Tuesday, 31 March 2026

Terças de TV: Trinta Anos de 'Alta Voltagem' - A Primeira 'Faísca' de Rui Unas

NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Os anos 90 e 2000 são, objectivamente, a era de ouro para 'magazines' televisivos dirigidos ao público jovem na televisão portuguesa. Dos imortais e icónicos 'Caderno Diário' e 'Curto Circuito' a 'Lentes de Contacto', 'Portugal Radical', 'Templo dos Jogos' ou 'Dá-lhe Gás', são inúmeros os exemplos de programas deste género que marcaram época entre o seu público-alvo. A esta lista, há agora que juntar um programa que celebra por estes dias os exactos trinta anos sobre a sua estreia na televisão estatal nacional.


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Falamos de 'Alta Voltagem', um programa de variedades para jovens bem típico da época em causa, constituído por reportagens, entrevistas e segmentos sobre os mais diversos assuntos relevantes e de interesse para a demografia a que se destinava, apresentados de forma leve e ligeira mas, ao mesmo tempo, com mérito e rigor jornalístico, revestindo-se assim de carácter informativo e pedagógico. Uma fórmula, à época, inovadora, mas que, hoje em dia, fica na memória sobretudo graças à identidade do apresentador que 'ligava' e introduzia os diversos segmentos: nada menos do que Rui Unas, co-criador do programa e futuro nome de vulto do sector da informação juvenil, nomeadamente através da sua participação na encarnação original do supracitado 'Curto Circuito', ao lado de Fernando Alvim. De facto, 'Alta Voltagem' - curiosamente, também com um nome tematizado em torno da electricidade - quase pode ser considerado um 'ensaio' para o programa que viria a encabeçar pouco mais de um par de anos depois, na SIC, e constitui, hoje em dia, uma daquelas curiosidades que permitem conhecer os 'primeiros passos' de um futuro famoso.


À parte isso, no entanto, 'Alta Voltagem' não deixa de ser um bom exemplo - ainda que algo 'genérico' - do que eram os programas informativos infanto-juvenis portugueses de finais do século XX - tanto assim que se viria a manter no ar durante cerca de um ano e meio, até finais de 1997, e a dar azo a vários outros programas da mesma índole, fazendo, assim, por merecer uma nota recordativa no mês em que se completam exactas três décadas sobre a sua primeira emissão.


Monday, 30 March 2026

Segundas de Séries: O Neco Faz Vinte e Cinco Anos

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui por diversas vezes mencionámos a prolífica produção de séries de humor de qualidade no Portugal dos anos 90 e 2000, fossem elas dirigidas a adultos ou a um público mais jovem. É de um exemplo desta última categoria, estreado há quase exactos vinte e cinco anos, que falamos nesta Segunda de Séries.



Ida ao ar pela primeira vez a 29 de Março de 2001, 'A Minha Vida É Uma Animação' (adaptação localizada da série argentina 'Mi Familia Es Un Dibujo', de meados da década anterior)representava um novo e inovador passo na produção televisiva nacional, ao juntar a uma série de acção real um elemento animado - neste caso na 'pessoa' (ou antes, boneco) do personagem principal, o irreprimível Neco, que imediatamente se tornou um êxito entre o público-alvo, não tardando a sua cara travessa e 'melena' ruiva a surgir em todo o tipo de artigos de 'merchandising', alguns oficiais, mas a maioria piratas, como era apanágio do Portugal da época. De t-shirts a cadernos, nenhuma categoria de produto escapava ao sorriso maroto do Neco, que ainda hoje se afirma como um dos maiores sucessos de sempre a nível do 'merchandising' em Portugal.


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O icónico protagonista da série, êxito de 'merchandising' entre o público jovem.


Face à avassaladora omnipresência do personagem animado (o qual se tornou praticamente sinónimo com a série, à semelhança do que acontecia com franquias como 'Pokémon') é fácil esquecer a premissa da mesma, que girava em torno das dinâmicas familiares de Neco com a sua família, da qual se perde ainda nos primeiros episódios da série (pouco depois do seu nascimento), sendo prontamente devolvido pelo ilustrador que o encontra. As duas temporadas seguintes giram em torno das peripécias da família Dias (encabeçada pelo Zé de Fernando Luís e pela Luísa de Ana Bustorff), sempre com o Neco em plano de destaque, e muitas vezes como catalista do 'problema da semana'. Uma fórmula já mais do que testada por programas como 'Alf' ou a alemã 'Pumuckl' (com cujo personagem animado Neco partilha muitas semelhanças) e que, com uma execução minimamente cuidada, um bom leque de actores e um genérico memorável e irresistível, como é o caso, não podia deixar de apelar ao público-alvo; não é, pois, de admirar que Portugal tenha mergulhado numa 'Necomania' durante o ano e meio seguinte, nem que a série tenha, desde então, sido repetida com regularidade, perpetuando o legado do Neco junto das gerações mais jovens. Será mesmo quem fez parte do público-alvo inicial, no entanto, que mais nostalgicamente recordará esta icónica série nacional, concordando esses que a mesma é bem merecedora de espaço neste nosso 'blog' por ocasião do quarto de século da sua estreia na SIC.

Sunday, 29 March 2026

Domingos Divertidos: O 'Cérebro-Mestre' dos Jogos de Tabuleiro Tradicionais

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui anteriormente dedicámos algum espaço tanto aos jogos de tabuleiro em geral como a exemplos específicos dos mesmos, sobretudo aqueles que procuravam inovar e distanciar-se da habitual fórmula de casas, dados, castigos e recompensas. Um desses jogos, muito popular na altura e que subsiste até aos dias de hoje, era o Mastermind, uma espécie de combinação entre a Batalha Naval e algo como o Quem É Quem ou o jogo da 'Forca'.


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O jogo como muitos o conheceram nos anos 80 e 90.


Inventado ainda nos anos 70, mas popularizado nas duas décadas seguintes, o Mastermind propunha aos jogadores procurar adivinhar a sequência que um outro jogador havia criado, utilizando os pinos coloridos incluídos com o jogo, e escondido atrás da 'barreira' do seu lado de tabuleiro. O segundo jogador (ou o grupo de jogadores adversário, trabalhando em conjunto) tinha então dez tentativas - tantas quantas as filas de buracos no tabuleiro de jogo - para adivinhar a sequência correcta, procurando recriá-la em cada uma das referidas filas de buracos. O jogador que havia criado a sequência avaliava então cada uma das tentativas mediante a utilização dos outros pinos, mais pequenos e apenas disponíveis em preto e branco, para indicar quão perto os adversários estavam da resposta, sendo que cada pino negro equivalia a uma cor certa no sítio certo e cada pino branco a uma cor certa no sítio errado; a ausência de pinos indicava a presença de uma cor não presente na sequência original. Caso a sequência não fosse adivinhada até à décima tentativa, o jogador que a criara saía, automaticamente, vencedor.


Um conceito algo rebuscado de descrever por escrito, mas que resulta bastante intuitivamente no decurso do jogo em si, e que reúne suficientes elementos de estratégia, sorte e tentativa e erro para apelar ao lado competitivo inerente à maioria dos seres humanos (sobretudo jovens) não sendo, pois, de espantar que se tenha afirmado popular entre as crianças (portuguesas e não só) da era pré-digital. E embora o interesse de tal conceito para as novas gerações criadas com ecrãs seja duvidoso, o certo é que o Mastermind continua a ser comercializado até aos dias de hoje, tendo já mais que conquistado o seu lugar não só no panteão de jogos tradicionais longevos como também na memória colectiva nostálgica de pelo menos duas gerações.

Saturday, 28 March 2026

Sextas Com Style/Saídas ao Sábado: Stradivarius - A Loja Que Era 'Música' Para Os Ouvidos Adolescentes

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 27 de Março de 2026.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Para as gerações mais velhas, o nome Stradivarius evoca um lendário construtor de violinos, cujo nome foi transformado em 'marca', ainda hoje responsável pelos melhores instrumentos do género em todo o Mundo; para os mais novos, no entanto - sobretudo quem está, hoje, por volta ou abaixo dos quarenta anos - este nome é praticamente sinónimo com uma cadeia de 'fast fashion' (conhecida pelo símbolo da clave de sol no seu logotipo, como forma de a ligar à figura que inspirava o seu nome) presente em qualquer grande superfície da viragem do Milénio, e que se posicionava como o ramo 'para meninas' do grupo Inditex, também conhecido pela Zara, Pull & Bear, Bershka e Massimo Dutti.


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De facto, enquanto que a Zara apostava na simplicidade estilosa, e a Bershka procurava projectar um pouco mais de 'sofisticação' (ou, pelo menos, tanta quanta era possível a uma marca de roupa barata de centro comercial), a Stradivarius era declaradamente colorida, divertida, e mesmo 'ao estilo' das camadas mais jovens da geração 'millennial', as quais, sem surpresa, constituíam a maioria do público da cadeia quando a mesma logrou penetrar o mercado nacional, nos anos finais do século XX. E se, nas décadas subsequentes, a marca perdeu o seu fulgor - ao contrário do que aconteceu com a Zara ou Massimo Dutti, que continuam 'de vento em popa' como as marcas-estandarte do Grupo Inditex - a verdade é que ainda hoje se podem encontrar em Portugal várias lojas da Stradivarius, prontas a cativar as adolescentes de hoje, à semelhança do que fizeram com as suas mães e tias aquando da sua chegada a Portugal, há já mais de um quarto de século...

Friday, 27 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta e Cinco Anos de Um Brinde (Muito Pouco) 'Mágico'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Março de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.



Já aqui por diversas vezes mencionámos o facto de, numa era mais 'inocente' e ainda parca em 'truques' digitais, ser consideravelmente mais fácil intrigar, atrair e até maravilhar o público infanto-juvenil. Enquanto que, hoje em dia, o mesmo toma como garantida a existência de uma 'app' com jogos e passatempos, bastando para isso fazer 'scan' de um código QR, nos tempos de infância dos seus progenitores 'millennials' - há coisa de trinta e cinco anos - um objecto simples e quase banal podia ser tornado objecto de interesse e cobiça pura e simplesmente por ser retirado de uma caixa de cereais ou pacote de batatas fritas, e designado por um adjectivo como 'Mágico'. É o caso da 'Quinquilharia' a que dedicamos este 'post', veiculada nos pacotes de Cheerios da Nestlé algures durante o ano de 1991, e que, em quaisquer outras circunstâncias, dificilmente seria merecedora de mais do que um olhar 'de passagem' por parte do público-alvo.


De facto, a auto-designada 'Régua Mágica' mais não passava do que de uma vulgar régua lenticular, semelhante a outras tantas presentes nos estojos de crianças e adolescentes de Norte a Sul do País, na mesma altura; a única diferença eram, claro, os motivos promocionais alusivos aos cereais em causa, e o facto de figurar numa publicidade televisiva da época, o que, desde logo, ajudava a que o seu apelo disparasse em flecha. O referido interesse foi, no entanto, de curta duração, tendo as crianças da época (presumivelmente) visto o brinde pelo que ele era, e virado a atenção para outros prémios mais merecedores do seu tempo; prova disso é o facto de, hoje em dia, o referido anúncio (que encabeça este 'post') ser mesmo o único vestígio da existência desta oferta, para além da respectiva página no site Brindemania (onde a informação é tão parca quanto a veiculada nesta postagem). Ainda assim, nunca é demais relembrar um prémio que ilustra, cabalmente, a facilidade de 'vender' até o conceito menos interessante à juventude de finais do século XX, desde que acompanhado de uma campanha de 'marketing' suficientemente apelativa...

Thursday, 26 March 2026

Quartas aos Quadradinhos: A Carreira de Luís Diferr, Nome 'de Culto' da BD Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Março de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Como deverá ter ficado bem patente no 'post' sobre as aventuras de Jim Del Monaco, a BD franco-belga dos anos 50 a 80 era fonte de inspiração para a maioria dos ilustradores e criadores de BD nacionais. No entanto, apesar de fortemente influenciados pelo estilo, poucos há que possam, efectivamente, reclamar um papel colaborativo com uma das suas inspirações; uma dessas (poucas) excepções é Luís Diferr, o recém-malogrado desenhista que, durante a última década do século XX, chegou a colaborar com o editor dos álbuns póstumos do popular herói franco-belga Alix, para além de ter lançado duas séries (num total de quatro álbuns) em nome próprio, e tido direito a extensa exposição no icónico Festival de Banda Desenhada da Amadora, em 1992.


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Nascido em Angola em 1956, Diferr licenciou-se em Arquitectura, tendo chegado a exercer funções como professor de Geometria Descritiva, mas era na BD que residia a sua verdadeira paixão, a qual se ia traduzindo numa enorme diversidade de ilustrações, 'tirinhas' e pranchas 'espalhadas' por um sem-número de fanzines e outras publicações de finais dos anos 80 e inícios de 90. Seria, no entanto, apenas em Março de 1991 (há exactos trinta anos) que o sonho se tornaria realidade, com a edição do primeiro volume completo da autoria de Diferr, no caso a primeira de duas aventuras do cosmopolita Herb Krox, 'O Homem de Neanderthal', cuja continuação, 'Os Deuses de Altair - I', sairia apenas sete anos depois, já depois do lançamento de 'O Lago Iluminado', primeira e única aventura de Drakar, o Minossauro, criada em parceria com o argumentista José Abrantes.


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As duas aventuras de Herb Krox, editadas em extremos opostos dos anos 90.


Após este ponto, a carreira de Diferr entraria em ciclo descendente, não obstante o aparecimento, em 2002, de dois novos personagens, no contexto de um volume de homenagem a Vasco Granja, e o lançamento do mais importante projecto do autor, um volume sobre Portugal inserido na colecção 'As Viagens de Lois', idealizada por Jacques Martin (criador de Alix) nos anos anteriores ao seu falecimento, em 2011. O próprio Diferr viria a deixar-nos em 2025, sem nunca ter atingido grande notoriedade no contexto da BD nacional ou internacional, mas tendo almejado um merecido estatuto de culto, conseguido também, em parte, pela sua actividade enquanto 'blogger', que manteria até 2016; já a este 'blog' (que não é seu) interessa, sobretudo, assinalar os trinta e cinco anos da publicação do álbum que daria início a esse percurso, e o colocaria pela primeira vez no 'radar' dos bedéfilos portugueses, e que serve como 'desculpa' para a breve retrospectiva de carreira levada a cabo nestas linhas.

Wednesday, 25 March 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de 'Caças' Computorizadas

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 24 de Março de 2026.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A metade final dos anos 80 e primeira metade da década seguinte representou um dos melhores momentos da História da televisão nacional no que a concursos diz respeito, com diversos exemplos icónicos do género, que ainda hoje perduram na memória de quem tinha a idade certa para os ver, quer por si só, quer na companhia de familiares, em serões frente à televisão. De entre estes, não podiam, claro, faltar os dirigidos a um público mais jovem, entre os quais se contam também alguns perfeitamente lendários para quem os acompanhou à época, como 'Arca de Noé' ou 'Tal Pai, Tal Filho'; e apesar de aquele que abordamos neste 'post' não ter conseguido a mesma repercussão futura, é apenas justo recordá-lo, poucos dias antes de se completarem exactos trinta e cinco anos sobre a sua primeira emissão.


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De facto, era à hora de almoço do dia 27 de Março de 1991 que 'Trevo da Sorte' era, oficialmente, substituído por um novo concurso, apresentado por Luís de Matos (mais conhecido pelas suas proezas como ilusionista no Espaço Mágico do 'Ponto de Encontro', mas que se revelava também um bom apresentador de televisão) e que tinha como principal ponto de interesse a utilização de um jogo electrónico como base para a prova, a qual era, ela própria, jogada frente, e com recurso a, computadores pessoais - um conceito, à época, mais do que inovador, e nunca antes visto na televisão nacional. A este atractivo mais 'óbvio' havia, ainda, a juntar o facto de, ao contrário da maioria dos concurso da época, 'Caça ao Tesouro' (não confundir com o programa homónimo lançado pela SIC três anos depois) ser de índole cem por cento nacional, tendo sido criada por um portuense, Álvaro de Magalhães.


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O recurso a computadores como ferramenta-base para o jogo era absurdamente inovador para a época.


Razões mais que suficientes, pois, para os espectadores sintonizarem a RTP e acompanharem as tentativas das duas equipas concorrentes em cada programa de 'navegar' o mapa do tesouro virtual, com recurso a dados igualmente computorizados, e procurarem a arca com o 'tesouro' de meio milhão de 'contos' (uma fortuna à altura) ou o prémio-surpresa, oferecido por uma sereia, enquanto tentam evitar um encontro com o pirata, que os fará retornar à casa de partida.


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O mapa do tesouro, sobre o qual se desenrolava o jogo.


Um conceito que unia elementos dos jogos de tabuleiro, dos videojogos e do formato de concurso mais tradicional, que não podia deixar de apelar ao público mais jovem (o mesmo que hoje, depois de adulto, lerá este 'blog') e que justifica plenamente que se dediquem algumas linhas a este algo esquecido programa, na semana em que se completam trinta anos sobre a sua primeira 'ida ao ar'.

Monday, 23 March 2026

Segundas de Sucessos: Um, Dois, Três, e 'Morrer' de Vez

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui sobejamente falámos no passado da quase inacreditavelmente rica cena 'pop-rock' portuguesa das décadas de 80 e 90, a qual produziu a esmagadora maioria dos artistas pelos quais a música 'de guitarras' nacional é, ainda hoje, conhecida: Xutos & Pontapés, GNR, UHF, Clã, Ornatos Violeta, Rádio Macau, Rio Grande, Pólo Norte, Sitiados, Quinta do Bill, Resistência, The Gift, Entre AspasDelfins ou Silence 4 foram apenas alguns dos muitos nomes surgidos naquele período de cerca de duas décadas, e cujas músicas continuam, ainda hoje, a ter lugar cativo nas ondas radiofónicas nacionais. No entanto, em meio a estes nomes instantaneamene reconhecíveis existem outros que, embora mais esquecidos pela consciência popular nacional, continuam ainda assim a perdurar por intermédio de uma das suas músicas, como é o caso da banda que abordamos neste 'post'.


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Formados em 1988 como Easy Gents, e vencedores da quinta edição do Rock Rendez-Vous ainda com esse nome, os Ritual Tejo viriam a lançar três álbuns durante a última década do século XX - o primeiro dos quais editado há cerca de trinta e cinco anos, algures em 1991, e o último a poucos meses da passagem do Milénio - a participar em tributos a António Variações e José Afonso e a figurar em compilações de bandas do mítico Johnny Guitar; e, no entanto, a carreira relativamente longa e plena de pontos altos do grupo fica, para a maioria dos portugueses, reduzida a uma única música, um daqueles temas 'pegajosos' e com um elemento imediatamente distinto, no caso, um coro infantil que ajuda a tornar o refrão ainda mais memorável.



De facto, enquanto 'Foram Cardos, Foram Prosas' - o 'hit' imediato do primeiro álbum, 'Perto de Deus', originalmente cantado por Manuela Moura Guedes (sim, essa mesmo!) - se encontra, hoje em dia, um pouco esquecido, o mesmo não se pode dizer de 'Nascer Outra Vez', um daqueles hinos intemporais e imortais do 'pop rock' lusitano que, muito provavelmente, nunca deixará de passar nas rádios nacionais, e de cativar ouvintes tanto novos como existentes.


Parte integrante de 'Histórias de Amor e Mar', lançado há cerca de três décadas, o tema tornar-se-ia, de longe, o grande elemento identificativo de um grupo que, excepção feita a esse momento, nunca chegou a consolidar o nível de sucesso que desejava. Pior - mesmo depois de conseguido esse grande êxito, o grupo não conseguia evitar um processo de cisão, que levou à saída de dois dos seus cinco elementos (um deles, Fernando Martins, mais conhecido pelo envolvimento com o 'Chuva de Estrelas' do que propriamente pela sua banda de originais). Ainda assim, o grupo perserverou, e logrou chegar a um terceiro registo, simbolicamente intitulado 'Três Vidas', mas que passou totalmente despercebido numa cena cada vez mais concorrida.


Foi, assim, sem surpresa que os Ritual Tejo se 'esbateram' discretamente do 'quadro' do 'pop rock' nacional (pese embora o lançamento de uma colectânea póstuma, em 2006), deixando como único vestígio da sua presença no mesmo um tema inesquecível, indelével, mas que se insere firmemente na categoria das músicas instantaneamente reconhecíveis, mas de que poucas pessoas saberão nomear correctamente os autores...

Sunday, 22 March 2026

Domingo Desportivo: O Maratonista Português 'Esquecido'

NOTA: Por motivos de relevância temporal, este Domingo será Desportivo, e o próximo, Divertido.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Quando se fala de atletismo no Portugal de finais do século XX, vêm quase imediatamente à baila nomes como Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro ou Manuela Machado, heróis Olímpicos (e não só) que ajudaram a colocar Portugal no mapa como uma nação de atletas. Em meio a todos estes nomes, no entanto, um outro passa algo despercebido, ainda que muito imerecidamente, já que também ele atingiu feitos notáveis a nível internacional.


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Falamos do amarantino António Pinto, colega de 'Selecção' dos corredores acima citados (e de muitos outros atletas) em nada menos do que quatro Jogos Olímpicos entre finais dos anos 80 e inícios do século XXI, mas que, ao contrário dos mesmos, nunca logrou conquistar quaisquer medalhas a esse nível. Pode-se argumentar, no entanto, que essa foi mesmo a única distinção que faltou ao maratonista nortenho, já que a sua restante carreira está repleta de sucessos tanto dentro como fora de portas, dos quais se destacam as três Maratonas de Londres que venceu (em 1992, 1997 e 2000, tendo subido também ao pódio em 1995, 1998 e 2001, quando ficou em terceiro), a Maratona de Berlim que conquistou em 1994 (e o terceiro lugar na mesma prova no ano seguinte), a medalha de bronze na Maratona de Paris de 1994, a vitória na categoria de dez mil metros nos Campeonatos Europeus de Atletismo de 1998 - ano em que também vence a meia-maratona de Lisboa – e o primeiro lugar no Great Scottish Run de 2000, que lhe outorgava duas vitórias em solo britânico no mesmo ano.


Uma lista de conquistas que permitia ao maratonista retirar-se da competição em 2002, já com 'tudo ganho', excepto a sempre 'esquiva' medalha olímpica, que parecia apenas pender para o lado dos colegas de equipa da Selecção Portuguesa. Ainda assim, e apesar desta lacuna, António Pinto merece ser visto e lembrado como um dos grandes maratonistas portugueses de finais do século XX, a par dos congéneres mais 'famosos'.

Sábados aos Saltos: Um 'Tesouro' Perdido das Brincadeiras de Rua

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 21 de Março de 2026.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


Hoje em dia, a insegurança vivida em muitas partes do Mundo – sobretudo em zonas urbanas – remeteu grande parte das crianças e jovens das gerações 'Z' e 'Alfa' para brincadeiras de interior, muitas delas individuais ou em ambientes remotos, como no caso dos videojogos. Para os seus pais, no entanto (das gerações 'X' e 'millennial') a norma num solarengo Sábado de Primavera era, mesmo, passá-lo no exterior, na companhia dos amigos, envolvido numa série de brincadeiras que envolviam poucos ou nenhuns elementos extra, além de uma dose de imaginação e resistência física q.b. É, precisamente, a uma dessas brincadeiras que dedicamos este Sábado aos Saltos.


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Passíveis de serem realizadas em duas vertentes – por um lado, com objectos pré-comprados e espalhados pela área circundante por terceiros e, por outro, tendo por base uma lista de 'lixos' comuns formulada pelos próprios jogadores – as caças ao tesouro eram uma excelente forma de entreter grupos alargados de crianças durante uma festa de anos, colónia de férias ou dia de actividades, mas também um jogo mais do que aceitável para uma brincadeira de rua numa tarde de fim-de-semana. Qualquer criança adora a sensação de procurar algo e, particularmente, de o encontrar antes de outrem, pelo que um jogo baseado precisamente nesta premissa não podia deixar de constituir um êxito junto do público-alvo, qualquer que fosse a vertente em que era realizado.


Conforme mencionado acima, a crescente insegurança em ambientes urbanos veio, infelizmente, tornar as caças ao tesouro na rua ou bairro bastante mais raras do que antigamente, sendo as mesmas levadas a cabo, hoje em dia, sobretudo em ambientes controlados. Para quem participou na(s) forma(s) originais desta actividade, no entanto, a mesma continuará, até hoje, a afirmar-se como nostálgica, merecendo bem o destaque neste Sábado aos Saltos de início de Primavera.

Saturday, 21 March 2026

Sessão de Sexta: Trinta Anos de Crimes Não Tão Pequenos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Março de 2026.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Os 'primórdios' de carreira de grandes realizadores (e actores) são, quase sempre, fascinantes – uma mistura de filmes de baixo orçamento mas alta criatividade, projectos 'por encomenda' e filmes que, embora bem-sucedidos, ficam longe do que os seus autores viriam a mostrar no futuro. Há, claro, excepções a esta regra, em que os primeiros filmes de um cineasta o mostram já na 'plenitude' dos seus 'poderes' – ou, pelo menos, perto quanto baste. Nos anos 90, os nomes a inserirem-se nesta categoria incluíram Guy Ritchie – cujo primeiro filme é também o seu mais famoso – Tim Burton, e o nome sobre quem nos debruçamos nesta Sessão de Sexta, Danny Boyle.


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Hoje reconhecido, sobretudo, por filmes históricos como 'Trainspotting', 'A Praia' ou 'Slumdog Millionaire', o realizador em causa começaria, no entanto, por chamar a atenção logo com o seu primeiro filme, que chegava às salas de cinema portuguesas há quase exactos trinta anos (a 15 de Março de 1996) com o pouco intuitivo título de 'Pequenos Crimes Entre Amigos' – bem menos memorável do que o original 'Shallow Grave'. E apesar de, hoje, algo esquecido (excepto entre os fãs do realizador, que lhe outorgam estatuto de culto) o filme mostra já muitos dos elementos que tornariam Boyle conhecido, além de marcar o início da relação do cineasta com Ewan McGregor, que renderia, anos mais tarde, dois dos mais reconhecidos filmes da carreira de Boyle.


Em registo de comédia negra, o filme (que demoraria dois anos a atravessar o Atlântico da sua Escócia natal, onde estreava em Maio de 1994) segue as desventuras de um grupo de colegas de casa que, após descobrirem o novo inquilino do apartamento morto no seu quarto, lhe roubarem o dinheiro e drogas, o desmembrarem e o enterrarem; uma premissa bem típica das 'crimédias' britânicas (Guy Ritchie ou Edgar Wright poderiam ter assinado esta premissa, embora com mais criminosos à mistura) e que permite a Boyle exercitar muitas das técnicas e truques narrativos que o tornariam conhecido e favorito de um determinado público cinéfilo ao longo das décadas seguintes, bem secundado por um elenco que, além de McGregor, inclui também o futuro 'Dr Who' e Loki dos 'Vingadores', Christopher Eccleston, bem como outros excelentes actores de reputação mais local.


Embora longe de ser um filme para crianças, portanto, 'Pequenos Crimes Entre Amigos' terá 'caído no gosto' de quem era um pouco mais velho (a franja 'final' da Geração X), e despertado, mais tarde, a curiosidade dos 'millennials' que conheciam o realizador através de 'Trainspotting', 'A Praia', '28 Dias Depois' ou 'Slumdog Millionaire', os seus filmes de maior sucesso. Quanto a esta auspiciosa estreia, constituiu uma boa escolha para uma Sessão de Sexta 'de aniversário' (ainda que já cerca de uma semana atrasada) ou simplesmente para quem deseje conhecer os primeiros passos de um dos melhores e mais conceituados realizadores ainda em actividade.

Friday, 20 March 2026

Quintas ao Quilo: Os Produtos 'A Granel' - Uma Parte Desaparecida da Infância Noventista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Março de 2026.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


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Numa era em que as normas europeias de segurança alimentar são mais estritas e fomentadas do que nunca, em Portugal e não só, pode parecer estranho recordar um passado, não muito distante, em que qualquer criança ou jovem podia entrar numa qualquer loja ou supermercado, dirigir-se à secção de frutos secos ou gomas, abrir uma 'portinhola' e simplesmente servir-se – para dentro de um saco, ou mesmo da própria boca, se fosse particularmente 'corajoso'.


De facto, a venda de frutos secos e pequenos doces 'a granel' não só era prática comum, como era o método preferencial para a comercialização deste tipo de alimentos em superfícies comerciais – algo hoje impensável fora do contexto muito particular das lojas especializadas ou mais 'à moda antiga', elas mesmas em rápido processo de extinção, embora ainda vigentes um pouco por todo o País (sobretudo as de venda de doces). Mais – este desaparecimento deu-se de forma suficientemente gradual para ser quase imperceptível, tornando-se aparente apenas quando a memória nostálgica traz ao de cima recordações de idas ao supermercado coroadas com sacos cheios de doces.


Há meros trinta anos, no entanto, era ainda possível desfrutar, em Portugal, do processo conhecido em países anglófonos como 'pick'n'mix' – em que, como o nome indica, se 'escolhem e misturam' diferentes tipos de doces ou nozes conforme a preferência. E apesar de os referidos alimentos nada terem de diferente das versões embaladas (sendo, muitas vezes, apenas selecções de um tipo específico de noz ou doce contido nas mesmas) este é um daqueles casos em que a 'experiência' também conta, como qualquer residente em Portugal em finais do século passado poderá atestar; nada mais apropriado, portanto, do que dedicar algumas linhas àquele que, apesar de ser um elemento bastante 'menor' no cômputo geral, não deixou ainda assim de tornar melhor a infância e adolescência dos 'millennials' portugueses.


 

Thursday, 19 March 2026

Quartas aos Quadradinhos: Quim Ferreira -Trinta e Cinco Anos de Uma Carreira 'Natural'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 18 de Março de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


A banda desenhada é, tradicionalmente, um dos melhores métodos de ensinar ou sensibilizar o público infanto-juvenil; não admira, pois, que a mesma seja, frequentemente, o formato escolhido para veicular mensagens institucionais, tendo já aqui sido abordados vários exemplos do género lançados durante o período em causa. E, sendo a ecologia um dos grandes temas de finais do século XX, tão-pouco é de admirar que tenham existido, durante os últimos anos do mesmo, vários exemplos de BD's alusivas a essa importante temática.


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O autor na actualidade.


E se outras vertentes educativas tinham, no panorama bedéfilo da altura, os seus próprios 'especialistas', no tocante a obras sobre a natureza, esse nome era o de Quim Ferreira, professor de EVT nascido em Moçambique e formado em artes no Algarve (concretamente, em Portalegre) que elegia o ambiente como tema-base da grande maioria das suas obras. das suas obras – incluindo aquela pela qual, como co-autor, chegou a ganhar vários prémios relacionados à representação do ambiente em banda desenhada, no caso, as aventuras do abutre Fulvinho, publicadas pela Quercus há cerca de trinta e cinco anos (algures em 1991) e galardoadas pela mesma instituição no seu 'Prémio Artes e Letras' do ano seguinte. Outras obras de destaque – sempre em plano institucional e publicados por instituições estatais, por oposição a editoras especializadas - incluem a colecção dedicada aos animais do Palácio de Cristal, no Porto, ou o livro de estreia, 'O Mel e o Castanheiro', publicado logo antes de 'O Fulvinho' e alusivo ao processo de formação das castanhas na árvore.


Uma 'vocação' que pode parecer algo enfadonha, ou como um desperdício de talento, mas que tem enorme significado para o próprio autor, que vê a banda desenhada como o veículo perfeito para a sensibilização ambiental das crianças e jovens, continuando até hoje a 'brandir' esse 'estandarte' em obras institucionais publicadas de Norte a Sul do País. Nada mais justo, pois, do que prestar-lhe uma pequena homenagem, no ano em que se completam três décadas e meia desde as suas primeiras publicações 'oficiais'...

Wednesday, 18 March 2026

Terças Tecnológicas: Trinta e Cinco Anos da Segunda 'Luta de Rua'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 17 de Março de 2026.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


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Quando se fala em jogos de luta 'um-para-um', 'Street Fighter II' é – a par de 'Mortal Kombat' – o primeiro nome a vir à mente de muitos 'gamers' noventistas. Naquela que foi uma 'guerra' ao nível de Blur e Oasis ou FIFA e Pro Evolution Soccer, as duas franquias degladiaram-se durante toda essa década pelo 'coração' dos jovens fãs de lutas virtuais, causando uma divisão que apenas se começaria a esbater já na década de 2010 – e que, em ambos os casos, foi altamente fomentada pelos lançamentos originais, nomeadamente pelas versões em 'máquina' de salão de jogos, a chamada 'arcade'. E se 'Mortal Kombat' se 'vendia' com recurso ao sangue e personagens digitalizados, 'Street Fighter' trazia uma jogabilidade mais rápida, gráficos ultra-detalhados, em estilo 'anime', e temas musicais mais memoráveis que o do rival – para além de usufruir da vantagem de ter sido lançado dezoito meses antes.


De facto, era em Março de 1991 que a Capcom lançava no mercado internacional de arcadas o segundo título de uma série que havia começado de forma discreta – o primeiro 'Street Fighter' era um 'beat-'em-up' horizontal sem nada de especial, sendo hoje sobretudo uma nota de rodapé na história de um dos jogos mais famosos de sempre – mas que haveria de 'explodir' até se tornar uma franquia internacional multi-plataforma e com múltiplas décadas de longevidade, que ainda hoje continua a produzir jogos nos mesmos moldes estabelecidos pela primeira sequela, há três décadas e meia.


Não é, pois, de admirar que 'Street Fighter II' – o original, e não qualquer das múltiplas versões 'Super' ou 'Turbo' – seja considerado o 'pai' dos jogos de luta, tendo inspirado (a par de 'Mortal Kombat') muito do que seria produzido dentro do género em anos subsequentes e, de certa forma, até aos dias que correm. E tudo isso começou com oito lutadores (os chamados 'Guerreiros do Mundo', segundo o frequentemente ignorado subtítulo original) e uma série de ecrãs que se tornariam verdadeiramente icónicos e clássicos: a introdução animada, com os dois lutadores anónimos, o ecrã de título, o de selecção de lutadores e até alguns dos cenários de fundo persistem ainda hoje na memória colectiva dos fãs de videojogos, na qual residem também algumas das músicas que acompanhavam cada nível.


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O ecrã de selecção de lutadores é tão icónico quanto qualquer outro elemento do jogo.


Não podíamos, pois, deixar de assinalar a marca de trinta anos sobre o lançamento de tão influente título, na sua versão original para arcada, que seria convertida para todos os sistemas e mais alguns no decorrer dos anos seguintes, mas que principiaria por se tornar um dos mais bem sucedidos título de arcada de sempre, e por cativar jovens jogadores um pouco por todo o Mundo, Portugal incluído. E se mais prova fosse necessária do impacto e longevidade do jogo, fica a curiosidade de, na pequena cidade inglesa onde actualmente reside o autor deste 'blog', ter recentemente surgido uma máquina de jogos num espaço de diversões; o jogo que contém? O 'Street Fighter II' original, pois claro...

Tuesday, 17 March 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos dos 'Morangos' Antes dos 'Morangos'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 16 de Março de 2026.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Quando se fala em telenovelas dirigidas a jovens, surge imediatamente na mente da maioria dos portugueses um nome: 'Morangos Com Açúcar', o incontornável produto nacional que marcou as gerações 'millennial' e 'Z' nacionais.No entanto, este esteve longe de ser o primeiro exemplo do género a ser exibido na televisão portuguesa; essa honra pertence a uma série brasileira que estreava nos finais de tarde de Domingo da SIC há sensivelmente trinta anos, e que viria também a marcar época entre a sua demografia-alvo no nosso País.


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O logotipo original da série, que seria mais tarde alterado para algo mais contemporâneo.


Falamos de 'Malhação', origem da maioria da inspiração para 'Morangos' (e também para outras 'sérienovelas', como 'New Wave') que chegava às televisões portuguesas em meados de Março de 1996 (meros três meses após a conclusão no seu Brasil natal), e imediatamente se destacava da 'concorrência' pelo seu tom mais leve, muitas vezes mais próximo da comédia do que do habitual melodrama das telenovelas brasileiras, e pela adequação do conceito e enredos àquilo que era a vida dos jovens de classe média de meados da década de 90 – mesmo que, pelo menos em Portugal, muitos não frequentassem ainda ginásios na adolescência.


Fora da academia homónima da série, no entanto – na sua vida pessoal e escolar – os personagens de 'Malhação' eram versões apenas levemente exageradas dos adolescentes da época, proporcionando assim aos espectadores uma experiência de visualização agradavelmente próxima da sua vida quotidiana. A uniforme qualidade do jovem elenco ajudava a esta imersão, fazendo por vezes esquecer que se tratava de uma novela ou série, e fazendo crer estarmos diante de pessoas reais – qualidade apenas exacerbada em temporadas subsequentes.


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O elenco da primeira temporada.


De facto, ao contrário de muitas novelas, o sucesso de 'Malhação' levaria a que a série continuasse durante várias temporadas, à semelhança do que mais tarde sucederia com 'Morangos Com Açúcar'; e apesar de nem todas estas terem passado na televisão pública nacional, as mesmas podiam ser acompanhadas nos canais brasileiros da TV Cabo, nomeadamente na TV Globo, durante a década de 2000 – facto que apenas ajudou a cimentar o estatuto de culto desta 'série-novela' junto de muitos jovens portugueses de finais do século XX e inícios do seguinte. Não podíamos, pois, deixar passar em claro o trigésimo aniversário da estreia nacional da série que foi, essencialmente, 'Morangos' antes dos 'Morangos', e que talvez tenha mesmo mostrado aos produtores portugueses que uma novela destinada exclusivamente ao público mais jovem podia, efectivamente, ser não só bem sucedida como indubitavelmente memorável...

Monday, 16 March 2026

Domingo Desportivo: A Bonita Carreira do 'Outro' Mozer

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Março de 2026.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Quando se fala em jogadores memoráveis ou históricos no contexto de um clube de futebol, está-se, na maioria dos casos, a falar dos 'artistas', aqueles atletas cujos movimentos ficam na retina, ou cujo número de golos é inegável; existe, no entanto, outro tipo de jogador que pode ascender a este estatuto – no caso, destacando-se pela consistência mais do que pela 'arte'. É, precisamente, sobre um desses jogadores, que celebrou este fim-de-semana o seu quinquagésimo-quarto aniversário, que versa este Domingo Desportivo.


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O jogador com as duas camisolas que o notabilizaram.


Formado no viveiro de talentos do bairro da Boavista (onde chegou a partilhar plantel com um jovem João Vieira Pinto) e no não menos histórico Rio Ave, foi nas divisões inferiores que Rui Miguel Batista Araújo primeiro se deu a conhecer, então já com a alcunha que lhe ficaria associada – Mozer (em homenagem ao histórico jogador do Benfica) Seria, no entanto, no Leixões que, pela primeira vez, ganharia mais visibilidade, tendo-se afirmado como um dos mais importantes jogadores dos 'Bebés do Mar' durante as três épocas que ali passou, e revelado qualidades que o apontavam a mais altos vôos; e os mesmos não tardariam a chegar, com o médio a transferir-se para a então Primeira Divisão a tempo de iniciar os treinos para a pré-época de 1996/97 com a camisola do Sporting Clube de Braga.


E seria mesmo na 'Pedreira' que Mozer se afirmaria como um dos bons médios dos campeonatos da altura, realizando ao todo cinco épocas ao serviço dos arsenalistas - as três primeiras como indiscutível – precisamente na altura em que o clube iniciava a caminhada rumo ao estatuto de 'quarto grande', contando com plantéis muito interessantes, onde pontuavam jogadores como Miki Féher, Mladen Karoglan ou o histórico Quim, e que chegou mesmo a disputar a Taça UEFA e a Taça das Taças, além de chegar a uma final da Taça de Portugal, perdida diante de um Porto em potência máxima. O Novo Milénio seria, no entanto, menos 'simpático' para com Mozer, que – após uma temporada com menor preponderância – iniciaria o século XXI com uma grave lesão (rotura de ligamentos) que o veria disputar apenas cinco partidas pelo plantel principal e mesmo jogar na equipa B para recuperar a forma – um fim de ciclo triste para um jogador que se afirmara como importante ao longo das temporadas anteriores.


A sorte de Mozer tão-pouco viria a mudar na época seguinte, com novos problemas físicos a travarem a sua afirmação na nova equipa, o Farense, pela qual somaria apenas doze presenças, cerca de um terço dos jogos realizados pelos alvi-negros nessa temporada. Seria, pois, novamente a Norte que o médio lograria relançar a carreira, com três boas épocas ao serviço de um dos seus clubes formadores, o Rio Ave, durante as quais se sagraria campeão da II Liga e recuperaria finalmente o estatuto de peça importante numa equipa de alguma projecção no principal escalão nacional. O passo seguinte, no entanto, seria 'para trás', com o jogador a ingressar no Trofense, antes de – a meio da época 2006/07, já com provectos trinta a cinco anos – arriscar a unica aventura internacional, ao serviço dos espanhóis do Vecindario.


O regresso a Portugal dar-se-ia seis meses depois, desta feita rumo aos Açores, antes de a natural curva descendente de carreira remeter o médio para as divisões inferiores, nível no qual penduraria as botas no Verão de 2011, aos trinta e nove anos (!) para arriscar uma curta carreira como treinador de Pedras Rubras (último clube representado), Candal e Nogueirense. Desde 2014, no entanto, o médio 'goza' a vida de 'anónimo social', estatuto bem merecido após uma honrosa carreira que o levou 'um pouco por todo o lado' dentro do futebol português e até ibérico em geral. Parabéns, e que conte muitos.

Sunday, 15 March 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Os Anos Finais de Uma Loja Revolucionária

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 e Sábado, 15 de Março de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar de, hoje em dia, terem uma orientação mais turística, as Baixas de Lisboa e Porto eram, em tempos, conhecidas como a principal zona de concentração de lojas históricas e 'da moda', numa daquelas 'misturas' que, apesar de eclécticas, acabavam por fazer sentido e dar às duas zonas a personalidade de que hoje carecem. Um desses estabelecimentos – nascido na Baixa mais a Norte mas popularizado pela do Sul – era uma loja de roupa absolutamente revolucionária para a época em que foi criada e que, apesar de já mais 'normalizada' nos anos 90, chegou ainda a criar memórias para muitos membros da Geração X, e até alguns 'millennials' mais velhos.


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Falamos da Porfírios (ou Porfírios Contraste) a qual, após revolucionar totalmente a moda portuguesa dos anos 60 com as suas influências londrinas – sendo parcialmente responsável pela difusão da mini-saia, por exemplo – cores garridas e até desfiles de moda próprios, logrou manter-se icónica durante as décadas seguintes, tanto graças a essa estética própria como às próprias instalações, inspiradas nos clubes da capital inglesa e repletos de passagens estreitas e escuras, luzes psicadélicas e escadas em caracol, que quase faziam esquecer estar-se numa loja (um pouco como sucede, hoje em dia, com as lojas da Abercrombie & Fitch, embora os Porfírios fossem mais originais e distintos.) A loja do Porto tinha, mesmo, uma secção central com barraquinhas, cada uma com um tipo diferente de adereço, e com espaço adicional para pendurar quadros, desenhos e outras peças de arte, muitas delas feitas pelos próprios clientes, algo que ajudava a distinguir ainda mais o estabelecimento da vulgar loja de roupa da altura.


Infelizmente, como sucedeu com tantas outras lojas clássicas, históricas ou icónicas, também os Porfírios sucumbiriam à inefável marcha da 'fast fashion', sofrendo um declínio acentuado nos últimos anos do século XX e vindo a encerrar portas logo após a viragem do Milénio, em 2001. Apesar disso, a loja foi, ainda, a tempo de deixar marca nas gerações mais novas da época (mesmo que não tanta quanto nas dos seus pais) sendo ainda hoje recordada como uma das mais originais de sempre do comércio português, e merecendo bem estas linhas recordatórias, no ano em que se assinala o exacto quarto de século sobre o seu desaparecimento.

Saturday, 14 March 2026

Quintas no Quiosque: Trinta Anos de 'Casas' em Revista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Março de 2026.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Apesar de, normalmente, não ser um tema que se preste especialmente a toda uma publicação especializada, também o mercado imobiliário logrou, de alguma forma, encontrar o seu espaço no florescente mercado de periódicos do Portugal de finais do século XX, através de uma publicação que – em sentido contrário às mesmas tendências que vitimaram tantos outros títulos da época – logrou permanecer em actividade até aos dias que correm, ainda que, previsivelmente, já apenas em formato digital.


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(Crédito da imagem: CustoJusto)


Falamos da revista 'Casas de Portugal', cujo primeiro número completou há um par de meses exactos trinta anos. Surgida originalmente nas bancas nacionais em Janeiro de 1996, com periodicidade sensivelmente trimestral (apesar de alguns números saírem com apenas dois meses de intervalo, e outros cerca de quatro) a revista estabeleceu, logo desde esse primeiro número, o propósito declarado de oferecer artigos de interesse para agentes imobiliários e proprietários, em assuntos tão diversos quanto a decoração ou a maximização do espaço, por forma a garantir que os mesmos tinham as melhores probabilidades possíveis de vender ou alugar a sua propriedade. Em conjunção com esta vertente, cada número trazia ainda uma lista de casas, apartamentos e terrenos actualmente à venda, uma característica que se prestou admiravelmente à transição para o meio digital, sendo hoje um dos principais atractivos do 'site' da revista.


Uma publicação explicitamente especializada, portanto, mas que encontrou, ainda assim, uma demografia de interessados suficientemente vasta para lhe garantir três décadas de vida contínua – o que não deixa de fazer sentido, já que o imobiliário é um dos campos de negócio mais perenes e povoados no nosso País. Ainda assim, é admiravelmente raro para uma publicação deste tipo sobreviver trinta anos no seio da hoje moribunda imprensa nacional, justificando-se assim plenamente estas poucas linhas dedicadas a uma das poucas 'resistentes' que conseguiram tal façanha.

Friday, 13 March 2026

Quartas de Quase Tudo: Dez Anos, Três Mandatos, Dois Presidentes

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Março de 2026.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A cada cinco anos, repetem-se, em Portugal, dois rituais, sempre em datas muito próximas: em meados de Janeiro, elege-se um Presidente da República (ou renomeia-se o existente) e, perto de dois meses depois, o mesmo é oficialmente indigitado em funções. Foi, precisamente, esta última cerimónia que teve lugar na passada Terça-feira, com a entrada oficial no cargo de António José Seguro, sucessor de um Presidente icónico, memorável e com enorme aceitação entre os Portugueses – uma situação extremamente semelhante à vivida, há exactos trinta anos, por Jorge Sampaio.


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O momento da transferência de poderes, em 1996.


De facto, ao assumir a cadeira máxima da política portuguesa, a 13 de Março de 1996, Sampaio tinha pela frente a missão de igualar o trabalho de Mário Soares, cujo segundo termo (obtido por maioria absoluta) tivera início pouco mais de cinco anos antes, a 9 de Março de 1991, e decorrera de forma relativamente calma a nível sócio-económico, graças, em parte, às capacidades de liderança de Soares, ainda hoje justamente recordado como um dos mais icónicos Presidentes da República dos tempos modernos, Tão consensual era o demissionário, aliás, que o referido segundo mandato conseguiu a rara proeza de reunir o consenso dos dois extremos da política nacional, com Soares a ser apoiado tanto pelo PS como pelo PSD.


E porque tentar equiparar-se a tão icónica personalidade era praticamente impossível, que Sampaio logrou, à sua maneira mais discreta, continuar a orientar o País naquele que foi um primeiro mandato bastante calmo, pesem embora alguns sustos a nível da saúde, e que lhe viria a outorgar a confiança para garantir um segundo, sem sequer necessitar de recurso a segunda volta; ao contrário do primeiro, no entanto, este segundo termo ficou marcado, entre outros problemas, pelo desastre de Entre-os-Rios, ocorrido apenas dois dias depois da tomada de posse oficial de Sampaio.


No cômputo geral, no entanto, este foi, também ele, um mandato sem grande 'história', estando o País ainda longe de imaginar o que lhe sucederia, em termos económicos, meros anos depois. Talvez por isso – e pelo carisma e capacidade de liderança dos Presidentes da República de antanho – haja uma parcela tão elevada da população portuguesa desejosa de poder regressar aos simples e descomplicados anos imediatamente anteriores à viragem do Milénio.

Wednesday, 11 March 2026

Segundas de Sucesso/Terças de TV: Trinta e Cinco Anos da 'Lusitana Paixão' de Dulce Pontes

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 09 e Terça-feira, 10 de Março de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Na era anterior ao surgimento de 'Popstar', 'Ídolos' e restantes programas de talentos (e mesmo antes de 'Chuva de Estrelas' se tornar o primeiro representante nacional do género) o Festival RTP da Canção representava o epicentro absoluto das emissões televisivas de cariz musical em Portugal, tanto por conta do seu histórico de contribuições para o cançonetismo nacional como também por decidir o representante anual do País no ainda mais histórico Festival da Eurovisão. Não é, pois, de estranhar que a esmagadora maioria dos vencedores do certame – independentemente da prestação na Europa – lograssem algum sucesso, pelo menos dentro de portas e no imediato. Mais difícil, no entanto, era consolidar essa primeira vaga de popularidade para, a partir dela, construir uma carreira de sucesso – feito que apenas dois dos vencedores da década de 90 conseguiram verdadeiramente almejar. E porque de um desses nomes, Sara Tavares, já aqui falámos anteriormente, resta, agora, debruçarmo-nos sobre a cantora que vencia o certame há exactos trinta e cinco anos: Dulce Pontes, ou, neste caso, apenas Dulce.



Então conhecida, sobretudo, por participações em programas televisivos e peças de teatro, Dulce José Silva Pontes veria a sua vida mudar por completo a 9 de Março de 1991, quando, em directo na RTP, venceria a edição daquele ano do festival com a música 'Lusitana Paixão', a mesma que levaria à Eurovisão, meses depois, e com a qual almejaria o então terceiro melhor resultado de sempre do País na competição, atingindo o oitavo lugar; já no final mesmo ano, voltaria a representar Portugal em outro festival internacional, cantando o tema 'Ao Sul da América' na vigésima edição do Grande Prémio da Canção Ibero-Americana, realizado em Acapulco, no México. Eram os primeiros passos de uma carreira que teria, com naturalidade, o seu inicio 'oficial' no ano seguinte, com o álbum 'Lusitana'; seria, no entanto, no sucessor 'Lágrimas', de 1993, que figuraria o tema que se tornaria sinónimo com Dulce Pontes: 'Canção do Mar', que chegou a fazer parte da banda-sonora de filmes de Hollywood e que serviu de tema de abertura para a série 'Southland', já no Novo Milénio.



Longe de se acomodar com o sucesso obtido, no entanto, Dulce Pontes partiu para uma carreira algo mais 'aventurosa', ousando incorporar influências de fado e outras músicas do Mundo naquele que, a princípio, havia sido um som puramente 'pop', criando assim a sonoridade única pela qual ficaria conhecida. Os discos, esses, surgiriam a um ritmo mais ou menos constante, tendo sido lançados mais dois de originais e um registo ao vivo até final do Novo Milénio, e mais sete nos vinte e cinco anos subsequentes, o último dos quais em 2022, intitulado 'Perfil'. Ao longo da sua ilustre carreira, a cantora teve ainda o privilégio de colaborar com outros grandes nomes da 'world music', como Cesária Évora, Caetano Veloso, Daniela Mercury ou mesmo Andrea Bocelli, ajudando assim a cimentar não só o seu nome como o de Portugal no cenário internacional – e tudo graças a duas músicas, uma das quais cantada há quase exactos trinta e cinco anos por uma jovem e inexperiente actriz, então conhecida apenas pelo seu primeiro nome, que talvez mal sonhasse com as portas que essa participação lhe abriria...


 

Monday, 9 March 2026

Domingos Divertidos: Os Mini-Pianos - Música 'de Bolso'

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Já aqui anteriormente falámos dos instrumentos 'à escala infantil', fossem eles de brincar ou verdadeiramente passíveis de serem tocados por um músico mais 'a sério'. No entanto, existe um exemplar dessa categoria que, por uma razão ou outra, ficou fora de todos os anteriores 'posts' sobre este assunto, pelo que merece que lhe sejam agora, também, dedicadas algumas linhas.


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Falamos dos pianos com livro (ou livros com piano), o tipo de produto que apenas podia existir no auge do período de globalização das peças electrónicas produzidas no Extremo Oriente, que, pela sua acessibilidade e preço 'em conta', passaram de súbito a surgir no interior dos mais diversos tipos de brinquedos, com a finalidade de lhes outorgar funções extra, normalmente luzes ou efeitos sonoros. No caso dos livros com piano dava-se, evidentemente, este último caso, servindo as peças em causa para simular o som de cada nota da escala musical, permitindo a quem usava o mini-piano criar ou reproduzir músicas por via semi-electrónica – função que era auxiliada pelo conteúdo do próprio livro, que não só continha instruções sobre que teclas pressionar para obter a música em causa, como também, muitas vezes, a letra, para que a criança pudesse acompanhar-se a si mesma na voz.


Claro está que a qualidade e robustez destes livro-pianos (ou piano-livros) não era a melhor, e que os mesmos rapidamente seguiam o mesmo destino de outros produtos electrónicos destinados ao público jovem; no entanto, enquanto 'duravam', os mesmos apresentavam um 'charme' muito próprio, e quase irresistível para os jovens aspirantes a músicos da geração 'milennial' que buscassem algo mais complexo que tampas de panela ou cornetas de plástico, merecendo espaço próprio nas páginas deste nosso blog nostálgico.

Saturday, 7 March 2026

Sábados Aos Saltos: 'Andar À Porrada', Um Ritual (Felizmente) Em Extinção

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


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Era quase um ritual de passagem para jovens do sexo masculino: 'fazer peito', trocar 'galhardetes' e, se necessário, partir mesmo para a 'porrada', normalmente por via de murros, pontapés ou luta corpo-a-corpo no chão, sempre rodeado de uma 'claque' de colegas a 'gozar o prato'. E, apesar de este tipo de reacção ser normalmente mais associada aos rapazes, o elemento feminino tão-pouco ficava imune, sendo comum ver duas raparigas engalfinhadas numa luta de estaladas e puxões de cabelo, ou até, no caso das famosas 'maria-rapaz', em despique com um colega masculino, que se via, assim, obrigado a defender a sua honra – afinal, havia poucas coisas tão embaraçosas para um rapaz da época como perder uma luta com uma rapariga...


Sim, a 'porrada' (mais ou menos sincera, sendo muitas provocações mais 'fogo de vista' do que outra coisa qualquer) era parte integrante da vida quotidiana da geração 'millennial', como já o havia sido das anteriores; e, embora não fosse o melhor meio de passar um Sábado aos Saltos (a menos, claro, que os despiques fossem amigáveis e pré-combinados) terá, ainda assim, ajudado a resolver muitas disputas entre amigos e inimigos, e servido para solidificar o estatuto de muitos rapazes e raparigas no seio do seu grupo social – embora, invariavelmente, resultasse também em castigos para quem era apanhado...


Infelizmente (ou talvez felizmente) esse é um paradigma que parece mesmo ter-se alterado com a transição da geração 'millennial' para a Z. Numa era em que a violência é desencorajada, a segurança nas escolas e clubes de actividades muito mais apertada, e os conflitos resolvidos com palavras e na presença de um adulto, é pouco provável que a 'porrada', enquanto rito social, continue a ser prevalente por muito mais tempo. Ainda assim, é difícil acreditar que não continue a haver jovens que, à revelia e longe dos olhares dos adultos, ainda se dediquem a umas boas sessões de 'porrada' 'à moda antiga', numa espécie de 'Fight Club' juvenil; afinal, há aspectos inerentes à natureza humana que nenhuma convenção social pode mudar, e a necessidade de os elementos masculinos se afirmarem junto dos seus pares é certamente uma delas...

Friday, 6 March 2026

Sessão de Sexta: Trinta Anos de Um Jogo Bem 'Real'...

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Os meados da decada de 90 marcaram o auge da carreira de Robin Williams enquanto actor cómico em filmes de família (depois de, na década anterior, se ter afirmado em papéis mais sérios) com uma sequência de êxitos tanto de bilheteira como de crítica, fossem eles animados (como 'Ferngully - As Aventuras de Zak e Chrysta na Floresta Tropical' ou 'Aladdin') ou de acção real (como 'Hook', 'Papá Para Sempre' ou 'Flubber - O Professor Distraído'). Assim, a associação de Williams a um novo filme passou, via de regra, a ser suficiente para despertar o interesse do público jovem, com a vantagem de, normalmente, os sobreditos filmes terem mesmo inegável qualidade, como demonstram os exemplos acima. Não é, pois, de surpreender que a colaboração do actor com o realizador Joe Johnston, embora menos bem recebido pela imprensa especializada, fez sucesso entre o público-alvo, que o elevou, ao longo dos trinta anos subsequentes, ao estatuto de filme de culto, motivando o inevitável 'remake', já na década de 2010.



Falamos de 'Jumanji', um dos melhores exemplos do género do 'realismo mágico' tão popular à época, e que, além de Williams, conta no elenco com David Alan Grier, Bebe Neuwirth e Bonnie Hunt, além de uma jovencíssima Kirsten Dunst, ainda longe do sucesso que almejaria a partir de finais dessa mesma década. É ela, aliás, a catalista de grande parte da trama, como a mais velha de duas crianças, irmãs, que descobrem no sótão da sua nova casa um jogo de tabuleiro mágico, que, quando jogado, traz à vida seres reais – animais e humanos – presos dentro do mesmo por um feitiço. Williams interpreta, precisamente, um destes prisioneiros, um parente das crianças 'engolido' pelo jogo quando tinha a idade das mesmas, em finais dos anos 60, e 'trazido de volta' pelos irmãos, um quarto de século depois. Uma premissa que, apesar de parca em desenvolvimentos – não obstante ser adaptada de uma obra literária – proporciona uma experiência verdadeiramente mágica para o público-alvo (ainda que, por vezes, tecnicamente questionável, como no caso dos macacos expelidos pelo jogo titular) Assim, e conforme já mencionámos, a afeição de uma determinada demografia a este título é tudo menos surpreendente, continuando o mesmo a constituir uma excelente escolha para uma Sessão de Sexta em família.


Foi, também, como resultado deste sucesso que 'Jumanji' se transformou, já no Novo Milénio, de filme único em franquia, recebendo não só uma sequela directa ('Zathura', de 2005) como também um 'reboot' modernizado – o termo Jumanji refere-se, agora, a um jogo de vídeo – que rendeu dois filmes divertidíssimos, encabeçados por Dwayne 'The Rock' Johnson, Jack Black e Karen Gillan; para muitos 'millennials', no entanto, continua a ser o original – que celebrou há poucos dias o trigésimo aniversário da sua estreia nas salas de cinema nacionais, a 01 de Março de 1996 – o favorito de entre os quatro. Independentemente de qualquer preferência individual, no entanto, não há dúvida de que 'Jumanji' justifica plenamente toda a atenção positiva que ainda hoje vai recebendo, mesmo num Mundo (cinematográfico e real) totalmente diferente daquele em que originalmente foi lançado – uma das marcas de um filme verdadeiramente intemporal, adjectivo que encaixa bem na película de Joe Johnston.


Thursday, 5 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma Colecção 'Multi-Facetada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Qualquer português nascido ou crescido durante os anos 90 e 2000 reconhece essa era como sendo o período áureo para brindes oferecidos por produtos alimentares; das batatas fritas da Matutano aos cereais da Kellogg's e Nestlé, passando pelos ovos Kinder, pelos produtos da Panrico e até por fontes menos tradicionais (como iogurtes ou bolachas) eram inúmeras as marcas a procurar 'comprar' a atenção do público jovem através de ofertas mais ou menos extravagantes, que iam de simples cromos a figuras ou até brindes menos ortodoxos, como adereços, reflectores de bicicleta ou mesmo jogos de computador ou livros de banda desenhada. E se nem todas estas promoções atingiam o estatuto icónico gozado pelas mais memoráveis da época, algumas não se poupavam a esforços para pelo menos almejarem os seus 'quinze minutos de fama', sendo um dos melhores exemplos a colecção de que falamos neste 'post', veiculada há quase exactos trinta anos (algures em 1996) por um produto e companhia pouco usuais – o chocolate Twix, da Mars – mas que chegou a 'conquistar' os jovens portugueses aquando do seu lançamento, graças a um conceito e execução cuidados e apurados


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Tratava-se de 'Spacix', nome de uma colecção de cartas tematizadas em torno de extraterrestres inspirados em motivos musicais (e com 'designs' meio 'animados' e bem interessantes), e que oferecia dois grandes pontos de interesse para as crianças e jovens da época: por um lado, o efeito lenticular, que fazia com que as imagens 'mexessem' quando a carta era manuseada de uma certa forma, e, por outro, um típico jogo de 'valores', ao estilo do das populares Super Cartas da Majora ou das posteriores colecções 'Bollykaos' e 'Dragonflash'.


A série reunia, assim, em apenas um produto três dos principais 'chamarizes' para a então jovem geração 'millennial' – um efeito visual 'fixe' (numa era em que tais 'truques' ainda não haviam sido 'abafados' pela revolução digital), a vertente coleccionista e o sempre importante aspecto competitivo, que manteve os 'putos' da época a disputar 'duelos' de 'Spacix' durante os meses posteriores ao seu lançamento. E apesar de, hoje, ser apenas mais uma colecção esquecida pela memória colectiva nostálgica nacional, a verdade é que esta série é intemporal o suficiente para poder ser relançada hoje em dia e cativar os actuais 'miúdos' das gerações Z e Alfa como, há quase exactas três décadas, fez com os seus pais e educadores, merecendo por isso ser mais lembrada pelo seu (hoje adulto) público-alvo.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

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