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Sunday, 21 July 2024

Saídas ao Sábado: A Exposição 'Aldeia dos Flintstones' do Zoo de Lisboa (1995)

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sábado, 20 de Julho de 2024.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Ao longo das últimas semanas, temos aqui vindo a falar da estranha vaga de popularidade de que os personagens criados por William Hanna e Joseph Barbera gozaram durante as décadas de 90 e 2000, com inúmeros jogos de vídeo e uma mão-cheia de longas-metragens (animadas e de acção real) a eles alusivos a surgirem no mercado mundial durante este período. Em Portugal, grande parte desta popularidade devia-se ao programa 'Oh! Hanna-Barbera', da RTP, que 'reapresentara' as famílias Flintstone e Jetson, os jovens detectives de 'Scooby-Doo', o gato Manda-Chuva e o urso Zé Colmeia a toda uma nova geração de crianças, através do sempre popular formato de um programa de auditório centrado em torno das séries de desenhos animados dos mesmos. E dado o interesse pela vida pré-histórica que também voltava a ressurgir entre as crianças e jovens da altura (mesmo antes do lançamento do revolucionário 'Parque Jurássico') não foi de admirar que os Flintstones – habitantes da Idade da Pedra que teriam, em 1994, direito ao seu próprio filme de acção real – se contassem entre os personagens mais populares do grupo acima descrito, a par dos aparentemente perenes Freddy, Daphne, Velma, Shaggy e respectivo animal de estimação, Scooby-Doo.


Serve este enquadramento para explicar a existência da exposição 'Aldeia dos Flintstones', organizada pelo Jardim Zoológico de Lisboa e que, apesar de ter 'falhado' a estreia do filme da família homónima por quase um ano e meio (sendo inaugurada no Natal de 1995, quando a longa-metragem saíra no Verão do ano anterior) ainda conseguiu atrair a grande maioria dos jovens residentes na Grande Lisboa, com a sua recriação fiel da cidade de Bedrock, a que Fred e Wilma Flintstone e Barney e Betty Rubble chamavam lar.


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(Crédito da foto: Enciclopédia de Cromos, site detentor das únicas fotos alusivas a uma exposição algo Esquecida pela Net)


Com recurso a manequins e cenários-modelos (além de alguns 'bonecos' dos próprios protagonistas) os responsáveis da exposição conseguiam transformar a tenda-pavilhão temporária do Zoo (que já fora palco de memoráveis exposições sobre dinossauros e mamíferos pré-históricos em anos anteriores) numa vila pseudo-pré-histórica, cheia de réplicas 'monolíticas' de objectos reais, precisamente como acontecia no desenho animado original, criando um ambiente de fantasia que não podia deixar de ser um sucesso junto da demografia-alvo. A escolha das férias do Natal como época para inauguração da exposição também não foi, de todo, deixada ao acaso, já que a realização do evento neste período do ano assegurava um elevado fluxo de jovens visitantes, temporariamente livres das obrigações da escola e prontos a fazerem uma visita a Bedrock entre uma volta de teleférico e o espectáculo da tarde na Baía dos Golfinhos.


Curiosamente, a Aldeia dos Flintstones foi uma das últimas exposições do seu tipo realizadas pelo Jardim Zoológico, o qual rapidamente voltaria a concentrar-se na sua proposta principal – a de apresentar espécies animais mais ou menos exóticas. Ainda assim, quando analisada em conjunto com as suas congéneres da mesma época, a recriação da cidade de Bedrock ajuda a revelar o potencial que este tipo de evento demonstrava em finais do século XX, e a reforçar a ideia de que os Flintstones, tal como os demais personagens de Hanna-Barbera, tinham ainda consideráveis 'pernas para andar' junto da geração jovem portuguesa da época.

Saturday, 27 May 2023

Saídas ao Sábado: Os 25 Anos da Expo '98

NOTA: Por motivos de relevância temática, este Sábado será de Saídas, e não de Saltos.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar da sua rica História de descobertas e desbravamento de Mundos, Portugal não se tem, em épocas mais recentes, notabilizado pela 'exportação' de talentos (à excepção de nomes óbvios como Cristiano Ronaldo ou Salvador Sobral) nem por quaisquer feitos particularmente notáveis no campo da inovação ou internacionalização. Uma das poucas excepções a este paradigma – senão mesmo a única – teve lugar há quase exactamente vinte e cinco anos, e conseguiu, durante três meses e meio entre o final da Primavera e o início do Verão, colocar os olhos do Mundo em Portugal – e também, naturalmente, atrair visitantes de todos os cantos do Mundo.


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Falamos, é claro, da Expo '98, que já há um ano aqui abordámos, aquando dos vinte e quatro anos da sua abertura, mas cujo vigésimo-quinto aniversário também não podíamos deixar de assinalar, até por se tratar de um daqueles números que, sem serem 'redondos', não deixam ainda assim de ser marcantes.


Inaugurada a 22 de Maio de 1998 – tendo, portanto, atingido o referido marco na passada Segunda-feira – a última exposição mundial do século gozou de enorme sucesso entre o público, não só dentro de portas como internacionalmente, tendo sido consensualmente considerado um certame bem organizado, e capaz de lidar com as inevitáveis filas que se formavam, diariamente, à saída de pavilhões como o de Macau (com a sua recriação de um jardim chinês), de Portugal, da Realidade Virtual (onde só os mais 'valentes', pacientes ou sortudos conseguiam entrar, tal era o tempo de espera) ou do Conhecimento, alojado na infra-estrutura mais tarde conhecida como Pavilhão Atlântico, MEO Arena, e (actualmente) Altice Arena.


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O Pavilhão da Realidade Virtual atraía as maiores filas, devido ao seu bem conseguido espectáculo audio-visual.


Estava aí, aliás, um dos grandes trunfos da Expo '98, nomeadamente em relação à sua antecessora, organizada pelo país vizinho seis anos antes – enquanto que a área delimitada para a exposição de Sevilha '92 se encontrava ainda, à época, ao abandono, a Expo portuguesa viria, após o encerramento do certame, a contribuir com inúmeras infra-estruturas para a malha urbana portuguesa, a esmagadora maioria das quais se encontra, ainda hoje, activa e a uso: além da Altice Arena, locais como a Gare do Oriente (e respectiva estação de Metro), o 'shopping' Vasco da Gama, o Oceanário ou o próprio espaço da exposição em si – hoje chamado Parque das Nações – fazem parte do quotidiano de qualquer lisboeta, num exemplo admirável (e raro) de integração urbana.


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A Gare do Oriente, um dos vários contributos da exposição para a malha urbana lisboeta.


Esse está, no entanto, longe de ter sido o único triunfo da Expo '98 - embora se afirme como o principal legado da mesma; a par da Fundação Gil e da respectiva Casa, situada no bairro de Alvalade, em Lisboa - a exposição em si oferecia muito que ver aos visitantes (ainda que a preços algo 'inflacionados') com atractivos que iam bem além dos cinco ou seis pavilhões 'da moda', e se estendiam a restaurantes tematizados aos diversos países (como o lendário restaurante americano, com as suas fatias de 'pizza' do comprimento de um antebraço) e a periódicos eventos, normalmente com lugar na Praça Sony, com o seu ecrã gigante (que servia, também, como um excelente ponto de referência a quem se procurasse orientar durante as visitas); de concertos à exibição de jogos do Mundial de França, foram muitos, e bem marcantes, os tipos de evento de que os visitantes da Expo puderam disfrutar, caso se encontrassem no recinto à data e hora certa, claro está.


No cômputo geral, foi um Verão inteiro de grande animação, em que o certame foi local de visita praticamente obrigatória, fosse com a família ou com a escola, e em que o tema dos oceanos e dos Descobrimentos foi utilizado para, sob o auspício do simpático Gil, mascote da exposição, e da namorada Docas (duas ondas antropomórficas cujos nomes evocam, precisamente, as viagens maritimas da época Renascentista portuguesa) promover a multi-culturalidade, a interacção com outras culturas, e ainda conceitos como a ecologia e a protecção dos recursos naturais.


A vinte e cinco anos de distância, além das memórias, fica a certeza de um momento áureo na História moderna portuguesa, que afirmou este País de brandos costumes à beira-mar plantado como tão bom organizador de eventos (ou melhor) que muitos dos seus congéneres de maior projecção internacional – uma fama que o País viria, aliás, a cimentar meia-dúzia de anos depois, já no Novo Milénio, aquando do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, um evento para o qual talvez não tivesse sido considerado não fosse o estrondoso sucesso do certame que ora completa um quarto de século. Por essas e outras razões, vale bem a pena recordar o evento que demorou a 'sair do chão', foi alvo de muitas piadas e chacota à época, mas conseguiu calar todas as dúvidas, e afirmar-se como um dos mais importantes momentos da História portuguesa contemporânea.


 

Saturday, 21 May 2022

Saídas ao Sábado: Os 24 Anos da Expo '98

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Quando se fala em marcos da História de Portugal na década de 90, há um evento que, de imediato, se sobrepõe à maioria dos acontecimentos concorrentes: a Expo '98. Aquele que foi, até pouco antes da inauguração, considerado um projecto megalómano e pouco exequível (e transformou o nome de António Mega Ferreira num remate de anedota) acabou por se traduzir numa Feira Mundial notavelmente bem sucedida, tendo inclusivamente superado a antecessora Expo '92, organizada pela vizinha Espanha.


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Subordinada ao tema 'Oceanos: Uma Herança Para o Futuro', a Feira Mundial portuguesa abriu há exactos 24 anos – a 21 de Maio de 1998 – no antigo hidroporto hoje conhecido como Parque das Nações, em Lisboa, tendo-se de imediato afirmado como um estrondoso sucesso junto do público jovem, por razões mais do que evidentes; a Expo oferecia muitos e variados pontos de interesse para os jovens, fossem eles o espectáculo audio-visual do Pavilhão do Conhecimento, o Pavilhão da Realidade Virtual (consistentemente 'dono' de uma das maiores filas do certame), o muito badalado Pavilhão de Macau, também alvo de filas constantes para ver a sua réplica de um jardim chinês, ou simplesmente as fatias de pizza ao estilo americano, cada uma do tamanho de meia pizza 'normal' portuguesa. As próprias mascotes – Gil e Docas, duas ondas do mar antropomorfizadas – estavam desenhadas à medida para agradar a esta demografia, a quem o 'merchandising' alusivo às mesmas muito agradava; isto para não falar do desafio de 'preencher' o passaporte com carimbos do máximo de países possível, uma tentativa declarada (e relativamente bem sucedida) por parte da organização para assegurar que os países com menor expressão ou menos 'truques na manga' de entre os 143 presentes não ficavam esquecidos.


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Gil e Docas, as memoráveis mascotes do evento.


Não se ficavam por aí os atractivos da Expo, no entanto; a Feira dispunha, ainda, de um ecrã gigante, onde muita gente viu os jogos do não menos lendário Mundial de futebol de França, de um aquário de vida marinha (o famoso Oceanário) e de um espaço comercial adjacente, o famoso 'shopping' Vasco da Gama, ainda hoje existente e em franca concorrência com o pioneiro Colombo, situado no outro extremo da cidade.


De facto, são ainda hoje várias e de significativa monta as alterações trazidas pelo evento à cidade de Lisboa, a começar pelo espaço: ao contrário do que acontecera com a referida Expo '92, cujo terreno ainda hoje se encontra vago e sem utilização todos os edifícios e estruturas construídos para a exposição mundial portuguesa eram alvo de um pré-acordo de reaproveitamento no final da exposição, precisamente para evitar uma situação semelhante à do certame espanhol. O resultado foi o referido Parque das Nações, hoje a área escolhido por várias companhias para instalação das respectivas sedes (todas as operadoras móveis, por exemplo, lá 'residem') bem como a localização de infra-estruturas como a Gare do Oriente, importante pólo de transportes da zona, a Altice Arena (antes MEO Arena, antes ainda Pavilhão Atlântico e, durante a exposição, Pavilhão da Utopia), a 'realojada' Feira Internacional de Lisboa (vulgo FIL) ou os referidos Oceanário e Shopping Vasco da Gama; Vasco da Gama foi, também, o nome da nova ponte construída sobre o Tejo, entre a zona Oriente de Lisboa e o Montijo, e inaugurada com uma feijoada comunitária da qual algum dia aqui falaremos.


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O Parque das Nações, ainda hoje um dos principais pólos da cidade de Lisboa, foi um dos vários legados deixados pela Expo '98 na capital portuguesa.


Por fim, o simpático Gil continua 'vivo' na imaginação dos lisboetas como embaixador da Fundação com o seu nome, que apoia crianças em risco, encontrando-se a última das suas estátuas situada à entrada da respectiva Casa, situada no bairro de Alvalade, no centro de Lisboa. Uma influência, portanto, que transcendeu o próprio evento, mudando indelevelmente a 'face' e estrutura da capital portuguesa muito para lá do apoteótico e recordista espectáculo de fogo de artifício de 30 de Setembro de 1998 – o que é mais do que se pode dizer sobre o impacto da exposição de 1992 sobre a cidade de Sevilha.


A Expo '98 foi, pois – ou, pelo menos, pareceu a quem a visitou em idade mais 'influenciável', individualmente ou com a escola – um retumbante sucesso a todos os níveis, com tanto para ver e fazer que um só dia nunca chegava; de facto, o jovem médio português da época terá visitado a feira pelo menos duas a três vezes, por forma a experienciar tudo o que a mesma oferecia. As memórias, essas, perduram quase um quarto de século depois, não sendo de prever que este evento verdadeiramente único se venha, tão depressa, a apagar da memória colectiva nacional, para a qual ainda é (ou deveria ser) motivo de enorme orgulho.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...