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Tuesday, 24 June 2025

Segundas de Sucessos: Um Duo de Vozes 'Angelicais'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-Feira, 23 de Junho de 2025.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui, anteriormente, falámos dos Excesso e D'Arrasar, duas das principais 'boy bands' portuguesas; no entanto, aquando desse 'post', deixámos de fora outros dois grandes nomes da música popular vocal da altura – os Millennium (a terceira grande 'boy band' nacional) e a dupla constituída pelos irmãos Rosado (Nélson e Sérgio) sob a denominação Anjos. Numa altura em que estes últimos voltam a estar na ribalta, devido a um processo jurídico movido contra a humorista Joana Marques, nada melhor do que dedicar algumas linhas àquela que continua a ser uma das grandes referências do seu nicho no nosso País.


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Nascidos na Margem Sul do Tejo mas com raízes alentejanas, os irmãos Rosado desde cedo principiaram a seguir o seu sonho, tendo ingressado na Academia de Música ao completarem sete anos, e dado o seu primeiro espectáculo pago quando o mais velho dos dois, Nélson, contava apenas doze anos, e o irmão apenas oito. Por essa actuação – a primeira de muitas – receberam quinze mil escudos, uma autêntica 'fortuna' para 'putos' dos anos 80, e que servia como uma espécie de antevisão do que o futuro reservava aos dois.


Ainda assim, os futuros Anjos não 'embandeiravam em arco', e continuavam a conciliar a música com a escola e o futebol, sem, no entanto, deixarem de 'agarrar' qualquer oportunidade que surgisse para mostrarem o seu talento. Foi esta abordagem que lhes permitiu, já no final da adolescência, em 1996, participar no programa 'Lugar Aos Mais Novos', da Rádio Renascença e, no ano seguinte, na 'Casa dos Artistas' da RTP, saindo vencedores de ambos – mais um augúrio auspicioso para o que esperava os irmãos a breve trecho.



Após este sucesso enquanto dupla, Nélson e Sérgio ingressaram nos Sétimo Céu, uma tentativa de 'concorrente' a Excesso e D'Arrasar que não deu certo, durando menos de um ano. Longe de se deixarem desanimar, os dois irmãos viram este percalço como uma oportunidade para, mais uma vez, trabalharem como dupla, dando oficialmente e definitivamente início ao percurso dos Anjos no panorama musical português, corriam os últimos meses do Segundo Milénio. Era a convite de uma produtora nacional que a nova dupla – cujo nome remetia a uma 'alcunha' dada aos jovens pela sua avó – surgia na 'cena' popular nacional, e seria também, quiçá, essa ligação a permitir aos irmãos gravar o primeiro álbum, 'Ficarei', logo nesse ano de 1999, estabelecendo desde logo a sua fórmula assente na 'pop' romântica, com ênfase nas vozes dos dois integrantes. Ainda antes do final do Milénio (embora já nas últimas semanas do mesmo) o álbum viria a ser relançado com uma música adicional – o mega-sucesso de Natal 'Noite Branca', em que Sérgio e Nélson Rosado surgiam em dueto com a cantora Susana.


Estava dado o mote para (à data deste 'post') duas décadas e meia de carreira, nem sempre com tanto sucesso como naqueles primórdios, mas sempre com uma audiência cativa e pronta a 'apadrinhar' cada novo lançamento da dupla, o último dos quais remete já a 2022. Ainda assim, os Anjos continuam a usufruir de fama suficiente para serem convidados a cantar o hino nacional no início de eventos – privilégio que está na base do actual processo movido a Joana Marques, e que se vai, desde Julho de 2024, 'arrastando' em tribunal. Qualquer que seja o resultado do mesmo, no entanto, o impacto dos Anjos no panorama da música romântica em português está estabelecido, e dificilmente poderá ser negado, merecendo-lhes o destaque nesta nossa rubrica dedicada a artistas musicais nostálgicos.

Monday, 11 November 2024

Segundas de Sucessos: Os 25 Anos de Carreira de David Fonseca

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Um dos primeiros 'posts' musicais deste nosso blog versava sobre os Silence 4, ainda hoje quiçá o maior e mais reconhecível 'one-hit wonder' da História da música portuguesa – pelo menos, se descontarmos certos artistas 'pimba'. Nada mais justo, portanto, do que celebrar, esta Segunda-feira, o seu vocalista, David Fonseca, que comemora por estes dias os seus vinte e cinco anos de carreira a solo, numa iniciativa que dura já desde o ano passado.


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Originalmente conhecido como membro dos Silence 4, que 'estouravam' no Verão de 1998 com o lendário 'Silence Becomes It', David já nessa altura se destacava pelo seu timbre original e único, algures entre um Rui Reininho com menos arroubos e trejeitos e algum vocalista do movimento 'new wave' e gótico da década anterior. Foi, portanto, com naturalidade que, após o fim do grupo em causa (em 2001, quando já pouco mais eram do que uma memória distante na consciência popular portuguesa) o vocalista tenha mesmo decidido seguir carreira a solo, a qual se iniciava dois anos depois com 'Sing Me Something New'. Seguir-se-iam um EP, um álbum de 'sobras', oito álbuns 'normais' e outros tantos de Natal, estes últimos lançados anualmente entre 2009 e 2016, com direito a 'dose dupla' em 2015.


A sonoridade desta nova fase alicerçava-se numa base ainda mais 'pop' que os Silence 4, ainda que numa vertente mais de 'cantautor', aproveitando o multi-instrumentalismo do músico. Não é, pois, de surpreender que as suas canções melodiosas e agradáveis tenham 'caído no gosto' do grande público ao longo dos últimos vinte anos, como já o haviam feito as do seu grupo original, ainda no Segundo Milénio. Parabéns pelo marco, David, e que venham mais vinte e cinco!

Monday, 25 December 2023

Segundas de Sucessos (de Natal): 'As Mais Belas Melodias de Natal' - Uma Bizarrice Esquecida

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui anteriormente referimos como o conceito de 'disco de Natal' faz parte daquele leque de edições que permitem, com relativamente pouco esforço e investimento, retirar lucros consideráveis; afinal, quem não gosta de dar à sua quadra festiva uma banda-sonora adequada, recheada daqueles mesmos clássicos intemporais já de há muito entrados no domínio público e, como tal, disponíveis praticamente de graça? Com isto em mente, não é de admirar que se continue a assistir a uma verdadeira 'avalanche' de edições deste tipo a cada novo mês de Dezembro, algumas com 'roupagem' ligeiramente mais atractiva, ou até mesmo licenciada, mas a maioria constante de uma selecção dos mesmos temas e artistas associados desde há décadas à época do Natal.


Um dos mais curiosos exemplos deste tipo de disco foi o disponibilizado pela marca de electrodomésticos Teka e pela revista de 'fofocas' e programação Nova Gente em inícios dos anos 90 - presumivelmente, como parte de uma promoção ou oferta na compra da revista durante a quadra em causa.


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Simplesmente e singelamente intitulado 'As Mais Belas Melodias de Natal', e com grafismo tão genérico quanto o título, trata-se de uma colecção de oito temas natalícios, com uma duração aproximada de apenas vinte e cinco minutos, na qual se misturam temas mais tradicionais com as habituais interpretações 'jazz' ou 'swing' de Bing Crosby, Doris Day e Frank Sinatra que tendem a monopolizar a programação das rádios durante este período. De singular ou único, só mesmo os enormes logos da Teka e Nova Gente impressos na capa, e que não deixa esquecer a origem nem a empresa responsável pela existência do disco - uma jogada de marketing que não deixa de ser inteligente, pese embora a natureza pouco impressionante ou memorável da edição em causa.


Talvez tenha sido essa mesma falta de 'algo mais' que fez com que 'As Mais Belas Melodias de Natal' se perdesse por completo nas 'brumas do tempo' nas três décadas desde o seu lançamento, sendo este um daqueles produtos que apenas conhecemos devido à habitual entrada no Discogs.com, aos ocasionais leilões do mesmo no OLX e por, ainda hoje, continuar a existir uma cópia na casa familiar do autor que vos escreve. Algo de estranhar, apenas, pela proveniência do disco em causa, uma daquelas 'bizarrias' que costumam dar a produtos funcionais, mas perfeitamente anónimos, um estatuto um pouco mais de culto - algo que, infelizmente, parece não se ter passado com este CD da Teka e Nova Gente, cuja memória se encontra, até agora, apenas verdadeiramente preservada pelo 'post' que acabam agora de ler.

Saturday, 18 December 2021

Sextas de Sucessos (de Natal): A Música de Natal dos Anjos

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2021.


NOTA: Os posts desta Sexta e da próxima Segunda-feira foram intencionalmente trocados, por razões que esclareceremos dia 20. Assim, neste post falaremos de música, ficando os filmes para o post de segunda.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas (e ocasionalmente às sextas), exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Nos países anglófonos, a música de Natal é uma verdadeira indústria, que subsiste há décadas às costas dos mesmos dez ou quinze 'clássicos' (Mariah Carey, Live Aid, Slade, Elton John, Wham!, Kylie Minogue e quejandos) que revende, ano após ano, a um público que nunca parece cansar-se deles. E embora sejam muito poucos os países que sequer tentam emular esta fórmula, a maioria tem as suas próprias 'concorrentes' neste campo, ainda que não na quantidade produzida pelos EUA ou o Reino Unido.


Portugal não é excepção neste campo, sendo que a principal música que quase define esta época no nosso país é a já mitica 'A Todos Um Bom Natal', na interpretação do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras, música tão omnipresente que a epoca natalícia nacional não parece começar verdadeiramente até a ouvirmos como música de fundo de um qualquer anúncio, ou da ida semanal ao supermercado; no entanto, nos anos 90, foi feita uma tentativa declarada de desafiar a hegemonia desta faixa, por parte de um grupo de artistas do mundo da pop - no fundo, uma espécie de 'Christmas Tree Farm' à portuguesa, alguns anos antes de sequer se ter ouvido falar de Taylor Swift.



O grupo em causa eram os Anjos, o duo de irmãos que, a par dos Milénio, se afirmou como digno sucessor dos pioneiros Excesso e D'Arrasar no trono das 'boy bands' à portuguesa (e no coração das adolescentes nacionais); a música, gravada em 1999, no auge do sucesso do grupo, chamou-se 'Nesta Noite Branca', e juntou os irmãos Nélson e Sérgio Rosado à cantora Susana, num tema que reveste a típica sonoridade 'boyband-pop-pimba' do duo de alguns motivos mais natalícios - uma escolha estilística bastante comum neste tipo de composição, e que serve como identificador para o facto de que se trata de uma música de Natal.


O resultado final soa como uma espécie de mistura entre o 'Last Christmas' dos Wham! (muito por conta da melodia vocal em tom delico-doce dos dois irmãos, bastante próxima da que George Michael e Andrew Ridgeley usaram para esse tema) e uma qualquer faixa instrumental de acompanhamento dos Backstreet Boys, com os exercicios vocais de Susana a darem aquele 'toque Mariah Carey' que nunca pode faltar em músicas de Natal. Ou seja, a faixa reúnia todos os argumentos para se tornar num clássico dos Natais portugueses das décadas subsequentes - algo que, como sabemos hoje em dia, acabou por nunca acontecer.


A razão para 'Nesta Noite Branca' não ter vingado enquanto clássico de Natal 'cheesy' nunca ficou cem por cento clara - talvez a composição simplesmente não fosse forte o suficiente (que não é), ou talvez o facto de ter sido gravada por um grupo com 'prazo de validade' limitado tenha acabado por a condenar ao esquecimento. Seja qual for o motivo para o falhanço comercial e cultural da música, no entanto, o mesmo não pode ser negado - tanto assim que, para sequer saber da existência desta música uns meros 22 anos depois de a mesma ter sido gravada, é preciso recorrer a um post único num blog nostálgico que gosta de 'desenterrar' perolazinhas 'de época' destas (à laia de comparação, 'Last Christmas' completa este Natal 37 anos, 'Merry Xmas Everyone' tem mais quatro, 'All I Want For Christmas Is You' menos dez, e a maioria das outras faixas 'perenes' da época natalícia leva já quase sete décadas de rotação constante nesta época do ano!)


Ainda assim, se a música dos Anjos teve algo de positivo, foi o facto de provar que, sim, em Portugal também se sabem escrever canções de Natal que não apenas 'A Todos...'; pena, pois, que a única composição 'pop' a ousar aventurar-se nesse mercado durante várias décadas tenha sido um tema bubblegum-pop fraquinho, gravado por um grupo descartável e sem refrão que se (ou)visse...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...