Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.
Apesar de, normalmente, 'passar despercebido' literalmente ao lado de gigantes culturais europeus, Portugal não deixa, ainda assim, de ter ocasionais momentos de 'brilho' organizativo a nível internacional; da EXPO '98 ao Euro 2004 ou às Jornadas da Juventude, são vários os exemplos de eventos e iniciativas que puseram Portugal na 'mira' europeia e mundial. A estes há, ainda, que juntar uma distinção que completa este ano exactos vinte e cinco anos, e que terá deixado orgulhosa a grande maioria da população residente na metade superior do País. Isto porque, durante todo o ano de 2001, o Porto teve a honra de ser nomeada Capital Europeia da Cultura, um título que – embora 'partilhado' com Roterdão, nos Países Baixos - ajudou a rejuvenescer a 'segunda capital' de Portugal e a colocá-la nas rotas turísticas internacionais.
De facto, mais do que o sem-número de espectáculos, exposições e eventos que tiveram lugar na Cidade Invicta durante aqueles doze meses, o principal impacto do 'Porto 2001' foi a nível da recuperação arquitectónica, com muitas das fachadas da cidade a serem reabilitadas, e várias novas infraestruturas culturais a tomarem forma, com destaque para a Casa da Música, uma nova sala de espectáculos que se viria a tornar um dos epicentros da cultura portuense, e para o Centro Nacional de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação. Esta 'limpeza de cara' permitiu ao Porto demonstrar todo o seu potencial arquitectónico e, em conjunto com o apelativo programa cultural, tornou a Invicta 'chamariz' para as demografias mais cultas do turismo europeu.
Ainda mais significativo, no entanto, foi o reforço da identidade portuense que o evento suscitou na maioria dos naturais da cidade, sempre prontos a exibir o seu orgulho bairrista e regional, e que, durante aquele ano de 2001, tiveram ampla ocasião para o fazer, e para mostrar a turistas de vários pontos do Mundo aquilo que a sua cidade tinha para oferecer. De facto, durante todo esse período, Lisboa deixou, temporariamente, de ser o principal foco de atenção internacional do País, algo que terá, sem dúvida, deleitado os portuenses, e que torna mais que meritória esta chamada alusiva ao ano em causa, numa altura em que se celebram vinte e cinco anos sobre a publicação do Decreto-Lei que autorizava o cunho de moedas comemorativas do evento – um 'pretexto' tão bom como outro qualquer para colmatarmos, ainda que com alguns meses de atraso, essa 'lacuna' nesta nossa rubrica.
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