Showing posts with label eua. Show all posts
Showing posts with label eua. Show all posts

Friday, 19 June 2026

Sessão de Sexta: Os Documentários dos Mundiais dos Anos 90 - Documentos de Uma Era Desaparecida

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Talvez por o futebol de onze ser um desporto maioritariamente europeu, não só o mesmo tem pouca representatividade no campo da ficção cinematográfica como o grande público tende a esquecer, ou mesmo a desconhecer, o facto de que cada competição internacional tem um documentário oficial, normalmente realizado por um documentarista natural do país onde se desenrola a prova e captado durante o evento, com o intuito de ser lançado alguns meses depois, a tempo de recordar os melhores momentos de um certame ainda relativamente fresco na memória dos adeptos. Os Mundiais dos anos 90 não foram excepção à regra neste aspecto, tendo cada um dos três realizados naquela década tido direito a um filme complementar, inserido nos moldes acima delineados – com uma notória e notável excepção.

                              


Os filmes dos Mundiais dos anos 90.

De facto, o filme alusivo ao Mundial de '94, 'Todos Os Corações do Mundo', ficava a cargo, não de um cineasta americano, mas sim brasileiro, no caso Murillo Sales. E ainda que a estrutura narrativa e tipo de edição sejam muito semelhantes tanto a '1991 – Notte Magichi' como a 'La Coupe de La Gloire', o foco fica na Selecção Brasileira (então a melhor do Mundo) por oposição à americana, que seria a escolha mais natural, visto ser a anfitriã.

                                  

Liev Schreiber e Sean Bean davam voz às versões americanas dos documentários de 1994 e 1998.

De referir ainda que, na versão americana, os documentários em causa têm, via de regra, narração a cargo de um actor famoso, com Liev Schreiber a dobrar a narração original de Antônio Grassi para o filme de 1994, e Sean Bean a 'tomar conta' desse cargo para o lançamento em língua inglesa do documentário oficial de França '98 (no filme de Itália '90, esse papel fica a cargo do actor inglês Edward Woodward). Esta escolha (por oposição à apresentação do áudio original com legendas) permitia captar mais facilmente o público internacional, e sobretudo o norte-americano, cujo interesse em ler legendas era apenas rivalizado, à época, pelo que demonstravam em relação ao desporto-rei propriamente dito.

No cômputo geral, portanto, apesar de rapidamente se terem tornado 'peças de museu' relativamente irrelevantes, os documentários oficiais dos Mundiais dos anos 90 (como, aliás, os das restantes décadas desde a criação da competição) afirmam-se, ainda assim, como honestos e relativamente interessantes documentos de uma 'era' futebolística hoje quase irreconhecível para os adeptos modernos, merecendo, por isso, ser recordados em época de 'febre' do Mundial.

Friday, 13 September 2024

Quartas de Quase Tudo: O Dia Em Que A Terra Parou

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Setembro de 2024.


NOTA: Por razões de relevância temporal, a Quarta aos Quadradinhos fica adiada para a próxima semana.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A premissa por detrás da criação deste blog era simples: oferecer uma perspectiva nostálgica e leve sobre algumas das frivolidades que ocupavam a infância da geração 'millennial' portuguesa, sobretudo entre os anos de 1989 e 2000. No entanto, até o mais rígido dos conceitos encontra, forçosamente, situações em que é preciso 'contornar' um pouco as regras em nome de um tema ou efeméride tão importante e impactante que praticamente obriga a que lhe seja feita menção; e, para a juventude portuguesa de finais do século XX e inícios do seguinte, talvez a mais significativa dessas excepções tenha tido lugar a 11 de Setembro de 2001, o dia em que o Mundo parou para assistir a uma catástrofe que (espera-se) nunca mais será igualada.


wtc-11-setembro-nova-york-20010911-01-original.web


A primeira imagem que muitos associam ao 11 de Setembro.


Qualquer cidadão velho o suficiente para ter tido noção do ocorrido sabe exactamente como responder à famosa pergunta 'onde é que estavas no 11 de Setembro?' Em Portugal, era já o início da tarde quando o primeiro dos três aviões capturados por terroristas embatia com uma das torres gémeas do World Trade Center, pelo que não faltam histórias sobre estar a almoçar, a trabalhar, ou mesmo na praia, a gozar os últimos dias de férias antes do regresso às aulas, como era o caso com o autor deste 'blog'. Fosse qual fosse o contexto ou local, ninguém jamais esquecerá a famosa imagem da coluna de fumo a emergir das torres nova-iorquinas, símbolo da destruição da mentalidade capitalista que as mesmas representavam, por parte de uma facção terrorista do Médio Oriente. Mesmo antes de se saberem detalhes da impressionante tragédia (como o número de mortos) aquela primeira imagem deixava já a sensação de se estar a viver, em directo, uma mudança no quotidiano do Mundo – a qual se viria, nos anos seguintes, a acentuar através de uma série de aspectos irremediavelmente alterados, como o processo de verificação das bagagens nos aeroportos (a famosa 'segurança' que tanto incomoda os viajantes aéreos frequentes) e o aumento da politização entre artistas dos mais diversos campos, muitos dos quais condenavam o Presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, por ter dado azo ao horrendo acto com os seus interesses económicos no Médio Oriente.


Não faltaram, também, teorias da conspiração, com os habituais argumentos de que o atentado havia sido orquestrado pelo próprio Governo americano, como pretexto para atacar o Iraque e ali explorar as reservas de petróleo, e de que o homem capturado como sendo Osama Bin Laden (suposto líder da Al Qaeda e ideólogo do golpe) não passava de um sósia inocente feito de 'bode expiatório' pelos ianques, encontrando-se o verdadeiro ainda a monte. Teorias nunca comprovadas, e que dificilmente ajudam a atenuar, contextualizar, e muito menos explicar um acto difícil de conceber por qualquer cidadão ocidental, e sobretudo pelos habitantes de um pacato 'recanto' à beira-mar na cauda da Europa, como é Portugal. Talvez por isso o 11 de Setembro continue a constituir uma marca tão profunda na memória e psique de uma geração que nunca havia visto nada semelhante, e que, espera-se, nunca mais torne a ver, fazendo da tragédia norte-americana um daqueles momentos capazes de mudar toda a percepção relativamente à vida e ao quotidiano de qualquer criança ou jovem. Que nunca esqueçamos, e que nunca mais tenhamos que voltar a passar pelo mesmo.

Sunday, 25 July 2021

Domingo Desportivo: As Olimpíadas de 96, ou, Fernanda, a Salvadora da Pátria

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


E numa altura em que tem início mais uma edição dos Jogos Olímpicos – embora, tal como o Europeu de Futebol, com um ano de atraso – nada melhor do que recordar um outro evento deste tipo, sobre o qual se celebram agora exactos 25 anos, e que celebrava ele próprio o centenário dos Jogos Olímpicos como hoje os conhecemos.


729a0c1636d4276b64d91f989977f0f2.jpg


Essa prova – a de 1996, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia, EUA - não foi especialmente memorável para o publico jovem – especialmente se comparada à de quatro anos antes, realizada em Espanha, cuja mascote teve até direito a uma série animada propria (o que, convenhamos, não é comum para um representante de um evento não especificamente dirigido a crianças.) Para o público jovem português, no entanto, talvez a situação tenha sido um pouco diferente, já que uma das atletas representantes do nosso país conseguiria ganhar a medalha máxima na sua modalidade, afirmando-se como a digna sucessora de uma outra olimpiana, do mesmo desporto, cuja carreira atingia o ocaso.


Falamos, claro, de Fernanda Ribeiro, a segunda maior velocista portuguesa, logo a seguir à mulher de quem recebeu o testemunho – Rosa Mota, claro. Em Atlanta, Fernanda foi porta-bandeira por Portugal na abertura, e não defraudou as expectativas nela colocadas, regressando dos EUA com a medalha de ouro nos 10.000 metros femininos; já Carla Sacramento, a outra esperança no campo do atletismo, foi porta-bandeira no encerramento, mas não conseguiu qualquer meta assinalável na competição em si.



A prova em que Fernanda participava, e que viria a vencer, teve transmissão em directo na RTP


Infelizmente, como Sacramento, a restante comitiva não teve, nem de perto nem de longe, um desempenho tão honroso. Dos 107 atletas, além de Fernanda, apenas o duo da vela masculina saiu de Atlanta medalhado – no caso, o Bronze na classe 470. Dois outros atletas, Luís Cunha e António Abrantes, conseguiram bons tempos nos 100 e 800m, respectivamente, mas os mesmos não foram suficientes para progredir e atingir o pódio.


No restante, umas Olimpíadas desapontantes para o comité português, em transição entre a fase Rosa Mota e Carlos Lopes e o futuro com Patrícia Mamona, Telma Rodrigues e Obikwelu. A Selecção de futebol somava resultados como 5-0 (contra…) e a maioria dos miúdos estaria certamente mais interessada na prova de basquetebol, onde uma equipa americana movida a Michael Jordan, Magic Johnson e outros que tais davam (previsivelmente) cartas, chegando com facilidade à medalha de ouro. Ainda assim, vale a pena assinalar o aniversário de quarto de século da prova – e esperar que a comitiva portuguesa (desfalcada pela primeira vez de Rosa Mota como acompanhante de honra, devido ao COVID-19, faça uma prova um pouco melhor do que então…


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...