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Monday, 20 July 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos do Primeiro 'Casamento' de Miguel Guilherme e Rita Blanco

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Já aqui por várias vezes falámos da era de ouro que a comédia televisiva portuguesa atravessava na segunda metade dos anos 90, sendo muitas e boas as opções disponíveis para fãs de humor. Há quase exactos trinta anos (a 15 de Julho de 1996) a oferta neste campo tornava-se ainda mais vasta, com a estreia na SIC de mais uma das dezenas de séries humorísticas com elencos consagrados e premissas prometedoras que, apesar de acabarem por não passar de uma única temporada, chegavam ainda assim a conseguir entreter quem as sintonizava.

Falamos, neste caso, de 'Sai da Minha Vida', proposta encabeçada por Miguel Guilherme e Rita Blanco, no papel de um casal divorciado (décadas antes de 'serem casados' em 'Conta-me Como Foi') cujas desavenças e peripécias servem de 'motor' para os catorze episódios exibidos. Como coadjuvantes – e como era apanágio deste tipo de emissão – surgem uma série de nomes de 'luxo' do humor português da época, como Rita Salema, Luís Aleluia (a poucos meses de se 'transformar' no icónico 'Tonecas') e Adriano Luz, os quais ajudam a configurar uma proposta bem típica do período televisivo português em causa, e que, sem ser tão lembrado como outros programas da mesma época (como o referido 'Tonecas' ou 'Malucos do Riso') merece, ainda assim, uma breve 'chamada' nas páginas deste nosso blog, uma semana após se completarem três décadas sobre a sua primeira emissão.

Tuesday, 14 July 2026

Terças de TV: Os Trinta e Um Anos do Primeiro 'Reality Show' de Um Cantor

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

No início dos anos 90, quando os 'talk shows' eram um género ainda relativamente inexplorado na televisão portuguesa, não era de todo invulgar ou estranho ver ser dado a uma personalidade de outro campo do entretenimento o seu próprio 'tempo de antena' enquanto anfitrião de um programa de entrevistas e variedades; o próprio Herman José fazia, nesta altura, a transição para esse género, ao mesmo tempo que Fátima Lopes cimentava os trâmites do que viria a ser o padrão do mesmo para as três décadas seguintes. Em meio a tudo isto, e ainda antes de Marco Paulo se aventurar nesta área, um outro cantor popular tomava as rédeas da sua própria emissão homónima, cujo primeiro episódio estreava há quase exactos trinta e um anos (a 13 de Julho de 1995).


Falamos de Roberto Leal, o luso-brasileiro que fez carreira algures entre a música romântica e o género 'pimba', 'derretendo' os corações de boa parte de Portugal durante as décadas de 80 e 90, e que, em 1995, se encontrava ainda suficientemente 'em alta' para a proposta em causa não ser tão arriscada como se poderia esperar – até por o foco ser, naturalmente, colocado na música, com os convidados a inserirem-se quase totalmente nesse campo. O formato, esse, era o habitual, com entrevistas um-para-um e, em cada programa, até dois interlúdios musicais, a cargo de um dos três convidados – os quais, para crédito da RTP, não se inseriam todos no género popular comercial, havendo lugar a artistas de fado e grupos de música tradicional, entre outros.

A verdade, no entanto, é que, apesar do 'nome sonante' ao leme, e do gabarito dos convidados, 'Roberto Leal' (o programa) nunca conseguiu captar a sua audiência, talvez pela disparidade entre o meio musical do apresentador e o dos convidados, muitos deles surpreendentemente 'eruditos' para o tipo de emissão em causa, e quiçá desfasados do que o público fã de Leal procurava ver; ou talvez o interesse por este tipo de programa, simplesmente, não fosse muito. Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que a experiência 'Roberto Leal' durou escassos três meses no ar, datando a última emissão de 19 de Outubro; não se pode, no entanto, culpar a RTP, que via num programa deste tipo todos os ingredientes para o sucesso, o qual, infelizmente, acabaria por nunca se materializar. Ainda assim, vale a pena recordar esta espécie de 'ensaio geral' para o posterior programa de Marco Paulo, menos de vinte e quatro horas após se terem assinalado os trinta e um anos da sua primeira emissão.

Wednesday, 1 July 2026

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos de Um Programa Com 'Arte'

 NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 30 de Junho de 2026.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Apesar do forte investimento na educação verificado em Portugal durante os anos 80 e 90 – cujas medidas incluíram a extensão da escolaridade obrigatória para nove anos e a chegada a Portugal da Universidade Aberta – era ainda difícil para muitos jovens dessa época conseguirem entrar na faculdade, um feito que demoraria ainda mais uma década a tornar-se 'globalizado'; esses mesmos jovens eram, consequentemente, encorajados a procurar avenidas profissionais alternativas, acabando muitos por optar por cursos técnicos, e por enveredar por ramos ligados à prestação de serviços. Fazia, assim, todo o sentido que a RTP procurasse, no período de Verão de há exactos trinta e cinco anos, oferecer a esse numeroso contingente de finalistas do secundário um programa que lhes permitisse saber mais sobre algumas das mais populares vocações profissionais da época.

Estreado a 29 de Junho de 1991 – mesmo a tempo de apanhar os alunos do décimo-segundo ano no período de final das aulas, em que os mesmos necessitavam de começar a planear o seu futuro imediato – 'A Arte dos Ofícios' iria ao ar uma vez por semana durante a quase totalidade das 'férias grandes', com o último episódio a ser transmitido a 31 de Agosto. Ao todo,foram dez as profissões abordadas no programa apresentado por Maria João Silva, num leque que abrangeu desde os ofícios mais intensivos, como a mecânica, marcenaria ou construção civil, aos mais especializados, como técnico de medicina dentária ou audio-visuais. Existiu mesmo um episódio dedicado aos profissionais de bailado, a única profissão que se pode considerar destoar um pouco da lista, mas uma com que muitas jovens da época (e não só) sonhavam. Cada um destes ofícios era abordado de forma prática e factual, com entrevistas a profissionais do meio e informação passível de ser utilizada pelos espectadores caso escolhessem enveredar pelo ramo abordado naquele episódio; o objectivo era, declaradamente, apresentar estas profissões a quem nelas pudesse estar interessado, pelo que uma abordagem informativa se afigurava essencial.

Um conceito ímpar à época, mas declaradamente 'do seu tempo'; hoje em dia, com a Internet e o YouTube, ter na grelha televisiva um programa como este não faria qualquer sentido. Ainda assim, esta iniciativa da RTP terá, sem dúvida, ajudado e informado muitos jovens da época, justificando-se assim plenamente esta homenagem, um dia depois de se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua emissão de estreia.

Tuesday, 16 June 2026

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um 'Crime' Não Exactamente 'Perfeito'...

NOTA: Por motivos de relevância temporal dos 'posts' desta e da próxima semana, esta Terça será de TV, e a próxima Tecnológica.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

De entre todos os tipos de personagens de ficção, os espiões e ladrões de alto nível estão entre aqueles que melhor conseguem manter um apelo intemporal, e agradar às sucessivas gerações nascidas e crescidas desde o advento da rádio e televisão. Não é, pois, de admirar que um concurso que permitisse aos seus concorrentes 'encarnar' este tipo de indivíduo fosse considerado com 'pernas para andar' no Portugal de inícios dos anos 2000; nascia assim 'O Crime Perfeito', veiculado pela RTP há quase exactos vinte e cinco anos, a partir de 19 de Junho de 2001.


O apresentador e actor Afonso Vilela

A premissa do programa, algo mais complexa do que o habitual em concursos de horário nobre, propunha a cada grupo de três participantes tentar infiltrar-se nas chamadas 'Torres Gemini' (um nome que adquiriria uma conotação totalmente diferente meros dias após a final do programa, quando seria cometido um tipo completamente diferente de crime envolvendo torres gémeas) e desactivar os seus sistemas de segurança, por forma a perpetrar aquilo que o título insinua. Para tal, os concorrentes tinham de enfrentar uma série de provas e desafios, todas com um tempo-limite de três minutos e margem para dois erros, após os quais soava um alarme e o concorrente em causa era eliminado daquela prova, devendo passar à próxima. Os três melhores concorrentes no cômputo geral passavam, depois, a uma grande final (disputada no dia 8 de Setembro) onde estava em jogo um prémio de quase quatro milhões de escudos – cerca de vinte mil euros actuais. Esta última emissão pode, aliás, ser recordada na íntegra no YouTube, por cortesia de um dos concorrentes, Marco Amaral.


A finalíssima do concurso, transmitida a 8 de Setembro de 2001.

Apesar de não ser aparente, à primeira vista, a razão para o seu falhanço – talvez o conceito fosse demasiado complexo ou dispendioso, ou as provas demasiado rebuscadas – a verdade é que a ambiciosa tentativa da RTP de basear um concurso no filme com Grace Jones não foi além de uma única temporada, encontrando-se hoje, mesmo, algo Esquecido Pela Net. Numa altura em que se celebram os vinte e cinco anos sobre a primeira emissão do programa em causa, no entanto, nunca é demais recordar um conceito que tinha tudo para vingar, mas acabou por passar despercebido por entre a 'mutação' televisiva de inícios do século XXI em Portugal.


Tuesday, 30 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Uma Noite de Ano Novo Atípica

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A programação dos canais portugueses na noite de 31 de Dezembro tende a centrar-se, normalmente, em torno das celebrações de Ano Novo, com os respectivos preparativos a ocuparem várias horas de emissão antes do evento em si ter início. O primeiro 'réveillon' do século XXI, no entanto, ficava marcado pela triunfal conclusão do maior fenómenos de audiências de sempre em Portugal, cujo episódio final retirava quase todo o protagonismo aos habituais foguetes e programas de variedades de Herman José, captando e retendo a atenção da grande maioria da população portuguesa durante, pelo menos, umas horas da noite de 31 de Dezembro de 2000.



Falamos, claro, da primeira edição do 'Big Brother', que dominara grande partes das conversas sobre televisão desde a sua estreia a 3 de Setembro, e de cujo grande vencedor se ficaria, nessa noite, finalmente a saber o nome. Os três 'candidatos' finalistas - já depois da eliminação de favoritos do grande público como o futuro deputado Telmo, o intempestivo Marco, a sua futura mulher Marta e a 'vítima' do mesmo, Sónia- eram a sensata Susana, a jovem Célia (à data com apenas dezoito anos de idade, a mais nova da casa) e o homem que se tornara uma espécie de 'mascote' ou 'bichinho de peluche' da maioria dos espectadores do programa, o pedreiro Zé Maria. Eram estes os três nomes que se perfilavam, nessa noite, diante de Teresa Guilherme, para saber em quem o público votara como grande vencedor da quantia de vinte mil 'contos' (equivalentes hoje a cem mil euros) e de um carro novo.


Do resultado, reza a História da televisão portuguesa: conforme se previa, o humilde e espontâneo 'trolha' de Barrancos sairia mesmo vencedor, numa efeméride que o marcaria para o resto da vida, e que levaria, eventualmente, a um final trágico para a mesma. A 31 de Dezembro, no entanto, tal desfecho ainda estava muito longe de poder ser previsto, e Zé Maria era todo sorrisos ao receber o prémio das mãos de Teresa Guilherme, 'derretendo' nesse momento os corações daqueles que o haviam apoiado, e mesmo de muitos outros que apoiavam os seus adversários, ou que nem ligavam muito ao 'Big Brother'. Na verdade, naquela noite, até mesmo esses acompanharam o que se passava no estúdio da TVI, numa emissão que aglutinou audiências como poucas outras conseguiram na História da televisão nacional, e que pôs cobro a um fenómeno que não mais se repetiria no contexto da mesma. Razão mais que suficiente, portanto, para revisitarmos aquele último episódio, em vésperas de se completar um exacto quarto de século sobre a sua transmissão em directo, naquela que foi uma das noites de Ano Novo mais atípicas da televisão em Portugal.

Wednesday, 24 December 2025

Terças de TV: Trinta e Cinco Anos da 'Canção' de Natal de Júlio Isidro

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Dezembro de 2025.


NOTA: Por motivos de relevância temporal, esta Terça será de TV.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Uma das coisas com que os portugueses aprenderam a contar ao longo dos Natais dos últimos trinta a quarenta anos é com o aparecimento, nos quatro canais, de produções especialmente criadas para servir de complemento aos tradicionais filmes de família, Sequim D'Ouro, Natal dos Hospitais e circo de Monte Carlo; e, apesar de ainda hoje se verificar, é inegável que esta tendência teve o seu auge no 'período de ouro' da televisão portuguesa, entre os anos 80 e 2000, período em que nasceram muitos dos melhores 'especiais de Natal' (e também de Ano Novo) da História do audiovisual nacional. Um desses programas - sobre o qual se completam exactos trinta e cinco anos à data original de criação deste 'post' - foi imaginado e apresentado por um ícone da televisão portuguesa, o incomparável Júlio Isidro, como forma de prestar homenagem à quadra através de um dos seus mais emblemáticos elementos - a música.


Transmitido pela RTP 1 a 23 de Dezembro de 1990, 'Cantar o Natal' oferece precisamente aquilo a que o título alude - uma série de números musicais com temática natalícia, interpretados por alguns convidados musicais de 'monta' como Vitorino e Dulce Pontes, unidos por segmentos de entrevista a estes e outros convidados, numa tentativa de recriar e reviver a noite de consoada de 1960 (então distante no tempo exactas três décadas), que servia de linha narrativa ao especial. O resultado era um programa 'ameno' e confortável, bem ao estilo não só de Isidro como da produção nacional da época em geral, perfeita para servir de 'ruído de fundo' a uma noite de Terça-feira em plenas férias do Natal.


No entanto, talvez este cariz declaradamente virado para o conforto do espectador tenha contribuído para que este especial fosse, em décadas posteriores, algo Esquecido Pela Net, já que o mesmo não rendia quaisquer momentos memoráveis, daqueles em que Herman José (por exemplo) era 'perito' nos seus especiais de Ano Novo. Ainda assim, na data em que se assinalam exactas três décadas e meia sobre a sua ida ao ar, vale bem a pena recordar um especial de cariz único no panorama televisivo nacional, e que terá decerto entretido um sem-número de pequenos 'X' e 'millennials' nacionais - ainda que os mesmos pouco ou nada o recordem; para quem desejar rectificar esse erro, o programa encontra-se disponível, em duas partes, nos arquivos da RTP, pronto a ser recordado por ocasião desta data marcante.

Tuesday, 2 December 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Uma Série 'Catita' e Injustamente Esquecida

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


No que toca a programas infantis de cariz ao mesmo tempo interactivo e remoto na televisão portuguesa de finais do século XX, vêm imediatamente à memória duas variantes: por um lado, os programas 'de auditório', como 'Batatoon' ou 'Buereré', em que as crianças ligavam para participar de passatempos e ganhar prémios, e, por outro, o lendário 'Hugo', em que era dada aos espectadores a possibilidade de assumir um papel menos passivo, e controlar activamente os acontecimentos mostrados no ecrã da televisão. E se este último é, ainda hoje, lembrado e 'reverenciado' por toda uma faixa demográfica que atingiu na 'altura certa', um outro programa semelhante, embora com a sua própria abordagem ao género, encontra-se, por sua vez, um pouco 'esquecido' pela 'sua' geração, um quarto de século após a sua estreia.


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Surgido pela primeira vez nos ecrãs nacionais em meados de Novembro de 2000, por intermédio da TVI, 'Rita Catita e o Ursinho Oops' aplicava o conceito de 'Hugo' a um contexto menos competitivo e mais narrativo, criando algo único e que não se tornaria a repetir na televisão portuguesa: essencialmente um desenho animado 'ao vivo', em que as falas eram gravadas (e, muitas vezes, improvisadas) no momento, para reflectir a conversa com a criança do outro lado da linha, ou os acontecimentos que a mesma despoletara. Assim, apesar de cada episódio ter, nominalmente, uma história, a mesma era vaga o suficiente para acomodar os 'imprevistos' da gravação ao vivo sem que, com isso, a coerência narrativa saísse prejudicada, permitindo às cianças liberdade para interagirem com os personagens titulares (e até com outras crianças que ligavam em simultâneo) conforme desejassem.


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A personagem principal e titular.


Apesar de o foco ser na história, no entanto, 'Rita Catita' adoptava também o elemento competitivo do seu antecessor em certas partes do programa, podendo as crianças testar a sua perícia e reflexos com um jogo de tiro ao alvo, por exemplo. Esta vertente ajudava, se possível, a dar ao programa ainda mais originalidade, fazendo dele uma experiência única na televisão portuguesa, senão mesmo mundial – o que torna ainda mais surpreendente o facto de a emissão ser tão pouco lembrada hoje em dia pela parcela mais nova da geração 'millennial', que teria sido o principal público-alvo da mesma naqueles primeiros meses do século XXI. Talvez a referida demografia não seja tão nostálgica quanto os seus antecessores, ou talvez o programa não tivesse sido marcante o suficiente, ou talvez se trate apenas de uma questão de tempo, e se venha a assistir, daqui a alguns anos, a uma vaga de nostalgia por 'Rita Catita'; seja como fôr, o referido programa não deixa, à data, de ser um dos mais injustamente Esquecidos Pela Net da História da televisão portuguesa, apresentando um conceito e execução verdadeiramente originais e distintos, que mereciam ter tido mais impacto na cultura popular infantil portuguesa da época em que foi transmitido.



O único 'clip' do programa ainda disponível na net.

Tuesday, 7 October 2025

Terças de TV: Trinta Anos de 'Maluquices' na SIC

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década


Os programas de humor estavam entre os mais populares e bem-sucedidos das décadas de 80, 90 e 2000 – e, destes, grande parte tinha como formato uma sucessão de 'sketches' não relacionados entre si, normalmente vividos por uma série de personagens recorrentes. E se, no Novo Milénio, o grande exemplo deste tipo de emissão seria o ainda hoje histórico 'Gato Fedorento', na década de 90, a honra de líder de audiências dividiu-se entre dois programas concorrentes: a 'Herman Enciclopédia', da RTP, e o programa que abordamos neste 'post', cerca de um mês após se terem celebrado os trinta anos sobre a sua estreia.


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Era a 1 de Setembro de 1995 que a SIC transmitia, pela primeira vez, um episódio daquele que se viria a tornar, durante a década subsequente, um dos seus programas-estandartes, e pôr tanto crianças como adultos de Norte a Sul do País a repetir dichotes e imitar personagens por si veiculadas, e criadas por um veterano da comédia nacional, Guilherme Leite, cuja carreira o havia ajudado a perceber exactamente o que agradava ao público nacional. 'Malucos do Riso' apostava, assim, num estilo de humor popular e brejeiro, mais próximo do anedotário popular ou teatro de revista do que das piadas mais subtis e baseadas na personalidade de cada figurino propostas pela 'Enciclopédia' de Herman José. O resultado não podia ser outro que não a adesão quase total de certos segmentos da sociedade portuguesa, com destaque para as crianças e membros da classe trabalhadora, a quem o humor simples, quotidiano e ligeiramente 'maroto' nunca deixava de agradar.


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Alguns dos muitos personagens memoráveis do programa.


Não é, assim, de admirar que 'Malucos do Riso' se tenha, eventualmente, afirmado como um dos programas de entretenimento mais longevos da SIC, completando uma década no ar com a fórmula praticamente inalterada. Seria apenas já em meados da primeira década do Novo Milénio, que este bastião da estação de Carnaxide viria a sair do ar – embora durante pouco tempo, já que não passariam mais de quatro anos até 'Novos Malucos do Riso' procurar continuar o legado deixado pelo original. E apesar de esta segunda tentativa ter ficado longe do sucesso da original – num panorama televisivo já algo diferente em termos de sensibilidades e interesses do público-alvo – os 'Malucos' originais continuam, até hoje, a afirmar-se como um dos clássicos mais absolutos e indeléveis das mais de três décadas de História da SIC, merecendo bem esta homenagem (ainda que um pouco atrasada) por altura do seu trigésimo aniversário. E para quem quiser recordar, fica abaixo um compêndio completo da série, com quase NOVE HORAS de duração - embora, claro, não se recomende a visualização toda de uma vez...


Thursday, 11 September 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos do 'Big Brother', O Programa Que Mudou A Televisão Portuguesa

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 09 de Setembro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


De entre as dezenas (senão mesmo centenas) de programas propostos pelos quatro canais nacionais ao longo de cada ano, existem aqueles que rapidamente caem no esquecimento, aqueles que 'pegam de estaca' e acabam por se eternizar na memória colectiva, tornando-se nostálgicos, e aqueles que transcendem o mero estatuto de entretenimento televisionado, extravasando as fronteiras do ecrã para se estabelecerem como parte integrante da cultura popular nacional. E embora estes casos sejam relativamente raros (ou talvez por causa disso), quando um deles surge na grelha televisiva da RTP, SIC ou TVI, a sua influência tende a manter-se muito para além do tempo de transmissão, sendo os mesmos ainda relembrados várias décadas após a sua conclusão. É, precisamente, esse o caso com o programa que abordamos neste 'post', sobre cuja estreia se celebraram há cerca de uma semana exactos vinte e cinco anos, e cujo legado continua bem vivo não só na mente dos portugueses, como nos próprios ecrãs das suas televisões, mesmo um quarto de século após a sua introdução na grelha da 'Quatro'.


O serão de dia 3 de Setembro de 2000 marca, pois, o ponto em que o panorama televisivo lusitano se alteraria irreversivelmente, e em que os espectadores nacionais tomariam pela primeira vez contacto com aquele que se viria a tornar um dos géneros mais populares do século XXI. Isto porque era nesta data que a TVI apresentava, pela primeira vez, o seu novo concurso, adaptado de um popular formato holandês, e que propunha seguir de perto, e em directo, a vida de catorze portugueses comuns, forçados a cohabitar numa casa especialmente construída para o efeito, e sujeitos a eliminações decididas pelo público, com base nos seus comportamentos e capacidade de engajar (ou não) quem via o programa. Era o início do 'Big Brother' em Portugal, e também de uma febre comparável à causada junto dos jovens por 'Dragon Ball Z', alguns anos antes, mas desta vez extensível a todas as faixas etárias e demográficas do País.


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De facto, o 'reality-show' da TVI (primeiro do seu género em Portugal) era de tal modo inescapável que até quem evitava declaradamente acompanhar o programa não conseguia deixar de estar a par do que nele se passava. Elementos como o confessionário, as provas (que garantiam ao vencedor imunidade contra a eliminação nessa semana) e as famosas 'câmaras nocturnas' instaladas nos quartos de cama rapidamente se tornaram tema recorrente de conversa, o mesmo sucedendo com grande parte dos concorrentes – ainda que alguns fornecessem mais 'tema de conversa' do que outros. Em particular, destacavam-se o afável pedreiro Zé Maria, o campeão de 'kickboxing' Marco (protagonista do mais controverso e polémico momento do programa), o recatado Telmo e, do contingente feminino, a carismática Susana e a 'desbocada' Sónia. Outros, por seu lado, mal deixariam marca na memória colectiva, havendo pouco quem se lembre de Riquita (a professora de Inglês eliminada em primeiro lugar) ou dos dois Ricardos, que rapidamente se lhe seguiram.


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A grelha de concorrentes do primeiro Big Brother.


Dos restantes, no entanto, parte significativa encontraria lugar cativo na cultura popular portuguesa, fosse por saberem como 'jogar o jogo', por terem simplesmente personalidades mais vincadas ou expansivas, ou por serem protagonistas de momentos controversos, como actos sexuais em directo (algo que chegou, previsivelmente, a gerar escândalos à época) ou momentos de descontrolo emocional, como aquele que viu Marco ser expulso da casa, apesar de não ter sido o escolhido do público, após agredir Sónia com o pontapé mais famoso da História da televisão portuguesa, senão de sempre, pelo menos desde os tempos áureos de Eusébio. O facto de tal acto (contra uma mulher, ainda para mais) não ter imediatamente excomungado o 'kickboxer' da memória popular nacional – tendo o mesmo, pelo contrário, adquirido estatuto de celebridade menor – diz muito do poder do 'Big Brother' sobre a psique colectiva portuguesa naquele período de pouco mais de três meses na segunda metade do ano 2000, cujo efeito sobre a sociedade fez com que parecesse muito mais longo.


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Marco, protagonista do mais polémico momento do programa, e único concorrente expulso da casa sem direito a votação.


De facto, era logo na véspera de Ano Novo que Zé Maria - o simples e espontâneo pedreiro que ajudara a colocar Barrancos no mapa por razões não ligadas à tauromaquia, e que conquistara o coração dos portugueses ao longo dos três meses anteriores - 'roubava' audiências aos habituais espectáculos da noite e recebia das mãos da anfitriã Teresa Guilherme o cheque que viria a mudar indelevelmente a sua vida, tomando o seu lugar como 'pedra basilar' de uma dinastia que, vinte e cinco anos depois, não mostra sinais de abrandar, com variações do 'Big Brother' a serem produzidas e transmitidas pela TVI até aos dias de hoje, quer no formato original, quer com a participação de celebridades. O sucesso do programa daria, também, o mote para o surgimento de uma série de outros 'reality shows' nas grelhas televisivas nacionais, o primeiro dos quais da responsabilidade da SIC, canal que rejeitara originalmente o Big Brother e procurava 'emendar' o seu erro. Nenhuma destas tentativas viria, no entanto, a ter sequer uma fracção do sucesso das duas primeiras séries do 'Big Brother', sendo apenas com 'Quinta das Celebridades' que o formato voltaria verdadeiramente a cativar audiências em massa.


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O momento da coroação de Zé Maria.


Mas se, para a TVI, o resultado foi positivo, já para o vencedor do concurso, a súbita riqueza e fama provariam ser demasiado 'pesadas', causando problemas do foro psíquico e levando a que Zé Maria se isolasse da sociedade, situação que ainda hoje se mantém, e que ninguém poderia ter previsto naquele momento em que, aos vinte e sete anos, o pedreiro recebia um cheque de vinte mil 'contos' e um carro, sob as luzes de um estúdio de televisão. Ainda assim, e apesar de tudo fazer para que o seu nome seja esquecido, Zé Maria estará, juntamente com os outros concorrentes, para sempre ligado ao início de uma nova etapa na programação portuguesa, e do 'reino' continuado de um novo formato que, um quarto de século depois e na sua 'enésima' edição, continua a gerar temas de conversa e a render lucro e audiências à estação que o transmite.

Wednesday, 28 May 2025

Terças de TV: 'Só Números', O Sucessor Falhado de 'Quem Quer Ser Milionário'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 27 de Maio de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui por diversas vezes mencionámos os anos 80 e especialmente 90 como sendo a 'época áurea' para os concursos televisivos, com diversos formatos estrangeiros a serem adaptados e outros tantos criados de raiz, resultando numa oferta tão variada quanto apelativa, à qual já dedicámos diversos 'posts' no passado. Este paradigma não foi, no entanto, exclusivo daqueles últimos anos do século XX; por alturas da viragem do Milénio, o mesmo continuava ainda bem vivo, como o prova o tema deste 'post', estreado há quase exactos vinte e cinco anos (a 29 de Maio de 2000) no principal canal nacional.


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E a verdade é que 'Só Números' tinha, desde logo, uma missão espinhosa: a de substituir, nas noites de Segunda-feira da RTP, o mega-sucesso 'Quem Quer Ser Milionário', com o carismático Carlos Cruz. Para tentar levar a cabo este ambicioso objectivo, o concurso 'armava-se' de uma proposta verdadeiramente original, embora com potencial para 'alienar' as audiências mais jovens. Isto porque a premissa do concurso apresentado por Miguel Dias tinha por base – como o próprio título indicava – respostas inteiramente compostas por números, devendo os concorrentes (dez, no total) tentar aproximar-se, tanto quanto possível, da resposta correcta, sendo o vencedor aquele que mais próximo ficasse. O prémio final era o habitual automóvel, 'presente' máximo de pelo menos noventa e cinco por cento dos concursos 'para adultos' da televisão portuguesa da época.


Um conceito original o suficiente para ancorar um programa deste tipo, mas que acabou por não ser suficiente para manter 'Só Números' à tona, tendo o concurso concluído as suas emissões ainda antes do final do primeiro ano do Novo Milénio, e ficado muito longe dos níveis de audiências, repercussão e memorabilidade do seu antecessor. Ainda assim, e apesar de ter constituído uma aposta falhada, não deixa de ser de valor recordar este concurso, apenas um par de dias antes de se completar um exacto quarto de século sobre a sua primeira emissão.

Tuesday, 13 May 2025

Terças de TV: 'Lentes de Contacto', O Magazine Esquecido da RTP

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


No nosso último 'post', falámos do tema que General D, um dos pioneiros do 'rap' e 'hip-hop' em Portugal, havia contribuído para a banda-sonora de 'Até Amanhã, Mário', um dos filmes portugueses com maior projecção da década de 90. Nada mais justo, portanto, do que falar agora do programa de televisão que permitiu a D ser considerado para tal projecto, mediante o encontro com o produtor e compositor Tiago Lopes, com quem colaborou na faixa em causa.


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Um dos vários trios de jovens apresentadores do magazine.


Estreado logo nos primeiros meses da nova década, 'Lentes de Contacto' partia do formato muito típico dos 'magazines' juvenis da altura, como 'Caderno Diário', e adicionava-lhe um elemento de interacção humana, através da presença de entrevistados e convidados musicais, num resultado final que antecipava a fórmula do icónico 'Curto Circuito' em quase uma década. De facto, tal como o programa-estandarte da SIC Radical (e, antes, do CNL), 'Lentes de Contacto' misturava as referidas entrevistas e actuações com debates e peças informativas sobre temas de interesse directo para o público-alvo, mediadas por trios rotativos de jovens apresentadores cuja presença e forma de comunicar garantiam a tão desejada conexão com o público-alvo, exactamente como no posterior programa da TV Cabo.


Comparativamente ao 'CC', no entanto – e a outros programas semelhantes, como o 'Muita Lôco' – 'Lentes de Contacto' é relativamente Esquecido Pela Net, vindo as principais referências ao magazine do próprio 'site' da RTP. Ainda assim, e apesar de pouco falado entre os membros da Geração X portuguesa (principal demografia-alvo do programa, sendo os 'millennials' algo novos para se interessarem pelo formato) não há razão para duvidar que pelo menos alguns desses mesmos rapazes e raparigas (hoje homens e mulheres na casa dos quarenta a sessenta anos) tenham sintonizado a RTP a cada nova transmissão do programa, para acompanharem o debate daquele dia ou simplesmente apreciarem as actuações do convidado musical do dia – entre os quais, como referimos, se contou em tempos General D, a principal (mas não única) razão para recordamos este magazine nas páginas do Anos 90...

Tuesday, 8 April 2025

Segundas de Séries: 'Jardins Proibidos' - Os Primórdios de Um Género

NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 7 de Abril de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Apesar de serem praticamente contemporâneas da popularização da televisão em Portugal, foi apenas nas duas primeiras décadas do século XXI que as telenovelas portuguesas começaram verdadeiramente a ser um género em si mesmo, e a marcar presença no quotidiano de portugueses de todas as idades. E apesar de aquela a que dedicamos as próximas linhas não ter sido a primeira representante desse ressurgimento, é a ela que é, hoje em dia, creditado o fim da hegemonia das produções brasileiras do género em Portugal. Nada melhor, pois, do que recordar esta pioneira de todo um género, sobre a primeira transmissão da qual se completa um exacto quarto de século à data de publicação deste 'post'.


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Ida ao ar pela primeira vez a 8 de Abril de 2000, na TVI (canal que se tornaria sinónimo com o género nas duas décadas subsequentes) 'Jardins Proibidos' tinha, desde logo, no genérico um primeiro chamariz, já que o tema homónimo de Paulo Gonzo que, previsivelmente, servia de banda sonora aos créditos continuava mais popular do que nunca entre a população portuguesa, sendo constantemente referenciado por miúdos e graúdos. Mais do que apenas uma música, no entanto, a novela em causa trazia também o habitual drama tão ao gosto do público 'noveleiro' (no caso, com a temática bem 'batida' mas sempre eficaz das paixões proibidas e das crianças ilegítimas) e um elenco repleto de nomes de vulto e 'promessas' da televisão portuguesa, de Núria Madruga, Fernanda Serrano, Lídia Franco, José Raposo, Lurdes Norberto, Vera Kolodzig, Pedro Penim, Pedro Granger ou Rita Salema a futuras estrelas como Diogo Valsassina, Daniela Ruah ou Alexandre Personne (que chegou a apresentar o 'Clube Disney' e participou na adaptação televisiva dos livros da colecção 'Uma Aventura').


Uma conjugação de factores que não poderia deixar de transformar a novela num sucesso, que provou que era possível criar e difundir um programa deste tipo com produção cem por cento nacional. É, aliás, esse o principal legado de 'Jardins Proibidos', tendo toda e qualquer novela exibida na televisão portuguesa nos últimos vinte e cinco anos uma divida de gratidão para com a criação de Manuel Arouca e Tomás Múrias, tendo a mesma tido inclusivamente tido a honra de ser a primeira telenovela portuguesa de sempre a ter direito a um 'remake', estreado em 2014. Razões, pois, mais do que suficiente para lhe prestarmos homenagem por alturas do seu vigésimo-quinto aniversário

Tuesday, 1 April 2025

Segundas de Sucessos / Terças de TV: Os Canais Musicais da TV Cabo - Novos Horizontes Para Os Melómanos 'Millennials'

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 30 de Março de 2024.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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A chegada a Portugal da TV Cabo abriu novos horizontes aos quais o português médio não estava, de todo, habituado. Mesmo quem tinha televisão por satélite gozava de pouco mais do que alguns canais adicionais (e nem sempre com transmissão clara) enquanto que o novo serviço punha à disposição dos seus assinantes centenas de canais de uma só vez, todos (ou quase) com transmissão perfeita, e dentro dos mais diversos 'nichos' especializados. Para os espectadores mais jovens, em particular, isto representava uma amplitude consideravelmente maior no tocante a canais desportivos, de desenhos animados e, claro, de música, um dos mais perenes e intemporais interesses de qualquer criança ou adolescente.


E se os 'millennials' lusitanos haviam, até então, tido de se contentar apenas com o icónico 'Top +', a TV Cabo veio trazer-lhes a possibilidade de sintonizar canais de que, até então, apenas se ouvia falar em filmes ou programas de televisão estrangeiros, como a MTV e o VH1. De súbito, aquela parca 'horinha' semanal de 'videoclips' e êxitos de tabela transformava-se numa emissão praticamente perpétua, composta não só pelos vídeos 'da moda' como também por entrevistas a músicos e bandas, galas (como os icónicos MTV Video Music Awards, que mantiveram acordados pela noite dentro muitos jovens da época) notícias do foro musical, programas de curiosidades (como o 'Pop-Up Video' do VH1) documentários biográficos (como o lendário 'Behind The Music', do mesmo canal) e até conteúdos apenas tangencialmente ligados ao Mundo da música, os quais viriam, eventualmente, a 'tomar de assalto' a MTV, e a escorraçar os vídeos musicais pela qual a mesma se tornara conhecida.


Tal situação ainda estava, no entanto, a alguns anos de distância, pelo que os 'millennials' portugueses puderam, ainda, viver o 'auge' dos dois canais, a par da 'alternativa' nacional Sol Música (que já aqui teve o seu espaço) e do canal alemão VIVA, que permitia conhecer algumas das 'bizarrias' que iam fazendo sucesso na Europa Central. Um 'cardápio' com algo para todos os gostos, que não podia deixar de satisfazer os melómanos inveterados – mesmo faltando nele alguns 'ingredientes-chave', como o 'Headbangers' Ball', o programa de hard rock e heavy metal da MTV norte-americana, mas que não fazia parte da grelha da inglesa.


E se as constantes reestruturações de canais da TV Cabo vieram relegar estes canais de música para longe dos lugares de destaque que então ocupavam, a verdade é que pelo menos um – a MTV – 'resiste ainda e sempre ao invasor', qual Astérix dos canais musicais. Infelizmente, mesmo esse canal se encontra, hoje, muito desvirtuado, e quase irreconhecível para quem o conheceu nos anos 90 e 2000, quando – ao lado dos 'irmãos' nacionais e estrangeiros – constituiu um dos principais atractivos para se tornar assinante do novo e revolucionário serviço de televisão por cabo, e fez a alegria de milhares de jovens de Norte a Sul do País com as suas novidades áudio-visuais e culturais.

Tuesday, 18 March 2025

Terças de TV: Os Trapalhões na Televisão Portuguesa - Um Sucesso em Duas 'Metades'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Um dos fenómenos sociais mais pervasivos das últimas cinco décadas em Portugal – sensivelmente desde a globalização dos televisores caseiros – vem sendo a miscigenação da cultura portuguesa com a brasileira, não só através da imigração, como também da importação de produtos mediáticos daquele País. E se, hoje em dia, esse cruzamento se limita às eternas telenovelas, a um ou outro canal da TV Cabo e às revistas da Turma da Mônica, há trinta anos, o panorama de propriedades intelectuais brasileiras presentes em Portugal era bem mais vasto, com as referidas telenovelas e as bandas desenhadas da Abril e Globo à cabeça. E terá sido, precisamente, através das referidas bandas desenhadas que uma larga parcela da população nacional terá tido o primeiro contacto com um dos mais famosos produtos mediáticos saídos do país-irmão – a 'troupe' de comediantes conhecida como Os Trapalhões.



E se a referida BD da Globo tinha como foco versões infantis do quarteto, não tardaria também a que as crianças e jovens daquela época ficassem a conhecer os 'verdadeiros' Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, quando – há quase exactos trinta e um anos, em Março de 1994 – o seu programa, lendário no Brasil, chegou finalmente aos televisores nacionais, pela mão da SIC. E a verdade é que, previsivelmente, a inspirada colecção de 'sketches' cómicos de índole 'pastelona' (com alguns dichotes brejeiros à mistura) não tardou a conquistar o público-alvo, sempre aberto a tentativas de humor deste tipo – sobretudo quando se afirmavam como bem acima da média, como era o caso. Sem nunca se terem tornado um 'caso de estudo' de popularidade, como o eram no seu país natal, Os Trapalhões encontravam, assim, em Portugal uma audiência suficientemente devota e fiel para justificar a 'aventura' inédita que o quarteto encetaria logo no ano seguinte, e sobre cuja estreia se comemoram por estes dias exactas três décadas.



Falamos de 'Os Trapalhões em Portugal', a produção nacional (da própria SIC) que procurava recuperar o formato de sucesso do programa original, ao mesmo tempo que o ambientava por terras lusitanas, com os Trapalhões ainda restantes – Didi e Dedé – a contracenarem com coadjuvantes com sotaque português, em cenas típicas da vida quotidiana nacional. Uma ideia que poderia ter resultado – e que, sob algumas métricas, resultou mesmo, já que o programa fez tanto sucesso quanto o seu antecessor – mas que perdia consideravelmente pela ausência da 'outra metade' do grupo, a saber, os malogrados Mussum e Zacarias, que muitos consideravam serem as principais fontes da comédia do grupo. Com apenas Didi como verdadeiro Trapalhão (Dedé sempre desempenhou o papel de elemento mais sério do grupo) e com a presença de actores portugueses a ressalvar a diferença de abordagem e desempenho em relação aos brasileiros, o resultado era um produto algo menos fluido, e mais 'bem-comportado', do que o hilariante original da Globo.


Ainda assim, conforme referimos acima, 'Trapalhões em Portugal' chegou a fazer sucesso entre a juventude lusitana da época, e será ainda recordado por parte dela como um dos elementos nostálgicos da sua infância ou adolescência, merecendo assim destaque nestas nossas páginas no mês em que se completam trinta anos sobre a sua primeira emissão.


Wednesday, 19 February 2025

Terças de TV: 'Cromos de Portugal' (1999) - Em Fórmula Que Resulta, Não Se Mexe...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Já aqui anteriormente falámos dos programas de 'Apanhados' como um dos formatos de maior sucesso no panorama televisivo nacional de finais do século XX. Fosse em situações cuidadosamente 'criadas' por comediantes 'à paisana', fosse no mais orgânico e natural estilo de 'vídeo caseiro', o público telespectador nacional parecia não se cansar de presenciar a vergonha alheia, e de rir das situações mais ou menos embaraçosas em que pessoas como eles se encontravam frente a câmaras de televisão. Assim, não é de estranhar que, nos últimos meses do século XX e do Segundo Milénio, a RTP tenha querido, mais uma vez, capitalizar no formato que tantas alegrias lhe trouxera em anos anteriores, através de um programa que aliava a tradicional e bem-sucedida fórmula dos 'Apanhados' a um apresentador carismático e capaz, por si só, de cativar potenciais interessados a sintonizarem a emissão em causa.


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Surgem assim, algures em 1999, os 'Cromos de Portugal', programas de cerca de uma hora em que Guilherme Leite – à época bastante em alta – servia de 'anfitrião' a três rábulas de 'apanhados', nos moldes já bem conhecidos da audiência-alvo, e expectáveis em programas deste tipo. O sucesso, esse, foi também o expectável, partindo o programa para um ciclo de vida de respeitáveis dois anos - um de cada 'lado' da viragem do Milénio - que provavam que o público português continuava a nutrir apetência por este formato, sempre que o mesmo fosse apresentado de forma apelativa e bem executada. Mesmo não tendo tido o sucesso dos seus antecessores (exibidos quando o formato era, ainda, relativamente novo e original) nem sendo o 'expoente máximo' do género em causa, 'Cromos de Portugal' merece ainda assim, portanto, destaque nestas páginas, como mais um exemplo de que a repetição de uma fórmula de sucesso nem sempre é sinónimo de 'fadiga' por parte da audiência-alvo. E quem quiser comprovar por si mesmo pode fazê-lo no bom e velho YouTube, onde um utilizador fez o 'favor' de adicionar toda a primeira temporada do programa numa só 'playlist', perfeita para uma sessão de 'visionamento compulsivo' daquelas que estão tão na moda hoje em dia...

Friday, 10 January 2025

Quintas no Quiosque: Trinta Anos Sem O 'Se7e', O Pioneiro da Imprensa Cultural em Portugal

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


A cultura tem, tradicionalmente, sido um dos aspectos mais negligenciados na, e pela, sociedade portuguesa, que mostra normalmente apetência por formas de entretenimento menos substanciais e mais populistas; e apesar de este fenómeno se ter exacerbado no primeiro quarto do século XXI, a tendência em si vem sendo verificada pelo menos desde as últimas décadas do Segundo Milénio. Não é, pois, de surpreender que uma publicação explícita e expressamente dedicada a divulgar cultura tenha tido um ciclo de vida total de apenas pouco mais de uma década e meia, tendo o último número sido lançado há quase exactos trinta anos, a 28 de Dezembro de 1994. E porque a Quinta no Quiosque dessa semana foi, acidentalmente, dedicada a outro tema, nada melhor do que prestar agora uma homenagem póstuma (por cerca de duas semanas) a um dos mais importantes periódicos desaparecidos da imprensa portuguesa.


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(Crédito da foto: OLX)


Gerido e redigido por grandes nomes da literatura e do jornalismo português – Mário Zambujal e João Gobern contaram-se entre os seus editores, e Margarida Rebelo Pinto, Pedro Rolo Duarte, Luís de Sttau Monteiro e mesmo Herman José entre os redactores – o semanário Sete (estilizado como Se7e) nascera em 1977, com a proposta de divulgar espectáculos culturais de Norte a Sul do País, bem como transmitidos pela televisão, numa abordagem que se afirmava, declaradamente, como uma espécie de versão orientada para a cultura do tipo de jornalismo practicado pelos jornais desportivos. O objectivo, como naqueles casos, era dar visibilidade, espaço e projecção a temas tradicionalmente negligenciados pela imprensa tradicional, criando assim uma publicação 'de nicho' num mercado ainda receptivo às mesmas.


E a verdade é que, numa fase inicial, a ideia correu bem; tão bem, de facto, que o Se7e se tornaria o seu próprio 'carrasco', motivando a abertura de espaço para a cultura nos jornais tradicionais e inspirando o surgimento de concorrentes 'de peso', como a 'TV Guia' e as suas congéneres. Ainda assim, o jornal 'fazia pela vida', tendo conseguido resistir à década de 80 e aos primeiros anos da seguinte; em 1994, no entanto, o 'sonho' viria mesmo a terminar, com a passagem para o formato de magazine a não resultar – ao contrário do que aconteceria, anos mais tarde, com o 'resistente' e semi-competidor Blitz – e o periódico a ser mesmo forçado a encerrar actividades, já nos últimos dias do ano.


Ainda assim, apesar de desaparecido, o 'Se7e' deixou uma marca considerável o suficiente no panorama cultural nacional para, trinta anos após a sua extinção definitiva, ser ainda lembrado e homenageado como um conceito verdadeiramente novo e inovador, e uma autêntica 'pedrada no charco' da imprensa portuguesa, que daria o mote para o aumento de publicações periódicas especializadas no mercado português e daria espaço à cultura num País que tantas vezes a negligencia. Razões mais que suficientes, portanto, para lhe prestarmos homenagem (ainda que atrasada) nesta nossa rubrica dedicada às revistas e jornais das bancas lusitanas do século XX.

Tuesday, 12 November 2024

Terças de TV: O Canal Mais Controverso (e Icónico) da TV Cabo Noventista

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Nunca um canal 'premium' teve tanta audiência e tão pouca aderência; nunca uma emissora com tão pouco conteúdo acessível, ou até perceptível, foi tão icónica e marcante para tão grande parte de uma demografia; e nunca os 'riscos de estática' de um canal codificado geraram tanto entusiasmo em tantos habitantes de um só País. Todos o conheciam, todos o discutiam no pátio da escola, todos tentavam 'decifrá-lo' às escondidas dos pais, mas – talvez por razões óbvias – poucos ou nenhuns lhe tinham acesso, pelo menos a partir de certa hora. 'Camuflado', durante o dia, de inocente e inócuo canal de 'lifestyle', a partir da 'hora de deitar', aquela posição no primeiro terço da lista de canais da TV Cabo adquiria, passe o trocadilho, outra 'frequência', e passava a ser dedicada a, digamos, outros 'modos de vida', algo mais arriscados e controversos. Ao longo dos anos, foram várias as designações e grafismos, mas sem que nunca se alterassem a proposta, a localização na grelha a cabo e o nome por que era coloquialmente conhecido em função da mesma: chamasse-se o que se chamasse, para quem dele falava, era sempre o 'Canal 18'.


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Elemento incontornável dos anos formativos da população masculina portuguesa de uma certa idade (e, imagina-se, também de alguma percentagem do público feminino) a lendária emissão erótico-pornográfica da TV Cabo portuguesa dividia o canal com que era sinónimo com um vizinho de 'time-sharing' de características diametralmente opostas – o espanhol Viver/Vivir, que nada possuía de controverso ou censurável. Essa 'face diurna' da posição 18 da grelha pouco interesse retinha para os adolescentes, no entanto; eram os minutos após o fim da transmissão da mesma que viam milhares de jovens de Norte a Sul do País 'esgueirarem-se' para a sala de estar (ou, para os mais sortudos, ligarem a televisão do quarto) para olhar para 'riscos de estática', dos quais emanavam gemidos, grunhidos e palavrões dobrados no mais 'azeiteiro' espanhol. Por vezes, com sorte, era possível ler uma legenda, ou ver metade de uma imagem distorcida, mas na maior parte do tempo, a experiência ficava-se mesmo, em grande parte, pelo domínio do áudio – a menos, claro está, que o canal estivesse num dos seus raros períodos de emissão aberta, caso em que havia que aproveitar ao máximo...


Apesar deste cariz codificado e secretista, o 'canal 18' – que, a partir de certo ponto, veria 'cortada' a sua 'ligação' com o Viver/Vivir, passando a ocupar por si mesmo toda a emissão da referida posição – foi icónico o suficiente entre os 'millennials' portugueses para não só ver o seu nome tornar-se sinónimo de qualquer forma de 'media' erótico lançada no País, como também gerar pelo menos uma frase daquelas que, hoje, seriam taxadas de 'meme': o famoso 'hó sí carinho!', sempre dito com exagerada entoação espanhola, por forma a emular as actrizes responsáveis pelas dobragens do canal.


Com o passar dos anos, no entanto – e o alargamento da grelha da TV Cabo – o canal em causa acabou por ser 'expulso' da sua icónica posição, vindo eventualmente a extinguir-se devido a influências políticas. E ainda que, nesta era de fácil acesso a conteúdos eróticos não-codificados – o interesse e relevância deste tipo de canal seja cada vez mais reduzido, para uma larga maioria de ex-jovens portugueses, hoje na casa dos quarenta anos, o (ex-)'canal 18' representará, para sempre, a sua primeira forma de contacto com aquela vertente algo mal-afamada da existência humana que tanto tem fascinado os adolescentes do sexo masculino ao longo das décadas e gerações...

Tuesday, 8 October 2024

Terças de TV: Os Vinte e Cinco Anos do CNL - A Morte Prematura de Um Pioneiro

NOTA: Por razões de relevância temporal, esta Terça será de TV, e a próxima Tecnológica.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A chegada a Portugal da TV Cabo, na ponta final da década de 90, veio terminar definitivamente com a hegemonia dos canais abertos, completando um processo de transição e expansão iniciado aquando da criação dos dois canais privados, SIC e TVI, alguns anos antes. Pela primeira vez, o panorama televisivo português contava com uma amplitude e liberdade anteriormente inimagináveis, as quais abriam possibilidades nunca antes pensadas, nomeadamente no tocante à criação de 'alternativas' menos generalistas aos quatro canais originais. Escusado será dizer que este paradigma não tardou a ser explorado, tendo os primeiros anos do serviço assistido ao aparecimento de toda uma gama de novos canais 'feitos em Portugal', muitos deles tematizadas. E se algumas destas novas adições ditariam o 'mote' para o próximo quarto de século de emissões por cabo, outras tantas ficariam 'pelo caminho', destinadas a permanecer confinadas à memória dos primeiros adoptantes da TV Cabo. Entre estes, contava-se um canal sobre cujas primeiras emissões se acabam de celebrar, há coisa de três semanas,vinte e cinco anos, e que demonstrava as supramencionadas possibilidades do novo sistema televisivo nacional.


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Falamos do Canal de Notícias de Lisboa, vulgarmente abreviado para CNL, que surgia pela primeira vez nos ecrãs portugueses a 15 de Setembro de 1999, pela mão da SIC e da Portugal Telecom, que assim adquiria o seu segundo canal, depois da Sport TV. Por comparação com os canais generalistas abertos, o CNL apresentava um foco mais regional, explícito no próprio nome, e uma marcada e assumida aposta em jornalistas e 'pivots' mais jovens, que fazia com que os seus programas fossem mais bem aceites por espectadores de faixas etárias mais baixas, os quais se sentiam talvez mais 'representados' do que anteriormente. Esta opção pela juventude estendia-se, aliás, também aos programas de entrevista e debate, tendo o CNL entrado para a História da televisão portuguesa como o canal que albergou o formato original de um dos mais icónicos programas entre os portugueses da geração 'millennial', o famoso Curto Circuito. Por entre os diversos blocos informativos, havia ainda lugar a algumas 'bizarrias' difíceis de imaginar na grelha de outros canais, como o programa que fechava cada emissão, 'Morfina'.


Uma das consequências da inovação, no entanto, é o potencial para o insucesso – factor que, infelizmente, viria a afectar irremediavelmente o CNL, o qual, no seu formato original, não chegaria a completar um ano e meio de vida, sofrendo uma reestruturação menos de dezasseis meses após ir ao ar, a 8 de Janeiro de 2001. Desengane-se, no entanto, quem pensar que o canal se extinguiu; antes pelo contrário, o mesmo continua a marcar presença diária em muitos lares portugueses, embora agora sob um novo nome – SIC Notícias. Não deixa de ser curioso perceber, no entanto, que um dos maiores canais especificamente noticiosos da televisão portuguesa talvez não tivesse sido possível sem aquela 'aventura' de um ano e três meses, que acabou por 'desbravar' caminho a tanto do que se seguiu ao nível da informação por cabo...






 


 

Wednesday, 2 October 2024

Terças de TV/Quartas de Quase Tudo: 'Morfina' (1999) - 'Bizarrias' Nocturnas

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


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O livro do programa, única prova visual da existência do mesmo presente na Internet.


O advento da televisão por cabo – com a sua miríade de novos canais, a grande maioria especializados – abriu aos criadores de conteúdos oportunidades que nem mesmo o surgimento dos canais privados, alguns anos antes, havia permitido. Onde, anteriormente, os programas 'de autor' se encontravam confinados a parâmetros culturais ou de 'talk-show' (e sempre dentro de formatos padronizados, que garantissem os mínimos desejáveis em termos de audiências) era, agora, possível 'arriscar' em conceitos mais experimentais, cujo potencial 'falhanço' não resultasse em calamidade. Não é, pois, de admirar que os últimos anos do século XX e primeiros do seguinte tenham visto surgir programas difíceis de imaginar como parte da grelha da RTP, ou mesmo da SIC ou TVI, a não ser em contextos muito particulares. Um destes surgia mesmo nos últimos meses do Segundo Milénio (celebra este mês o vigésimo-quinto aniversário da sua estreia), no extinto CNL, e talvez mereça a distinção de mais bizarro da grelha da época, pelo menos até a SIC Radical decidir dar Nu-Tícias, alguns anos depois.


Isto porque 'Morfina' – cujo nome não é inspirado na substância narcótica, mas antes no deus grego do sono, Morfeu – era um programa de dez minutos cujo objectivo era, tão simplesmente, contar uma história para adormecer. Não um conto de fadas ou aventura medieval para crianças, mas uma história (ou apenas um texto) que ajudasse os espectadores a adormecer, independentemente da idade; no fundo, uma versão adulta das músicas do Vitinho e dos Patinhos ou, se preferirmos, um precursor televisionado do estilo de vídeo hoje conhecido como ASMR, embora sem as conotações semi-sexuais do mesmo. A dar voz (e autoria) a estes textos estava a jornalista Clara Pinto Correia, que as relatava a um sempre atento Quim Leitão, sendo os dois as únicas figuras presentes no cenário, cuja meia-luz e adereços remetiam a um quarto de cama. Quando a história acabava, o mesmo sucedia com a própria emissão do CNL, que se 'despedia' diariamente ao som da canção titular do programa, como que a 'mandar' os espectadores para a cama, ao melhor estilo Vitinho.


Embora possa parecer que um programa deste tipo nunca conseguiria audiência, e rapidamente desapareceria da grelha televisiva, a verdade é que foram praticamente quatro dezenas os episódios emitidos pelo CNL nos oito meses que o programa se manteve no ar, cada um com uma história diferente, tendo as mesmas sido, mais tarde, reunidas num livro que levava o mesmo nome do programa, lançado pouco depois do fim do mesmo, no Verão de 2000; ainda um pouco mais tarde, 'Morfina' chegava também ao formato VHS, naquela que será uma das mais bizarras edições do mercado do vídeo e DVD em Portugal. Ainda assim, enquanto experiência declarada por parte de um canal 'recém-nascido' e ainda à procura da identidade, 'Morfina' foi uma ideia perfeitamente válida, ainda que talvez demasiado rebuscada para garantir audiência num Portugal ainda muito 'formatado' para programas de consumo fácil, que merece bem ser lembrada no mês em que se celebra um exacto quarto de século desde a sua estreia.

Wednesday, 18 September 2024

Terças de TV: 'Com A Verdade M'Enganas' (1994) - A Típica Sequela Pouco Memorável

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 17 de Setembro de 2024.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


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Já aqui anteriormente falámos do papel preponderante do humorista Herman José na televisão portuguesa de finais do século XX, tanto na sua vertente 'de origem' como na função por que foi mais conhecido durante a década de 90, a de apresentador de concursos vespertinos e, mais tarde, de 'talk shows'. De facto, a personalidade afável, bonacheirona e ligeiramente brejeira de Herman prestava-se maravilhosamente ao cargo de anfitrião deste tipo de programas, papel no qual várias gerações de espectadores nacionais o viram 'brilhar' , desde logo ao leme da mìtica adaptação portuguesa de 'Roda da Sorte'. Quando o referido programa atingiu a sua conclusão natural, no entanto, era necessário manter 'em alta' a 'estrelinha' de Herman, pelo que foi sem surpresas que os fãs do apresentador o viram regressar, alguns meses depois, com um novo formato, onde se fazia acompanhar dos seu 'cúmplices' - a 'voz' da 'Roda', Cândido Mota, e a icónica assistente, Ruth Rita.


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O 'trio maravilha' d''A Roda da Sorte' seguiria junto no novo formato.


Intitulado 'Com a Verdade M'Enganas', este novo concurso, estreado logo nos primeiros dias do ano de 1994, era, explicitamente, tematizado em torno de mentiras, equívocos e enganos, temas que inspiravam várias das provas a que os concorrentes se deviam submeter semanalmente, com destaque para aquela em que deveriam identificar a afirmação incorrecta sobre o parceiro, de entre as mencionadas pelo apresentador, e para aquelas em que deviam corrigir textos e letras de canções previamente lido, de forma correcta, por Cândido Mota. As restantes provas eram mais corriqueiras (ficando próximas do concurso que notabilizara Herman, com perguntas de cultura geral à mistura com leilões de letras) mas uma delas voltava a adicionar um toque de originalidade, consistindo basicamente de um 'jogo do sério', em que cada concorrente deveria fazer o outro rir. Tudo isto conduzia, claro está, ao 'puzzle' final, onde o desafio era decifrar uma palavra-chave, bem ao estilo da 'Roda'. A equipa vencedora levaria para casa uma soma em dinheiro que poderia ascender a 600 mil escudos, enquanto os perdedores não sairiam de 'mãos a abanar', tendo direito a uma 'bateria' de electrodomésticos - um prémio quase tão útil quanto o próprio dinheiro, e bastante mais prático!


Um formato, como se pode ver, bastante próximo do que celebrizara Herman enquanto animador de concursos, mas que, talvez por esse cariz pouco original, não almejou o mesmo sucesso, mantendo-se no ar durante um ano e meio, mas não suscitando hoje em dia o género de memórias associado ao seu antecessor. Ainda assim, no momento, 'Com a Verdade M'Enganas' foi uma maneira eficaz de manter Herman relevante e bem presente no quotidiano televisivo dos portugueses – algo que, como também já aqui documentámos, levaria mais tarde a certos desenvolvimentos importantes no panorama programático nacional, os quais não teriam sido possíveis sem este algo esquecido concurso, que merece assim um 'agradecimento' e pequena homenagem nas páginas deste nosso blog.



O último episódio do concurso, transmitido em Julho de 1995, exactos dezoito meses após a estreia do mesmo.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...