Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Quando o modelo de negócios de uma marca ou produto passa por incluir brindes no interior da embalagem durante literais décadas, é de esperar que, a dado ponto, a criatividade sofra um rombo, e as referidas ofertas decresçam um pouco de qualidade; mas se tal se aplicou, por exemplo, aos ovos Kinder (hoje muito longe dos tempos de incluir bonecos detalhados nas suas famosas cápsulas amarelas) a verdade é que todos os outros 'gigantes' alimentares infanto-juvenis não só evitaram esse declínio como lograram oferecer alguns dos seus melhores brindes em fases mais avançadas da sua existência. Foi o caso, por exemplo, do Bollycao, que, há cerca de vinte e cinco anos, oferecia uma colecção com um daqueles 'extras' que, para quem era de uma certa idade, a catapultava (passe o trocadilho) de apenas interessante para algo mais próximo do essencial.
Tratava-se da linha 'Bolly-carros', cujo nome não era a única demonstração de genialidade. Isto porque aquilo que, à primeira vista, aparentavam ser meros pedaços de cartão com imagens de carros de corrida genéricos podiam, quando conectados a um 'lançador' (ou 'Starter') disponível em loja ou através do 'site' do produto, ser projectados a alguma distância, num mecanismo, presumivelmente, semelhante ao que fazia voar os famosos BeyBlades, que se popularizariam poucos anos depois; em 2001, no entanto, a Panrico era pioneira desta tecnologia, e criava um conceito original e apelativo, o qual, surpreendentemente, cairia no esquecimento da segunda vaga de 'Millennials' lusitanos, talvez por não estar associado a qualquer licença mediática 'da moda'.
Ainda assim, quanto mais não seja pela originalidade da mecânica de lançamento, os 'Bolly-carros' fazem por merecer algumas linhas nesta nossa rubrica, no ano em que se completa um exacto quarto de século sobre o seu aparecimento no interior das embalagens de Bollycao. Pena, pois, que Portugal não tenha tido direito a receber a 'segunda vaga' desta colecção, bem mais detalhada, e criada em conjunto com a Scalextric, produtora de carrinhos à escala e pistas de corridas...






















