Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Apesar de não ter tanta expressão quanto o de outros países europeus, o cinema português de finais do século XX e inícios do seguinte não deixava, ainda assim, de produzir alguns bons filmes, quer a título individual, quer em co-produção com outras nações. É, precisamente, de um exemplo deste último paradigma – que completou recentemente vinte e cinco anos sobre a sua estreia nacional – que falaremos nesta Sessão de Sexta.
Produzido em parceria com a França e o Chile, e misturando diálogos em Português, Francês e Espanhol, 'Combate de Amor em Sonho' adopta uma narrativa não-linear que mistura nove histórias distintas, todas elas ambientadas em séculos passados e com uma atmosfera de fábula, povoada por personagens fantásticos, ficcionados ou até mitológicos, muitos deles representados pelo mesmo leque de actores – entre eles Rogério Samora, úncio 'representante' português no elenco. A ajudar a toda a atmosfera surgem as inimitáveis e características paisagens da zona de Sintra, onde o filme foi rodado, as quais se adequam perfeitamente às narrativas veiculadas pelo realizador Raúl Ruiz.
Apesar desta forte ligação a Portugal, no entanto (a qual se estende ao financiamento por parte da Madragoa Filmes e da RTP) 'Combate de Amor em Sonho' viria a ser apresentado pela primeira vez no estrangeiro, tendo ganho o prémio de imprensa no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, em 2000, e estreado em França ainda nesse mesmo ano, só depois chegando às salas de cinema lusitanas (a 18 de Maio de 2001). E apesar de nunca ter tido estatuto de 'blockbuster' (trata-se de um filme orgulhosamente independente, daqueles que acaba por apenas passar em certos cinemas menos comerciais) e de se encontrar algo esquecido um quarto de século após a sua estreia, o filme não deixa, ainda assim, de ser um digno representante do cinema independente internacional, em cuja participação a indústria cinematográfica portuguesa tem todo o direito de se orgulhar.

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