Showing posts with label filmes de culto. Show all posts
Showing posts with label filmes de culto. Show all posts

Friday, 22 May 2026

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um Filme de 'Sonho'

 Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Apesar de não ter tanta expressão quanto o de outros países europeus, o cinema português de finais do século XX e inícios do seguinte não deixava, ainda assim, de produzir alguns bons filmes, quer a título individual, quer em co-produção com outras nações. É, precisamente, de um exemplo deste último paradigma – que completou recentemente vinte e cinco anos sobre a sua estreia nacional – que falaremos nesta Sessão de Sexta.

Produzido em parceria com a França e o Chile, e misturando diálogos em Português, Francês e Espanhol, 'Combate de Amor em Sonho' adopta uma narrativa não-linear que mistura nove histórias distintas, todas elas ambientadas em séculos passados e com uma atmosfera de fábula, povoada por personagens fantásticos, ficcionados ou até mitológicos, muitos deles representados pelo mesmo leque de actores – entre eles Rogério Samora, úncio 'representante' português no elenco. A ajudar a toda a atmosfera surgem as inimitáveis e características paisagens da zona de Sintra, onde o filme foi rodado, as quais se adequam perfeitamente às narrativas veiculadas pelo realizador Raúl Ruiz.

Apesar desta forte ligação a Portugal, no entanto (a qual se estende ao financiamento por parte da Madragoa Filmes e da RTP) 'Combate de Amor em Sonho' viria a ser apresentado pela primeira vez no estrangeiro, tendo ganho o prémio de imprensa no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, em 2000, e estreado em França ainda nesse mesmo ano, só depois chegando às salas de cinema lusitanas (a 18 de Maio de 2001). E apesar de nunca ter tido estatuto de 'blockbuster' (trata-se de um filme orgulhosamente independente, daqueles que acaba por apenas passar em certos cinemas menos comerciais) e de se encontrar algo esquecido um quarto de século após a sua estreia, o filme não deixa, ainda assim, de ser um digno representante do cinema independente internacional, em cuja participação a indústria cinematográfica portuguesa tem todo o direito de se orgulhar.

Saturday, 21 March 2026

Sessão de Sexta: Trinta Anos de Crimes Não Tão Pequenos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Março de 2026.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Os 'primórdios' de carreira de grandes realizadores (e actores) são, quase sempre, fascinantes – uma mistura de filmes de baixo orçamento mas alta criatividade, projectos 'por encomenda' e filmes que, embora bem-sucedidos, ficam longe do que os seus autores viriam a mostrar no futuro. Há, claro, excepções a esta regra, em que os primeiros filmes de um cineasta o mostram já na 'plenitude' dos seus 'poderes' – ou, pelo menos, perto quanto baste. Nos anos 90, os nomes a inserirem-se nesta categoria incluíram Guy Ritchie – cujo primeiro filme é também o seu mais famoso – Tim Burton, e o nome sobre quem nos debruçamos nesta Sessão de Sexta, Danny Boyle.


Pequenos-Crimes-entre-Amigos.jpg


Hoje reconhecido, sobretudo, por filmes históricos como 'Trainspotting', 'A Praia' ou 'Slumdog Millionaire', o realizador em causa começaria, no entanto, por chamar a atenção logo com o seu primeiro filme, que chegava às salas de cinema portuguesas há quase exactos trinta anos (a 15 de Março de 1996) com o pouco intuitivo título de 'Pequenos Crimes Entre Amigos' – bem menos memorável do que o original 'Shallow Grave'. E apesar de, hoje, algo esquecido (excepto entre os fãs do realizador, que lhe outorgam estatuto de culto) o filme mostra já muitos dos elementos que tornariam Boyle conhecido, além de marcar o início da relação do cineasta com Ewan McGregor, que renderia, anos mais tarde, dois dos mais reconhecidos filmes da carreira de Boyle.


Em registo de comédia negra, o filme (que demoraria dois anos a atravessar o Atlântico da sua Escócia natal, onde estreava em Maio de 1994) segue as desventuras de um grupo de colegas de casa que, após descobrirem o novo inquilino do apartamento morto no seu quarto, lhe roubarem o dinheiro e drogas, o desmembrarem e o enterrarem; uma premissa bem típica das 'crimédias' britânicas (Guy Ritchie ou Edgar Wright poderiam ter assinado esta premissa, embora com mais criminosos à mistura) e que permite a Boyle exercitar muitas das técnicas e truques narrativos que o tornariam conhecido e favorito de um determinado público cinéfilo ao longo das décadas seguintes, bem secundado por um elenco que, além de McGregor, inclui também o futuro 'Dr Who' e Loki dos 'Vingadores', Christopher Eccleston, bem como outros excelentes actores de reputação mais local.


Embora longe de ser um filme para crianças, portanto, 'Pequenos Crimes Entre Amigos' terá 'caído no gosto' de quem era um pouco mais velho (a franja 'final' da Geração X), e despertado, mais tarde, a curiosidade dos 'millennials' que conheciam o realizador através de 'Trainspotting', 'A Praia', '28 Dias Depois' ou 'Slumdog Millionaire', os seus filmes de maior sucesso. Quanto a esta auspiciosa estreia, constituiu uma boa escolha para uma Sessão de Sexta 'de aniversário' (ainda que já cerca de uma semana atrasada) ou simplesmente para quem deseje conhecer os primeiros passos de um dos melhores e mais conceituados realizadores ainda em actividade.

Saturday, 21 June 2025

Sessão de Sexta: 'Léon - O Profissional' - Um 'Thriller' 'À Grande e À Francesa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 20 de Junho de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O início dos anos 90 viram ter lugar uma mudança de paradigma no tocante ao produto cinematográfico de Hollywood, em mais do que uma vertente. Para além das mudanças na apresentação e estética dos filmes considerados 'blockbusters', assistiu-se também a um influxo de realizadores estrangeiros – nomeadamente asiáticos e europeus – que trouxeram consigo as influências do cinema dos seus respectivos países e regiões, incorporando nos seus filmes elementos estilísticos e temáticos a que os espectadores norte-americanos não estavam necessariamente habituados, e estabelecendo assim uma reputação como criadores de 'cinema de autor' que, ao mesmo tempo, conseguia ser bem aceite pelas massas. E se John Woo e seus comparsas se centravam sobretudo no estilo, com recurso à câmara lenta e inclusão de simbologia visual, o contingente europeu preferia destacar-se pela inclusão de temáticas humanistas e filosóficas naquilo que, regra geral, seria apenas 'mais um' filme de acção ou suspense. Um dos melhores exemplos desta abordagem estreou nas salas de cinema nacionais há pouco mais de trinta anos (a 28 de Abril de 1995) e granjeou imediatamente o estatuto de obra de culto para amantes de 'thrillers' mais cerebrais e menos imediatistas.


cinegarimpo.com.br-o-profissional-leon-captura-de-


Falamos de 'Léon – O Profissional', o 'thriller' responsável por lançar em Hollywood não só os seus dois actores principais – o francês Jean Reno e uma jovem Natalie Portman, para quem este era o primeiro papel cinematográfico – como também o seu realizador, Luc Besson, que rapidamente ficaria conhecido como um dos melhores 'balanceadores' de estilo e conteúdo do período em causa. E a verdade é que essas qualidades ficam bem vincadas neste filme, que, apesar de longe dos excessos visuais de 'O Quinto Elemento' e outros filmes do realizador, tem um estilo visual próprio, que complementa uma trama centrada, não em tiros e cenas de acção, mas no relacionamento do titular assassino a soldo com a menina que resgata após a morte dos pais – um elemento que Reno e, sobretudo, Portman (em extraordinária actuação para uma criança de apenas 13 anos e sem qualquer experiência no ramo) conseguem transmitir de forma exímia, dando ao filme um 'centro' emocional que muitas outras obras do estilo nunca chegam a almejar.


Não admira, pois, que 'Léon – O Profissional' seja ainda hoje alvo de elogios por parte da crítica especializada, e conste das listas de favoritos de muitos cinéfilos (nacionais e não só) com preferência por filmes com alguma 'substância' a ancorar os momentos de emoção e acção. Mais – nas três décadas subsequentes, o filme quase não 'envelheceu', quer do ponto de vista visual quer a nível do enredo e temáticas, continuando a constituir uma excelente base para uma Sessão de Sexta, e a justificar algumas breves linhas a seu respeito neste nosso 'blog' nostálgico.


Friday, 12 January 2024

Sessão de Sexta: O Cinema 'Alternativo'

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Uma das primeiras Saídas de Sábado deste nosso blog foi ao cinema, para recordar a experiência de ir, com os pais ou amigos, ver um filme 'da moda' numa sala de bairro, ou num dos muitos 'multiplexes' que iam surgindo por esse País fora, como parte integrante dos 'shopping centers' que se vinham, também eles, espalhando pelo território continental. No entanto, havia ainda uma terceira categoria de cinema – e segundo tipo de filme – não contemplados por esse primeiro artigo; é, precisamente, essa mesma categoria que iremos abordar nesta Sessão de Sexta, a qual terá um cariz algo mais intelectual do que de costume. Isto porque, esta Sexta, recordaremos as mostras e ciclos de cinema independente, prática corrente dos anos 90 e 2000 que, como tantas outras abordadas nestas páginas, tem vindo progressivamente a perder fôlego ao longo dos últimos quinze anos, mas que fez as delícias de duas gerações de jovens cinéfilos portugueses, apresentando-lhes filmes aos quais, de outra forma, não teriam necessariamente acesso na era pré-serviços de 'streaming'.


images.png


A Medeia Filmes foi uma das principais distribuidoras de cinema independente e de autor em Portugal.


De facto, numa época em que eram poucos e selectos os lançamentos em VHS (e mesmo, mais tarde, em DVD) estes ciclos temáticos ou exibições num número limitado de salas mais pequenas eram a única forma de contacto com um certo tipo de cinema mais 'de autor', mais condicente com um clima mais sério e introspectivo do que com as pipocas e música-ambiente das salas de 'shopping'. Certos cinemas mais históricos ou menos centrais das grandes capitais (e não só) faziam mesmo da exibição deste tipo de filme o seu principal factor distintivo, destacando-se orgulhosamente das salas mais 'comerciais' e apelando abertamente a um público mais cinéfilo, como era o caso, entre outros, dos cinemas King ou Star, ambos na zona de Roma/Alvalade, em Lisboa. E embora o advento do Novo Milénio, a chegada do DVD e a considerável expansão no volume e cariz dos lançamentos disponíveis em edição nacional tenham, inevitavelmente, causado uma mudança no teor deste tipo de iniciativa, a mesma gozou, ainda, de mais uma década de enorme visibilidade, com as salas e cinematecas a aproveitarem as potencialidades do novo formato, muitas vezes exibindo o filme directamente a partir do mesmo.


Ainda assim, estes espaços mais pequenos viram-se incapazes de travar o progressivo avanço dos mega-cinemas comerciais, e a organização de ciclos e mostras de cinema passou, progressivamente, para o domínio das associações privadas, universidades, e outros espaços semelhantes, onde se mantém até aos dias de hoje, tendo a maioria das salas conhecidas por mostrarem filmes 'alternativos' soçobrado ao inevitável domínio dos filmes da Disney, Marvel, Star Wars e outros 'blockbusters' semelhantes. Os cinéfilos da Geração Z vêem-se, assim, obrigados a recorrer à Internet (ou às colecções de filmes dos pais) para conhecerem alguns dos mesmos clássicos que os seus antecessores tiveram o privilégio de ver em ecrã gigante, numa qualquer sala ao fundo de umas escadas ou na divisão do fundo de um centro comercial de bairro, vinte ou trinta anos antes...

Friday, 20 October 2023

Sessão de Sexta: 'Halloween H20: O Regresso', ou, Como Salvar Uma Franquia de Terror

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Embora, em Portugal, seja tradição 'importada' – e recente – o Halloween tem, para países como os Estados Unidos, um significado especial, traduzido na iconografia própria (e, para muitos jovens americanos, altamente nostálgica), em rituais como o 'Doces ou Travessuras' (o famoso 'trick or treat') e a criação de disfarces ligados ao terror e, claro, na escolha de filmes próprios para a época, os quais se tendem a dividir em duas grandes categorias: as comédias familiares como 'Hocus Pocus' e 'A Família Addams' (muitas delas passadas, precisamente, na também chamada Noite das Bruxas) e os filmes de terror, de entre os quais se destaca a franquia que leva o mesmo nome da própria celebração, e que, em finais dos anos 70, revelou ao Mundo uma jovem chamada Jamie Lee Curtis.


Tal como sucedeu a todas as outras franquias de terror da mesma época, no entanto, os anos seguintes viram o seu vilão (o verdadeiramente sinistro Michael Myers, que perde apenas para o Leatherface de 'O Massacre da Serra Eléctrica' como assassino mais assustador do cinema de terror) ser muito 'mal tratado', numa série de sequelas de qualidade decrescente que contribuíram para retirar a Michael uma parte significativa da sua mística. Ainda assim, e ao contrário do que aconteceu com os contemporâneos Jason Voorhees e Freddie Krueger, viria a ser lançada a Michael uma 'corda de salvação', sob a forma de um novo capítulo, comemorativo dos vinte anos dos seus primeiros ataques, e com execução bastante mais cuidada em relação aos filmes anteriores da franquia.


download (1).jpg


O DVD nacional do filme


Chamava-se 'Halloween H20: O Regresso', estreou nos cinemas norte-americanos há quase exactos vinte e cinco anos (mesmo a tempo do Halloween) e, apesar de apenas ter chegado ao nosso País em Março (!!!) do ano seguinte, constitui a Sessão de Sexta perfeita para a altura do ano que se aproxima - como, aliás, já demos a entender quando o incluímos, juntamente com alguns dos filmes acima referidos, na nossa Sessão de Sexta Especial de Halloween, há quase exactos dois anos; aproveitamos, agora, nova aproximação da referida data para lhe dedicarmos algumas linhas mais alargadas e específicas, por alturas de um 'aniversário' marcante para qualquer obra mediática.


Como o próprio título dá a entender, 'H20' (não confundir com H2O) tem lugar vinte anos após o original, ou seja, no ano de 1998. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), irmã do assassino mascarado e única vítima a ter sobrevivido a repetidos ataques por parte do mesmo, descobre que não consegue escapar ao seu passado quando o irmão a descobre na pequena cidade californiana onde reside sob um nome falso, e prontamente enceta nova tentativa de acabar com a sua vida de uma vez por todas. Na 'linha de mira' do assassino estão também o filho adolescente de Strode, John (interpretado pelo jovem galã da altura, Josh Hartnett) que organiza com os amigos uma festa de Halloween particular longe dos adultos e de outros jovens, tornando-se assim alvos fáceis para Myers, e Will Brennan, companheiro de Laurie que, juntamente com a mesma e com um segurança da escola, tenta proteger os jovens do tresloucado assassino, para quem os mesmos seriam, de outra forma, alvos fáceis.


Uma receita sem muito de inovador, e que recorre mesmo a alguns (senão a todos) os clichés dos chamados 'slasher movies', mas cujo segredo reside em saber precisamente o que o público de filmes como 'Sei O Que Fizeste No Verão Passado' espera e pretende de uma obra deste tipo, e oferecer, precisamente, isso, sem o tipo de tentativas de inovação ou experimentação que haviam morto, aos poucos, as franquias concorrentes 'Pesadelo em Elm Street' e 'Sexta-Feira 13'. Ao contrário de muitos dos filmes de ambas, 'Halloween H20: O Regresso' é, só e apenas, o que apregoa ser: uma revisão e actualização do conceito do original de John Carpenter, já longe da qualidade do mesmo, mas ainda assim criado com assumido respeito e apreço pelas bases por ele estabelecidas. Assim, e embora não suplante (e ainda menos substitua) o mesmo, este primeiro reviver de uma franquia ainda hoje vive merece bem o investimento de menos de hora e meia por parte dos entusiastas do terror 'pop', seja como parte de uma 'maratona' mais alargada de todos os títulos da série, seja por si mesmo, como 'refeição rápida' para saciar a vontade de apanhar uns 'sustos' frente ao ecrã na noite de Sexta-feira de Halloween.


Saturday, 26 August 2023

Sessão de Sexta: 'Cães Danados' (1993) - O Despertar de Tarantino

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-Feira, 25 de Agosto de 2023.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Hoje em dia, o nome de Quentin Tarantino é sinónimo de um certo e determinado tipo de cinema, pleno de referências à cultura 'pop', diálogos inteligentes e cheios de palavras incomuns, humor negro e, muitas vezes, doses cavalares de 'molho de tomate'. Mas se, hoje em dia, o cinema do realizador (com todos os elementos supracitados) faz parte das referências de qualquer cinéfilo, em Maio de 1993, o mesmo era um ilustre desconhecido - pelo menos para os jovens lusitanos, que se preparavam (sem o saber) para tomar contacto com a sua primeira obra-prima.


images.jpg


Terceiro filme do realizador (embora seja o primeiro de maior expressão, e considerado por muitos como a sua verdadeira estreia), 'Cães Danados' ('Reservoir Dogs', no original) traz já todos os elementos supracitados, bem como outros típicos de Tarantino (como a 'ponta' do próprio realizador numa das cenas), tendo sido responsável por os implementar e apresentar ao grande público. E se, em trabalhos subsequentes, QT se desdobraria em arroubos de história, aqui, o argumento não pode ser mais simples: todo o filme se passa num único local, um armazém abandonado, e se centra num único grupo de seis homens, ali refugiados após um assalto mal-sucedido. Sem saberem nada uns sobre os outros, além dos nomes de código referentes a cores, os mesmos acabam, ainda assim, por desenvolver relações interpessoais de cariz tragicómico, num resultado final que fica entre a comédia negra e a vertente mais sarcástica dos filmes de crime (ao estilo Guy Ritchie).


Alicerçado nas excelentes exibições de Harvey Keitel, Steve Buscemi, Tim Roth e Michael Madsen, 'Cães Danados' não tardou a ganhar renome como um dos filmes mais sangrentos até então filmados, e também como uma descontrução dos filmes de crimes, semelhante à sua inspiração directa, 'The Killing', de Stanley Kubrick. O seu sucesso contribuiu também, em larga medida, para estabelecer o nome de Tarantino como jovem realizador a ter em conta, um estatuto que seria cimentado pelo seu trabalho seguinte, o lendário 'Pulp Fiction', lançado em 1994. 'Cães Danados' é, no entanto, muito mais do que apenas um 'ensaio geral' para esse filme, e continua a merecer os elogios de que é alvo, mesmo após completadas três décadas sobre a sua chegada a Portugal.


Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...