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Tuesday, 4 March 2025

Segundas de Sucessos: 'F-F-F-FREESTYLER! ROCK THE MICROPHONE!'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 03 de Março de 2025.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


No que toca ao mundo da música, a Finlândia é normalmente associada, sobretudo, a sonoridades mais pesadas, inseridas no âmbito de géneros como o metal ou o rock gótico. Há quase exactos vinte e cinco anos, no entanto - nos meses da viragem do século e Milénio - o país escandinavo seria responsável por aquela que seria a grande música do primeiro Verão do século XXI, uma faixa de electrónica dançável que conseguia gerir perfeitamente as vertentes mais 'credível' e mais comercial, e que colocou a juventude do ano 2000, em Portugal e não só, a 'rappar' e a tentar inventar coreografias para acompanhar a batida.


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Falamos de 'Freestyler', o único êxito do duo conhecido como Bomfunk MC's, e que ajudou (e de que maneira!) a catapultar as vendas do álbum de estreia do mesmo, 'In Stereo', lançado no ano anterior. Com a sua mistura de hip-hop e batidas electrónicas, bem típica da época (sonicamente próxima de um Fatboy Slim, Prodigy ou mesmo dos momentos mais 'agitados' de uns Gorillaz) a música conquistou de imediato os corações de grande parte das gerações 'X' e 'millennial', passando desde logo a integrar a banda-sonora de muitos eventos e festas privadas levadas ao cabo ao longo dos seis a doze meses seguintes ao seu lançamento na Europa, em Fevereiro de 2000.



Esse sucesso levou, por sua vez, a que as referidas demografias descobrissem, também, 'malhas' como 'B-Boys Fly Girls' e 'Uprocking Beats', que, embora constituíssem meras variações da mesma fórmula, eram também dotadas de refrões suficientemente apelativos para 'ficarem na cabeça', sendo mesmo possível que alguns os tenham retido durante os vinte e cinco anos transactos.Infelizmente, o álbum caía na habitual armadilha de colocar todas as melhores músicas na frente, fazendo com que poucos chegassem alguma vez a passar de meio do álbum.


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Ainda assim, no entanto, as três músicas referidas teriam sido mais que suficientes para colocar os Bomfunk MC's no mapa; infelizmente, no entanto, tal não foi o caso, com os dois álbuns seguintes da dupla a passarem totalmente despercebidos no mercado europeu (ao ponto de poucos saberem que os mesmos existem), tendo o duo vindo a separar-se pouco depois do lançamento do terceiro LP, em 2005. Treze anos depois, no entanto, os Bomfunk voltavam à activa – e apesar de essa reunião não ter, até agora, rendido frutos, será talvez legítimo esperar que, a qualquer altura, o duo possa resumir a carreira do ponto em que a deixaram, com o lançamento de alguns 'singles' ou mesmo de um quarto álbum. Resta saber se o nome por si só chegará para reconquistar uma audiência para quem os finlandeses nada mais são do que uma recordação ligada a festas de Verão na infância e adolescência, e que provavelmente ainda hoje pensam que o jovem de 'rastas' que se passeava pelo vídeo oficial de 'Freestyler' – e que surgia na capa do 'single' - era um dos integrantes do grupo...

Monday, 21 February 2022

Segundas de Sucesso: 'Estou na Luuuuuuaaaaa...´

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


A música cómica ou humorística constituía, nos anos 90, um dos principais géneros na cena 'mainstream' portuguesa. Normalmente considerada mais 'de nicho', esta categoria de produção musical viveu, durante a referida década, um crescimento quase tão rápido como o 'pimba' ou o pop-rock, os dois principais géneros em que se tendia a inserir. Dos veteranos e pioneiros Ena Pá 2000 a artistas como os Mercurioucromos, José Figueiras e Fúria do Açúcar, passando por 'humoristas acidentais' como Zé Cabra, e mesmo algumas importações lusófonas, como Salsicha e Mário Jorge ou os Mamonas Assassinas, eram muitos os artistas que procuravam, de alguma forma, atingir o sucesso através da paródia mais ou menos explícita, parecendo, a dada altura, que não passava um Verão sem que mais uma destas músicas invadisse os 'tops' nacionais.


Nesse aspecto, o Verão de 1995 não foi excepção, tendo o inevitável 'hit' cómico desse ano pertencido a uns tais de Lunáticos, hoje um dos mais esquecidos (e, simultaneamente, puros e duros) 'one-hit wonders' do pop noventista português.



Apesar de o referido único hit, 'Estou na Lua' (porque eles eram Os Lunáticos, percebem?) ter posto crianças e jovens de Norte a Sul do País a cantar letras muito pouco próprias para a sua idade – à semelhança do que, na mesma altura, fariam os brasileiros Mamonas Assassinas – hoje em dia, é praticamente impossível encontrar informações sobre o pseudo-grupo centrado em torno do teclista e DJ leiriense Alex Santos.


E dizemos 'pseudo' porque, além do referido fundador (também produtor do material gravado) os únicos outros integrantes do grupo eram dois vocalistas, Miguel Dionísio e Manuel Pereira; os restante sons e instrumentos que se ouviam eram puramente sintetizados, numa manobra bem típica de certo pop da altura (e, verdade seja dita, ainda de hoje em dia) no qual estes Lunáticos se inserem.


Efectivamente, o som do 'grupo', pelo menos na sua música mais conhecida, salda-se naquele 'popzinho' leve e sem grandes pretensões artísticas, fadado a passar cem vezes por dia na rádio, a ser cantado na TV por futuras estrelas do 'stand-up' português, à laia de 'inside joke' e a suscitar cantorias do banco traseiro sempre que toca no carro a caminho da escola; e, nesse contexto, 'Estou na Lua' resulta maravilhosamente, sendo que há, ainda hoje, toda uma geração de portugueses que consegue cantar 'de cor' o refrão do tema, sem maiores 'ajudas' do que uma menção do título. Se ouvido na idade certa, este era daqueles temas que se entranhava nas sinapses, e lá ficava, adormecido, à espera de ser recordado – e cantarolado – a propósito de nada, literalmente décadas depois.


Infelizmente, o restante material dos Lunáticos não surtiu o mesmo efeito; se a relação entre o nome da música e da banda não for indicação suficiente (parece uma daquelas situações em que um grupo consegue que uma música 'estoure' sem sequer ter ainda nome, e tem que arranjar à pressa um que os associe ao seu tema-estandarte) os Lunáticos não pareciam, propriamente, ser um projecto a longo prazo, ou sequer destinado a passar de um único 'single'. Ainda assim, a crer no Google, o colectivo conseguiu, ainda, lançar quatro discos, dos quais o óbvio destaque vai para 'Muito À Frente', de onde é retirado o tema que os tornou, no Verão de 1995, um dos maiores fenómenos da música feita em Portugal.


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Capa de 'Não É Fácil', o profeticamente intitulado segundo álbum do grupo


Curiosamente, numa altura em que as vendas de música se contabilizam por temas individuais mais do que por álbuns, é difícil não pensar em como os Os Lunáticos poderiam ter beneficiado deste sistema, que lhes permitia ser um 'one-hit wonder' declarado, e manteria a sua música na consciência popular por um período mais alargado; no entanto, o som datado e meio 'fatela' do grupo assegura que o mesmo fique confinado apenas aos anos 90 – pelo menos até algum revivalista da nossa geração se lembrar de tentar trazer a música 'de volta', talvez num qualquer vídeo de TikTok, e puser mais uma geração de pré-adolescentes a cantar sobre mulheres nuinhas só com véu...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...