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Friday, 21 March 2025

Quintas ao Quilo: O Leite Com Chocolate Ucal - Um Impressionante Exemplo de Longevidade Imutável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 20 de Março de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A mudança – de logotipo, estética, características, fabrico ou mesmo composição – é um elemento tão inevitável quanto natural no ciclo de vida de qualquer produto, sendo poucos os que conseguem manter intactas todas as características acima listadas ao longo de várias décadas. Deve, pois, ser dado ainda mais valor àqueles que, efectivamente, almejam tal objectivo, como é o caso do produto alimentar ao qual dedicamos esta Quinta ao Quilo.


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Disponível até hoje em mercearias, supermercados e até hipermercados na sua forma original e clássica – em garrafa de vidro – o leite com chocolate Ucal conseguiu, de alguma forma, manter-se praticamente imutável em relação à bebida que os portugueses das gerações 'X', 'Millennial' e até anteriores consumiram. Àparte algumas (mais ou menos) subtis mudanças de logotipo – e, decerto, também de fórmula e gosto – o produto hoje adquirível em qualquer bom retalhista é praticamente o mesmo daquela época, sem quaisquer características ou 'truques' de 'marketing' adicionais.


Embora seja, pois, de lamentar o desaparecimento da variante em garrafa pequena do leite branco da marca (à época tão comum quanto o de chocolate, embora naturalmente menos popular) é, sem dúvida, de louvar o facto de o referido leite se conseguir manter tão relevante e popular como nunca, sem recurso a quaisquer mascotes, ofertas ou brindes, apenas na base do nome e da qualidade a que o mesmo é associado – uma característica que, cada vez mais, se vai perdendo no panorama comercial, e que torna o clássico leite Ucal mais do que merecedor de destaque nesta rubrica, apenas algumas semanas após termos cedido o mesmo espaço tanto ao entretanto desaparecido 'Leite do Dia' como aos outros leites em garrafa disponíveis no mercado. Ficam os votos de que a tradição se mantenha ainda por muitos anos, e que os filhos e netos das gerações 'Z' e 'Alfa' possam, ainda, deliciar-se com o mesmo leite em 'garrafinha' que os seus pais, avós e até bisavós tomaram nos seus próprios tempos de infância...

Friday, 28 February 2025

Quintas ao Quilo: O Leite do Dia e Em Garrafas de Vidro - Resquícios Desaparecidos do Comércio Local

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Embora, hoje em dia, tal possa parecer difícil de imaginar, até há relativamente pouco tempo, o leite UHT em embalagem Tetrapak estava longe de ser a norma em Portugal – antes pelo contrário. De facto, já à entrada dos anos 90, continuava a ser relativamente comum adquirir o lacticínio-mor em dois outros tipos de embalagem: por um lado, a garrafa de vidro (ainda hoje vigente, embora com bastante menos expressão, e restrita essencialmente ao leite com chocolate da UCAL) e o chamado 'leite do dia', comercializado em sacos semelhantes aos que, hoje em dia, podem ser vislumbrados ao lado da máquina de café num qualquer estabelecimento da Starbucks. É destas duas formas (quase) desaparecidas de comercializar leite que falaremos nas próximas linhas.


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Uma visão típica dos anos 80 e 90, mas totalmente desaparecida um terço de século depois.


Considerados, à época, mais saudáveis do que o leite UHT (embora também bastante mais perecíveis, o que pode ajudar a explicar o seu desaparecimento) estes dois tipos de leite não tendiam a figurar nas prateleiras dos habituais supermercados e hipermercados, sendo um dos resquícios do tempo em que o comércio era sobretudo local, e em que os lacticínios eram adquiridos na leitaria, ou directamente ao leiteiro; e embora, em finais do século XX, os segundos fossem já raros, as primeiras continuavam a existir, e a vender as duas formas de leite embalado, as quais, por sua vez, continuavam a ir ao encontro das necessidades de uma clientela fiel. Mais tarde, o leite do dia chegaria mesmo às grandes cadeias retalhistas, embora o seu tempo de vida nas prateleiras das mesmas viesse a ser reduzido, talvez pela supracitada perecibilidade, que obrigava a 'rodar' 'stock' com muito mais frequência do que no caso do leite UHT, famoso pelas suas longas datas de validade.


Curiosamente, fora de Portugal, continua a ser comercializado leite fresco (ou, pelo menos, não-UHT), sendo mesmo a principal forma de consumir o lacticínio em países como o Reino Unido. Em terras ibéricas, no entanto (ou, pelo menos, lusitanas), a versão ultra-pasteurizada e disponivel em embalagem de cartão ganhou mesmo vantagem sobre as alternativas, tornando-se sinónima com o produto em causa e relegando-as para a memória remota de quem foi criança antes do final do século e Milénio passados, 'fadadas' a serem recordadas apenas ocasionalmente, em páginas de 'sites' como este 'blog' nostálgico...

Thursday, 1 December 2022

Quintas ao Quilo: Os Achocolatados dos Anos 90

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Numa época em que o Inverno já está declaradamente instalado, em que as temperaturas descem e os dias ficam mais curtos (tanto assim que quem tem aulas de tarde, ou trabalha em horário laboral, já regressa a casa de noite) existem certas 'comidas de conforto' a que ninguém, e ainda menos uma criança ou jovem, resiste. Dessas, uma das principais é o bom e velho chocolate quente (que não deve ser confnndido com o também bom e velho leite com chocolate, que serve funções diferentes) o qual, nos anos 90, surgia na consicência popular sobretudo através de três marcas: Suchard Express, Cola Cao e Nesquik.


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As embalagens clássicas dos três achocolados portugueses.


E a verdade é que, embora o produto em si fosse fundamentalmente o mesmo, cada uma destas variedades apresentava um posicionamento de mercado bem distinto, que lhe garantia a fidelização de um determinado segmento de público; o Cola Cao, por exemplo, apresentava-se como uma marca algo mais 'radical' do que as outras duas, apostando numa suposta ligação ao desporto, enquanto que a Suchard apostava no classicismo e reconhecimento do nome, e a Nesquik baseava toda a sua estratégia de mercado em torno da sua memorável mascote, o Coelho Quicky (o sucessor do canguru que, à época, ainda se podia ver em painéis de patrocínio no Jardim Zoológico de Lisboa.)





Exemplos das estratégias comerciais adoptadas por cada uma das três marcas.


Assim, não é de admirar que a primeira e a última fizessem mais sucesso entre o público mais jovem, enquanto a Suchard se afirmava como a bebida achocolatada que se encontrava no armário de casa da avó, e se bebia nesse mesmo contexto. Também não é, de todo, surpreendente – tendo em conta as tendências típicas da infância e juventude – que cada uma das bebidas supramencionadas tivesse os seus 'defensores', prontos a denegrir quaisquer dos nomes concorrentes e a exaltar as virtudes da sua marca de eleição.


O que é, sim, curioso – tendo em conta as tendências de mercado tantas vezes aqui abordadas – é o facto de todas as três bebidas continuarem a constar das prateleiras dos supermercados e hipemercados nacionais, em formatos quase totalmente inalterados em relação aos de há trinta anos atrás (sendo a principal mudança uma lógica e expectável actualização gráfica.) Juntamente com produtos como o Nestum, Cerelac ou Tulicreme (de que aqui paulatinamente falaremos) estas marcas de achocolatados continuam a 'resistir ainda e sempre ao invasor', constituindo um dos poucos elos de ligação restantes a uma época que, cada vez mais, vai desaparecendo da vida quotidiana dos portugueses...


 

Thursday, 8 September 2022

Quintas ao Quilo: O Leite Escolar - 45 Anos de Bom Gosto

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


A experiência de ingressar oficialmente na escola é sempre um marco para qualquer criança, independentemente da nacionalidade ou do período em que viveu - sobretudo pelo sem-fim de trâmites e rituais que acarreta, da aquisição do material e roupa à mudança de rotinas diárias, até então, aparentemente imutáveis. Uma destas rotinas é, precisamente, a da refeição à mesa familiar, que, para muitas crianças, se torna a excepção, em vez da regra, a partir do momento em que iniciam o pré-escolar ou a instrução primária.


Como forma de 'suavizar' esta transição, e de colmatar quaisquer falhas na alimentação das crianças decorrentes da mesma, a Direcção Geral de Educação portuguesa inaugurou, ainda em finais dos anos 70, um programa que visava a distribuição, em escolas primárias e preparatórias, de cerca de dois decilitros de leite a cada aluno, sendo os mesmos, a princípio, criados sobre o lume a partir de leite em pó e, mais tarde, providenciados nas 'caixinhas' Tetrapak com que este tipo de produto alimentício viria a ficar conotado em décadas subsequentes.


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As pequenas 'obras de arte' descartáveis em que o leite era distribuído.


Foi neste formato que o Leite Escolar (como era, singelamente, apelidado) penetrou na infância das crianças da época a que este blog diz respeito, e é precisamente por ele que é, por elas, nostalgicamente recordado; isto porque o principal motivo de interesse deste leite não era o sabor (que não suplantava a mediania entre os leites com chocolate da época) mas sim a forma como os pacotinhos eram decorados – no caso, com desenhos criados por outras crianças, que davam a cada caixinha um aspecto distinto, e que quase faziam ter pena de a deitar fora depois de vazia - haverá aliás, quase certamente, quem se tenha mesmo dado ao trabalho de guardar as caixinhas, dispondo hoje, assim, de uma colecção que talvez até valha algum dinheiro. Já para quem tinha menos sensibilidades artísticas, a principal memória deste leite será do estampido que o pacote vazio fazia quando se lhe aterrava em cima a pés juntos – um barulho que, certamente, muita gente estará neste preciso instante a 'ouvir' mentalmente, após o ter provocado (ou com ele se ter assustado) na sala de aula da infância.


Curiosamente, ao contrário de muitos dos alimentos que aqui têm vindo a ser recordados, o Leite Escolar ainda existe, continuando a ser distribuído em escolas de Norte a Sul do País exactos 45 anos após a criação do programa – embora, actualmente, apenas em agrupamentos que optem por aderir à iniciativa. Ainda assim, haverá pouco quem dispute (sobretudo entre a demografia a que este blog possa interessar) que o programa teve o seu auge em finais do século e milénio passados, quando as caixinhas distribuídas duas vezes por dia marcaram época entre as crianças de então...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...