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Sunday, 8 June 2025

Domingos Desportivos: Lendas da I Divisão - O 'Outro' António Oliveira do Benfica

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Independentemente de quaisquer preferências clubísticas, há que reconhecer que o Sport Lisboa e Benfica teve, nos anos 80 e inícios de 90 (antes do início da década de hegemonia do Futebol Clube do Porto) uma série de grandes equipas, com nomes que se viriam a tornar símbolos do futebol em Portugal, e a estabelecer carreiras não menos honrosas em cargos técnicos após 'pendurarem as botas'. De facto, a profundidade dos plantéis dos 'encarnados' durante esta época fazia com que mesmo os jogadores menos 'notáveis' das equipas das águias lograssem atingir os píncaros do desporto-rei em Portugal, e estabelecer-se como nomes sonantes dos campeonatos nacionais até mesmo após o seu período áureo. É precisamente, esse o caso com o jogador de que falamos este Domingo, por ocasião do seu sexagésimo-sétimo aniversário, e que foi 'grande' não só do Benfica, como também de dois outros históricos do futebol nacional.


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Nascido na vila da Moita, na Margem Sul do Rio Tejo, e formado no 1º de Maio Sarilhense e no Rosairense, António Henriques Fonseca de Jesus Oliveira (conhecido apenas pelo seu último apelido) iniciou a carreira sénior no clube hoje conhecido como Fabril do Barreiro, que na altura (finais dos anos 70) adoptava a denominação de duas das principais unidades industriais da área. Ali jogaria por quatro anos, sempre como peça importante no seio da defensiva (ocupando a extinta posição de líbero) até almejar dar um 'salto' considerável – directamente para a então chamada Primeira Divisão nacional – ao ser contratado pelo Marítimo, em 1982.


Durou apenas uma época a primeira experiência de Oliveira no Arquipélago da Madeira, no entanto, já que, após uma boa época, o líbero era sondado e contratado pelo Benfica, subindo assim mais um patamar na sua carreira sénior. E a verdade é que, ao contrário do que é habitual, a camisola não 'pesou' ao defesa, que, ao longo dos seus quatro anos de águia ao peito, se viria a afirmar como peça importante (sendo titular quase indiscutível em duas das temporadas que passou na Luz) e a contribuir para dois títulos de campeão nacional, três Taças de Portugal e uma Supertaça.


Seria, também, durante esta fase da sua carreira que Oliveira lograria atingir a honra máxima, ao ser convocado para a Selecção Nacional portuguesa, primeiro para um particular frente ao Brasil, em Coimbra (no dia do seu vigésimo-quinto aniversário, portanto, há exactos quarenta e dois anos) e depois para disputar o Mundial de 1986, onde participaria em todos os apenas três jogos da equipa das Quinas. No total, o jogador viria ainda a somar mais cinco internacionalizações ao longo da sua carreira, a última das quais no âmbito da qualificação para o Mundial de Itália '90, já depois de ter deixado o Benfica para representar, novamente, os verderrubros insulares do Clube Sport Marítimo, aos quais regressaria em 1987, e com os quais veria, ainda, o dealbar da última década do século XX.


Haviam decorrido apenas alguns meses do ano de 1990, no entanto, quando Oliveira deixava pela última vez o Estádio dos Barreiros para rumar mais uma vez ao continente, desta vez a Aveiro, 'casa' da última equipa que viria a representar como profissional. Ao serviço do Beira-Mar, o libero (tornado defesa-central com a extinção táctica da posição) faria ainda quatro épocas, sempre como peça-chave quase indiscutível, antes de 'pendurar as botas' a nível profissional (representaria ainda, a nível amador, os veteranos de ainda outro histórico, o Clube Sport Campomaiorense, que, anos depois, viria a ser o adversário do Beira-Mar na final da Taça de Portugal de 1998-99) aos trinta e seis anos de idade,


Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos (incluindo um seu homónimo, também jogador do Benfica), 'este' António Oliveira não transitou, após a conclusão da carreira, para qualquer cargo técnico, preferindo ser lembrado apenas como esteio defensivo do Benfica numa das suas melhores épocas, e 'colega' mais discreto de Bobó, Chalana, Rui Águas, Bento, Silvino e outros nomes lendários das 'águias' lisboetas. Só esse estatuto, no entanto, já lhe outorga o estatuto de 'lenda' da Primeira Divisão, o qual é cimentado pelas suas passagens pelos outros dois clubes do principal escalão que representou, sempre de forma honrada e honrosa. Razão mais que suficiente, pois, para lhe dedicarmos esta 'prenda de anos', restando-nos desejar-lhe as maiores felicidades, e que conte ainda muitos mais anos felizes de vida.

Sunday, 29 January 2023

Domingo Desportivo: Lendas do Futebol Mundial - Romário, o Pequeno Grande Goleador

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Cada época da História contemporânea teve, e continua a ter, os seus desportistas lendários, não tendo os anos 90 sido excepção a esta regra. Pelo contrário, não faltaram às crianças e jovens daquela época nomes para admirar dentro do Mundo do desporto, dos inevitáveis futebolistas a condutores de Fórmula 1 ou exímios praticantes de outras modalidades, como as atletas Rosa Mota e Fernanda Ribeiro ou os basquetebolistas da NBA (e, dentro de portas, também Carlos Lisboa).


No entanto, apesar desta diversidade, é inegável que o futebol centrava, naquela época como agora, a maioria das atenções, e produzia os mais exaltados ídolos, quer dentro de portas, quer a nível mais global – e, destes últimos, um dos mais destacados durante aquela década foi o homem que hoje completa cinquenta e sete anos de idade, e que muitos adultos hoje na casa dos 'trintas' e 'quarentas' se habituaram a ver 'fuzilar' redes de balizas um pouco por todo o Mundo: Romário de Souza Faria (vulgarmente conhecido apenas pelo seu primeiro nome), um dos mais prolíficos atacantes da História do futebol moderno e que, durante a primeira metade da década, foi esteio de uma das melhores selecções nacionais de sempre.


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Uma imagem que se tornou comum entre os adeptos dos anos 90.


Nascido, como tantos outros seus compatriotas, nos bairros pobres do Rio de Janeiro, Romário destacou-se desde tenra idade pelo seu invulgar talento, tendo sido recrutado pelo Vasco da Gama em 1981, aos catorze anos, após ter brilhado no seu clube local, o Olaria, na época anterior. A estreia profissional, essa, deu-se quatro anos depois, a meio da década de 80, lançando uma carreira que excederia todas e quaisquer expectativas; com uma média de golos por jogo mirabolante, Romário rapidamente se encontrou em trajectória ascendente, não tendo o tão cobiçado 'salto' europeu (objectivo máximo de qualquer futebolista brasileiro) tardado a surgir – apenas três anos após o seu primeiro jogo como sénior, e com já mais de oitenta golos marcados ao serviço do Vasco, Romário seria o escolhido para reforçar o ataque do PSV Eindhoven, do campeonato holandês.


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O jogador no clube que o notabilizou a nível europeu.


E rapidamente se constatou que a veia goleadora do atacante não se limitava ao 'Brasileirão', tendo Romário logrado apontar uma centena de golos nas cinco épocas em que representou os neerlandeses, e sido parte fulcral da conquista de três títulos de campeão nacional durante o mesmo período; uma marca que, naturalmente, conduziu a novo 'salto' na carreira. Desta vez, o destino era Barcelona, em Espanha, onde o brasileiro teria a honra de integrar um dos mais fortes plantéis do futebol mundial da época, ao lado de outro 'enorme' avançado da época, Hristo Stoichkov, e de nomes como Michael Laudrup ou Ronald Koeman. Mesmo em meio a tal 'chuva de estrelas', no entanto, Romário continuou a destacar-se, conseguindo trinta e quatro golos nos quarenta e seis jogos que realizou pelos 'blaugrana' entre 1993 e 1995, trinta dos quais na sua primeira época, incluindo um 'hat-trick' contra os 'eternos rivais' do Real Madrid, e uma 'cueca' ao 'enorme' Peter Schmeichel (mais tarde guardião do Sporting campeão nacional da época 99/2000) em pleno Old Trafford. Actuações como estas, e como as que realiou ao serviço da 'canarinha' no Mundial de 1994, valeram-lhe inclusivamente o merecido prémio FIFA de Jogador do Ano relativo a 1994. Este 'estado de graça' viria, no entanto, a terminar abruptamente logo em Janeiro do ano seguinte, quando um desentendimento com o técnico Johan Cruyff veria Romário abandonar o Barcelona e (numa decisão surpreendente) regressar ao Brasil, agora para representar o Flamengo.


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Romário durante a sua curta e frustrante passagem pelo Valência.


Sessenta golos em outros tantos jogos rapidamente lhe valeram, no entanto, o regresso a Espanha, para vestir a camisola do Valência. No entanto, pela primeira vez na sua carreira, Romário viria a não se afirmar num clube, fazendo apenas onze partidas pelos espanhóis (em que marcaria cinco golos) antes de voltar ao clube de onde recentemente saíra, agora por empréstimo, a fim de jogar com mais regularidade e manter os índices físicos em alta na preparação para o Mundial de França '98 – torneio que, ironicamente, viria a falhar por lesão muscular. Apesar deste relativo 'falhanço' no regresso a Espanha, no entanto, no Brasileirão, os golos continuariam a surgir em catadupa: vinte e dois em vinte e um jogos pelo Flamengo em 1997, e trinta e quatro em sessenta e cinco partidas na época seguinte.


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No Flamengo, o 'Baixinho' voltou a fazer o que melhor sabia.


O novo Milénjo veria Romário voltar à casa que o vira 'nascer' para o futebol, qual filho pródigo, e contribuir com quase oitenta golos para as campanhas de 2000/2001 e 2001/2002 do Vasco da Gama. Seguiu-se novo regresso ao 'Flu' (com passagem breve e pouco memorável pelo Al-Sadd, do Qatar) antes do retorno ao Vasco, ainda a tempo de marcar trinta e cinco tentos em cinquenta jogos na época 2005/2006. Já a nível internacional, a carreira do 'Baixinho' corria menos bem, tendo o mesmo sido deixado de fora do plantel da 'Canarinha' para a Copa América de 2001 e para o Mundial de 2002, por problemas disciplinares.


Apesar destes reveses, no entanto, os anos pareciam não passar pelo avançado o qual, aos quase quarenta anos, continuava a ser o mesmo goleador de classe mundial que se revelara ao mundo três décadas antes; de facto, até ao final de carreira em 2009, aos quarenta e três anos (!!), Romário representaria, ainda, quatro clubes, dois no estrangeiro (o Miami FC, da Major League Soccer norte-americana, e o Adelaide United, da Austrália, por empréstimo deste último) e dois dentro de portas: o seu Vasco do coração, ao qual regressaria pela quarta vez em 2007 (ainda a tempo de marcar treze golos em quinze jogos) e o América do Rio de Janeiro, pelo qual faria uma única partida, a sua última como jogador profissional. Um ponto final estranhamente discreto para um dos nomes 'de monta' do futebol noventista, dono de uma carreira que, em vários pontos, tocara as estrelas.


Penduradas as botas, Romário escolheu seguir, não a carreira de treinador escolhida por tantos dos seus contemporâneos, mas uma bastante mais inesperada: a de político. O 'Baixinho' tornou-se deputado e, mais tarde, Senador do Congresso brasileiro pelo Partido Socialista (de Lula), tendo passado a 'fuzilar' com a língua, em vez de com os pés. O seu alvo mais notável, a este respeito, talvez tenha sido o Mundial de 2014, realizado no seu país natal, e sobre o qual procurou denunciar os problemas de corrupção e lavagem de dinheiro em torno do evento. Mais tarde, o 'Baixinho' viria a trocar de 'lado' político, juntando-se primeiro ao partido Podemos, do qual foi presidente, e mais tarde aos Liberais de Jair Bolsonaro, ao qual chegou a declarar publicamente o seu apoio. Uma mancha, dirão alguns, na carreira de um homem que, apesar de alguns problemas derivados de uma forte personalidade, foi, e mereceu ser, idolo de muitos durante os seus anos áureos nos relvados mundiais. Parabéns, 'Baixinho'!

Sunday, 26 June 2022

Domingo Desportivo: Os Grandes dos 'Pequenos' - Serifo

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


Hoje em dia, é raro encontrar um profissional de futebol que tenha feito toda a sua carreira no mesmo clube; a conjuntura actual, em que o futebol é tanto um negócio como um desporto e os clubes são tanto marcas como agremiações, é pouco propícia a este tipo de situação. Nos anos 90, no entanto, o desporto-rei era, ainda, um mundo algo mais 'puro' e inocente, e jogadores como Puyol e Paul Scholes preferiam tornar-se símbolos do clube onde militavam do que simplesmente ir atrás do próximo contrato milionário.


Não era, no entanto, apenas no escalão mais alto do futebol que tais situações ocorriam, muito pelo contrário; de facto, era longe das luzes da ribalta, num modesto clube de reputação local do campeonato português, que se podia encontrar um dos melhores exemplos de dedicação a um só clube da altura, verdadeiramente merecedor do epíteto de 'Grande dos Pequenos'.


Falamos do guineense Serifo Cassamá, vulgarmente conhecido apenas pelo seu primeiro nome, e que desenvolveu toda a sua carreira profissional numa única agremiação, onde passou umas impressionantes (por qualquer bitola!) DEZASSEIS temporadas, de finais dos anos 80 até meados da primeira década do século XXI, seguindo o clube das divisões distritais até à principal e, em seguida, também no sentido inverso.


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O emblema em causa era o histórico Leça FC, no qual Serifo ingressou no início da época 1987/88, com apenas vinte anos, após ter feito a formação no local Sport Bissau e Benfica. À época, o clube militava, ainda, na então denominada III Divisão (mais tarde II Divisão B), onde permaneceria durante mais cinco temporadas, até conseguir a promoção à então II Divisão de Honra no final da época 1992/93. Daí à promoção à I Divisão, passar-se-iam apenas duas épocas - coincidentemente as duas primeiras em que Serifo, verdadeiramente, se impôs na equipa, realizando 31 jogos e marcando 8 golos em 1993/94, e 15 jogos (um golo) na temporada seguinte.


A preponderância do médio no meio-campo dos leceiros permaneceria, aliás, intacta durante as três temporadas do clube no principal escalão nacional, tendo sempre realizado mais de vinte jogos por temporada (29 na última época do Leça na divisão de topo, 1997/98) e contribuído com três golos na temporada 96/97 e mais três na seguinte.


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Serifo, nos tempos de Primeira Divisão, em duelo com um jogador que conseguiria o triplo da sua fama, com um terço do seu brio profissional


Os esforços do médio não foram, no entanto, suficientes para evitar a descida de divisão, que apenas foi agravada, em épocas subsequentes, por problemas financeiros, que culminaram num escândalo de corrupção e desvio de fundos. Nada, no entanto, que afectasse a lealdade de Serifo ao clube, tendo o guineense permanecido no plantel da agremiação nortenha até à temporada 2003/04 (a sua última como profissional) e sido quase sempre parte importante do plantel da equipa – um verdadeiro exemplo de amor a um clube, que rende (merecidamente) ao ex-médio do Leça a presença nesta rubrica, e o epíteto que a mesma depreende; de facto, a carreira de Serifo ilustra o significado da expressão 'Grande dos Pequenos', devendo o guineense (que, recentemente, chegou a fazer parangonas por ter andado, literalmente, desaparecido!) servir de exemplo de brio profissional a qualquer jovem que dê os seus primeiros passos como profissional num clube pequeno, e pondere as suas opções de carreira.

Monday, 25 April 2022

Domingo Desportivo: Os Grandes dos 'Pequenos' - William Andem

NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 24 de Abril de 2022.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Uma das principais 'verdades' do futebol moderno é que os jogadores que mais se destacam num determinado campeonato irão, quase inevitavelmente, acabar por assinar por um dos maiores clubes desse campeonato ou, alternativamente, por um clube de expressão equivalente num campeonato internacional; o que não falta no desporto-rei (português e não só) são histórias de jovens que, de humildes começos no clube 'da terrinha', chegam a estrelas internacionais de renome, sendo Figo ou Cristiano Ronaldo apenas dois dos muitos jogadores que fizeram essa trajectória.


Por vezes, no entanto, surge um jogador que se insere no contexto do 'quase' da frase acima utilizada; um atleta que, embora indispensável no seu emblema e admirado até mesmo por adeptos de outras agremiações, nunca chega a dar esse 'salto' quantitativo durante a sua permanência no futebol português. A nova rubrica que hoje inauguramos pretende, precisamente, recordar alguns dos principais exemplos desse fenómeno a militar em Portugal durante a década de 90.


E como figura inicial desta nova série, nada mais justo do que dar honras de abertura a um dos nomes que vem imediatamente à memória sempre que se pensa em jogadores influentes no campeonato português da década de 90 que militavam em emblemas 'menores': o lendário William Andem, guarda-redes do histórico Boavista durante a maior parte daquela década.


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Quem seguia o campeonato daquela altura, certamente ainda terá presente a figura imponente daquele guarda-redes que – com 'cara de mau' a condizer com a estatura – defendia com surpreendente agilidade e leveza de reflexos as redes axadrezadas em finais da década; o que muitos não saberão é que o mesmo teve, antes da chegada ao clube que o celebrizaria, um percurso no mínimo insólito para um jogador africano, que o levou ao futebol sul-americano antes de, eventualmente, se celebrizar no português.


Nascido Bassey William Andem em Douala, nos Camarões, a 14 de Junho de 1968, o simplesmente apelidado William iniciou o seu percurso futebolístico em finais da década de 80, ao serviço do seu clube local, o Union, onde militou quatro épocas, tendo numa delas ingressado por empréstimo no desconhecido Olympic Mvolyé, também do campeonato camaronês. O inevitável 'salto' para fora de África, esse, dá-se em 1994, quando Andem ingressa no...Cruzeiro.


A presença de um jogador africano num campeonato célebre por contratar maioritariamente 'dentro de portas' (não fosse o Brasil um dos países, senão mesmo O país, com mais aspirantes a jogadores de futebol em todo o Mundo) parecia – e era – insólita, e a contratação acabou por nunca se justificar, tendo William realizado apenas nove jogos nas duas épocas que passou com o emblema brasileiro. Este início pouco auspicioso não foi, no entanto, suficiente para descoroçoar William, que, em 1996, transitava para um novo emblema, ainda no Brasil – no caso, o Bahia, onde chegou a realizar 19 jogos na sua única época como efectivo.


Então com quase 30 anos, e não tendo conseguido afirmar-se em qualquer dos clubes por onde passara desde a sua saída dos Camarões, William parecia condenado a uma carreira medíocre e anónima; essa situação mudou, no entanto, no defeso de Inverno da época 1997-98, quando o guarda-redes decide viajar para Portugal, para se vincular ao Boavista - uma escolha que lhe viria a permitir, finalmente, lançar a sua carreira.


No total, foram nove épocas e mais de 150 jogos de xadrez ao peito, a esmagadora maioria dos quais como titular; e mesmo quando perdeu o lugar, a mudança pode considerar-se mais como um 'passar do testemunho', já que o seu sucessor era nada mais nada menos do que Ricardo, futuro guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional (mais tarde, perderia novamente a titularidade para o brasileiro Carlos, recuperando-a após a venda deste para o Steaua de Bucareste). Um percurso que - além de o tornar um 'clássico' das cadernetas da Panini - lhe valeu várias chamadas à Selecção camaronesa (onde serviu de apoio ao lendário Jacques Songo'o em várias competições, incluindo o Mundial de França '98), e que justificou plenamente o estatuto de 'lenda viva' que adquiriu entre os adeptos boavisteiros...o que torna ainda mais incompreensível a sua saída do clube, no final da época de 1997-98.


No entanto, fosse qual fosse o motivo, foi mesmo isso que aconteceu, e William acabou por 'pendurar as botas' em outro clube que não aquele que o lançara – no caso, o Feirense, no qual ingressou para a época 2007-2008, mas onde figuraria apenas três vezes ao longo da época, números que não justificam minimamente a saída do emblema onde era ídolo.


Ainda assim, e apesar dos pesares, William bem merece o título de 'grande dos pequenos', tendo conseguido transfigurar-se de eterno suplente do Brasileirão em 'patrão' da defesa de um clube de Primeira Divisão português (que, na altura, lutava por títulos e se afirmava como viveiro de jovens talentos) e internacional pelo seu país – o que, convenhamos, não é mesmo nada mau para um camaronês trintão...


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Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...