Friday, 30 January 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Trinta Anos de Uma Loja Com Apelo 'Natural'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 01 de Fevereiro de 2026.


Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente mencionámos o facto de os anos 80 e 90 terem sido palco de um enorme esforço de sensibilização para a ecologia, e para a importância de práticas como a reciclagem, a alimentação consciente, ou a utilização, sempre que possível, de materiais naturais no tocante a vestuário e calçado. Pois bem, uma cadeia de lojas ibérica decidiu, por volta da mesma altura, fazer deste conceito a temática central do seu modelo comercial, propondo artigos que – mesmo não sendo totalmente naturais, e ainda menos artesanais – seguiam ainda assim esse princípio, quer do ponto de vista da manufactura, quer de uma perspectiva mais estética.


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Falamos da espanhola Natura, fundada em 1992 e que viu a primeira loja internacional abrir em Portugal (concretamente na cidade do Porto) quatro anos depois, celebrando a mesma, este ano, as três décadas de existência. Facilmente reconhecível pelas enormes esculturas de ursos colocadas à entrada de cada loja (que quase pareciam ursos empalhados, tão elevado era o seu grau de realismo) e pelo cheiro a 'patchouli' proveniente do interior, os estabelecimentos da cadeia propunham uma enorme variedade não só de peças de roupa, mas também – sobretudo – de artigos decorativos e têxteis para o lar. Comum a toda esta diversidade de artigos era o 'design' rústico, quase parecendo, por vezes, feito à mão, e que se coadunava perfeitamente com a proposta da própria cadeia.


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A entrada de uma das lojas modernas da cadeia, com o icónico urso à entrada.


Curiosamente, apesar da estética e proposta reflectidas no próprio nome, a Natura optou, durante mais de duas décadas, por abrir as suas lojas exclusivamente em grandes superfícies comerciais, tendo a primeira loja 'de rua' da cadeia sido, inclusivamente, motivo de menção noticiosa aquando da sua abertura em Cascais, em 2017. Hoje em dia, a cadeia conta com quase seis dezenas de lojas em Portugal (quase todas, ainda, inseridas em 'shoppings' ou armazéns comerciais) iniciando a sua terceira década de existência no nosso País como uma das integrantes da restrita gama de estabelecimentos cujo próprio nome é garantia de vendas – razão mais que suficiente para celebrarmos, ainda que talvez prematuramente, a chegada desse marco para a cadeia espanhola.

Thursday, 29 January 2026

Quintas no Quiosque: Preservar Uma 'Visão' de Futuro

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


O nome é lendário e instantaneamente reconhecível para qualquer português com um mínimo de interesse em informação credível e jornalismo de investigação, elementos em que é reconhecida como uma das publicações de monta em Portugal há já mais de três décadas, desde a sua fundação em Março de 1993; e, presentemente, encontra-se em risco iminente de extinção, existindo actualmente apenas em fomato 'online', e dependendo do trabalho voluntário da sua dedicada equipa de redactores e dos donativos dos seus não menos dedicados leitores. Um quase-fim triste para uma revista que, surpreendentemente, não tinha ainda tido o seu espaço nas páginas do Anos 90, pese embora a sua importância no contexto da imprensa nacional.


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Falamos, claro, da 'Visão', grande 'fonte' de informação sobre os mais variados tópicos - sobretudo ligados à História, Política e Economia - para grande parte dos portugueses, dada a facilidade com que combinava factos complexos com um registo escrito ao mesmo tempo detalhado e acessível, uma 'proeza' que não é tão fácil de conseguir como parece, e que a ajudou a encontrar e estabelecer o seu lugar nas bancas nacionais e, posteriormente, a manter-se um passo à frente da grande 'rival' 'Focus'. Ainda mais impressionante, no entanto, foi o facto de esse mesmo registo e direcção editoriais terem resistido e sobrevivido a inúmeras mudanças de 'gerência', com a revista a estar inicialmente vinculada à editora suíça Edipresse, mais tarde à inescapável Abril-Controljornal, depois ao Grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão e, finalmente, à Trust In News, cuja falência originou a situação actual da revista (bem como de outra dezena e meia de publicações históricas da imprensa portuguesa, como a 'Caras', a 'Exame' ou o 'Jornal de Letras'). Longe estão, pois, os dias em que a 'Visão' se tornava a primeira revista nacional a ser distribuída em formato digital para 'tablets', entre outros méritos atingidos ao longo de quase três décadas e meia de vida.


Urge, pois, não deixar que esta referência do jornalismo investigativo português 'morra' de forma inglória, sendo que é ainda possível adiar o 'último suspiro' de uma revista que todos nos habituámos a ver no quiosque ou tabacaria a cada Quinta-feira (o que torna o dia em que este 'post' é publicado ainda mais significativo e emblemático) e estando grande parte do objectivo total de 200 mil euros (o necessário para os próprios jornalistas adquirirem a publicação) já atingido – tazão ainda mais válida para, em conjunto, os leitores da revista ajudarem a completar esse valor. Quem quiser contribuir para essa causa, poderá obter mais informações no seguinte link. https://visao.pt/atualidade/nao-fechem-os-olhos/2026-01-08-crowdfunding-continuar-a-visao-com-os-jornalistas-que-a-fazem/.

Wednesday, 28 January 2026

Quartas de Quase Tudo: 'Irmãos Castanheira' - Uma Boa Premissa Num Mercado Saturado

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Há já muito tempo, quando esta rubrica e este 'blog' eram ainda relativamente novos, falámos de alguns dos mais marcantes livros e autores nacionais do período englobado pelo mesmo, ou seja, a infância e adolescência das gerações 'X' e 'millennial'. No entanto, apesar de as referidas listas serem relativamente compreensivas, acabaram inevitavelmente por ficar de fora alguns nomes e volumes menos 'imediatos' e emblemáticos da literatura infantil da altura, alguns deles, inclusivamente, bem conhecidos no campo das obras literárias para 'mais crescidos'. É de um desses nomes, recentemente falecido, e da respectiva colecção infantil que falamos neste 'post', sugerido pelo nosso leitor assíduo e 'quase-colaborador' Pedro Serra.


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Os quatro volumes da colecção, por ordem de edição.


Falamos da também jornalista Clara Pinto Correia, falecida há cerca de seis semanas (em inícios de Dezembro) e que, há cerca de trinta e cinco anos (algures no ano de 1991), tentava a sua sorte no campo das colecções para crianças, com os quatro volumes das aventuras dos 'Irmãos Castanheira', um rapaz e uma rapariga que 'não são irmãos, mas parecem', já que partilham o mesmo nome (José e Maria José, ou o Zé e a Zé), apelido, prédio de residência, turma da escola e até equipa de remo – isto além de dois dos seus progenitores serem sócios de um negócio local, no caso um salão de beleza baptizado em honra dos protagonistas. A outra característica que ambos partilham é, claro, a propensão para 'tropeçar' em mistérios ao bom estilo 'Uma Aventura'/'Clube das Chaves', que formam a trama de 'Quem Tem Medo Compra Um Cão', 'A Canção dos Dinossauros', 'A Minha Alma Está Parva' e 'A Mulher Gorda'.


Uma premissa que, apesar de interessante, bem escrita, e com detalhes e personagens secundários cativantes (como a banda de música cabo-verdiana com o impagável e fabuloso nome de Dinhero Ca Tem, ou 'Não Há Dinheiro') travava uma batalha forçosamente desigual contra as grandes colecções da época (elencadas acima e a que há ainda a juntar 'Viagens No Tempo' e os clássicos de Enid Blyton, entre outros exemplos) bem como contra as obras de escritores como Alice Vieira, já mais estabelecidos junto do público-alvo. Assim, não é de admirar que a série de Pinto-Correia se tenha ficado pelos quatro volumes, os quais são (ou foram) ainda assim uma opção válida para quem já tenha lido tudo o resto que a literatura infantil portuguesa da época tivesse para oferecer. Quanto a Pinto-Correia, as suas contribuições para o jornalismo, literatura e educação nacionais encontram-se bem documentadas,e a sua morte, com apenas sessenta e cinco anos, representa uma perda de vulto para a cultura portuguesa. Que descanse em paz.

Tuesday, 27 January 2026

Terças de TV: Trinta Anos do 'Esquecido' Mais Esquecido de Sempre

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Apesar de as actuais gerações de adultos de meia-idade (X e 'millennial') serem as mais propensas à nostalgia pelos produtos mediáticos e comerciais da infância, essa mesma nostalgia tende a centrar-se, apenas, num núcleo algo restrito de alternativas (normalmente as de maior impacto a nível internacional, embora haja também lugar a algumas 'variantes' mais localizadas), com tantas outras, tão ou mais relevantes para a sobredita demografia à época, a caírem no esquecimento ou a 'ficarem pelo caminho', a ponto de até mesmo o omnisciente Google apresentar pouca ou nenhuma informação sobre as mesmas – aquilo a que, neste 'blog', tendemos a chamar os 'Esquecidos Pela Net'. E é precisamente sobre um deles, estreado há exactos trinta anos, que versa esta Terça de TV.


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Trata-se de 'Não Me Lembro, Era Pequeno', uma produção da RTP2 transmitida a partir de Janeiro de 1996 e que pretendia 'apresentar' às então demografias mais novas a década que haviam 'perdido' por serem demasiado pequenos para dela se recordarem (daí o título), ou seja, os anos 80. Ao longo do que se presume terem sido oito episódios (já que nem mesmo essa informação se encontra hoje disponível, sabendo-se apenas que cada episódio versava sobre um dos anos entre 1980 e 1988) eram recordados eventos, acontecimentos e personalidades da sociedade portuguesa oitentista, explicados de forma acessível à demografia-alvo, e com o intuito declarado de lhes aumentar a cultura geral.


Fica, assim, resumida TODA a informação existente no Google sobre o dito programa, sendo que até mesmo os habituais blogs 'irmãos' deste projecto ficam 'em branco' no tocante a esta misteriosa produção da RTP2 – isto já para não falar do Arquivo RTP, no qual, num caso praticamente inédito, a página relativa a episódios se encontra, também ela, em branco, fazendo deste programa, efectivamente, um exemplo nacional de 'conteúdos perdidos', ou 'lost media'. Assim, é tão-sómente no YouTube que se pode fica a saber mais sobre o programa, já que se encontram disponíveis na plataforma um par de excertos do mesmo, que abaixo mostramos.


No restante, esta retrospectiva sobre o 'Esquecido' mais esquecido deste 'blog' até à data afigura-se como forçosamente curta, servindo para pouco mais do que assinalar os trinta anos da estreia de um programa de que já nem mesmo a própria emissora se recorda nos dias que correm – um feito notável e praticamente inédio na História do Anos 90, e da televisão portuguesa em geral.


Monday, 26 January 2026

Segundas de Sucessos: Trinta Anos de Um Reino Pleno de 'Felicidade'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Quando se fala de bandas icónicas da cena pop-rock portuguesa de finais do século XX, os Delfins afirmam-se como incontornáveis. Com o seu som levemente electrificado, de refrão e consumo fácil, e beneficiado pelas letras em português, o grupo era 'feito à medida' para as ondas radiofónicas nacionais, contando ainda com o benefício adicional de o seu icónico vocalista, Miguel Ângelo, ser considerado um dos maiores galãs portugueses da época, fazendo 'suspirar' grande parte da demografia-alvo do grupo. Não admira, pois, que a banda tenha somado uma sucessão de êxitos ao longo do seu percurso, e tão-pouco é surpreendente que uma colectânea desses mesmos êxitos tenha dominado as tabelas de vendas discográficas portuguesas durante um período alargado, poucos meses após ter sido lançado.


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De facto, após um início de ano ainda sob a 'alçada' de 'Made In Heaven', o álbum póstumo de tributo a Freddie Mercury lançado pelos igualmente incontornáveis Queen, os 'tops' nacionais ver-se-iam novamente 'subjugados' a um 'reino' prolongado, desta feita de cunho nacional, quando Miguel Ângelo e companhia se tornavam 'Delfins' da 'monarquia' musical nacional no início da terceira semana de Janeiro de 1996 – de há quase exactos trinta anos a esta parte. Iniciava-se assim o primeiro e mais prolongado de quatro (!) 'reinos' da colectânea 'O Caminho da Felicidade' no topo das tabelas discográficas, o qual apenas viria a findar já em inícios de Abril, quando o disco seria destronado pelo álbum de estreia (e único) dos Mamonas Assassinas, o grande fenómeno musical e cultural daquele ano em Portugal.


No total, esse primeiro período no topo das tabelas saldar-se-ia numas impressionantes dez semanas (ou dois meses e meio), ao qual acresceriam ainda mais uma logo em fins de Abril ('dividindo em dois' o 'reino' dos Mamonas), outra em fins de Agosto, e mais cinco a partir de fins de Setembro, para um total de dezassete semanas ao longo do ano de 1996. Um domínio apenas rivalizado por outros 'campeões de vendas' históricos como 'Mingos & Os Samurais', de Rui Veloso, ou 'Feijão Com Arroz', de Ivete Sangalo, e que (re-)estabelecia os Delfins como nome de peso da música portuguesa, colocando o grupo de Cascais em posição privilegiada para obter outro mega-sucesso com o seu álbum seguinte, 'Saber A Mar', lançado ainda nesse ano de 1996 e que voltaria a atingir o 'pódio' no ano seguinte, ainda que atrás do 'imparável' relançamento de carreira de Paulo Gonzo, com 'Quase Tudo'. Desse, no entanto, falaremos noutra ocasião; por ora, ficamo-nos por esta breve recordação de quando os Delfins lançaram uma colectânea que, sem que o grupo o soubesse, dificilmente podia ter um título mais apropriado, já que ajudou Miguel Ângelo e companhia a encontrar 'O Caminho da Felicidade' no tocante à progressão de carreira...

Sunday, 25 January 2026

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os Aviões de Brincar - Uma Forma Clássica de Dar 'Asas' À Imaginação

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 10 e Domingo, 11 de Janeiro de 2026.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


A par dos barcos e dos inevitáveis carrinhos, os aviões de brincar eram outro dos tipos de veículos à escala populares nas décadas anteriores à revolução digital – na qual se incluem, claro, as últimas duas do século XX, bem como os primeiros anos do centénio seguinte. E porque a versão 'alada' dos não menos icónicos carros telecomandados – no caso, os aviões de modelismo – eram caros e muitas vezes complicados de montar e operar, a maioria das crianças ficava-se pela versão 'analógica' (ou de controlo manual), em plástico colorido, disponível em qualquer loja de brinquedos, drogaria ou, muitas vezes, até mesmo na loja dos 'trezentos', embora neste caso numa variante bastante mais 'manhosa'.


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Capazes de proporcionar bons momentos tanto num Sábado aos Saltos como num Domingo Divertido (desde que, claro, houvesse espaço suficiente no quarto ou no corredor de casa) os aviões de brincar – fossem com ou sem fio – apelavam ao tipo de imaginação que se vai perdendo com a massificação das tecnologias digitais, permitindo à criança imaginar-se piloto de um caça, hospedeira de bordo, ou até (para os mais 'preguiçosos') passageiro de um avião a jacto a caminho de um destino paradisíaco. O tipo de 'faz-de-conta', portanto, que qualquer criança aprecia, e que tão importante é na fase de crescimento e conhecimento do Mundo – e, neste caso, conseguido com recurso apenas a um pedaço de plástico colorido mais ou menos aerodinâmico, num exemplo perfeito do tipo de diversão simples e descomplicada cada vez mais rara nos dias que correm, mas que tão emblemática é daquela era mais inocente da existência humana, em que nem tudo se encontrava perpetuamente ao alcance das pontas dos dedos, e era preciso utilizar a imaginação para simular por si próprio qualquer experiência menos habitual...

Friday, 23 January 2026

Sessão de Sexta: Um Clássico Infantil Deixado 'No Armário'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Recentemente, falámos nesta rubrica de um dia, perto do final do ano 2000, em que estrearam em Portugal vários filmes de interesse para o público jovem; no entanto, por nos termos focado numa data específica, ficou por mencionar uma outra película, estreada em Portugal cinco anos antes, e que, como tal, acaba de completar, há pouco mais de um mês, trinta anos sobre a sua exibição no nosso País.


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Tratava-se de 'A Chave Mágica', a adaptação cinematográfica da obra 'O Índio no Armário', de Lynne Reid Banks, publicada quinze anos antes (em 1980) e que, por alturas do lançamento do filme, se havia tornado já num clássico infantil moderno entre as crianças norte-americanas, as quais se terão regozijado com esta adaptação. Já em Portugal, o livro era menos conhecido (apesar de ter sido publicado em tradução portuguesa) e, como tal, será mesmo o filme o principal ponto de referência para quem era de uma certa idade à época; e a verdade é que, como principal forma de conhecer a história, é um veículo perfeitamente válido, sendo daqueles filmes que seguem o material de origem quase 'à letra', retendo todas as suas qualidades e não arriscando incorrer em quaisquer defeitos.


Tematicamente, 'A Chave Mágica' insere-se naquela 'safra' muito particular de longas-metragens infantis de meados dos anos 90 centradas em torno de uma situação de 'realismo mágico' causada por um objecto quotidiano aparentemente inofensivo, da qual 'Jumanji', 'Pagemaster' ou 'Pequenos Guerreiros' talvez sejam os exemplos mais conhecidos; no caso do filme em questão, a 'pista' está no próprio título; de facto, é quando o protagonista Omri usa o armário encontrado e consertado pelo seu irmão mais velho para guardar duas das suas figuras de índios e 'cowboys' de plástico, e dá a volta à chave para o fechar, que se descobre que o sobredito móvel tem a capacidade de dar vida a objectos inanimados. Assim, quando Omri volta a rodar a chave na fechadura, depara-se não com os brinquedos que ali deixara, mas com um índio e um 'cowboy' de carne e osso, transportados através do tempo algumas centenas de anos e 'encolhidos' para o tamanho de uma figura de acção, mas de outro modo vivos, conscientes...e aterrorizados.


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Touro Sentado e Boone, dois humanos magicamente transportados para o futuro pela titular Chave Mágica.


Segue-se a habitual trama de tentar esconder os 'convidados' sobrenaturais dos adultos, com a agravante de que o cobarde Boone e o intempestivo Touro Sentado (inexplicavelmente chamado Touro Pequeno na tradução do livro) não parecem capazes de parar de se tentar agredir mutuamente, nem dispostos a evitar o choque de personalidades – pelo contrário, cada um dos homens faz a Omri exigências que o pequeno tem de se esforçar por cumprir, apesar das circunstâncias menos do que habituais. O resultado são noventa minutos (ou algumas centenas de páginas) de peripécias que balanceiam muito bem o humor, o drama e o sentimentalismo (sem que este nunca chegue a tornar-se 'lamechiche'), além de procurarem veicular algumas informações sobre o modo de vida dos nativos e colonos americanos no período histórico de que Boone e Touro Pequeno são oriundos. Uma boa escolha para uma Sessão de Sexta em família, portanto, que merecia ser mais lembrada, trinta anos depois da sua chegada aos cinemas lusitanos.


Thursday, 22 January 2026

Quintas ao Quilo / Quintas de Quinquiharia: 'Isto...' É Que Era Uma Colecção

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


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Alguns dos cromos da colecção (crédito da foto: Brindemania / Delfim Alexandre).


Em plena 'era de ouro' dos brindes em produtos alimentares – em que várias companhias se digladiavam para oferecer a próxima 'febre' de recreio nos seus pacotes de cereais, batatas fritas, iogurtes ou bolos vários – os produtos da Panrico destacavam-se por, apesar de mais discretos que alguns dos da 'concorrência', serem consistentes, e consistentemente bem recebidos e apreciados pelo seu público-alvo. De facto, apesar de nunca se desviarem muito das colecções de cromos e outras quinquilharias em papel, os brindes do Bollycao e das Donettes eram, invariavelmente, motivo de interesse para as crianças e jovens portuguesas de finais do século XX, que se regozijavam em coleccionar e trocar os cromos dos 'Tous', desdobráveis do Dragon Ball Z, as cartas dos Bollykaos ou as icónicas 'Janelas Mágicas'. Em meio a estas memoráveis promoções, no entanto, houve, claro está, outras que passaram mais despercebidas, não deixando grande marca nas gerações 'X' e 'millennial' lusitanas. É o caso daquela que abordamos neste 'post', levada a cabo há coisa de trinta anos – nos primeiros meses do ano de 1996 – e que, hoje em dia, apenas é lembrada em sites como a Brindemania, de onde sai a imagem que ilustra este 'post'.


Talvez o insucesso da colecção 'Isto...' (uma óbvia alusão à mais famosa colecção de sempre do Bollykao, os icónicos 'Tous...') se devesse à falta de foco temático da mesma. De facto, enquanto a maioria das outras gamas promocionais tinham algum tipo de fio condutor, 'Isto...' era tão vago quanto o próprio título, indo as imagens nos cromos desde os animais selvagens até objectos ou imagens mais caricaturadas – uma abordagem que resultava para certas gamas de Tazos, por exemplo, mas que, aqui, apenas denota uma certa falta de critério ao realizar a colecção, o que talvez a tenha ajudado a tornar menos memorável do que outras suas contemporâneas (à laia de comparação, na mesma altura, a Matutano propunha as icónicas Matutolas).


Assim, o principal motivo para coleccionar os cromos prendia-se mesmo com um daqueles concursos tão clássicos da época, com probabilidades efémeras, mas não impossíveis, de ganhar o grande prémio, e que constituíam razão suficiente para comprar mais e mais produto, na esperança de ver sair o cromo premiado. No caso do 'Isto...', o prémio em causa eram uns patins em linha, um dos tipos de objecto mais cobiçados de finais do século XX, e que a promoção apregoava dar às centenas, despertando a cobiça de qualquer 'puto' daquele período. Conquanto seja possível que os vencedores de tal concurso recordem com afeição a promoção, no entanto (por motivos óbvios) para os restantes 'X' e 'millennials' portugueses esta terá sido uma colecção que passou muito mais despercebida do que a maioria das outras do Bollycao ou produtos semelhantes, não sendo hoje, quase exactamente trinta anos depois, mais que uma 'nota de rodapé' na História dos brindes promocionais em Portugal.

Wednesday, 21 January 2026

Quartas aos Quadradinhos: 'Origens' Inexplicavelmente Descontinuadas

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


A hegemonia da Abril/Controljornal no tocante à edição de banda desenhada 'de quiosque' em Portugal – com o controlo total sobre lançamentos da Disney, Hanna-Barbera, Looney TunesMarvel e DC no mercado nacional, entre outras propriedades populares – já foi aqui sobejamente abordada em várias ocasiões, bem como a capacidade que a mesma outorgava à editora para correr riscos e 'testar as águas' com lançamentos únicos e séries limitadas, das quais tantas eram bem-sucedidas quantas falhavam redondamente ou ficavam a 'meio caminho'. É nesta última categoria que se insere a publicação de que falamos neste 'post', uma ideia perfeitamente válida e cheia de boas intenções, mas que acabou por não granjear em Portugal o sucesso que tivera além-mar.image.webpimage (2).webpCapa das duas únicas edições da série lançadas em Portugal. (Crédito das fotos: OLX)


De facto, enquanto que no Brasil 'Origens dos Super-Heróis Marvel' se traduziu em toda uma série de revistas, em Portugal, a publicação parece ter-se ficado pelos dois números (o segundo nem sequer chegou lá a casa na época, crendo o autor deste 'post' que se tratava de uma edição singular) lançados entre 1996 e 1997. E apesar de as razões por detrás desta interrupção prematura não serem claros, a verdade é que é difícil compreender como uma revista com uma premissa tão 'à prova de bala' não consegue singrar junto do seu público-alvo.


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Uma das histórias incluídas no primeiro volume. (Crédito das fotos: OLX)


Como o próprio nome sugere, os dois números de 'Origens' consistem, pura e simplesmente, de compêndios de histórias clássicas da Marvel, muitas delas inéditas em Portugal. Do regresso do Capitão América após décadas em criogenia à origem do Homem-Aranha ou ao casamento do Senhor Fantástico com a Mulher Invisível, são várias as BD's marcantes constantes de cada um dos volumes, um conceito que deveria ter feito as delícias dos fãs destes e de outros super-heróis – algo que, conforme já referimos, acabou por não suceder, por razões que se perdem nas 'brumas' do tempo. Quiçá a natureza algo 'palavrosa' das tramas clássicas não tivesse apelado ao público nacional, quiçá fosse uma questão de preço (o primeiro volume custava pouco mais de trezentos escudos, e o segundo quase quatrocentos, valores consideráveis para a permanentemente 'falida' juventude 'millennial') ou talvez se tratassem apenas de problemas editoriais; fosse qual fosse a razão, a verdade é que os dois volumes de 'Origens dos Super-Heróis Marvel' nunca chegaram a ter continuidade como sucedeu no Brasil (onde há registo de pelo menos seis volumes da série), sendo ambos hoje considerados relativamente raros.


Para quem os leu na altura, no entanto, ambos terão constituído uma 'novidade' relativamente excitante, oferecendo algo diferente das revistas mensais com histórias contemporâneas, e permitindo um então raro vislumbre dos 'primórdios' dos heróis que as protagonizavam – razão mais que suficiente para lhes dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica devota à banda desenhada publicada em Portugal em finais do século XX.

Tuesday, 20 January 2026

Terças Tecnológicas: 'Shenmue' - Uma Revolução Aborrecida

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Apesar do seu curto tempo de vida (quase tão curto quanto o da antecessora Sega Saturn) a Dreamcast conseguiu, como aquela, deixar marcas na memória nostálgica de uma determinada geração, muito graças à elevada qualidade de muitos dos títulos de que dispunha na sua limitada biblioteca. Foi, por exemplo, graças à consola de 128-bit da Sega (pioneira, aliás, dessa geração, tendo saído um ano antes da icónica PlayStation 2) que os 'X' e 'millennials' puderam, pela primeira vez, desfrutar de jogos como 'Sonic Adventure', 'Soul Calibur' 'Crazy Taxi' ou 'Marvel vs Capcom' num contexto caseiro, sem terem de se deslocar ao salão de jogos mais próximo, e foi também aquela consola a responsável pelo lançamento no mercado de um dos mais impressionantes jogos da sua geração, ainda hoje visto como um momento 'divisor de águas' entre a geração de consolas de 32- e 64-bit e o que estava para vir.


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Falamos de 'Shenmue', lançado na Europa mesmo na 'recta final' do ano 2000 – concretamente a 1 de Dezembro – e que impressionava, desde logo, pelos mirabolantes avanços gráficos em relação a outros jogos da época, que ajudavam à atmosfera imersiva e cinemática que o título procurava projectar. De facto, 'Shenmue' era quase mais filme do que jogo, com o tipo de história intrincada e desenvolvida que então apenas começava a ser 'de regra' em lançamentos interactivos, com a ênfase a ser posta em tarefas mundanas, típicas dos géneros RPG e (sobretudo) 'point-and-click', e menos nas cenas de acção que talvez se esperassem daquela que é, essencialmente, uma aventura de acção e artes marciais ao mais puro estilo Hong Kong.


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A primeira das duas sequelas do jogo, lançada em 2002.


Infelizmente, esta dicotomia entre expectativas e realidade fez com que o interesse inicial rapidamente se diluísse, deixando apenas um jogo lento e de cariz algo trivial; assim, passada a euforia causada pelos gráficos e atmosfera, 'Shenmue' acabou por se saldar num fracasso comercial, adquirindo um estatuto sobretudo de culto entre fãs do género de 'role-play' e críticos especializados, que o continuam a inserir em múltiplas listas de 'melhores jogos de sempre'. O interesse deste pequeno mas vocal nicho foi, também, suficiente para justificar duas sequelas, a primeira dois anos após o original, também para Dreamcast, e a terceira já na 'era moderna', em 2019. Para a grande maioria dos jogadores, no entanto, são os impressionantes ambientes do primeiro jogo que imediatamente vêm à memória ao ver o nome 'Shenmue', sendo os mesmos, ainda hoje, o principal motivo para a fama do título, justamente considerado revolucionário para a época em que saiu – e, por isso mesmo, merecedor de homenagem, mesmo que seis semanas atrasada em relação aos vinte e cinco anos do seu lançamento.

Monday, 19 January 2026

Segundas de Séries: 'Roseira Brava' - O Lado Dramático do Alentejo

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Quis o destino que, num curioso acaso, a primeira semana do ano visse estrearem no mesmo canal nacional – a RTP 1 – com distância de exactos cinco anos, duas séries com o Alentejo como pano de fundo. A primeira era 'Alentejo Sem Lei', de 1991, um 'western spaghetti' à portuguesa (portanto, 'western açorda', como lhe chamou José Diogo Quintela no famoso segmento) com pretensões históricas, mas que sucumbia aos parcos recursos técnicos; a segunda, que trazia um registo mais sério e contemporâneo, era a telenovela portuguesa 'Roseira Brava', estreada há quase exactos trinta anos, e que abordaremos nas próximas linhas.



Gravada durante um período de cinco meses (entre Fevereiro e Julho) numa verdadeira aldeia alentejana (bem como nos estúdios da Nicolau Breyner Produções, em Vialonga) 'Roseira Brava' foi submetida a um atraso que a veria estrear apenas no ano seguinte, mesmo a tempo de competir com 'Explode Coração', na rival SIC. E se bem a produção nacional tenha (talvez inevitavelmente) perdido a 'guerra' de audiências para a congénere 'canarinha', o certo é que 'Roseira Brava' teve, ainda assim, um bom desempenho, conseguindo cativar números suficientes de audiência para justificar e cimentar a aposta da RTP em telenovelas de produção nacional.


E o facto é que, concorrência directa à parte, a produção em causa não tinha como não 'dar certo'; afinal, marcavam presença nas suas fileiras todos os 'suspeitos do costume' da televisão portuguesa da época – de Rogério Samora a Canto e Castro, José Raposo, Luís Esparteiro, Margarida Carpinteiro, Nuno Homem de Sá, Rita Salema, Virgílio Castelo, José Martinho e mesmo Simone de Oliveira, na sua estreia no mundo das telenovelas – os quais ajudavam a dar alguma dignidade ao habitual enredo cheio de reviravoltas, drama e relações interpessoais complexas e problemáticas, bem típico do género em causa. No total, foram cento e trinta episódios (os quais, curiosamente, demoraram praticamente tanto tempo a exibir como a filmar, tendo a rodagem tido lugar de Fevereiro a Julho de 1995 e a novela em si sido exibida de Janeiro a Junho do ano seguinte) que cimentavam a validade da RTP como produtora de telenovelas portuguesas naqueles anos anteriores à eventual hegemonia da TVI nesse capítulo, e que, como tal, merecem bem ser recordados neste espaço, cerca de dez dias depois de se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia em televisão.



O primeiro episódio da novela, exibido a 08 de Janeiro de 1996


 

Sunday, 18 January 2026

Domingo Desportivo: Caras (Des)conhecidas - Paulo Ferreira, do Estoril Para o Mundo

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.



Para qualquer apreciador do futebol português e internacional de inícios do século XXI, Paulo Renato Rebocho Ferreira (que não deve ser confundido com o seu homónimo e 'Grande dos Pequenos' do Estrela da Amadora durante o mesmo período) será tudo menos uma Cara (Des)conhecida – antes pelo contrário, qualquer adepto da época será capaz de identificar o jogador como o lateral direito titularíssimo do 'Super-Porto' de José Mourinho, do Chelsea do mesmo Mourinho, e ainda da Selecção Nacional pós-Geração de Ouro de grande parte da década de 2000 (onde, curiosamente, se revezou com o jogador que homenageamos na última edição do Domingo Desportivo, e em relação ao qual tem quase exactamente um ano de diferença). O que poucos saberão é que, antes de ganhar tudo o que havia para ganhar a nível doméstico e internacional, e de inscrever o seu nome na lista de futebolistas históricos portugueses, o lateral-direito havia já sido figura de proa de dois históricos dos campeonatos profissionais lusitanos.



Na Selecção Sub-21.


O primeiro destes, onde o lateral oriundo de Cascais despontaria para o futebol sénior, era o Estoril Praia, então na antiga Segunda Divisão de Honra, onde Paulo Ferreira completaria a sua formação (após passagens por Alcabideche e Cascais), e em cuja equipa principal seria integrado para a época de 1998/99, quando contava 18 para 19 anos. Como a maioria das promessas nesta situação, no entanto, o jovem Paulo viu-se sem espaço, acabando por realizar apenas uma partida nessa primeira época; a diferença é que os 'canarinhos' não abdicariam do promissor jovem, que, nas duas épocas seguintes, viria a ter papel consideravelmente mais proeminente no seio da equipa (curiosamente, a médio-centro) e realizando quinze jogos na última época do século XX, e vinte e cinco na primeira do Terceiro Milénio. À entrada para o segundo ano do século XXI, o lateral já era, pois, um jogador completo, presença assídua na Selecção Nacional sub-21, e clara promessa de futuro – tanto assim que nem a chamada para o serviço militar obrigatório conseguiria travar a sua ascensão.



Ao serviço do Vitória de Setúbal.


O 'salto', no entanto, far-se-ia ainda esperar, sendo a próxima transferência de Ferreira – precisamente no final dessa época de 2000/2001 – para outro clube da 'Segundona', o ainda mais histórico Vitória de Setúbal, onde o jogador 'pegaria de estaca' quase de imediato sob o comando de Jorge Jesus, ganhando a titularidade na direita da defesa (ainda que por necessidade, já que fora contratado para jogar ao ataque, e no outro flanco!) e realizando a quase totalidade dos jogos nas duas épocas que passou no Bonfim, e tendo inclusivamente papel fulcral na subida dos sadinos à Primeira Liga, na sua segunda e última época.


E, desta vez, o momento do 'salto' chegaria mesmo para o lateral-direito, o qual, aos vinte e três anos, se via integrado no plantel de um dos 'grandes' nacionais (após acordo falhado com outro, no caso o Sporting de Lazlo Boloni, recém-sagrado Campeão Nacional pela segunda vez em três anos), ao qual o seu nome ficaria indelevelmente ligado, pelas razões já elencadas acima: em apenas duas épocas (e com menos jogos realizados do que ao serviço do Vitória de Setúbal) Ferreira 'roubaria' o lugar ao experiente Secretário e ajudaria os 'Dragões' a vencer dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e – mais relevantemente – uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões, feito inédito para uma equipa portuguesa desde a implementação do formato moderno da prova, e que colocou todos os jogadores daquele super-plantel portista no 'radar' dos grandes tubarões internacionais.


E seria mesmo um desses tubarões o próximo destino de Paulo Ferreira, que – pela mão de Mourinho, e juntamente com vários colegas de equipa no Porto – rumaria ao Chelsea, onde se tornaria pedra basilar da equipa durante as oito épocas seguintes, e onde viria a reencontrar Luiz Felipe Scolari, seu ex-técnico na Selecção. Tão marcante seria a sua contribuição para os 'Blues', aliás, que, após a 'reforma' no final da época 2012/2013, Ferreira ficaria ligado aos quadros do clube durante quase mais uma década, primeiro na qualidade de 'olheiro' e, mais tarde, de treinador-adjunto, cargo que viria posteriormente a desempenhar também no Lille, Milão e Lyon, onde actualmente exerce funções. Uma trajectória de sonho para um jovem que, enquanto Cara (Des)conhecida adolescente no banco do icónico Estádio António Coimbra da Mota, certamente apenas poderia sonhar vir a ser aquilo em que se tornou – uma das grandes referências do futebol português moderno, bem merecedor de homenagem no dia em que completa quarenta e sete anos. Parabéns, e que conte anda muitos.

Saturday, 17 January 2026

Saídas ao Sábado: Os 'Antecessores' e 'Vítimas' da IKEA

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Hoje em dia, a compra de mobiliário e acessórios para casa em Portugal é praticamente sinónima com duas grandes superfícies multinacionais – a IKEA e a Leroy Merlin. Antes da entrada de qualquer destas companhias em Portugal, no entanto, existiam já diversas opções de cunho cem por cento nacional, algumas das coisas existentes (e resistentes) até aos dias de hoje, e outras – infelizmente – 'abafadas' pelo domínio dos dois 'gigantes' internacionais, ou de outro modo extintas 'antes de tempo'.


Deste último grupo, destaca-se o Kit-Market, outrora uma loja de referência no tocante à aquisição de móveis, mas que, nos anos da viragem do Milénio, perdera já muita da influência e renome que tivera na década anterior, muito por culpa das outras companhias de que falaremos neste artigo. Ainda assim, durante a última década e meia do século XX, a cadeia fundada em 1985 e sedeada no Centro Comercial das Olaias, em Lisboa, conseguiu ainda encontrar o seu público, não só devido à proposta à época inovadora (tendo basicamente sido o antecessor nacional da IKEA, oferecendo mobiliário desmontável que cabia ao cliente construir), como também pelo 'design' jovem e arrojado das peças (algumas com alusões a elementos como fechos 'éclair') e ainda à diversidade de produtos vendidos, que se estendiam a acessórios de moda, de entre os quais se destacavam as pulseiras pretas, muito do agrado do emergente público gótico nacional.



Apesar do sucesso, no entanto, o Kit-Market tomou, nos primeiros anos do século XXI, a decisão consciente de não travar uma luta desigual com a IKEA, encerrando funções voluntariamente e passando a sua base de clientes para a loja-mãe, a Dimensão (hoje DimensãoNova). E o facto é que aqueles anos da viragem do Milénio representaram mesmo o auge da companhia, que diversificava a sua oferta, sagrava contractos com 'designers' internacionais, e expandia o alcance da sua marca com numerosas filiais em regime de 'franchise' – isto além, claro, de oferecer móveis que aliavam a qualidade e o 'design' a preços competitivos e apelativos, permitindo à Dimensão tornar-se um dos dois grandes nomes do comércio de mobiliário em Portugal.



O outro, claro, era a Moviflor, conhecida pelo seu maior foco na publicidade (com alguns anúncios ainda hoje icónicos, um dos quais com a participação de Herman José, no papel do seu clássico personagem 'Estebes') e que, em todos os restantes aspectos, competia com a Dimensão, ainda que a sua oferta se focasse um pouco menos no 'design' do que o da concorrente, oferecendo peças mais simples e neutras e um modelo comercial mais centrada na revenda do que no fabrico próprio que caracterizava a Dimensão. Ainda assim (ou talvez como consequência disso) a companhia conseguiu lutar 'taco a taco' com a rival até 2014, ano em que – tal como o Kit-Market anteriormente – acabaria por encerrar face à concorrência da IKEA, com a agravante de, ao contrário da subsidiária da Moviflor, ter tentado fazer frente ao gigante sueco, naquela que foi uma luta previsivelmente desigual mas que ainda durou mais de uma década.


É, pois, fácil ver como a chegada da multinacional em causa ao nosso País veio causar um rombo no mercado do mobiliário, obrigando as principais empresas nacionais a encerrar actividades (como o Kit-Market ou a Moviflor) ou a mudar o seu foco (como foi o caso da Dimensão e também da pioneira e hoje septuagenária Altamira). Quem viveu os últimos anos do século XX e inícios do seguinte, no entanto, terá certamente memória de visitar estes espaços com os pais, em busca de móveis para a sala ou quartos, e de ver os seus anúncios na televisão, no intervalo dos seus programas favoritos, tornando-os assim parte integrante da memória nostálgica da geração 'millennial' nacional, e merecedores de espaço neste nosso 'blog' nostálgico.

Friday, 16 January 2026

Sextas Com Style: Os Pijamas de 'Olhinhos' - Uma 'Relíquia' Esquecida de Um Tempo Mais Inocente

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quem foi de uma certa idade durante o início e meados da década de 90 certamente passou muitas noites aconchegado na cama com um deles vestido – ainda que, hoje em dia, seja impossível encontrar sequer uma fotografia exemplificativa, tornando este num dos raros 'posts' sem imagens do Anos 90. Referimo-nos aos pijamas com 'olhos' de plástico e 'meias' para pôr nos pés, uma das peças infantis clássicas que se podiam encontrar em lojas de roupa ou lavores da 'velha guarda'.


Normalmente constituídos por uma camisola de manga comprida com a frente em branco liso, com o habitual desenho de um qualquer personagem 'fofinho', e o restante numa cor pastel (com o azul-bebé, o verde e o amarelo a serem as mais comuns), com calças compridas e elásticas a condizer, estes conjuntos destacavam-se por terem, no lugar dos olhos 'desenhados' do personagem, dois olhos de plástico - semelhantes aos dos Pirilampos Mágicos, por exemplo – que apresentavam algum grau de movimento, o que era desde logo suficiente para tornar este tipo de pijama mais cativante do que os seus congéneres mais 'normais'. Regra geral, estes conjuntos incluíam também meias pelo tornozelo, o que permitia às crianças manterem os pés aconchegados durante as noites mais frias, oferecendo um atractivo extra para os pais na altura da compra.


Sendo extremamente intrínsecos à cultura portuguesa de uma época remota, e não tendo, normalmente, ligações a qualquer propriedade licenciada (embora, na mesma época, abundassem os pijamas 'piratas', muitos deles disponíveis na mesma prateleira dos aqui abordados) não é de admirar que estes conjuntos tenham sido, hoje em dia, totalmente Esquecidos Pela Net. Quem os chegou a usar, no entanto, certamente recordará a 'excitação' dos olhinhos que mexiam, e as muitas noites passadas com eles vestidos, naqueles tempos mais inocentes da infância pré-digital...

Thursday, 15 January 2026

Quintas Ao Quilo: O Sunny Delight - O 'Pioneiro' dos Sumos Ultra-Concentrados em Portugal

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


À entrada para o Terceiro Milénio, apesar de já prevalente em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos, o conceito de sumo concentrado era, ainda, pouco disseminado em Portugal, onde os refrigerantes em lata e as clássicas garrafas ou 'caixinhas' de Sumol ou Compal (além dos bons e velhos sumos de frutas naturais) continuavam a constituir os principais meios de desfrutar de um refresco frutado. Tal paradigma viria a mudar, no entanto, com a chegada a Portugal de um dos baluartes deste tipo de bebida a nível internacional, ancorada por uma forte campanha de 'marketing' e publicidade que ocasionou, inclusivamente, 'jogo sujo' por parte de uma das supracitadas 'magnatas' do ramo em solo nacional.


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Falamos do Sunny Delight (ou apenas Sunny D), o popular 'quase-sumo' de 'quase-laranja' preparado adicionando uma pequena quantidade de concentrado a uma elevada quantidade de água para criar uma bebida que, apesar de ficar muito aquém de um sumo 'verdadeiro', prima pela practicidade e facilidade de preparação, e que, naquele remoto primeiro ano do século XXI, primava também pela novidade, já que nada do género havia alguma vez sido visto em Portugal. Não é, pois, de admirar que se tenha gerado entre as crianças e jovens uma pequena 'febre' em torno deste produto, com a curiosidade natural desta demografia a ser aguçada pelos factores supracitados, causando o desejo de experimentar esta bebida o quanto antes.


De facto, tal era a ameaça causada por este novo produto que a Compal se viu motivada a criar um anúncio em que ninguém menos do que Alexandra Lencastre 'manchava' o nome da Sunny Delight (sem, claro, nunca nomear a bebida) comparando a sua fraca percentagem de sumo (apenas 5%) e ingredientes artificiais com a fórmula natural da Compal. Uma táctica que roçava os limites da ilegalidade no tocante a publicidade a nível internacional, e que ficou na memória dos 'mais graúdos' como uma das 'jogadas' de marketing mais controversas de sempre em Portugal, não tendo sido surpreendente que tenha durado apenas uma 'semana de trabalho' (cinco dias úteis) antes de ser retirado para sempre das televisões nacionais.


A preocupação da produtora nacional era, aliás, infundada e exagerada, já que, um quarto de século volvido, as duas marcas continuam a dividir espaço nas prateleiras dos supermercados e hipermercados nacionais, e a encontrar públicos distintos e dedicados – exactamente como sucedeu quando, há pouco mais de vinte e cinco anos, surgia pela primeira vez em Portugal o concentrado que viria a motivar a posterior comercialização no País de bebidas como o Tang. E ainda que esta pequena homenagem ao seu quarto de século chegue com algum atraso (e na estação errada) não podíamos deixar passar em branco o aniversário da chegada a Portugal de uma das muitas novas marcas chegadas ao mercado português em finais do século passado e inícios do actual, e que acabaram por ganhar 'tracção' no seio do mesmo até aos dias de hoje.

Wednesday, 14 January 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta Anos da 'Guinada À Esquerda' da Governação Portuguesa

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Numa altura em que Portugal se prepara para eleger o sucessor de um bem-amado e carismático presidente da República em final do seu segundo termo, nada melhor do que relembrar a altura, há exactos trinta anos, em que o País se preparava para fazer exactamente o mesmo, embora em circunstâncias algo díspares. Falamos das únicas Eleições Presidenciais portuguesas da década de 90, ocorridas a 14 de Janeiro de 1996, e que veriam Jorge Sampaio, do PS, ser eleito décimo-oitavo Presidente da República Portuguesa.


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Jorge Sampaio, o 18º Presidente da República Portuguesa, entre 1996 e 2005.


Mas se, nas actuais eleições, são nada menos que onze os candidatos que se degladiam pela cadeira de Marcelo Rebelo de Sousa, em 1996, a corrida para o posto de sucessor de Mário Soares efectuava-se, essencialmente, 'a dois', após tanto Jerónimo de Sousa (pelo PCP) como Alberto Matos (pela UDP, o futuro Bloco de Esquerda) terem abdicado em favor de Sampaio. O ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa via-se, assim, sozinho contra um adversário de peso – nada menos do que o ex-Primeiro Ministro, Aníbal Cavaco Silva, que procurava vingar a pesada derrota nas legislativas de 1995, que tinham visto terminar a hegemonia do PSD nesse particular.


Embora Cavaco viesse a amealhar uma quantidade nada desprezível de votos, no entanto (a maioria dos quais no Interior Norte, embora algumas regiões do Litoral Norte, como Leiria e partes do Alto Douro e Minho, tenham também votado 'em peso' à direita, criando o que viria a ser denominado como 'Cavaquistão') a sua missão declarada redundaria, ainda assim, em fracasso, já que Jorge Sampaio viria a derrotá-lo por cerca de quatrocentos mil votos, amealhando mais de três milhões contra os dois milhões e seiscentos mil de Cavaco e culminando a 'guinada à esquerda' dos órgãos legislativos portugueses iniciada por António Guterres no ano anterior. E, tal como sucederia com Guterres, o seu período à frente dos destinos do País pautar-se-ia pela tranquilidade, com obras e projectos de sucesso (como a Expo '98), estabilidade económica e poucos ou nenhuns escândalos de monta – algo a que, aliás, a personalidade pacata de Sampaio pouco se adequava.


Cavaco teria, assim, de esperar mais uma década para atingir o seu desiderato, tendo finalmente logrado ocupar a cadeira como sucessor a Sampaio após completos os dois termos deste último, em 2006. A Cavaco suceder-se-ia Marcelo, numa continuidade da Direita no poder que, prevê-se, terá continuidade no acto eleitoral que se avizinha; vejamos se, como há três décadas, a esquerda consegue 'fazer uma gracinha', e efectuar nova 'guinada', ainda que parcial, na orientação política do País...

Tuesday, 13 January 2026

Segundas de Sucessos / Terças Tecnológicas: Quando a Codemasters 'Deu Música' Aos Seus Fãs

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Apesar de os jogos de ritmo e acompanhamento musical se terem tornado um dos principais géneros do século XXI (com títulos como 'Dance Dance Revolution' ou os diversos 'Hero'), a criação de música através de ferramentas especializadas continua a ser uma actividade de foro eminentemente técnico, realizada através de 'software' sem qualquer tipo de vertente lúdica, como o popular GarageBand. Nos anos da viragem do Milénio, no entanto, a reputada programadora e distribuidora Codemasters procurou reunir em um só título essas duas vertentes normalmente com pouco ou nenhum contacto, num projecto ambicioso que chegou a render quatro jogos, tendo os primeiros dois sido particularmente bem recebidos.


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Falamos de 'Music', lançado na Europa no início do Inverno de 1998, e da sequela 'Music 2000', surgida um ano depois. Disponíveis tanto para o previsível PC como para PlayStation, os dois títulos posicionavam-se, desde logo, como geradores de música 'sérios', sem recurso a 'truques de marketing' ou quaisquer aspectos competitivos (pese embora a presença de um modo colaborativo para até quatro aspirantes a DJ); em vez disso, os dois programas ofereciam uma variedade de 'samples' musicais (chamados 'riffs', embora nem todos fossem de guitarra) os quais podiam, através de um 'interface' simples e intuitivo, ser 'colados' para produzir faixas originais – ou, pelo menos, tão originais quanto era possível com recurso a fragmentos licenciados. E, embora o 'acervo' de 'samples' fosse forçosamente reduzido, a verdade é que qualquer dos jogos oferecia variedade mais do que suficiente para manter o interesse do utilizador durante um período de tempo mais ou menos extenso.


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De facto, estes dois jogos que terão, sem dúvida, feito as delícias de artistas de 'hip-hop' e DJ's emergentes, e entretido quanto-baste qualquer entusiasta de videojogos com uma vertente criativa e um mínimo de competência tecnológica; foi, pois sem surpresas que os mesmos se viram incluídos nas séries de 'best-sellers' tanto da Sony como da própria Codemasters, e que os fãs da série viram surgir mais duas sequelas na era da PlayStation 2 – agora acrescidas de uma licença 'de peso', e que lhes permitia ter acesso a uma gama ainda mais alargada de fragmentos musicais sob licença. No entanto, em comparação com os dois antecessores, os dois 'MTV Music Generator' ficaram aquém a nível de sucesso crítico e vendas, talvez devido ao facto de a tecnologia para criação de música ter sofrido consideráveis avanços, que o 'interface' dos novos títulos não foi capaz de acompanhar. No tocante aos dois primeiros títulos da série, no entanto, os mesmos continuam a gozar do apreço de quem, à época, os utilizou para dar largas à sua veia criativa e treinar os seus dotes de DJ amador, sendo mais do que merecedores de retrospectiva nas páginas deste nosso 'blog' nostálgico.

Monday, 12 January 2026

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: Os Robõs de Brincar - Dias de Um Futuro Passado

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 10 e Domingo, 11 de Janeiro de 2026.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


O dealbar da era tecnológica, e correspondente globalização do mercado de peças, fez dos anos 80 e 90 a era de ouro para a inserção de funcionalidades 'digitais' em brinquedos de outro modo tradicionais, dando azo a produtos tão icónicos e característicos da época como os carros telecomandados, bonecos e bonecas falantes, papagaios repetidores, flores dançarinas, pistolas espaciais ou veículos com luz e som, entre inúmeros outros. Deste grupo fazia, também, parte a categoria de produto abordada neste 'post', e que, como a maioria das supramencionadas, podia ser utilizada tanto dentro de casa, para um Domingo Divertido, como no decurso de um Sábado aos Saltos – embora, neste caso, fosse necessário ter cuidado para evitar acidentes ou danos ao brinquedo, sendo preferível escolher uma área segura, como o quintal de casa.


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(Crédito da foto: OLX)


Falamos dos robôs electrónicos, a maioria dos quais contava com movimento, efeitos de luz e até, em certos casos, voz sintetizada – características que, naquele dealbar da era digital, em que tudo era novo e excitante, os tornavam instantaneamente em brinquedos desejáveis e dignos de cobiça. Até mesmo os robôs mais simples e simplistas – como o representado no filme 'Toy Story' eram adições honrosas a qualquer quarto de criança (portuguesa ou não só) e motivo de interesse certo aquando da visita de amigos, ou durante um Sábado aos Saltos de sol, sozinho ou na companhia dos mesmos.


Tal como muitos outros produtos abordados nestas páginas, também os robôs de brincar viram, eventualmente, passar o seu 'momento', à medida que os interesses das crianças e jovens se viravam cada vez mais para o mundo digital e interactivo. Ainda assim, os mesmos permanecem, hoje em dia, símbolo de uma era mais simples, em que um brinquedo com movimento e alguns efeitos sonoros embutidos era suficiente para não só manter entretida uma criança durante largos períodos, mas ter lugar de destaque entre todas as suas posses.

Sunday, 11 January 2026

Sessão de Sexta: 'Os Anjos de Charlie' - O Protótipo do 'Blockbuster' de Acção Moderno

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O final dos anos 90 e, sobretudo, a década seguinte viram ter lugar uma mudança significativa na natureza dos chamados 'blockbusters', isto é, os filmes que ancoravam cada 'temporada' cinematográfica. Enquanto que os primeiros anos dos 'noventas' traziam ainda uma continuidade da década anterior, com aventuras de família 'Spielbergianas' como 'Parque Jurássico', 'Hook' ou 'Jumanji', e filmes de acção explosiva com Arnold Schwarzenegger ou Sylvester Stallone a dominar cada novo ciclo, no último terço da década observava-se já uma transição para 'blockbusters' mais virados para géneros como a ficção científica, o terror, a comédia desbragada ou, como no caso do filme ora em análise, a comédia de acção com energia inversamente proporcional à inteligência.


De facto, os anos a partir de 1997 representaram o ocaso dos heróis ultramusculados que haviam inspirado 'mini-culturistas' durante os quinze anos anteriores, em favor de filmes protagonizados por personagens bastante mais próximas do 'normal' em termos de poderio físico, e cujo principal atractivo era a combinação de esperteza e 'desenrascanço' com uma beleza e carisma quase impossíveis de encontrar no comum dos mortais. Era a era de Ethan Hunt (ainda hoje em 'actividade', com o seu último filme a datar do ano passado) Lara Croft, Dom Toretto e do trio de que falamos neste 'post', e que fez a sua entrada 'explosiva' nas salas de cinema portuguesas no início da época natalícia de 2000 – os 'Anjos de Charlie'.


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De facto, era a 24 de Novembro do primeiro ano do século XXI que as versões actualizadas das personagens surgidas na televisão americana na década de 70 surgiam pela primeira vez nos grandes ecrãs nacionais, a tempo de 'apaixonar' toda uma geração de adolescentes entusiastas dos filmes de acção. Isto porque as 'sex symbol' da série original – Farrah Fawcett, Kate Jackson e Jaclyn Smith – eram substituídas 'à altura' por Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore, três das principais 'beldades' Hollywoodianas da época (com Diaz, em particular, a surgir aqui no 'pico de forma'), devidamente acompanhadas por Bill Murray no papel do ajudante Bosley, o qual ajudava a dar um toque cómico à trama de acção e espionagem. Do elenco 'de luxo' faziam ainda parte John Forsythe, Sam Rockwell, Tim Curry, Kelly Lynch, Matt LeBlanc, Luke Wilson e Tom Green, num verdadeiro 'quem é quem' de ídolos adolescentes da época, que ajudava a 'empurrar' um filme que, a nível de história, não passava dos 'mínimos olímpicos' para justificar as sequências de acção e os inúmeros disfarces envergados pelos três 'Anjos'.


De facto, se há mérito a dar ao realizador McG (que se viria a tornar famoso não só pelo pseudónimo ridículo mas também por filmes como este) é o de saber manter o espírito da série original nesta adaptação para o grande ecrã. Tal como naquele caso, a intenção declarada é 'seduzir' o público-alvo, apresentando-lhe as três protagonistas numa série de vestimentas sensuais em meio às explosões e tiros, numa receita que não podia deixar de agradar à demografia a que o filme se destinava. Para quem gostava dessa combinação, a película era um prato cheio; quem procurava algo mais, no entanto, estaria a gastar o seu tempo e dinheiro ao escolher este filme.


Felizmente, o primeiro grupo era vasto o suficiente para tornar o filme um sucesso e justificar uma sequela, três anos depois, com ainda mais cenas dos 'Anjos' em biquíni ou disfarces 'sexy' e ainda menos história (além de cinco minutos de Shia LeBoeuf, ainda na sua fase de 'miúdo inocente', pré-Transformers, e de Bernie Mac como o 'novo' Bosley) bem como uma adaptação interactiva para PlayStation 2 e GameCube, universalmente considerada como um dos exemplos mais negativos a nível de jogos de acção licenciados. E ainda que o legado cinematográfico e cultural dos 'Anjos' se ficasse por aqui, pouco mais de vinte e cinco anos após a sua estreia, o primeiro filme é, ainda, lembrado por toda uma geração que, então em idade adolescente e numa era em que a Internet tinha bastante menos expressão, encontrava nele uma forma de, ao mesmo tempo, admirar três actrizes incrivelmente atraentes e desfrutar da sua 'dose recomendada' de tiros e explosões, numa fórmula que encapsulava na perfeição aquilo que viriam a ser os 'blockbusters' de acção das décadas seguintes.


Friday, 9 January 2026

Quartas aos Quadradinhos / Quintas no Quiosque: As Tirinhas de BD - O 'Alívio Cómico' da Imprensa Portuguesa

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-Feira, 08 e Quinta-feira, 09 de Janeiro de 2026.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Em tempos, falámos nesta mesma rubrica das tirinhas de BD norte-americanas, presentes na vida de muitos jovens portugueses de fins dos anos 90 principalmente através de múltiplos álbuns publicados pelas mais diversas editoras, mas também, memoravelmente, nas páginas de muitos jornais e periódicos publicados em território nacional à época.


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O 'Público' albergou, durante anos, a mais famosa e icónica tirinha de BD de jornal em território nacional.


De facto, serão poucos os 'trintões' e 'quarentões' portugueses que não se lembrem de ler, nas páginas traseiras ou suplementos infantis do 'Público' ou dos dois 'Notícias', tirinhas de séries tão populares como 'Calvin & Hobbes' ou 'Zits', sem esquecer 'Cathy', presente semanalmente no suplemento de Sábado do 'Correio da Manhã'. Mais – a escolha de 'tirinhas' não se ficava pelos Estados Unidos, tendo muitos autores portugueses encontrado também o seu espaço nas páginas de jornais e revistas de finais do século XX; o exemplo mais famoso deste paradigma continua, aliás, a marcar presença diariamente no canto superior direito da página traseira do jornal 'A Bola', onde o eterno barbeiro ironiza sobre o assunto desportivo do dia com o seu sempre conivente cliente enquanto lhe faz a 'Barba e Cabelo'.


Apesar deste exemplo perene, e de outros surgidos durante os primeiros anos do século XXI – como os trabalhos do brasileiro Angeli na revista musical 'Rock Sound' – a presença de tiras de BD nos periódicos portugueses diminuiu abruptamente, e a pique, nas décadas subsequentes, sendo hoje praticamente nula. Quem viveu aqueles tempos há trinta anos atrás, no entanto, não pode evitar sentir alguma nostalgia pela presença dos 'amigos' Calvin & Hobbes, Jeremy ou Cathy na página do costume, oferecendo-lhes um 'cantinho' onde se 'resguardar' das temáticas adultas do resto do jornal...

Thursday, 8 January 2026

Terças Tecnológicas: Trinta e Seis Anos de 'Magos e Guerreiros' de 8-Bits

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Como cenário eternamente popular junto de uma certa demografia mais introvertida e sedentária, não é de admirar que os mundos de fantasia de atmosfera medieval, repletos de heróis de espada e armadura, princesas e magos perversos, tenham desde sempre tido uma presença exacerbada na cultura popular, servindo de base a materiais literários, filmográficos, musicais e, claro, interactivos. De facto, a 'segunda vaga' de videojogos, iniciada em meados dos anos 80 e que dominou a década seguinte, tinha neste tipo de universo um dos seus temas mais recorrentes, a ponto de os mesmos se terem tornado um dos mais imediatos e reconhecíveis estereótipos daquela era dos jogos de computador e consola.


Uma das muitas séries a tirar partido da atmosfera muitas vezes chamada 'sword and sandal' (algo como 'espada e sandálias') era uma trilogia lançada para a Nintendo original (com um quarto capítulo 'paralelo' a surgir no Game Boy) e cujo primeiro capítulo era lançado na Europa há quase exactos trinta e seis anos, a 07 de Fevereiro de 1990. Falamos de 'Wizards & Warriors', um jogo de plataformas bem típico da época, originalmente lançado nos mercados NTSC três anos antes e que, no período subsequente, perdera o seu principal motivo de interesse – os aspectos técnicos 'à frente do seu tempo' para 1987, mas que, em 1990, constituíam já a norma vigente. O que restava era um título absolutamente característico da era em causa, sem nada que o distinguisse por aí além nem que lhe desse 'vantagem competitiva' sobre concorrentes de peso como 'Castlevania', e que parecia destinado a passar despercebido.


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No entanto, o exterior algo mediano de 'Wizards & Warriors' escondia o envolvimento de dois futuros pesos-pesados da indústria: a Acclaim, que tinha no jogo o seu primeiro título como distribuidora, e a Rare, que tantas alegrias daria aos fãs das consolas da Nintendo nas décadas subsequentes. Dois nomes que, alguns anos depois, justificariam por si só a compra de qualquer título em que se envolvessem (especialmente juntas) e que tinham aqui um início algo 'humilde'.


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O mesmo, aliás, pode ser dito da própria série 'Wizards & Warriors', que veria serem lançados mais três títulos na meia década após a saída do original. O primeiro destes seria o 'originalmente' intitulado 'Ironsword: Wizards & Warriors II', surgido menos de um ano após o original, e que se inseria no tipo de sequela 'mais do mesmo', com o herói Kuros a ter agora de reunir os quatro elementos naturais para derrotar o inimigo Malkil. Assim, e face à jogabilidade e ambientes muito semelhantes aos do antecessor, o destaque deste segundo capítulo vai mesmo para a presença, na capa, do 'galã' Fabio, bem conhecido como modelo de capa em romances 'de cordel' e que, aqui, faz a sua melhor imitação de Conan, O Bárbaro, numa capa que horrorizou os próprios criadores do jogo - cujo herói é, aliás, um cavaleiro medieval de armadura completa, e não um bárbaro musculado de tronco nu.


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O mesmo tema seria, infelizmente, mantido na capa do 'capítulo paralelo' 'Wizards & Warriors X: The Fortress of Fear' (sendo o X, neste caso, uma letra, e não um numeral romano indicador de oito capítulos 'perdidos' da saga), lançado em Novembro de 1990 em exclusivo para o Game Boy original. Como seria de esperar, este semi-'spin-off' mais não é do que uma versão simplificada e monocromática dos jogos principais, constituindo, como estes, um exemplo em tudo típico do que era a biblioteca de jogos da portátil da Nintendo à época, e sobre o qual pouco mais há a dizer.


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Ainda assim, também este titulo faria sucesso suficiente para justificar um 'capítulo final' na saga, lançado novamente para Nintendo 8-bits em Janeiro de 1993 - praticamente três anos depois do surgimento do original no mercado europeu – e que apresenta, pela primeira vez, mudanças na jogabilidade, agora mais declaradamente focada na exploração não-linear, ao estilo de 'Metroid' ou do já mencionado 'Castlevania'. Esta alteração não seria, no entanto, bem recebida, já que era implementada em detrimento dos elementos de combate, tornando o jogo algo aborrecido para quem gostava do típico molde de atacar e matar inimigos sem maiores preocupações. E apesar de o fim deixar em aberto a possibilidade de novas aventuras para Kuros, o fim da Zippo Games (também conhecida como Rare Manchester, e que fecharia portas logo após a conclusão deste jogo) vinha mesmo pôr um ponto final na sua saga de jogos – o que talvez seja para melhor, já que este tipo de aventura teria os 'dias contados' um par de anos depois, quando o advento dos 32-bits viria revolucionar e alterar para sempre o mundo dos videojogos.


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Curiosamente, no entanto 'Wizards & Warriors III: Kuros' Visions of Power' não representaria o último uso da denominação num contexto interactivo, já que em finais de 2000 (mais de uma década após o lançamento da primeira aventura do cavaleiro Kuros) um RPG em primeira pessoa 'repescaria' o título, ainda que esse fosse o único elo de ligação entre o novo título e a saga original da Acclaim e Rare. Ainda assim, é a esta que o nome fica indelevelmente ligado, apesar da pouca repercussão da mesma na cultura popular actual, exactos trinta anos após o seu início – um paradigma que, espera-se, este 'post' terá ajudado, pelo menos em parte, a rectificar...

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...