 30 Anos da Telepizza em Portugal

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


No mundo dos negócios - como, aliás, em muitos outros - a marca de trinta anos é tão respeitável quanto rara. Àparte os grandes conglomerados e as marcas já bem estabelecidas no mercado internacional, é pouco frequente ver uma loja ou serviço manter-se não só 'viva' como 'bem de saúde' do ponto de vista financeiro durante um período de tal forma alargado - o que faz com que seja ainda mais de louvar quando tal facto se verifica, e duplamente em tratando-se de um negócio de moldes mais 'locais'.


Serve este preâmbulo para justificar o desvio momentâneo dos assuntos natalícios, a fim de aproveitar esta última oportunidade para celebrar os trinta anos de uma companhia que marcou a infância e adolescência de toda uma geração de portugueses - a Telepizza, que completou este ano, precisamente, três décadas de existência no mercado alimentar e de 'fast food' português.


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Foi, de facto, em 1992 (um par de anos antes do McDonald's e depois da grande rival Pizza Hut) que a pizzaria cujo 'segredo está na massa' 'saltou a fronteira' da vizinha Espanha, onde surgira cinco anos antes, para fazer concorrência à 'monopolista' 'Cabana das Pizzas', e se tornar sinónima com a entrega ao domicílio deste tipo de alimento em território nacional. Com a sua 'receita secreta' de base para a massa (cujo resultado final era tão bom ou melhor que o da concorrente), o seu delicioso pão de alho e os preços bem mais 'simpáticos' que os da 'Cabana', a companhia ibérica não tardou a 'cair no gosto' dos portugueses, assumindo-se como líder na entrega ao domicílio (posto de que ainda hoje goza) e tornando-se tão omnipresente nas principais localidades do nosso país, que muita gente erroneamente acreditou tratar-se de um negócio fundado em Portugal.


O passo seguinte passou, naturalmente, pela internacionalização, ainda que tenha levado à pizzaria ibérica mais de duas décadas a extravasar as fronteiras ibéricas, e a abrir novas lojas, primeiro na América Central e do Sul, e mais tarde em países da Europa (nomeadamente o Reino Unido e a Polónia) e do Médio Oriente e Ásia do Sul. Para muitas ex-crianças portuguesas dos anos 90 e 2000, no entanto, esta companhia continuará a ser, ainda e sempre, aquela que trazia a casa, ao fim de semana, o tão esperado e apreciado disco de massa de pão com 'toppings', pronto a ser 'devorado' em família. Parabéns, Telepizza - e que contes ainda muitos mais!

Wednesday, 21 December 2022

Quartas de Quase Tudo: O Presépio

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Recentemente, falámos aqui do ritual de enfeitar a árvore de Natal, ainda hoje um dos pontos altos deste período de Festas para muitas crianças e jovens, em Portugal e não só; agora, chega a altura de recordar a outra (e não menos entusiasmante) vertente das decorações natalícias do lar português médio - o presépio.


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Um presépio bem tradicional e típico da época.


Montado, normalmente, ao mesmo tempo do que a árvore (e geralmente perto da mesma) a tradicional cena do nascimento de Jesus permitia aos mais criativos dar largas à imaginação, senão na cena em si (que é histórica e, como tal, imutável) pelo menos na apresentação da mesma - por exemplo, através da construção de uma manjedoura ou estrela em trabalhos manuais, a qual se tornava, posteriormente, parte integrante da cena até se 'desfazer'.


Mesmo quem não tinha pendor para estas inovações, no entanto, tinha muito por onde se entusiasmar, sendo a própria aquisição das figuras em si - à época, normalmente, disponíveis em formato avulso em muitas drogarias e lojas tradicionais 'de bairro' - já constituía uma experiência fora do vulgar, e indicativa de que a época natalícia se estava, verdadeiramente, a iniciar; e depois, claro, havia a própria disposição da cena na sala de jantar ou de estar, também ela bastante divertida, sendo apenas difícil resistir à tentação de usar os figurinos do presépio como figuras de acção, ou heróis de histórias retiradas naquele preciso instante da nossa imaginação. E depois havia, claro, a também memorável 'excursão' pelas ruas da cidade, vila ou aldeia, em busca dos presépios públicos que as diferentes autarquias sempre montavam como complemento às tradicionais iluminações, muitos dos quais se destacavam pelo conceito, execução, ou simplesmente pelo tamanho...


Sejam quais forem as circunstâncias em torno deste ritual anual, no entanto, não restam dúvidas de que o mesmo constituía um dos pontos altos da experiência de preparação do Natal para as crianças e jovens portugueses de finais do século XX; a única questão que se coloca é, portanto, se esta prática continuará a ter o mesmo impacto para as gerações actuais...

Tuesday, 20 December 2022

Terças Tecnológicas: Os Níveis de Natal dos Anos 90

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Numa era em que qualquer conteúdo digital está disponível à distância de um clique e de uma micro-transacção, sob a forma do chamado 'downloadable content' ou DLC, é fácil esquecer que, há trinta ou quarenta anos atrás, nos primórdios dos jogos de PC da era pré-Pentium, existia já uma versão 'embrionária' desta forma de aquisição de conteúdos. De facto, o modelo popularizado nos anos 80 e 90 e vulgarmente denominado 'shareware' (programas informáticos cuja versão 'básica' era distribuída de graça, e os conteúdos adicionais podiam ser adquiridos individualmente mediante um módico investimento) pode, legitimamente, ser considerado um antecessor do DLC, estando, até, sujeito a alguns dos 'tiques' característicos do mesmo - entre os quais a criação e disponibilização de pacotes de níveis para diferentes jogos tematizados em torno de vários conceitos, dos quais um dos mais populares era o Natal.


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A versão natalícia de Lemmings


De facto, no auge do modelo 'shareware', foram várias as séries de jogos que lançaram níveis, ou até episódios inteiros, com motivos invernais e natalícios, entre eles 'Lemmings', 'Duke Nukem' e, famosamente, o excelente 'Jazz Jackrabbit', da Apogee; e se em alguns destes casos as alterações se limitavam a mudanças gráficas (com os habituais e característicos 'enfeites' natalícios) em outros, como o referido 'Jazz', chegavam mesmo a afectar a jogabilidade, que se tornava mais 'escorregadia', como era característico dos níveis 'de gelo' dos jogos de acção e plataformas na altura.


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O excelente 'Jazz Jackrabbit Christmas'


Tão popular era esta tendência, aliás, que a mesma se chegou mesmo a estender às consolas, nomeadamente às da Sega, como a Mega Drive ('James Pond 2: Codename Robocod' é essencialmente um jogo de Natal subaquático) e à Sega Saturn, onde o cultuado 'Nights: Into Dreams' tinha direito a um episódio de Natal, 'Christmas Nights', lançado em 1996 - isto já sem falar dos jogos alusivos a 'Sozinho em Casa', lançados tanto para as 8 e 16-bits da Sega e Nintendo como para o PC.


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'Christmas Nights Into Dreams', um exclusivo para Sega Saturn lançado em 1996


No entanto, foi mesmo no meio 'shareware' que esta tendência foi mais popular, e terá sido nesse âmbito que a maioria dos leitores deste blog terá convivido com a mesma, nos saudosos tempos em que uma disquete ou um CD de demos de uma revista de computadores constituía uma verdadeira caixinha de surpresas - à boa maneira, aliás, de um presente de Natal...

Monday, 19 December 2022

Segundas de Séries: Noeli

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Na edição passada desta rubrica, mencionámos que, de entre todas as séries animadas produzidas nos anos 80 e 90, apenas uma era, declaradamente, tematizada em torno do Natal, e ambientada na época do ano e localização geográfica normalmente associadas com a mitologia do mesmo; agora, na última Segunda de Séries antes do Natal - e última deste ano 2022 - chega a altura de nos debruçarmos, precisamente, sobre essa produção.


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Trata-se de Noeli, um 'anime' produzido em meados dos anos 80, mas que se encontrava ainda em rotação na grelha da RTP no final do primeiro ano da década seguinte, datando a sua segunda e última exibição em Portugal, precisamente, de Dezembro de 1990 e inícios de Janeiro de 1991. Com um total de vinte e três episódios, e um estilo de animação bem típico das produções japonesas da época (ainda que algo mais 'suave' que o de contemporâneos como 'Cavaleiros do Zodíaco', 'Oliver e Benji' ou mesmo a lendária adaptação em 'anime' de Tom Sawyer) a série tem como objectivo declarado seguir o quotidiano do Pai Natal (aqui conhecido como 'Noeli'), da sua mulher Maria (presumivelmente, a Mãe Natal) e dos respectivos duendes, à medida que todos se preparam para mais uma noite de Natal; pelo meio - e porque seguir a premissa à risca tornaria a série algo aborrecida - os elfos assistentes do bom velhinho (aqui conhecidos como Tontos, a palavra japonesa para 'Elfos' que, pelos vistos, ninguém se deu ao trabalho de traduzir) vivem ainda uma série de peripécias na floresta que rodeia a oficina de São Nicolau, no coração da Finlândia remota.


Uma premissa que limita bastante a abrangência da série, mas que, inversamente, a torna perfeita para exibição na época festiva, quando o público-alvo se encontrava de férias, e com tempo livre de sobra para seguir as aventuras desta família de simpáticos duendes. E a verdade é que 'Noeli' nunca mostra pretender ser mais do que aquilo que é - uma série simpática, sem a acção violenta ou as aspirações épicas demonstradas pela maioria das produções japonesas, da época e não só. E se esta intenção declarada a poderá ter tornado algo 'fofinha' em demasia para um determinado sector do público infanto-juvenil, para outros tantos, esta série terá sido tão sinónima da experiência televisiva de certas épocas festivas da infância como 'O Natal dos Hospitais' ou o Circo de Natal - e esses terão, sem dúvida, apreciado esta pequena homenagem à única série animada verdadeiramente natalícia do período a que este blog diz respeito.


Sunday, 18 December 2022

Domingo Desportivo: Grandes dos 'Pequenos' - Rui Óscar

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Um dos principais axiomas do futebol jovem é que poucos são aqueles que, destacando-se ao nível da formação, chegarão também a brilhar ao mais alto nível; de facto, na maioria dos casos, ocorre precisamente o contrário, e um jovem que integra as selecções jovens do seu país de origem acaba por não almejar mais do que uma carreira honrosa, mas longe das 'luzes da ribalta' atingidas por outros seus colegas - ou seja, torna-se um 'grande dos pequenos'.


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Tal é, sem qualquer dúvida, o caso de Rui Óscar Neves de Sousa Viana, internacional e campeão europeu sub-18 por Portugal, mas cuja carreira nunca chegou verdadeiramente a 'descolar' da forma que tal início poderia fazer prever; ainda assim, o percurso do ex-defesa pelo futebol profissional foi suficientemente destacado para que, no fim-de-semana em que completa 47 anos de idade, valha a pena dedicar-lhe algumas linhas nesta nossa rubrica sobre os 'actores secundários' dos campeonatos nacionais de futebol dos anos 90.


Natural de Gondomar e formado no FC Porto - ao serviço do qual se sagraria internacional sub-18 e conquistaria o Europeu de 1994 do escalão - Rui Óscar começou por dar nas vistas no histórico União de Lamas, emblema pelo qual realizou a sua primeira época como sénior, contribuindo com um golo ao longo de dezassete partidas. Um início bastante comum para um jovem futebolista da época, mas que não deixou de valer a Rui Óscar a atenção de uma agremiação de maiores dimensões - no caso o Leça, que, naquela época 1995-96, competia ao nível da Primeira Divisão nacional. O defesa nortenho tornou-se assim, durante uma temporada, colega de outro jogador que abordámos nesta rubrica, Serifo, tendo sido presença assídua na equipa leceira, com um total de vinte e sete presenças, e feito por merecer a chamada às Selecções tanto de sub-20 como de sub-21, que representaria, respectivamente, no prestigiado Torneio de Toulon e na qualificação para o Europeu de Sub-21 de 1998.


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O cromo do jogador nos tempos do Leça


Deu-se, então, um 'salto' para Rui Óscar que quase o desqualificaria desta rubrica, tivesse o jogador ido além das duas partidas ao nível sénior pelo FC Porto; ficou-se, no entanto, por aí a contribuição do defesa para o campeonato dos Dragões da época 1996-97, não tendo sequer tido direito a sagrar-se campeão pelo clube que o formara. A temporada  após esta 'aventura' falhada veria, assim, o defesa integrar o plantel do primeiro de dois clubes pelos quais pode reclamar o estatuto de 'grande dos pequenos' - o Marítimo, onde permaneceria durante três épocas e se afirmaria como 'esteio', amealhando um total de oitenta e sete jogos e apontando dois golos.


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Rui Óscar no Marítimo


Apesar do sucesso desta 'aventura' insular, no entanto, o dealbar do novo milénio veria, ainda assim, o defesa regressar à sua zona de origem, ainda a tempo de celebrar a inusitada e inédita conquista do Campeonato Nacional da I Divisão por parte do outro grande clube da cidade do Porto, o Boavista, que negava assim ao Sporting aquilo que, se tivesse acontecido, viria a ser um bi-campeonato, e mais tarde um 'tri'.


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O defesa ao serviço do Boavista


A essa época histórica, seguir-se-iam mais três, durante as quais Rui Óscar marcaria assiduamente presença na equipa boavisteira, ao lado de nomes como Martelinho ou Fary - no total, foram setenta e uma as presenças do defesa ao serviço dos axadrezados entre 2000 (ano em que conseguiu, também, a sua única internacionalização sénior, pela equipa B de Portugal) e 2004, quando se mudou um pouco mais 'para baixo' para representar o futuro clube do ex-colega boavisteiro Fary, o Beira-Mar de Aveiro.


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Correu, no entanto, menos bem esta última aventura do ex-internacional português, que somaria apenas três partidas pelos aurinegros, e acabaria mesmo por 'pendurar as botas' no final da temporada, com apenas trinta anos de idade, e com capacidade para, pelo menos, mais um punhado de épocas ao nível a que jogava. Ainda assim, há que respeitar a decisão de um jogador que, nas dez épocas que passou como profissional de futebol, conseguiu deixar a sua marca nos campeonatos profissionais de futebol portugueses de finais do século XX e inícios do XXI, e conquistar o seu lugar entre os verdadeiros 'grandes dos pequenos' existentes no seio dos mesmos. Parabéns, Rui Óscar - e que conte muitos!

Saturday, 17 December 2022

Sábados aos Saltos: As Brincadeiras na Neve

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Apesar de não fazer parte da experiência invernal de todos os portugueses (quem mora mais a Sul certamente apenas terá tido contacto com este elemento durante as viagens de férias até às regiões mais a Norte) a neve não deixa de ter proporcionado memórias indeléveis a quem com ela convivia todos os Invernos. Ainda que este tipo de fenómeno meteorológico traga, inevitavelmente, dificuldades a quem com ela tem de lidar (seja pela necessidade de manter os lares aquecidos, seja pela interrupção forçada de actividades agrícolas ou pecuárias, ou ainda pelo extremo esforço que representa a condução sob condições inclementes) também não deixa de ser verdade que, para uma criança ou jovem, as nevascas têm um enorme potencial para diversão.


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De facto, dos bonecos de neve às lutas de bolas, passando pela patinagem, trenó, esqui ou simples criação de formas na neve recém-caída, são inúmeras as formas de transformar este fenómeno numa tarde bem passada, quer sozinho, quer em famíla ou na companhia de familiares ou amigos da mesma idade; e se, para muitos portugueses, este tipo de experiência era vivido apenas em 'segunda mão', através dos filmes de Natal ou de filmagens transmitidas pelo Telejornal, para outros tantos, tratava-se de uma vivência bem real nos últimos meses de cada ano, em que uma semana de queda de neve se traduziria, provavelmente, num Sábado aos Saltos lá fora, a tirar máximo proveito do fenómeno climatérico - sempre bem agasalhado, claro, para evitar as constipações. E para quem não tinha oportunidade de 'viver' uma nevasca em primeira mão, o desejo de o fazer era absolutamente avassalador, tornando mais do que válidas estas poucas linhas de homenagem a essa experiência tão definitiva da infância de milhares de portugueses...

Sessão de Sexta: 'Sozinho em Casa 2' - Maior, Mas Não Melhor

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2022.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


No primeiro Natal do Anos 90, há quase exactamente um ano, fizemos questão de recordar aquele que continua a ser, possivelmente, o maior clássico de Natal da geração de finais do século XX, o imortal e perene 'Sozinho em Casa'; agora, doze meses volvidos e no fim-de-semana em que se celebram trinta anos sobre a sua estreia em Portugal, chega a altura de recordar a primeira e mais famosa sequela do filme de Chris Columbus.


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Produzido e lançado nos EUA em Novembro-Dezembro de 1991, 'Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque' demoraria, como o original, quase um ano a atravessar o Atlântico, surgindo nas salas de cinema portuguesas apenas a 18 de Dezembro de 1992, ainda mais que a tempo de cativar os jovens fãs do original e de capitalizar sobre a popularidade da mini-estrela Macaulay Culkin, que surge novamente no papel que o revelou ao Mundo: o de Kevin McAllister, filho mais novo de uma família numerosa e com uma certa tendência para o ignorar, ou, pior, esquecer-se dele. E se no primeiro filme Kevin havia sido deixado para trás aquando de uma viagem de férias, desta vez, é durante a visita da família à cidade de Nova Iorque que o engenhoso mas ingénuo jovem se separa da família, vendo-se obrigado a tentar encontrá-la ao mesmo tempo que procura escapar às maquinações dos bandidos de Daniel Stern e Joe Pesci, que se procuram vingar dele pelos eventos do primeiro filme; pelo meio ficam interacções com Donald Trump (sim, interpretado pelo próprio), 'visitas guiadas' cinematográficas às principais atracções da Nova Iorque natalícia de princípios dos anos 90 e, claro, aquela mistura de humor e sentimento que caracteriza qualquer bom filme de Natal, e que fizera do primeiro filme o tremendo sucesso que foi.


Infelizmente, apesar de a 'fórmula' ser mais ou menos a mesma, bem como o realizador e elenco, 'Sozinho em Casa 2' dá razão à máxima que diz que as sequelas nunca são tão boas como os originais, nunca chegando a ser um clássico ao nível do original. Talvez seja a ausência das armadilhas caseiras que proporcionavam todos os bons momentos do primeiro filme, ou talvez a ambição demasiada em colocar Kevin a deambular pela gigantesca 'Big Apple' - o certo é que falta mesmo a esta primeira sequela aquele 'pózinho secreto' que lhe permitisse ombrear com o seu antecessor. Ainda assim, em vista do que se seguiria - e da maioria das comédias de Natal infantis estreadas desde então (como os insuportáveis 'Grinch' e 'Elf - O Falso Duende') 'Sozinho em Casa 2' não deixa de ser uma película acima da média, e capaz de proporcionar algumas gargalhadas aos mais novos numa tarde de cinema em família - desde que, claro, se faça questão de exibir também, na mesma sessão, o primeiro filme. E, para facilitar, deixamos abaixo o 'link' de YouTube para o filme completo...


Thursday, 15 December 2022

Quintas no Quiosque: Os Jogos da Santa Casa

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


E numa altura do ano de que é apanágio a caridade e a contribuição para boas causas, nada melhor do que recordar os primeiros anos de três dos poucos jogos 'de sorte' socialmente bem aceites, cujos proveitos revertiam para boas causas, e que – não se tratando de publicações de imprensa – tambem eram 'clássicos' das visitas ao quiosque com os pais ou familiares.


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Os icónicos Totoboletins e o primeiro modelo de Raspadinha a surgir em Portugal, em 1995


Falamos, claro, do binómio Totoloto/Totobola – dois jogos ainda hoje inseparáveis, e normalmente mencionados em conjunto, sobretudo devido às suas semelhanças – e das hoje não menos clássicas 'Raspadinhas', todos três promovidos pela Santa Casa da Misericórdia; e se os dois primeiros já eram, nos anos 90, instituições estabelecidas no cenário social português (tornando desnecessário gastar caracteres a explicar em que consistia cada um deles, o último teve precisamente nessa década (concretamente em 1995) a sua introdução oficial, tornando-a ainda mais relevante para o contexto deste blog.


Isto porque, ainda que estes fossem, nominalmente, jogos dirigidos a adultos, os mesmos encontram-se, ainda assim, indelevelmente ligados às memórias de infância e adolescência de toda uma geração, que tantas e tantas vezes foi ao quiosque do café buscar o Totoloto ou Totobola para os pais (e, em seguida, teve participação activa no esforço mental de escolha dos números ou previsão dos resultados futebolísticos) ou esfregou vigorosamente uma Raspadinha para ver se tinha prémio (e mesmo uns modestos cem escudos já eram suficientes para aguçar o entusiasmo). Também excitante era, depois, ao Sábado, sentar-se com a família em frente à televisão para ver o sorteio dos números, com as icónicas 'tômbolas' giratórias repletas de bolas coloridas, ao estilo 'snooker', e que, só por si, já valiam a experiência. De facto, paradoxalmente, esses factores faziam com que muitas dessas crianças e jovens tivessem participado de forma mais activa nesses jogos naquela época do que mais tarde, depois de 'crescidos'!




Os sorteios eram quase tão entusiasmantes de ver como os boletins eram de preencher.


Grande parte deste entusiasmo infanto-juvenil por jogos que, efectivamente, podem ser qualificados como 'jogos de azar' estava, claro, ligado à 'novidade' - sobretudo das Raspadinhas, que, como acima referimos, faziam por aqueles anos a sua estreia em Portugal, trazendo consigo motivos e temas irresistíveis para qualquer 'miúdo', como tesouros piratas. E se, tecnicamente, não era permitida a venda destes jogos a menores de idade, a verdade é que terá havido, durante aqueles anos, muito 'puto' a entrar em tabacarias por esse Portugal afora, pedir sincera e inocentemente uma raspadinha...e ser atendido em conformidade, sobretudo se na presença dos pais.


Como é evidente, estes jogos constituem exemplos de elementos sociais que se mantiveram nos trinta anos volvidos desde a época de que aqui se fala, tendo sempre gozado de enorme adesão por parte dos portugueses – sobretudo nos sectores de mais idade – e tendo cimentado o seu estatuto de 'clássicos' perenes das tabacarias e quiosques: ainda assim, e conforme acima referimos, para as gerações mais novas estes jogos perderam, ao longo das décadas, alguma da 'mística' que detinham quando, em pequenos, nos afanávamos para 'inventar' um conjunto de números para marcar no boletim, ou procurávamos freneticamente uma moeda para raspar a Raspadinha...

Wednesday, 14 December 2022

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Natal Disney de Ouro'

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Uma das nossas primeiras Quartas aos Quadradinhos versou sobre as bandas desenhadas Disney vendidas em catadupa no nosso País nos anos 80 e 90 pela editora Abril, mais tarde Abril-Controljornal; e se, sobretudo na 'nossa' década, muitos desses títulos eram traduzidos e adaptados em Portugal, também não deixa de ser verdade que um número significativamente maior continuava a ser importado do Brasil, à época uma verdadeira 'linha de montagem' de BD, e cujo idioma era suficientemente próximo do nosso para que não fosse necessária qualquer localização (sendo que algumas das localizações da Abril da época como as das revistas de super-heróis, retinham mesmo, famosamente, toques de 'brazuquês'), De entre estes últimos, um dos mais diferenciados, mais não fosse pelo tema, era a Edição Extra 'Natal Disney de Ouro', um especial dedicado a histórias natalícias publicado anualmente em Novembro-Dezembro pela Abril brasileira durante quase exactamente duas décadas, entre 1979 e 1998.


 


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A primeira e última edição da revista nos anos 90 (números 11 e 20, de 1990 e 1998, respectivamente).


Com um título que não deixa grande margem a interpretações, estes volumes eram precisamente aquilo que aparentavam ser – almanaques de histórias passadas, ora no Natal, ora pelo menos no Inverno, ou cuja temática se adequasse ao tema em causa. Mais surpreendente foi, mesmo, o facto de os editores responsáveis por compilar anualmente este número especial terem conseguido encontrar histórias tematicamente apropriadas em número suficiente para criar DEZANOVE números completos – embora, presumível e previsivelmente, tenha havido, ao longo dos anos, algumas repetições - e, até, criado histórias inéditas em exclusivo para a revista. Tendo em conta que a maioria dos outros números temáticos tinham direito a, no máximo, dois ou três volumes, não deixa também de ser impressionante que esta edição tenha saído sem falhas durante quase vinte anos, e apresentado sempre uma configuração de histórias diferente.


Também impressionante era a apresentação do volume, que levava a sério a designação 'de Ouro' e apresentava letras douradas brilhantes no título, para além daquele papel especial que fazia revistas deste tipo parecerem sempre mais 'especiais' do que os vulgares Mickey e Pateta editados mensalmente; e porque 'os olhos também comem', é quase certo que esta apresentação cuidada terá sido um dos principais chamarizes desta BD junto do seu público-alvo, e ajudado a diferenciá-la de volumes como o Disney Especial 'Aventuras de Natal', editado na mesma época, mas de aspecto gráfico bem mais 'normal' para os padrões da Abril da época. Juntamente com a cuidada selecção de histórias e as sempre divertidas falas em português do Brasil, este foi um dos factores que contribuiu para tornar esta revista um clássico dos Natais da criançada portuguesa (e, sem dúvida, também brasileira) dos anos 80 e 90 - e, mais tarde, também dos 2010, década em que a revista voltou a surgir nas bancas, já com o novo 'look' típico dos produtos de BD contemporânea da Disney. Ao contrário da sua antecessora, no entanto, essa edição ficar-se-ia pelo Brasil, tendo Portugal editado os seus próprios números de Natal ao longo do século XXI; para quem leu e coleccionou aqueles números originais dos anos 80 e 90, no entanto, 'Natal Disney de Ouro' será, sem dúvida, a referência natalícia entre as BD's da Disney, merecendo bem ser recordada nesta época festiva.


 

Tuesday, 13 December 2022

Terças de TV: O Circo de Natal na Televisão

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Há pouco menos de um ano atrás, falámos num dos nossos 'posts' sobre a emoção que representava para uma criança dos anos 90 ir assistir, ao vivo, a um espectáculo de Circo de Natal, normalmente através da(s) empresa(s) dos pais ou em visita de estudo com a escola. No entanto, e apesar de os referidos circos se espalharem, durante a época natalícia por quase todo o território português, haveria ainda, certamente, quem não tivesse oportunidade de visitar em pessoa a tenda listrada – e, nessa instância, apenas restava uma alternativa a quem queria admirar feitos impossíveis, rir dos palhaços ou emocionar-se com os sempre controversos números com animais: a emissão do 'Circo de Natal' apresentada por quase todas as televisões portuguesas da época.



Um marco perene da programação de Natal de finais do século XX (tão inevitáveis e esperados nas grelhas de 24 ou 25 de Dezembro como a 'Benção Urbi et Orbi' no Dia de Páscoa) os programas de Circo da época dividiam-se em dois grandes tipos: por um lado, as simples filmagens do espectáculo apresentado nesse ano pelos Circos Chen ou Cardinali situados em Lisboa ou no Porto, e por outro as transmissões de espectáculos de circo estrangeiros, normalmente de uma companhia prestigiada como o Circo do Mónaco; e ainda que nenhuma das duas opções enchesse totalmente as medidas ou conseguisse capturar a experiência de ver aqueles números ao vivo – os programas com base em circos portugueses, em particular, faziam ter vontade de 'estar lá' – ambos constituíam uma boa maneira de passar algumas horas da manhã de feriado, depois de já ter aberto todos os presentes e antes de sair para o almoço de Natal em casa da avó.


Ao contrário do que acontece com muitos dos programas que aqui abordamos, o Circo de Natal mantém-se intacto na grelha natalícia das televisões portuguesas – de facto, quem ligar a televisão nas próximas semanas deparar-se-à, provavelmente, com um programa em tudo semelhante aos da sua infância, sendo a única diferença, talvez, a dupla de apresentadores famosos, prontos a comentar os feitos dos artistas da companhia; uma prova cabal de que nem tudo mudou na sociedade actual por comparação à daquela época e de que, mesmo com todas as controvérsias que hoje a rodeiam, esta forma de arte continua, para muitos portugueses de todas as idades, a ser parte integrante da tradição natalícia, e tão sinónima com a mesma como o era naqueles anos 90.

Monday, 12 December 2022

Segundas de Sucessos: 'Um Pedido de Natal' - O 'We Are The World' do Movimento Pimba

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


No ano passado, por esta altura, falámos da música de Natal dos Anjos, uma tentativa morta à nascença de criar um novo clássico natalício 'made in Portugal'; agora, um ano volvido, falamos de uma outra tentativa gorada, neste caso a de criar uma espécie de 'We Are The World' à portuguesa, protagonizado em 1996 por um colectivo composto por alguns dos maiores nomes da cena 'popularucha' nacional.



Nominalmente atribuído a José Malhoa, presumivelmente o 'cérebro' por detrás do projecto, 'Um Pedido de Natal' (assim se intitula o tema) é, no entanto, claramente um esforço conjunto por parte de uma equipa repleta de 'craques' do 'pimba' nacional, com destaque para o igualmente veterano Tony Carreira, para o grupo Broa de Mel e para a filha de Malhoa, Ana, então no esplendor da adolescência e no auge da popularidade enquanto apresentadora do mítico espaço infantil da SIC, Buereré. O resultado é uma balada típica do estilo musical em que se insere que, não fossem as referências ao Natal na letra, pouca associação teria com esta quadra – de facto, a instrumentação em si traz um toque mais latino do que propriamente invernal ou natalício.


Assim, e consistindo a parte musical da típica 'xaropada' processada, o principal interesse deste 'Pedido' reside na letra, a qual – apesar de simples e simplista, como é apanágio do estilo – não deixa de focar (e de forma surpreendentemente séria, ainda que superficial) uma temática importante, no caso, as separações forçadas entre familiares na noite de Natal, seja por obrigações laborais, desentendimentos pessoais, motivos de saúde (o tema viria, inclusivamente, a ser interpretado no 'Natal dos Hospitais'), ou simplesmente porque alguns dos membros do agregado se encontram em outra localidade ou até no estrangeiro. Uma temática bem relevante para o público-alvo da música (e do movimento 'pimba' em geral) e a que cada um dos intérpretes se entrega 'com tudo', em interpretações que ficam ali na divisória entre o emocional e o ridículo – como, aliás, viria a acontecer também com 'Mãe Querida', uma música de moldes muito semelhantes, mas alusiva ao Dia da Mãe, e que viria a tornar-se um sucesso 'viral' na era pré-Internet aquando do seu lançamento, dois anos mais tarde.


E ainda que (bem) menos lembrado do que esse clássico intemporal de meados dos 90, o 'Pedido' de José Malhoa e companhia não deixa de constituir uma tentativa honrada de gravar uma faixa em molde 'super-grupo', e apresenta muito daquele 'charme' típico do género; ou seja, sem fazer concorrência a 'A Todos Um Bom Natal', o facto é que há músicas bem piores para adicionar à 'playlist' natalícia nostálgica...

Sunday, 11 December 2022

Domingos Divertidos (de Natal): A Decoração da Árvore

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui diversas vezes referimos que nem todas os meios de uma criança ou jovem se divertir implicam necessariamente produtos especificamente concebidos para o efeito. Muitas vezes, é a própria experiência que torna um Domingo Divertido – e é certamente esse o caso no que toca a decorar a árvore de Natal.


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Uma daquelas experiências intemporais que entusiasmam qualquer menor de idade (e também muitos adultos) a colocação de enfeites na árvore representava – ainda mais do que a compra da mesma – o momento em que o Natal entrava, verdadeiramente, na casa de muitas crianças ou jovens portugueses. E se as caixas repletas de bolinhas, fios de luzes e aquelas estranhas 'cobras' de angorá já providenciavam divertimento suficiente, a adição a este lote de enfeites personalizados (fossem trabalhos manuais feitos na escola, enfeites comestíveis ou 'penduricalhos' não necessariamente alusivos ao Natal, como peluches) apenas vinha tornar a sessão de decoração ainda mais memorável e divertida, ajudando a cimentá-la como uma das mais agradáveis experiências em família da quadra natalina.


Ao contrário do que sucede com os pinheiros naturais e onde encontrá-los, o 'ritual' de tirar os enfeites do armário e de os colocar na árvore – seja a mesma natural ou artificial – mudou muito pouco ao longo dos anos, continuando a ser uma experiência maioritariamente física e táctil, que muito dificilmente conseguirá ser trasladada para o plano digital e virtual – ainda que a ideia de uma 'app de enfeite da árvore de Natal' vir a estar disponível na Google Play num futuro próximo seja tudo menos descabida... Até lá, no entanto, há que continuar a aproveitar o tempo em família que a decoração da árvore proporciona, e que a torna um dos principais momentos simbólicos da época da Consoada – tanto nos anos 90 como hoje em dia e, previsivelmente, também em décadas vindouras.

Saturday, 10 December 2022

Saídas ao Sábado (de Natal): A Compra de Árvores de Natal Naturais nos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Numa altura em que se entra oficialmente na contagem decrescente de duas semanas até ao Natal, e em que a maioria das famílias (em Portugal e não só) se encontra em plena fase de preparativos para a Consoada, nada melhor do que recordar uma tradição que entusiasmava qualquer criança de finais dos anos 90 e inícios de 2000, e que as mudanças sociais tornaram algo menos frequente: a compra de uma árvore de Natal 'a sério'.


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Uma visão em tempos habitual, e hoje quase desaparecida da sociedade portuguesa


Quem viveu em ambiente citadino, em particular, certamente recordará a visão de um vendedor ambulante sentado (ou de pé) numa qualquer esquina de rua, rodeado de pinheiros de aspecto mais ou menos viçoso, prontos a serem adquiridos e levados para casa para propósitos de decoração. Raras vezes autorizados a ali estar – sendo, também, questionável a legalidade do abate das árvores que vendiam – estas figuras não deixavam de fazer parte integrante da experiência natalina de milhares de jovens portugueses da época, sendo tão expectável e emocionante como as iluminações ou os carrinhos de castanhas. Isto porque, apesar de não serem, de todo, baratas, as árvores 'a sério' eram bastante mais entusiasmantes de decorar e exibir do que as suas congéneres artificiais, ainda que houvesse também que ter em conta as necessidades de manutenção da mesma, tanto durante a sua 'estadia' na sala de estar – quem teve uma árvore destas, certamente se lembrará de ver o chão repleto de caruma – como após a Consoada, quando era preciso colocá-la na rua para ser deitada fora. Ainda assim, apesar destas particularidades, poucas famílias havia, à época, que desperdiçassem a oportunidade de obter uma destas árvores, por oposição á alternativa em plástico.


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Hoje em dia, as árvores naturais são sobretudo vendidas por superfícies especializadas.


Conforme já referimos, no entanto, as mudanças de mentalidade social – e de disposições legais – ditaram que, a partir dos primeiros anos do Novo Milénio, a presença dos referidos vendedores nas ruas portuguesas se reduzisse significativamente, até os mesmos desaparecerem por completo; mesmo em outros países, como o Reino Unido, a compra de árvores naturais passou a ser feita de forma bastante mais regulada, em grande parte através de retalhistas especializados e grandes superfícies, eliminando quase por completo os antigos vendedores 'particulares'. Ainda assim, quem viveu aquela época e se recorda de comprar uma árvore a um destes indivíduos, certamente sentirá alguma nostalgia em relação àquele que é mais um elemento para sempre desaparecido da vida quotidiana portuguesa de finais do século passado...

Friday, 9 December 2022

Sessão de Sexta (de Natal): 'O Estranho Mundo de Jack' - O Estranho Mundo dos Filmes de Natal 'Alternativos'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O 'filme de Natal' é, regra geral, um género cinematográfico adstrito a um conjunto de regras, simbologia e elementos extremamente específica e limitada, estabelecida ainda nos 'anos de Ouro' de Hollywood; tal não tem, no entanto, impedido certos cineastas de tentarem criar filmes tematizados em torno desta época que procuram fugir aos estereótipos e criar algo diferente (ou, pelo menos, diferenciado.) Um dos melhores exemplos deste fenómeno é uma película que completa hoje, 9 de Dezembro de 2022, exactos vinte e oito anos sobre a sua estreia em território nacional e que, ao longo desse tempo, se conseguiu tornar objecto de culto junto de várias gerações de um determinado sub-sector (ou, se preferirmos, 'tribo urbana') da sociedade ocidental.


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Falamos de 'O Estranho Mundo de Jack' (no original, 'The Nightmare Before Christmas'), um dos mais famosos trabalhos de um Tim Burton em estado de graça, e parcialmente responsável por popularizar os filmes de animação 'stop-motion' para adultos, filão a que o realizador e produtor viria a regressar por diversas vezes ao longo dos anos subsequentes.


Todo o culto em torno deste filme não é, aliás, imerecido: adequado tanto para audiências natalinas como para a festividade anterior, o 'Halloween', a odisseia de Jack Skellington para trazer o espírito de Natal a Halloweentown e ganhar o amor de Sally tem um estilo visual muito próprio e instantaneamente reconhecível (o qual representa, aliás, o principal factor do seu sucesso) um argumento inteligente e números musicais memoráveis, que fazem dele, com mérito, um dos clássicos de Natal modernos – um estatuto que merece bem mais do que obras como 'Elf – O Falso Duende', por exemplo.


Aliás, ainda que a técnica por detrás dos movimentos dos personagens comece já a mostrar alguns sinais de envelhecimento (natural, dadas as quase três décadas desde o seu lançamento) o filme continua a ser um feito técnico e tecnológico notável, bem como uma excelente escolha para uma sessão de cinema em casa nestas semanas de 'aquecimento' para a grande festa – sobretudo para quem gosta de uma certa vertente menos 'feliz' (se quisermos, mais 'gótica') nas suas produções festivas. Quem 'alinhar' nesta ideia, só tem, aliás, de clicar no 'link' abaixo (a versão integral dobrada em brasileiro, tal como teria saído nas salas portuguesas em 1994) e ver por si mesmo as razões que tornam este um dos maiores filmes de culto dos últimos trinta anos...


Thursday, 8 December 2022

Quintas de Quinquiharia: Os Calendários de Bolso

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Numa altura em que mais um ano se aproxima a passos largos do final, chega a altura em que, em décadas passadas, seria necessário actualizar uma parte essencial não só da decoração da cozinha ou escritório, mas também da carteira. Falamos, é claro, do calendário, uma das Quinquilharias que não podia faltar no bolso de qualquer cidadão português dos anos 90, 'entalado' entre o Cartão Jovem e o BI na carteira ou – mais tarde – enfiado na bolsa traseira das primitivas bolsas para telemóvel.


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Exemplo de um calendário promocional, no caso da CP


Rivalizando apenas com os isqueiros, canetas, porta-chaves e baralhos de cartas em termos de variedade e criatividade de 'decoração', os calendários de bolso tinham em comum o facto de serem, na sua esmagadora maioria, obtidos de graça, normalmente (embora nem sempre) como brinde promocional de uma qualquer empresa ou prestador de serviços; e, tal como as outras categorias de Quinquilharias acima enumeradas, era inevitável que a gaveta das 'bugigangas' de qualquer lar médio português acabasse repleta de um sem-número de calendários do mesmo ano (alguns deles, inclusivamente, duplicados) cujo último e fatídico destino era o balde do lixo – ou, com sorte, a colecção de algum dos residentes mais novos.


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Colecções como esta existirão ainda, certamente, em muitas casas de infância Portugal afora.


Sim, à semelhança dos objectos acima referidos – e de outros, como os Credifones – a natureza variada e facilidade de obtenção dos calendários de bolso tornava-os escolhas frequentes para os coleccionadores infanto-juvenis; é, aliás, bastante provável que haja, ainda, uma infinidade de colecções desse tipo espalhadas por sótãos e garagens por esse Portugal fora, prontas a render dinheiro em sites como o OLX, ou simplesmente – para os menos ambiciosos – a despertar memórias de tempos que já lá vão e não voltam, em que os telefones eram fixos (ou extremamente básicos) e a existência de objectos como calculadoras, 'pagers' ou calendários de bolso não só fazia sentido, como era activamente necessário – prova, como se a mesma ainda fosse necessária, de quanto a tecnologia revolucionou a forma de viver da sociedade ocidental (Portugal incluído) nos últimos trinta anos...

Wednesday, 7 December 2022

Quartas de Quase Tudo: As Colecções de Livros Infantis da Majora

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Durante os anos 90, o nome Majora foi praticamente sinónimo com diversos tipos de produtos infantis, em particular os jogos de tabuleiro, como o Sabichão. No entanto, o que muitas ex-crianças daquela época decerto não recordarão é que a companhia se lançou também, durante esse período, no campo da edição literária para crianças, conseguindo um sucesso nada negligenciável com duas colecções distintas, ambas, curiosamente, de volta às livrarias e bancas portuguesas três décadas depois: a famosa colecção 'recortada' e a sua congénere (literalmente) de bolso, a Colecção Formiiguinha – duas séries de livros com tanto em comum como de diferente.


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Alguns dos títulos de ambas as colecções.


Em comum, ambas as colecções tinham os desenhos 'fofinhos', os quais, no caso da colecção 'recortada', eram transversais a todo o livro, enquanto que na 'Formiguinha' se cingiam apenas a algumas das capas, tendo outras ilustrações mais realistas, semelhantes às encontradas no interior dos livros. Outro ponto em comum era a linguagem rebuscada, por vezes com palavras além da compreensão do público-alvo ou fraseamentos fora do vulgar, que acabavam por formar parte da identidade destas duas séries.


Terminavam aí, no entanto, os pontos em comum - pelo menos se não se contar com o facto de ambas serem dirigidas a um público declaradamente infantil; isto porque, enquanto que a colecção 'recortada' ser destinada a uma demografia extremamente jovem, ainda em fase de alfabetização, a 'Formiguinha' tinha, já, mais 'que ler', sendo apropriada para um sector algo mais 'crescido' do público-alvo. Outra diferença importante prendia-se com o facto de, enquanto que a colecção 'recortada' apresentava, invariavelmente, histórias prazerosas, ao estilo 'slice of life' e sem grandes perigos ou consequências, a 'Formiguinha' basear muitos dos seus volumes em histórias, contos e lendas pré-existentes, fossem tradicionais ou criados por um dos grandes nomes do género – o que significava que, ao contrário do que acontecia com a sua 'prima direita', as histórias nem sempre eram isentas de situações 'fortes' ou tinham finais felizes, antes pelo contrário; de facto, não deixa de ser surpreendente ver a 'Formiguinha' de regresso ao convívio dos jovens portugueses, numa era em que alguns dos seus conteúdos fariam tremer certos sectores da sociedade...


Não deixa também, ainda assim, de ser agradável para quem cresceu com estes livros ver restaurado este elo nostálgico ao final do século passado, mesmo que seja através do equivalente infantil a literatura 'de cordel' (nenhuma das colecções declarava quaisquer autores, como é óbvio); mais, os pais que cresceram com estas histórias de cachorrinhos a tomar banho ou pobres enteadas alimentadas a 'côdeas de pão duro e bolorento' podem, agora, apresentar as mesmas aos seus filhos, fomentando-lhes o gosto pela leitura ao mesmo tempo que mantêm viva a chama nostálgica da sua própria infância – uma situação, portanto, em que todos saem a ganhar...

Tuesday, 6 December 2022

Terças Tecnológicas: Trinta Anos de 'Dune' nos PCs

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Apesar de não estar entre as mais lucrativas dos anos 90, a franquia 'Dune' – título de uma série de obras literárias de ficção científica da autoria de Frank Herbert – não deixou, ainda assim, de gozar de algum sucesso nos anos 80 e 90, facto que fica comprovado pela existência tanto de uma adaptação cinematográfica como de uma série de jogos de computador alusivas ao universo da série – dois dos principais indicadores de sucesso de uma propriedade intelectual, tanto à época como hoje. Assim, numa altura em que o segundo dos três títulos para PC celebra trinta anos sobre o seu lançamento, vale a pena dedicar algumas linhas a recordar esta icónica série de jogos interactivos.


De referir, no entanto, que não é apenas 'Dune II' que celebra este ano o seu trigésimo aniversário – o primeiro jogo de 'Dune' data, também ele, de 1992, pelo menos na sua versão para PC e Amiga.


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Trata-se de uma mistura de aventura gráfica e estratégia, bem ao estilo do que se vinha fazendo na época, e que – previsivelmente – segue a trama da obra de Herbert, dando ao jogador o controlo de Paul Atreides, herói da história, e a missão de impedir que o clã Harkonnen consiga controlar o comércio de especiarias no planeta Arrakis, onde a acção se desenrola. Para tal, Paul terá de construir um exército à altura, mas também garantir que a extracção de especiaria se mantém a um nível aceitável, e ainda forjar laços pessoais e políticos com os outros personagens – tudo isto em tempo real.


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Exemplo da jogabilidade e gráficos do primeiro jogo da série.


O resultado é um jogo relativamente inovador, que consegue misturar com sucesso dois géneros normalmente bastante distintos, sem alienar os fãs de qualquer um deles, e com o mínimo de desvio possível da história original de Herbert. O sucesso, esse, seria tanto que o jogo seria, mais tarde, convertido para um formato CD-ROM – com novos e impressionantes gráficos – e ainda para a 'condenada' Sega Mega CD.


Por muito sucesso e influência que o primeiro título tenha tido, no entanto, é 'Dune II' que verdadeiramente insere a série nos anais da História dos jogos para PC, por se ter afirmado, essencialmente, como o criador do género RTS (real-time strategy).


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De facto, embora não tenha sido o primeiro jogo deste género, foi este o título responsável por implementar a maioria dos elementos que os fãs do género passaram a esperar encontrar num jogo desse estilo, de ferramentas para gestão de recursos a opções para construção de edifícios: mais, ao contrário do primeiro jogo, o jogador podia agora escolher controlar qualquer uma das facções residentes em Arrakis, não ficando limitado aos 'bons da fita' - e, claro, a tentação de assegurar que os vilões de Harkonnen conseguiam o monopólio das especiarias era, muitas vezes, demasiado forte para ser resistida...


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Um ecrã certamente bastante familiar para fãs de jogos de estratégia.


Por estas e outras razões, e apesar de alguns defeitos e limitações ao nível da inteligência artificial (francamente expectáveis, dado tratar-se de um título pioneiro do género) 'Dune II' – mais tarde lançado também para Mega Drive - continua, aos trinta anos, a merecer o estatuto de clássico não só do género de estratégia, mas de toda a 'cena' PC de inícios da década de 90, cujo sucesso levou mesmo, seis anos depois do seu lançamento - já na 'era Pentium' - à criação de um 'remake', de nome 'Dune 2000', e que (além da esperada 'lavagem de cara' decorrente da evolução tecnológica sentida entre os dois jogos) adicionava novos elementos de jogabilidade sem, com isso, estragar a 'fórmula vencedora' do seu antecessor.


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Ainda assim, e como diz o 'slogan' dos Corn Flakes da Kellogg's, 'o original é sempre o melhor' (além de, como diz o senso comum, as sequelas raramente serem tão boas como os originais) e 'Dune 2000' é, hoje, o menos lembrado dos três jogos originais alusivos à saga.


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'Mais do mesmo', mas melhorado - a 'receita' de 'Dune 2000'.


Não se ficaria, no entanto, por aqui a presença de Paul Atreides e restantes habitantes de Arrakis no plano virtual, vindo o novo Milénio a juntar mais dois jogos à lista – 'Emperor: Battle For Dune' , uma sequela de 'Dune 2000', e 'Frank Herbert's Dune', baseado na mini-série do mesmo nome, ambos de 2001 - antes de uma série de títulos cancelados ter enviado a franquia para o 'limbo' informático; ainda assim, e como diz o ditado, nada dura para sempre, e a produção de um novo filme alusivo à série suscitou, já este ano, o lançamento do primeiro jogo de Dune em mais de duas décadas, 'Dune. Spice Wars' – o qual, sem qualquer surpresa, se inscreve, como os seus antecessores, no género da estratégia em tempo real. Com um segundo jogo já anunciado, embora sem data de lançamento, resta saber se este lançamento representa o início de uma segunda vaga de títulos alusivos a 'Dune' no mercado PC, e se a mesma conseguirá gozar do mesmo nível de sucesso atingido pelos originais dos anos 90...

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...