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Monday, 14 September 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Printemps - Um 'Luxo' de Loja

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 11 e Sábado, 12 de Setembro de 2026.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

O final dos anos 80 e inícios dos 90 foi uma época áurea para o surgimento em Portugal de cadeias internacionais, que aproveitavam a maior abertura do País para o Mundo (resultante da adesão à CEE, em 1985) para o incluírem nos seus esforços de expansão internacional. Uma dessas cadeias juntava-se aos vários outros exemplos desta tendência há pouco mais de trinta e cinco anos (em Maio de 1991, pouco depois da sua assimilação ao grupo Pinault-Printemps-Redoute), assentando 'arraiais' no local por excelência para este tipo de lojas à época - o icónico CascaiShopping, nos arredores de Cascais, na Grande Lisboa, onde rapidamente se tornaria loja de referência e motivo para visita.

Com foco tanto em moda como em decoração e naquilo a que se viria a chamar 'lifestyle', a Printemps afigurava-se perfeita para o público daquela zona, sempre atento a novas tendências e com gostos sofisticados aliados a algum poder de compra – precisamente a demografia a que a cadeia francesa ainda hoje aponta. Assim, não é de admirar que a loja (que, ao contrário do que é habitual, permaneceria única em Portugal) lograsse prosperar durante toda a década final do século XX, vindo a fechar apenas já perto do dealbar do Novo Milénio, numa altura em que o CascaiShopping perdera a sua 'aura', derivado da abertura, em Lisboa e Porto, de novasgrandes superfícies comerciais.

Ainda assim, durante os quase exactos oito anos que passou em Portugal, a Printemps foi capaz de marcar época junto da sua demografia-alvo, afirmando-se como mais uma das lojas que certa parcela da geração 'millennial' portuguesa (embora não toda) guarda com afeição na sua memória colectiva, e merecendo portanto plenamente este destaque nas páginas do nosso blog.

Tuesday, 19 May 2026

Terças de TV: Trinta Anos de Uma Merecida Homenage

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Mesmo em meados dos anos 90, a carreira de Herman José já dispensava apresentações; com, à época, mais de uma década de presença assídua na televisão e teatro portugueses (primeiro como actor cómico e, mais tarde, também como apresentador de variedades) o carismático luso-alemão era já 'companhia' apreciada nas tardes da grande maioria dos portugueses. Não é, pois, de admirar que, em 1996, aquela que até então havia sido a sua emissora de sempre lhe decidisse prestar homenagem, sob a forma de um programa retrospectivo da sua carreira, que se haveria de chamar 'Herman Total'.

Capa da compilação em VHS.

Estreado há exactos trinta anos – em Maio de 1996 – 'Herman Total' distinguia-se das habituais produções com o nome do humorista associado pelo seu cariz documental. De facto, apesar de as rábulas e 'sketches' de Herman marcarem presença (algo inevitável para um programa associado ao humorista) as mesmas serviam propósitos puramente 'de arquivo', surgindo entremeadas com entrevistas a figuras ligadas a Herman e números musicais regravados por artistas como Rui Veloso ou Pedro Abrunhosa, naquela que era uma tentativa declarada (e bem sucedida) de homenagear o humorista luso-alemão através de uma montagem dos seus melhores e mais icónicos momentos.

Os esforços da RTP não se ficariam, no entanto, pela mera exibição deste trabalho na sua grelha, sendo que, três anos depois (já ao cair do pano do Segundo Milénio) a emissora, em parceria com a Lusomundo, lançaria o programa em formato VHS, espalhado por um total de quatro volumes, ajudando assim a preservar e eternizar fisicamente a memória não só do trabalho, como da carreira do seu protagonista até então. Quanto a Herman, a sua carreira prosseguiria de vento em popa, podendo o mesmo ser, até hoje, visto nos ecrãs nacionais, precisamente com o mesmo tipo de presença, material e relação com o público-alvo que mantém há quase cinquenta anos; oportunidade perfeita, talvez, para 'actualizar' a homenagem de 1996 e, três décadas depois, efectivar uma segunda série de 'Herman Total'?

Monday, 18 May 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos de Uma Pensão Bem 'Animada'

 Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

A comédia inglesa das décadas de 70 e 80 – a chamada 'Britcom' – é ainda hoje tida como um dos melhores exemplos de sempre de como escrever séries de humor para televisão, não sendo, pois, de admirar que um sem-número de programas desse movimento tenha servido de inspiração para adaptações localizadas em outros países. Portugal não foi excepção nesse sentido, tendo sido vários os exemplos de 'Britcoms' 'aportuguesadas' a passar na televisão portuguesa durante as décadas de 80 e 90 – como é o caso da série que focamos esta Segunda-feira, quase exactos trinta anos após a sua estreia na SIC.

Era, de facto, a 17 de Maio de 1996 que pela primeira vez ia ao ar 'Pensão Estrela', a versão lusitana da inglesa 'Rising Damp', sobre um grupo de habitantes de uma pensão, e as peripécias em que os mesmos se envolvem – um tema, curiosamente, já explorado em várias outras séries nacionais da mesma década, mas que continuava a dar 'pano para mangas' no tocante a situações humorísticas. E, como era apanágio das comédias televisivas da época, também esta 'Pensão' contava com uma lista de 'hóspedes' de luxo, tendo à cabeça José Raposo (no papel do senhorio com o mesmo apelido) e como inquilinos Ana Bustorff, Ângelo Torres e Marco Horácio, com suporte a surgir da parte de veteranos como Adriano Luz, Carla Andrino ou Helena Laureano, entre outros actores bem 'versados' na arte de fazer rir.

Apesar destes consideráveis argumentos, no entanto, 'Pensão Estrela' acabou por não se afirmar tão memorável quanto outras séries do mesmo tipo, tendo-se 'perdido' entre a vasta oferta da época e encontrando-se, hoje, algo 'Esquecida Pela Net', com apenas a sinopse e alguns dados técnicos a estarem disponíveis em páginas online (e, por vezes, incorrectos, com uma fonte a apontar a série como tendo passado em 1995) e nem sequer um breve trecho disponível no YouTube. Ainda assim, para fãs de comédias situacionais que queiram ver um 'Fawlty Towers' à portuguesa, esta poderá ser mais uma boa proposta para recordar numa tarde chuvosa em que bata mais a 'nostalgia'...

Friday, 10 October 2025

Quintas no Quiosque: A Revista 'Lux' - Um 'Clone' de Sucesso

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 9 de Outubro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes referimos o salutar estado da imprensa portuguesa nos anos 90, que permitia não só a existência de publicações por vezes até demasiado especializadas, como a sã concorrência de vários periódicos centrados no mesmo campo de interesse, como o automobilismo (cuja multiplicidade de revistas aqui terá, em tempo, o seu espaço), o motociclismo, os jogos de computador e consola, a informática, ou, como no caso a que este 'post' se refere, o chamado 'lifestyle', ou em bom português, a 'imprensa cor-de-rosa'.


Isto porque, a um mercado já ocupado e dominado pela 'Caras', 'VIP' e pela pioneira e decana espanhola 'Hola', os primeiros meses do Novo Milénio veriam ainda ser acrescentado mais um título, de grafismo, conteúdos e abordagem em tudo semelhantes às suas antecessoras, mas que, mesmo com essa marcada falta de originalidade, conseguiu ainda assim encontrar público suficiente para reclamar a sua parcela dentro do mercado das revistas sobre celebridades e 'jet-set'.


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Falamos da revista 'Lux', cujo número inaugural surgia nas bancas portuguesas em Maio de 2000, apoiado por uma forte campanha de 'marketing' (ou não fosse editada pela Media Capital) e pronto a 'bater de frente' com as concorrentes e a enfrentá-las 'cara a cara'. E a verdade é que, apesar de não apresentar rigorosamente nada de novo em relação a qualquer das ditas-cujas, a publicação então encabeçada pelo casal Carlos e Conceição Pissarra – ambos veteranos do meio 'cor-de-rosa', com passagens pela 'Activa' e 'Cosmopolitan', além da concorrente 'Caras' - foi, ainda assim, acolhida de braços abertos por uma demografia para quem as entrevistas e rumores sobre personagens do 'jet-set' – devidamente acompanhadas das habituais fotografias de luxuosas vivendas e famílias felizes, destinadas a provocar tanto o deslumbre como a inveja – nunca eram a mais.


Tanto assim que, antes do final do ano, a 'Lux' se viu em posição de expandir a sua proposta, lançando publicações dedicadas à decoração de interiores e aos problemas femininos, intituladas 'Lux Deco' e 'Lux Woman', respectivamente, e que foram quase tão bem recebidas como a original. Qualquer das três se mantém, aliás, até hoje nas bancas portuguesas, com a sua longevidade a constituir atestado mais que suficiente ao facto de que, se tiver qualidade e cuidado evidente e der ao público-alvo o que este procura, até um produto mediático totalmente derivativo pode constituir uma história de sucesso.

Friday, 26 September 2025

Quartas de Quase Tudo: Um Casamento Real 'À Portuguesa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Até bem recentemente, com o casamento de Kate Middleton com o Príncipe William de Inglaterra, o termo 'casamento real' era quase sinónimo com o anterior matrimónio no seio da Família Real inglesa – o casamento de Carlos e Diana, levado a cabo com pompa e circunstância na histórica Abadia de Westminster, em Londres, em 1984. E porque Portugal não leva a bem ficar atrás de qualquer outro país da União Europeia, a década seguinte veria o nosso País tentar realizar a sua própria versão ´à portuguesa' do evento, com o habitual atraso de vários anos, uma fracção do orçamento e da atenção, nenhumas implicações políticas e de governação (à entrada para o evento, poucos eram os que sabiam que Portugal sequer tinha um rei), e os Jerónimos a 'fazer' de Westminster. O resultado, previsivelmente, foi bem menos memorável que a versão original, pese embora persista ainda na memória dos portugueses nascidos até finais da década de 80.


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Isto porque, brincadeiras à parte, o casamento de D. Duarte Pio, Duque de Bragança, com Isabel de Herédia foi suficientemente grandioso para justificar o acompanhamento televisivo, e o significativo 'share' de audiência que o mesmo conseguiu – afinal de contas, é muto difícil à maioria dos seres humanos (e decididamente aos portugueses) conseguirem resistir a uma boa cerimónia. Assim, terão sido inúmeros os jovens lusitanos que acompanharam em directo o acontecimento, através da RTP, certamente sintonizada por um qualquer familiar mais velho. E embora quase nenhum deles soubesse, até àquele momento, quem era ou que título tinha D. Duarte Pio (um rei nunca oficialmente empossado, e cujo nome não figura, subsequentemente, nos livros de História) o ar bonacheirão e radiante do mesmo ao lado da nova esposa (fazendo lembrar um tio-avô simpático e brincalhão) ajudou a que muitos simpatizassem de imediato com o monarca, e passassem a acompanhar o seu 'trajecto' rumo a um final feliz ao lado da nova Duquesa.


E a verdade é que tal se veio mesmo a verificar, com o casal a permanecer junto até aos dias de hoje, trinta anos depois, e a dar à luz três filhos, cujos nomes intermináveis, com quatro nomes próprios e outros tantos apelidos, chegou a ser 'meme' corrente no Portugal da época: os infantes Afonso e Dinis e a infanta Maria Francisca, ela própria recentemente casada. Apesar de ser muito pouco provável, senão impossível, que Portugal volte a ser uma monarquia, caso isso aconteça, a sucessão está, assim, bem assegurada, como resultado de um processo que se começou a delinear numa tarde de fim-de-semana de Primavera, há já mais de trinta anos, e cujo primeiro passo colou grande parte do País ao ecrã de televisão, para presenciar uma efeméride então inédita no seu tempo de vida, e cujos efeitos perduram até aos dias de hoje.

Thursday, 8 June 2023

Quintas no Quiosque: Vinte e Cinco Anos de 'Super Interessante'

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A natural curiosidade e espírito inquisitivo inerentes à maioria das crianças e jovens tendem a fazer de campos como a ciência e a tecnologia pontos de interesse durante a fase de desenvolvimento e maturação do ser humano moderno, independentemente da sua proveniência ou da época em que tenha vivido. Assim, não é de espantar que uma publicação dedicada a transmitir informações sobre os últimos desenvolvimentos neste campo, de forma simples, compreensível e atractiva, tenha captado a atenção das faixas demográficas mais novas aquando do seu aparecimento, no dealbar da era da Internet.


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Falamos da 'Super Interessante', a adaptação portuguesa da revista brasileira do mesmo nome (também ela bastante famosa) surgida há quase exactamente um quarto de século (em Abril/Maio de 1998) pela mão de Carlos Madeira e do Grupo Impresa, um dos nomes maiores no campo do 'publishing' e dos periódicos em Portugal. Com grafismo e proposta editorial exactamente semelhantes ao da 'irmã mais velha', a revista trazia (e continua a trazer) mensalmente às bancas uma variedade de artigos focados, sobretudo, na ciência e tecnologia, mas cujo espectro se alargava a campos como o da sociedade, cultura e até natureza; no entanto, é inegável que foi o foco nas duas primeiras vertentes (à época menos exploradas nas bancas portuguesas) a principal razão do sucesso da revista, que celebra este ano a marca de vinte e cinco anos de publicação ininterrupta – um marco ainda mais impressionante tendo em conta o rápido declínio e extinção da imprensa escrita tradicional!


Mais - em relação aos primeiros exemplares impressos naquele já longínquo ano de 1998, a 'Super Interessante' actual difere apenas na casa editorial, que é agora a G+J Portugal, uma subsidiária da Motorpress anteriormente conhecida como All Media, e que tomou as rédeas da publicação em 2018. De resto, a proposta é exactamente a mesma, e – presumivelmente – continua a encontrar o seu público, prova de que, por vezes, não são necessárias grandes inovações ou truques de 'marketing' para fazer vingar uma publicação – basta uma linha editorial coerente e conteúdos de qualidade, como os que esta revista continua a oferecer aos seus leitores mês após mês.

Wednesday, 18 May 2022

Quartas de Quase Tudo: O Pirilampo Mágico

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


O mês de Maio tem tido, para as crianças e jovens portugueses das últimas décadas, um significado muito especial; isto porque – à excepção do atípico 'ano pandémico' de 2021, em que o mês escolhido foi Outubro - é neste mês que chegam às superfícies comerciais (e, por vezes, companhias privadas) uns simpáticos bicharocos arredondados, de antenas e olhos esbugalhados, prontos a serem levados para casa e a morarem na prateleira.


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Sim, falamos do Pirilampo Mágico, a mascote introduzida pelo grupo de instituições de caridade CERCI (sigla para Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas), em 1987, e cuja venda contribui directamente para ajudar as crianças com deficiências mentais. Originalmente revestido de peluche, e mais recentemente em borracha, o Pirilampo atravessa décadas, séculos, milénios e gerações relativamente imutável – para além do material de revestimento, a maior inovação registada foi mesmo o uso de duas cores, também em anos recentes – e sempre com um público cativo, pronto a adicionar mais um dos bicharocos à sua colecção.


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A versão mais recente do Pirilampo, com o corpo em borracha


Apesar deste carácter mais ou menos 'eterno', no entanto, não há dúvida de que foi na primeira década da sua existência que o Pirilampo teve a sua fase áurea, sendo provável que provenham dese período a maioria das memórias nostálgicas associadas à mascote das CERCI. Quem era de uma certa idade naqueles finais dos anos 80 e início ou meados dos 90 certamente se recordará de, anos depois, abrir uma gaveta e de lá de dentro 'saltar' um Pirilampo, pensado perdido após substituição pelo 'irmão' mais novo; ou talvez a memória seja de uma fila de Pirilampos de diferentes cores alinhados na prateleira, cada um com a característica fita branca com o logo das CERCI a servir-lhe de cauda. Seja qual fôr a lembrança, é quase certo que esta existe, pois havia pouco quem, à época, não adquirisse o bicharoco, senão anualmente, pelo menos com alguma regularidade.


Prova do 'estado de graça' do Pirilampo durante aqueles primeiros dez ou quinze anos era, também, a existência de diversos temas oficiais da campanha, sempre cantados por algumas das principais celebridades nacionais do respectivo ano. Estes temas chegaram, aliás, a sair em disco, primeiro em 1993 (disco que reúne a 'nata' dos grupos vocais infantis portugueses da época, com Ministars, Onda Choc e Popeline a marcarem presença nos três temas da 'cassette', ao lado de nomes como Toy, Paco Bandeira, Dulce Pontes, Marco Paulo ou Carlos Alberto Moniz) depois em 1999 (em que o CD-Single continha, como 'lado B', uma versão em 'rap' do tema, intitulada 'Pirilampo Rap'!) e, finalmente, em 2006, em comemoração antecipada dos vinte anos da campanha; resta saber se, numa altura em que se celebram exactos vinte e cinco anos sobre o nascimento da mascote, voltará a ser distribuído (agora, provavelmente, em 'streaming') alguma nova versão da música oficial da mesma...



Medley de todas as músicas do Pirilampo Mágico, da sua criação até ao ano 2000.


Seja qual fôr o caso, no entanto, é inegável que o Pirilampo Mágico constitui já parte indelével não só da cultura e calendário portugueses, como das memórias de infância de, pelo menos, duas gerações - e, tendo em conta a colaboração com a Microsoft e o Banco Montepio na campanha Building the Future, em 2021, esse paradigma não parece vir a alterar-se nos próximos anos; aos 35 anos, o Pirilampo está vivo, recomenda-se, e continua tão Mágico como sempre...


 

Friday, 13 May 2022

Sessão de Sexta: 'O Mentiroso Compulsivo' (1997)

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O cinema dos anos 90 foi frutíferos, acima de tudo, para actores de três géneros específicos: o romance, a acção e a comédia. E enquanto que Richard Gere, Brad Pitt, Johnny Depp e Leo DiCaprio arrasavam corações, e Bruce Willis, Stallone, Schwarzenegger e Van Damme arrasavam 'mauzões', no campo da comédia, agigantavam-se dois nomes: Robin Williams e Jim Carrey.


Em lados opostos do espectro de carreira – um já veterano de duas décadas, o outro ainda a lançar carreira – estes dois homens travaram, ao longo da década, uma fascinante batalha pela supremacia no campo da comédia 'mainstream' juvenil, a qual rendeu ao mundo do cinema alguns dos melhores exemplos de sempre do género; e enquanto Robin conquistava o público alvo com o seu trabalho de voz em 'Aladdin' e 'Ferngully', além de filmes como 'Papá Para Sempre', 'O Fabricante de Sonhos' ou 'Flubber - O Professor Distraído', Carrey utilizava da melhor maneira a sua impressionante elasticidade facial para dar vida a desenhos animados 'de carne e osso', em filmes como 'Doidos Á Solta', 'A Máscara', 'Batman Para Sempre' ou o binómio de filmes de Ace Ventura.


Desenrolava-se, assim, uma batalha fascinantemente 'taco a taco', que coincidiu até mesmo nos seus pontos mais fracos, tendo ambos os actores visto os seus filmes menos memoráveis serem lançados no mesmo ano, 1997. Mas se o referido 'Flubber', de Robin Williams, rapidamente cairia no esquecimento, a contribuição de Jim Carrey afirmar-se-ia, ainda assim, como um pouco mais memorável.


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Não, não existe imagem melhor do cartaz português do filme (crédito da imagem: Wook)


Prestes a completar vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal (a 16 de Maio de 1997), 'O Mentiroso Compulsivo' destaca-se hoje em dia, sobretudo, por ter marcado o final da 'fase cómica' da carreira de Carrey, tendo o actor procurado, em filmes subsequentes, diversificar o seu leque de géneros, com resultados surpreendentemente favoráveis; aqui, no entanto, o comediante surge ainda firmemente apoiado nas bocas, expressões e caretas que o haviam tornado conhecido, e que faziam, à época, o gáudio do público-alvo. No papel do titular mentiroso compulsivo – um advogado a quem um desejo de aniversário do filho obriga a apenas dizer a verdade durante 24 horas – Carrey tem inúmeras oportunidades para utilizar todo o seu repertório de expressões faciais, bem como os restantes truques no seu arsenal, das vozes aos gestos exagerados; pena é que o filme não seja suficientemente bom para dissipar a sensação de que a performance de Carrey nada mais é do que 'mais do mesmo', e que mais valia estar a ver novamente qualquer dos outros filmes do actor lançados até essa altura da década.


De facto, embora ainda hoje seja frequentemente exibido na televisão portuguesa, e esteja disponivel no Netflix europeu, 'Liar Liar' (o título original do filme) não é particularmente memorável, sendo até um pouco 'piroso' e sentimental, como só os filmes de família dos anos 90 o sabiam ser; comparado com a restante obra de Carrey, fica a faltar à obra de Tom Shadyac aquela sensação de anarquia e imprevisibilidade que o actor sempre trazia a qualquer um dos seus papéis. Como despedida do actor do mundo da comédia familiar, é, certamente, bem menos do que o mesmo merecia, e dá até algumas indicações sobre as razões que o levaram a afastar-se deste género – por sinal, no momento certo, justamente quando se arriscava a ficar, para sempre, 'preso' a um tipo de papel.


Em suma, na filmografia de Jim Carrey, 'O Mentiroso Compulsivo' perde-se entre as referidas obras-primas da comédia noventista e os não menos bem-conseguidos dramas que se lhes seguiram (e dos quais aqui paulatinamente falaremos), e só mesmo a efeméride do aniversário da estreia justifica que lhe sejam dedicadas estas linhas - isso e o facto de, à época, o filme ter (por qualquer razão inescrutável) sido pretexto para a oferta de um calendário de bolso na revista 'Super Jovem', que, ainda hoje, talvez seja a melhor coisinha associada a esta descartável comédia...



O YouTube não tem o 'trailer' em português, mas pelo menos tem os 'bloopers'...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...