Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.
Apesar de, hoje em dia, os nomes mais sinónimos com bolachas de chocolate (ou com pepitas de chocolate) em Portugal serem duas marcas estrangeiras – as americanas Maryland e Chips Ahoy! - quem anda agora por volta da meia-idade recordará a existência, em tempos de uma concorrente séria a qualquer das duas, de fabrico cem por cento nacional, e que fazia as delícias dos jovens nos anos da viragem de Milénio, com as suas três variedade de chocolate e uma quarta, a clássica (e, na opinião do autor deste blog, a melhor) que rivalizava em textura e sabor com os melhores períodos de ambas as marcas estrangeiras. Falamos, claro está, das não-tão-misteriosamente desaparecidas Chipmix, da Triunfo, às quais dedicaremos as próximas linhas.

A gama original (e clássica) das Chipmix.
Surgidas no mercado nacional ainda em finais do século XX, o sucesso destas bolachas entre o público infanto-juvenil foi quase imediato, muito graças aos atributos acima delineados; variedade (além da bolacha 'branca' com pepitas de chocolate, havia variantes com e sem recheio, de chocolate branco ou escuro), qualidade uniforme, e uma excelente relação preço-qualidade, com a produção nacional a permitir manter o dispêndio relativamente baixo e, ao mesmo tempo, oferecer pacotes maiores do que os das concorrentes estrangeiras. Não é, pois, de admirar que, para os jovens da altura, estas fossem AS bolachas de referência dentro do seu sector, ainda que as Maryland fossem também bastante apreciadas.
Quem percebe alguma coisa de negócios, no entanto, sabe que as marcas multinacionais também presentes no mercado não poderiam deixar florescer esta concorrente potencialmente 'tomba-gigantes', pelo que foi sem surpresas (embora com enorme desilusão) que os fãs destas bolachas viram a Triunfo ser vendida a um grupo internacional (em 2004), o qual, por sua vez, foi assimilado pela 'gigante' Kraft Foods (produtora das...Chips Ahoy!) em 2006. A multinacional ainda tentou 'suavizar' esta transição, mantendo as Chipmix nas prateleiras até inícios da década de 2010, mas apesar das afirmações sobre ter mantido a 'Mesma Receita', a verdade é que essas últimas Chipmix já nada tinham a ver com a histórica bolacha de alguns anos antes – e não se tratava apenas de os paladares da demografia-alvo terem 'evoluído' ou envelhecido, mas antes de um acréscimo de açúcar e amolecer da consistência que destruía o 'equilíbrio perfeito' que tinha notabilizado as bolachas em causa no tempo da Triunfo. Foi, pois, sem surpresas que esta versão 'mutante' dos amados biscoitos desapareceu sem alarde das prateleiras, deixando poucas saudades mas, ao mesmo tempo, imensas...da receita original.
Apesar de vítima de manobras corporativas e do passar dos anos (a própria fábrica da Triunfo já pouco produz, tendo tido de ser 'salva' do encerramento em 2015) a gama original das Chipmix sobrevive na memória nostálgica colectiva da 'geração e meia' ('millennial' e primeira vaga da 'Z') que teve o privilégio de com elas privar na idade em que coisas como gosto e consistência de uma bolacha ainda se revestiam de importância primordial. É, pois, a eles que dedicamos esta breve recordação de uma das melhores bolachas alguma vez existentes no mercado português.






























