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Thursday, 3 April 2025

Quartas de Quase Tudo: Os Grilos Em Cativeiro - Mais Um Caso de Crueldade Por Ignorância

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-Feira, 2 de Abril de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Em tempos, falámos neste 'blog' da apetência dos jovens portugueses por animais exóticos durante a última década do século XX, e do risco e crueldade acidental que esse gosto acarretava. Se as iguanas e araras eram a face mais visível do sofrimento desse tipo de animal, no entanto, outro havia cuja 'adopção' (inevitavelmente temporária) se poderia também considerar quase uma 'pena de morte', por motivos de infeliz ignorância de quem o levava para casa.


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Falamos dos grilos, vendidos na Primavera de Norte a Sul de Portugal, em pitorescas e multi-coloridas gaiolas que não deixavam de atrair o 'olho' sempre atento da pequenada (e, em muitas ocasiões, apanhados pelos próprios jovens na natureza circundante). O problema, no entanto, era o mesmo que, à época, assolava os peixes 'betta' – nomeadamente, o desconhecimento dos requerimentos mínimos para cuidar de um animal destes, o que levava muitos 'donos' a deixarem os pobres insectos na mesma gaiola onde haviam sido adquiridos, e que mal permitiam ao animal mexer-se. O resultado era a inevitável redução, a breve trecho, do número de grilos em cativeiro, e consequente desgosto do jovem proprietário, que decerto antevira um período de pelo menos alguns meses com o seu novo animal de estimação.


Felizmente, este é mais um caso em que as novas sensibilidades para com as necessidades dos animais nutriram resultados, já que o comércio de grilos em cativeiro rapidamente se reduziu, estando hoje 'arredado' do Portugal moderno, e subsistindo apenas em locais como a China. Uma vitória clara para a ecologia e os direitos dos animais, e para a sobrevivência dos grilos enquanto espécie, que ninguém porá em causa ou contestará, por mais atractivas que fossem aquelas 'gaiolinhas' da infância...

Saturday, 23 November 2024

Saídas ao Sábado: Os Projectos de Conservação Natural dos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente falámos dos esforços de sensibilização para a ecologia que foram uma das imagens de marca das décadas de 80 e, principalmente, 90; de igual modo, na última Saída de Sábado, abordámos alguns dos novos espaços verdes que esse mesmo foco na natureza ajudou a criar durante as referidas décadas, nomeadamente na região da Grande Lisboa. No entanto, não era apenas na capital que eram levados a cabo projectos de grande monta com vista à recuperação de espaços naturais, e das espécies que neles habitavam; pelo contrário, duas das três iniciativas mais famosas da época neste âmbito – todas focalizadas na recuperação de espécies consideradas à beira da extinção – tiveram lugar longe da capital.


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A primeira destas, com origem ainda nos anos 80, viu ser criada uma reserva natural na Serra da Malcata, no Norte de Portugal, com o objectivo de ajudar a reintroduzir no nosso País o animal que lhe serve até hoje de símbolo, o lince-ibérico. E ainda que a campanha em causa não tenha sido bem-sucedida – só décadas mais tarde, já nos anos 2020, é que a espécie voltaria a existir em Portugal, tendo mesmo sido dada como extinta no País pela Quercus, em 2007 – o espaço em si teve enorme impacto na conservação ecológica da área, mantendo-se até hoje como uma das principais áreas naturais protegidas do território nacional, além de proporcionar, desde a sua inauguração, uma excelente Saída de Sábado para as famílias residentes no Norte do País.


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Mais a Sul, concretamente na zona de Mafra, o projecto é outro, bastante mais bem-sucedido que o da Malcata, e com foco numa espécie igualmente ameaçada em Portugal. Em actividade desde 1987, e originalmente idealizado por um inglês, o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico continua, até hoje, a albergar membros da referida espécie que, por uma razão ou outra, são incapazes de sobreviver em liberdade, servindo assim como uma espécie de associação de abrigo para os animais em causa. No entanto, longe de resguardar os seus animais do grande público - como o faria um canil, por exemplo – o Centro encoraja visitas, permitindo aos visitantes admirar os lobos a partir de torres estrategicamente colocadas para facilitar a observação sem com isso interferir ou afectar o quotidiano semi-selvagem dos animais ali abrigados. Uma visita mais do que recomendada, portanto, e que deverá fazer as delícias das gerações X e Alfa, tal como aconteceu com as dos seus pais.


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O terceiro e último projecto mediático de conservação de espécies com origem nos anos 90 – e único situado em Lisboa – teve como alvo o esquilo-vernelho, animal também de existência restrita em Portugal (e extinto em outros países, devido à literal invasão do esquilo-cinzento, espécie invasora e directamente concorrente) e que, na década em causa (concretamente em 1993) foi reintroduzido no Parque Florestal de Monsanto, espaço do qual falámos na última edição desta rubrica e onde, ainda hoje, pode ser observado.


Em suma, são muitos os espaços naturais criados nos anos 80 e 90 do século passado que, além da função declarada de protecção de espécies animais ameaçadas, constituem também, desde essa época destinos privilegiados para uma Saída de Sábado para 'miúdos e graúdos' com interesse pela natureza.

Sunday, 5 November 2023

Saídas ao Sábado: A Quinta Pedagógica dos Olivais - O Campo na Cidade

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 4 de Novembro de 2023.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Hoje em dia, uma criança citadina que queira experienciar um pouco da vida campestre – nomeadamente no tocante aos animais vulgarmente encontrados em ambientes rurais – tem toda uma série de instalações onde o pode fazer, espalhadas de Norte a Sul do País; a maioria destas, no entanto, tem menos de duas décadas de existência, sendo que, em finais do século passado, apenas uma instalação oferecia tal possibilidade – a Quinta Pedagógica dos Olivais, em Lisboa.


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Vista aérea do espaço.


Visitado pelo menos uma vez por qualquer turma do ensino básico de uma escola lisboeta da segunda metade dos anos 90, este espaço de dois hectares gerido pela Câmara Municipal de Lisboa – situado em pleno coração urbano da cidade, mas que conseguia fazer parecer o contrário – abriu portas pela primeira vez há vinte e sete anos, concretamente a 16 de Abril de 1996, com a proposta de permitir às crianças urbanas ficar a conhecer e tomar contacto com animais com que os seus congéneres campestres conviviam diariamente, como cabras, ovelhas, galinhas, perus, cavalos ou vacas, entre outros. Ao visitar o espaço, as crianças eram, assim, encorajadas a interagir com cada um destes animais, o que ajudava, entre outras coisas, a minimizar quaisquer medos ou fobias relacionados com os mesmos. Além desta vertente principal, a Quintinha organizava também uma série de ateliers e actividades, ligados tanto aos trabalhos manuais quanto à horticultura ou culinária, o que fazia do espaço um excelente auxiliar pedagógico para diversas vertentes, que não apenas o Estudo do Meio ou a ecologia.


Escusado será dizer que a instalação era um sucesso entre o público-alvo, suscitando o aparecimento, em anos e décadas subsequentes, de um sem-número de espaços semelhantes, dos quais os primeiros se situaram no Jardim Zoológico de Lisboa e na zona dos Prazeres, na ilha da Madeira. Deve-se, portanto, àquele primeiro espaço em Lisboa o surgimento do paradigma actual, o que torna a instalação em causa mais do que merecedora de um lugar nesta nossa rubrica dedicada a espaços interessantes para uma Saída de Sábado nos anos 90.

Saturday, 7 October 2023

Saídas ao Sábado: O Aquário Vasco da Gama

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Na última edição desta rubrica, falámos do Oceanário, uma das mais memoráveis Saídas de Sábado para as crianças e jovens de finais dos anos 90, sobretudo as residentes na região de Lisboa. Para essas, no entanto, a nova atracção criada como parte da infra-estrutura da Expo '98 não era o único local onde se podiam ver, ao vivo e a cores, peixes e outros elementos da fauna aquática; nada mais justo, portanto, do que dedicarmos esta semana algumas linhas ao seu principal 'concorrente'.


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A fachada do edifício permanece praticamente inalterada desde a época em causa.


Falamos do 'velhinho' mas icónico Aquário Vasco da Gama, já à época centenário, mas ainda capaz de fazer as delícias dos entusiastas da vida aquática, com a sua vasta gama de peixes e algumas 'atracções especiais', que faziam com que uma Saída de Sábado ao dito estabelecimento valesse bem a pena – mesmo tendo em conta as relativas dificuldades em chegar à zona limítrofe de Algés e Dafundo, onde o mesmo se situava. Isto porque, se o Oceanário aliciava os visitantes com a possibilidade de ver lontras-marinhas, o Aquário contava, à época, com uma instalação dedicada aos leões-marinhos, onde os visitantes podiam admirar alguns exemplares da dita espécie; mais tarde, este mesmo recinto, localizado no extremo mais distante do edifício, passou a albergar pinguins, uma alternativa apenas marginalmente menos interessante e entusiasmante.


Além desta 'atracção principal', o Aquário Vasco da Gama dos anos 90 contava, ainda, com outro aliciante óbvio – no caso, um fóssil de lula gigante, com lugar de honra perto da entrada, e que não deixava de causar espanto e admiração nos jovens visitantes. Em conjunto com outros pequenos 'toques' interactivos (como a caixa que permitia ouvir os 'choques' emitidos pelas enguias eléctricas do outro lado do vidro) e com as instalações já de si atractivas e bem decoradas, estes elementos contribuíam para fazer do Aquário uma alternativa mais clássica e antiquada, mas não menos interessante ou apelativa, ao Oceanário, dando às crianças e jovens de Lisboa e arredores a possibilidade de escolha no tocante à observação de animais aquáticos – razão mais que suficiente para lhe dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada a locais memoráveis para uma saída de fim-de-semana.

Saturday, 9 September 2023

Saídas ao Sábado: O Oceanário

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui falámos, por alturas do vigésimo-quinto aniversário da EXPO '98, de alguns dos edifícios com que a mesma contribuiu, à guisa de legado, para a malha urbana lisboeta. De uma gare centralizada (a Estação do Oriente) a uma nova ponte sobre o Tejo (a Vasco da Gama), passando por uma sala de concertos - que adquire nova designação a cada poucos anos, mas que será para sempre conhecida, informalmente, como o 'Pavilhão Atlântico' – o segundo maior 'shopping' lisboeta (também designado Vasco da Gama) e até a área circundante a todas estas infra-estruturas, o chamado Parque das Nações, local privilegiado para uma Saída de Sábado em dia de sol. E caso o tempo decida não 'colaborar' – como vem sendo o caso neste mês de Setembro de 2023 – o Parque oferece uma excelente alternativa a uma tarde passada no hipermercado, dentro de uma sala de cinema ou 'enfiado' por entre as lojas do centro comercial: uma singela estrutura conhecida como Oceanário de Lisboa.


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O espaço na actualidade.


Originalmente denominada Pavilhão dos Oceanos, durante a própria exposição, o espaço hoje conhecido como Oceanário destacou-se, desde logo, pela sua traça arquitectónica, semelhante à de uma aeronave projectada sobre uma baía artificial no Rio Tejo, e que não tardaria a conquistar os corações dos especialistas do ramo, tendo, ainda nesse ano de 1998, obtido uma menção honrosa para o Prémio Valbom de Arquitectura. O apelo do segundo maior aquário ibérico ia, no entanto, muito além do seu 'design', tendo o mesmo ano de 1998 visto o espaço granjear dois prémios relativos aos seus méritos científicos, o primeiro atribuído pela prestigiada revista Time, e o segundo obtido na cidade de Nápoles, em Itália – ambos, aliás,bem merecidos, já que o Oceanário proporcionava uma experiência muito além das oferecidas por infra-estruturas semelhantes, não só em Portugal, mas em toda a Europa.


De facto, a experiência de visitar este espaço era, para qualquer 'puto' português noventista, habituado ao 'velhinho' Aquário Vasco da Gama, absolutamente estonteante, já que permitia passear entre, e por baixo, dos peixes do aquário central, dando a sensação de estar, verdadeiramente, no fundo do oceano, com tubarões e raias a passarem a poucos centímetros dos visitantes. Também de enorme interesse para qualquer jovem da época eram as duas lontras-marinhas residentes no espaço, já que este era um animal, à época, pouco frequente em cativeiro, e que possuía as doses exactas de charme e comportamentos únicos para cativar qualquer pequeno entusiasta de animais. Talvez por isso, aquando da morte das lontras originais, Eusébio e Amália, o Oceanário tenha 'repescado' as duas crias das mesmas, denominadas Micas e Maré (ambas entretanto também já falecidas), do Jardim Zoológico de Roterdão, para que as mesmas dessem continuidade ao legado iniciado pelos seus progenitores.


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As lontras eram, à época, a principal atracção do Oceanário.


E se estas duas atracções – juntamente com três outros aquários adjacentes, tematizados a diferentes regiões do Mundo, e cerca de duas dezenas e meia de aquários mais pequenos – constituíam a 'espinha dorsal' do Oceanário original, uma visita ao espaço nos dias que correm oferece ainda muito mais que ver, já que o mesmo foi expandido já na segunda década do Novo Milénio, tendo sido construído um novo edifício, denominado 'Edifício do Mar'; pouco depois, em 2015, o Oceanário foi concessionado por trinta anos a uma subsidiária do Grupo Jerónimo Martins, que ainda chegou a tempo de recolher os dividendos das duas nomeações consecutivas como 'Melhor Aquário da Europa' por parte do site de viagens TripAdvisor, em 2015 e 2016. Desde então, o Oceanário tem seguido de vento em popa e, sob os auspícios da mascote oficial 'Vasco' (substituto do Gil) continuado a afirmar-se como um dos melhores espaços da sua índole na Europa, justificando tanto (ou mais) a visita hoje como há pouco mais de um quarto de século, quando constituía um dos destaques da excepcional Exposição Mundial de Lisboa.

Wednesday, 16 August 2023

Terças Tecnológicas: 'Microsoft Dangerous Creatures' (1994) - Um Documentário Animal em CD-ROM

NOTA: O post de hoje é respeitante a Terça-feira, 15 de Agosto de 2023.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
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Na era anterior à massificação e expansão da Internet para o chamado 2.0, o CD-ROM era o grande veículo para armazenamento e consulta de informação em formato digital - a ponto de muitos vaticinarem que, a curto prazo, o mesmo substituiria o livro como principal recurso disponível em bibliotecas e arquivos por esse Mundo fora. E ainda que essa profecia não se tenha chegado a realizar (muito por culpa da referida Internet 2.0) a verdade é que o CD-ROM deixou na sua esteira um legado de muitos e bons títulos de cariz informativo e educativo; já aqui anteriormente falámos da Encarta e, esta semana, falaremos de um título muito semelhante, ainda que mais especializado, lançado na mesma altura, e também pela Microsoft. Trata-se de Microsoft Dangerous Creatures, um CD-ROM lançado há exactos vinte e nove anos e que pode ser descrito, de forma sucinta, como uma Encarta especializada em animais - especificamente, nos 'animais perigosos' do título, como o urso e o leopardo que surgem na arte de capa do CD.


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O 'interface' dava, tal como o da Encarta, acesso a textos, imagens e vídeos, divididos por secções como 'habitat', região do Mundo onde vivem, 'armas' de ataque ou simplesmente guias sobre animais semelhantes. Grande parte deste conteúdo é retirado de livros especializados ou da programação de canais como a BBC e National Geographic, e narrado por Robert Zink, Cindy Shrieve e Annette Romano, criando algo novo e, na altura, impressionante do ponto de vista tecnológico.  E ainda que, hoje em dia, o tipo de conteúdo oferecido por 'Dangerous Creatures' seja por demais corriqueiro, existiu (e existe) toda uma geração de entusiastas de animais para quem o programa foi um 'divisor de águas', e um dos primeiros exemplos do que o então novo formato em CD possibilitava.

Wednesday, 19 July 2023

Quartas de Quase Tudo: A Criação de Bichos-da-Seda

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A natureza, e todos os seus mistérios, exercem tradicionalmente um considerável fascínio junto do público jovem, em Portugal e não só; assim, não é de surpreender que muitas escolas primárias por esse Mundo fora optassem (e continuem a optar) por introduzir um elemento de sensibilização natural nos seus programas lectivos, normalmente por meio de uma 'horta' (ou simplesmente alguns vasos na parte traseira da sala) ou da interacção com um qualquer animal. E ainda que os métodos e pontos de vista em relação a estas práticas se tenham alterado consideravelmente nos últimos anos, em Portugal, em finais do século XX, um projecto deste tipo era quase sempre sinónimo com a criação de bichos da seda.


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As origens desta quase-tradição das escolas básicas portuguesas de então é pouco clara, mas serão poucos os jovens daquela época que afirmem nunca ter tentado manter vivos aqueles bicharocos dentro de uma caixa de sapatos forrada com algodão. Fosse como projecto de turma ou para 'levar para casa', a criação de larvas de 'Bombyx mori' era quase tão comum como a germinação de sementes num frasco (curiosamente, também com recurso a algodão) ou do que aqueles bonecos de estopa com 'cabelo de relva' tão populares na altura (e que também aqui terão, paulatinamente, o seu momento.) E embora a experiência raramente durasse mais do que uns dias (ou, quando muito, alguma semanas)


Tendo em conta a mudança de mentalidades referida no início deste post, não é de estranhar que esta prática tenha caído em desuso; afinal, o espectro de atenção das crianças é notoriamente curto, e muitos terão, certamente, sido os pobres 'bicharocos' sacrificados em prol destas experiências pedagógicas, fosse como resultado de negligência, fosse pela falta dos recursos e ambiente necessários à sua sobrevivência. Assim, tal como sucedeu com a adopção de animais de estimação exóticos, este é um costume cujo abandono acaba por ser positivo – o que não obsta a que o mesmo tenha feito parte integrante do processo formativo e pedagógico de toda uma geração de jovens portugueses...

Saturday, 18 December 2021

Saídas ao Sábado (de Natal): Os Circos de Natal dos Anos 90

NOTA: Normalmente, hoje seria Sábado de Saltos: no entanto, dada a relevância temporal deste post, iremos excepcionalmente ter duas Saídas seguidas. Desfrutem!


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


A época natalícia mudou substancialmente desde os anos 90, com medidas como a redução dos anúncios dirigidos a crianças e o quase desaparecimento dos tradicionais catálogos de brinquedos dos supermercados; no entanto, uma coisa com que qualquer criança ou jovem ainda pode contar por volta desta época do ano é com a chegada de um ou mais circos aos arredores de qualquer cidade ou povoação de suficiente relevância. Para a maioria dos artistas circenses, o Natal continua a ser a principal 'galinha dos ovos de ouro', pelo que não é de admirar que os espectáculos apresentados nesta época sejam ainda mais 'de gala' do que é habitual.


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Nos anos 90, esta tendência era ainda mais exacerbada do que o é hoje em dia, com certos circos a terem honras de transmissão televisiva, e muitos a constituirem o destino de uma das últimas visitas de estudo das escolas primárias antes do fim do primeiro período - isto já sem falar das também frequentes distribuições de bilhetes por parte das grandes empresas, algumas das quais chegavam mesmo a organizar sessões especiais apenas para as famílias dos seus empregados. Em suma, os circos eram 'coisa séria', tão simbólicos do Natal infanto-juvenil nacional como o bolo-rei, a saída para ver as luzes ou a peregrinação à secção de brinquedos do hipermercado, para efeitos de prospecção.


É claro que, tal como acontece com outras experiências, como as idas à feira ou a própria saída para ver as iluminações, a ida ao circo assumia caracteristicas diferentes em ambiente citadino ou mais rural. Enquanto que as crianças da cidade podiam normalmente escolher entre os circos Vítor Hugo Cardinali e Chen - bem como as suas diversas 'sucursais' e circos associados - os habitantes de localidades mais pequenas acabavam forçosamente (e naturalmente) por ir ao que 'assentava arraiais' mais perto de sua casa. No demais, no entanto, a experiência não diferia por aí além, começando normalmente já na parte de fora do circo - onde, com sorte, se podiam admirar animais exóticos, numa altura em que os mesmos ainda não haviam sido banidos dos especáculos circenses - e continuava no interior da tenda, onde, além dos referidos animais, se podiam admirar os feitos dos mais diversos tipos de acrobatas, trapezistas, contorcionistas e, claro, os icónicos palhaços, a quem ninguém ficava indiferente - ou se adorava, ou se odiava, pelas mais diversas razões.


Juntamente com as tradicionais (e pouco saudáveis) comidas - como o algodão-doce ou as pipocas - estes elementos ajudavam a criar uma Saída de Sábado de Natal que muitos ex-jovens dos anos 90 ainda hoje relembram com saudade, e procuram na medida do possível transmitir aos seus filhos, para que a magia do circo de Natal possa perdurar para as novas gerações...

Thursday, 10 June 2021

Quartas de Quase Tudo: A 'Moda' dos Animais Exóticos

NOTA: Este post é relativo a Quarta-feira, 9 de Junho de 2021.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog...


…como é o caso dos animais de estimação exóticos.


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Vocês também fariam esta cara, se só tivessem este espaço para viver...


Pois é, neste post abordamos um tópico um pouco mais sério, e que, felizmente, viu grandes avanços serem feitos desde a ‘nossa’ época – o dos espécimes exóticos vendidos como animais de companhia. E não, não estamos apenas a falar dos peixinhos de água quente tropicais, ou dos cães de raças estranhas; falamos, antes, daquele tipo de animais que nunca deveria ter sido comercializado para este fim, seja por requerer um tipo de tratamento muito específico, seja por não ser, de todo, adequado à vida num quarto de criança.


E se é verdade que em Portugal esta ‘moda’ não chegou a ser tão nociva quanto em outros países – nunca ninguém em Portugal tentou criar tigres ou chimpanzés como animais de casa, como ainda ocorre nos Estados Unidos – também não deixa de ser necessário lembrar o breve período em meados dos anos 90 em que muitas crianças recebiam animais como iguanas, araras ou esquilos (do tipo Tico e Teco, mas ainda assim um animal pouco recomendado a iniciantes) dos quais, na maioria das vezes, não sabiam nem estavam habilitados a cuidar. As iguanas eram particularmente populares, e juntamente com as araras e papagaios, eram presença regular em lojas de animais que vendessem animais vivos por esse país fora; escusado será dizer que muitas delas acabavam, rapidamente, nas mãos de quem as soubesse verdadeiramente cuidar…


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Não parece de todo o animal de companhia ideal, mas nós achávamos que era...


De facto, não só com as iguanas como com outras espécies, os resultados inevitáveis desta ‘moda’ infeliz eram a morte prematura do animal, o abandono ou cedência do mesmo, ou – na melhor das hipóteses – apenas a multiplicação daquilo que deveriam ser um ou dois animais em largas dezenas (por aqui, evitou-se por pouco uma situação assim, com esquilos que, supostamente, seriam ambos fêmeas…)


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Outro erro muito comum era ter Inseparáveis-de-Fischer sozinhos numa gaiola quando, como o nome indica, estes pássaros definham se não tiverem um par


Felizmente, esta foi uma tendência que, em Portugal, pouco durou; após alguns (poucos) anos, a criança portuguesa média voltou a cingir-se aos tradicionais cães, gatos, pássaros, peixes e ‘hamsters’ ou porquinhos-da-Índia, deixando os animais mais incomuns para os ‘especialistas’ no assunto (e há que ressalvar que mesmo estes animais menos controversos exigem, muitas vezes, que se saiba o que se está a fazer!) Ao contrário de outros países, onde a tendência ainda perdura (como os EUA ou o Reino Unido, onde as lojas de animais chegam a vender pequenos macacos, por exemplo), a ‘febre’ dos animais exóticos passou rápido a Portugal – e ainda bem!


Mesmo assim, nunca é demais relembrar esse curto período de tempo em que muitos de nós tiveram, ou quiseram ter, animais que não fazíamos ideia sobre como tratar – quanto mais não seja, para aprendermos com os nossos erros, e evitarmos que os nossos filhos venham, no futuro, a cometê-los novamente…


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...