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Thursday, 13 June 2024

Quartas de Quase Tudo: Os 'Clássicos Disney' em Livro e Cassette

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 12 de Junho de 2024.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Em finais dos anos 80 e inícios da década seguinte, com o advento e posterior expansão de tecnologias como os leitores de cassettes áudio portáteis, assistiu-se ao aparecimento e difusão de um novo e popular formato de literatura infanto-juvenil, que juntava um livro a uma cassette áudio, por vezes com uma simples narração do texto do livro, em outras com uma adaptação livre e expandida da história ali contida – o chamado, em Inglês, 'read-along'.


Em Portugal, as primeiras tentativas de implementar este novo formato deram-se ainda em finais dos anos 80, com as quadrilogias 'A Aldeia das Amoras' e 'Histórias e Canções em Quatro Estações' – curiosamente, ambas de temática sazonal, e a segunda com textos de autores como Maria Alberta Menéres ou Alice Vieira – cujo sucesso entre a demografia-alvo não tardou a motivar novas edições do mesmo estilo, de entre as quais se destaca uma colecção que fazia uso de uma poderosa licença para chamar a atenção das crianças da época.Falamos da série de livros vulgarmente conhecida apenas como 'Os Clássicos Disney', que a maioria dos jovens 'X' e velhos 'millennials' portugueses conhecerão, não tanto pelo nome, mas pelo distintivo formato quadrangular e com os desenhos da capa emoldurados por um bloco de cor garrida – verde, amarelo, cor de laranja, vermelho ou azul.


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Alguns dos volumes da colecção, com as respectivas cassettes áudio.


De data de edição, infelizmente, perdida no tempo – situando-se algures entre finais da década de 80 e os primeiríssimos anos da seguinte – esta apelativa colecção 'esticava' ao máximo o conceito de 'clássico', emparelhando histórias, sem dúvida, merecedoras desse epíteto – quer retiradas directamente dos filmes da companhia, quer do repertório popular de contos – com outras menos conhecidas, ou até criadas especificamente para a colecção, que conseguia assim chegar às duas mãos-cheias de títulos. Mais ou menos conhecidos, no entanto, todos os contos integrantes da colecção recebiam um tratamento áudio cuidado, com direito a vozes e efeitos sonoros distintos, e com o selo de qualidade outorgado pela licença Disney, criando assim um excelente complemento à vertente escrita, para quando não 'apetecesse' ler. Esta dualidade, aliada ao poderio das personagens criadas por Walt Disney, ajudava ainda a assegurar o interesse por parte do público-alvo, levando a que a colecção em causa marcasse presença nos quartos de muitas crianças da época, sobretudo os das mais adeptas à leitura.


E se, nos dias que correm, o conceito de um 'áudio livro' em formato físico – e acompanhado de um livro propriamente dito – parece quase pitoresco, a verdade é que estes e outros livros do mesmo formato marcaram época, e terão tido a sua parte a cumprir na missão de encorajar todo um conjunto de portugueses de uma certa faixa etária a ler – o que, só por si, já lhes valeria a presença nestas páginas. O facto de se tratar de uma colecção relativamente icónica é apenas a cereja no topo de um 'bolo' que, mesmo totalmente obsoleto, talvez ainda conseguisse, com os devidos ajustes, apelar à juventude de hoje em dia...

Tuesday, 28 June 2022

Terças de TV: 'A Roda da Sorte'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


As adaptações portuguesas de formatos de concurso concebidos no estrangeiro não é nada de novo – pelo contrário, esta prática constitui a base da indústria para este tipo de programa desde há já várias décadas. Os anos 90 não foram, de todo, uma excepção à regra nesse particular, tendo rendido diversos exemplos de maior ou menor sucesso, dos mais efémeros (como 'A Amiga Olga') aos absolutamente icónicos, como 'O Preço Certo' ou aquele sobre o qual versa o 'post' desta semana.


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Estreada em 1990, a versão portuguesa de 'A Roda da Sorte' (ou 'Wheel of Fortune', conceito criado em 1975 pelo americano Merv Griffin) conheceu, quase desde logo, sucesso imediato, muito à custa da sua carismática equipa de apresentação e locução, encabeçada por um Herman José em estado de graça, e que também contava com o inconfundível Cândido Mota na cabine, e a bela Ruth Rita como 'menina do quadro', posição que, no original americano, confere praticamente o estatuto de celebridade. Mais do que o próprio formato, eram as interacções naturais e bem-humoradas deste trio – juntamente com as frases feitas e improvisos de Herman – que garantiam que milhões de lares portugueses sintonizavam semanalmente a RTP por volta das 18h20, para acompanharem as aventuras e desventuras de cada novo lote de concorrentes.


Isto não significa, no entanto, que as provas em si não fossem memoráveis; pelo contrário, qualquer ex-jovem que tenha assistido ao programa ainda hoje se lembra de momentos como o 'puzzle' de palavras, que os concorrentes tinham de resolver, ou as próprias 'casas' da Roda, que tanto podiam render ao concorrente vários milhares de escudos ou um prémio, como retirar-lhe todo o dinheiro que houvesse conquistado, através da famosa 'Bancarrota'.


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O quadro e a própria Roda, os dois principais elementos identificadores do programa


Esta primeira edição da 'Roda' logrou manter-se no ar durante quatro anos, antes de ser substituído por 'Com a Verdade M'Enganas', novo concurso também apresentado por Herman; o sucesso ao longo deste período foi tanto, no entanto, que, já no novo milénio, o formato seria 'ressuscitado', desta vez pela SIC, novamente com apresentação de Herman, agora assistido por Vanessa Palma.


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A versão de 2008 do programa durou apenas dois meses no ar


Portugal, no entanto, havia mudado muito em uma década e meia, e esta nova versão do concurso teve destino diametralmente oposto ao da original, tendo ficado no ar uns míseros dois meses (!) em finais de 2008, antes de ser discretamente retirado da grelha de programação; nada, no entanto, que manche a reputação ou sucesso do original, ainda hoje um dos concursos mais carinhosa e saudosamente recordados por uma larga faixa da população nacional.



Crédito: Enciclopédia de Cromos


 

Saturday, 6 November 2021

Sábados aos Saltos: O Jogo do Elástico

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


Em posts recentes nesta mesma rubrica, falámos das cordas de saltar e dos jogos infantis de rua; hoje, vamos falar de uma actividade que se inseria aproximadamente na intersecção destes dois 'vectores' de brincadeira, e que constituiu uma verdadeira 'febre' entre as crianças dos anos 90, sobretudo as raparigas – o jogo do elástico.


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Sim, o jogo do elástico – aquela brincadeira que consistia em fazer passar um pedaço de elástico ou tecido, de forma oval, pela parte anterior das pernas de duas crianças colocadas frente a frente, de modo a que este ficasse preso e retesado entre as mesmas, permitindo a uma terceira criança demonstrar a sua destreza e coordenação motora através da execução de verdadeiras 'coreografias' de saltos dentro, fora e por entre o referido elástico, que ia gradualmente sendo puxado cada vez mais acima das pernas dos participantes, aumentando assim o nível de dificuldade dos saltos.


Dito desta forma até parece complicado – fazendo até lembrar aqueles manuais de instruções que tornavam um processo perfeitamente simples em algo desnecessariamente rebuscado e detalhado – mas, na prática, esta era daquelas brincadeiras em que o princípio era tão simples quanto as regras, sendo estas transmitidas, sobretudo, por via oral, ou por experiência. Por outras palavras, nunca ninguém teve de ser ensinado a jogar ao elástico – embora houvesse, sim, quem precisasse de ser ensinado a melhorar a sua técnica, de modo a conseguir competir com os maiores 'craques' do recreio ou do bairro.


E a verdade é que, apesar de simples, o jogo do elástico era tudo menos fácil, sobretudo para quem não tinha grande coordenação motora (acreditem, quem vos escreve sabe do que fala), sobretudo porque requeria mais prática e maior habilidade do que o seu 'parente' mais próximo, o jogo da corda. E embora num jogo de elástico ninguém arriscasse apanhar com uma corda em tensão na cabeça, havia sempre o risco de tropeçar e ir 'de cara ao chão' – ou, pior ainda, de traseiro...


Talvez por isso este jogo atraísse sobretudo o público feminino, tradicionalmente menos preocupado com questões de orgulho ou reputação, bem como mais tolerante a erros e curvas de aprendizagem; fosse qual fosse a razão, no entanto, não há como negar que o rácio de rapazes que jogava ao elástico era extremamente reduzido, sendo este desde sempre considerado um jogo 'de meninas' - a ponto de na popular série 'Squid Game', da Netflix, ser o principal exemplo dado sempre que a utilidade de ter uma mulher na equipa é trazida à baila.


Infelizmente, este é daqueles jogos que, desde a sua época áurea em finais do segundo milénio, tem gradualmente vindo a desaparecer dos recreios, pátios e jardins do nosso país; e dizemos 'infelizmente' por se tratar de uma brincadeira não só tradicional, mas que também ajuda com o desenvolvimento da coordenação motora, destreza e reflexos. Resta esperar que uma qualquer Nintendo desta vida lance um jogo de 'elástico virtual' - talvez como parte de um pacote de 'fitness' ao estilo Wii Sports – para que a nova geração possa, pelo menos parcialmente, re-descobrir este clássico dos recreios portugueses no tempo dos seus pais...

Friday, 22 October 2021

Quintas ao Quilo: Os Rebuçados Penha

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Qualquer pessoa que tenha frequentado uma festa de anos, festa da escola, ou até visitado uma avó ou tia certamente terá sido transportado para esses tempos simplesmente por ler o título deste post. Isto porque o doce que hoje abordaremos foi e continua a ser um clássico de qualquer gaveta de guloseimas ou festa infantil, pelo seu sabor tão agradável quanto o preço.


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Falamos dos rebuçados Penha, que ainda hoje continuam a ser vendidos – e, certamente, a marcar a infância de tantas crianças quanto naqueles tempos. Fossem os tradicionais rebuçados de fruta, de invólucro branco com 'lacinhos' de cores distintas e uma imagem do próprio fruto como principal indicador do sabor, ou os inacreditáveis rebuçados de nata (ou, mais concretamente, 'toffee') os doces da Penha estavam entre as opções mais fiáveis, incontroversas e universalmente aceites de entre os doces processados disponíveis no mercado português da época; ninguém gostava particularmente destes doces (com possível excepção dos de nata) e poucos os teriam como primeira opção no momento de comprar guloseimas...mas, ao mesmo tempo, não havia quem NÃO gostasse deles, e não ficasse satisfeito por os ver numa mesa de festa, saquinho de brindes, ou na gaveta de casa da avó. Constituíam, pois, uma aposta segura, tanto para quem os comprava como para quem os comia, o que talvez ajude a explicar a sua continuada popularidade.


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'If you know, you know...'


Outro potencial factor dessa mesma popularidade era a consistência destes rebuçados, diferente da da maioria dos competidores, e mais próxima da dos Sugus (que também paulatinamente abordaremos aqui no blog) do que de uns Bola de Neve, por exemplo (e sim, os Bola de Neve também vão aparecer por aqui mais cedo ou mais tarde.) O próprio sabor ficava próximo do dos Sugus, sendo tão abertamente artificial como inegavelmente agradável – a combinação perfeita para apelar ao público-alvo, tanto naquele tempo como agora.


Enfim, este é daqueles tópicos sobre os quais não há muito a dizer; são aqueles rebuçados da nossa infância, que a professora distribuía na aula, ou que apanhávamos da mesa da festa de anos do nosso melhor amigo, e mais tarde punhamos na nossa para ele e outros comerem. No entanto, apesar de simples e 'sem história', a verdade é que estas pequenas guloseimas acabaram por deixar uma marca indelével em todas as nossas infâncias, justificando assim plenamente a sua presença neste nosso blog...


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...