Tuesday, 31 December 2024

Terças Tecnológicas: O Vírus do Ano 2000 - Um Medo Infundado Que Parecia Real...

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça-feira terá direito a 'post' duplo, com uma Terça de TV e uma Terças Tecnológica a saírem na mesma semana. Feliz Ano Novo 2025!


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


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Ao aproximarem-se as doze badaladas da meia-noite de há exactos vinte e cinco anos, o receio era generalizado, assumindo, em certos casos, contornos de pânico: o receio de que os computadores do Mundo civilizado entrassem em curto-circuito ou encetassem um constante 'loop' de erros ao tentar actualizar os seus calendários de dígitos iniciados por 199- para outros com início em 200-. A teoria era de que, por terem sido construídos no século XX, os processadores existentes à época não tivessem sido equipados com a capacidade de mudar os primeiros dígitos dos seus anos para lá do número 19, revertendo assim os calendários para o ano de 1900, por oposição ao efectivo 2000. Isto, por sua vez, poderia ter levado a uma série de problemas que, se nos computadores domésticos eram relativamente menores, nos que controlavam entidades financeiras, económicas ou estatais poderia causar um sem-fim de graves problemas, justificando os medos dos informáticos de todo o Mundo.


A natureza humana fez, no entanto, com que um problema quase exclusivamente do foro informático extrapolasse largamente esse campo, e se misturasse com a não menos célebre profecia de Nostradamus sobre o fim dos tempos, para colocar na cabeça do comum dos mortais que iriam suceder as mais variadas catástrofes, da falta de luz e energia a explosões e outros danos semelhantes. Não admira, pois, que na noite de 31 de Dezembro de 1999 a maioria do Mundo ocidental sentisse um leve calafrio ao pensar no que poderia acontecer; e, ao soar a última badalada do minuto 00:00 do século XXI...


...não sucedeu rigorosamente nada.


Sim, todos os medos, receios e pânicos haviam sido perfeitamente infundados, já que os computadores se provaram perfeitamente capazes de 'virar a página' dos seus calendários, continuando assim a trabalhar tão eficazmente como sempre. Para a História ficava, pois, o registo de um pânico generalizado, transformado pelo 'telefone avariado' do passa-palavra de problema informático, ainda que sério, a sinal do fim dos tempos. E se, à distância de vinte e cinco anos no futuro, toda a situação parece quase caricata, a verdade é que há uma boa razão para o 'vírus do ano 2000' ser célebre ainda hoje: à época, a possibilidade de haver um problema grave era mais do que real, e a falta de conhecimento da população em geral sobre aspectos informáticos exacerbavam ainda mais o ambiente de medo, tornando a passagem simultânea do ano, século e Milénio num momento bem mais tenso do que, à partida, seria de esperar - e suficientemente notório para, um quarto de século depois, assinalarmos o seu 'aniversário' neste nosso 'blog' nostálgico. Feliz Ano Novo!

Terças de TV: 'A Última Noite'...de Herman José na RTP

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Ao longo da década de 90, Herman José logrou tornar-se quase sinónimo com a programação de 'revéillon' portuguesa, mediante dois dos mais icónicos especiais de Ano Novo da televisão nacional - 'Crime Na Pensão Estrelinha', transmitido na passagem do ano de 1990 para 1991 e que fez História na RTP, e 'Hermanias Especial de Fim de Ano', emitido exactamente um ano depois, e mais centrado no formato de 'sketch' que, mais tarde, viria a encontrar grande sucesso como base da 'Herman Enciclopédia'. Estes dois baluartes da programação de 31 de Dezembro, em conjunção com a forte e continuada presença de Herman nos ecrãs nacionais (em programas como 'Roda da Sorte', 'Com A Verdade M'Enganas', 'Parabéns' ou 'Herman 98', além da própria 'Enciclopédia') fizeram com que o hiato de quase uma década do apresentador da grelha televisiva da Passagem de Ano mal se fizesse notar, parecendo Herman nunca ter deixado de acompanhar os Portugueses nessa efeméride. E no entanto, como se diz, 'tudo o que é bom chega ao fim', e essa confortável e familiar relação viria mesmo a terminar, há exactos vinte e cinco anos, por ocasião da histórica viragem simultânea do ano, século e Milénio.


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Seria, de facto, a 31 de Dezembro de 1999 que, sem o saberem, os telespectadores da RTP se despediriam do seu anfitrião de Ano Novo 'de sempre', o qual transitaria semanas depois para a 'concorrência' privada, nomeadamente para a SIC, onde chegaria a continuar a tradição mais alguns anos. Esse facto ajudou a dar ainda mais uma camada de significado a um título já pleno delas, fazendo com que aquela fosse 'A Última Noite' tanto do ano de 1999, do século XX e do Segundo Milénio como de Herman José na RTP. E a verdade é que o humorista não fez por menos, reunindo a sua habitual 'troupe' de amigos e conhecidos (bem como de alguns dos seus mais famosos 'bonecos') para ajudar os Portugueses a entrar no ano 2000 com boa disposição. A contar a História do Milénio que ora findava estavam, pois, Diácono Remédios, o famoso provedor da 'Herman Enciclopédia', e a não menos icónica Super Tia, que recebiam a visita tanto de figuras históricas do Milénio como de artistas musicais, a saber o maestro Pedro Duarte, Quim Barreiros, Claudisabel, Micaela e os Anjos, então ainda no auge da sua fama. O fim de uma 'era' ficava, assim, marcado de forma bem popular e típica por uma série de caras bem conhecidas e apreciadas pelo público televisivo português, naquela que acabaria por ser uma despedida não apenas de um ano, mas de um dos principais 'rituais' portugueses de finais do século XX, cuja última instância não podíamos deixar de assinalar, por altura do seu vigésimo-quinto aniversário. Para recordar esse histórico momento, abaixo fica o especial na sua íntegra, cortesia do 'suspeito do costume', o YouTube. Divirtam-se, e Feliz Ano Novo 2025!


Monday, 30 December 2024

Segundas de Séries: O Episódio de Ano Novo de 'Ficheiros Secretos' - Um Momento Marcante Numa Série Em Declínio

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui dedicámos algumas linhas a 'Ficheiros Secretos', uma das mais icónicas séries de toda a década de 90, e que granjeou milhares de fãs também em Portugal aquando da sua transmissão no nosso País, pela mão de uma ainda 'jovem' TVI. No entanto, um episódio em particular apresenta relevância temporal e temática suficiente para ser isolado da série como um todo, e nos fazer revisitar o mundo dos agentes paranormais Fox Mulder e Dana Scully.


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Falamos de 'Millennium', o quarto episódio da sétima temporada do programa, cuja acção se passa, específica e declaradamente, na passagem do ano de 1999 para 2000, embora tenha passado originalmente nos seus EUA natais cerca de um mês antes, a 28 de Novembro, tendo por isso celebrado recentemente o seu vigésimo-quinto aniversário. E embora a trama em si seja mais uma de muitas histórias isoladas e centradas numa 'ameaça da semana', o episódio é, até hoje, lembrado pelos fãs da série por uma razão específica - nomeadamente, o facto de conter o primeiro beijo canónico entre a dupla de agentes protagonistas, o qual tem lugar na Times Square de Nova Iorque ao som das doze badaladas, oferecendo aos fãs da série um momento há muito aguardado e antecipado.



Esta não é, no entanto, a única particularidade digna de nota de 'Millennium', o episódio. Isto porque o mesmo constitui, primeiro que tudo, um 'cruzamento' com a série do mesmo nome, também produzida por Chris Carter - embora muito menos bem-sucedida do que a 'atracção principal' - e também transmitida em Portugal por alturas do evento homónimo (ainda que desta vez na RTP, por oposição à 'Quatro') e novamente em 2007, pelo canal Fx. É, aliás, por isso que Mulder e Scully encetam, durante a trama, uma colaboração com Frank Black, protagonista da 'outra' série (e que não deve ser confundido com o vocalista dos Pixies). Dada a relativa obscuridade de 'Millennium', no entanto, este aspecto acaba por ser 'eclipsado' pelo marcante e impactante momento canónico contido no episódio, não deixando ainda assim de constituir mais um motivo de interesse do mesmo.


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O momento em que os protagonistas das duas séries se encontram.


Quem não tiver 'programa' neste 'réveillon', ou prefira declaradamente passá-lo a ver televisão, não deve deixar de incluir este episódio temporalmente relevante na sua lista de Ano Novo (talvez por entre episódios homólogos de 'Friends' ou 'Seinfeld') e celebrar assim o vigésimo-quinto aniversário de um dos raros momentos marcantes do 'ocaso' de uma das séries mais memoráveis de finais do Segundo Milénio.

Saturday, 28 December 2024

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os 'Kits' de Modelismo - Brincadeiras de 'Gente Grande'

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Uma das muitas tradições do Natal infantil- e que teve especial ênfase nas últimas décadas do século XX - passava pela presença, debaixo da árvore de Natal, de um brinquedo de exterior de grande porte, quase sempre um meio de locomoção, como um bicicleta, um 'skate', um 'kart', una patins em linha, uma trotinete ou outro veículo a pedal ou eléctrico. No entanto, nem todos os presentes orientados para um Sábado aos Saltos faziam parte desta categoria, e sendo a época festiva um dos períodos do ano em que mais se justificavam gastos avultados, a mesma constituía o pretexto ideal para se colocar na 'carta ao Pai Natal' um dos grandes 'presentes de sonho' de muitas crianças e jovens dos anos 80 e 90 - um 'kit' de modelismo.


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De facto, embora fossem explícita e manifestamente dirigidos a um público adulto, estas espécies de 'fusões' entre os Meccano e Lego Technic e os veículos telecomandados não deixavam de captar a atenção - e imaginação - das crianças que as viam nas montras das então ainda prolíficas lojas especializadas em aeromodelismo. E não obstante os vários entraves - da necessidade de precisão na construção aos preços nada menos que proibitivos - não faltava quem sonhasse em passar um Sábado aos Saltos a 'largar' um veículo daqueles, construído por si próprio, quiçá no decurso do Domingo Divertido anterior, e fazer assim inveja a todos os transeuntes. E embora fossem poucos os que, de facto, realizavam esse objectivo, tal não impedia os vários milhares de outros 'sonhadores' de 'pedirem ao Pai Natal' um daqueles carros ou aviões, e ficarem na esperança de o ver surgir debaixo da árvore no 'dia das prendas'.


Tal como muitos outros aspectos da cultura e quotidiano infanto-juvenis daquela época, tambem o modelismo perdeu muito do seu 'élan', tendo regressado ao seu 'nicho' especializado e continuado a ser, sobretudo, um passatempo de um público mais maduro - curiosamente, constituído hoje em dia por muitos dos que sonhavam em ter e construir um modelo naqueles anos finais do século XX. E mesmo quem, hoje em dia, não é especialmente dado a tal passatempo, certamente terá um laivo de nostalgia ao passar por uma montra e ver nela um avião caça de combate ou carro de rally ou Fórmula 1 semelhante àqueles com que tanto desejava passar um Sábado aos Saltos naquela infância cada vez mais remota...

Friday, 27 December 2024

Sextas com Style (de Natal): Os Inevitáveis Agasalhos de Natal

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


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Um presente de Natal ainda bem típico nos dias que correm...


Eram e são uma inevitabilidade do Natal, tanto dos anos 90 como dos dias que correm: entre presentes maiores e mais caros, lá surgia um agasalho, um par de luvas ou de meias, ou qualquer outra prenda menos 'impressionante' e de cariz mais prático. E se o 'cliché' da cultura popular dita que este tipo de oferta vem, inevitavelmente, de um parente mais distante ou idoso, a verdade é que haverá decerto muitas crianças e jovens de finais do século XX (bem como da geração actual) a recebê-la da parte dos pais ou irmãos.


A recepção, essa, tendia a ser mista: se havia crianças e jovens que compreendiam o pensamento por detrás do presente e o apreciavam como parte do 'todo' natalício, outras existiam para quem era difícil mostrar entusiasmo por um gorro ou um par de meias, em meio às consolas, jogos de tabuleiro, livros, discos e brinquedos que compunham o resto das prendas. Ainda assim, até mesmo esses terão aprendido a apreciar e até gostar dos seus agasalhos de Natal quando, num dia mais frio, os mesmos se tiverem provado eficazes na sua função de retenção de calor.


Fosse qual fosse a opinião de quem os recebia, no entanto, uma coisa era, e é, certa: enquanto houver parentes distantes, pais preocupados ou irmãos com pouco dinheiro para prendas, continuarão a surgir meias, cachecóis, luvas ou gorros no 'sapatinho' ou debaixo da árvore de Natal das gerações vindouras, tal como aconteceu no tempo dos seus pais e até avós...

Thursday, 26 December 2024

Quintas no Quiosque/Quintas ao Quilo: As Revistas de Culinária dos Anos 90, Parte 2 - As Revistas de Bolso

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Eram presença assídua nas tabacarias, papelarias e quiosques do Portugal noventista, e são dos poucos elementos das bancas dessa época a ter perdurado, praticamente imutáveis, até aos dias de hoje. O preço é mais elevado, e agora em Euros, mas os conteúdos permanecem, essencialmente, os mesmos: ideias e sugestões de receitas para todas as épocas e ocasiões, incluindo as festas de Dezembro.


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Exemplo moderno das publicações em causa.


Falamos, claro está, daquelas revistas de receitas que quase se poderiam mais correctamente designar como 'livrinhos', que cabem em qualquer bolso das calças ou camisa, e cujo conteúdo consiste exclusivamente de cozinhados apropriados para a quadra festiva e para o Ano Novo. E visto que há quase exactamente um ano havíamos dedicado algumas linhas às suas congéneres de maior dimensão e mais 'genéricas', nada melhor do que dar agora espaço às 'variantes' 'de bolso', as quais, tal como as suas 'irmãs maiores', continuam a ocupar grande parte do espaço útil das bancas de jornais e revistas, e a ter o seu público fixo e fiel, o qual não se adaptou ainda às novas tecnologias, ou prefere simplesmente ter as suas receitas escritas em papel, mesmo que tal implique o dispêndio de uma (pequena) quantia a cada semana, quinzena ou mês.


Apesar desta admirável continuidade, no entanto, é inegável que este tipo de revistas tem os 'dias contados', tal como, aliás, sucede com a maioria da imprensa escrita. Até ao seu inevitável ocaso, no entanto, há que continuar a louvar estes últimos 'bastiões' das publicações periódicas tradicionais, que fornecem uma das últimas 'pontes' ainda existentes para os anos da viragem do Milénio.

Tuesday, 24 December 2024

Segundas de Sucessos/Terças de TV: 30 Anos de 'Bravo Bravíssimo', o 'Sequim d'Ouro' Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2024.

 

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

 

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

 

Já aqui anteriormente falámos dos concursos de talentos vocais infantis, um formato muito popular na última década do século XX, e que, em Portugal, ficava ligado sobretudo à época natalícia, altura em que era invariavelmente transmitido o 'Sequim d'Ouro', o clássico festival internacional com sede em Itália e que visava apurar o melhor mini-cantor do Mundo. Talvez por isso a SIC tenha escolhido, precisamente, a Véspera de Natal para lançar aquela que era, essencialmente, uma versão nacional desse tradicional certame, e que adoptava mesmo uma expressão italiana para a sua denominação.

 


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De facto, essa astúcia ao nível do 'timing' permitiu a 'Bravo Bravíssimo' encontrar de imediato um público mais do que receptivo logo a partir da estreia, há exactos trinta anos, na Consoada de 1994. Tão-pouco viria esse sucesso a diminuir a curto prazo - pelo contrário, 'Bravo Bravíssimo' viria a manter-se no ar durante nada menos do que oito anos (sobrevivendo, inclusivamente, à passagem do Milénio) sempre com um formato imutável, com Ana Marques e José Figueiras como apresentadores, e com níveis de adesão na casa dos milhares de crianças, todos com esperança de serem considerados as novas 'mini-estrelas' nacionais. O aspecto diferenciado em relação a 'Sequino d'Ouro' ficava por conta dos campos abrangidos e aceites no programa, que extrapolavam a música e o canto e se estendiam à dança e até mesmo à ginástica, dando assim oportunidade a que ainda mais crianças mostrassem os seus talentos ao País em geral. E a verdade é que, de entre os muitos nomes que passaram pelo programa ao longo dos seus oito anos, alguns viriam mesmo a tornar-se conhecidos do grande público num contexto mais geral e alargado, como é o caso do futuro vencedor do Festival da Eurovisão, Salvador Sobral, do fadista Ângelo Freire, ou do artista de dobragens Fernando Fernandes, ou FF.

 




 

De muitos outros, não reza necessariamente a História, mas mesmo esses terão tido, depreende-se, alguns benefícios a curto prazo resultantes da sua participação no programa, sobretudo se bem qualificados. E ainda que 'Bravo Bravíssimo' tenha, eventualmente, chegado ao fim natural do seu ciclo de vida - embora parecesse ainda ter algo a oferecer ao paradigma televisivo de inícios do século XXI - o legado que deixou ao fim de oito anos foi suficiente para o tornar um dos mais emblemáticos programas televisivos do seu tempo, e o cimentar como parte da memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, que tinham a mesma idade dos concorrentes à altura da estreia e provavelmente sonhavam, como eles, poder ir à televisão mostrar os seus talentos 'ao Mundo'; para eles, aqui fica a recordação, por altura dos exactos trinta anos da primeira transmissão do programa.

 



Monday, 23 December 2024

Domingo Desportivo: O Sporting e a 'Maldição' do Natal

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 22 de Dezembro de 2024.

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Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

 


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É piada recorrente entre adeptos de futebol portugueses até aos dias de hoje: o misterioso fenómeno que fazia com que as excelentes equipas do Sporting dos anos 90 e 2000 iniciassem cada nova temporada do Campeonato Nacional 'a todo o gás', mas perder fôlego (e terreno) a partir de meados de Dezembro, sagrando-se 'campeão de Natal'. mas acabando por soçobrar na segunda metade da época, e permitir a 'ultrapassagem' do grande rival Benfica ou do Futevol Clube do Porto (bem como, numa ocasião histórica, do Boavista). Agora, numa altura em que a 'maldição' parece estar, mais uma vez, em curso, a conjuntura afigura-se ideal para dedicarmos algumas linhas a essa estranha tendência.

 

Ao contrário do que é costume neste tipo de casos, esses consecutivos 'falhanços' dos 'Leões' de Lisboa não podem ser atribuidos a nenhum factor concreto, sendo normalmente derivados de uma conjunção da hegemonia dos rivais (sobretudo o Porto, que atravessava, em finais do século XX e inícios do seguinte, uma fase demolidora), quebras anímicas, plantéis inconsistentes, maus treinadores, jogos difíceis, erros de arbitragem e algum azar. Sejam quais forem os motivos, no entanto, a verdade é que, num período de mais de duas décadas, o Sporting CP apenas logrou conquistar dois títulos nacionais, não tendo sido mais do que 'campeáo de Inverno' nas restantes décadas. E se, nos últimos cinco anos, este paradigma parecia finalmente estar a reverter-se, a presente temporada indica que a 'maldição' não está, de todo, debelada, e que os adeptos mais recentes do clube de Alvalade podem estar prestes a viver uma situação análoga à experienciada pelos seus antecessores de finais do século XX...

 

Saidas ao Sábado: As Festas de Natal das Paróquias - Uma Tradição Quase Imutável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 21 de Dezembro de 2024.

 

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

 

A época do Natal é, historicamente, um período pródigo em festas, sejam elas privadas ou da responsabilidade de organazições públicas ou entidades comerciais - tendo, inclusivamente, um 'post' neste mesmo 'blog' sido dedicado aos eventos natalicios das empresas. Assim, e por não serem estas as únicas entidades a organizar celebrações deste tipo, é apenas justo que demos, esta semana, alguma atenção ao que eram as festas de paróquias e igrejas nos anos 90.

 


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Tal como sucede com os seus congéneres comerciais, este tipo de certames não mudou exponencialmente nas últimas três décadas, continuando a misturar uma vertente mais religiosa - com missas e concertos - aos habituais 'comes e bebes', entrega de prendas e outras actividades sociais destinadas a aproximar entre si os utentes da paróquia. De igual modo, o principal atractivo para as crianças continua mesmo a ser a visita do Pai Natal e do seu saco apetrechado de prendas - embora a profusão de iguarias natalícias na mesa de 'bufete' continue, também, a exercer o seu fascínio. De diferente, portanto, apenas o teor dos artistas convidados e dos presentes distribuídos, sendo esta uma das áreas da sociedade menos afectada ou influenciada pela revolução digital, para lá de fotos no Facebook tiradas com o telemóvel. Por comparação aos anos 90, no entanto, este tipo de celebração é algo menos prevalente hoje em dia, o que náo impede que continue a ser uma Saída de Sábado mais do que entuisiasmante, e um dos pontos altos do Natal de muitas crianças da 'geraçáo Alfa', tal como o era para os seus pais quando tinham a mesma idade...

 

Sunday, 22 December 2024

Sessão de Sexta: 'Os Dias do Fim'...da Carreira de Arnold Schwarzenegger

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2024.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Os anos 90 foram palco de uma mudança de paradigma no campo do cinema de acção, com os enredos centrados em mercenários em luta com exércitos inimigos ou terroristas, típicos da década anterior, a serem substituídos por um maior influxo de elementos de ficçáo científica, inspirados nos sucessos de 'Exterminador Implacável 2' e, mais tarde, 'Matrix'. E se, eventualmente, este género viria a lançar uma série de novos potenciais heróis de acçáo, a fase inicial do mesmo serviu, ainda, de veículo a nomes da 'velha escola', como Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme ou o 'Exterminador' em pessoa, Arnold Schwarzenegger. Foi, aliás, este último a ter as honras de 'encerrar' tanto o século XX como o Segundo Milénio, com um filme bem característico da sua época e, pelos critérios do actor, até bastante ambicioso; uma pena, portanto, que o resultado tenha ficado um pouco aquém das expectativas.


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Falamos de 'Os Dias do Fim', película que celebrou há poucos dias os vinte e cinco anos da sua estreia em Portugal (a 17 de Dezembro de 1999) e que vê Arnold travar uma batalha com o próprio Diabo para o impedir de procriar com uma mulher humana e gerar, assim, o Anticristo. Um conceito muito mais sério e sombrio do que os de filmes anteriores do ex-culturista, e que lhe atribui um personagem também ele mais 'humano' e menos perfeito e invencível do que os que normalmente encarnava, que lidava inclusivamente com problemas de alcoolismo. Um veículo mais do que credível, portanto, para a planeada evoluçáo de carreira do actor, que pretendia expandir os seus horizontes enquanto intérprete, e adaptar-se ao novo 'clima' cinematográfico de inícios do Terceiro Milénio.


Infelizmente, consecutivos problemas impediram que 'Os Dias do Fim' atingisse o seu potencial, tendo uma série de bons realizadores optado por declinar o projecto, fosse por outros compromissos (como Guillermo del Toro ou Sam Raimi) fosse por problemas com o guiáo e a produçáo, como foi o caso com Marcus Nispel, e a realizaçáo a acabar por ficar a cargo de Peter Hyams. De igual modo, actores como Tom Cruise, Liv Tyler ou Kate Winslet tiveram de ser 'substituídos' por Schwarzenegger e a futura estrela de televisão, Robin Tunney. E embora o impacto destas mudanças no produto final nunca possa ser contabilizado, a verdade é que a versáo final de 'Os Dias do Fim' teve uma recepçáo extremamente negativa por parte da crítica e do público e foi um relativo fracasso de bilheteira, sendo hoje visto, ironicamente, como o início dos 'dias do fim' da carreira de Arnold Schwarzenegger, a qual entraria em abrupto declínio no Novo Milénio.


Embora ainda apreciado em certos círculos como filme 'tão mau que é bom', 'Os Dias do Fim' é, pois, lembrado hoje em dia sobretudo como aposta falhada, ou 'passo maior do que a perna'; ainda assim, como um dos últimos filmes a estrear em Portugal no Segundo Milénio, o filme merece ainda assim uma homenagem por altura dos vinte e cinco anos da sua estreia nas salas de cinema nacionais.


Friday, 20 December 2024

Quintas de Quinquilharia: Os Bonecos 'de Agarrar' - Ultrapassados, Mas Não Esquecidos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença constante na sociedade portuguesa dos anos 80 e inícios de 90, frequentemente vistos pendurados de retrovisores de carros (ao lado do tradicional ambientador de pinheiro), mochilas de estudantes, manípulos de janelas e até árvores de Natal – basicamente, qualquer superfície com largura e estabilidade suficientes para 'aguentar' a 'carga' extra. Falamos, claro está, dos bonecos 'de agarrar', uma das quinquilharias favoritas da juventude da época.


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Tematizadas tanto em torno de animais genéricos, como ursos, pandas ou cães, como de personagens da cultura pop da época, como ALF ou Snoopy, estes mistos de peluche, quinquilharia, enfeite e decoração logravam manter-se firmemente 'agarrados' a qualquer sitio onde fossem postos por intermédio de um mecanismo de mola, semelhante aos dos porta-moedas, situado nos braços dos bonecos. As mãos em plástico duro – por oposição ao peluche que cobria o resto do corpo da figura – forneciam, por sua vez, a estabilidade necessária, numa combinação mecânica tão simples como eficaz, e que dava a estas figuras a característica única que justificava a sua compra.


Curiosamente, apesar da popularidade de que gozavam, estes foram daqueles produtos que desapareceram por completo, aparentemente de um dia para o outro, e sem qualquer razão especial, tendo sido substituídos, em meados da década de 90, pelos porta-chaves com peluches na ponta, os quais sobreviveriam à passagem do Milénio às costas de muitos estudantes dos ensinos básico e secundário. Quanto aos peluches 'de agarrar', apesar de obsoletos, não deixaram de conquistar um lugar no coração de quem os chegou a possuir, e que certamente se divertiu 'à grande', em pequeno, a abrir e fechar o mecanismo de mola, ou a prender o seu boneco a diferentes lugares da casa. E quem sabe – talvez estes enfeites ainda estejam a tempo de voltar a estar 'na moda', quiçá em versões actualizadas para apelar à juventude do século XXI; resta esperar para ver...

Thursday, 19 December 2024

Quartas aos Quadradinhos: 'Viagem ao Mundo dos Correios Portugueses' - A BD Institucional Mais 'Esquecida' dos Anos 90

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2024.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui anteriormente falámos dos anos 90 como era de maior popularidade da banda desenhada institucional. Da EDP – através da sua 'mascote falhada', Luzinha – ao Instituto Português da Qualidade – com as bem melhor sucedidas personagens Disney como porta-vozes – passando pelo Jardim Zoológico de Lisboa, pelo banco Montepio Geral e por um sem-fim de autarquias e localidades de Norte a Sul do País, muitas foram as entidades que, durante a referida década, decidiram utilizar este recurso para veicular as suas mensagens. A esta lista, há ainda que juntar mais um nome, também ele ligado à função pública, e que talvez seja o mais 'Esquecido Pela Net' de todos os até agora mencionados.


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Falamos dos CTT, os quais, em 1996, publicavam 'Viagem ao Mundo dos Correios Portugueses', obra da qual, quase trinta anos depois, sobrevive apenas a arte de capa e o nome dos autores – Henrique Monteiro e António Luís Ferronha. Os restantes conteúdos da obra em causa encontram-se, infelizmente, perdidos no tempo, não sendo sequer possível retirar quaisquer pistas da algo psicadélica arte da capa. É apenas graças ao contributo do leitor Pedro Serra que ficamos a saber que se trata de uma História dos correios portugueses desde o final do século XVI à (então) actualidade, contada, como é habitual neste tipo de publicações, de forma divertida pelo argumento de Ferronha, bem complementado pelos desenhos em estilo quase caricatural de Henrique Monteiro, hoje conhecido pelo site Henricartoon. Sem estas informações, e apenas com recurso à arte de capa, poder-se-ia perfeitamente pensar que a obra em causa consistisse de como uma aventura que envolva mulheres de sorriso arrepiante e carruagens de cavalos...


Apesar desta relativa obscuridade, no entanto, 'Viagem ao Mundo dos Correios Portugueses' não deixa de ser mais um título a acrescentar à lista de 'quadradinhos' institucionais de finais do século XX – ainda que, por comparação aos outros de que aqui vimos falando, significativamente mais misterioso, quanto mais não seja pela falta de informação. Como 'blog' arquivista e recuperador de obras mais ou menos obscuras do período em causa, no entanto, seria omisso da nossa parte deixar de fora este título, àcerca do qual nos tornamos, com este 'post', uma das principais fontes de informação...

Tuesday, 17 December 2024

Terças de TV: 'SIC No País Do Natal' (1997-2001) - A Mistura Perfeita de Humanismo e Auto-Promoção

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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(Crédito da imagem: Desenhos Animados Anos 90)


Um dos principais conceitos tradicionalmente ligados ao Natal – para além do estreitamento de laços de amizade e parentesco e, claro, da troca de prendas – é o da solidariedade para com o próximo, em particular no tocante aos mais desfavorecidos. E porque a máxima deste tipo de gesto reza que 'cada um dá o que pode', não é de surpreender que as entidades públicas ou empresariais estejam entre as que, a cada ano, mais significativos esforços fazem para ajudar quem precisa – sejam as suas intenções genuínas ou não.


Nos anos da viragem do Milénio, uma das 'faces' mais visíveis desta caridade 'corporativa' (à falta de melhor expressão) era a SIC, a qual, durante nada menos do que cinco anos – de 1997 a 2001 - dedicou todo um bloo horário a um programa que tinha tanto de interesse humano como de auto-promoção, e que via os seus apresentadores saírem à rua ao som do inevitável 'A Todos Um Bom Natal' e a bordo de um camião repleto de brinquedos, conseguidos em parceria com a Associação de Apoio À Criança e destinados a assegurar que milhares de crianças desfavorecidas de Norte a Sul do 'País do Natal' gozavam de uma quadra festiva acima da média, mantendo assim o espírito da época natalícia.


De facto, os benefícios desta iniciativa para a demografia-alvo acabavam por ser duplos, já que, para além dos simbólicos (ou talvez nem tanto) presentes, as crianças visadas por esta iniciativa tinham, ainda, a oportunidade de conhecer em primeira mão alguns dos principais nomes associados à estação de Carnaxide, de Jorge Gabriel a Catarina Furtado ou Bárbara Guimarães – uma experiência, certamente, inesquecível, e que, ao mesmo tempo, deixava 'bem vistos' os homens e mulheres que davam a cara ao programa, adicionando o supramencionado elemento de auto-promoção.


Ainda assim, era difícil levar a mal um programa que, no seu âmago, mais não pretendia do que personificar o espírito natalício de entreajuda e solidariedade – algo que, já à época, ia cada vez mais escasseando na sociedade ocidental. É, aliás, incerto porque razão a SIC deixou de percorrer, com o seu camião mágico, o 'País do Natal', já que o programa homónimo era um daqueles formatos intemporais que continuaria, sem dúvida, a ser bem recebido, mesmo na bastante mais cínica sociedade dos anos 2020 - afinal, quem não gosta de ver praticar o bem e ajudar os mais desfavorecidos na época natalícia? Não será, pois, de surpreender se a SIC escolher 'ressuscitar' a sua 'tradição' natalícia para quadras futuras, talvez adaptando-a à nova era digital, e alegrando o Natal não só das crianças pobres que (infelizmente) continuam a existir em Portugal, como também dos telespectadores fartos da mesma sequência anual de filmes de família, e em busca de algo diferente que ver durante os últimos dias de Dezembro...


Monday, 16 December 2024

Segundas de Séries: 'O Mundo Secreto do Pai Natal' - A Série Natalícia 'Esquecida Pela Net'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


No que toca ao Mundo dos desenhos animados, o Natal serve, sobretudo, de temática a filmes ou episódios 'especiais' alongados de séries 'generalistas', não sendo costume centrar todo um programa em torno da estação, por razões óbvias. No entanto, tal não significa que essa seja uma prática inédita, tendo já havido pelo menos duas criações episódicas a utilizar a festa de Dezembro como tema central; da primeira, 'Noeli', falámos há quase exactamente um ano, pelo que chega agora a altura de voltarmos atenções para a segunda, bastante mais obscura, mas que teve ainda assim o seu 'tempo de antena' no bloco Infantaria da RTP1, há cerca de vinte e cinco anos, nas últimas semanas do Segundo Milénio.


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Falamos de 'O Mundo Secreto do Pai Natal', série franco-canadiana que propõe precisamente o que o título sugere - nomeadamente, um olhar sobre o quotidiano do Pai Natal e dos seus infatigáveis duendes, à medida que os mesmos efectuam preparativos para mais uma quadra festiva, e tentam impedir que o malvado Padre Fouettard e o seu assistente Gueignar sabotem os seus esforços por forma a vingarem-se do bom velhinho. Uma trama com algumas semelhanças a 'Bebés em Festa' – outra série em que o Pai Natal é personagem recorrente – e que, ao mesmo tempo, faz lembrar a quase totalidade dos desenhos animados dos anos 80 e 90, com claros paralelos com 'Os Estrumpfes', por exemplo, mas que não foi suficiente para captar o interesse do público mais jovem, até pelo nível algo básico e limitado (tipicamente canadiano) da animação.


Não é, pois, de estranhar que 'O Mundo Secreto do Pai Natal' tenha caído praticamente no esquecimento, com poucas informações disponíveis a respeito da série – não sendo sequer possível discernir se a mesma passou em versão original ou legendada. Ainda assim, na época em que esta se afirma como mais relevante, nunca é demais recordar um dos poucos programas infantis com coragem de utilizar o Natal como conceito alargado, ao invés do habitual uso esporádico; pena que o resultado final tenha sido tão pouco memorável...

Domingos Divertidos: Os Indios e 'Cowboys' de Plástico - Relíquias de Uma Era Mais Divertida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Dezembro de 2024.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui anteriormente falámos das figuras de acção e outros 'bonecos', e do papel fulcral que os mesmos desempenharam na infância das gerações 'X' e 'millennial', tanto em Portugal como um pouco por todo o Mundo ocidental. No entanto, estas figuras nem sempre eram acessíveis do ponto de vista financeiro, pelo que muitas crianças tinham que se contentar com a 'alternativa' – as figuras estáticas, em plástico duro (normalmente de uma só cor) adquiríveis ora em 'baldes' com dezenas ou centenas de bonecos, ora individualmente, por um preço irrisório, em drogarias e outras lojas tradicionais. E se os soldados do exército eram os 'reis' desta categoria, os dois tipos de figuras que partilhavam o 'segundo lugar' continuavam ainda, nos anos 90, a dar-lhes luta, pese embora ambas fossem relíquias de décadas passadas.


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Falamos dos índios e cowboys que, mesmo naqueles anos finais do século XX – em meio às atitudes 'radicais' e ironia crescente para com coisas mais 'inocentes' de outros tempos – continuavam a travar a sua perpétua batalha no chão de muitos quartos de criança de Norte a Sul de Portugal (e não só), proporcionando às referidas crianças Domingos quase tão Divertidos quanto teriam conseguido criar com os mais recentes 'bonecos' dos Power Rangers ou Dragon Ball Z, e com a vantagem adicional de obrigarem a puxar mais pela imaginação para criar cenários e aventuras vividas pelas figuras.


Infelizmente, os anos 80 e 90 foram mesmo o último momento em que brinquedos destes tiveram o seu espaço na vida quotidiana das crianças, já que o meteórico crescimento dos meios digitais nos últimos dez anos do século XX e inícios do seguinte rapidamente tornou figuras simples e sem grandes atributos, como estas, numa coisa do passado, impossível de comparar aos videojogos e 'bonecos' cada vez mais interactivos e realistas que os iam gradualmente substituindo – ao ponto de a parcela mais nova de leitores deste 'blog' já não ter, provavelmente, tido a experiência de brincar com o produto aqui homenageado. Para os restantes, no entanto, talvez este 'post' tenha despertado uma memória nostálgica, e quiçá uma vontade de ir 'desenterrar' os velhos índios e 'cowboys' do sótão, arrecadação ou garagem, para os mostrar aos filhos...

Sunday, 15 December 2024

Sábados aos Saltos: Os Arcos e Flechas de Brincar, Um 'Produto do Seu Tempo'

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Hoje em dia, a venda de réplicas de armamento a crianças é bastante mais regulada do que há trinta anos, por razões óbvias; no entanto, em finais do século XX, era ainda não só possível como aceitável comprar a um menor de idade uma versão 'a fingir' de uma arma de fogo ou equipamento de guerra autêntico – e, numa altura em que tanto os índios e 'cowboys' como Robin dos Bosques gozavam ainda de alguma popularidade entre o público jovem, não é de admirar que um arco com flechas de borracha figurasse entre as muitas escolhas disponíveis neste aspecto.


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Com um fio feito de cordel – mas, ainda assim, com tensão suficiente para fazer voar as flechas que o acompanhavam – e projécteis de ventosa aderente, o brinquedo em causa permitia a quem o empunhava imaginar-se a cavalo nas planícies do Faroeste, defendendo a sua aldeia das investidas dos colonos, na Floresta de Sherwood, roubando sacos de dinheiro, ou mesmo apenas em competições de arco e flecha, podendo estas últimas ser facilmente recriadas se, além do arco, se tivesse também uma réplica de um alvo. Fosse qual fosse a brincadeira, no entanto, a posse desta pseudo-arma bastava para proporcionar muitos e bons momentos, sozinho ou com os amigos, durante um Sábado aos Saltos.


Tal como acima mencionado, dificilmente um brinquedo deste tipo será visto numa loja de brinquedos, drogaria ou hipermercado actual – não só pela sua natureza rudimentar e quase artesanal (sem luzes LED ou quaisquer outros efeitos) como também pela mudança acentuada de mentalidades relativamente às armas, sejam elas de que natureza forem. Ainda assim, as gerações 'X' e 'millennial' – e até mesmo algumas das anteriores – não terão decerto deixado de criar memórias nostálgicas ligadas a este 'produto do seu tempo', hoje obsoleto e quase extinto, mas que em tempos fez a felicidade de muitos jovens no decurso de um Sábado aos Saltos.

Saturday, 14 December 2024

Sextas Com Style (de Natal): Os Chapéus de Natal, Uma 'Moda' Relativamente Recente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-Feira, 13 de Dezembro de 2024.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Já aqui anteriormente mencionámos os anos 90 como a década da chegada a Portugal dos hoje ubíquos produtos baratos vindos da China, na altura veiculados sobretudo através de vendedores de rua, drogarias de bairro e lojas 'dos trezentos'. E de entre os muitos produtos que passaram a circular em massa no seio da sociedade lusitana, um deles tinha um pendor declaradamente natalício, e viria a tornar-se parte integrante da estação em território nacional.


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A sempre popular versão com luzes LED.


Falamos dos chapéus de Pai Natal, antes apenas acessíveis como parte integrante de um fato completo, mas que, nos últimos anos do século XX e primeiros do seguinte, passaram a surgir em bancas de rua natalícias e lojas 'dos trezentos' e 'dos chineses' não só na sua forma original, como também em variantes alternativas, como a que incorporava efeitos LED na 'bainha' do chapéu, ou a preta com texto anti-Natal, para quem queria expressar a sua falta de espírito festivo, em vez do oposto.


Ambos estes chapéus - tal como o original - ainda são, aliás, largamente vendidos em Portugal no último mês de cada ano, e podem ser encontrados nas cabeças de uma porção significativa da população, embora sobretudo em contextos de festa privada. E embora, para as gerações 'Z' e 'Alfa', esta seja só mais uma parte da quadra natalícia, quem é mais velho sabe que a sua adopção pelos portugueses é relativamente recente, e remete à década em que tudo parece ter acontecido, e que mais indelevelmente transformou e moldou o País que hoje conhecemos.

Friday, 13 December 2024

Quintas ao Quilo (de Natal): Os Enfeites de Chocolate, Uma Tradição Deliciosa...e Perdida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2024.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


A par da Páscoa, o Natal é a época por excelência para a compra e consumo de chocolates. Tanto assim que, além das inevitáveis caixas de presente, Pais Natais de chocolate (remodelados a partir dos coelhinhos de Páscoa) e calendários do Advento, os portugueses tendem até, por vezes, a colocar enfeites de chocolate na própria árvore de Natal – uma tendência ainda mais exacerbada em finais do século XX, quando era costume ver, entre as bolas e enfeites 'normais', um ou outro explicitamente 'comestível'.


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De facto, fossem as clássicas sombrinhas da Regina, as ainda mais icónicas Fantasias ou simplesmente uma bola de Natal de chocolate mais genérica, eram inúmeros os chocolates de pequena dimensão que acabavam por 'ir parar' à árvore, onde, durante as três a quatro semanas seguintes, 'tentariam' os membros mais jovens do agregado familiar, os quais, muitas vezes, desejavam ardentemente poder desembrulhá-los e prová-los, mas tinham que esperar que a árvore fosse desfeita – ou, pelo menos, que fosse dada 'ordem' pelos mais velhos. Ainda assim, a sensação de 'esmigalhar' uma bola de chocolate entre os dedos antes de lhe retirar o alumínio vive na memória de quem alguma vez tenha tido essa experiência.


Embora muitos destes enfeites-petisco continuem a ser vendidos até aos dias de hoje, as tendências modernas ditaram não só a sua redução em número como também em frequência de utilização, tornando-as, cada vez mais, 'relíquias' de gerações anteriores. Apenas mais um elemento, portanto, que as gerações 'X' e 'millennial' recordarão com carinho, mas que será alheio ou estranho às subsequentes. Uma pena, pois a experiência acima descrita é daquelas que sobrevivem à mudança de mentalidades e hábitos, e faria sem dúvida as delícias de uma criança moderna, tanto quanto sucedeu com as daquele tempo....

Thursday, 12 December 2024

Quartas de Quase Tudo (de Natal): 'O Meu Primeiro Livro de Natal' - Um Volume Festivo, Educativo e Decorativo

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2024.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A época natalícia é, já de si, farta em momentos e motivos de entusiasmo para os mais pequenos, seja em Portugal ou em qualquer outra parte do Mundo ocidental; entre escolher e decorar a árvore, ir ver as iluminações com a família, abrir diariamente uma das portinholas do Calendário do Advento, marcar no catálogo de Natal os presentes pretendidos (ou, nos dias que correm, escolhê-los na Amazon), escrever a carta ao Pai Natal (e visitá-lo no hipermercado). ver pela centésima vez o 'Sozinho em Casa' e fazer as compras necessárias para a ceia – e isto ainda sem contar com quaisquer potenciais festas da escola ou do trabalho dos pais – o mês de Dezembro afirma-se como um dos mais excitantes (a par dos meses de Verão) para as demografias mais novas. É, pois, de questionar se um livro cujos conteúdos consistem apenas e só de (ainda mais) actividades natalícias se afigura como uma boa ideia; no entanto, foi isso mesmo que a Editora Civilização decidiu lançar, em plena Primavera (o livro saiu em Abril!) de há exactos trinta anos, permitindo aos interessados começar a preparar com absurda antecedência o advento de 1994.


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Da autoria de Angela Wilkes, e parte de uma colecção mais alargada que incluía também volumes sobre cozinha e matemática, entre outros, “O Meu Primeiro Livro de Natal” sugere, no subtítulo, “actividades divertidas para fazeres no Natal”, a maioria das quais centradas nos trabalhos manuais, uma maneira simples, singela e divertida de criar bons momentos em família naquela que é a época dedicada, por excelência, à mesma. Da criação dos habituais enfeites típicos da quadra a actividades algo mais originais, são páginas atrás de páginas de actividades que terão, certamente, feito as delícias das crianças das gerações 'X' e 'millennial' com mais apetência para a criação de objectos decorativos. Assim, até por este volume se encontrar, hoje em dia, algo 'Esquecido Pela Net' – sobrevivendo apenas a capa e o nome da autora – não poderíamos deixar de lhe dedicar algumas linhas nesta nossa rubrica mais 'generalista', como forma de assinalar os trinta Natais desde a sua publicação, naquele que era um País significativamente diferente, mas de tradições natalícias praticamente idênticas às dos dias que correm.

Tuesday, 10 December 2024

Segundas de Sucesso/Terças de TV (de Natal): O Melhor Anúncio de Natal de Sempre

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2024.


NOTA: Por razões temáticas, todas as Terças-feiras de Dezembro serão de TV.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


De entre os elementos que anunciavam e compunham o Natal infantil português dos anos 90 e 2000, um dos mais salientes eram os anúncios televisivos alusivos à quadra – ou melhor, UM anúncio televisivo em particular, que qualquer 'millennial' português saberá de imediato identificar, e que foi tradição anual nos canais generalistas nacionais até ao dealbar da década de 2010.



De facto, os 'spots' publicitários natalícios da cadeia de supermercados e hipermercados Continente, e a respectiva banda sonora, são, para toda uma geração, quase tão emblemáticos da quadra como o 'Natal dos Hospitais' ou o som do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras. Aliás, há até motivos para dizer que 'Bem Vindos Ao Mundo Encantado dos Brinquedos' é, para a referida demografia, a 'outra' música de Natal portuguesa por excelência, trazendo à mente visões da então mascote da cadeia, a avestruz Leopoldina, a movimentar-se por entre verdadeiras pilhas de brinquedos, que apenas aguçavam a vontade de visitar o mais rapidamente possível o Continente mais próximo, e se deliciar com a variedade de opções para presentes de Natal.


Escusado será dizer que, apesar de esforços continuados, o Continente não mais logrou repetir o sucesso destas cadeias; anúncios subsequentes, já com a segunda mascote Popota ao lado de Leopoldina, eram bem conseguidos, mas falhos em termos de banda sonora quando comparados com o seu antecessor – ainda que, assumidamente, o mesmo tivesse colocado a fasquia absurdamente alta. Assim, a geração nascida ou crescida durante as décadas de 90 e 2000 pode, mesmo, gabar-se de ter assistido, em primeira mão, aos melhores anúncios de Natal alguma vez criados em Portugal, cuja música (que podia perfeitamente ter sido lançada como 'single' comercial, pois encontraria sem dúvida o seu público) ainda hoje saberão sem dúvida cantar 'de trás para a frente' e 'de cor e salteado...'

Sunday, 8 December 2024

Domingos Desportivos: Lendas da I Divisão - Os Cento e Dez Anos do Sport Comércio e Salgueiros

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Quando se fala em emblemas históricos do futebol português, entretanto desaparecidos ou caídos em desgraça, existem, desde logo, alguns nomes incontornáveis. Campomaiorense, Beira-Mar, Tirsense, Felgueiras ou Espinho são apenas alguns dos clubes que os jovens de finais do século XX se habituaram a ver nas cadernetas anuais da Panini, e que, hoje em dia, se encontram muito longe desses anos áureos, não mais tendo logrado recuperar a popularidade de que gozavam nesses tempos. No entanto, talvez o nome maior dessa lista seja o clube cuja encarnação original completa este fim-de-semana cento e dez anos de existência (sem contar com três em que se encontrou inactivo), e que viveu os seus tempos áureos, precisamente, na última década do Segundo Milénio. Falamos do Sport Comércio e Salgueiros (vulgarmente conhecido apenas pelo seu último nome), o 'Benfica do Norte' que era conhecido por fazer a 'vida negra' aos adversários que visitavam o extinto Estádio Vidal Pinheiro, hoje uma estação de Metro com o mesmo nome do clube e da zona onde o mesmo se situava.


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Fundado em 1911, foi, no entanto, na década de 30 que o Salgueiros adquiriu a sua identidade, ao fundir-se com o também local Sport Comércio para dar origem ao clube que a classe operário portuense se habituaria a seguir. De facto, longe do elitismo dos outros clubes da cidade, nomeadamente o rival Boavista, o Salgueiros era uma agremiação declaradamente popular, o que ajudou a fomentar a sua popularidade naquelas primeiras décadas, e lhe outorgou o seu lugar no panorama futebolístico português.


No entanto, apesar do carinho que lhe era dispensado pelos trabalhadores portuenses, o clube apenas conseguiu deixar de fazer parte do 'pelotão' de emblemas da então II Divisão de Honra, e aspirar a mais altos vôos, volvidos quase oitenta anos desde a sua formação, e cinquenta desde a junção ao Sport Comércio; de facto, seria apenas já nos primeiros meses da década de 90 que o clube almejaria a sua segunda subida à divisão principal do futebol nacional, após quase quatro décadas e meia no segundo escalão. E se a primeira subida pouco tivera de notável ou extraordinário, esta 'segunda oportunidade' viria mesmo a colocar o clube portuense no 'mapa' de emblemas a ter em conta no futebol português, tornando-o num dos 'crónicos' da antiga Primeira Divisão, e proporcionando-lhe mesmo uma inédita experiência europeia, embora a mesma não tenha ido além de uma eliminação a duas mãos frente ao Cannes, de França, a contar para a primeira eliminatória da Taça UEFA 91-92, após ter conquistado o quinto lugar do campeonato na época anterior.


Foi também neste período que o clube se afirmou como 'viveiro' de jovens talentos, tendo produzido ou ajudado a notabilizar futuros craques como Deco, Sá Pinto, Feher, Nandinho ou Moreira (histórico guardião do Benfica parcialmente formado no clube) e visto ainda passar pelas suas fileiras veteranos como Silvino, Panduru ou Iliev, os quais, embora já longe dos seus tempos de glória, não deixaram ainda assim de dar o seu contributo para a História do mítico emblema. E embora essa mesma História tenha tido um final tudo menos feliz (com o clube a ser despromovido 'na secretaria' para as divisões amadoras, e subsequentemente extinto, por questões financeiras, na época 2004-05), o Salgueiros logrou 'recomeçar do zero', renascendo das cinzas em 2008, muito longe da grandeza de outros tempos mas, ainda assim, vivo. Mais de quinze anos volvidos, o clube não conseguiu ainda regressar ao nível a que os adeptos dos anos 90 se habituaram a vê-lo, mas mantém ainda assim a esperança de, um dia, conseguir voltar a inscrever o seu nome entre os 'grandes' do futebol português, tal como sucedeu nessa época. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Saturday, 7 December 2024

Saídas ao Sábado: As Vendas Beneficentes - A Encarnação do Espírito Natalício

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


A aproximação do Natal comportava consigo, no Portugal dos anos 90, o aparecimento de uma série de elementos bem típicos da estação: as tradicionais iluminações (um dos pontos altos do período festivo para muitas crianças) a montagem da árvore de Natal e do presépio, as cartas ao Pai Natal, as festas de Natal da escola ou do trabalho dos pais, a chegada dos inevitáveis circos de Natal a diversas localidades, a gradual abertura de calendários do advento, o aparecimento de inúmeros catálogos de brinquedos na caixa do correio, a transmissão na televisão de 'Sozinho em Casa', 'Mary Poppins' e dos icónicos anúncios do Continente (que aqui terão, em tempo, o seu espaço) ou o tema do nosso 'post' de hoje, as vendas de caridade.


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Tipicamente organizadas por paróquias ou associações beneficentes, as referidas instalações – via de regra situadas em espaços comerciais vazios, mediante aluguer temporário – comportam, geralmente, fins de angariação de fundos, através da venda de uma mistura de objectos novos (a maioria dos quais de pendor sazonal), artesanato feito à mão pelos membros da entidade organizadora e, claro, doações efectuadas pelos mesmos. O resultado é um espaço que permite encontrar um presente ou decoração natalícia diferente, a um preço convidativo, e com o dinheiro gasto a reverter para boas causas - normalmente associadas ao restauro de instalações, organização de actividades ou simples melhoria da qualidade de vida de cidadãos mais carenciados - acabando assim por servir como manifestação física do espírito natalício de solidariedade e entreajuda. Não é, pois, de admirar que estes espaços sejam, durante o seu tempo de existência, bastante concorridos, contando sempre com forte afluência, sobretudo se situados em artérias comerciais de grandes cidades.


À semelhança da maioria das tradições acima elencadas, também este tipo de instalação continua a existir, sensivelmente no mesmo formato em que primeiro surgiu, há já várias décadas, embora em número e com frequência cada vez mais reduzidas, á medida que o comércio transita do modelo comercial para outro mais digital, e baseado nas compras 'online'. Ainda assim, enquanto existirem instituições beneficentes, utentes necessitados, clientes solidários e lojas vazias onde 'montar a banca', é de crer que as vendas beneficentes continuem a formar parte integrante do Natal nacional, permitindo aos membros das gerações 'X', 'millennial' ou até 'boomer' proporcionar aos filhos ou netos a mesma experiência que eles próprios viveram durante inúmeras Saídas ao Sábado de Natal, nos anos anteriores (ou imediatamente seguintes) à viragem do Milénio.

Friday, 6 December 2024

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de 'American Pie - A Primeira Vez', o Filme Que Relançou Um Género

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Um dos estilos cinematográficos que mais floresceu durante os anos 80 foi a comédia adolescente debochada, exemplificada por franquias como 'Porky's', 'A República dos Cucos' ou 'A Vingança dos Nerds'. Com a entrada para a última década do século XX, no entanto, tais filmes caíram em desuso, tendo o ramo da comédia sido deixado para obras de teor mais familiar ou romântico, e o segmento adolescente a privilegiar a acção e a ficção científica. Tal paradigma viria novamente a mudar, no entanto, à entrada para o Novo Milénio, quando um filme do género julgado morto conseguiu almejar niveis estratosféricos de sucesso, e relançar o gosto do público jovem por comédias centradas em peripécias semi-sexuais. É a esse filme, sobre cuja estreia nacional se celebram dentro de poucos dias os vinte e cinco anos, que dedicamos esta Sessão de Sexta. Falamos de 'Comédia Adolescente Que Pode Ser Feita Por Menos de Dez Mil Dólares, Que Quem Ler Nos Estúdios Provavelmente Vai Detestar, Mas Que Eu Acho Que Vocês Vão Adorar', mais tarde conhecida como 'East Grand Rapids High' e 'East Grand Falls High', mas que 'viria ao mundo' com o nome de 'American Pie – A Primeira Vez'.


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Um projecto pessoal do argumentista Adam Herz, realizado pelos então ainda desconhecidos irmãos Weitz, Chris e Paul. Chegado às salas lusitanas a 10 de Dezembro de 1999 (a tempo de destoar consideravelmente do restante cartaz natalício daquele ano), o filme contava com um elenco composto tanto por nomes desconhecidos, e que ajudou a lançar (como Jason Biggs e Seann William Scott) como com actores e actrizes já um pouco mais veteranos, como Mena Suvari (então já com 'Beleza Americana' no currículo), Alyson Hannigan (já sobejamente conhecida como a Willow de 'Buffy, Caçadora de Vampiros') ou Shannon Elizabeth. No entanto, com excepção de Suvari e Hannigan, mesmo os actores mais conhecidos são, sobretudo, lembrados pelos personagens que interpretaram nesta obra e nas suas diversas sequelas, tão icónicos foram os mesmos para a juventude das gerações 'X' e 'millennial'.


De facto, 'American Pie' (tal como a sua primeira sequela) é uma verdadeira 'mina de ouro' de dichotes, graçolas e momentos de comédia impagáveis - a 'situação' do protagonista Jim com uma cassette de vídeo, a famosa 'meia' do mesmo, as tiradas de pinga-amor do lendário 'Shermanator', a analogia que originou o título da franquia, toda e qualquer fala dita pelo personagem de Seann William Scott (o lendário Steve Stifler) e, claro, as famosas histórias sobre o campo de férias para músicos e a não menos famosa definição do termo 'MILF', o qual viria mesmo a incorporar o léxico corrente após a estreia do filme. Sim, 'American Pie' é tão icónico que ajudou a adicionar uma palavra, senão ao dicionário, pelo menos ao léxico anglo-saxónico – uma proeza de que poucos outros filmes se podem legitimamente orgulhar.




Dois dos mais icónicos momentos do filme.


Mais do que qualquer momento individual, no entanto, a força do filme está na forma como consegue retratar, embora de forma deliberadamente exagerada, experiências com que o seu jovem público-alvo facilmente se identifica – algo em que os filmes desse período da viragem de Milénio eram exímios. De facto, esse elemento foi tão determinante no sucesso de 'American Pie' (enquanto filme e enquanto franquia) como as referidas cenas e tiradas, as quais não se teriam espalhado da mesma forma se o filme não tivesse tido o nível de sucesso que almejou. De igual modo, sem essa conexão ao seu público-alvo, é de duvidar que a obra de Herz e dos irmãos Weitz tivesse conseguido dar azo a nada menos que seis sequelas (embora três das quais em formato 'directo-a-vídeo') e influenciado tantos 'seguidores' nos anos subsequentes, muito poucos dos quais capazes de recuperar o espirito da mesma. E ainda que o 'American Pie' original, bem como a sua primeira sequela, lançada já nos primeiros anos do Novo Milénio, possam e tenham sido entretanto reavaliados como 'problemáticos', os mesmos continuam, no entanto, a constituir parte icónica das memórias de adolescência de grande parte da geração 'millennial' ocidental (não sendo Portugal excepção a essa regra) pelo que esta pequena homenagem, por ocasião do vigésimo-quinto aniversário da chegada ao nosso País do primeiro filme da franquia, se afigura totalmente justificada.


Thursday, 5 December 2024

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: 'Heróis', a 'Wizard' 'dos Pequeninos'

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2024.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui em diversas ocasiões falámos do quase total monopólio que a Abril Jovem (ou Abril-Controljornal) tinha sobre o mercado de banda desenhada em português dos anos 80 e 90. Fosse através de títulos próprios, fosse por meio de importações brasileiras, a editora era responsável por grande parte dos lançamentos vistos nas tabacarias ou quiosques do nosso País, sendo a grande e honrosa excepção a Turma da Mônica, que, a partir de 1987 e até aos primeiros anos do século XXI passaria a pertencer à Globo. Tendo em conta todo este domínio e hegemonia, não é de surpreender que a casa editorial em causa tenha querido, em meados da última década do século XX, 'puxar a brasa à sua sardinha' através do lançamento de uma revista própria quase inteiramente dedicada aos títulos do seu catálogo.


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Mais do que um veículo de propaganda, no entanto (que era), 'Heróis' procurava ser uma espécie de versão portuguesa e muito simplificada da lendária 'Wizard', a referência internacional por excelência para quem se interessava por banda desenhada, jogos de vídeo ou figuras de acção naquela época. Face aos preços proibitivos das edições desta última importadas quer da América do Norte, quer da do Sul, não deixava no entanto de constituir um objectivo nobre querer oferecer aos jovens nacionais uma alternativa com talvez menos qualidade, mas também a uma fracção do preço.


E a verdade é que grande parte do público-alvo, já de si habituados a padrões de qualidade pautados pelo mediano, não pareceu importar-se grandemente com os artigos curtos ou a impressão em papel de jornal, aderindo em massa à 'Heróis' durante o curto tempo da mesma nas bancas. E com alguma razão, já que, ultrapassados estes aspectos menos cuidados ou conseguidos, a revista se afirmava como uma fonte bastante razoável de informação sobre assuntos que interessavam à sua faixa demográfica alvo, sobretudo centrados nos super-heróis da Marvel e DC (que a Abril editava à época) mas passando também pelos mundos dos desenhos animados e dos videojogos, incluindo mesmo uma grelha televisiva com destaques para programas potencialmente do interesse dos mais jovens. Um recurso mais valioso do que poderia à primeira vista parecer, portanto, e que justificava bem o investimento de cem escudos – especialmente se trouxesse acoplada uma carta holográfica (ou Holoucura), como aconteceu com os primeiros números.


Tal como referido anteriormente, foi curto o tempo da vida da 'Heróis'. No entanto, mesmo com esse reduzido intervalo, a revista conseguiu deixar a sua marca junto dos jovens fãs das BD's da Abril – mesmo que hoje se encontre algo Esquecida Pela Net (ainda que seja possível encontrar pelo menos uma digitalização de um dos números publicados, no caso o número 4, que ilustra também esta publicação.) Nada mais merecido, portanto, do que dedicar este 'post' duplo a preservar a memória daquela que foi mais uma publicação de (relativa) qualidade dirigida ao público jovem português da geração 'Millennial'.

Wednesday, 4 December 2024

Terças de TV: 'Amigos Para Sempre' (1994) - Um 'Pioneiro' Esquecido

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 03 de Dezembro de 2024.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui anteriormente apontámos os anos 90 como a década em que um formato futuramente ultra-popular – o 'talk show' – surgiu pela primeira vez nos ecrãs de televisão portugueses; e se Fátima Lopes é hoje lembrada como uma das pioneiras desse género de programa, com a sua emissão homónima de 1997, a verdadeira desbravadora de caminho 'morava' no canal 'ao lado', e antecipou-se à sua congénere em mais de dois anos. É a ela, e ao primeiro programa que conduziu, 'Amigos Para Sempre', que dedicamos esta Terça de TV.


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Cristina Caras-Lindas nos tempos do programa.


Estreante absoluta na televisão portuguesa – embora já com vasta experiência no Canadá – Cristina Caras-Lindas enfrentava desde logo uma luta ao tentar 'vender' o seu formato – que descreveu em entrevista recente como uma 'pedrada no charco' - aos relutantes executivos da Direcção da TVI: eventualmente, no entanto, a apresentadora viria mesmo a conseguir levar a sua avante, embora os seus 'patrões' tivessem ainda dúvidas sobre as suas capacidades como anfitriã principal de um programa do género. As mesmas rapidamente seriam desfeitas, no entanto, com a gravação-piloto do programa a superar de tal modo as expectativas que acabou por ir ao ar 'sem alterarem uma vírgula', como referiu a própria Caras-Lindas.


Essa emissão, que completa no próximo fim-de-semana exactos trinta anos (foi ao ar a 7 de Dezembro de 1994), acabaria por cimentar um formato que já se vinha tornando popular no contexto televisivo português – o 'talk-show' com audiência ao vivo, em que se misturavam entrevistas a 'famosos' de relevo no mundo da TV e espectáculo (os 'Amigos' do título) com casos e convidados de interesse humano, sempre guiados pela simpatia e enorme sorriso da apresentadora.



Um episódio do programa, exemplificativo da sua fórmula, aqui com Herman José como convidado.


Esta fórmula rapidamente se provou bem-sucedida, tendo 'Amigos Para Sempre' conseguido boas audiências durante o tempo em que esteve no ar, e catapultado a sua anfitriã para mais altos vôos, sendo, por isso, algo estranho constatar que o programa se encontra, hoje, algo Esquecido Pela Net – uma situação que este 'post' procura alterar, trazendo à tona das 'brumas' da memória um programa mais importante do que a sua pouca divulgação poderia levar a pensar, e que, à beira do seu trigésimo aniversário, merece ser mais frequentemente recordado pelos espectadores lusitanos da época.

Tuesday, 3 December 2024

Segundas de Séries: As Duas Adaptações Animadas de 'Luluzinha'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2024.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui anteriormente falámos de séries animadas que, apesar de visível e declaradamente produzidas no Japão, se destinavam sobretudo ao mercado ocidental, optando por isso por adaptar propriedades intelectuais europeias ou norte-americanas, muitas vezes em conjunção com países desses mesmos continentes. E se a maioria destas séries tinham por base trabalhos de literatura clássica, contos de fadas ou folclore, também já aqui fizemos menção a 'animes' adaptadas de filmes de sucesso, ou mesmo de histórias da Bíblia, chegando agora a altura de adicionar ainda mais uma fonte de inspiração a essa lista – no caso, as histórias de BD, que renderam pelo menos uma boa série animada deste teor durante os anos 90, curiosamente ambas com os mesmos protagonistas.


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Falamos da primeira de duas adaptações distintas de 'Luluzinha' (no original, 'Little Lulu') a menina de vestido e boina vermelhos criada pela 'cartoonista' Marge, e que a maioria das crianças e jovens portugueses da geração 'millennial' conhecerão através da sua versão brasileira, editada pela inevitável Abril Jovem e importada para a Península Ibérica juntamente com os seus restantes títulos durante as décadas de 80 e 90. Ao 'aterrar' em solo português no início da última década do século XX, a série em causa tinha já, portanto, a 'benesse' de se basear numa propriedade bem conhecida do seu público-alvo, já bem a par das personalidades e motivações de Luluzinha, Bolinha e os seus restantes amigos.



Não devendo ser confundida com as animações alusivas aos personagens criadas nos EUA nos anos 40, durante a 'era de ouro' da animação (e que também chegaram, ocasionalmente, a passar em Portugal) a primeira das duas séries japonesas (produzida em 1976, mas apenas exibida no nosso País mais de uma década e meia depois) traz o grupo de Marge em versão algo mais estilizada, tipicamente 'anime' – embora sem perder totalmente os traços da criadora - e em enredos não necessariamente tão fiéis ao material original, embora mantenham a mesma tónica de aventuras quotidianas típicas de crianças em idade de instrução primária e residentes num bairro sossegado. O principal destaque vai, no entanto, para o 'monstruoso' tema de abertura, uma daquelas 'malhas' que se aloja perpetuamente na memória, pronta a ser trauteada à mera menção da série, três décadas depois.


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Já relativamente à segunda série, desta feita produzida na América do Norte existem menos informações, tendo a mesma sido transmitida, novamente na RTP, em 1998, numa altura em que o panorama televisivo infanto-juvenil se alterara radicalmente, e em que Luluzinha enfrentava a concorrência, entre outros, de Doraemon, um adversário bem mais 'temível' que o antecessor Henbei, com quem Luluzinha disputara tempo de antena no início da década. Talvez por isso esta segunda 'iteração' da personagem de Marge em formato animado seja menos lembrada e mencionada por quem era da idade certa para ter assistido à série em causa; a primeira, no entanto, continua a deixar boas memórias (a maioria, provavelmente, do seu tema de abertura) a quem, como o autor deste 'blog', era já fã da personagem, e apreciou a oportunidade de ver as suas aventuras transpostas dos painéis estáticos de uma página de BD para o dinamismo do pequeno ecrã.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...