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Friday, 15 May 2026

Sextas Com Style: OMNI - A Marca Mais Irreverente Do Portugal 'Millennial'

 Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Os anos 90 são lembrados entre a geração que neles cresceu como a década em que a irreverência e a cultura jovem 'tomaram conta' da consciência popular, substituindo a abordagem 'sanitizada' da década anterior com uma dose de atitude 'radical', manifestada em áreas como a música, a programação televisiva, os videojogos, o 'design' gráfico e publicitário e, claro, a moda. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo os jovens da geração 'millennial' envergado orgulhosamente uma série de marcas mais ou menos 'radicais' - algumas delas, inclusivamente, de concepção cem por cento nacional, como é o caso da icónica etiqueta que recordamos nesta Sexta com Style.

É possível que muitos jovens da época não conhecessem o nome e logotipo da marca (ou que, em adultos, lhes falhe a já limitada memória) mas uma única menção dos 'slogans' impressos nas suas 't-shirts' e 'sweatshirts' ajudará, decerto, a desbloquear memórias de adolescente entretanto suprimidas: 'enquanto dás um peidinho, morre um golfinho', 'enquanto dás uma queca, morre uma alforreca', 'safas-te, ou é só beijinhos', 'só estou aqui porque não há ondas', são apenas alguns dos dichotes com que a OMNI se tornava a nova 'marca favorita' dos jovens dos anos 90 e inícios dos 2000.


Fundada ainda nos anos 80 por Eduardo Freitas, um surfista de Viana do Castelo, a OMNI (sigla para Objectos Modernos Não Identificados) era especialmente eficaz na tradução do verdadeiro vernáculo juvenil da época para um contexto comercial, sem com isso incorrer na habitual vertente 'embaraçosa' de qualquer marca que tente apelar ao seu público-alvo desta forma; pelo contrário, talvez pelo facto de o fundador ser, ele próprio, jovem e membro de uma sub-cultura 'radical', os 'slogans' semi-humorísticos da marca reflectiam a forma como a demografia em causa falava, tornando-os realistas e, como tal, apreciados como 'fixes' pelo público comprador.


Um dos mais memoráveis 'slogans' da marca.

Este facto, aliado ao logotipo de grafismo também ele ao estilo 'radical', ajudava a marca a estabelecer-se no mercado da moda jovem da época (tanto de 'surf' como mais generalista), não tardando a difundir-se entre os pátios de escola e universidade de Norte a Sul do País, criando um período de hegemonia de cerca de dez anos, que a tornou também nostálgica junto de quem tinha a idade apropriada durante os anos em causa. E apesar de esses anos já formarem parte de um passado distante – e de o próprio fundador ter tragicamente falecido em 2010 – a OMNI continua 'alojada' nos bancos de memória dessa mesma geração, pronta a ser recordada após um simples vislumbre de um dos slogans irreverentes e ligeiramente 'malcriados' que tantos, à época, mostraram orgulhosamente no peito ou nas costas das camisolas, ou em autocolantes no caderno ou 'dossier' da escola...


Friday, 23 September 2022

Sextas com Style: As Marcas 'Dreads', Mas Não Muito...

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


A sociedade adolescente da segunda metade dos anos 90 encontrava-se (mais ou menos) rigidamente dividida em 'tribos', identificadas e identificáveis, entre outros factores, pelas marcas de vestuário que favoreciam, entre as quais havia muito poucos 'cruzamentos'; existiam, sim, marcas universalmente populares, mas eram em número relativamente reduzido, dividindo-se o mercado nacional da época, em grande medida, entre marcas de 'betinhos', marcas de surf, marcas radicais, marcas alternativas, marcas 'dreads', muitas das quais ligadas ao movimento hip-hop, e, claro, as mais populares e omnipresentes de todas: as 'marcas' de contrafacção.


No entanto, e apesar de a maioria destas facções se manterem estritamente segmentadas, não deixava de haver uma pequena 'área cinzenta', povoada por marcas vestidas por quem não era um 'dread' legítimo, mas se queria ainda assim demarcar do epíteto de 'beto'. Com os seus 'designs' largueirões (como era apanágio da época) mas ainda assim lineares o suficiente para não 'assustar' os pais menos tolerantes, marcas como a Fubu, Counter Culture ou Fishbone tinham logrado expandir-se para lá do seu nicho inicial de fãs de 'hip-hop' e 'rap', e penetrar o mercado generalista, onde um público adolescente em processo de descoberta da identidade lhes dedicou uma calorosa recepção, não tardando a integrá-las no seu vestuário quotidiano, à laia de 'fashion statement'.


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Quem foi adolescente nos anos 90, teve, ou conheceu quem tivesse, uma sweatshirt praticamente igual a esta.


Claro que, como a maioria das outras peças de que aqui falamos, também este estilo de roupa acabou, inevitavelmente, por cair em desuso, após alguns anos de domínio de mercado; quem, no entanto, cresceu e foi adolescente nos anos da viragem do milénio certamente lembrará, com mais ou menos afecto, todas ou algumas destas marcas, quer por as mesmas terem adornado o seu corpo, quer o de colegas. E numa altura em que a tendência cíclica da moda começa a trazer as peças extra-largas de volta ao imaginário de estilo dos jovens (bem como muitas das marcas daquela época), não deixa de ser bem possível que se veja, em breve, um ressurgir destas marcas, que vão, ainda, sobrevivendo no seu nicho, à espera de outra 'hipótese' de penetrarem o mercado 'mainstream'...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...