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Wednesday, 3 June 2026

Quartas Aos Quadradinhos/Quintas No Quiosque: 'Maria Jornalista', Um Conceito Tão Audaz Quanto Esquecido

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-Feira, 04 de Junho de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

A existência de páginas de banda desenhada em jornais, ou nas respectivas revistas, não era, de todo, caso inédito na imprensa portuguesa dos anos 90, embora, na grande maioria destes casos, o material se resumisse a 'tirinhas' importadas da América do Norte - salvo, claro, algumas excepções, várias das quais já aqui abordadas. O que a Notícias Magazine fazia em 1994, no entanto, não tinha precedentes na História da banda desenhada em órgãos de imprensa escrita, e não deixa de ser surpreendente que, hoje em dia, a iniciativa se encontre algo esquecida, tanto pela Net como pelos próprios 'X' e 'millennials' nacionais.



As contribuições de Fernando Bento e José Ruy (crédito das fotos: Outras Leituras do Pedro)

Talvez esse reduzido impacto se deva ao curto espaço de tempo em que as aventuras de 'Maria Jornalista' surgiram nas páginas da revista de fim-de-semana do Diário e Jornal de Notícias – no total, a personagem teve direito a apenas uma dezena de pranchas, cada uma com duas páginas e desenhada por um autor diferente. No entanto, ao longo daquilo que, no fundo, era uma mini-série, o potencial do conceito era explorado ao máximo, com a rotação de criadores a permitir uma grande variedade de estilos e atmosferas, que iam da comédia à acção e aventura, e o apoio da Notícias Magazine a tornar possível a inserção, em cada história, de personagens e acontecimentos reais e relevantes à época de publicação. Uma empreitada verdadeiramente original e pioneira, portanto, que merecia ser melhor lembrada, mas que, surpreendentemente, nunca foi compilada em qualquer tipo de formato comercial – isto apesar de a própria Notícias ser, já à época, uma das principais casas editorias portuguesas!

Sem o apoio de um álbum, no entanto, era inevitável que 'Maria Jornalista' adquirisse, praticamente, contornos de 'audiovisual perdido', sendo as pranchas que ilustram esta edição o único vestígio existente na Web de que esta série efectivamente existiu – isto apesar da panóplia de nomes sonantes da BD portuguesa que davam vida às pranchas, entre os quais se incluíam Luís Louro, Luís Diferr, Baptista Mendes ou José Ruy. Cabe, pois, ao Anos 90 contribuir para a expansão do material digital sobre a mini-série da Notícias Magazine, para que a mesma não seja totalmente esquecida, e possa ser divulgada junto das novas gerações de 'bedéfilos' nacionais.

Thursday, 14 May 2026

Quintas no Quiosque: A 'Grande' Referência da 'Reportagem' Em Portugal

 

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

O jornalismo de investigação sempre foi um dos 'ex-libris' da imprensa portuguesa, com a maioria dos principais profissionais de informação nacionais a poderem orgulhar-se de, pelo menos, uma reportagem 'a fundo' de enorme qualidade. Não é, pois, de admirar que, nas décadas de 80 e 90, tivesse existido primeiro um programa e, mais tarde, uma publicação tematizada em torno deste tipo de jornalismo; é desta última que falamos nesta Quinta no Quiosque.


Inicialmente activa por um período de apenas seis meses, em meados dos anos 80, a revista Grande Reportagem viria a gozar de uma 'segunda vida' (ou segundo fôlego, se preferirmos) já nos últimos meses daquela década, quando o director José Barata Feyo e o seu principal colaborador (e eventual sucessor) Miguel Sousa Tavares 'ressuscitavam' a revista, já sem o contributo de nomes como Rui Araújo ou Joaquim Furtado, mas com substitutos mais do que à altura, como António Lobo Antunes ou Agostinho da Silva. O resultado era uma revista de referência no campo do jornalismo de investigação, a qual (sem quaisquer surpresas) gozaria de mais de uma década e meia de publicação contínua, naquele que era um paradigma diametralmente oposto ao vivido durante a primeira 'tentativa' de Barata Feyo e companhia.

Este percurso não foi, no entanto, livre de percalços, tendo a Grande Reportagem passado, durante os seus últimos cinco anos de vida, por quatro editoras diferentes, indo das Publicações Dom Quixote (sua 'casa' durante onze anos) a parte da Press Mundo, até acabar como suplemento de Sábado dos jornais do grupo Notícias, sob a égide da Controlinveste, em 2005; nada que beliscasse a reputação da revista como publicação de referência, mas sem dúvida um obstáculo à estabilidade vivida nos tempos da Dom Quixote. É, pois, admirável que, por meio a todo este sobressalto, a Grande Reportagem tenha conseguido manter o mesmo nível de qualidade e interesse para aficionados do jornalismo de investigação, e consolidado a nomeada que já possuía dentro do meio, e que a torna temática natural para esta nossa rubrica dedicada a publicações de relevo no Portugal de finais do século XX.

Wednesday, 13 May 2026

Quartas Aos Quadradinhos: O 'Mercado Alternativo' da BD Portuguesa Noventista

 A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Ao longo desta rubrica, temos vindo a falar de publicações oficiais que, de uma forma ou de outra e com maior ou menor impacto, ajudaram a fomentar a 'cena' portuguesa de banda desenhada no seu período áureo dos anos 80 e 90; no entanto, existia, durante o mesmo período, toda uma outra categoria de revistas tão ou mais seminais para o crescimento da BD portuguesa, mas que se movimentavam em meandros mais obscuros, sendo, via de regra, lançadas por amadores sem qualquer tipo de estrutura editorial e, como tal, com ciclos de vida normalmente curtos.



Capa da 'Mesinha de Cabeceira', uma das muitas fanzines da época em causa.

Falamos, claro está, das 'fanzines', tipo de publicação partilhado com o mundo da música, mas que, no caso da BD, funcionava de forma ligeiramente diferente e, discutivelmente, mais eficaz. Isto porque, enquanto que as 'fanzines' de música divulgavam indirectamente as bandas e artistas incluídos nas suas páginas – através de críticas ou entrevistas – revistas como a Boom!!!, Banda Desejada, Shock, Mesinha de Cabeceira e outras do mesmo género permitiam aos artistas 'apresentar-se' em primeira pessoa directamente ao público-alvo, através de páginas e histórias de sua autoria, eliminando assim o intermediário necessário no caso das fanzines musicais, ou dedicadas a outro tipo de criação artística ou cultural. E a verdade é que este método se afirmava mais do que benéfico para os artistas envolvidos (alguns, inclusivamente, internacionais) tendo o circuito de 'fanzines' de BD ajudado a lançar nomes tão sonantes da BD lusitana como José Carlos Fernandes, hoje o mais aclamado autor nacional de sempre.

Apesar das suas limitações, portanto, é fácil perceber o quão importante foi o papel das 'fanzines' de BD não só na divulgação de novos artistas do meio como também no colmatar de uma lacuna no então vibrante mercado nacional de periódicos; como tal, é também com naturalidade que esta categoria de publicação faz por merecer uma menção na rubrica dedicada aos 'quadradinhos' nacionais da época em que floresceram nos meandros limítrofes e marginais da criação artística portuguesa.

Saturday, 14 March 2026

Quintas no Quiosque: Trinta Anos de 'Casas' em Revista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 12 de Março de 2026.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Apesar de, normalmente, não ser um tema que se preste especialmente a toda uma publicação especializada, também o mercado imobiliário logrou, de alguma forma, encontrar o seu espaço no florescente mercado de periódicos do Portugal de finais do século XX, através de uma publicação que – em sentido contrário às mesmas tendências que vitimaram tantos outros títulos da época – logrou permanecer em actividade até aos dias que correm, ainda que, previsivelmente, já apenas em formato digital.


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(Crédito da imagem: CustoJusto)


Falamos da revista 'Casas de Portugal', cujo primeiro número completou há um par de meses exactos trinta anos. Surgida originalmente nas bancas nacionais em Janeiro de 1996, com periodicidade sensivelmente trimestral (apesar de alguns números saírem com apenas dois meses de intervalo, e outros cerca de quatro) a revista estabeleceu, logo desde esse primeiro número, o propósito declarado de oferecer artigos de interesse para agentes imobiliários e proprietários, em assuntos tão diversos quanto a decoração ou a maximização do espaço, por forma a garantir que os mesmos tinham as melhores probabilidades possíveis de vender ou alugar a sua propriedade. Em conjunção com esta vertente, cada número trazia ainda uma lista de casas, apartamentos e terrenos actualmente à venda, uma característica que se prestou admiravelmente à transição para o meio digital, sendo hoje um dos principais atractivos do 'site' da revista.


Uma publicação explicitamente especializada, portanto, mas que encontrou, ainda assim, uma demografia de interessados suficientemente vasta para lhe garantir três décadas de vida contínua – o que não deixa de fazer sentido, já que o imobiliário é um dos campos de negócio mais perenes e povoados no nosso País. Ainda assim, é admiravelmente raro para uma publicação deste tipo sobreviver trinta anos no seio da hoje moribunda imprensa nacional, justificando-se assim plenamente estas poucas linhas dedicadas a uma das poucas 'resistentes' que conseguiram tal façanha.

Thursday, 29 January 2026

Quintas no Quiosque: Preservar Uma 'Visão' de Futuro

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.


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Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.


Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.

Friday, 31 October 2025

Quijntas no Quiosque: As Revistas Especializadas Estrangeiras no Portugal dos Anos 90

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 30 de Outubro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Na última Quarta aos Quadradinhos, falámos das bandas desenhadas importadas, e de como era difícil ao comum bedéfilo português adquiri-las, ou sequer encontrá-las, nos anos da viragem de século e Milénio; nada melhor, pois, do que abordarmos agora as restantes revistas estrangeiras disponíveis no mercado nacional da época, relativamente às quais o problema se atenuava, ainda que não completamente.


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As revistas de música estavam entre as que mais frequentemente chegavam ao mercado português oriundas de outros países.


De facto, apesar de ser necessário encontrar uma tabacaria ou quiosque que as tivesse disponíveis (os quais rareavam), a variedade de revistas especializadas estrangeiras no mercado periódico português de finais do século XX e inícios do seguinte era consideravelmente maior que o de bandas desenhadas, tendo quase todos os nichos de interesse pelo menos uma publicação deste género trazida do estrangeiro. E se muitos desses mesmos campos eram de pouco ou nenhum interesse para as crianças e jovens que perfaziam as demografias 'X' e 'millennial', não deixava ainda assim de haver, entre o acervo de publicações do género, alguns focos de interesse. Já aqui falámos, por exemplo, da Bravo e Super Pop e das revistas de 'tricot' alemãs e francesas, mas podemos ainda falar, por exemplo, das várias revistas espanholas, francesas ou inglesas de videojogos, informática, música ou moda, ou da mítica 'Hola!', para dar apenas alguns exemplos do que os jovens podiam encontrar em bancas ou estabelecimentos mais especializados e de distribuição mais alargada.


De ressalvar que, pelo volume de publicações que enviava para Portugal mensalmente, o Brasil se afirma como um caso um pouco à parte deste paradigma – embora, curiosamente, a tendência fosse, nesse caso, inversa, com as bandas desenhadas brasileiras a ocuparem um volume de mercado maior ou igual às nacionais, mas as especializadas a ficarem consideravelmente atrás, surgindo a 'Wizard' e a 'Super Gamepower' como os únicos exemplos disponíveis com algum tipo de regularidade nos escaparates nacionais, por oposição ao muito maior número de revistas oriundas da Europa. Tal não significa, no entanto, que estas fossem, de todo, fáceis de encontrar (já para não falar no atraso de meses que apresentavam quando chegavam ao nosso País, algo particularmente inexplicável no caso de publicações oriundas de Espanha), sendo provável que o adolescente médio de finais dos anos 90 e inícios dos 2000 apenas tivesse uma ou duas mãos-cheias de revistas oriundas de fora de Portugal – isto quando, como foi o caso do autor deste blog, sabia (ou tinha) sequer onde as encontrar. Talvez por isso, ou talvez pelo estilo diferente das congéneres nacionais, as revistas importadas ocupam espaço próprio na memória nostálgica das gerações daquele tempo, muitos membros das quais já terão, mesmo, ido ao armário ou sótão procurar os exemplares que ainda guardam daquele período da sua vida...

Friday, 10 October 2025

Quintas no Quiosque: A Revista 'Lux' - Um 'Clone' de Sucesso

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-Feira, 9 de Outubro de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes referimos o salutar estado da imprensa portuguesa nos anos 90, que permitia não só a existência de publicações por vezes até demasiado especializadas, como a sã concorrência de vários periódicos centrados no mesmo campo de interesse, como o automobilismo (cuja multiplicidade de revistas aqui terá, em tempo, o seu espaço), o motociclismo, os jogos de computador e consola, a informática, ou, como no caso a que este 'post' se refere, o chamado 'lifestyle', ou em bom português, a 'imprensa cor-de-rosa'.


Isto porque, a um mercado já ocupado e dominado pela 'Caras', 'VIP' e pela pioneira e decana espanhola 'Hola', os primeiros meses do Novo Milénio veriam ainda ser acrescentado mais um título, de grafismo, conteúdos e abordagem em tudo semelhantes às suas antecessoras, mas que, mesmo com essa marcada falta de originalidade, conseguiu ainda assim encontrar público suficiente para reclamar a sua parcela dentro do mercado das revistas sobre celebridades e 'jet-set'.


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Falamos da revista 'Lux', cujo número inaugural surgia nas bancas portuguesas em Maio de 2000, apoiado por uma forte campanha de 'marketing' (ou não fosse editada pela Media Capital) e pronto a 'bater de frente' com as concorrentes e a enfrentá-las 'cara a cara'. E a verdade é que, apesar de não apresentar rigorosamente nada de novo em relação a qualquer das ditas-cujas, a publicação então encabeçada pelo casal Carlos e Conceição Pissarra – ambos veteranos do meio 'cor-de-rosa', com passagens pela 'Activa' e 'Cosmopolitan', além da concorrente 'Caras' - foi, ainda assim, acolhida de braços abertos por uma demografia para quem as entrevistas e rumores sobre personagens do 'jet-set' – devidamente acompanhadas das habituais fotografias de luxuosas vivendas e famílias felizes, destinadas a provocar tanto o deslumbre como a inveja – nunca eram a mais.


Tanto assim que, antes do final do ano, a 'Lux' se viu em posição de expandir a sua proposta, lançando publicações dedicadas à decoração de interiores e aos problemas femininos, intituladas 'Lux Deco' e 'Lux Woman', respectivamente, e que foram quase tão bem recebidas como a original. Qualquer das três se mantém, aliás, até hoje nas bancas portuguesas, com a sua longevidade a constituir atestado mais que suficiente ao facto de que, se tiver qualidade e cuidado evidente e der ao público-alvo o que este procura, até um produto mediático totalmente derivativo pode constituir uma história de sucesso.

Saturday, 26 July 2025

Quintas no Quiosque: As Revistas de Lavores - Um Elo Com O Passado Recente

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quinta-feira, 24 de Julho de 2025.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


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A principal representante nacional do género, à época


Qualquer mudança de paradigma ou mentalidade geracional não se faz de imediato, antes pelo contrário; tradicionalmente, verifica-se a continuidade de elos de ligação aos hábitos, interesses e tradições das gerações anteriores, por forma a não as alienar do 'novo normal', e a permitir-lhes, em vez disso, uma transição gradual para o novo modo de vida. O campo da imprensa escrita não é excepção a este respeito, o que explica o porquê de diversas publicações se manterem firmes geração após geração, mesmo depois de a sua relevância e impacto terem diminuído consideravelmente.


Nos anos 90 e 2000, o principal exemplo deste fenómeno eram as revistas de lavores, dirigidas sobretudo a uma população de mais idade, com interesse nas artes do bordado, 'crochet' ou ponto-de-cruz, e que encontravam na mesma a quase totalidade da sua audiência. Compostas, quase exclusivamente, por imagens de padrões, acompanhadas de instruções sobre como os tornar realidade, estas revistas eram, para 'leigos', tão ou mais inescrutáveis que qualquer outra publicação especializada e dedicada a um 'hobby'; para conhecedores do assunto, no entanto, as mesmas constituíam um recurso valioso, que ajudava à imaginação na hora de conceber novos padrões com os quais se entreter durante os dias, semanas ou mesmo meses subsequentes – razão mais que suficiente para a sua existência continuada, mesmo no auge da afirmação cultural da geração 'Millennial', cujo interesse por lavores era, e é, praticamente nulo.


Com o passar dos anos, o advento da 'Internet das Coisas' veio tornar estas publicações, como tantas outras, redundantes e obsoletas, já que é, hoje em dia, extremamente fácil conseguir padrões de bordado ou 'crochet' na Internet, e imprimi-los ou seguir as instruções no ecrã do computador ou telemóvel. Para quem prefere fazer as coisas 'à moda antiga', no entanto, é possível que estas revistas continuem a fazer sentido e a ter razão de ser, pelo que é possível que as continuemos a ver nas bancas nacionais durante ainda mais alguns anos.

Thursday, 12 June 2025

Quintas no Quiosque: A Revista Mais Misteriosa da Internet...Desvendada!

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Numa edição anterior desta rubrica, abordámos aquela que parecia ser a revista mais misteriosa da Internet, sobre a qual existia, apenas e tão sómente, uma foto num leilão do OLX. Por alturas desse 'post', procurámos especular sobre o que versaria a revista, e qual seria a sua origem e contexto, sem, no entanto, obtermos grandes resultados. Felizmente, o leitor nosso homónimo (e 'historiador' de serviço sempre que erramos ou não compreendemos algum detalhe) Pedro Serras, autor do blog Desumidificador, fez o favor de providenciar informação que nos permite, finalmente, contextualizar esta revista no panorama da imprensa juvenil nacional de finais do século passado. Assim, ainda que com vários meses de atraso (desculpa, 'outro' Pedro!) aqui ficam mais algumas linhas que resolvem, finalmente, o 'mistério' da revista 'Juvenil'.


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E a verdade é que, com estas informações, a falta de informações e obscuridade da revista se tornam fáceis de explicar. Isto porque a 'Juvenil' era uma publicação nos mesmos moldes da 'Nosso Amiguinho', isto é, ligada a um grupo religioso (no caso, os Salesianos) e adquirível apenas por assinatura no seio da própria instituição. A diferença, em relação à congénere brasileira, prendia-se não só com a longevidade (tendo sido fundada ainda em finais da década de 60, e publicada ininterruptamente em formato físico durante quase cinquenta anos, até 2016, altura em que passou a ter presença apenas digital) mas também com a faixa etária a que se destinava, e que fica bem patente no título da própria revista; isto porque, se a 'Nosso Amiguinho' era declaradamente direccionada a crianças em idade de instrução primária, a 'Juvenil' apontava ao público pré-adolescente (entre os 11 e os 14 anos), havendo por isso uma maior preocupação em esclarecer dúvidas relativas a essa etapa da vida humana, e em prestar auxílio, ainda que remoto e impessoal, a quem a atravessava.


Para 'aliviar' estas temáticas mais sérias, a revista trazia ainda os habituais passatempos, páginas de anedotas e saúde, horóscopos, traduções de letras de músicas dos 'tops', secções de correio, e uma peça de teatro para ler ou encenar, se assim se desejasse, aproximando-a assim de publicações homólogas do mercado laico, como a 'Super Jovem', e garantindo o engajamento do seu público-alvo, por muito assumidamente restrito que o mesmo fosse. Sob este formato, a revista foi capaz de deixar marca em, pelo menos, três gerações de adolescentes, sendo mesmo possível que pais e filhos da mesma família tenham, ambos, lido a revista durante o seu tempo de juventude; um feito notável, e que torna esta já não tão misteriosa revista ainda mais merecedora do destaque nestas nossas páginas. Resta, pois, deixar mais uma vez os nossos agradecimentos ao Pedro, sem o qual esta 'continuação' não teria sido possível, e a 'Juvenil' teria continuado tão misteriosa e causadora de perplexidade como antes...

Thursday, 10 April 2025

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Crash', Uma Experiência Louvável Mas Falhada

NOTA: Este 'post' é correspondente a Quarta-feira, 9 de Abril de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Nas últimas duas décadas do século XX, o mercado da banda desenhada em Portugal dividia-se em duas grandes categorias: por um lado, os 'quadradinhos' de quiosque da Disney, Marvel, Turma da Mônica e afins e, por outro, os álbuns encadernados, domínio quase exclusivo dos autores franco-belgas clássicos. De quando em vez, no entanto, um ou outro trabalho mais independente procurava 'furar' esta duologia, fosse ele um álbum ou série de álbuns assinados por um autor emergente ou, como no caso de que aqui falaremos, uma revista destinada a pôr em relevo múltiplos nomes da cena. Era, exactamente, essa a proposta da Crash, um periódico totalmente independente lançado pelas Publicações Totais que, apesar do nome algo 'duvidoso', conseguiram levar às bancas um produto com alguma qualidade, cujo primeiro número celebra este mês trinta anos de vida.


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Com foco particular na fantasia e ficção científica (géneros com larga e colorida história em países como os EUA e o Reino Unido, mas pouquíssima expressão em Portugal) a Crash era um projecto de Miguel Jorge, nome já com algum percurso no Mundo das artes gráficas nacionais, após ter colaborado com a revista especializada Art Nove. Apesar do envolvimento deste nome de relevo, no entanto, esta nova publicação – com periodicidade mensal e um custo de capa de trezentos escudos, a média para a época – situava-se no limiar entre revista profissional e 'fanzine' (como é classificada nos poucos 'sites' que a relembram), sendo a sua ética e missão editorias derivadas destas últimas.


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De facto, mais do que fazer dinheiro, Miguel Jorge e companhia procuravam dar a conhecer arte – o que pode explicar a pouca expressão que a revista teve, sendo mesmo incerto se terá passado do primeiro número, o único sobre o qual se conseguem ainda encontrar informações. Um caso, talvez, de, como se diz, de boas intenções estar o Inferno cheio – o que não deixa de ser uma pena, já que o objectivo dos editores tinha mérito evidente, e, caso tivesse resultado, a revista em causa poderia ter servido como muito necessária plataforma de lançamento para uma série de artistas gráficos de nicho que haviam tido o 'azar' de nascer e viver em Portugal. Sobram, pois, as referidas intenções, que poderão não ter sido suficientes para 'salvar' a 'Crash', mas a tornam digna de menção por ocasião dos trinta anos do seu primeiro (e talvez único) número.

Thursday, 13 March 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: A VERDADEIRA Revista Mais Misteriosa da Internet

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quarta-feira, 13 de Março de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes abordámos produtos, programas e publicações do Portugal dos 'noventa' que, por uma razão ou outra, foram Esquecidos Pela Net, transformando-se naquilo a que normalmente se chama 'lost media' e ficando, assim, algo arredados da memória nostálgica das gerações que então cresciam e amadureciam. No entanto, grosso modo, até o mais obscuro desses produtos possibilita a escrita de algumas linhas a seu respeito, seja através de recordações e memórias pessoais, seja pelos (poucos) recursos que ainda o recordam nos meandros cibernéticos; tal não é o caso, no entanto, com a publicação de que falamos neste 'post' duplo do Anos 90, e que consegue a proeza de ser o primeiríssimo tópico a deixar o autor deste 'blog' totalmente perplexo.


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De facto, é possível que nos tenhamos precipitado ao rotular a revista 'Ultra Som' como a mais misteriosa da Internet, já que, apesar da falta de dados ou números digitalizados da mesma, era pelo menos possível discernir do que tratava pelas pistas contextuais oferecidas pela única capa disponível na Net. No caso da revista agora em análise, no entanto, nem isso é viável, já que tanto o título impossivelmente genérico como as capas mostradas no leilão OLX (mesma fonte da 'Ultra Som') não permitem mais do que uma conjectura. E se o termo 'Juvenil' utilizado como título infere a quem a revista se dirige, as capas ora desenhadas, ora feitas de colagens fotográficas não deixam claro se a mesma deve ser inserida nas Quartas aos Quadradinhos, Quintas no Quiosque, ou mesmo em ambas, à laia de uma 'Super Jovem' (publicação com a qual parece ter maiores semelhanças). Pedimos, pois, aos nossos leitores que saibam alguma coisa sobre esta revista (alô, homónimo sabe-tudo!) que nos deixem alguma pista sobre a natureza da dita-cuja; nos entrementes, no entanto, tem mesmo de ficar por aqui esta análise sobre mais um elemento ultra-Esquecido Pela Net do Portugal de finais do século XX.

Wednesday, 25 September 2024

Quartas aos Quadradinhos: 'Transformers' - Robôs em Quadradinhos

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


As revistas licenciadas têm, desde os primórdios da banda desenhada 'moderna', feito parte integrante do panorama dos 'quadradinhos' mais comerciais, um paradigma que, vistas bem as coisas, acaba por fazer todo o sentido; afinal, estas revistas têm vendas praticamente garantidas junto dos fãs da licença em causa e, no caso de uma propriedade particularmente popular, poderão também atrair novos aficionados ou até leitores mais 'casuais', justificando assim o investimento, mesmo que muitos dos seus ciclos de vida acabem por primar pela brevidade. Os anos 80 e 90, em particular, conhecidos como a época áurea das propriedades ditas 'brinquedéticas' (em Inglês, 'toyetic', ou propício à criação de brinquedos) não poderiam ficar imunes a este fenómeno, tendo sido inúmeros os títulos licenciados a 'tomar de assalto' as bancas americanas durante esse período; e ainda que a maioria delas não tenha transposto o Oceano Atlântico, algumas lograram, ainda assim, chegar às praias lusas, quer na sua edição brasileira (como 'Ewoks', um dos 'comics' de 'Guerra das Estrelas' publicados na linha infantil da Marvel, a Star Comics) quer em formato 'made in Portugal', como com as bandas desenhadas de Indiana Jones, 'Parque Jurássico', 'Guerra das Estrelas' ou – alguns anos antes destas – 'Transformers'.


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Capa do primeiro número da série editado em Portugal.


Editada logo nos primeiros meses dos anos 90, no auge da popularidade dos veículos-robôs em Portugal, a série originalmente concebida e publicada pela Marvel surgia no nosso País não pela mão da Abril (a qual, na altura, ainda não detinha necessariamente a exclusividade nacional de publicação deste tipo de material), mas da Meribérica-Liber, para a qual os 'comics' de acção americanos representavam um desvio considerável do habitual foco na BD franco-belga. Fosse como fosse, Optimus Prime e os seus companheiros passariam mesmo cerca de oito meses na companhia de Lucky Luke, Tintin e Astérix – e se estes heróis apenas esporadicamente viam serem editados álbuns das suas aventuras, os 'robôs disfarçados' tiveram honras de edição quinzenal, como era 'da praxe' para 'quadradinhos' da sua índole.


E a verdade é que a periodicidade não era o único elemento típico da BD de 'Transformers', cujos argumentos e desenhos eram tão típicos da Marvel que não destoariam entre o catálogo da Abril de meados da década de 90; de especial e 'vendável', portanto, apenas a presença dos robôs protagonistas, os quais, à época, eram bem capazes de 'vender' revistas por si só...pelo menos nos Estados Unidos. Em Portugal, onde a série animada teve bastante menos expressão (apesar de os brinquedos serem fáceis de encontrar em qualquer loja especializada) os cerca de setenta números lançados nos EUA desde o aparecimento da série, em 1984, viram-se reduzidos a apenas dezoito, sem que a mitologia criada pelos argumentistas e artistas tivesse deixado entre a juventude portuguesa o mesmo tipo de impacto que teve sobre a americana, onde a série animada original de 'Transformers' continua, até hoje, a ser tida em grande conta, e a contar com fãs de todas as idades. Ainda assim, durante a sua breve estadia nas bancas nacionais, 'Transformers' terá sido capaz de entreter o seu público-alvo pelo menos tanto quanto a congénere alusiva às Tartarugas Ninja – ainda que, como esta, a sua natureza dificilmente conduziria ao estatuto de clássico intemporal almejado por outras publicações da Marvel da mesma altura...

Thursday, 1 August 2024

Quintas no Quiosque: A Revista 'Telenovelas' - O 'Fóssil Vivo' da Imprensa Cor-de-Rosa Portuguesa

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui anteriormente falámos das revistas cor-de-rosa, ainda hoje o 'prazer secreto' de muitos portugueses e portuguesas, sobretudo das gerações mais velhas. Por muito popular que este mercado seja hoje em dia, no entanto, a sua dimensão, volume e espectro não se comparam com aqueles de que esse nicho da imprensa escrita gozava nos anos 80 e 90, quando a absurda 'saúde' do mesmo chegava a permitir criar publicações hiper-especializadas,focadas não apenas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais, mas nas 'fofocas' e grelhas de programação nacionais de um único estilo de programa televisivo. É o caso da publicação que trazemos da nossa última visita ao Quiosque, a qual surpreendentemente, subsiste até aos dias de hoje, com o formato praticamente inalterado, tornando-a num exemplo cada vez mais raro de longevidade no contexto da imprensa escrita nacional.


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Fundada logo nas primeiras semanas do ano de 1998, a revista 'Telenovelas' era encabeçada pelo fundador José Rocha Vieira e pela malograda Teresa Pais, que havia anteriormente passado pela 'Élan' e pela 'Teenager', e deixava desde logo claro o seu propósito: divulgar não só as tramas dos episódios semanais de cada telenovela então em exibição em Portugal, mas também fofocas, curiosidades e efemérides sobre as estrelas das mesmas, além das habituais secções sobre beleza, moda, sexo, saúde e bem-estar. Um conceito que não podia deixar de agradar a uma certa 'fatia' de público nacional, para quem este tipo de programa constituía, a par dos 'talk-shows', o expoente máximo da televisão, pelo que não será de admirar que muitos elementos das gerações hoje na casa dos trinta a quarenta anos tenham crescido com vários números desta revista na mesa da sala lá de casa, em meio às 'TV Guia' e outras revistas semelhantes, ou folheado as mesmas durante uma visita ao médico ou ao cabeleireiro, entre um número antigo da 'Elle' ou 'Vogue' e outro da 'Casa Cláudia' ou 'Guia'.


Mais surpreendente é o facto de, conforme acima mencionado, a revista se ter mantido 'viva' até aos dias de hoje, sobrevivendo à 'purga' da imprensa escrita causada pelos 'media' digitais, não obstante várias mudanças de pessoal, e até de editora. Hoje sob a alçada do grupo Trust In News, que a adquiriu em 2018 ao grupo Impresa, a publicação em causa constitui, pois, um dos poucos exemplos de 'fósseis vivos' daquela era de ouro da imprensa 'cor-de-rosa' portuguesa, sendo merecedora de atenção por quem queira ter uma experiência o mais próxima possível do que era ler uma revista do seu tipo em finais do século XX e inícios do seguinte.

Thursday, 25 January 2024

Quintas no Quiosque: '20 Anos' - Uma Alternativa Falhada

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


As décadas de 90 e 2000 representaram, possivelmente, o auge da imprensa infanto-juvenil em Portugal. Entre as inúmeras revistas aos quadradinhos e a profusão de publicações especializadas nos mais diversos ramos, difícil era encontrar uma criança ou jovem da altura que não comprasse pelo menos um dos muitos títulos disponíveis. De igual forma, o mercado mais 'adulto' viu também surgirem, durante este período, publicações como a Visão, a Sábado ou o menos duradouro mas não menos icónico 24 Horas, a juntar à panóplia de revistas e jornais estabelecidos já existentes, um panorama que, infelizmente, se alterou diametralmente nos últimos anos.


Em meio a toda esta oferta, no entanto, uma demografia ficava um pouco esquecida – a dos jovens mais velhos, já saídos da adolescência, mas a quem a abordagem mais política dos títulos supramencionados ainda não interessava particularmente. Foi com esse mercado em mente que surgiu, já em finais da década, uma publicação centrada na transmissão e debate de temas de interesse para a juventude, mas sob uma perspectiva mais evoluída, e com toques de humor e sarcasmo à mistura; e embora a mesma não tenha vingado, 'sobrevivendo' apenas durante cerca de um ano, há ainda assim que reconhecer o esforço dos envolvidos, entre os quais se contam nomes sonantes do humor lusitano, ligados às miticas Produções Fictícias.


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A original francesa que informava a 'versão' nacional.


Falamos da revista '20 Anos', a localização em português da revista francesa do mesmo nome, e um daqueles títulos completamente Esquecidos Pela Net que só tem teve contacto directo relembra, não havendo dela qualquer registo fotográfico digitalizado, nem tão-pouco os habituais leilões do OLX. Neste caso, devemos as (poucas) informações que temos ao Pedro Serra, que, apesar de fora da demografia-alvo, tinha acesso às revistas através da irmã mais velha (por aqui, a irmã era mais nova, sendo o autor também demasiado jovem para ter interesse na referida publicação). É, pois, graças ao relato em primeira mão do nosso homónimo e leitor assíduo que ficamos a saber que a '20 Anos' não se focava apenas num tema, propondo uma gama abrangente de conteúdos, sendo o denominador comum a irreverência e o humor. O próprio Pedro refere as 'tirinhas' de banda desenhada e os famosos 'testes de personalidade' tão típicos da época como os grandes destaques, tendo estes últimos a particularidade de serem redigidos por dois ex-alunos de Comunicação Social da Universidade Católica, de seus nomes Miguel Góis e Ricardo Araújo Pereira...


É também o Pedro quem sugere que a curta vida da revista se terá devido à dificuldade em encontrar a sua audiência, o que se afigura peculiar, dado serem, à época, muito poucas as publicações que 'fizessem a ponte' entre o universo das Super Pop, Bravo, Ragazza ou Super Jovem e os periódicos mais adultos, pelo menos de uma perspectiva generalista; por outras palavras, em teoria, pareceria haver mercado para uma 'versão jovem' de algo como a revista 'Guia', que parecia ser a proposta da '20 Anos'. Sejam quais tenham sido as razões por detrás do seu 'falhanço', no entanto, a verdade é que haverá pouco quem recorde aquela que tentou ser uma publicação revolucionária para a sua época, mas acabou como apenas uma 'nota de rodapé' meio 'apagada' na História da melhor fase de sempre da imprensa periódica portuguesa...

Thursday, 14 December 2023

Quintas no Quiosque: As Revistas de Culinária dos Anos 90

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A época natalícia é, em Portugal, sinónima de iguarias várias; e enquanto, hoje em dia, a maioria das receitas para as mesmas pode facilmente ser encontrada na Internet, nos anos 90, esse papel era desempenhado, sobretudo, pelas revistas de culinária, as quais, no mês de Dezembro, lançavam invariavelmente um número especial dedicado exclusivamente a receitas natalícias.


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Visão comum para qualquer português que tenha entrado numa tabacaria ou papelaria nas últimas quatro décadas (visto serem dos únicos tipos de publicação física a sobreviver até aos dias de hoje) estas revistas dividiam-se, e continuam a dividir-se, sobretudo em dois grandes grupos: por um lado, as 'decanas', como a 'Teleculinária', publicadas num formato semelhante ao de qualquer outra revista, e, por outro, as edições 'de bolso', normalmente mais baratas, com menos páginas, e com grafismos muito semelhantes entre si, sendo, por vezes, difícil distinguir um título do seguinte. Ambos os tipos eram presença frequente nas gavetas das cozinhas dos anos 90, com o segundo formato a provar-se particularmente popular, sobretudo pela sua excelente relação preço-qualidade – embora, quando era necessária uma receita 'fidedigna', se continuasse a recorrer às revistas de maior renome e mais estabelecidas no mercado.


Conforme referido, este tipo de publicações partilha, hoje em dia, espaço com a Internet como fonte de receitas, natalícias e não só; no entanto, ao contrário do que acontece em outras partes do Mundo, a maioria dos adeptos de culinária portugueses continua a preferir o método mais 'tradicional', com fórmulas dadas por profissionais e, como tal, com menores probabilidades de serem incorrectas ou até falsas, dois problemas que assolam os 'sites' culinários 'online'. Assim, não é de prever que as revistas de culinária cessem a sua produção nos tempos mais próximos – antes pelo contrário, não será controverso afirmar que este tipo de revista servirá, ainda, de fonte de inspiração para muitas receitas natalícias...

Sunday, 22 October 2023

Saídas ao Sábado: A Ida À Tabacaria ou Quiosque

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 21 de Outubro de 2023.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


De entre as Saídas de Sábado que, apesar de frequentes, nunca deixavam de causar alguma antecipação, a ida à tabacaria ou quiosque perde apenas para a ida ao café, jardim ou parque infantil em termos de memórias nostálgicas para a geração nascida e crescida em finais do século XX. De facto, apesar de não parecerem, à primeira vista, particularmente excitantes, estes estabelecimentos contavam com uma série de factores capazes de suscitar o entusiasmo dos mais pequenos durante a 'ronda de compras' diária ou semanal.


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As tabacarias de moldes tradicionais ainda hoje existem um pouco por todo o País.


De facto, entrar num destes estabelecimentos (ou, no caso do quiosque, apenas aproximar-se) revelava de imediato uma verdadeira imensidão de opções, prontas a 'torturar' qualquer jovem munido da semanada ou mesada. Qual escolher – o mais recente número da revista de jogos ou de 'posters', ou a BD do costume? Um chupa-chupa, ou uma mão-cheia de pastilhas elásticas? Talvez umas quantas saquetas de cromos para a caderneta? As possibilidades eram ilimitadas, e o único ponto negativo era mesmo ter de escolher entre elas.


Mesmo para quem não ia 'apetrechado' com trocos no bolso, a ida à tabacaria dava sempre a possibilidade de sair da mesma com um dos referidos artigos, oferecido pelos adultos à laia de prémio de bom comportamento, ou apenas como recordação do passeio – o que, por sua vez, os tornava ainda mais memoráveis e apetecíveis, contribuindo para criar expectativas sobre uma Saída de Sábado que, sem parecer à primeira vista particularmente entusiasmante, acabava sempre por constituir um ponto alto do fim-de-semana comum do jovem noventista.


Hoje em dia, as tabacarias e quiosques, tal como a referida geração os conheceu, estão em vias de extinção, mais parecendo mini-mercados ou lojas de 'souvenirs' com algumas revistas e jornais desportivos à mistura; assim, é duvidoso que a actual geração sinta o mesmo 'frisson' da dos seus pais ao entrar num destes estabelecimentos – até porque, regra geral, possuem acesso digital a quase tudo o que lá se podia adquirir. Para quem viveu aquela época, no entanto, é possível que, ainda hoje, a visita a uma papelaria, tabacaria ou quiosque de moldes tradicionais faça, ainda, vir à tona alegres memórias de infância e adolescência..

Thursday, 31 August 2023

Quintas no Quiosque: 'Casa Cláudia' - Um Clássico das Salas de Espera Há Quarenta Anos

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


As visitas ao médico de família, salão de beleza, ou qualquer outro local dotado de uma sala de espera serviram como principal ponto de contacto entre os jovens dos anos 90 e 2000 e certas revistas que, de outro modo, nunca chegariam necessariamente a entrar no seu 'radar'. Isto porque, se quase todos os lares portugueses da época tinham uma pilha de 'TV Guias' ou 'TV 7 Dias' na sala de estar, tal não era, necessariamente, o caso com revistas mais especializadas, cuja compra requeria um interesse pelo menos passageiro na temática que abordavam, mas que, no contexto acima descrito, ajudavam a passar o tempo, quanto mais não fosse olhando para as fotografias.


A revista de que falamos esta semana integrava esse lote, tendo-se, ao longo dos seus já quarenta anos de publicação, tornado um dos 'clássicos' das salas de espera nacionais.Trata-se de 'Casa Cláudia', a versão portuguesa da revista brasileira do mesmo nome, que chegava às bancas há pouco mais de quatro décadas, em Maio de 1988 – onze anos depois da fundação da sua congénere sul-americana – através da inevitável Abril (ainda longe de ser Controljornal).


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Como o próprio nome indica, a revista tem como principal foco a decoração de interiores, com tudo o que a mesma acarreta – ou seja, muitas (mesmo muitas!) fotografias de casas e acessórios que, hoje, seriam descritos como 'Instagramáveis', naquela espécie de 'catálogo disfarçado de revista' que continua a fazer as delícias de um certo tipo de público. E se, para as crianças e jovens, o tema em causa dificilmente detinha grande interesse, não deixava, ainda assim, de ser divertido ajudar os mais velhos a obter inspiração para potenciais projectos de decoração ou renovação, descobrindo assim, ao mesmo tempo, o gosto pessoal neste campo.


Claro está que o conteúdo da revista não se limitava a esse tipo de artigo, abrangendo ainda a análise a acessórios de exterior, a ocasional visita a casas de famosos, e até algumas peças de índole mais técnica, com instruções para projectos do estilo 'faça-você-mesmo' que permitiam, com algum jeito, poupar algum dinheiro no processo de renovação ou criação do lar. Uma fórmula que, longe de ser inovadora, encontrava tracção entre um determinado público-alvo, que assegurou o sucesso de vendas da revista até ao início da muito anunciada 'morte' da imprensa escrita em formato físico, em finais da década de 2010 – altura em que, aliás, a própria 'Casa Cláudia' havia já seguido o exemplo de outras publicações semelhantes e expandido a sua área de abrangência através de duas revistas-satélite, uma sobre arquitectura e outra dedicada exclusivamente a ideias sobre decoração.


Mesmo a referida transição para formatos digitais, e subsequente quebra nas vendas, não foi, no entanto, suficiente para 'matar' a 'Casa Cláudia', que se mantém nas bancas até aos dias de hoje, num de vários exemplos de resiliência por parte de publicações que, como Astérix, 'resistem ainda e sempre ao invasor' cibernético, e que – por esse mesmo motivo – se tornam merecedoras de destaque nas páginas deste nosso blog.

Thursday, 10 August 2023

Quintas no Quiosque: As Revistas de Dragon Ball

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Nas últimas semanas, falámos aqui de diferentes séries, jogos de vídeo e até de um CD da franquia Dragon Ball, todos os quais bons indicadores da verdadeira febre que o anime de Akira Toriyama representou entre a juventude portuguesa da segunda metade dos anos 90; agora, chega a hora de juntar ainda mais um item a essa lista, e falar, não de uma, mas de duas revistas lançadas durante o auge da popularidade da série e dedicadas exclusivamente à mesma.


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As capas das duas revistas, única prova da sua existência. (Crédito das fotos: Coleccionador Dragon Ball.)


Ambas com chancela da inevitável Abril/Controljornal, as revistas em causa encontram-se, hoje, algo Esquecidas Pela Net, tendo apenas sido catalogadas pelo infatigável Bruno, do blog 'Coleccionador Dragon Ball', de onde foram 'roubadas' as imagens para este post (desculpa, Bruno!) É graças a esta fonte – e, também, por lá em casa ter existido pelo menos um destes dois números – que ficamos a saber que a primeira das duas publicações foi número especial da popular revista Super Jovem, já no breve período em que a mesma teve formato A4, e se centrou sobretudo sobre o primeiro capítulo da saga de Toriyama, como se pode ver pela capa, enquanto que a segunda pomposamente se intitulou 'revista oficial' e versou sobre a saga 'Z', embora – estranhamente – dando protagonismo a Krillin sobre Songoku e Vegeta, os quais não parecem nada satisfeitos por as suas transformações em Super Guerreiro 'perderem' para um dos lutadores mais fracos da série (e que surge aqui com uma estranha vestimenta).


De resto, e à semelhança do que aconteceu com o nosso último tópico para esta secção, não temos mais informações sobre qualquer das duas revistas do que a que se pode obter olhando para as capas – nomeadamente, que ambos os volumes conteriam brindes (no caso da Super Jovem Especial cartas em relevo, e no da Revista Oficial, nada menos que seis posters) e perfis das principais personagens da série, parecendo mesmo ser esta a principal abordagem da segunda publicação. Já a Super Jovem Especial tenta oferecer um pouco mais de variedade, incluindo uma entrevista com Toriyama-san (aqui chamado, de forma algo 'tu cá, tu lá' e desrespeitosa, de 'Akira' – não confundir com a também super-popular série de manga e filme de anime) e listas de truques e combates marcantes de Songoku e amigos.


E ainda que o restante conteúdo de ambas as revistas se perca nas brumas do tempo, não é difícil prever que ambas tenham sido um sucesso de vendas – afinal, no período entre 1996 e 1998, tudo o que tivesse mesmo a mais ténue ligação à saga de Toriyama tinha, automaticamente, garantia de sucesso entre o público jovem. Pena que, trinta anos mais tarde, apenas reste a memória das capas destas revistas – e, mesmo assim, apenas graças a um coleccionador dedicado...

Thursday, 29 June 2023

Quintas no Quiosque: A Revista 'PC Guia' - Três Décadas a Informa(tiza)r os Portugueses...

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


De entre todos os tipos de publicação disponíveis no mercado português durante a década de 90, as revistas de jogos e informática estavam entre as que mais interesse suscitavam ao público infanto-juvenil, a par das de banda desenhada, música, celebridades ou especificamente dirigidas a essa demografia: o sector masculino, em particular, era ávido consumidor deste tipo de periódico, o qual constituía, à época, o principal recurso para conhecer as novidades no campo tanto do 'software' (jogos e programas informáticos) como do 'hardware', ou seja, os próprios recursos técnicos e tecnológicos por detrás do desempenho de um computador ou consola. E se no primeiro caso as líderes de mercado eram a 'Mega Score' e a 'Bgamer', sem grandes hipóteses para a maioria da concorrência, no segundo, um único nome era incontornável no Portugal dos 90s: a PCGuia.


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Exemplar da revista com o grafismo original.


Fundada em 1995, e inicialmente vinculada ao grupo Cofina, a nova revista não tardou a afirmar-se como referência no sector dos periódicos tecnológicos, devido, sobretudo, ao facto de não haver à época em Portugal qualquer outra publicação nos seus moldes. De facto, muito mais do que uma simples 'revista de jogos', ou seguidora das tentativas simplistas de lançar uma 'revista de computadores' feitas até então, a 'PCGuia' procurava ser aquilo que o seu nome indicava – um guia para utilizadores informáticos, e para aqueles que procuravam iniciar-se nesse mundo, ou simplesmente melhorar os seus recursos dentro do mesmo.


Assim, o conteúdo da revista tendia a misturar os melhores elementos de uma 'ProTeste' (e de outras revistas especializadas da época) com os da referida 'Mega Score', apresentando testes sérios, sóbrios e detalhados a computadores, sistemas e programas (entre os quais, claro, alguns jogos) ao mesmo tempo que dava conta das últimas novidades e dos mais entusiasmantes avanços tecnológicos a esperar no futuro, tornando-se assim uma valiosa 'aliada' dos consumidores informáticos na hora de decidir em que investir o seu dinheiro – o que, numa época em que a tecnologia primava ainda por preços exorbitantes, a ajudava a destacar-se dos restantes periódicos do ramo.


A juntar aos conteúdos verdadeiramente úteis e de qualidade cuidada estava, ainda, o principal atractivo da 'PCGuia' para grande parte do público jovem nacional – o CD-ROM (mais tarde DVD) recheado de versões de teste ou gratuitas do mais variado tipo de programas, alguns dos quais do interesse activo desta demografia. Tal como acontecia com a 'Mega Score', 'Bgamer' e mais tarde a 'Player', esta adição era, muitas vezes, suficiente para justificar o preço de capa, já que os programas nela veiculados tendiam a ter bastante uso por parte dos compradores.


Esta combinação de conteúdos de qualidade com um 'brinde' apetecível terá, aliás, sido o principal factor por detrás do sucesso da revista, que – ao contrário do que acontece com muitas das publicações que aqui recordamos – continua a marcar presença nas bancas nacionais a cada mês, embora agora em versão '2.0', e já sem o apoio do grupo editorial lisboeta. Significa isto que a revista, nascida na era do Windows 95, marcou já presença em quatro décadas da vida quotidiana portuguesa, durante as quais ajudou três gerações a escolherem material informático, e viu o mundo da tecnologia progredir dos primeiros processadores Pentium para Inteligências Artificiais que escrevem livros por si mesmas, quase sem ajuda; há que esperar, portanto, que estes mesmos avanços tecnológicos não venham a ditar o fim desta já 'decana' publicação, como aconteceu com tantas das suas contemporâneas...

Wednesday, 14 June 2023

Quartas aos Quadradinhos: A Revista 'Correio Juvenil' do Clube Verbo

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já aqui falámos, numa edição passada, de como os clubes de jovens por correspondência se popularizaram entre a juventude noventista. Da Sega e Nintendo ao grupo Auchan (através das mascotes Rik e Rok) passando pelo pioneiro Clube Amigos Disney e por um sem-fim de clubes de fãs de artistas sem afiliação corporativa, criados e geridos por jovens perfeitamente normais e anónimos, foram inúmeros os exemplos deste tipo de iniciativa surgidos durante as duas últimas décadas do século XX e primeira do seguinte.


O campo da literatura não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo sido nada menos do que duas as tentativas feitas nesse sentido por editoras populares entre a 'miudagem': o lendário Clube Caminho Fantástico, da Editorial Caminho – talvez o exemplo mais bem conseguido deste tipo de serviço – e o Clube Verbo, lançado pela editora homónima algures nos anos 80 e que, como o seu congénere, 'resistiu' até pelo menos à 'recta final' do século XX. Tal como sucedia com a maioria dos outros clubes deste tipo, cada um destes grupos tinha a sua revista própria, com passatempos, cartas e desenhos de leitores e – no caso do Correio Juvenil – também banda desenhada.


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Duas capas do suplemento, ambas alusivas à mesma história de Tintim


De facto, a revista veiculada pelo Clube Verbo destacava-se da 'concorrência' por se inserir no mesmo segmento de publicações 'oficiais' como 'Tintim', 'Spirou' e 'Selecções BD', bem como de suplementos vinculados a jornais e revistas, como o 'BDN' ou o suplemento juvenil do Expresso, ao reunir e editar em 'tranches' histórias de alguns dos autores mais clássicos do mundo da banda desenhada, com destaque para Hergé e Carl Barks, ilustrador principal da era de Ouro da BD da Disney, do qual foram veiculadas duas histórias entre os números 74 e 89, cada uma delas dividida em oito partes: do número 74 ao 81 foi editado 'O Sofá Expresso', de Donald e sobrinhos, e do 82 ao 89 'O Deus do Vulcão', com Mickey e Pateta. Os restantes (poucos) recursos actualmente existentes sobre esta revista mostram imagens de 'O Caranguejo das Tenazes de Ouro', aventura de Tintim passada no Médio Oriente, e sugerem terem sido publicadas histórias de outros autores franco-belgas menos conhecidos.


O facto, no entanto, é que o clube da Difusão Verbo foi um pouco 'Esquecido Pela Net', o que acaba por ser uma pena, já que parece tratar-se, como o Caminho Fantástico, de um exemplo particularmente bem conseguido do formato de clube de jovens por assinatura ou correspondência; cabe assim, como sempre, a este nosso 'blog' a função de recordar este clube, a sua revista, e as excelentes histórias nela publicadas, para que quem fez parte possa recordar, e quem não conhecia possa passar a estar a par...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...