Showing posts with label quintas de quinquilharia. Show all posts
Showing posts with label quintas de quinquilharia. Show all posts

Thursday, 10 September 2026

Quintas de Quinquilharia: Vinte e Cinco Anos de Uma Linha 'Acelerada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Quando o modelo de negócios de uma marca ou produto passa por incluir brindes no interior da embalagem durante literais décadas, é de esperar que, a dado ponto, a criatividade sofra um rombo, e as referidas ofertas decresçam um pouco de qualidade; mas se tal se aplicou, por exemplo, aos ovos Kinder (hoje muito longe dos tempos de incluir bonecos detalhados nas suas famosas cápsulas amarelas) a verdade é que todos os outros 'gigantes' alimentares infanto-juvenis não só evitaram esse declínio como lograram oferecer alguns dos seus melhores brindes em fases mais avançadas da sua existência. Foi o caso, por exemplo, do Bollycao, que, há cerca de vinte e cinco anos, oferecia uma colecção com um daqueles 'extras' que, para quem era de uma certa idade, a catapultava (passe o trocadilho) de apenas interessante para algo mais próximo do essencial.


Tratava-se da linha 'Bolly-carros', cujo nome não era a única demonstração de genialidade. Isto porque aquilo que, à primeira vista, aparentavam ser meros pedaços de cartão com imagens de carros de corrida genéricos podiam, quando conectados a um 'lançador' (ou 'Starter') disponível em loja ou através do 'site' do produto, ser projectados a alguma distância, num mecanismo, presumivelmente, semelhante ao que fazia voar os famosos BeyBlades, que se popularizariam poucos anos depois; em 2001, no entanto, a Panrico era pioneira desta tecnologia, e criava um conceito original e apelativo, o qual, surpreendentemente, cairia no esquecimento da segunda vaga de 'Millennials' lusitanos, talvez por não estar associado a qualquer licença mediática 'da moda'.

Ainda assim, quanto mais não seja pela originalidade da mecânica de lançamento, os 'Bolly-carros' fazem por merecer algumas linhas nesta nossa rubrica, no ano em que se completa um exacto quarto de século sobre o seu aparecimento no interior das embalagens de Bollycao. Pena, pois, que Portugal não tenha tido direito a receber a 'segunda vaga' desta colecção, bem mais detalhada, e criada em conjunto com a Scalextric, produtora de carrinhos à escala e pistas de corridas...

Thursday, 9 July 2026

Quintas de Quinquilharia: O Brinde 'Mágico' da Chupa Chups

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Entre os muitos aspectos capazes de fascinar as demografias mais jovens, os truques de magia sempre gozaram de um estatuto relativamente elevado. Até o mais simples dos truques ou ilusões de óptica é capaz de deleitar uma criança ou jovem, e a perene popularidade das caixas demagia entre as gerações pré-digitais comprovava que, para os jovens daquele tempo, ser capaz de 'enganar', eles próprios, os amigos ou familiares revestia-se também de alguma importância. Não é, pois, de admirar que, quando uma companhia alimentar decidiu oferecer uma Quinquilharia baseada numa simples ilusão de óptica, o público-alvo tenha aderido com relativo entusiasmo, criando um dos mais bizarros produtos promocionais de finais do século XX.

Falamos da caixa Magic Pop da Chupa Chups, uma simples 'gaveta' com fundo falso onde se podia guardar um chupa-chupa e, com algumas 'palavras mágicas' e recurso ao referido alçapão, fazê-lo desaparecer e reaparecer ante os olhos estupefactos dos pares; um truque de uma simplicidade extrema, mas cujo mero conceito (e a respectiva associação a um campo invulgar, como o dos produtos alimentares) o tornava, por si só, meritório da atenção da demografia infanto-juvenil da época. E apesar do impacto relativamente curto que esta atracção teve aquando da sua chegada a Portugal há cerca de trinta anos, algures em 1996, a verdade é que se tratou de uma promoção original e diferenciada dos habituais cromos ou bugigangas de cartão oferecidas nas batatas fritas ou no Bollycao, o que lhe outorga um merecido lugar nesta rubrica dedicada aos melhores brindes oferecidos por produtos portugueses em finais do século XX e inícios do seguinte.


Thursday, 18 June 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Brindes do França '98 em Portugal

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O Mundial de Futebol de França '98 terá, talvez, sido o que mais entusiasmo provocou por terras portuguesas – ainda que, curiosamente, a Selecção Nacional não se encontrasse entre as equipas qualificadas. Em relação aos dois certames anteriores – Itália '90 e EUA '94 – o Mundial de '98 apresentava, também, volumes bastante maiores de licenciamento, com inúmeras instâncias de 'merchandising' oficial e várias marcas mundiais a promover, naquele Verão, ligações ao torneio através dos seus brindes; Portugal não foi excepção a esta regra, tendo os jovens das gerações 'X' e – sobretudo – 'millennial' podido desfrutar de uma série de ofertas tematizadas na compra de certos produtos alimentares. Numa altura em que se disputa mais um Campeonato do Mundo – curiosamente, novamente realizado, em parte, nos Estados Unidos, tal como o de '94 – nada melhor, pois, do que recordarmos alguns dos brindes que as crianças nacionais podiam antecipar ao consumir alguns dos seus alimentos favoritos.

                      

Os 'posters' dos Golden Grahams, o melhor dos três conjuntos de brindes oferecidos pelos cereais da Nestlé

Curiosamente, foram relativamente poucas as marcas a aderir à 'febre' do Mundial por terras portuguesas, com a Nestlé a destacar-se como a única companhia de produtos de supermercado a verdadeiramente tematizar os seus brindes em torno do certame; a marca francesa não fazia por menos, no entanto, e oferecia três conjuntos distintos de brindes nos seus populares cereais de pequeno-almoço – uma colecção de vinte e três cromos Panini com o Nesquik (a qual era totalmente separada da caderneta oficial lançada pela mesma companhia), uma série de oito apitos coloridos com o Chocapic, e uma colecção de 'posters' estilizados e artísticos com os Golden Grahams. Das três, era naturalmente a última que se destacava, não só por ser um brinde maior e mais 'perene', mas também pelo 'design' dos 'posters',que não podia deixar de agradar a qualquer jovem adepto daquela época.


O quase inacreditável conjunto de brindes do Happy Meal da McDonald's.

Até mesmo os referidos cartazes empalideciam, no entanto, face à proposta da McDonald's para aquelas semanas de futebol; incluída no popular Happy Meal oferecido pelo restaurante, a promoção alusiva a França '98 oferecia aos pequenos clientes um de quatro objectos, qualquer dos quais no limiar do que se pode considerar uma 'Quinquilharia'. Senão veja-se: o conjunto incluía uma bola, um papagaio de papel, um disco 'frisbee', e a 'estrela da companhia', um relógio de pulso, o qual já se pode considerar extravasar a categoria em causa. Mesmo para a McDonald's, esta era uma promoção marcadamente generosa, que terá, decerto, feito as delícias de quem consumia do restaurante (o que, no Verão de 1998, não era, infelizmente, o caso com o autor deste 'blog', que, a cerca de um mês de fazer treze anos, teria adorado ganhar qualquer dos brindes acima elencados).

Uma oferta variada e relativamente entusiasmante, portanto (embora com clara vantagem para uma das companhias envolvidas) que ajudava os jovens entusiastas de futebol a entrarem (ainda mais) no espírito da competição internacional em curso – a qual se viria, aliás, a afirmar como uma das mais entusiasmantes da era moderna, um pouco à semelhança dos brindes que suscitara e inspirara, por terras nacionais e não só...

Friday, 8 May 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Pokémon Tazos - Um Todo Menor Do Que A Soma Das Partes

 

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Uma das primeiras Quintas de Quinquilharia deste 'blog' lidou com os Matutazos, talvez a maior febre de recreio entre a geração 'millennial' lusitana, sobretudo a metade mais velha, que tinha cerca de dez anos quando o referido jogo tomou de assalto os pátios de escolas de Norte a Sul do País. Tendo em conta este sucesso meteórico e avassalador, não é de estranhar que, meia década depois, a Matutano tenha procurado repetir a 'proeza', e dar à segunda 'vaga' de 'millennials' a sua própria versão da 'Tazomania'; e, conhecendo o 'modus operandi' da marca nacional de batatas fritas, também é tudo menos surpreendente que a mesma se tenha voltado a alicerçar numa propriedade 'da moda', e que, por si só, quase garantia o sucesso. Estava dado o mote para, há exactos vinte e cinco anos, surgirem nas batatas os 'dignos sucessores' dos Matutazos originais – os Pokétazos.

pokemon.jpg

Sim, depois de 'Barbie', 'Taz-Mania' e 'Tiny Toons' (além de colecções 'menos oficiais' alusivas aos Power Rangers ou ao filme 'O Rei Leão') cabia aos Pokémon da geração original, bem como aos seus treinadores, a tarefa de 'dar a cara' pelas novas séries de Matutazos, das quais sairiam nada menos que sete (!) entre 2001 e 2002, a começar nos dez Pokémon Master Tazos e a culminar nos doze 'Pokémon Tazos League' – embora, na verdade, a única diferença estivesse no grafismo, sendo que as mecânicas de jogo se mantinham inalteradas relativamente não só a cada uma das colecções anteriores, como à série original de 1995.

Infelizmente, apesar do historial de sucesso, e da licença apelativa, os Pokétazos nunca lograram sequer chegar perto dos níveis de sucesso da colecção original – talvez pela relativa falta de originalidade, ou talvez por os 'millennials' da 'segunda vaga' estarem mais entretidos com o jogo de cartas de Pikachu e companhia, ou com os novíssimos jogos de segunda geração, acabados de sair para o Game Boy Color. Tal não dissuadiria, no entanto, a Matutano, que, ao longo dos vinte anos seguintes (até deixar, definitivamente, de haver brindes nas batatas fritas) tentaria, esporadicamente, 'reanimar' o conceito, sempre com sucesso irrisório, provando o velho adágio da Kellogg's de que 'o original é sempre o melhor': ainda assim, a primeira dessas tentativas não deixou de ter mérito, e afirmou-se como uma das últimas 'grandes' promoções de uma era de 'marketing' alimentar de foco infanto-juvenil que, sem que ninguém ainda o soubesse, caminhava a passos largos para o fim.


Friday, 17 April 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma Colecção 'Super'...Esquecida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 16 de Abril de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui anteriormente falámos de muitas das memoráveis colecções de autocolantes, cromos e outros brindes que o Bollycao veiculava durante os anos 90. De facto, aquilo que, para todos os efeitos era um pão com chocolate (e muitas vezes já ressequido) soube posicionar-se como uma das comidas favoritas dos 'millennials' portugueses apenas e só por via de sucessivas colecções de brindes, cada uma mais apelativa que a seguinte, e que marcaram época junto da geração em causa. A promoção de que falamos neste 'post' – lançada há cerca de trinta anos, algures em 1996 – talvez não faça parte desse lote, mas não deixa ainda assim de ter sido bem-sucedida e de ter tido todos os elementos necessários para um sucesso que, algo surpreendentemente, acabou por não ter.


1737397756.jpeg


Isto porque a colecção 'Supermarcas' apostava em algo que qualquer jovem da época achava perfeitamente irresistível – logotipos, dos quais havia um total de cinquenta e cinco, prontos a colar no respectivo poster 'A3' (ou, mais provavelmente, na capa de um caderno ou 'dossier', ou na porta do armário do quarto, como era hábito entre a demografia-alvo). De fabricantes de carros e aparelhos eletrónicos a produtos da própria Panrico (incluindo o Bollycao), passando por refrigerantes, consolas ou marcas de roupa, estas cinco dezenas e meia de cromos ofereciam um balanço equilibrado entre logotipos de companhias e produtos, todos os quais do agrado da juventude da época, e respeitantes a uma variedade de campos suficientemente abrangente para manter o interesse da referida demografia.


É, pois, algo surpreendente que 'As Supermarcas' não seja, hoje em dia, mencionada com tanta frequência ou saudosismo como as 'Janelas Mágicas' ou os míticos 'Tous', já que a promoção tinha um tema interessante e uma boa variedade e número de cromos para coleccionar, numa 'receita' muito semelhante à que fizera o sucesso daquelas e de outras colecções, não só do Bollycao como também de outros 'snacks' infantis. Resta, pois, 'resgatar' da semi-obscuridade esta promoção, e prestar-lhe a devida homenagem no ano em que se completam três décadas sobre o seu lançamento.

Friday, 27 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta e Cinco Anos de Um Brinde (Muito Pouco) 'Mágico'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Março de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.



Já aqui por diversas vezes mencionámos o facto de, numa era mais 'inocente' e ainda parca em 'truques' digitais, ser consideravelmente mais fácil intrigar, atrair e até maravilhar o público infanto-juvenil. Enquanto que, hoje em dia, o mesmo toma como garantida a existência de uma 'app' com jogos e passatempos, bastando para isso fazer 'scan' de um código QR, nos tempos de infância dos seus progenitores 'millennials' - há coisa de trinta e cinco anos - um objecto simples e quase banal podia ser tornado objecto de interesse e cobiça pura e simplesmente por ser retirado de uma caixa de cereais ou pacote de batatas fritas, e designado por um adjectivo como 'Mágico'. É o caso da 'Quinquilharia' a que dedicamos este 'post', veiculada nos pacotes de Cheerios da Nestlé algures durante o ano de 1991, e que, em quaisquer outras circunstâncias, dificilmente seria merecedora de mais do que um olhar 'de passagem' por parte do público-alvo.


De facto, a auto-designada 'Régua Mágica' mais não passava do que de uma vulgar régua lenticular, semelhante a outras tantas presentes nos estojos de crianças e adolescentes de Norte a Sul do País, na mesma altura; a única diferença eram, claro, os motivos promocionais alusivos aos cereais em causa, e o facto de figurar numa publicidade televisiva da época, o que, desde logo, ajudava a que o seu apelo disparasse em flecha. O referido interesse foi, no entanto, de curta duração, tendo as crianças da época (presumivelmente) visto o brinde pelo que ele era, e virado a atenção para outros prémios mais merecedores do seu tempo; prova disso é o facto de, hoje em dia, o referido anúncio (que encabeça este 'post') ser mesmo o único vestígio da existência desta oferta, para além da respectiva página no site Brindemania (onde a informação é tão parca quanto a veiculada nesta postagem). Ainda assim, nunca é demais relembrar um prémio que ilustra, cabalmente, a facilidade de 'vender' até o conceito menos interessante à juventude de finais do século XX, desde que acompanhado de uma campanha de 'marketing' suficientemente apelativa...

Thursday, 5 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma Colecção 'Multi-Facetada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Qualquer português nascido ou crescido durante os anos 90 e 2000 reconhece essa era como sendo o período áureo para brindes oferecidos por produtos alimentares; das batatas fritas da Matutano aos cereais da Kellogg's e Nestlé, passando pelos ovos Kinder, pelos produtos da Panrico e até por fontes menos tradicionais (como iogurtes ou bolachas) eram inúmeras as marcas a procurar 'comprar' a atenção do público jovem através de ofertas mais ou menos extravagantes, que iam de simples cromos a figuras ou até brindes menos ortodoxos, como adereços, reflectores de bicicleta ou mesmo jogos de computador ou livros de banda desenhada. E se nem todas estas promoções atingiam o estatuto icónico gozado pelas mais memoráveis da época, algumas não se poupavam a esforços para pelo menos almejarem os seus 'quinze minutos de fama', sendo um dos melhores exemplos a colecção de que falamos neste 'post', veiculada há quase exactos trinta anos (algures em 1996) por um produto e companhia pouco usuais – o chocolate Twix, da Mars – mas que chegou a 'conquistar' os jovens portugueses aquando do seu lançamento, graças a um conceito e execução cuidados e apurados


s-l400.jpgdownload.jfif


Tratava-se de 'Spacix', nome de uma colecção de cartas tematizadas em torno de extraterrestres inspirados em motivos musicais (e com 'designs' meio 'animados' e bem interessantes), e que oferecia dois grandes pontos de interesse para as crianças e jovens da época: por um lado, o efeito lenticular, que fazia com que as imagens 'mexessem' quando a carta era manuseada de uma certa forma, e, por outro, um típico jogo de 'valores', ao estilo do das populares Super Cartas da Majora ou das posteriores colecções 'Bollykaos' e 'Dragonflash'.


A série reunia, assim, em apenas um produto três dos principais 'chamarizes' para a então jovem geração 'millennial' – um efeito visual 'fixe' (numa era em que tais 'truques' ainda não haviam sido 'abafados' pela revolução digital), a vertente coleccionista e o sempre importante aspecto competitivo, que manteve os 'putos' da época a disputar 'duelos' de 'Spacix' durante os meses posteriores ao seu lançamento. E apesar de, hoje, ser apenas mais uma colecção esquecida pela memória colectiva nostálgica nacional, a verdade é que esta série é intemporal o suficiente para poder ser relançada hoje em dia e cativar os actuais 'miúdos' das gerações Z e Alfa como, há quase exactas três décadas, fez com os seus pais e educadores, merecendo por isso ser mais lembrada pelo seu (hoje adulto) público-alvo.

Thursday, 22 January 2026

Quintas ao Quilo / Quintas de Quinquiharia: 'Isto...' É Que Era Uma Colecção

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


296593708_125300776878718_5542542826383941053_n.we


Alguns dos cromos da colecção (crédito da foto: Brindemania / Delfim Alexandre).


Em plena 'era de ouro' dos brindes em produtos alimentares – em que várias companhias se digladiavam para oferecer a próxima 'febre' de recreio nos seus pacotes de cereais, batatas fritas, iogurtes ou bolos vários – os produtos da Panrico destacavam-se por, apesar de mais discretos que alguns dos da 'concorrência', serem consistentes, e consistentemente bem recebidos e apreciados pelo seu público-alvo. De facto, apesar de nunca se desviarem muito das colecções de cromos e outras quinquilharias em papel, os brindes do Bollycao e das Donettes eram, invariavelmente, motivo de interesse para as crianças e jovens portuguesas de finais do século XX, que se regozijavam em coleccionar e trocar os cromos dos 'Tous', desdobráveis do Dragon Ball Z, as cartas dos Bollykaos ou as icónicas 'Janelas Mágicas'. Em meio a estas memoráveis promoções, no entanto, houve, claro está, outras que passaram mais despercebidas, não deixando grande marca nas gerações 'X' e 'millennial' lusitanas. É o caso daquela que abordamos neste 'post', levada a cabo há coisa de trinta anos – nos primeiros meses do ano de 1996 – e que, hoje em dia, apenas é lembrada em sites como a Brindemania, de onde sai a imagem que ilustra este 'post'.


Talvez o insucesso da colecção 'Isto...' (uma óbvia alusão à mais famosa colecção de sempre do Bollykao, os icónicos 'Tous...') se devesse à falta de foco temático da mesma. De facto, enquanto a maioria das outras gamas promocionais tinham algum tipo de fio condutor, 'Isto...' era tão vago quanto o próprio título, indo as imagens nos cromos desde os animais selvagens até objectos ou imagens mais caricaturadas – uma abordagem que resultava para certas gamas de Tazos, por exemplo, mas que, aqui, apenas denota uma certa falta de critério ao realizar a colecção, o que talvez a tenha ajudado a tornar menos memorável do que outras suas contemporâneas (à laia de comparação, na mesma altura, a Matutano propunha as icónicas Matutolas).


Assim, o principal motivo para coleccionar os cromos prendia-se mesmo com um daqueles concursos tão clássicos da época, com probabilidades efémeras, mas não impossíveis, de ganhar o grande prémio, e que constituíam razão suficiente para comprar mais e mais produto, na esperança de ver sair o cromo premiado. No caso do 'Isto...', o prémio em causa eram uns patins em linha, um dos tipos de objecto mais cobiçados de finais do século XX, e que a promoção apregoava dar às centenas, despertando a cobiça de qualquer 'puto' daquele período. Conquanto seja possível que os vencedores de tal concurso recordem com afeição a promoção, no entanto (por motivos óbvios) para os restantes 'X' e 'millennials' portugueses esta terá sido uma colecção que passou muito mais despercebida do que a maioria das outras do Bollycao ou produtos semelhantes, não sendo hoje, quase exactamente trinta anos depois, mais que uma 'nota de rodapé' na História dos brindes promocionais em Portugal.

Friday, 5 December 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Ímanes de Frigorífico - Uma Quinquilharia Plena de 'Magnetismo'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença assídua em frigoríficos, quadros brancos, candeeiros de secretária e outras superfícies aderentes ou metalizadas; por vezes, em simples formatos geométricos (normalmente círculos ou rectângulos) com o padrão impresso, outras cortados para se assemelharem a objectos ou mesmo formas humanas, e por vezes a segurar mensagens, notas ou panfletos, outras apenas como enfeite, já que 'ficavam bem' nos locais em causa. Falamos, claro, dos ímanes de frigorífico, os quais, apesar de ainda existentes, viveram sem dúvida o seu último período áureo na primeira década do século XXI.


480774012_2678831432327308_6757996728316810208_n.j


Variantes oferecidas nos cereais Kellogg's


De facto, a crescente digitalização de recursos veio tornar semi-obsoletos estes outrora super-populares objectos, hoje reduzidos a peças de colecção, recordações turísticas ou (muito ocasionalmente) suportes para o panfleto da pizzaria, até o mesmo ser utilizado ou deitado fora. É, pois, difícil a quem não viveu aqueles tempos mais simples perceber o quão entusiasmante era adicionar mais um ímane à colecção – fosse ele um brinde dos cereais, uma oferta no âmbito de uma qualquer campanha, ou apenas uma 'quinquilharia' comprada em férias ou na 'loja dos trezentos'. Quem era da idade certa durante o período em causa, no entanto, certamente se lembra de 'encher' o frigorífico de pequenas formas coloridas, algumas das quais serviam mesmo como brinquedos quando o tédio se ameaçava instalar, ou como objectos de coleccionismo; é a eles que dedicamos este 'post' tão simples quanto os próprios objectos a que se refere.

Saturday, 15 November 2025

Quintas de Quinquiharia: Os 'Powercromos' da Panrico - Uma Promoção Simples, Mas 'À Prova de Falhas'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de cama, fatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.


download (2).jpeg


(Crédito da foto: TodoColección)


Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.


Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

Saturday, 13 September 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Marcadores, Os 'Todo-O-Terreno' da Arte Infantil

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 11 de Setembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram um dos principais símbolos de 'status' do regresso às aulas – especialmente se viessem naqueles estojos grossos com uma imagem bonita no topo, mas também na sua forma mais simples, dentro de um invólucro plástico e com uma folha de cartão com a marca a tapar as tampas. E apesar de, invariavelmente, acabarem secos e sem tampa dentro de poucas semanas (senão mesmo dias, no caso de um tratamento especialmente descuidado) eram, até esse momento, um dos 'ex-libris' das mochilas da escola de crianças e jovens da idade pré-escolar até ao ensino secundário.


6316e55370d132129f7286b12e6346df.jpg


Falamos, claro, dos tradicionais marcadores, os 'todo-o-terreno' da arte infantil, já que requeriam menos precisão que os lápis de cor ou de cera, não precisavam de ser afiados como os primeiros, e duravam bastante mais do que os segundos, tornando-os ideais para crianças mais novas, menos pacientes ou simplesmente com menos talento para as artes. Mesmo quem tinha 'jeito', no entanto, não deixava de aproveitar qualquer oportunidade para comprar um estojo grande, com o espectro completo de cores (e, de preferência, da Molin) com o qual fazer inveja aos colegas de turma nas primeiras semanas do novo ano lectivo – única altura em que a maioria dos pais se mostrava disposta a fazer tal investimento, sendo que, em qualquer outra ocasião, o mais natural seria receber um estojo mais simples, de cores básicas, que fazia menos vista mas servia perfeitamente o propósito-base de pintar ou criar desenhos.


Fosse qual fosse o formato, no entanto, os marcadores formavam parte integrante do dia-a-dia de qualquer criança de finais do século XX e inícios do seguinte – e, apesar de longe da expressividade que outrora tiveram, continuam presentes no quotidiano escolar das gerações Z e Alfa, mostrando que, por mais tempo que passe, há conceitos e produtos que se afirmam como verdadeiramente imortais.

Saturday, 17 May 2025

Quintas de Quinquilharia / Sextas Com Style: As Estampas do Dragon Ball da Pescanova

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 15 de Maio e Sexta-feira, 16 de Maio de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre os muitos elementos que definiram a década de 90 em Portugal, a série de 'anime' japonesa Dragon Ball Z e as t-shirts estampadas com motivos alusivos a desenhos animados ou banda desenhada (sendo muitos destes respeitantes ao próprio Dragon Ball Z) são certamente dois dos que mais perduram na memória dos 'millennials' lusitanos. Não é, pois, de surpreender que a Pescanova tenha tentado capitalizar sobre ambas estas vertentes com uma promoção, sendo o único motivo de alguma estranheza o próprio 'timing' da oferta.


download.jpeg


Isto porque as estampas 'a calor' relativas à série e oferecidas nas igualmente populares caixas de douradinhos da companhia surgiam no mercado já nos primeiros meses do Novo Milénio, mais de quatro anos após o início da 'febre' Dragon Ball Z, e quando até mesmo a terceira parte, Dragon Ball GT, se encontrava já no 'retrovisor' juvenil português, estando ainda a cerca de um ano de se voltar a tornar relevante, através da repetição na 'recém-nascida' SIC Radical. Assim, não é de estranhar que a referida oferta tenha passado despercebida, e sido algo menos bem-sucedida do que outras iniciativas semelhantes lançadas no auge da popularidade da série – o que não deixa de ser lamentável, dado estas estampas, apesar de pequenas, serem bem-conseguidas, recorrendo a imagens dinâmicas e apelativas que qualquer jovem de meados dos anos 90 se orgulharia de colocar numa 't-shirt'. Pena, pois, que não se pudesse dizer o mesmo quanto aos pré-adolescentes de 2000, para quem os 'animes' de Akira Toriyama eram já coisa do passado semi-remoto...


Ainda assim, e apesar de menos 'badaladas' do que outras promoções semelhantes de que já aqui falámos, estas estampas não deixam de constituir uma belíssima ideia da parte da Pescanova, a qual teria, certamente, rendido frutos caso tivesse sido lançada um par de anos antes, e posto a juventude de Norte a Sul de Portugal a 'coleccionar' estampas, na esperança de encontrar a ultra-rara variante gigante, e fazer inveja aos colegas e amigos. Tal como foi, no entanto, esta promoção não passa de uma curiosidade esquecida da cultura popular juvenil portuguesa da viragem do Milénio...

Saturday, 8 March 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Blocos de Notas com Motivos - A Forma Mais 'Chique' de Escrever aos Amigos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 6 de Março de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Faziam parte da colecção de quinquilharias de qualquer criança ou jovem de finais do século XX, embora muita vezes acabassem por raramente ser usados, e servissem sobretudo para ser admirados, enquanto esperavam 'aquela' ocasião especial. Falamos dos blocos de notas com desenhos como pano de fundo das páginas, sobre os quais nos debruçaremos nas linhas seguintes.


il_fullxfull.5778964042_k6hz.webp


Exemplo moderno do produto em causa.


Normalmente em formato 'de bolso', e destinados a servir como 'bloco de cabeceira' ao lado do telefone ou em cima da secretária, eram facilmente adquiríveis em qualquer boa papelaria ou tabacaria, com uma enorme variedade de motivos, desde padrões como flores ou espirais até bonecos 'genéricos', ou mesmo, em ocasiões mais raras, personagens licenciados, como Hello Kitty; por vezes, chegavam mesmo a ser levemente perfumados, o que ainda acrescia mais ao estatuto 'super-especial', e os tornava pouco adequados a anotar números de telefone ou moradas. Talvez por isso a maioria dos jovens os tirasse da gaveta apenas para mandar mensagens aos amigos ou 'paixonetas', para fazer listas de interesse pessoal, ou para admirar os motivos que adornavam as páginas, fazendo com que apenas um bloco chegasse a durar vários anos.


Apesar deste uso 'religiosamente' regrado, no entanto – e apesar de raramente saírem da gaveta das quinquilharias – pelo menos um destes blocos fará, certamente, parte das memórias remotas de qualquer português das gerações 'X' e 'millennial', as últimas para quem este tipo de produto fez sentido, antes de tudo passar a poder ser guardado no telemóvel, relegando os blocos com motivos de fundo para a pilha de produtos obsoletos que as demografias mais novas dificilmente voltarão a usar...

Friday, 14 February 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas de Quinquilharia: 'Amor É...' Sinónimo de Popularidade Astronómica

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 12 de Fevereiro e Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


capa .jpg


Quem cresceu, parcial ou totalmente, na década de 80 e inícios de 90, certamente se lembrará deles: um casal de personagens de banda desenhada, com um certo 'travo' a Adão e Eva, cuja vida parecia consistir exclusivamente de uma série de actividades românticas estereotipadas, devidamente acompanhadas por texto mais ou menos 'lamechas'. De facto, os mesmos nunca eram vistos a discutir, ou sequer a levar a cabo tarefas normais da vida quotidiana de um casal convencional – tudo o que faziam e diziam parecia saído de um cartão especialmente concebido para oferecer à 'cara-metade' em ocasiões especiais; nada melhor, portanto, do que, à 'beira' da pseudo-festa romântica anual, recordar os últimos anos destes 'pombinhos' na ribalta.


Falamos, claro está, do anónimo casal protagonista dos painéis da série 'Amor É...' - aquela propriedade perpetuamente a meio caminho entre a genuína tira de banda desenhada e a criação exclusivamente dedicada ao 'merchandising', que tomou o Mundo ocidental de assalto durante um quarto de século após a sua criação em finais da década de 60. De facto, ainda que as situações criadas pela 'cartoonista' neo-zelandesa Kim Casali para o seu casal de protagonistas se destinassem inicialmente a sair em jornais, foi como ilustração para toda a espécie de 'quinquilharias' que grande parte do público-alvo tomou pela primeira vez contacto com os mesmos. De canecas a caixas de fósforos, autocolantes para automóveis, e um sem-número de outros pequenos objectos, os 'pombinhos' de Casali eram omnipresentes mesmo em países onde a BD não era publicada, e não existirá 'filho' dos anos 70 ou 80 que nunca tenha visto pelo menos um produto com a imagem dos dois numa qualquer situação extremadamente romântica. E apesar de a sua relevância se encontrar já em declínio na última década do Segundo Milénio, subsistiam ainda no Portugal dos anos 90 (e não só), consideráveis 'vestígios' da fase áurea da propriedade, tanto nas lojas (prontos a servirem de prenda de S. Valentim ou de aniversário de namoro ou casamento) como em muitos lares, Não poderíamos, portanto, deixar de, às portas do dia mais romântico do ano, recordar aquele que, para muitas crianças e jovens de finais do século passado, era o epítoma da imagética normalmente associada à referida data.

Thursday, 23 January 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Batons de Cieiro - Uma Necessidade Perene dos Meses de Inverno

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Mais do que uma quinquilharia, eram uma necessidade no estojo, bolso ou mochila durante os meses de Inverno, quando serviam como melhor remédio para lábios gretados devido ao frio – uma função tão importante, aliás, que lhes assegurou continuidade até aos dias de hoje, embora já sem a preponderância de outros tempos. Falamos dos 'batons' de cieiro, um 'pequeno grande produto' de que qualquer português nascido ou crescido na ponta final do século XX se lembrará, e provavelmente encorajará os filhos a usar.


Labello-Original-Batom-mipmed-800x800-550x550.png


A Labello era, talvez, a mais conhecida fabricante deste tipo de produto.


As marcas e fabricantes eram os mais variados, mas qualquer que fosse a origem ou laboratório, o princípio era o mesmo, a cor também (sempre um branco sujo) e o mesmo sucedia com a sensação após aplicação – aquela inconfundível e inesquecível impressão de ter comido cola, ou cera, que parecia deixar uma 'camada' extra em cima do lábio. Um 'mal necessário', claro está, para assegurar que o produto surtia o seu efeito, e que rapidamente era substituído por uma sensação de alívio ao deixar de sentir dor, ou aquela rugosidade própria da pele gretada ao passar a mão.


Não é, pois, de surpreender que estes 'sticks' marcassem presença regular não só nos armários de casa de banho portugueses, mas também nos 'carregos' de muitos cidadãos nacionais, independentemente da idade – algo que, aliás, talvez continue a acontecer, já que, como referimos no início deste texto, é ainda possível comprar um destes 'batons' em muitas farmácias portuguesas. Quem sabe, publicitando-os da maneira correcta e com recurso às redes sociais, não seja mesmo possível convencer as gerações 'Z' e 'Alfa' de que este é um produto desejável, restituindo-lhe assim o papel fulcral que desempenhou nos Invernos remotos de quem tem hoje mais de trinta anos...

Friday, 20 December 2024

Quintas de Quinquilharia: Os Bonecos 'de Agarrar' - Ultrapassados, Mas Não Esquecidos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença constante na sociedade portuguesa dos anos 80 e inícios de 90, frequentemente vistos pendurados de retrovisores de carros (ao lado do tradicional ambientador de pinheiro), mochilas de estudantes, manípulos de janelas e até árvores de Natal – basicamente, qualquer superfície com largura e estabilidade suficientes para 'aguentar' a 'carga' extra. Falamos, claro está, dos bonecos 'de agarrar', uma das quinquilharias favoritas da juventude da época.


images (2).jpeg


Tematizadas tanto em torno de animais genéricos, como ursos, pandas ou cães, como de personagens da cultura pop da época, como ALF ou Snoopy, estes mistos de peluche, quinquilharia, enfeite e decoração logravam manter-se firmemente 'agarrados' a qualquer sitio onde fossem postos por intermédio de um mecanismo de mola, semelhante aos dos porta-moedas, situado nos braços dos bonecos. As mãos em plástico duro – por oposição ao peluche que cobria o resto do corpo da figura – forneciam, por sua vez, a estabilidade necessária, numa combinação mecânica tão simples como eficaz, e que dava a estas figuras a característica única que justificava a sua compra.


Curiosamente, apesar da popularidade de que gozavam, estes foram daqueles produtos que desapareceram por completo, aparentemente de um dia para o outro, e sem qualquer razão especial, tendo sido substituídos, em meados da década de 90, pelos porta-chaves com peluches na ponta, os quais sobreviveriam à passagem do Milénio às costas de muitos estudantes dos ensinos básico e secundário. Quanto aos peluches 'de agarrar', apesar de obsoletos, não deixaram de conquistar um lugar no coração de quem os chegou a possuir, e que certamente se divertiu 'à grande', em pequeno, a abrir e fechar o mecanismo de mola, ou a prender o seu boneco a diferentes lugares da casa. E quem sabe – talvez estes enfeites ainda estejam a tempo de voltar a estar 'na moda', quiçá em versões actualizadas para apelar à juventude do século XXI; resta esperar para ver...

Thursday, 17 October 2024

Quintas de Quinquiharia: A Precursora das 'Colecções-Mistério'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Hoje em dia, o conceito de 'pacotes-mistério' – ou seja, embalagens opacas que prometem uma figura ou brinde da colecção a que são alusivas, mas não especificam qual, estando parte da emoção, precisamente, no mistério – é por demais popular entre as crianças e jovens das gerações 'Z' e 'Alfa'; no entanto, o referido sistema tem raízes bastante mais antigas do que se possa pensar, fazendo já sucesso junto das demografias 'X' e 'millennial'. De facto, uma das instâncias mais antigas desse tipo de fenómeno em Portugal remonta ao início dos anos 90, quando grande parte das crianças e jovens nacionais decidiram coleccionar porquinhos.


image.webp


Alguns dos muitos porquinhos da colecção.


Sim, nos anos antes dos ovos Kinder popularizarem as colecções de 'bonequinhos' como brinde alimentar, já uma companhia havia procurado explorar esse mercado de forma mais tradicional, através do lançamento de uma colecção de porquinhos 'humanizados' (ainda que não antropomórficos) com as mais variadas temáticas, de bebés de touca ou babete a árbitros de futebol ou boxeadores, passando por porcos de fato (um dos quais fazia lembrar a icónica indumentária de Babar) ou porcas fêmeas de batom ou a fazer bailado, entre muitas outras figuras altamente coleccionáveis, e apelativas para ambos os sexos – embora, claro, houvesse sempre algumas consideradas demasiado femininas para os rapazes, ou vice-versa.


Escusado será dizer que o próprio conceito da linha, muito semelhante ao subjacente às cadernetas de cromos, não só fomentava como praticamente exigia a troca de figuras, de modo a completar ao máximo possível a colecção – um factor absolutamente necessário ao procurar criar uma 'febre de recreio'. E apesar de estes porquinhos não terem chegado ao nível de iconicidade e 'culto' de uns Tazos, Pega-Monstro ou Caveiras Luminosas – encontrando-se mesmo algo Esquecidos Pela Net – o volume que se pode encontrar para venda no OLX indicia que terá havido uma percentagem significativa de portugueses e portuguesas não só a coleccionar estas figuras à época do seu lançamento, como também a guardar a sua colecção de infância para propósitos nostálgicos; para esses, aqui fica mais uma lembrança daquela que foi uma das pioneiras do conceito de 'pacotes-mistério' em território nacional.

Friday, 6 September 2024

Quintas de Quinquiharia: As 'Mission Cards' de 'Dragon Ball Z' da Cuétara - A Força de Uma Licença

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 05 de Setembro de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui por várias vezes foi mencionado o estatuto da série de 'anime' Dragon Ball Z como maior 'febre de recreio' de sempre em Portugal, tendo o lendário desenho animado sido, inclusivamente, tema do primeiro post mais 'a sério' neste nosso 'blog'. E porque, no Verão que acaba de findar, Son Goku e os seus amigos parecem estar novamente 'em alta' entre a juventude portuguesa e não só (com artigos de 'merchandising' alusivos à série disponíveis em várias lojas e grandes superfícies) nada melhor do que viajar, mais uma vez, até ao tempo em que a série 'invadia' pela primeira vez os ecrãs de televisão da juventude noventista lusitana, e criava um 'monstro' de 'merchandising' desde então raramente repetido. Absolutamente tudo o que tivesse sequer a mais ténue ligação a 'Dragon Ball Z' se tornava um sucesso imediato – de t-shirts piratas a figuras de acção ou até discos de 'europop' manhosa– pelo que não é de espantar que, em plena era dos 'brindes das batatas fritas e do Bollycao', as 'suspeitas do costume' – Matutano, Panrico e Cuétara – tivessem centrado várias das suas icónicas promoções em torno dos personagens de Akira Toriyama. De alguns desses brindes, já aqui falámos em outras ocasiões; chega, agora, a altura de juntar mais um produto a essa crescente lista, no caso as 'Mission Cards' da Cuétara.


VeOCvvx6c1sZDIy4WbK3P0Nf8biaazhM064P9PeF.png


Lançadas, presumivelmente, no auge da 'febre' (ou seja, entre os anos de 1996 e 1998) estas cartas mais não eram do que falsos cartões de identidade, algures entre o cartão da escola e aqueles que, por vezes, eram oferecidos promocionalmente por companhias com foco infanto-juvenil, mas com uma temática de 'missão', que as inseria também um pouco no Mundo do 'role-play'. Cada carta trazia, na frente, um personagem da série, e a respectiva missão, dividida em causa e objectivo, enquanto as costas apresentavam uma 'ficha de identidade' para preencher, quer com os dados da própria criança ou jovem, quer com aqueles que se supunham serem o do herói retratado. Era, assim, possível 'inventar' uma comida ou grupo musical favoritos para Son Goku, Vegeta e restantes heróis, num aspecto que, apesar de totalmente irrelevante, não deixava ainda assim de apelar à fértil imaginação dos 'millennials' portugueses, ainda não totalmente extinta pela chegada da era digital.


Q0uVYi3gLPikiIbtALcjfy9Hx9SGRhciwHlZEnOe.jpeg


YQzZrwbM6iQgzw7MYQZtswPAGdIPnndQRXGgWDri.jpeg


Frentes e versos de uma colecção completa.


Um brinde que, apesar de à primeira vista nada ter de especial, tinha na licença um enormíssimo trunfo, o qual não impediu, no entanto, que o mesmo seja menos lembrado do que outros congéneres e contemporâneos, como as figuras tridimensionais ou as cartas Energy Attack, ambas da Panrico. Ainda assim, à época de lançamento, estes brindes terão, sem dúvida, 'enchido as medidas' ao público-alvo – o que, bem vistas as coisas, acaba por ser a única coisa que se exige a uma colecção deste tipo...

Friday, 26 July 2024

Quintas de Quinquilharia: As Tatuagens Temporárias - Entusiasmantes, Mas Controversas...

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Julho de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram um dos brindes mais populares entre os jovens portugueses dos anos 90 e, apesar de estarem longe de ser consensuais junto dos pais, adornavam muitas vezes a pele da demografia em causa ao longo daqueles últimos anos do século XX, surgindo frequentemente em locais algo invulgares, como as costas da mão, onde podiam ser devidamente admiradas por pares invejosos. Falamos das tatuagens temporárias, uma categoria de quinquilharia que nunca retinha esse estatuto durante muito tempo, mas que não deixa, ainda assim, de ser elegível para esta categoria.


200663067.jpg


Adquiríveis em folhas completas na tabacaria ou, frequentemente, como brindes de produtos alimentares (como no caso das tatuagens das Tartarugas Ninja oferecidas pela Panrico no auge da popularidade das mesmas) estes desenhos, normalmente consistentes de personagens populares entre a 'pequenada' ou desenhos e símbolos universalmente considerados 'fixes', eram transferidos da folha adesiva para a pele (ou para qualquer superfície onde se desejasse colocá-las, já que serviam 'função dupla' como uma espécie de autocolante) por meio da aplicação de uma esponja ou pano húmido no reverso da tatuagem, criando assim uma espécie de 'cópia-borrão' da mesma, que podia depois ser removida com água ou álcool quando a criança se 'fartasse' – algo que muitas pessoas certamente desejariam ser possível com tatuagens reais! A desvantagem – e principal razão da natureza polémica destes brindes junto dos adultos – prendia-se com o risco de doenças de pele resultantes do processo, como a urticária, o que fazia com que muitos pais proibíssem o uso deste tipo de tatuagem na pele dos filhos.


Quer se pertencesse a este último grupo ou à percentagem da demografia que orgulhosamente exibia o seu desenho de uma caveira ou Tartaruga Ninja no braço ou nas costas da mão, uma coisa é certa: as tatuagens temporárias marcaram época junto de toda uma geração, em Portugal e não só. E embora este tipo de brinde tenha caido em desuso no mais informado mundo de inícios do século XXI, não é por isso que passa a ter menos nostalgia para quem, há duas ou três décadas atrás, vibrava com a ideia de transferir o recém-adquirido padrão para o seu braço, e causar inveja aos amigos no pátio da escola, no dia seguinte...

Friday, 14 June 2024

Quintas de Quinquilharia: As 'Moedas Falsas' Para Carrinhos de Supermercado

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 13 de Junho de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Uma das mais admiráveis qualidades do ser humano, que deu origem, ao longo dos anos, a muitas e muito prezadas invenções, é a capacidade de improviso e criatividade face a obstáculos da vida quotidiana, por mais pequenos que estes sejam. Em Portugal, esse facto ficou bem provado nos últimos anos do século XX e inícios do seguinte, altura em que se popularizou um pouco por todo o País um instrumento pequeno, simples e singelo, mas que resolvia um dos grandes problemas do dia-a-dia para quem estava encarregue de suprir e rechear a despensa e frigorífico de uma casa de família: a famosa 'moeda falsa' para uso em carrinhos de supermercado.


str-porta-chavesmoedacarrinhos-3-20120_h_f_pt-pt.p


O conceito desta Quinquilharia – mais comum no bolso ou porta-chaves dos adultos, mas que qualquer criança da época recordará – era de uma simplicidade apenas comparável à sua eficácia: o dístico, em plástico, era criado à semelhança de uma moeda de cinquenta ou cem escudos, permitindo assim 'enganar' o carrinho de compras e desengatá-lo da corrente. Um 'truque' sem grande finalidade – afinal, mesmo as moedas 'reais' eram devolvidas após o uso, não ficando o utilizador defraudado em qualquer circunstância – mas que jogava com aquele inqualificável e muito humano sentimento de 'enganar o sistema', combinando-o com a practicidade de permitir adquirir e utilizar um carrinho de compras mesmo quando não se tinha moedas físicas.


Não é, pois, de admirar que a referida 'bugiganga' se tornasse rapidamente parte integrante de muitos porta-chaves ou do conteúdo de muitas carteiras ou bolsas de trocos de Norte a Sul do Portugal da época – estatuto que ainda manterá hoje em dia, já que, ao contrário do sucedido com muitas das Quinquilharias de que falamos nestas páginas, este conceito não se tornou obsoleto, mas antes ainda mais universal, sendo que o carácter internacional do Euro permite, agora, utilizar os pequenos dísticos plásticos em carrinhos não só de supermercados e hipermercados portugueses, mas também dos da maioria dos países europeus. Apenas mais uma prova de que uma invenção não tem de ser 'vistosa' ou até particularmente sofisticada para ter impacto na vida quotidiana da sociedade ocidental...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...