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Wednesday, 24 August 2022

Terças de TV: Dá-lhe Gás! - Um Programa de Verão para a 'Malta Jovem'

NOTA: Este post é respeitante a Terça-feira, 23 de Agosto de 2022.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


O conceito de 'programa de Verão' traz, normalmente, à memória imagens de apresentadores saltitantes e artificialmente entusiasmados e artistas 'pimba' fazendo 'playback' dos seus mais recentes êxitos. Trata-se de uma fórmula com décadas de existência e que, pelo sucesso que sempre vem acarretando, dificlmente é ou virá a ser alvo de grandes alterações - de facto, o mais provável é que qualquer português que ligue a televisão durante uma tarde de fim-de-semana deste mesmo Verão de 2022 dê de caras com um exemplo deste tipo de programa, que nem a pandemia de COVID-19 conseguiu travar, muito menos 'matar'.


Apesar de o ditado popular rezar que 'em equipa que ganha, não se mexe', no entanto, foi precisamente isso que a SIC decidiu fazer durante alguns Verões do fim do Segundo Milénio e inícios do Terceiro: criar um programa de Verão que interessasse activa e directamente ao público infanto-juvenil, especificamente ao segmento pré-adolescente e adolescente. O resultado foi o Dá-lhe Gás!, um formato centrado na realização de jogos e provas físicas de cariz competitivo e com banda sonora composta por artistas 'da moda', que viria a almejar sucesso suficiente para justificar a realização de precisamente cem programas, divididos ao longo de sete Verões.


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Apresentado por um trio constituído por Jorge Gabriel, Raquel Prates e Catarina Pereira - todos, à época, nomes 'em alta' no segmento 'jovem' da televisão portuguesa - o concurso reunia concorrentes de escolas de todo o País, que disputavam entre si uma série de eventos de cariz físico e desportivo, muitos deles de índole 'radical', ou não fossem aqueles os anos de maior sucesso e interesse por desportos extremos em Portugal; o ambiente de entusiasmo e animação era, conforme já referimos, auxiliado pela música escolhida pela produção, que consistia de 'hits' electro-pop tão conhecidos e icónicos para a época como 'Follow The Leader', 'Blue (Da Ba Dee)', 'Ooh La La La' ou 'Samba de Janeiro' - todos, aliás presentes no alinhamento da colectânea em CD alusiva ao programa, lançada no ano 2000, um ano depois da estreia do mesmo, e durante a sua fase de maior sucesso.


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Capa do CD alusivo à banda sonora do programa, lançado em 2000


A fórmula, no entanto, provaria ter ainda 'pernas' para se aguentar nada menos do que mais seis anos, vindo o programa a terminar apenas no Verão de 2006, quando o panorama televisivo nacional já começava, definitivamente, a distanciar-se do paradigma de finais dos anos 90, e a demografia que acompanhara o programa durante os anos anteriores perdia gradualmente o interesse no mesmo; ainda assim, essa mesma demografia não terá, decerto, deixado de criar memórias nostálgicas de tardes de Verão passadas em frente à televisão, acompanhando os esforços de outros jovens da sua idade e, certamente, desejando poder tomar parte numa edição futura do programa...



Emissão completa do programa, que, embora sem música, permite ver a estrutura e formato do mesmo.

Friday, 25 March 2022

Sextas com Style: As Marcas 'Radicais' dos Anos 90

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Um dos principais aspectos da moda dos anos 90 – para além do seu gosto, muitas vezes, duvidoso – foi a sua compartimentalização, muitas vezes coincidente com o conceito de 'tribos urbanas' que continua, ainda hoje, a dividir a juventude ocidental. Em Portugal, concretamente, existiam as marcas 'de betinhos' - como a Lacoste, Polo Sport, Tommy, Gap, Sacoor, Quebramar ou Duffy, isto sem falar nos clássicos pólos de râguebi ou calças à boca de sino - as de surf, como a Billabong, Ocean Pacific, Body Glove, Scorpion Bay, Quiksilver, Hang Loose, Lightning Bolt ou O'Neill, as de desporto e moda casual (das muito imitadas Reebok, Adidas ou Puma às menos conhecidas Lotto, Umbro, Pony, Fila, Kappa, Sanjo ou Le Coq Sportif) e as alternativas ou 'radicais', normalmente (embora não exclusivamente) associadas ao movimento 'skater'. Dessas, já aqui abordámos, anteriormente, as 'sweats' da No Fear e marcas derivadas, e ainda os ténis Airwalk, acessório quase obrigatório para quem se considerasse (ou quisesse considerar) parte dessa 'tribo' nos anos finais da década; essas estavam, no entanto, longe de ser as únicas marcas que compunham essa sub-categoria da moda infanto-juvenil da época, pelo que, esta Sexta, falaremos de algumas das restantes.


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A Dickies foi uma das muitas marcas a beneficiar da febre do 'skate' dos anos 90


E quem foi, quis ser, ou teve amigos que tenham sido, 'radicais' durante a referida década, bem como a seguinte, certamente já está a recitar uma litania de nomes que remetem directamente para o ensino preparatório e secundário – da Fishbone à Fubu, Etnies, Skechers ou Counter Culture, foram várias as marcas adoptadas pelos jovens de inclinação 'radical' durante essas duas épocas, muitas vezes como forma de emular os seus ídolos, que 'trajavam' de forma semelhante. Até mesmo marcas que não estavam directamente associadas à sub-cultura em causa – como a Dickies, cuja especialidade são roupas de trabalho para profissionais da área dos serviços – acabaram por beneficiar deste fenómeno, tendo gozado de alguns anos de grande popularidade entre o público jovem em geral, e entre os mais 'alternativos' em particular.


Como acontece com a maioria dos temas explorados nestas páginas, no entanto, também a moda dos desportos radicais evoluiu com o passar das décadas, voltando a assumir um carácter mais 'de nicho' do que tinha nos anos 90, em que qualquer mascote de desenho animado que se prezasse era vista em cima de um 'skate' pelo menos uma vez; por consequência, também as marcas associadas a este movimento (e outros igualmente alternativos) se tornaram presença menos comum na sociedade jovem nacional, acabando inevitavelmente por ser substituídas por uma 'nova geração' de logotipos, vestidos pela nova geração de 'skaters' e praticantes de BMX ou patins em linha. Quem fez parte dessa 'tribo' nos anos 90 e 2000, no entanto, terá sem dúvida disfrutado, nestes passados momentos, de uma agradável viagem nostálgica pelas marcas da sua infância e adolescência – e, quiçá, sentido sob os joelhos o atrito do asfalto da rua ou pátio da escola, indicativo de mais uma de muitas quedas...

Friday, 15 October 2021

Quintas no Quiosque: A Revista 'Portugal Radical'

NOTA: Este post corresponde a Quinta-feira, 14 de Outubro de 2021.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Nos anos 90 e início do novo milénio, qualquer conceito ou propriedade intelectual de sucesso tinha grandes probabilidades de contar, entre o seu 'merchandising' oficial, com uma revista ou publicação, muitas vezes apenas tangencialmente conectada ao tema ou conceito em causa, outras mais directamente relevante para o mesmo. Foi assim, por exemplo, com a Rua Sésamo, no início da década, e com o Batatoon, já nos primeiros anos do novo milénio; exactamente a 'meio caminho' entre estas duas, no entanto, surgia uma outra representante do género, esta dirigida a um público um pouco mais velho - a revista 'Portugal Radical'.


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Capa de um dos números da revista


Baseada no programa do mesmo nome, exibido pela SIC, esta revista mantinha-se extremamente fiel ao conceito por detrás do mesmo, nomeadamente, o de manter informado um público ávido por desportos radicais, e espectador assíduo da emissão que esta publicação complementava. Assim, não é de surpreender que a mesma constasse, essencialmente, de página após página dedicada a dar a conhecer os mais populares desportos alternativos da época, bem como aquilo que se ia passando na 'cena' competitiva de cada um deles. Tal como acontecia na emissão televisiva, também aqui os principais desportos representativos do movimento - do skate ao surf, BTT, BMX, motocross ou patins em linha - tinham, cada um, direito ao seu próprio espaço, revezando-se no que tocava a honras de capa, mas nunca sendo deixados de fora de qualquer número da revista, abordagem que emprestava abrangência à publicação, e garantia a fidelidade do público-alvo, independentemente da sua modalidade de eleição.


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Exemplos do tipo de conteúdos da revista


Infelizmente, e apesar da notabilidade e popularidade durante a época áurea do programa, a revista 'Portugal Radical' não conseguiu emular a longevidade ou impacto cultural da sua emissão irmã; embora a maioria dos jovens daquele tempo ainda se lembrem de acompanhar o programa na televisão e de coleccionar os cromos, apenas os mais dedicados (quer aos desportos radicais, à época, quer à 'escavação' cibernética, hoje em dia) se lembrarão de que existiu também uma revista alusiva ao conceito, até porque 350 'paus' (como o anúncio televisivo apregoava) eram uma quantia considerável - quase duas semanadas para a maioria das crianças da época! - e, muitas vezes, valores mais altos se alevantavam...


Ainda assim, vale a pena recordar esta revista meio esquecida pelo passar do tempo (embora não pela Internet) e que serve, hoje em dia, como verdadeira 'cápsula do tempo' para uma época bem mais inocente, divertida, e (sim) radical...



Anúncio televisivo de promoção da revista

Saturday, 22 May 2021

Sábados aos Saltos: A Febre do 'Skate' dos Anos 90

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos e acessórios de exterior disponíveis naquela década.


Hoje concluímos (já com algum atraso) a ‘trilogia’ de meios de deslocação ‘radicais’ dos anos 90; depois de em edições anteriores desta rubrica termos falado dos patins em linha e das bicicletas BMX, chega hoje a vez de abordarmos um ‘meio de transporte’ que menos crianças da época tinham, mas que quase todas desejavam – o ‘skate’.


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Imaginem isto, mas em amarelo-canário com rodas vermelhas e um desenho em cima...era o nosso


Disseminados entre as massas pela ‘febre’ dos desportos radicais que se instalou um pouco por todo o Mundo durante a década de 90 (e que no nosso país tinha a sua expressão máxima no programa ‘Portugal Radical’), os ‘skates’ passaram ainda alguns anos como equipamentos mais ‘de nicho’ antes de passarem a ocupar o topo das listas de Natal das crianças portuguesas; uma vez essa posição ocupada, no entanto, não mais a largariam, tendo a segunda metade da década ficado marcada pela proliferação de estruturas especificamente destinadas à prática do ‘skate’, bem como dos seus ‘irmãos’ já aqui abordados, os patins e a BMX. Sim, a atual geração que tão bom uso faz dos ‘skate parks’ espalhados um pouco por todo o País tem a agradecer aos seus pais a popularização destes tipos de ‘hobby’, a ponto de serem criados equipamentos específicos para a sua prática.


Mais - onde os ‘skates’ usados pelos ‘putos’ de hoje em dia são do tradicional formato preto em cima e com desenhos mais ou menos ‘radicais’ na base, os dos seus pais eram muito, mas mesmo muito mais ‘fixes’. Maioritariamente no formato ‘banheira com rodas’, entretanto caído em desuso, eram normalmente feitos de plástico colorido (o nosso era amarelo e vermelho, das mesmas cores da bicicleta BMX), e adornados com todo o tipo de motivos. tanto em baixo como na parte superior; alguns traziam, inclusivamente, desenhos alusivos a propriedades intelectuais populares entre  o público-alvo - por aqui, por exemplo, quase caímos para o lado quando percebemos que o desenho do nosso ‘skate’ dos 5-6 anos de idade era uma reprodução em cores algo estranhas de uma ilustração de…Dragon Ball Z!!


Enfim, embora fossem menos ergonómicos e bastante mais ‘matacões’ do que os modelos de décadas posteriores, estes ‘skates’ ganhavam-lhes largamente em termos de ‘estilo’ – e de apelo para o público mais jovem.


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Exemplo de uma 'parte de baixo' de 'skate' com desenhos licenciados - neste caso, das Tartarugas Ninja


Infelizmente, tal como os patins em linha, o ‘skate’ era daquelas coisas para que todos queriam ter ‘jeito’, mas nem todos conseguiam. Mesmo com capacete e protecções (não tantas quanto nos tempos modernos, mas chegávamos a pôr) os ‘trambolhões’ eram mais que muitos, e como consequência, muitas crianças usavam o skate mais como um adorno, uma coisa ‘fixe’ para ter no quarto ou na garagem. Ainda assim, aqueles que conseguiam dominar a arte eram olhados com admiração e inveja, e davam por vezes azo a mais umas quantas tentativas frustradas de fazer o mesmo, antes de o ‘skate’ voltar para o seu lugar de honra contra a parede…


Ao contrário dos outros instrumentos de que falámos nesta rubrica, que acabaram por cair em desuso com o passar dos anos (e o virar da década, século e milénio), os ‘skates’ continuam a gozar de enorme popularidade entre os jovens até aos dias de hoje – muito por culpa de uma certa e imensamente bem-sucedida série de videojogos cujo primeiro título foi lançado, precisamente, nos anos 90. Ainda assim, há que mostrar a essa nova geração de onde veio e como era o seu passatempo de eleição no tempo em que os ‘velhotes’ trintões eram da sua idade…algo que, espera-se, este post terá conseguido fazer. Fica, agora, a faltar falar do último desporto radical adoptado pela juventude daquela época, e que também ainda retém a sua popularidade - mas isso será no próximo post. Por agora, fiquem com uma reportagem de época (precisamente do 'Portugal Radical') sobre um dos primeiros eventos portugueses totalmente dedicados ao (então) novo fenómeno que acabámos de abordar...



 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...