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Thursday, 9 February 2023

Quintas ao Quilo: O Miluvit

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Hoje em dia, os nomes Nestum e Cérélac fazem parte daquela gama de produtos perenes e aparentemente imortais, apreciados e partilhados por múltiplas gerações de crianças desde o seu aparecimento; no entanto, existiu, nos anos 80 e 90, uma outra farinha láctea, tão bem-sucedida quanto estas, mas cuja sorte foi diametralmente oposta, não tendo sobrevivido ao virar do Milénio, e tendo como principal referência cultural hoje em dia a sua icónica mascote.


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Falamos do Miluvit, a 'papa do Vitinho' que, durante as décadas em que este mandou para a cama duas gerações de crianças através dos seus lendários segmentos musicados transmitidos na RTP1, chegou a fazer concorrência no mercado português ao líder Nestum, mas que, com a perda de relevância do seu 'embaixador' (substituído pelo não menos icónico Patinho) acabou por desaparecer quase imperceptivelmente das prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais.


Ainda assim, no seu auge de popularidade, o Miluvit conseguiu tracção suficiente entre o seu público-alvo para chegar a contar com quatro sabores – além do tradicional mel, sabor de base para as farinhas lácteas infantis, havia também variantes de arroz (em concorrência directa a outro popular sabor da gama Nestum), maçã (talvez a mais saborosa das quatro) e multicereais, esta semelhante ao actual Nestum de cereais integrais. Qualquer uma delas constituía uma excelente alternativa ao Nestum, sobretudo para quem gostava da papa menos doce.


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As quatro variantes da papa existentes no mercado noventista.


Por muito boa que fosse a papa, no entanto, era inegável que o verdadeiro 'argumento' do Miluvit era a sua mascote, que ocupava sempre o centro de qualquer campanha promocional da marca, e cuja popularidade justificava mesmo a produção de artigos de merchandise, como uma almofada, numa alusão directa aos mega-populares segmentos 'Boa Noite, Vitinho'.


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A almofada do Vitinho (crédito da foto: Ainda Sou do Tempo)


Assim, quando os referidos segmentos saíram do ar e o personagem de José Maria Pimentel se passou a cingir às caixas de papa, foi com naturalidade que se verificou um declínio na popularidade do Miluvit, cuja época áurea termina ainda antes da passagem de Milénio: ainda assim, para quem viveu no tempo das 'duas papas', este não deixará de ser um produto nostálgico, quanto mais não seja pela presença do menino camponês dorminhoco nas suas caixas.

Thursday, 19 January 2023

Quintas ao Quilo: O Tulicreme

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Regra geral, os produtos que abordamos nesta secção inserem-se em uma de duas grandes categorias: os nascidos nos anos 90, e aqueles que apenas duraram até, ou durante, essa época. Tal deve-se, logicamente, à proposta deste blog, que procura centrar-se sobre memórias e nostalgia específica da chamada 'geração Millennial'. Por vezes, no entanto, não é possível manter – pelo menos inteiramente – essa premissa; por vezes, há que falar de produtos que foram tão lendários para a 'nossa' geração como para a anterior, e mesmo a seguinte. O produto desta semana é – a par do Um Bongo e do Bollycao, as outras grandes excepções que abrimos a este respeito – um dos principais representantes dessa categoria de produtos transversais a portugueses de várias idades.


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Embalagem moderna do produto em causa.


Trata-se do Tulicreme, o ultra-popular creme de barrar no pão cuja não menos popular mascote, o Urso Tuli, sofria precisamente nesta época da História não uma, mas duas mudanças de 'visual', cada uma das quais o afastava mais das suas raízes como representante minimamente realista (e algo andrógino) da espécie 'ursus arctos', e o aproximava das restantes mascotes (e outros personagens animados em geral) que faziam furor na época.


No entanto, ao contrário do que acontecia com outras marcas, o apelo do Tulicreme não se cingia apenas à mascote, sendo de crer que o produto tivesse sucesso mesmo sem a presença de Tuli como 'embaixador'. Isto porque o creme de barrar era, desde a sua introdução no mercado português em 1964, um daqueles 'prazeres gulosos' a quem havia pouco quem resistisse. Além disso, o teor relativamente económico do produto tornava-o uma opção popular para os lanches das crianças das gerações que com ele conviveram, fazendo o produto, a dado ponto, inclusivamente parte dos lanches oferecidos pelas escolas portuguesas.


Naturalmente, como costuma ocorrer neste tipo de situações, o sucesso do Tulicreme junto do seu público-alvo rapidamente motivou a criação de novos sabores, primeiro de avelã e, mais tarde, de caramelo (cuja recepção ficou bem aquém das expectativas, levando à sua rápida retirada do mercado, e ao regresso da sua bem mais consensual congénere à base de frutos secos). Como também era hábito, o creme rapidamente se viu associado a patronícios de entidades como o Jardim Zoológico de Lisboa (onde apadrinhava, naturalmente, os ursos) e o programa Arca de Noé, que chegou a promover um concurso em conjunto com a marca, em que os prémios de consolação consistiam de peluches alusivos ao 'novo visual' da mascote Tuli.


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Um dos peluches recebidos como prémio de consolação do concurso promovido pela 'Arca de Noé' (crédito da foto: OLX)


Ao longo dos anos, no entanto, o 'estado de graça' do Tulicreme foi-se, progressivamente, deteriorando, à medida que cada vez mais nutricionistas alertavam para os malefícios do produto; ainda assim, à semelhança do Bollycao (outra 'vítima' da consciencialização alimentar do novo Milénio) o creme em causa ainda vai tendo lugar no mercado alimentício infanto-juvenil actual, levando a crer que o seu tempo de vida nas prateleiras nacionais se prolongue por, pelo menos, ainda mais uns anos, e que o mesmo continue a fazer parte da categoria de produtos 'lendários' do comércio português.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...