Friday, 31 December 2021

Feliz Ano Novo!

O Portugal Anos 90 deseja-vos umas excelentes entradas em 2022. Para o ano cá nos vemos, com mais conteúdos nostálgicos!


Sessão de Sexta: 'O Projecto Blair Witch'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Cada década, desde o início do cinema moderno, tem tido uma série de filmes (quer populares, quer de culto) que se destacam acima dos demais, transcendendo o seu estatuto de simples obra cinematográfica bem conseguida para se tornarem verdadeiros eventos mediáticos. E ainda que, na última década, o advento do Multiverso Marvel tenha tornado a ocorrência deste tipo de filme mais comum do que nunca, a verdade é que, em décadas anteriores, as películas que atingiam este estatuto se contavam pelos dedos de uma mão.


Tomemos como exemplo a década que nos concerne, unanimemente considerada excelente no que toca a produção cinematográfica, mas que ao mesmo tempo ilustra o fenómeno de que aqui falamos; isto porque os anos 90 tiveram muitos BONS filmes, mas apenas uma mão-cheia desses se tornaram marcantes ao ponto de terem impacto, e até moldarem, a cultura popular da década. Deixando de parte os filmes animados, que são sempre um evento independentemente da sua qualidade ou escala, a década teve Matrix, O Dia da Independência, Sozinho em Casa, Parque Jurássico, A Lista de Schindler, O Sexto Sentido, Exterminador Implacável 2, o infame Episódio I de Star Wars, e pouco mais. Até mesmo filmes extremamente populares, como as diferentes aventuras de Batman, A MáscaraSpace Jam, Speed - Perigo a Alta Velocidade ou os dois primeiros filmes das Tartarugas Ninja não chegam ao estatuto das obras acima citadas, visto o seu impacto cultural ter tido lugar, sobretudo, à época da estreia, e progressivamente esmorecido ao longo dos anos.


No último dia da década, no entanto (há exactos vinte e dois anos) estreava em Portugal uma obra que se viria a juntar à restrita lista acima enumerada, ainda que - por razões de 'timing' - apenas na década seguinte. Falamos, é claro, de 'O Projecto Blair Witch', uma obra que, mais do que um filme, foi uma autêntica sensação mediática à época da estreia, e teve influência directa em todo um novo género de filme, que ainda hoje perdura.


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Realizado e protagonizado por perfeitos desconhecidos - opção que era, em si mesma, parte da inteligente estratégia de 'marketing' em torno do filme - 'Blair Witch' apresentava-se, num primeiro momento, como uma gravação real - no caso, das filmagens de um documentário sobre a bruxa do titulo, captadas em 'primeira pessoa' por três estudantes de cinema, e mais tarde encontradas no local do seu desaparecimento. A primeira parte do filme é, assim, constituída por cenas perfeitamente normais para este tipo de projecto, baseadas sobretudo na interacção entre os três cineastas, antes de as coisas começarem lentamente a descambar, e o terror a aumentar, culminando numa daquelas imagens que constituiu um 'meme' antes de o próprio conceito de 'meme' existir, e que foi parodiada até à exaustão em anos subsequentes.


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Um momento que, no final dos anos 90, só perdia mesmo para 'I see dead people' em termos de volume de referências e paródias mediáticas


Apesar da influência que teve no cinema do novo milénio - tendo, basicamente, ajudado a criar o género hoje conhecido como 'found footage', que 'Cloverfield' e 'Actividade Paranormal' viriam mais tarde a expandir - 'O Projecto Blair Witch' é, à luz de vinte anos no futuro, um filme que parece não merecer todo o 'hype' que teve à época. Talvez por culpa da exaustão do género, e dos 'clichés' introduzidos precisamente por este filme, a obra parece, hoje, algo previsível e até um pouco cómica, ficando a ideia de que, se estreasse hoje na Netflix, seria alvo de um absoluto arraso crítico; em 1999, no entanto, viviam-se tempos diferentes, e o factor novidade de 'Blair Witch' - aliado a uma audiência de adolescentes prontos a serem assustados - foi suficiente para incluir este filme na curta mas honrosa lista de obras transcendentes, quer da década que findava, quer da que dealbava. Razão mais que suficiente para dedicarmos a nossa última postagem do ano de 2021 à celebração do vigésimo-segundo aniversário de uma película muito 'do seu tempo', mas ao mesmo tempo, extremamente influente na História do cinema moderno como um todo.

Thursday, 30 December 2021

Quintas de Quinquilharia: Os Brindes do Bolo Rei

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


E porque na última Quinta-feira falámos aqui da importância dos brindes no contexto do bolo-rei, porque não dedicar o post de hoje a debruçarmo-nos um pouco mais a fundo sobre os mesmos?


Como quem comeu um bolo-rei na era pré-legislação europeia certamente saberá, os referidos brindes consistiam, única e invariavelmente, de um pequeno objecto em metal (sendo esta um dos principais pontos contenciosos da inclusão dos mesmos num produto alimentar, visto que os metais podem criar diversas substâncias nocivas, as quais poderiam depois ser transmitidas para o próprio bolo) com a forma de um qualquer elemento tradicional, quer da gastronomia ou cultura portuguesa (por aqui, reside bem viva a memória de uma posta de bacalhau em miniatura, obtida num qualquer bolo-rei em meados dos anos 90) quer apenas da vida quotidiana. Por vezes (embora nem sempre) o brinde incluía uma pequena argola, que permitia a sua acoplagem a um porta-chaves ou ao fecho de uma típica mochila escolar, acentuando o potencial destes objectos como 'quinquilharias' infantis.


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Exemplos de brindes do bolo-rei


E a verdade é que, embora não fossem residentes permanentes de bolsos, estojos e bolsas de mochila, estes objectos tinham o seu pequeno lugar ao sol, logo a seguir ao Ano Novo, quando o seu interesse ainda não se havia esmorecido ao ponto de os relegar para o fundo de uma qualquer gaveta de casa; e embora esse período não se prolongasse, normalmente, além da primeira semana de aulas, não deixava de ser com um sorriso que, meses mais tarde e com a época das Festas já muito distante, se tornava a encontrar o brinde do ano anterior no fundo da referida gaveta, voltando o mesmo a ser motivo de interesse, ainda que por poucos minutos. Razão mais que suficiente para que, nesta quadra que caminha a passos largos para o fim, dediquemos estas poucas linhas a este elemento clássico e tradicional das Festas portuguesas dos anos 90, entretanto extinto para sempre, mas que perdura nas nossas memórias daquele tempo.

Wednesday, 29 December 2021

Quartas aos Quadradinhos: Os Clássicos Disney em BD Bilingue

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os filmes da Disney têm sido, quase desde a sua popularização, sucessos absolutos entre a população infanto-juvenil, seja nas salas de cinema ou no circuito 'home video'; assim, não é de surpreender que rapidamente tenham surgido variações e alternativas a estes mesmos filmes, a maioria das quais oriunda do seio da própria Walt Disney. De adaptações áudio (das quais paulatinamente falaremos) a jogos e programas de computador alusivos aos diferentes filmes, foram muitos os produtos adjacentes lançados pela companhia entre o final da década de 80 e o início do novo milénio - e, de entre estes, um dos filões mais explorados foi precisamente a adaptação em banda desenhada dos filmes e séries animados lançados pela companhia.


A esse propósito, já aqui falámos da colecção ´Álbuns Disney´, que reunia histórias paralelas protagonizadas por alguns dos mais populares personagens áudio-visuais da companhia, publicadas na americana 'Disney Adventures' e subsequentemente traduzidas para português; no entanto, em finais da década a que este blog diz respeito, um dos principais diários portugueses expandiu ainda mais este conceito, apresentando uma colecção de adaptações directas e integrais de cada um dos filmes até então lançados pela Walt Disney Company, que tinham como principal particularidade o facto de serem bilingues, com cada conjunto de duas páginas a conter exactamente as mesmas ilustrações, diferindo apenas o idioma em que o texto estava redigido - de um lado em Português, do outro, em Inglês.


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A colecção integral


Veiculada em conjunto com o Diário ou Jornal de Notícias (embora, conforme era hábito com as colecções e suplementos dos jornais da época, também pudesse ser adquirido separadamente, mediante pagamento de uma quantia fixa) a série de clássicos Disney em banda desenhada bilingue teve ao todo treze volumes, os quais englobavam uma selecção algo anárquica de filmes entre os que haviam sido lançados pela companhia à época, sem lugar a quaisquer considerações cronológicas ou de completismo; para se ter uma ideia, a colecção começava com 'Toy Story - Os Rivais' (o filme mais recente dos incluídos na série), aparecendo 'Branca de Neve e os Sete Anões' (o primeiro filme Disney de sempre) e 'Pinóquio' (o segundo) apenas no terceiro e quarto números, já depois de '101 Dálmatas'. Os restantes volumes seguiam a mesma toada, com 'Aladino' entre 'Peter Pan' e 'Bambi' e 'Pocahontas' antes de 'O Rei Leão', que encerrava a série.


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A lista incluída no verso de cada volume ilustrava bem a ordenação anárquica da colecção


Nada, no entanto, que beliscasse a qualidade da série, que apresentava desenhos ao estilo 'Disney Adventures' e textos que adaptavam fielmente (ainda que por vezes com menos diálogos) os guiões dos filmes em causa. Quando combinados com um grafismo cuidado e encadernação mais próxima dos álbuns franco-belgas do que do habitual formato 'gibi' favorecido pela Editora Abril, estes elementos faziam com que valesse bem a pena investir nesta colecção, especialmente para quem quisesse aprender ou ensinar inglês a um público infanto-juvenil de forma divertida e interessante. De facto, o sucesso desta série poderá ter estado na génese de uma outra empreitada pelo ensino de línguas com chancela Disney, da qual falaremos aqui muito em breve; para já, aqui fica a merecida homenagem a uma excelente colecção de livros infantis, de uma altura em que as colecções oferecidas como brinde pelos jornais eram, por vezes, quase mais interessantes do que os próprios conteúdos dos mesmos...

Tuesday, 28 December 2021

Terças de TV: Hermanias Especial de Fim de Ano

NOTA: Devido à relevância temporal específica do tema abordado no post de hoje, iremos excepcionalmente trocar a ordem das Terças Tecnológicas e Terças de TV. Os posts sobre tecnologia regressam no novo ano - para já, desfrutem deste post sobre um dos programas de passagem de ano mais marcantes dos anos 90.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Quem passou 'reveillons' e noites de passagem de ano em casa durante os anos 90 e 2000 (fosse por escolha ou por motivos de idade ou falta de pecúlio monetário), certamente se habituou a passá-las na companhia de Herman José. O humorista, que à época gozava de estatuto de figura maior no campo do entretenimento televisivo 'made in Portugal', conseguiu que a sua imagem ficasse, também, associada à produção televisiva específica para esta noite especial.


Esta associação,cimentada em anos subsequentes por espectáculos especiais das mais diversas índoles, teve a sua génese logo no início da década, altura em que Herman e a sua 'entourage' habitual (que ainda hoje mantém) lançaram aquele que é talvez a mais memorável de todas as produções de Ano Novo elaboradas pelo grupo: o inesquecível Especial de Ano Novo conhecido como Hermanias.


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Com génese no programa semanal do mesmo nome, exibido em meados dos anos 80 mas já de há muito extinto à época desta transmissão em particular, o Hermanias Especial de Ano Novo (que completa nesta noite de fim de ano exactos 30 anos) reviveu o nome por apenas uma noite, associando-o a um programa de humor ao estilo 'sketch' bem característico do que Herman e companhia vinham apresentado à época, e apresentariam ao longo da década seguinte.


Utilizando um espectáculo de Tony Silva (o famoso personagem de 'entertainer' latino do humorista) como elo de ligação entre os diferentes 'sketches', que não partilham de outro modo qualquer contexto, Hermanias Especial de Ano Novo apresenta todos os personagens mais famosos criados por Herman até à data, como José Severino ou José Estebes, e continha muitos momentos memoráveis, como a rábula da poetisa (com Rosa Lobato de Faria a troçar de si própria de forma magnífica) ou um falso anúncio tão convincente que pôs este que vos escreve, do alto dos seus seis anos, a pedir para ir ver o suposto espectáculo anunciado, aparentemente dirigido a crianças mas na verdade...de strip-tease! Entre todos estes momentos, do calibre a que Herman e companhia haviam habituado os seus espectadores da época, as horas até à passagem de ano 'voaram', e foi quase com pesar que os referidos espectadores viram terminar aquele que foi um dos mais memoráveis espectáculos de fim de ano da década - e, para dizer a verdade, também desde então.


Infelizmente, e apesar de Herman José (conforme referido acima) ter apresentado vários outros espectáculos de 'reveillon' ao longo da época, o momento criado por 'Hermanias' não mais se viria a repetir - pelo contrário, Herman permaneceria afastado da escrita humorística durante grande parte da década, antes de efectuar um dos regressos mais memoráveis e marcantes da televisão portuguesa. Desse, no entanto, falaremos noutra ocasião; para já, fiquem com algumas amostras daquilo de que os espectadores puderam disfrutar na passagem de ano de 1991 para 1992...




Monday, 27 December 2021

Segundas de Séries: 'Navegante da Lua'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.



Quem conheceu, já deve estar a cantarolar...


Tal como acontece tantas e tantas vezes nas páginas deste blog, também este vai ser um daqueles posts que começam com o genérico de abertura da série em causa; isto porque, para grande parte do seu público-alvo à época da transmissão, este foi mesmo um dos, senão O elemento mais marcante do programa, cuja letra ainda permanecerá embutida nas suas sinapses, pronta a ser debitada 'de cor' à mínima oportunidade.


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'Navegante da Lua' (no original, 'Sailor Moon') foi mais um dos vários clássicos da programação infantil introduzidos no nosso país por Ana Malhoa, Boi-re-ré, Vaca-re-ré, Croco, Hadrianno e o restante elenco do não menos clássico 'Buereré', um dos programas infanto-juvenis por excelência durante a 'nossa' década; no caso, corria o ano de 1995 quando Serena, Rita, Bunny e as restantes Navegantes surgiam pela primeira vez nos ecrãs de lares de Norte a Sul do país, dobradas em bom português (numa daquelas adaptações livres e cheias de improvisação habituais à época, semelhante à popularizada por 'Dragon Ball Z') e de tiaras apontadas directamente ao coração das raparigas pré-adolescentes (como 'Ursinhos Carinhosos' e 'Meu Pequeno Pónei', 'Sailor Moon' era daquelas séries que não se podia ver se se pertencesse à metade da espécie com cromossomas Y).


E a verdade é que o efeito sobre o público-alvo foi quase imediato - a partir desse ponto, e até ao final da década, as colegiais super-poderosas não mais perderiam a sua influência sobre a juventude portuguesa, para quem era difícil manter-se indiferente à mesma: dependendo do sexo, ou se amava, ou se odiava o programa; quem amava, citava as personagens principais, o charmoso Mascarado e a referida música de abertura como os principais atractivos, enquanto que quem não gostava listava precisamente esses mesmos elementos como factores de irritação em relação à série.


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O Mascarado era o interesse romântico da protagonista Serena


Amasse-se ou odiasse-se, a verdade é que 'Navegantes da Lua' fez tal sucesso aquando do seu aparecimento na SIC, que justificou uma nova transmissão cinco anos depois, agora na TVI, como parte da grelha do outro grande programa infantil das décadas de 90 e 2000, o 'Batatoon', e novamente em 2002, no Canal Panda. Este ressurgimento veio, no entanto, acompanhado de uma controvérsia, no caso ligado a algumas mudanças supérfluas e desnecessárias ao nível da dobragem dos episódios transmitidos no Panda, nomeadamente a troca de sexos entre os gatos das protagonistas, Luna e Artemis, passando Luna a ser um gato macho e Artemis (agora Artemisa) uma fêmea, ao contrário do que sucedia quer no original, quer na primeira tentativa de dobragem para português. Nada, no entanto, que afectasse a popularidade da série, que voltou a encontrar um público entusiástico e àvido de conteúdos de teor aventuroso dirigido a raparigas, numa época em que os programas infantis femininos tinham invariavelmente mais a ver com os supramencionados ´Ursinhos Carinhosos' ou 'Meu Pequeno Pónei'.


Sucesso esse, aliás, que se mantém até hoje, continuando as diversas séries de 'Sailor Moon' a ser transmitidas nos 'novos' canais infantis entretanto surgidos, como o Biggs, que em 2015 incorporava uma dobragem de 'Sailor Moon Crystal' à sua grelha de programação, inicialmente em formato censurado, e a partir de 2017 na sua versão integral, em tudo semelhante à original japonesa; mais uma prova, caso tal fosse necessário, da popularidade de que as meninas com poderes planetários continuam a gozar em Portugal, mesmo em meio à forte concorrência de programas como 'Miraculous Ladybug' e a nova série dos Pequenos Póneis. De facto, ao que parece, se depender do nosso público infantil feminino, Serena e as suas companheiras continuarão a castigar malfeitores em nome da Lua durante muitos e bons anos...

Saturday, 25 December 2021

Feliz Natal!

O Anos 90 (e a Ágata daquela época) desejam-vos um excelente Natal!


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Friday, 24 December 2021

Sextas com Style: Os Blusões da Duffy

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Assim que o frio começa a apertar - e normalmente, em Dezembro, já há muito que apertou - sabe bem ter um agasalho mais grosso e impermeável, dentro do qual se possam enfrentar as intempéries que o Inverno normalmente reserva. E, para a juventude da segunda metade dos anos 90, um agasalho deste tipo que não tivesse no peito um bordado redondo com um ganso em vôo praticamente 'não contava'.


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Foi sensivelmente em meados da década que os famosos blusões de penas Duffy adentraram a consciência colectiva de toda uma demografia. Ao contrário de outras 'modas' de que aqui vimos falando, estas peças de roupa não têm, nem nunca tiveram, um ponto de origem definido; simplesmente 'passaram a existir', de um ano para o outro, e dentro de pouco tempo, toda a gente de uma certa idade parecia ter (ou querer ter) o seu.


Também ao contrário de alguns dos outros temas abordados nas páginas deste blog, não é difícil perceber por que razão os blusões da Duffy se tornaram tão populares, quando outros 'kispos' deste tipo eram muitas vezes vistos como sendo 'fatelas', especialmente a partir de uma certa idade; para além do óbvio factor 'todos-têm-também-quero', os artigos da marca do ganso apresentavam qualidade condicente com o seu preço (mesmo muito) elevado, tendendo um só blusão a chegar para várias épocas, tipicamente até deixar de servir ao dono ou dona. Os 'anoraks' Duffy eram, assim, dos poucos artigos de marcas populares a verdadeiramente justificarem o investimento.


Tal como ocorria com tudo o que ganhasse alguma popularidade entre os jovens, no entanto, nem todos os supostos blusões Duffy vistos nos pátios de escolas e clubes por esse Portugal fora eram verdadeiramente da marca; como era hábito à época (e hoje em dia, embora menos) proliferavam no mercado as imitações baratas, que passavam por autênticas à primeira vista, mas não resistiam a um escrutínio mais de perto. Como também era hábito, qualquer criança ou jovem cujo blusão fosse identificado como 'falso' era, de imediato, alvo do escárnio dos colegas - muitos deles, ironicamente, também provavelmente vestidos com blusões de imitação.


Hoje em dia, a Duffy ainda existe, tendo inclusivamente tentado reviver os seus icónicos blusões para os tempos modernos; no entanto, e apesar destes esforços, a iconografia do blusão de penas com 'patch' de um ganso a voar fica mesmo (pelo menos em Portugal) indelevelmente ligada aos anos 90, em que esta peça de roupa mais utilitária que 'estilosa' chegava a ter estatuto de presente desejado debaixo do sapatinho nesta época do ano...

Thursday, 23 December 2021

Quintas ao Quilo (de Natal): O Bolo-Rei dos Anos 90

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


A doçaria regional portuguesa é conhecida pela sua grande variedade de opções para todas as ocasiões, e o Natal não é excepção; mas entre as azevias, os coscorões e as lampreias de ovos, há um doce que se destaca acima de todos, e que simboliza, para muitos portugueses, a culinária da quadra.


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Falamos, claro, do bolo-rei, aquela deliciosa confecção encimada com frutos secos e frutas cristalizadas (ou, no caso da variante 'rainha', apenas com os primeiros) e que rivaliza favoravelmente com as especialidades natalícias de qualquer outro país do Mundo - incluindo congéneres como o 'stollen' alemão ou o 'fruitcake' norte-americano. Melhor - tirando a maior industrialização (antigamente, dificilmente se encontrava este bolo em supermercados) o bolo-rei sofreu muito poucas alterações na sua essência, continuando a ser (quase) exactamente aquilo que sempre foi, desde a sua introdução e popularização em Portugal, em inícios do século XIX.


É no 'quase', no entanto, que reside o cerne deste post; isto porque quem tem idade para se recordar dos assuntos falados neste blog certamente sentirá, ano após ano, falta de dois elementos já de há muito retirados do bolo-rei, mas que ainda marcaram muitos Natais e dias de Ano Novo da nossa infância: o brinde e a fava.


Tradicional brindes oferecidos nos Bolo Rei portug


 


Ambas intimamente ligadas à tradição do bolo-rei (quem encontrasse o brinde podia considerar-se sortudo, enquanto que quem tivesse na sua fatia a fava tinha de pagar o bolo seguinte - daí a expressão 'sair a fava' como sinónimo de 'ter azar') as duas 'surpresas' anteriormente contidas neste bolo foram retiradas, precisamente em 1999, após a aprovação de uma lei europeia que proibia a comercialização de géneros alimentícios com brindes misturados; apesar de o bolo-rei ter inicialmente sido considerado excepção, pelo significado cultural do seu brinde e da fava, o mesmo acabou mesmo por se ver despojado dos seus elementos tradicionais quando a referida lei foi revista, dois anos mais tarde.


Até hoje, apesar de não ser exactamente proibido vender o bolo com brinde e fava, é essa a percepção geral, sendo o mesmo comercializado sem qualquer dos dois elementos já desde o inicio do século. Uma pena, visto que eram precisamente estas duas 'surpresas' que davam o carácter ao bolo-rei, e tornavam a experiência de o comer ainda mais memorável; sem eles, resta um bolo ainda (e sempre) delicioso, mas já sem aquele pequeno 'extra' que tanto nos deliciava nas nossas infâncias. Ainda assim, a compra (e posterior partilha) de um bolo-rei é uma daquelas experiências sem as quais nenhum Natal luso podia passar - fosse nos anos 90, ou nos dias de hoje. Com ou sem 'surpresas' adicionais...

Wednesday, 22 December 2021

Quartas de Quase Tudo: A Minha Agenda

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Na era pré-telemóveis, a única maneira de recordar e guardar datas e contactos importantes era registá-los nuns livrinhos especialmente criados para o assunto, em que cada página correspondia a um dia, e continha linhas especiais para anotar todas estas informações.


Isso mesmo - as agendas, um daqueles produtos que, a certo ponto durante os anos 80 e 90, representava um dos marcos da passagem à vida adulta, em que havia a necessidade de manter registos sobre coisas sérias. Talvez por isso tantas crianças quisessem ter o seu próprio exemplar, e talvez por isso a alternativa especificamente dirigida a esta demografia - lançada anualmente pela editorial O Livro, em parceria com a RTP, de meados da década de 80 até aos primeiros anos do novo milénio, e novamente em 2010, numa edição especial alusiva ao programa 'Caderneta de Cromos', apresentado por Nuno Markl - tenha feito tanto sucesso à época do lançamento.


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Capas das edições relativas aos anos de 1994 e 96


De facto, no período a que este blog diz respeito, 'A Minha Agenda', a agenda infantil da RTP - que além dos espaços para registo de informação, continha curiosidades, jogos, receitas e outros artigos de interesse para o público-alvo - tornou-se um verdadeiro marco da época natalícia portuguesa, sobretudo graças ao seu anúncio televisivo, cujo 'jingle' era tão ou mais 'pegajoso' que o actual do Pingo Doce, e terá decerto vindo à cabeça de pelo menos alguns dos nossos leitores assim que foi mencionado.



Por aqui, anda-se há dias a cantarolar isto...


Esse anúncio era, aliás, responsável pela criação de grande parte do desejo pel''A Minha Agenda', que no restante, não passava precisamente disso - de uma agenda, ainda que 'apimentada' pelos referidos conteúdos extra. Aliás, na mesma época, existia pelo menos uma opção tão boa ou melhor do que a publicação da RTP, no caso a Agenda Disney, que aliava um conceito semelhante ao d''A Minha Agenda' ao atractivo extra da licença oficial para uso das personagens Disney (lá por casa, era esta que se tinha, e nunca houve qualquer desejo pela troca).


No entanto, tal como no caso do 'Um Bongo', aqui explorado há algumas semanas, 'A Minha Agenda' era (foi, é) um produto cuja estratégia de vendas assentava, sobretudo, na força do seu 'jingle', que lhe dava uma vantagem em relação à concorrência, por muito forte que ela fosse; que o diga quem ficou quase imediatamente a desejar receber um destes volumes no sapatinho após ter sido sujeito ao anúncio num qualquer intervalo dos desenhos animados...

Tuesday, 21 December 2021

Terças de TV: 'O Natal dos Hospitais'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Por muitas décadas que passem, o Natal português continua a pautar-se por uma série de tradições que parecem, por esta altura, serem já imutáveis: vai-se, por exemplo, ouvir 'A Todos Um Bom Natal', vai haver um anúncio da Popota ou da Leopoldina (ou de ambos), vai passar na televisão o 'Sozinho em Casa' (e provavelmente a 'Música no Coração' também) e a RTP vai exibir um programa de várias horas em que cantores e outras personalidades sociais de destaque se exibem por uma causa de caridade.


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Esta última tradição, em particular, avança a passos rápidos para o seu octogésimo aniversário (embora nem sempre tenha ocorrido de forma regular) com uma fórmula pouco ou nada alterada (só mudam mesmo a hora e duração da emissão e o nome dos artistas participantes), tendo-se já tornado sinónima com o Natal em Portugal. Trata-se, claro, de 'O Natal dos Hospitais', criação conjunta da RTP, do Diário de Noticias e da marca Phillips, que desde o final dos anos 50 se tornou um marco basilar da programação da emissora nacional durante a quadra natalícia, embora tenha estado esporadicamente ausente da mesma ao longo dos anos (o programa não teve, por exemplo, lugar nos dois primeiros anos da década de 90, tendo apenas sido transmitido a partir de 1992.)


Normalmente gravado em directo a partir dos hospitais de São João, no Porto, e de Alcoitão (com festas separadas e simultâneas na Madeira e Açores), o programa teve, no entanto, ocasionais investidas para fora do ambiente hospitalar, tendo chegado a ser transmitido a partir do Casino Estoril ou do Coliseu dos Recreios. Mais recentemente, já no novo milénio, a emissão expandiu-se, também, a outros hospitais, mas mantendo a mesma fórmula de sempre, com convidados 'famosos - normalmente ligados à RTP - e números musicais, a maioria dos quais de índole popular ou folclórica. 




Exemplos dos números musicais e teatrais típicos da emissão, neste caso retirados das transmissões de 1992 e 93, respectivamente.


Um formato que se presta a muito poucas alterações, e que o próprio público-alvo - na sua maioria envelhecido e pouco dado a inovações - dificilmente permitiria que fosse mudado. Lá diz a velha máxima que 'em equipa que ganha, não se mexe' - e a julgar pela amostra conjunta (o programa fez, até à data, parte da vida de pelo menos quatro gerações de portugueses, incluindo a que cresceu nos anos 90), no caso do 'Natal dos Hospitais', tal táctica tem mesmo rendido dividendos...

Monday, 20 December 2021

Sessão de Segunda: 'Adeus, Pai'

NOTA: Dada a relevância temporal deste 'post', a Sessão de Sexta e as Segundas de Sucessos foram, temporariamente, trocadas. Se ainda não leram o post sobre música desta semana, podem fazê-lo aqui.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas (e, ocasionalmente, às segundas), recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O cinema português não é, nem nunca foi, conhecido pelas suas produções 'mainstream'; pelo contrário, a maioria das obras de realizadores nacionais são de índole muito, muito 'indie', e normalmente até algo pretensiosos, sendo portanto muito pouco apelativos para o público jovem.


Ainda assim, de quando em quando, a filmografia nacional lá vai produzindo uma ou outra película mais 'palatável' para as demografias de menor idade - e, nos anos 90, estrearam nas salas nacionais não um, mas dois exemplos disto mesmo. De um deles, 'Zona Jota', já falámos num post anterior neste blog; o outro celebra hoje, dia 20 de Dezembro, exactos vinte e cinco anos, tornando-o no tópico ideal para a rubrica desta semana.


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Trata-se de 'Adeus, Pai', filme realizado por Luís Filipe Rocha e que proporcionou o papel de estreia a José Afonso Pimentel, então com a mesma idade do personagem que protagoniza - Filipe, um jovem de 13 anos cujo relacionamento com o pai, Manuel, vivido pelo veterano João Lagarto, constitui o centro dramático do filme.


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Os dois protagonistas do filme


Apoiado num enredo simples mas eficaz, e tirando o máximo partido das pitorescas paisagens dos Açores, onde a acção se desenrola, 'Adeus, Pai' é, como já referimos, um filme de digestão algo mais fácil do que a média das películas nacionais (particularmente as da época) ainda que de estética marcadamente europeia, e concretamente latina - do ponto de vista técnico, o filme tanto poderia ser italiano ou espanhol como português. Não será, talvez, o tipico filme de Natal para ver em família, mas como obra cinematográfica, envelheceu marcadamente bem, e não deixa portanto de constituir uma escolha de bastante valor para quem procure algo diferente (e um pouco mais 'arty') com que passar o tempo nesta quadra.


Domingo Desportivo: 'Aquela' Equipa...do Salgueiros na Taça UEFA

NOTA: Este post é correspondente a Domingo, 19 de Dezembro de 2021.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Em dezanove de cada vinte épocas, o futebol português pauta-se pela previsibilidade. Longe de uma Premiership, onde as lutas se desenrolam, a maioria das vezes, a cinco ou a seis, no campeonato nacional da Primeira Divisão os tres primeiros lugares da tabela classificativa são, normalmente, cativos, restando apenas a dúvida sobre a ordem em que são ocupados, e mesmo os três seguintes acabam, regra geral, por ir para as mesmas duas ou três equipas, sendo que neste caso, apenas a identidade das mesmas muda consoante a década.


Por vezes, no entanto, dá-se uma surpresa que causa um pequeno 'abanão' no paradigma futebolístico nacional. O mais lembrado destes é, claro, o campeonato ganho pelo 'outsider' Boavista, mas existem pelo menos mais duas ocasiões de desfecho inesperado só na década de 90, curiosamente ambas relacionadas com participações de emblemas historicamente 'pequenos' na prova então conhecida como Taça UEFA; da vitória do Beira-Mar na Taça de Portugal, ao cair do pano  da década, já aqui falámos, pelo que chega a altura de falar da outra surpresa, perpetrada no extremo oposto da década por outro 'histórico' de meio da tabela, um nome tão ou mais surpreendente do que o do próprio Beira-Mar.


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A equipa que (quase) fez história na Taça UEFA.


Corria o Verão de 1991 quando, no final da primeiríssima época completa da nova década, um concorrente inesperado conquistava o quinto lugar da prova-mor do futebol nacional, carimbando assim o acesso à pré-eliminatória da Taça UEFA; tratava-se do Sport Comércio e Salgueiros, clássico das cadernetas de cromos da Panini que, em anos futuros, viria a albergar pelo menos uma estrela em ascensão, na pessoa de Deco. Em 1991, no entanto, o desaparecido clube portuense não era, ainda, mais do que uma daquelas equipas de futebol 'físico' e campo em modo 'batatal' que apareciam na televisão três vezes por época - quando recebiam os grandes - e passavam o resto do ano em confrontos campais com os seus semelhantes - uma situação que se viria, pelo menos temporariamente, a alterar aquando do feito historico a que este post alude.


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19 de Setembro de 1991 é a data que terá, indubitavelmente, ficado na memória de uma geração de adeptos salgueiristas, por ter marcado a estreia do seu clube nos grandes palcos europeus, num 'playoff' que os opunha aos franceses do AS Cannes; e a verdade é que a estreia não podia ter corrido melhor, sendo que o Salgueiros se viria a sagrar vencedor desse encontro, embora apenas pela margem mínima (1-0, golo de Jorge Plácido.) Sorte oposta esperaria, no entanto, os portuenses no encontro da segunda mão, em que sairiam derrotados pelo mesmo resultado (golo do suplente Omam-Biyik, já depois da expulsão do médio Pedrosa) atirando a decisão da eliminatória para as grandes penalidades, onde o sonho terminaria após um parcial de 4-2 a favor dos franceses. Uma passagem digna, mas previsivelmente fugaz pelos palcos europeus, que acabaria mesmo por se consolidar como um dos maiores momentos na História centenária do clube, senão mesmo o maior.


E a verdade é que, para quem entrava na competição como 'underdog' exacerbado, o Salgueiros não se vergou; antes pelo contrário, a equipa do não menos mítico Filipovic apresentou-se num 2-5-3, táctica hoje em dia impensável, especialmente numa prova europeia, e frente a uma equipa que contava com o internacional croata Alijosa Asanovic, e com um promissor médio-centro esquerdino de 19 anos chamado Zinedine Zidane...


Hoje, mais de trinta anos após a recepção aos franceses no 'emprestado' estádio do Bessa, o Salgueiros - tal como existiu naquela noite europeia - já não existe, e o clube que nasceu das suas cinzas não está nem perto das divisões de topo do futebol português, e muito menos europeu; ainda assim, aqueles vinte e poucos atletas que conquistaram um lugar histórico na Primeira Divisão portuguesa da virada dos anos 90, e quase faziam uma gracinha europeia na época subsequente, não têm senão motivos para se orgulhar - afinal, constam como um dos poucos clubes portugueses fora dos 'três grandes' - e, mais recentemente, do Sporting de Braga - a conseguir visibilidade (ainda que fugaz) na cena futebolística internacional...


Saturday, 18 December 2021

Saídas ao Sábado (de Natal): Os Circos de Natal dos Anos 90

NOTA: Normalmente, hoje seria Sábado de Saltos: no entanto, dada a relevância temporal deste post, iremos excepcionalmente ter duas Saídas seguidas. Desfrutem!


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


A época natalícia mudou substancialmente desde os anos 90, com medidas como a redução dos anúncios dirigidos a crianças e o quase desaparecimento dos tradicionais catálogos de brinquedos dos supermercados; no entanto, uma coisa com que qualquer criança ou jovem ainda pode contar por volta desta época do ano é com a chegada de um ou mais circos aos arredores de qualquer cidade ou povoação de suficiente relevância. Para a maioria dos artistas circenses, o Natal continua a ser a principal 'galinha dos ovos de ouro', pelo que não é de admirar que os espectáculos apresentados nesta época sejam ainda mais 'de gala' do que é habitual.


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Nos anos 90, esta tendência era ainda mais exacerbada do que o é hoje em dia, com certos circos a terem honras de transmissão televisiva, e muitos a constituirem o destino de uma das últimas visitas de estudo das escolas primárias antes do fim do primeiro período - isto já sem falar das também frequentes distribuições de bilhetes por parte das grandes empresas, algumas das quais chegavam mesmo a organizar sessões especiais apenas para as famílias dos seus empregados. Em suma, os circos eram 'coisa séria', tão simbólicos do Natal infanto-juvenil nacional como o bolo-rei, a saída para ver as luzes ou a peregrinação à secção de brinquedos do hipermercado, para efeitos de prospecção.


É claro que, tal como acontece com outras experiências, como as idas à feira ou a própria saída para ver as iluminações, a ida ao circo assumia caracteristicas diferentes em ambiente citadino ou mais rural. Enquanto que as crianças da cidade podiam normalmente escolher entre os circos Vítor Hugo Cardinali e Chen - bem como as suas diversas 'sucursais' e circos associados - os habitantes de localidades mais pequenas acabavam forçosamente (e naturalmente) por ir ao que 'assentava arraiais' mais perto de sua casa. No demais, no entanto, a experiência não diferia por aí além, começando normalmente já na parte de fora do circo - onde, com sorte, se podiam admirar animais exóticos, numa altura em que os mesmos ainda não haviam sido banidos dos especáculos circenses - e continuava no interior da tenda, onde, além dos referidos animais, se podiam admirar os feitos dos mais diversos tipos de acrobatas, trapezistas, contorcionistas e, claro, os icónicos palhaços, a quem ninguém ficava indiferente - ou se adorava, ou se odiava, pelas mais diversas razões.


Juntamente com as tradicionais (e pouco saudáveis) comidas - como o algodão-doce ou as pipocas - estes elementos ajudavam a criar uma Saída de Sábado de Natal que muitos ex-jovens dos anos 90 ainda hoje relembram com saudade, e procuram na medida do possível transmitir aos seus filhos, para que a magia do circo de Natal possa perdurar para as novas gerações...

Sextas de Sucessos (de Natal): A Música de Natal dos Anjos

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2021.


NOTA: Os posts desta Sexta e da próxima Segunda-feira foram intencionalmente trocados, por razões que esclareceremos dia 20. Assim, neste post falaremos de música, ficando os filmes para o post de segunda.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas (e ocasionalmente às sextas), exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Nos países anglófonos, a música de Natal é uma verdadeira indústria, que subsiste há décadas às costas dos mesmos dez ou quinze 'clássicos' (Mariah Carey, Live Aid, Slade, Elton John, Wham!, Kylie Minogue e quejandos) que revende, ano após ano, a um público que nunca parece cansar-se deles. E embora sejam muito poucos os países que sequer tentam emular esta fórmula, a maioria tem as suas próprias 'concorrentes' neste campo, ainda que não na quantidade produzida pelos EUA ou o Reino Unido.


Portugal não é excepção neste campo, sendo que a principal música que quase define esta época no nosso país é a já mitica 'A Todos Um Bom Natal', na interpretação do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras, música tão omnipresente que a epoca natalícia nacional não parece começar verdadeiramente até a ouvirmos como música de fundo de um qualquer anúncio, ou da ida semanal ao supermercado; no entanto, nos anos 90, foi feita uma tentativa declarada de desafiar a hegemonia desta faixa, por parte de um grupo de artistas do mundo da pop - no fundo, uma espécie de 'Christmas Tree Farm' à portuguesa, alguns anos antes de sequer se ter ouvido falar de Taylor Swift.



O grupo em causa eram os Anjos, o duo de irmãos que, a par dos Milénio, se afirmou como digno sucessor dos pioneiros Excesso e D'Arrasar no trono das 'boy bands' à portuguesa (e no coração das adolescentes nacionais); a música, gravada em 1999, no auge do sucesso do grupo, chamou-se 'Nesta Noite Branca', e juntou os irmãos Nélson e Sérgio Rosado à cantora Susana, num tema que reveste a típica sonoridade 'boyband-pop-pimba' do duo de alguns motivos mais natalícios - uma escolha estilística bastante comum neste tipo de composição, e que serve como identificador para o facto de que se trata de uma música de Natal.


O resultado final soa como uma espécie de mistura entre o 'Last Christmas' dos Wham! (muito por conta da melodia vocal em tom delico-doce dos dois irmãos, bastante próxima da que George Michael e Andrew Ridgeley usaram para esse tema) e uma qualquer faixa instrumental de acompanhamento dos Backstreet Boys, com os exercicios vocais de Susana a darem aquele 'toque Mariah Carey' que nunca pode faltar em músicas de Natal. Ou seja, a faixa reúnia todos os argumentos para se tornar num clássico dos Natais portugueses das décadas subsequentes - algo que, como sabemos hoje em dia, acabou por nunca acontecer.


A razão para 'Nesta Noite Branca' não ter vingado enquanto clássico de Natal 'cheesy' nunca ficou cem por cento clara - talvez a composição simplesmente não fosse forte o suficiente (que não é), ou talvez o facto de ter sido gravada por um grupo com 'prazo de validade' limitado tenha acabado por a condenar ao esquecimento. Seja qual for o motivo para o falhanço comercial e cultural da música, no entanto, o mesmo não pode ser negado - tanto assim que, para sequer saber da existência desta música uns meros 22 anos depois de a mesma ter sido gravada, é preciso recorrer a um post único num blog nostálgico que gosta de 'desenterrar' perolazinhas 'de época' destas (à laia de comparação, 'Last Christmas' completa este Natal 37 anos, 'Merry Xmas Everyone' tem mais quatro, 'All I Want For Christmas Is You' menos dez, e a maioria das outras faixas 'perenes' da época natalícia leva já quase sete décadas de rotação constante nesta época do ano!)


Ainda assim, se a música dos Anjos teve algo de positivo, foi o facto de provar que, sim, em Portugal também se sabem escrever canções de Natal que não apenas 'A Todos...'; pena, pois, que a única composição 'pop' a ousar aventurar-se nesse mercado durante várias décadas tenha sido um tema bubblegum-pop fraquinho, gravado por um grupo descartável e sem refrão que se (ou)visse...

Friday, 17 December 2021

Quintas no Quiosque: As Revistas Infantis dos Anos 90

Nota: Este post é respeitante a Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2021.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Numa era em que quase todo o conteúdo é consumido por via digital, pode custar a acreditar que, num passado não muito distante, um dos principais meios pelos quais o público infanto-juvenil consumia 'novidades' sobre as suas propriedades favoritas era através da leitura, quer de publicações generalistas, quer de outras especificamente dedicadas ao assunto ou artista em causa. E destas últimas, em particular, havia mesmo muitas entre meados e finais dos anos 90 - de publicações centradas em torno de personagens fictícias como a Barbie a complementos a programas televisivos, como a Rua Sésamo e o Batatoon, ou revistas com origem em clubes de fãs, como a do Rik e Rok, havia muito por onde escolher para uma criança dos anos 90 com interesse na cultura 'pop' ou em curiosidades generalistas apropriadas à sua faixa etária.


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A revista 'Batatoon', uma das mais bem-sucedidas publicações infantis dos anos 90


A estrutura destas revistas era, regra geral, muito semelhante - havia, normalmente, a referida secção de curiosidades, uma de passatempos (quer do tipo para completar na própria revista, ao estilo quebra-cabeças, quer do tipo em que se ganhavam prémios ao enviar uma frase ou responder a uma pergunta), uma de banda desenhada (própria ou 'licenciada') e outra alusiva à propriedade que encabeçava a revista - afinal, havia que vender o peixe... As revistas mais 'sofisticadas' teriam ainda, provavelmente, uma entrevista com uma qualquer personalidade, ou páginas centrais temáticas, enquanto as menos ambiciosas preencheriam o restante espaço com testes de personalidade ou artigos 'descartáveis' relacionados aos problemas do público-alvo. Uma receita simples, mas que dava invariavelmente bons resultados - que o digam as referidas revistas da Barbie e Batatoon, que, sem atingirem a longevidade de uma Bravo ou Super Jovem, conseguiram ter uma 'vida' relativamente digna nas prateleiras portuguesas.


À medida que o Mundo se ia tornando cada vez mais digital, no entanto, estas revistas acabaram, naturalmente, por perder espaço, até se tornarem em meras 'relíquias' nostálgicas - uma situação que, infelizmente, não dá sinais de se inverter num futuro próximo, antes pelo contrário. Ainda assim, estas revistas marcaram época, e quem as leu certamente terá delas boas memórias, justificando portanto a 'lembrança' aqui no blog...

Tuesday, 14 December 2021

Terças Tecnológicas: As Placas Gráficas dos Anos 90

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Nvidia GeForce. Creative 3DFx Voodoo. AMD Radeon. Qualquer jovem com interesse em jogos de computador nos anos 90 conhecia de cor estes nomes, e provavelmente saberia recitar de cabeça as especificações técnicas, prós e contras de cada um dos produtos que os mesmos identificavam.


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As principais marcas de placas gráficas dos anos 90


Quem já nasceu na era dos computadores super-turbinados, capazes de lidar com tudo de programas de realidade virtual para baixo, nunca chegará a perceber a importância e o impacto que ter a placa gráfica 'certa' podia ter na vida de um 'gamer' de finais do século XX e inícios do XXI. Naquela época, não chegava ter um Pentium – era necessário assegurar que os componentes instalados dentro do mesmo eram os correctos para correr os nossos jogos favoritos, caso contrário a experiência resultaria, inevitavelmente, em frustração. Mais – a maioria dos jogos não era compatível com QUALQUER placa gráfica, mas apenas com certos modelos, o que obrigava o comprador a escolhas, por vezes, difíceis – entre dois dos jogos 'da moda', por exemplo.


Este factor de exclusividade levou, também, a que despoletasse uma espécie de 'guerrilha' entre os adeptos das diferentes placas, ao estilo da que opusera os fãs da Sega e da Nintendo, ou que viria a opôr os entusiastas de Xbox e Playstation; quem gostava da Nvidia, morria por ela, enquanto um fã de Creative 3DFx defendia a sua 'amada' com unhas e dentes, e por aí fora. No entanto, esta era uma guerra que nenhuma das placas precisava realmente de ganhar, já que as três gozavam de excelentes volumes de vendas à época (embora um pouco menos no caso da Radeon); a questão prendia-se, exclusivamente, com preferências pessoais – e para essas, não havia 'remédio'.


Tal como tantos outros produtos de que aqui falamos, também as placas gráficas pareceram, de um ano para o outro, perder a importância que em tempos haviam tido na estrutura de qualquer PC, e sobretudo de uma máquina dedicada a correr jogos, muito graças ao facto de os computadores terem, finalmente, 'ultrapassado', em termos tecnológicos, até os jogos e programas mais exigentes, fazendo com que os famosos 'Requisitos Mínimos' deixassem de ter tanta importância para os compradores de 'software'. Hoje em dia, qualquer PC corre qualquer jogo, e apenas os programas mais notoriamente 'devoradores' de recursos (olá, Teams. Olá, Adobe Suite.) causarão qualquer tipo de incómodo até ao mais básico dos portáteis; de facto, a situação inverteu-se, estando a dificuldade, actualmente, em correr jogos e emuladores ANTIGOS, que requerem o auxílio de programas como o DOSBox. Quem viveu aqueles anos 90, no entanto, não deverá deixar de sentir um friozinho na espinha de cada vez que põe a correr um 'software' novo pela primeira vez – não se vá dar o caso de o programa cair e aparecer uma daquelas caixinhas de texto a informar que a placa gráfica não é compatível...

Monday, 13 December 2021

Segundas de Séries: 'Theeee Simmmm Psoooooonsssss....'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Corriam os primeiros anos da década de 90 quando se começaram a popularizar, no mercado de roupa de criança, artigos (muitos deles piratas) com o desenho de um rapazinho de cabelo espetado, pele amarela, figa em riste, e camisola ora azul, ora vermelha; pouco tempo mais tarde, o 'raio de acção' desse mesmo personagem havia-se estendido não só a outros artigos de vestuário como também a produtos como mochilas; mais algum tempo, e o mesmo (juntamente com a sua família) adquiria o direito à sua própria caderneta de cromos (da Panini, claro), colecção de autocolantes, série de decalcomanias e tatuagens temporárias, vários videojogos para os sistemas mais populares da altura, como a Mega Drive e o Game Boy, e até honras de foco central de um dos melhores posters centrais da história da TV Guia. Em apenas um par de anos, este boneco havia surgido do nada para se tornar um verdadeiro 'ídolo' da demografia infanto-juvenil – um feito tanto mais extraordinário quando levamos em conta que a série que protagonizava não era, nem nunca viria a ser, um programa para crianças.


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Não nos enganemos, no entanto – as crianças daqueles inícios dos 90 VIAM 'Os Simpsons'. Não tanto por causa do famoso humor sarcástico e algo negro – que lhes passava, certamente, um pouco 'por cima da cabeça' – mas para ver Bart Simpson fazer a vida negra à família e aos colegas de escola, a ponto de ser, frequentemente, estrangulado pelo pai em pleno quarto (coisa que, claro está, já não sucede hoje em dia – aliás, só é de surpreender como é que ninguém ainda tentou 'cancelar' Matt Groening por incentivar maus tratos a menores através do comportamento de Homer...) O primogénito da família Simpson tornou-se, quase sem querer, o epítoma da rebelião infantil para a década de 90, e – juntamente com personagens como Sonic ou as Tartarugas Ninja – ajudou a criar o protótipo para 'milhentas' personagens 'radicais' ao longo da próxima década, numa tendência que o seu próprio programa satirizou, num dos seus melhores episódios.


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A inevitável caderneta de cromos punha, inevitavelmente, o foco em Bart


Ainda que Bart fosse o principal motivo de interesse para o público infanto-juvenil, no entanto, o personagem estava longe de ser o único trunfo da série criada em 1989, e estreada na RTP dois anos depois; qualquer dissertação sobre o génio dos argumentos daquelas primeiras temporadas de 'Os Simpsons' é, aliás, redundante hoje em dia – TODA a gente sabe o quão bons eram aqueles episódios, especialmente as crianças e jovens dos anos 90, que os viram em primeira mão.


De facto, em Portugal (como, aliás, no resto do Mundo) a série reunia consenso entre jovens e adultos, afirmando-se como um dos primeiros fenómenos transversais a todas as camadas da sociedade, vários anos antes de 'Harry Potter' e duas décadas antes da esteia do Multiverso Marvel nas salas de cinema. O facto de quase todo o 'merchandise' da época ser dirigido especificamente a crianças, e se centrar na figura sardonicamente sorridente de Bart – a mais imediatamente apelativa para a demografia em causa – era fruto, tão-somente, de uma boa interpretação do mercado por parte das companhias em causa, não retirando à série qualquer credibilidade ou atractivo junto do público mais velho.


Infelizmente, a continuação da história d''Os Simpsons' é, também, sobejamente conhecida: demasiadas temporadas, demasiados personagens secundários, concessões a celebridades e ao politicamente correcto, mudanças desnecessárias e controversas, e uma eventual diluição de tudo o que havia tornado aquelas primeiras temporadas tão especiais. Ainda assim, quem tem idade suficiente para recordar 'a vida antes de Bart Simpson' sabe o impacto que o personagem, e a sua respectiva série, verdadeiramente tiveram na sociedade portuguesa de inícios dos anos 90, e em particular junto dos mais jovens – até porque quem tem interesse neste blog terá, quase certamente, sido um desses jovens vestidos com t-shirt alusiva a Bart Simpson, com o personagem desenhado na mochila da escola, e os bolsos cheios de cromos d''Os Simpsons' para a troca...


Sunday, 12 December 2021

Domingos Divertidos: Os LEGOs

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


De entre as muitas prendas que as crianças dos anos 90 recebiam no Natal, uma das mais clássicas era aquele balde em plástico berrante – normalmente vermelho – cheio de peças avulsas de LEGO.


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Os tradicionais blocos de construção atravessavam, na última década do século XX, um dos seus períodos áureos, com inúmeras linhas e colecções para todas as idades, pelo que o referido balde se afirmava como uma prenda tão vistosa quanto 'segura'; afinal, a maioria dos jovens daquele tempo tinha um interesse activo em LEGO, pelo que uma caixa cheia de peças do referido jogo seria, inevitavelmente, bem recebida.


Para perceber o porquê deste facto, é necessário recuar aos LEGOs, tal como eles eram na 'nossa' época. Isto porque, hoje em dia, a marca tem conotações e motivações quase diametralmente opostas àquelas de que gozava em finais do segundo milénio; enquanto que nos dias que correm, as linhas da LEGO consistem, quase exclusivamente, de produtos de custo elevado e utilização específica, normalmente ligados a um qualquer 'franchise' cinematográfico ou televisivo, nos anos 90, a marca afirmava-se como um dos últimos bastiões para a imaginação das crianças, permitindo-lhes criar aquilo que quisessem (desde que dispusessem das peças, bem entendido) e dar largas à sua imaginação. Havia, bem entendido, conjuntos com finalidade definida, como o clássico castelo ou os veículos da linha Lego Technic, a versão da LEGO para os populares Meccano; o ênfase, no entanto, estava mesmo na criação sem limites, sendo que até mesmo os diferentes elementos destes conjuntos mais direccionados podiam ser retirados do seu ambiente natural e utilizados para quaisquer outros fins que aprouvessem à criança. Em suma, enquanto que os conjuntos LEGO de hoje em dia permitem construir uma réplica exacta de Hogwarts com os conteúdos da respectiva caixa, e nela colocar as mini-figuras de Harry Potter e seus amigos, os LEGOs dos anos 90 permitiam construir uma escola de magia completamente original, de raiz, e nela colocar como alunos os cavaleiros do castelo, a menina tenista, o polícia de trânsito, e quem mais viesse à mão – o único limite era mesmo a nossa imaginação.


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O espectacular castelo era um dos poucos conjuntos 'direccionados' comercializados pela marca à época


Com isto em mente, não é de estranhar que um balde cheio de peças avulsas e aleatórias de LEGO fosse uma surpresa tão grata para as crianças daquele tempo; embora não fosse exactamente um presente que se pusesse na lista ou marcasse no catálogo de brinquedos (afinal, uma das 'regras orais' das listas de Natal em criança era que as mesmas tinham um número finito de linhas, e tinha sempre de se deixar espaço para aquela boneca, figura de acção ou jogo de tabuleiro 'vistoso') também não era, nem de longe, uma prenda de que se desdenhasse, e acabava sempre por ter bastante uso nos meses subsequentes.


Infelizmente, numa altura em que os brinquedos e brincadeiras se vêm tornando cada vez mais restritivos, os baldes de LEGO perderam muita da sua razão de ser, não sendo de estranhar que raramente (ou nunca) se avistem nas secções de brinquedos dos supermercados e hipermercados de hoje em dia; o próprio hobby de construir com LEGOs tem-se tornado, nos últimos anos, mais exclusivo e segmentado, graças ao preço exorbitante dos conjuntos actuais, por oposição ao que acontecia nos anos 90, em que qualquer semanada de criança permitia comprar um conjunto de figura-e-carrinho na loja de brinquedos do bairro. Quem ainda tenha acesso àqueles baldes anuais da sua infância (e se lembre do gozo que dava 'mergulhar' num deles) tem, por isso, como dever apresentá-los à geração actualmente com idade para se interessar por eles, antes que o poder da imaginação se perca por completo...

Saturday, 11 December 2021

Saídas ao Sábado (de Natal): O Natal nos Hipermercados

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


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A época natalícia não se resumia, para um jovem dos anos 90, apenas ao dia e às festividades que o rodeavam; para as crianças daquele tempo, o Natal começava bem mais cedo – com a recepção do primeiro catálogo de brinquedos na caixa do correio – e englobava uma série de momentos absolutamente mágicos, dos quais temos vindo a falar ao longo deste mês: a última semana de aulas antes das férias de Natal, a saída para ver as iluminações e, claro, a ida ao hipermercado ou 'shopping' para ver, ao vivo e a cores, os brinquedos cobiçados e avidamente assinalados no referido catálogo.


Já aqui falámos, numa ocasião anterior, do 'frisson' que era ir ao hipermercado, numa altura em que os mesmos estavam, ainda, nas primeiras etapas da sua penetração em Portugal, e confinados sobretudo às duas maiores cidades; no entanto, qualquer ex-criança que tenha visitado um destes espaços na altura do Natal certamente se recordará da dimensão extra que tal visita acarretava, e concordará que a mesma merece o seu próprio post separado.


O elemento que tornava esta experiência ainda mais mágica no mês de Dezembro é fácil de identificar, e ainda mais fácil de explicar – a visão daqueles múltiplos corredores repletos apenas e só de brinquedos era suficiente para fazer subir os níveis de adrenalina de qualquer criança, e dar asas a sonhos de ter todos e cada um daqueles produtos debaixo da árvore no dia 25. Para alguém cuja visão do Mundo era ainda 'à escala', as prateleiras de bonecas, figuras de acção, carros telecomandados, peluches, jogos, consolas ou artigos electrónicos – as quais ocupavam, cada uma, todo um corredor da loja – pareciam esticar-se até ao tecto, oferecendo uma variedade assoberbadora de escolhas que tornava ainda mais difícil escolher apenas um ou dois presentes para receber do Pai Natal; e para além dos brinquedos propriamente ditos, havia ainda as bicicletas, os skates, os patins, as motas e carros eléctricos, as bolas, os vídeos de desenhos animados, e toda uma imensidão de outros artigos de particular interesse para a demografia infanto-juvenil, que dificultavam ainda mais a tarefa, e faziam com que esta fosse uma visita que se queria o mais prolongada possível, para ter tempo de ver e vivenciar tudo o que o espaço tinha para oferecer – incluindo, com sorte, uma visita à 'Gruta do Pai Natal', para falar com o velhote em pessoa (ou com um dos seus assistentes, dependendo do que os pais nos diziam.)


Hoje em dia, a experiência de ir ao hipermercado tornou-se algo mais corriqueira, o que, aliado ao facto de os brinquedos serem cada vez mais electrónicos, e de coisas como os jogos de tabuleiro terem caído em desuso, torna a visita por altura do Natal algo menos mágica do que o era nos 'nossos' anos 90; que o diga quem lá esteve, e se imaginou perdido entre aquelas prateleiras infinitas de brinquedos, e com acesso ilimitado a todos eles...

Friday, 10 December 2021

Sextas com Style: As Camisolas da Gap

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Apesar de a roupa de marca ter, tradicionalmente, exercido enorme influência junto dos jovens de todas as idades, os anos 90 e inícios de 2000 viram essa tendência exacerbar-se. A maior acessibilidade da roupa com nomes de marcas famosas – fosse ela genuína ou de contrafacção – tornou os itens de vestuário com logotipos reconhecíveis quase obrigatórios no guarda-roupa de qualquer jovem da época.


Foram várias as marcas que beneficiaram desta tendência, algumas das quais – como a Quebramar ou a No Fear – foram já abordadas nesta rubrica; hoje, no entanto, chega a vez de falar de outro conhecido emblema, que adornou muitos torsos de ambos os sexos ao longo da 'nossa' década e da seguinte: a Gap.


Famosa pelas suas calças de ganga e camisas, a Gap não era, no entanto, conhecida à época por qualquer destes artigos; a peça que tornou a marca visão inescapável nas escolas preparatórias e secundárias de Norte a Sul do País era bem mais casual e relaxada, e de 'design' ainda mais simples – tratava-se, pura e simplesmente, de uma 'sweatshirt' de capuz, de cor lisa, com o emblema da marca bordado em letras garrafais na frente. Sim, essa mesmo – a famosa 'camisola da Gap', que quase toda a gente tinha, ou pelo menos conhecia quem tivesse.


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Um dos itens de vestuário mais populares e desejados das décadas de 90 e 2000


Àparte o chamariz da marca, era difícil apontar qual, exactamente, era o atractivo desta 'sweatshirt'; tratava-se de uma peça bem confeccionada e resistente, como seria de esperar de um artigo de preço tão elevado, mas o 'design' era minimalista ao ponto de quase não existir, especialmente se comparado com as mais inspiradas ofertas das referidas No Fear e Quebramar, ou ainda de marcas como a Mad = Bad. Quem viveu os anos 90 enquanto jovem, no entanto certamente se lembrará que essa foi uma década de camisolas com enormes logotipos da marca em causa – normalmente de desporto – o que poderá ajudar a explicar a popularidade deste artigo, que se inseria precisamente nessa categoria.


Fosse qual fosse a razão, no entanto, a verdade é que esta peça de roupa era, inegavelmente, da preferência dos jovens (sobretudo adolescentes) sendo que o seu carácter declaradamente unissexo permitia que fosse vestida em pacífica convivência por rapazes e raparigas, sem que tal desse azo às habituais picardias ou dichotes (as quais, quando ocorriam, estavam sobretudo ligados à associação desta camisola à famigerada demografia dos 'betinhos'.)


Como seria de esperar, o sucesso da 'camisola da Gap' deu origem a 'designs' muito parecidos (e, por vezes, bem mais interessantes) por parte de lojas e marcas com menor expressão; no entanto, as mesmas eram muitas vezes recebidas com o habitual desdém que as crianças (de qualquer era) reservam a coisas 'falsas' ou 'de imitação' – ainda que, conforme referido, nem sempre o merecessem.


Como também vem sendo habitual com os itens de que aqui falamos, a popularidade destas camisolas – e da marca Gap em geral – foi alvo de um declínio acentuado ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, sendo que hoje é extremamente raro avistar alguém, quer jovem quer mais velho, com uma delas vestida; com efeito, a 'queda' da marca foi tão acentuada que há hoje quem esteja na casa dos vintes e praticamente não conheça a marca que 'virou a cabeça' de pessoas (muito) pouco mais velhas em finais da década de 90! Quem lá esteve, no entanto, sabe a 'loucura' que estas camisolas representaram, e recorda sem dúvida a sensação de orgulho por ter no armário aquela camisola com as três letrinhas mágicas bordadas na zona do peito - ou, inversamente, a inveja por não ser tão sortudo. Um impacto sem dúvida invejável, para uma peça que pouco mais era do que uma 'sweatshirt' de capuz lisa com o nome da marca na frente...

Thursday, 9 December 2021

Quintas de Quinquilharia: Os Autocolantes

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Numa edição anterior desta rubrica, dedicámos a nossa atenção às colecções de cromos, uma das principais categorias de 'quinquilharia' presentes no bolso ou estojo de qualquer criança dos anos 90. Os 'stickers' para a caderneta estavam, no entanto, longe de ser o único artigo deste tipo a merecer a atenção dos mais pequenos durante aquela época; pelo contrário, qualquer pedaço de papel plastificado com verso aderente era grandemente apreciado – e avidamente procurado – pela demografia em causa.


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As famosas folhas de autocolantes dos anos 90


Os autocolantes estavam longe de ser um fenómeno exclusivo dos anos 90 – na verdade, a sua época áurea tivera início na década anterior – mas não há como negar que, no final do século XX, os mesmos se encontravam ainda muito em voga entre as crianças e jovens, fossem eles adquiridos por via promocional ou adquiridos na tabacaria, naquelas famosas folhas com séries de pequenos desenhos relacionados ao mesmo tema. E havia autocolantes alusivos a tudo, desde as óbvias motas, monstros, princesas e cenas 'fofinhas' até bandas, países, desenhos animados e, claro, produtos e serviços oferecidos por companhias que procuravam estabelecer-se no mercado - isto, claro, sem esquecer os oferecidos como brinde na compra de artigos alimentares, como as famosas colecções dos 'Tou's' do Bollycao ou dos jogos da Sega, das Donetes.


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Uma das mais famosas séries de autocolantes da década


Qualquer que fosse a origem ou temática, no entanto, os autocolantes eram invariavelmente açambarcados, e tinham sensivelmente os mesmos destinos: a capa do caderno ou 'dossier' (que, se fosse lisa, era revestida de autocolantes na frente e verso para formar uma colagem ao estilo mosaico), o armário do quarto ou cabeceira da cama, a tampa da consola, o 'skate' ou bicicleta e até, para os mais imaginativos, locais como o tanque do peixinho ou tartaruga (nos anos 90, rara era a casa com crianças que não tinha, pelo menos, um autocolante num sítio insólito ou inesperado.) As crianças dos anos 90 simplesmente adoravam o efeito que aqueles pedaços de papel adesivo colorido davam a superfícies que, sem eles, pouco brilho tinham, e não é portanto de admirar que os mesmos fossem presença assídua nos bolsos dos mesmos, no meio de todas as outras 'quinquilharias' de que aqui falamos regularmente.


Como quase tudo de que aqui falamos, também os autocolantes foram praticamente 'obliterados' pelo advento da era digital – excepto, estranhamente, no mundo da música, onde continuam a ser um brinde bastante utilizado e apreciado. Ainda assim, qualquer pessoa que tenha decorado a tampa do seu portátil com um cromo ou adesivo se lembrará do tempo em que não era só um, mas muitos, espalhados um pouco por todo o quarto, nos brinquedos e nos livros da escola...

Wednesday, 8 December 2021

Quartas de Quase Tudo (de Natal): O Natal nas Escolas Primárias dos Anos 90

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


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Para mutas crianças – de qualquer idade, nacionalidade ou era – a escola primária é a única que chega a ser divertida, em grande parte graças aos esforços dos professores deste sector em tornar a aprendizagem intuitiva, variada e até algo relaxada, o que deixa quase totalmente de acontecer do quinto ano em diante. Nos anos 90, em Portugal, a situação não era diferente, e havia certas alturas do ano – sobretudo na aproximação aos diferentes períodos de férias – em que os professores ajuizavam (acertadamente) que qualquer tentativa de aprendizagem sairia frustrada, e as aulas eram passadas a pintar desenhos alusivos à estação ou período festivo em curso.


O Natal não era, claro, diferente – afinal de contas, das diversas festas que povoam o calendário português, essa é, talvez, a que maior significado tem para as crianças e jovens. E se na Páscoa havia ovos e desenhos de coelhinhos, e no S. Martinho se comiam castanhas no pátio, era certo e sabido que, no Natal, a sala de aula se iria decorar com motivos alusivos a esta festa (e, com sorte, uma árvore com luzinhas, junto à qual se tiravam fotos), e que se iriam pintar desenhos de Pais Natais, árvores, anjos e estrelinhas para pendurar à entrada da sala (alguns, inevitavelmente, com a cara verde, roxa ou amarela e a roupa da cor errada), fazer presentes artesanais para os pais, e que (com sorte) iria ter lugar uma festa de Natal ou troca de prendas – ou, melhor ainda, se iria tão simplesmente RECEBER uma prenda, entregue por um dos ajudantes do velhote de barbas brancas (a quem, a propósito, já se escrevera uma carta, em papel especial fornecido pelos CTT, que os pais ou a própria professora haviam ajudado a depositar no marco do correio, em envelope também expressamente fornecido para o efeito.) Eram dias mágicos em que a sensação de férias se combinava com o típico ambiente natalício para criar memórias que, à distância de duas ou três décadas, parecem ainda mais idílicas.


Infelizmente, este tipo de experiência não perdurava para lá do quinto ano, altura em que o sistema de ensino principia o seu processo de formatação dos futuros adultos que acolhe; ainda assim, qualquer pessoa que tenha vivenciado aquelas semanas antes do Natal numa sala de aula primária ainda hoje, certamente, os recorda, e espera sinceramente que os filhos, sobrinhos e outras crianças na sua vida possam, a seu tempo, vivenciar algo semelhante...

Tuesday, 7 December 2021

Terças de TV: Os Anúncios Televisivos da Campanha 'Luzinha'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Nos anos pré-Internet, as mascotes de produto eram ferramentas de marketing tão ou mais importante do que são hoje em dia as redes sociais, sendo que qualquer marca orientada ao público jovem sabia que ter uma mascote apelativa e memorável era 'meio caminho andado' para conseguir a tão desejada conexão com o seu consumidor-alvo. Não era, portanto, de admirar que este tipo de personagem proliferasse nas prateleiras de lojas e supermercados um pouco por todo o País, aparecendo em caixas de produtos tão díspares quanto os cereais, os croissants com chocolate industriais, as bebidas com sabores, e até, por vezes, em produtos que em nada apelavam ao público infanto-juvenil, como no caso dos lendários 'Glutões' do detergente Presto.


Tendo em conta este paradigma, também não é de estranhar que, a dado ponto, as entidades institucionais tenham, também elas, procurado 'entrar na onda' das mascotes, como forma de sensibilizar as camadas populacionais mais jovens para a sua mensagem ou serviços – um desejo que ganhou ainda mais impulso às costas do sucesso de personagens como o Fibras (mascote da TV Cabo nos primórdios do serviço em Portugal) ou o ainda hoje relevante Gil, mascote da Expo '98. Foi o caso, por exemplo, da EDP, que em finais do século XX e inícios do seguinte procurou implementar o seu próprio representante animado, um ser andrógino com uma onda de cabelo azul e t-shirt amarelo-berrante, que mais parecia ter a ver com o mar do que com a energia, mas cujo nome não deixava margem para dúvidas. O Luzinha (que apenas se sabe ser do sexo masculinho graças à Prova do Luzinha, uma corrida de atletismo patrocinada pela EDP que marcou as últimas aparições do personagem) era mesmo a personificação da luz que a companhia eléctrica fazia chegar aos lares de todo o País, e a sua missão na vida era combater todos aqueles que procurassem extinguir ou dificultar a criação distribuição de energia eléctrica – isso, ou apenas surfar, tocar guitarra eléctrica enquanto saltava no sofá, fazer asa-delta, e ser, no geral, o personagem mais tipicamente 'anos 90' que imaginar se possa.


A impressão com que se ficava, de entre as duas detalhadas acima, dependia de qual dos dois veículos de divulgação do personagem se ficava a conhecer primeiro; isto porque, enquanto a banda desenhada das aventuras do personagem o pintava como um vingador da energia eléctrica, os dois anúncios produzidos pela EDP como complemento audio-visual da campanha deixavam a impressão oposta, transformando Luzinha numa mascote 'buéda radical' ao estilo do Poochie, dos Simpsons. E apesar de um destes anúncios se encontrar perdido nas areias do tempo (ou seja, não disponível no YouTube nem no Dailymotion), o segundo ainda pode ser visualizado no site de logotipo vermelho e branco – ou, alternativamente, clicando no vídeo que deixamos aqui abaixo. E acreditem – vale a pena gastar um minuto e meio a ver este clipe tão, mas tão '90s' que quase parece ser uma paródia da estética da altura. O facto de não ser – de ser, pelo contrário, uma coisa mesmo muito séria - diz muito acerca da mentalidade publicitária naquele virar de década, século e milénio.



Quem quiser perceber o que foi a cultura jovem dos anos 90 e 2000, tem aqui um muito bom resumo.


No fim de contas, e apesar de bem estruturado, muito bem animado e com uma música razoavelmente memorável e 'catchy', é fácil perceber porque é que este anúncio (e o seu 'irmão mais velho' menos 'radical') não fizeram história, e porque é que Luzinha não mereceu um lugar no panteão das mascotes, ao lado do Urso Tuli, do Tampinhas da Frisumo ou dos dois Capitães, Estrela e Iglo; o facto é que este tipo de iniciativa é 'topado' à distância pelo público-alvo, que cria quase de imediato aversão ao mesmo – um fenómeno, aliás, muito bem satirizado no referido episódio d''Os Simpsons' sobre a inclusão do cão Poochie no clássico desenho animado de Itchy e Scratchy, numa tentativa (falhada, claro) de modernizar aquilo que ninguém queria ver modernizado. No caso do Luzinha, o princípio foi o mesmo – a EDP é daquelas instituições que não precisava, de todo, de uma mascote, e a tentativa forçada de criar uma (e de a tornar popular junto do público-alvo através de uma imagética 'radical') só podia mesmo redundar num falhanço...

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...