Saturday, 28 February 2026

Quintas ao Quilo: De TriNaranjus a TriNa - Uma Transição Bem Sucedida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


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Hoje em dia, os refrigerantes TriNa contam-se entre os mais populares em Portugal, a par dos 'eternos' Sumol, Frisumo, Compal, Fanta ou Coca-Cola, sendo a sua marca tão reconhecível quanto qualquer das supracitadas; quem é mais velho, no entanto, saberá que esta não era a designação oficial da bebida em causa, e recordará mesmo (ainda que vagamente) o momento em que se efectuou a transição.


Efectivamente, quem tem idade suficiente para ainda ter vivido parte dos anos 80 lembrar-se-à que, à época, o refrigerante de laranja sem gás (eterna opção ligeiramente mais saudável às gasosas e afins) levava a designação de TriNaranjus, nome com que fora 'importada' do mercado do país vizinho, de onde era oriunda, em inícios da década anterior, e sob a qual seria comercializada durante exactos vinte anos, até à aquisição da fabricante pela multi-nacional Schweppes, nos primeiros meses dos 'anos 90'.


Seria apenas a partir dessa altura que a designação passaria a ser simplesmente TriNa, um nome mais curto e memorável e que se encontra vigente até aos dias de hoje, mais de três décadas e meia após uma mudança aparentemente desnecessária, mas que acabou por se revelar mais do que acertada do ponto de vista comercial. Para quem recorda a designação anterior, no entanto, 'não há hipótese' – aquela bebida da infância será, provavelmente, para sempre conhecida como Trinaranjus...

Friday, 27 February 2026

Quartas aos Quadradinhos: Quarenta Anos do 'Herói À Portuguesa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026.


NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Quarta será aos Quadradinhos, e a próxima de Quase Tudo.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Apesar de ter alguama tradição em Portugal, a banda desenhada criada em território nacional tende a focar-se, sobretudo, no aspecto mais histórico ou, alternativamente, em tiras de humor publicadas em suplementos de jornais, não sendo de todo habitual ver surgir no País uma série que não só remete às produções franco-belgas de décadas anteriores, mas logra emular a sua qualidade. E, no entanto, foi precisamente isso que Luís Louro e Tozé Simões lograram fazer com 'Jim Del Monaco', uma colecção que abrangeu três décadas e apresentou ao Mundo bedéfilo o titular 'Indiana Jones à Portuguesa'.



Inicialmente criada há cerca de quarenta anos, a colecção em causa permaneceria em publicação constante até inícios da década seguinte, sempre pelas Edições Asa, com uma primeira série entre 1985 e 1989 (composta por quatro títulos) e uma segunda, mais extensa, entre 1991 e 1993 (com dois álbuns por ano e três em 1992, num total de sete volumes). Apesar desta prolífica produção, no entanto, o nível geral das histórias e aventuras de Jim nunca chegou a decair, apresentando a mesma qualidade ao longo de ambas as séries e tornando a colecção num triunfo para o panorama bedéfilo português, que ajudava também a lançar a carreira dos seus dois autores, e sobretudo de Louro, que gozaria de enorme sucesso como criador 'a solo'.



Não é, pois, de admirar que, mais de duas décadas após o hiato subsequente a 'Baja Áfrika', de 1993, Jim tenha regressado com mais duas aventuras, publicadas em 2015 e 2017, naquele que era o verdadeiro 'último suspiro' do grande aventureiro dos 'quadradinhos' nacionais. O seu legado, no entanto, continua bem presente e vigente na mais de uma dúzia de volumes que continuam a marcar presença assídua nas prateleiras das livrarias nacionais, tornando oportuna e merecida esta pequena homenagem ao herói e aos seus autores, no ano em que se assinalam os quarenta anos da sua primeira aventura, e os trinta e cinco do início da segunda série de álbuns da colecção.

Tuesday, 24 February 2026

Terças de TV: Trinta e Seis Anos de Um Modelo Educativo Inovador

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


O início dos anos 2000, e respectiva chegada da geração 'millennial' ao fim da adolescência, representou o primeiro momento em que, na História do Portugal pós-ditatorial, toda uma demografia teve acesso facilitado ao ensino superior, dependendo apenas de si mesma para, por mérito académico, assegurar um dos lugares de entrada no seu curso de eleição. De facto, apenas em inícios da década anterior, era ainda muito difícil à maioria da população atingir, ou mesmo almejar atingir, este nível de educação, resultando numa tapeçaria profissional menos qualificada e, por consequência, pior paga. Era, por isso, totalmente de louvar a iniciativa da RTP, que, inspirada por programas já existentes em outros países, inseria na grelha da 'culta e adulta' RTP2 um programa que visava, precisamente, servir como 'tele-aula' para aspirantes a um curso universitário, bem como para aqueles que não tinham meios conducentes a algo deste tipo. É a essa rubrica, estreada há quase exactos trinta e seis anos, que dedicamos as próximas linhas.


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Transmitida pela primeira vez a 17 de Fevereiro de 1990, a 'Universidade Aberta' foi transmitida em diversos horários, primeiro logo após a abertura 'oficial' da emissão (da responsabilidade de Vera Roquette e patrocinada pela Frisumo), e, mais tarde, antes do lendário 'Hugo', ao início do serão. Qualquer que fosse o horário, no entanto, o segmento era, mais do que um programa, uma verdadeira aula do ensino superior, ministrada por docentes vinculados à homónima instituição de ensino à distância, fundada no ano anterior; quem estivesse interessado podia, assim, obter conhecimentos na área em foco apenas por sintonizar o programa, num método então inovador e praticamente inaudito, mas quase pitoresco na presente era hiper-digital. Ainda assim, este protocolo ajudaria a Universidade Aberta a estabelecer-se como instituição de referência para o ensino remoto a nível mundial, título que lhe foi oficialmente outorgado pela União Europeia em 2008. Antes disso, em 1995, a 'alma mater' em causa havia já atraído atenções por ter sido o primeiro estabelecimento de ensino superior em Portugal a introduzir um curso de Estudos Femininos, num gesto incrivelmente progressista para a época em causa.


Quanto ao programa da RTP, o mesmo voltaria a ser transmitido a partir da década de 2010, agora com um formato mais voltado para o debate sobre assuntos ligados ao ensino superior, por oposição ao modelo pedagógico da emissão original, o qual transitou, de forma natual, para a Internet. Quem viveu aquele tempo à vez tão próximo e tão longínquo recordará certamente, no entanto, o formato então veiculado diariamente, e que talvez tenha até motivado algum dos seus familiares ou amigos a procurar 'cultivar-se' e a almejar completar, ainda que à distância, o tão cobiçado curso superior...



 


 


 


 

Monday, 23 February 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos de Problemas de Comunicação na Televisão Portuguesa

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Já aqui por várias vezes mencionámos a mítica 'Rua Sésamo' como grande e incontornável exemplo da televisão educacional e pedagógica portuguesa, não só à época da sua transmissão, como nas décadas subsequentes. Esse estatuto não impedia, no entanto, que outros programas tentassem o mesmo tipo de abordagem – pelo contrário, o sucesso de Poupas e companhia apenas encorajava as produtoras nacionais a criar mais conteúdos desse tipo, dando azo, ao longo da última década do século XX, a programas como 'Zás Trás', 'Contos do Mocho Sábio' ou 'O Jardim da Celeste'. Mas enquanto estes exemplos eram relativamente declarados nas suas aspirações educativas, outros havia algo mais subtis, como é o caso da série de que falamos neste 'post', e que comemorou há poucos dias os trinta anos da sua primeira emissão.


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Falamos de 'Alhos e Bugalhos', estreada na RTP2 (então 'casa' por excelência de conteúdos deste tipo, tendo mesmo a 'Rua Sésamo' passado por lá a dado ponto, vinda do Canal 1) a 21 de Fevereiro de 1996, e que, ao longo da sua única temporada de vinte e seis episódios, procuraria incutir no seu público-alvo rudimentos de vocabulário, através de um cenário de 'café', onde um estrangeiro procura aprender e perceber melhor o português, missão em que é ajudado pelos 'fregueses' habituais; um modo inteligente e divertido de fazer as crianças aprenderem sem perceber, gizada por um conjunto de nomes 'de respeiro', como Maria Emília Brederode Santos (uma das coordenadoras da 'Rua Sésamo', anos antes) a autora infantil Luísa Ducla Soares ou Sérgio Godinho, que assina a música. Uma equipa experiente e de sucesso comprovado, mas que, infelizmente, não conseguiria repetir a 'magia' de 'Rua Sésamo'.


Efectivamente, 'Alhos e Bugalhos' seria mais uma das muitas séries a não lograr ficar na memória nostálgica dos 'millennials' portugueses, talvez pelo seu cariz mais educativo, ou talvez pela falta de um 'gancho' que prendesse o interesse do público-alvo ou de actores mais consagrados nos papéis principais. Ainda assim, nunca fica mal recordar mais este 'tesouro escondido' da televisão infantil portuguesa, na semana em que se completam exactos trinta anos sobre a transmissão do seu primeiro episódio.


Friday, 20 February 2026

Sessão de Sexta: Trinta Anos de Um Filme Que Lançou Duas Carreiras

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Após ter iniciado a sua carreira como 'carinha laroca' para filmes românticos (a par de contemporâneos como Johnny Depp ou Leonardo DiCaprio, que viriam a ter percursos de carreira semelhantes) a segunda metade dos anos 90 viu Brad Pitt afirmar-se como actor credível, mediante uma série de (excelentes) filmes de cariz mais sério e que, apesar de inicialmente parecerem escolhas pouco ortodoxas para um actor como Pitt, o ajudaram a revelar os seus talentos dramáticos. O primeiro destes – e que marcaria o início de uma frutífera relação entre o actor e o realizador David Fincher – seria 'Se7en – Sete Pecados Mortais', sobre cuja estreia em Portugal se completaram no início deste mês de Fevereiro (concretamente, dia 2) exactos trinta anos. E porque, na ocasião, escolhemos focar outro filme também a celebrar um 'aniversário' marcante, nada melhor do que dedicar agora, ainda que com cerca de três semanas de atraso, algumas linhas a este excelente 'thriller' policial.


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Com Brad Pitt e o fantástico Morgan Freeman nos papéis principais – como uma dupla de detectives no encalço de um assassino que comete crimes com base nos sete pecados mortais, interpretado por Kevin Spacey – e Gwyneth Paltrow e John C. McGinley em papéis de apoio, o filme de Fincher não parecia, de início, destinado ao sucesso, tendo tido fraca recepção por parte dos público de teste. Ao ser lançado nas salas de cinema, no entanto, o filme desafiou quaisquer preconceitos a esse respeito, tornando-se um dos dez filmes mais lucrativos do ano, e conseguindo a proeza de reunir o consenso de público e crítica, algo suficientemente raro para merecer ser saudado.


Este sucesso ajudaria, por sua vez, a lançar as carreiras tanto de Fincher – até então conhecido por 'videoclips' musicais e cujo único outro trabalho de longa-metragem era o controverso 'Alien 3' – como de Pitt, que seria recrutado mais duas vezes pelo próprio Fincher e que se lançaria na série de filmes mencionada no início deste texto. Quanto a 'Se7en' em si, a sua influência e relevância mantêm-se bem vivas, continuando o filme a ser considerado um dos mais bem-conseguidos exemplos do seu género específico, mesmo mais de três décadas após a sua estreia mundial, e a constituir uma excelente opção para uma Sessão de Sexta mais 'adulta' e cinéfila. Razões mais que suficientes para lhe dedicarmos o seu próprio 'post', poucas semanas após se terem completado trinta anos sobre a sua chegada às salas portuguesas.



 

Wednesday, 18 February 2026

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: 'Brincadeiras Disney' - Mais Uma Experiência da Abril Jovem

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes falámos de como a hegemonia da Abril-Controljornal (ou Abril Jovem) no mercado dos 'quadradinhos' de quiosque nacionais lhe permitia levar a cabo experiências variadas sem, com isso, correr grandes riscos monetários ou financeiros. Não é, pois, de surpreender que, algures na primeira metade dos anos 90, a editora em causa tenha tentado a sua sorte num mercado então em expansão – nomeadamente, o das revistas de passatempos com personagens de banda desenhada. Surgia, assim, nas bancas o primeiro e único número de 'Brincadeiras Disney', que consistia precisamente daquilo que o título dava a entender – a saber, página após página de quebra-cabeças, cruzadexes e outros passatempos, tematizados em torno dos personagens das mega-populares revistas Disney publicadas pela Abril à época.


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Infelizmente, os conteúdos exactos deste título perdem-se nas 'brumas da memória', encontrando-se o mesmo totalmente Esquecido Pela Net (à parte uma única ficha no repositório Bazar0) e também esquecido pela memória do autor deste 'blog', que pode atestar que a revista em causa existiu lá por casa a dada altura, mas não sabe detalhar quaisquer dos seus conteúdos específicos. Assim, este terá de ser um daqueles 'posts' que pouco mais faz do que dar nota da existência de algo há muito perdido, oriundo de um tempo também ele irrecuperável, mas que deixa nada menos do que duas gerações repletas de nostalgia pela época em que a vida era mais simples e despreocupada, e um livro de passatempos do Tio Patinhas ajudava a passar uma tarde.

Tuesday, 17 February 2026

Terças Tecnológicas: 'Os Jogos das Olimpíadas de Inverno '98 - Desilusões (Mais Ou Menos) Ambiciosas

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Tal como sucede no aspecto mediático, também no campo dos videojogos as Olimpíadas de Inverno ficam a perder, não só relativamente às suas congéneres 'de Verão', como também a outros desportos mais populares em formatos interactivos. Ainda assim, tal não dissuadiu a Konami de procurar dar aos fãs das modalidades em prova naquele certame o seu próprio título-estandarte, com o lançamento, em finais de 1997, de 'Nagano Winter Olympics '98', o primeiro jogo a focar-se em desportos de Inverno que não o 'snowboard' desde o icónico 'Winter Games', mais de uma década antes.


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Disponível para PlayStation e Nintendo 64, e oficialmente parte da série de jogos de atletismo da Konami, 'Track & Field', 'Nagano Winter Olympics '98' seguia o mesmo princípio dos outros jogos da franquia, oferecendo aos jogadores a possibilidade de experienciarem simulações de modalidades com expressão reduzida ou nula em contextos interactivos, como o 'curling', o 'bobsled', o trenó ou a patinagem de fundo. No total, eram nove eventos em comum, espalhados por sete desportos, com outro – o salto de esqui – a apresentar modos distintos consoante a versão (dois na Nintendo 64 e um na PlayStation) e ainda um nono, a corrida em pista curta, a surgir apenas na versão para a consola da Sony. As categorias de esqui alpino (na PlayStation) e 'snowboard' (na N64) apresentavam ainda um modo exclusivo consoante o sistema, perfazendo um total de treze eventos na versão para PlayStation, e menos um na versão 64-bits. No cômputo geral, uma selecção variada, que lograva oferecer a desejada variação dos habituais 'saltos' e corridas de 'snowboard', e apresentar algo 'para todos os gostos'.


Infelizmente, e apesar desta ambiciosa proposta – e da jogabilidade divertidíssima de certos eventos, como o 'bobsled', que ganhava muito em ser jogado com amigos – nenhuma das duas versões de 'Nagano Winter Olympics' teve uma recepção particularmente calorosa por parte da crítica especializada, que considerou ambas pouco mais do que medíocres, citando controlos simplistas, erros gráficos, jogabilidade fixa e a ausência de um modo de treino como as principais pechas do título. Ainda assim, a versão para N64 foi considerada a melhor das duas, chegando a gozar de algumas críticas positivas por parte da imprensa da época – nada, no entanto, que impedisse este jogo de 'matar' não só a série 'Track & Field' como também a presença de jogos relativos às Olimpiadas em consolas da Nintendo durante mais de dez anos, até Mario e Sonic se 'aliarem' para revitalizar o género, já na década de 2010.


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Um resultado que, apesar de desapontante para os fãs de desportos de Inverno, conseguiu, ainda assim, ser mais positivo do que o do 'outro' jogo alusivo às Olimpíadas de Nagano '98 a sair para Nintendo 64 – o que não seria difícil, já que 'Olympic Hockey '98' chegou a receber uma classificação de zero em dez por parte do conceituado portal IGN! A razão para tal 'veneno' era, no entanto, simples e aparente, já que, à boa maneira da EA Sports, a GT Interactive havia lançado um jogo pré-existente com uma simples 'lavagem de cara' olímpica – no caso, 'Wayne Gretzky's 3D Hockey '98', então apenas com alguns meses de vida. Esta estratégia de pedir, novamente, 'preço completo' pelo mesmo título não agradou aos críticos (como, aliás, era também o caso com os jogos da EA) e 'Olympic Hockey' rapidamente caiu no esquecimento, sendo, hoje em dia, apenas notável como o primeiro jogo criado pela Treyarch, que se tornaria famosa, duas décadas depois, por uma franquia também ela composta por sucessivos titulos muito semelhantes – a icónica 'Call of Duty'. Quanto a este seu primeiro jogo, o mesmo não conseguiu, infelizmente, proporcionar aos fãs de desportos de Inverno a experiência que os mesmos desejavam, como, aliás, sucedia também com 'Nagano Winter Olympics '98'.


Os entusiastas das Olimpíadas de Inverno teriam, pois, de esperar mais alguns anos até a competição começar, verdadeiramente, a ter títulos à altura da sua dimensão – o que não invalida que primeiros esforços como o da Konami não mereçam ser recordados como tentativas pioneiras e ambiciosas de criar jogos 'de vanguarda', independentemente do sucesso almejado ou da qualidade do produto final.

Monday, 16 February 2026

Segundas de Sucessos: Trinta e Cinco Anos de 'Estrelas' Nas Tabelas Portuguesas

NOTA: Por razões temporais, esta Segunda será de Sucessos. As Segundas de Séries regressarão na próxima semana.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Ao falar de pop-rock português, o nome de Rui Veloso é incontornável, tendo o cantautor portuense sido um dos pioneiros e 'criadores' do próprio movimento, conforme seria conhecido nas últimas décadas do século XX. Não é, pois, de admirar que Veloso e o seu parceiro e letrista de sempre, Carlos Tê, entrassem na década de 90 a 'todo o gás', como dupla já estabelecida dentro do panorama musical português, mediante sucessos como 'Chico Fininho' ou 'Porto Côvo', e prontos a dar o passo seguinte nas respectivas carreiras – no caso, um álbum conceptual duplo. Nascia assim 'Mingos e os Samurais', primeiro registo de Rui Veloso nos anos 90, e ainda hoje um dos mais bem-sucedidos da carreira do vocalista e guitarrista.


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Utilizando como motivo narrativo a carreira de uma banda de garagem nos anos 60 e 70 – numa espécie de versão suburbana portuguesa do 'Ziggy Stardust' de David Bowie – 'Mingos' viria, de facto, a definir a carreira de Veloso, ainda mais do que a estreia 'Ar de Rock'. Isto porque, no ano e meio subsequente ao seu lançamento, o disco venderia quase trezentas mil cópias - naquele que era, à época, um recorde absoluto para um artista nacional – atingiria a séptupla platina (!), passaria quase meio ano no topo das tabelas de vendas de discos nacionais, e colocaria três músicas nos 'tops' de 'singles' ao longo do ano de 1991, sendo a mais icónica 'Não Há Estrelas No Céu', que passaria seis semanas em primeiro entre Fevereiro e Março, tendo a sua hegemonia sido interrompida apenas por 'I'm Your Baby Tonight', de Whitney Houston, e pela 'outra' música de Rui Veloso, 'A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)'. Em conjunto com 'Logo Que Passe A Monção' (que teria direito a duas semanas a número um no último terço do ano) as duas faixas ajudavam a estabelecer Rui Veloso como o grande artista nacional daquele ano, tendo o músico sido um de apenas dois artistas nacionais a atingir o primeiro lugar das tabelas naquele ano, sendo o outro Marco Paulo, cuja música 'Taras e Manias' atingiria os lugares cimeiros nada menos que três vezes, uma delas destronando Veloso.


Com tal trio como 'alavanca', e dada a reputação de que já gozavam os seus autores, não é de admirar que 'Mingos e os Samurais' tenha almejado os níveis de sucesso descritos no parágrafo anterior, e se tenha rapidamente estabelecido como um dos álbuns essenciais e definitivos da última década do século XX em Portugal – um feito notável, tendo em conta o facto de ter saído ainda nos primeiros meses da década, e que torna bem merecidas estas linhas, no mês em que 'Não Há Estrelas No Céu' celebra os exactos trinta e cinco anos da sua chegada ao número um das tabelas de 'singles' portuguesas.


Sunday, 15 February 2026

Domingo Desportivo: Portugal Nas Olimpíadas de Inverno dos Anos 90 - O Início de Um Precedente Discreto

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


No presente momento sócio-cultural internacional, o grande tópico de debate e interesse a nível desportivo são as Olimpíadas de Inverno; e, embora os desportos na neve e no gelo não sejam uma área em que Portugal tenha grande tradição ou expressão (por razões óbvias), a verdade é que o nosso País não tem deixado, ao longo dos anos, de enviar atletas a esta competição, os quais, apesar de nunca favoritos e ainda menos medalhados, não deixam, ainda assim, de ter tido o privilégio de representar Portugal a nível olímpico, sendo por isso merecedores de destaque. Os anos 90 não foram excepção a esta regra, tendo dois dos três eventos realizados nessa década contado com participação portuguesa, por muito discreta e nominal que a mesma tenha sido.


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De facto, após falharem por completo a presença na Olimpíada de 1992, Portugal lograva pela primeira vez enviar um representante à prova no ano de 1994 – Georges Mendes, que competia na categoria de esqui alpino e que viajava sozinho para a Noruega. Já quatro anos depois, no Japão, o número de atletas nacionais via-se duplicado, com representantes de ambos os sexos – a também porta-bandeira Mafalda Pereira (primeira mulher portuguesa a participar na prova) no esqui 'freestyle' e Fausto Marreiros na patinagem de fundo, modalidade em que a holandesa Jutta Leerdam acaba de estabelecer novo recorde, poucos dias antes da publicação deste 'post'.


Nenhum dos dois atletas se classificaria na respectiva prova, com Mafalda a terminar fora dos vinte primeiros (tendo, ainda assim, logrado a melhor classificação de sempre para o nosso País numa Olimpíada de Inverno, conforme se pode ler na imagem que ilustra este 'post'), e Fausto a nem sequer almejar entrar nos trinta melhores .Ainda assim, e conforme acima referimos, a mera possibilidade de representar o País a nível Olímpico (por muito pouca que tenha sido a glória) é, por si só, suficiente para colocar estes dois atletas (e Georges Mendes antes deles) no panteão de grandes nomes do desporto português, tendo os mesmos superado o 'ponto máximo' a que chegam a maioria dos desportistas, e estabelecido um precedente para Portugal no tocante a participações nas Olimpíadas de Inverno; razão mais que suficiente para merecerem ser recordados ao lado de outros olimpianos nacionais, e para lhes dedicarmos estas breves linhas, por ocasião de mais uma edição do certame que os notabilizou.

Saturday, 14 February 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Quarenta Anos da Última Sapataria Tradicional

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Numa edição recente desta rubrica, falámos da 'morte lenta' das sapatarias tradicionais, tal e como existiam até aos primeiros anos do Novo Milénio; agora, chega a hora de celebrar os quarenta anos de uma das lojas que, ao mesmo tempo, precipitaram essa situação e contribuiram para a permanência do referido tipo de estabelecimento nas ruas e avenidas portuguesas, mesmo após o desaparecimento de todas as 'concorrentes'.


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Falamos, claro está, da Seaside, uma das duas cadeias de sapatarias que se inserem no espaço intermédio entre 'franchise' de centro comercial e loja mais tradicional (sendo a outra a ainda mais veterana Calçados Guimarães), e cujo conceito permanece inalterado desde o seu aparecimento em 1986 – nomeadamente, oferecer calçado de fabrico nacional (com toda a qualidade inerente a tal origem) a preços competitivos em relação às referidas sapatarias de 'grande superfície'. Uma proposta de valor que, inevitavelmente, a torna atractiva para uma vasta gama de demografias, e que contribuiu para fazer da cadeia uma das mais procuradas não só pelos pais de crianças e jovens (em busca de calçado de qualidade e em conta para os filhos) como também pelos próprios jovens, que ali encontram, por exemplo, botas em pele a preços adequados aos seus orçamentos.


Com estes factores em conta, não é, pois, de admirar que a Seaside seja, para muitos, sinónima com a compra de calçado semi-formal nas últimas três décadas (os sapatos de ténis continuavam a provir maioritariamente das lojas de desporto, ainda que a Seaside também os vendesse) e que mesmo hoje em dia, na era das compras 'online', continue a ter alguma expressão no panorama comercial do País, onde retém o estatuto de uma das poucas sapatarias verdadeiramente 'de rua' ainda existentes em localidades como a capital Lisboa. Uma rara história de sucesso a longo-prazo sem, para isso, ser necessário comprometer os princípios ou a visão de mercado, e que merece bem ser celebrada, no ano em que a cadeia em causa completa quatro décadas de vida, e parece bem posicionada para vir a completar ainda muitas mais...

Friday, 13 February 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Carnavais 'Explosivos' dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Ainda mais do que os estalinhos, eram o 'terror' de quem não gostava de 'sustos', surpresas ou barulhos repentinos, e que era obrigado a passar toda a ponta final de Fevereiro em constante alerta, não fosse alguém decidir rebentar uma delas nas proximidades; falamos, claro está, das tradicionais 'bombinhas' de Carnaval, um dos elementos mais icónicos e apreciados da época em causa entre as crianças portuguesas dos anos 90, e que se contaram entre as mais inevitáveis vítimas do acréscimo de vigilância e regras das duas décadas seguintes.


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Neste caso, no entanto, tais precauções eram justificadas, já que as 'raspas' e bombinhas constituíam, efectivamente, um perigo público, não só para quem circulava junto das mesmas quando eram largadas como também para o próprio utilizador, sendo muitas as variáveis que podiam 'correr mal' e levar a um fim mais ou menos trágico para uma brincadeira algo menos do que inocente. Assim, após inúmeras campanhas por parte de entidades como a PSP ou mesmo a RTP (que chegou a fazer uma reportagem sobre o assunto) não terem surtido o efeito desejado, a solução passou mesmo por retirar do mercado os engenhos explosivos carnavalescos, restringindo a utilização mediante a restrição do acesso aos mesmos. E se tal decisão resultou em Carnavais, regra geral, bastante mais calmos e com muito menos 'sustos', também é verdade que quem cresceu a largar estas bombinhas todos os meses de Fevereiro certamente sentirá nostalgia pelas mesmas sempre que se começam a ver, na rua, crianças mascaradas 'a rigor'...

Wednesday, 11 February 2026

Quartas de Quase Tudo: Um Início Sombrio Para A Época Natalícia de 2000

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Apesar de Dezembro ser, tradicionalmente, um mês festivo, a quadra natalícia portuguesa do primeiro ano do século XXI iniciava-se, não com alegria, mas com tragédia. Isto porque, a 11 de Dezembro do ano transacto, assinalaram-se os exactos vinte e cinco anos sobre o desastre ferroviário de Ermida, em que um comboio de passageiros acabou parcialmente submerso no Rio Douro, vitimando o maquinista e fazendo ainda sete feridos, naquele que fora um dos mais impactantes acidentes de comboio da década, a par do ocorrido mais de uma década antes, na zona da Grande Lisboa, e que já abordámos nesta rubrica.


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Seria pouco depois de a locomotiva 1400 da CP deixar a estação de Ermida, no concelho de Baião, no distrito do Porto, que a queda de uma pedra nos carris causaria o descarrilamento da mesma ao passar sobre uma ponte, fazendo com que todo o comboio ficasse 'pendurado' sobre o rio, com a locomotiva a desaparecer mesmo sob as águas, levando consigo Bruno Sousa Vieira, de 59 anos, que servia de maquinista, e cujo corpo seria recolhido do rio poucas horas depois. Melhor sorte teve o assistente do mesmo, que ficaria apenas ferido, o mesmo acontecendo com dois revisores e quatro passageiros; o condutor do comboio, esse, sairia incólume, tendo conseguido saltar da locomotiva antes de a mesma submergir completamente. Os passageiros das carruagens traseiras não sofreriam igualmente quaisquer sequelas, já que as mesmas nem sequer chegaram a desviar-se dos carris.


O acidente levou, naturalmente, a uma investigação, e ao habitual 'apontar de dedos' entre as partes responsáveis pela manutenção do comboio e da via férrea. Ainda assim, o acidente foi considerado 'imprevisível', já que a pedra responsável pelo descarrilamento caíra já depois de um veículo de inspecção da linha ter passado pela zona naquela manhã, sem encontrar nada a registar. Uma tragédia no mais puro sentido da palavra, portanto, que fazia com que a época natalícia daquele ano se iniciasse em tom mais sombrio do que o habitual, e que deixava pelo menos uma família sem vontade de celebrar fosse o que fosse...

Tuesday, 10 February 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de Uma Lição Musical 'A Todo O Gás'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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A juntar à excelente produção nacional da época – uma das melhores no que ao audiovisual português diz respeito – a televisão portuguesa dos anos 90 tinha também como prática corrente a importação de programas de sucesso no estrangeiro, tanto sob a forma de adaptações ou localizações nacionais como directamente da 'fonte', sem quaisquer alterações ou mesmo dobragem. Foi assim, por exemplo, que muitos jovens lusitanos das gerações 'X' e 'millennial' tiveram pela primeira vez contacto com muitas 'britcoms', bem como com programas icónicos da televisão de outros países, como 'Top of the Pops' ou 'Candid Camera', com Dom DeLuise. que inspiraria as posteriores tentativas nacionais de criar programas de 'apanhados'.


Outro exemplo desta mesma tendência surgia na então ainda única emissora nacional, algures em Fevereiro de 1991, e fazia de imediato as delícias dos fãs de rock progressivo, um estilo então já em declínio mas que encontrava, ainda, alguma repercussão em Portugal naqueles inícios dos 'noventa'. Tratava-se de 'Gas Tank' (traduzido como 'A Todo O Gás') um conceito dividido em seis episódios e que via dois dos mais conceituados músicos ingleses do género – os teclistas Rick Wakeman (dos lendários Yes) e John Ashton – convidarem para estúdio algumas das outras 'luminárias' do género, cada uma das quais, após a tradicional entrevista, se juntava aos anfitriões e à banda residente numa 'jam session' bem típica da cena 'prog'.


Uma proposta simples, mas sem dúvida apelativa para fãs de progressivo – mesmo tendo em conta que, aquando da sua chegada a Portugal, o programa tinha já cerca de sete anos, tendo sido originalmente transmitido em Inglaterra em 1983. Assim, é provável que os principais espectadores do formato durante a sua breve 'estadia' nas ondas portuguesas tenham sido, não as gerações então mais novas, mas os seus pais, os quais haviam, efectivamente, crescido a ouvir este tipo de música 'em tempo real' e, como tal, talvez identificassem melhor os músicos envolvidos em cada episódio.


Ainda assim, para quem se interessava por música e gostava de descobrir novos nomes, 'A Todo O Gás' podia, ainda assim, constituir uma ferramenta didáctica de algum valor, dado o seu foco num género e 'cena' em particular, e a sucessão de nomes ligados ao mesmo que 'visitavam' Wakeman e Ashton. E se, à distância de trinta e cinco anos, o programa se encontra praticamente apagado da memória colectiva nacional, terá, ainda assim, havido quem, durante um mês e meio em finais do Inverno de 1991, se tivesse 'colado' semanalmente à televisão para acompanhar esta original mistura audiovisual e, através dela, ficar a conhecer mais uns quantos candidatos a 'novo artista favorito'...

Sunday, 8 February 2026

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os Aviões 'Jumbo' Electrónicos - Uma Forma Irresistível de 'Viajar' Na Imaginação

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 07 de Fevereiro de 2026.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Na última edição desta rubrica, recordámos os aviões de brincar, enquanto que, há já algum tempo, dedicámos algumas linhas aos veículos electrónicos a pilhas, tão populares nos primeiros anos da expansão e globalização tecnológica; agora, neste novo 'post' duplo, chega a vez de relembrarmos um brinquedo que combinava na perfeição os dois elementos abordados nos 'posts' supracitados, e que, como tal, era capaz de entreter durante largos minutos no decurso de um Domingo Divertido, ao mesmo tempo que servia para 'fazer vista' e inveja aos amigos da rua num qualquer Sábado aos Saltos.


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E inveja é mesmo o termo correcto, já que – apesar de não estar afiliado a qualquer licença nem ser lançado por nenhum dos fabricantes de brinquedos mais famosos da época – o produto em causa era cobiçado por todos quantos o viam, e gozado em pleno por quem tinha a sorte de possuir um. Isto porque só faltava mesmo aos aviões 'jumbo' a pilhas levantarem vôo, estando todos os restantes elementos representados, e de forma tão realista quanto era possível para um brinquedo à escala – a saber, as escadas desciam e retraíam-se, as luzes das asas piscavam, e até mesmo o padrão lento e concêntrico que a maioria dos aviões adoptam ao circular na pista era relativamente bem recriado pelos movimentos do brinquedo. A juntar a tudo isto havia ainda a tradicional função de mudança de direcção ao bater num canto – 'marca registada' deste tipo de brinquedo – que servia como 'cereja' no topo de um 'bolo' por demais apelativo para as crianças daquela época.


De facto, o apelo destes aviões era intemporal o suficiente para podermos afirmar que, ao contrário da maioria dos produtos de que falamos nestas páginas, os mesmos talvez conseguissem despertar o interesse das novas gerações, criadas em ambiente digital, mas que, ainda assim, não ficam imunes a luzes, sons e efeitos chamativos, que este brinquedo possuía 'a rodos', e que utilizava de forma perfeita para atrair os 'pais' dessas mesmas gerações, quando tinham a mesma idade...

Saturday, 7 February 2026

Sessão de Sexta: Trinta e Cinco Anos de Uma Transição de Género Extremamente Bem Sucedida

NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


A transição de um actor do seu género de eleição para algo menos convencional é, invariavelmente, motivo para curiosidade, interesse e espanto por parte da sua base de fãs, e não só - seja um actor cómico como Jim Carrey a aceitar um papel mais sério e a brilhar a ponto de lançar uma nova fase na sua carreira ou, como é mais comum, um 'matulão' do cinema de acção a aventurar-se num papel cómico. E se, hoje, é The Rock o 'rei' desta última vertente, durante muitos anos, o título pertenceu a outro herói hipermusculado, o qual, em inícios dos anos 90, arriscou vários papéis de índole mais cómica e até auto-crítica, que lhe valeram algum sucesso, apreciação crítica e, pelo menos, um clássico do cinema infantil da época. É, precisamente, esse filme que escolhemos para esta Sessão de Sexta, meros dias antes de se celebrarem os trinta e cinco anos da sua estreia em Portugal.


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Era, de facto, a 08 de Fevereiro de 1991 que chegava às salas de cinema nacionais 'Um Polícia No Jardim-Escola', a impagável comédia de acção do veterano Ivan Reitman em que Arnold Schwarzenegger se vê obrigado a substituir a parceira numa operação infiltrada...como professor de uma turma do pré-escolar. Os resultados são previsíveis, com o 'durão' Schwarzenegger completamente fora do seu elemento, a tentar desesperadamente conter várias dezenas de crianças durante tempo suficiente para desempenhar a sua missão, e a acabar por criar laços de afecto com elas, por entre muitas e hilariantes peripécias. O elemento de acção, esse, apenas se 'chega à frente' no último terço, quando o Mr. Kimble de Arnie descobre o seu suspeito e o mesmo rapta o próprio filho, obrigando o musculado herói a proceder ao resgate da criança; paradoxalmente, esta é a parte mais fraca do filme, talvez por apenas envolver o menos interessante ou carismático dos mini-actores, sendo que os restantes quase 'roubam' o filme a Schwarzenegger com os seus dichotes adoráveis e perguntas ingénuas.


No cômputo geral, no entanto, 'Um Polícia no Jardim-Escola' consegue balancear bem os seus dois géneros – à maneira de um 'Polícia de Beverly Hills', '48 Horas', 'Táxi' ou 'Hora de Ponta' – de modo a proporcionar uma experiência extremamente divertida para todas as idades, tornando-o parte integrante da nostalgia de toda uma faixa etária, perfeito para uma Sessão de Sexta em família – pelo menos para quem não se incomode com a ponta final algo mais 'intensa' – e bem merecedor de homenagem por ocasião do trigésimo-quinto aniversário da sua estreia nacional.


Friday, 6 February 2026

Quintas ao Quilo: As 'Bolachas de Ursinhos' - A Combinação Perfeita

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2025.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Em Inglaterra e nos Estados Unidos, são conhecidas como 'Teddy Grahams', numa alusão dupla ao animal representado e ao tipo de bolacha de que eram feitos; no Brasil, chamam-se 'Fofys' ou 'Circus'; em Portugal, no entanto, nunca tiveram nome definido, sendo apenas identificadas como aquilo que eram. Falamos, claro, das 'bolachas de ursinhos', entretanto desaparecidas do mercado, mas que fizeram as delícias das gerações mais novas nos anos 90 e 2000.


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Disponíveis em dois sabores, facilmente identificáveis pela cor da embalagem – amarela para as 'normais' e azul-escura para a variante de chocolate – as referidas bolachas partilhavam com as Zoo, da Leibniz (populares durante o mesmo período) a combinação irresistível de bom sabor com um conceito diferente e atraente – afinal, qual é a criança, ainda hoje, que resiste a comer algo em forma de animal estilizado? O tamanho diminuto dos 'ursinhos' permitia, também – como acontecia com as Zoo – 'encher a mão' com várias bolachas ao mesmo tempo, as quais se podiam depois comer uma a uma ou 'enfiar' dentro da boca em conjunto, sempre sem complexos de culpa, já que uma bolacha 'normal' correspondia a pelo menos três ursos.


Uma combinação de factores que não podia deixar de as tornar favoritas das crianças e jovens da altura, e que faz ponderar o porquê de as 'bolachas de ursinhos' terem desaparecido do mercado português com o passar dos anos, ficando a certeza de que, caso voltassem, decerto não deixariam de agradar a toda uma nova geração que 'herdou' dos pais e avós o gosto por produtos semelhantes e ainda hoje existentes, como as referidas bolachas Zoo. Algo em que pensar para as principais companhias produtoras de bolachas nacionais à entrada para mais um ano...

Wednesday, 4 February 2026

Quartas aos Quadradinhos: Trinta Anos de Um Casamento 'Espectacular' e 'Sensacional'

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Apesar de apenas ter penetrado 'oficialmente' o mercado no ano anterior, a Abril-Controljornal era já, em 1996, presença monopolista e inescapável no panorama dos 'quadradinhos' de super-heróis editados em Portugal. Com posse dos direitos quer da Marvel, quer da DC, a editora 'inundava' as bancas e quiosques nacionais com títulos para todos os gostos, de ambas as editoras, e garantia também, com naturalidade, a exclusividade de lançamento de especiais, adaptações de filmes e séries, e histórias com dimensão de 'evento', as quais recebiam, via de regra, um tratamento algo mais distinto e luxuoso do que as comuns edições mensais. E se, do lado da DC, aquela segunda metade da década de 90 via serem lançadas sagas como 'Zero Hora' e 'A Morte do Super-Homem', da parte da Marvel, um evento dominava as atenções dos bedéfilos lusitanos: o casamento do Homem-Aranha, o qual tinha honras de edição dupla (com lombada) apesar de longe do cuidado dado aos eventos da DC.


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Ainda assim, o lançamento em causa tinha, para os fãs do aracnídeo, significado suficiente para justificar a 'romaria' às bancas em busca deste volume que tanto mudava – sem que muitos dos mesmos soubessem tratar-se de uma história já com quase uma década de existência, originalmente publicada nos EUA em 1987, e que, como tal, destoava da linha cronológica das edições mensais da Abril, cujas histórias datavam, à época, de inícios dos anos 90. Nada que incomodasse os totalmente 'alheios' fãs de Peter Parker, cujo único interesse era celebrar, finalmente, a união do seu herói com Mary Jane Watson – embora, claro, o evento não fosse totalmente livre de complicações, ou não fosse esta uma história de super-heróis.


O cariz especial desta edição ficava ainda mais patente no facto de, após o seu lançamento, a Abril ter retomado a cronologia que vinha seguindo até então, fazendo deste volume um 'caso à parte' – um daqueles lançamentos especiais que ocupavam o seu próprio nicho no catálogo da editora, e em que o ramo Disney da Abril portuguesa era pródigo à época. Uma característica que apenas ajudava a tornar esta edição ainda mais digna de nota, e indubitavelmente merecedora destas linhas, no ano em que se completam três décadas sobre a sua edição no mercado nacional.

Tuesday, 3 February 2026

Terças Tecnológicas: Trinta Anos de 'Metal Torcido'

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Os anos finais do século XX viram surgir, no mundo dos lançamentos interactivos, um sub-género muito próprio, que propunha 'apimentar' jogos de simulação automóvel com violência e elementos de combate ao estilo dos filmes de acção e ficção científica daquela mesma época. De 'Megarace' e 'Road Rash' a 'Carmaggeddon', 'Grand Theft Auto' ou 'Destruction Derby', foram várias as franquias surgidas na segunda metade do século XX que assentavam numa qualquer variação deste princípio, fosse aplicando-o a um contexto de corrida mais pura e dura, ou a situações de combate em arena. Era nesta última que se inseria outra das grandes séries do género, cujo jogo inaugural acaba de completar trinta anos há pouco mais de duas semanas, e à qual dedicaremos os próximos parágrafos.


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Lançado na Europa, para PC e PlayStation, a 16 de Janeiro de 1996, 'Twisted Metal' propunha combinar, num só jogo, elementos dos referidos 'Destruction Derby' e 'Megarace', apresentando um enredo centrado em combates de veículos em arenas fechadas, mas – ao contrário de 'Destruction Derby' – com recurso a armas futuristas equipadas nos próprios carros. Um conceito que já vinha sendo aplicado a jogos de corrida em pista (além dos dois 'Megarace', havia ainda títulos como 'LA Blaster', para PC) mas que surgia aqui com a inovação de todos os níveis consistirem de áreas fechadas e delimitadas, colocando o foco mais na violência do que na meta da corrida – aqui, ao contrário do que sucedia em 'Road Rash' ou 'Megarace', era impossível terminar um nível sem atacar ou fazer explodir os adversários.


Escusado será dizer que o referido conceito não deixou de apelar ao público-alvo, que tornou o primeiro 'Twisted Metal' num sucesso, e o seu personagem principal, o aterrorizante palhaço Sweet Tooth, num 'ícone' menor dos videojogos da época, não tardando o título a figurar na icónica linha 'Platinum' da Sony. Este sucesso era, igualmente, auxiliado pelo facto de a versão para PC não requerer aceleração gráfica, permitindo aos 'gamers' menos equipados desfrutarem também eles do jogo, e do seu famoso modo multi-jogador, no qual residia grande parte do apelo do jogo.


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Não constitui, igualmente, surpresa que um jogo com tal grau de sucesso tenha rapidamente dado azo a uma sequela, lançada pouco mais de um ano após o primeiro título (em Fevereiro de 1997) e que seguia a habitual e sempre segura fórmula 'mais do mesmo, mas melhor': melhores gráficos, novos níveis e novas personagens para 'encarnar' na missão de destruir todos os adversários e ver realizado o seu maior desejo. O sucesso, esse, foi também semelhante ao do jogo original, tendo 'Twisted Metal 2' chegado igualmente a atingir estatuto Platinum, e tido uma recepção crítica consideravelmente melhor do que a do mais divisivo primeiro título da série.


Curiosamente, ao contrário do que normalmente sucede com franquias bem-sucedidas, ficar-se-ia por aqui o percurso de 'Twisted Metal' na Europa, pelo menos no tocante à era dos 32-bits. Isto porque os dois jogos seguintes seriam lançados exclusivamente no mercado norte-americano, onde seriam recebidos de forma indiferente ou mesmo negativa, sendo eventualmente 'renegados' até mesmo pelos próprios programadores. Assim, o regresso da série ao Velho Continente dar-se-ia apenas já no Novo Milénio, com 'Twisted Metal Black' (de 2001, exclusivo da PlayStation 2) e 'Twisted Metal Head On' (de 2005, para PS2 e PlayStation Portable), além do habitual 'remake/reboot', surgido em 2012 para a terceira geração de consolas da Sony, e cujo apelo era já somente e declaradamente nostálgico.


Quando se fala na série, no entanto, continuam sem dúvida a ser aqueles dois primeiros jogos os mais recordados, tendo inclusivamente inspirado jogos posteriores, como o também excelente 'Vigilante 8'; razão mais que suficiente para assinalarmos, ainda que com algum atraso, os trinta anos de uma franquia extremamente 'do seu tempo', mas que, por isso mesmo, não podia deixar de figurar na memória nostálgica colectiva de toda uma demografia que vivia os seus anos de infância e adolescência durante esse mesmo tempo, e para quem a estética e premissa do jogo eram o epítoma da atitude e rebeldia que o marcava.

Monday, 2 February 2026

Segundas de Séries: Trinta e Cinco Anos de Uma Oportunidade Perdida

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Se houve género em que a televisão nacional dos anos 80, 90 e 2000 foi pródiga e floresceu, foi na programação dirigida às crianças. Fosse em segmentos como o Vitinho ou os Patinhos, concursos como 'Hugo', 'Arca de Noé' e 'Tal Pai, Tal Filho', animações como 'A Maravilhosa Viagem Às Ilhas Encantadas', programas como o Brinca Brincando, Clube Disney, Oh! Hanna Barbera, Vitaminas, Buereré, A Hora do LecasCirco Alegria, Batatoon, Um-Dó-Li-Tá e A Casa do Tio Carlos, séries educativas como o 'Zás Trás', 'Jardim da Celeste', 'No Tempo dos Afonsinhos', 'Os Contos do Mocho Sábio' ou a incontornável 'Rua Sésamo', ou outras mais tradicionais como 'Riscos', 'Uma Aventura', 'As Lições do Tonecas' ou 'Super Pai' (sem falar, claro, nos posteriores e igualmente incontornáveis 'Morangos Com Açúcar'), era raro o produto audiovisual infanto-juvenil produzido em Portugal que não encontrava o seu público. No entanto, tal como em tudo, existem excepções a esta regra – séries que, apesar de bem conseguidas e bem-sucedidas no imediato, ficaram (por uma razão ou outra) menos presentes na consciência colectiva das gerações então menores de idade; é, precisamente, sobre uma delas – estreada há exactos trinta e cinco anos, a 02 de Fevereiro de 1991 – que versam as próximas linhas.


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Antes mesmo de passar ao resumo, no entanto, há que louvar 'Quem Manda Sou Eu' como produto vanguardista, bem à frente do seu tempo no tocante à comunicação de assuntos importantes aos jovens. Isto porque a série não só dá aos seus protagonistas adolescentes (desempenhados por dois verdadeiros irmãos) agência na gestão do seu lar, como também ousa fazer da progenitora dos mesmos uma figura irresponsável, com problemas de alcoolismo, e dar a um dos irmãos uma personalidade boémia, em contraste com o da irmã, mais inteligente, engajada e responsável. A somar a isto tudo há ainda o facto de os pais dos dois jovens se encontrarem amigavelmente divorciados (tema, aliás, central à premissa da série) e activamente em busca de ligações românticas, não se coibindo a série de mostrar os efeitos deste paradigma, e de um lar dividido, na vida quotidiana e desenvolvimento psicológico dos dois jovens – um risco louvável e inusitado para uma série infanto-juvenil, especialmente em inícios da década de 90.


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Os protagonistas da série.


Pena que, talvez por isso, estes conceitos nunca sejam totalmente explorados, ficando a trama de cada episódio (e o cariz da série como um todo) mais próxima das 'sitcoms' com protagonistas jovens que então grassavam na televisão norte-americana, e onde temas sérios eram aflorados de forma igualmente superficial e passageira; uma pena, já que, tivesse arriscado um pouco mais, 'Quem Manda Sou Eu' poderia ter sido uma das pioneiras do género do drama juvenil, mais de meia década antes de 'Riscos' ter, mesmo, ousado adoptar esse ângulo. Tal como existiu, no entanto, trata-se de uma série divertida, merecedora de recordação à data deste seu aniversário marcante, mas que fica aquém do potencial que a premissa indicava, acabando por ser algo 'descartável' e por se encontrar algo esquecida pela consciência nostálgica daquele que foi o seu público-alvo.

Sunday, 1 February 2026

Domingo Desportivo: Um 'Grande' de Dois 'Pequenos'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Muito mais do que nos clubes ditos 'grandes', os muitos 'pequenos' históricos dos campeonatos portugueses vêem ingressar nas suas fileiras jogadores que verdadeiramente 'sentem' a camisola, e para os quais o compromisso a longo prazo e baseado na paixão se sobrepõe a qualquer consideração contratual ou salarial – ou não fosse essa a premissa desta rubrica. Mais raros, no entanto, são os nomes que conseguem apresentar tal vínculo em não apenas um, mas múltiplos clubes, como logrou o nome a quem dedicamos as próximas linhas, no dia do seu sexagésimo aniversário.


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De facto, antes de ser 'esteio' da defensiva central do Grupo Desportivo Feirense durante grande parte da década de 90 (ao lado do ainda mais histórico Pedro Miguel), Armando Gomes dos Santos fora já parte importante dos plantéis dos Dragões Sandinenses a partir de meados da década de 80, altura em que era promovido ao plantel principal, após ter feito toda a sua formação no clube; seria, aliás, ainda ao serviço da agremiação das Distritais portuguesas que o central veria 'entrar' a década de 90, tendo a primeira transferência da sua carreira sénior tido lugar apenas no defeso de Verão da década de 1990/91, quando se transferia para a Sanjoanense, naquela que seria a única época menos bem conseguida da sua carreira, com apenas dois jogos disputados ao longo da temporada. Foi, pois, sem surpresas que o Verão seguinte viu o futebolista 'mudar de ares', rumando à equipa que, sem que ninguém ainda o soubesse, se tornaria sinónima com o seu nome.


De facto, em Santa Maria da Feira, Armando viria a 'pegar de estaca', nunca realizando menos de trinta jogos por época ao longo das sete que passou no clube azul e branco, com o qual viveria 'altos e baixos', transitando entre a então chamada II Divisão de Honra (hoje Liga 2) e a II Divisão B (hoje Liga 3) mas nunca 'virando o bico ao prego' ou procurando novas paragens, preferindo, ao invés, tornar-se 'Grande dos Pequenos' daquele emblema, tal como o fôra em Sandim durante grande parte da década anterior. O defesa só voltaria, pois, a efectivar uma transferência após a segunda despromoção dos homens da Feira à II Divisão B, no final da época 1997/98, quando já contava trinta e três anos, mudando-se para a Vila das Aves para representar, durante uma época e meia, o Desportivo local.


A sua importância no seio da nova equipa e as boas exibições que continuava a carimbar garantiram-lhe, no primeiro defeso da década de 2000, nova transferência, desta feita para o Freamunde, onde passaria o período mais curto da sua carreira – apenas seis meses que, ainda assim, o viram alinhar quase duas dezenas de vezes com a camisola do clube, e abriram caminho a nova 'aventura', desta feita na Ovarense, onde voltou a ser opção quase indiscutível durante mais duas épocas, antes de regressar às suas duas 'casas', ingressando primeiro no Feirense (para a época 2002/2003) e depois no emblema que o vira despontar para o futebol sénior, e onde terminaria carreira, aos trinta e oito anos, no final da época 2003/2004. E quem observou atentamente o 'padrão' da carreira do agora ex-central certamente não ficará surpreendido pelo facto de o mesmo ter escolhido, precisamente, os Dragões Sandinenses como plataforma para embarcar na carreira de treinador, a qual seguiu durante três épocas, antes de se afastar definitivamente do mundo do futebol.


Hoje, aos sessenta anos, o antigo defesa pode 'olhar para trás' e orgulhar-se de uma carreira que, embora passada longe das 'luzes da ribalta' e a um nível mais modesto (sem sequer o habitual 'salto' para um clube de meio da tabela da I Divisão nacional, empreendido por tantos dos seus contemporâneos), demonstra ainda assim um nível de lealdade e amor à camisola cada vez menos comuns entre os futebolistas modernos. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...