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Sunday, 26 April 2026

Saídas ao Sábado: Vinte e Sete Anos de Um Desfile Marcante

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 25 de Abril de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

A marca de vinte e cinco anos é sempre uma das mais especiais, e tal paradigma aplica-se em dobro no caso do aniversário de um evento marcante ou influente. Não é, pois, de admirar que o Governo português tenha querido assinalar o quarto de século sobre a data mais importante da História moderna do País com pompa e circunstância, no caso mediante um desfile militar de uma dimensão nunca antes vista em solo lusitano.

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Levado a cabo no Parque das Nações (espaço então 'novinho em folha', após a conclusão da Expo '98 meros meses antes) a 25 de Abril de 1999, o desfile contou com a presença de todos os principais ramos militares portugueses (além do então Primeiro-Ministro, António Guterres) que, em conjunto e durante pouco mais de uma hora, criaram uma parada maior e mais impressionante do que qualquer evento do género organizado durante o regime do Estado Novo, vincando assim o estatuto livre e democrático do País, e realçando a importância da data em causa, que tornou possível tal paradigma.

Dada a dimensão do evento, tão-pouco é de surpreender que o mesmo tenha tido honras de transmissão em directo na RTP, onde a ensurdecedora algazarra dos espectadores presentes abafava totalmente os comentários dos jornalistas enviados ao certame, provando que o 25 de Abril continuava, um quarto de século depois, ainda bem presente na consciência colectiva nacional. E apesar de, desde então, se terem realizado inúmeros desfiles comemorativos da data, a verdade é que o de 1999 continua a ser o mais recordado - seja pela dimensão, pelo espaço onde se realizou ou pela transmissão na televisão – merecendo bem esta 'chamada' quando se celebram exactos vinte e sete anos sobre a sua realização.

Saturday, 25 April 2026

Sessão de Sexta: Uma Recriação Tão 'Livre' Quanto Exacta

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 23 de Abril de 2026.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Num dos primeiros 'posts' alusivos ao 25 de Abril neste blog, falámos do filme português de 2000 que, num misto de ficção e realidade, traduz para o formato cinematográfico os eventos e personagens do Dia da Liberdade. A longa-metragem em causa, que triunfaria nos Globos de Ouro desse ano, não é, no entanto, a única tentativa de ficcionalizar o que se passou naquele dia de finais de Abril de 1974 – pelo contrário, já no ano anterior, a própria SIC cumprira com relativa distinção esse desiderato, através de um telefilme exibido uma única vez (primeiro em blocos separados e posteriormente em formato compacto) há quase exactos vinte e sete anos, entre 25 e 26 de Abril de 1999.

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Da autoria de Emídio Rangel (grande figura da emissora de Carnaxide à época), Rodrigo Castro e Sousa e da realizadora Joana Pontes, e criado no âmbito das celebrações do quarto de século sobre o histórico dia, 'A Hora da Liberdade' era fruto de um ano de trabalho e dois meses de rodagem, e contava com um elenco que reunía a 'nata' dos actores televisivos do período em causa (com destaque para Cristina Carvalhal, José Jorge Duarte, Luís Esparteiro e Vítor Norte), cada um escolhido pela sua semelhança fisica com o personagem representado, e contava ainda com uma participação especial de Otelo Saraiva de Carvalho no papel dele próprio. Cuidadosamente fundamentado com recurso a entrevistas (as quais viriam posteriormente a ser editadas em livro), e imagens de arquivo e realizado com a colaboração das Forças Armadas, o filme (dividido em vinhetas transmitidas em 'tempo real', ou seja, à mesma hora a que cada um dos acontecimentos retratados se havia desenrolado em 1974) fazia por merecer o respeito que lhe foi outorgado, tendo sido alvo de críticas positivas, e incluído numa lista dos melhores filmes sobre o 25 de Abril compilada pela revista Time Out. E apesar de, desde então, algo esquecido, a presença (desde 2020) na plataforma de emissão digital da SIC assegura que a película em causa permaneça disponível e relevante até aos dias de hoje.

A proximidade deste docu-drama com o supramencionado 'Capitães de Abril' não passou, no entanto, despercebida, tendo a estação de Carnaxide sido obrigada a emitir um comunicado após Maria de Medeiros, realizadora e actriz do filme de 2000, ter afirmado à TV Guia sentir-se 'plagiada', dado que, aquando da emissão de 'A Hora da Liberdade', o seu filme se encontrava já em rodagem. Tais 'arrufos' rapidamente foram ultrapassados, no entanto, e, hoje em dia, os entusiastas da data em causa podem escolher entre duas excelentes dramatizações dos eventos do dia, ou até juntá-las numa Sessão de Sexta (ou antes, Sábado) dupla, para uma tarde de dia 25 bem passada frente à televisão.

Friday, 24 April 2026

Qjuintas no Quiosque: Os Dossiers de Imprensa Sobre o 25 de Abril

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 23 de Abril de 2026.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


No nosso último 'post', mencionámos a importância do 25 de Abril de 1974 para a História portuguesa moderna, e o esforço que, nos últimos anos do Segundo Milénio, se ia ainda fazendo para manter viva a memória de uma Revolução então ainda relativamente próxima, embora tal fosse difícil de perceber para uma geração que crescera já num País democrático, e que não conseguia assimilar o quanto o mesmo havia evoluído e mudado em apenas vinte anos. Não é, pois, de admirar que a data tivesse destaque considerável, também, na imprensa escrita, com vários dos principais jornais portugueses a dedicarem 'dossiers' especiais ao emblemático dia.


Um dos periódicos com que se podia contar neste aspecto era o Expresso, o qual – embora com periodicidade esporádica – não deixava de assinalar esta data, normalmente com um conjunto de artigos de opinião ou de âmbito mais literário, embora houvesse também espaço a uma ou outra notícia sobre as festividades daquele ano, por meio a informar quem estivesse interessado em as presenciar ao vivo. Na sua larga maioria, no entanto, estes 'dossiers' eram feitos de crónicas pessoais, quer a cargo de nomes directamente ligados à Revolução dos Cravos, quer apenas de figuras de monta da cena cultural ou política nacional, oferecendo ao público mais 'erudito' e intelectual do jornal material à altura das suas expectativas.


Outro 'dossier' de vulto no âmbito da imprensa nacional da época foi o lançado pelo Diário de Notícias há exactos vinte e cinco anos, e que reunia, num gigantesco arquivo ainda hoje disponível online, artigos desde os meses anteriores ao mesmo até ao então presente ano de 2001, oferecendo uma visão panorâmica dos acontecimentos imediatamente anteriores e posteriores à data, bem como das repercussões e impacto da mesma na opinião pública portuguesa em geral. Um acervo de consulta obrigatória para quem tem interesse neste marco da História de Portugal, e que continua a constituir a derradeira fonte para artigos noticiosos relativos ao mesmo.


Apesar de não terem, certamente, sido estes os dois únicos 'dossiers' sobre Abril na imprensa portuguesa da década de 90, são eles que ainda hoje perduram, permitindo aos leitores mais novos (e àqueles que não tinham idade suficiente à época de publicação para se lembrarem) ter uma ideia de como se desenrolava a cobertura mediática sobre a data, e o âmbito da mesma dentro do sector da imprensa escrita em Portugal, merecendo por isso mesmo uma menção em vésperas de mais uma comemoração do dia em que o povo português soube, mais uma vez, o que significava ser livre.

Thursday, 23 April 2026

Quartas de Quase Tudo: O 25 de Abril na Literatura Infantil Noventista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 22 de Abril de 2026.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Dado o estatuto do 25 de Abril como uma das datas mais importantes de toda a História de Portugal – e certamente a mais importante da era moderna – não é de admirar que, meio século após o famoso dia da Revolução dos Cravos, a mesma continue a ser transmitida de geração em geração, quer através de meios oficiais (como os currículos escolares) quer de forma mais informal, através da tradição oral ou sob uma roupagem lúdica; e tendo em conta a então relativa proximidade do golpe militar em causa, e da mudança radical que representara para o País, tão-pouco é de admirar que a urgência em não esquecer tal evento fosse, à época, ainda maior do que nos dias de hoje. De facto, as celebrações dos vinte e vinte e cinco anos da data foram pretexto para uma redobrada produção cultural alusiva à mesma, com a década em causa a ver surgir, entre outros elementos, filmes, bandas desenhadas e diversos livros infantis sobre o tema. É dos mais famosos exemplos desta última categoria que trata o presente 'post'.


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Efectivamente, foram vários os autores 'de nomeada' a aproveitar a 'deixa' para escrever textos relativos ao 25 de Abril, a maioria deles centrados no elemento de memória colectiva de que a data ainda hoje se rodeia. É o caso de 'Vinte e Cinco a Sete Vozes', da icónica Alice Vieira, que propõe precisamente isso – uma visão romanceada dos eventos daquele dia, através da voz (fictícia) de sete personagens, que, em discurso directo, relatam a uma estudante universitária as suas experiências na data em causa, com todos os recursos estilísticos por que o estilo da autora se tornou conhecido. Só por isso, este livro já valeria bem a pena para fãs de Alice Vieira; a importância e relevância do tema (a obra foi lançada aquando dos festejos do quarto de século da data) tornam-no obrigatório para quem queira saber mais sobre o dia mais importante para o Portugal moderno, mas de forma leve, agradável e apelativa.


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Estes mesmos adjectivos podem, aliás, aplicar-se também a 'O 25 de Abril Contado Às Crianças...E Aos Outros', lançado praticamente ao mesmo tempo, e da autoria de outro nome marcante para as crianças e jovens da época – José Jorge Letria, músico e escritor que, nesta obra ilustrada em estilo 'naif', emprega um registo conversacional, quase como uma carta, para falar de forma simples mas poética sobre a Revolução dos Cravos. O resultado é um livro com mérito artístico mas, ao mesmo tempo, muito simples e nada aborrecido, que logra apelar ao gosto da sua demografia-alvo, tendo, sem surpresas, entrado no Plano Nacional de Leitura para os dois primeiros ciclos do Ensino Básico (como, aliás, sucede com os três livros aqui mencionados).


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Também simples e directo sem deixar de ser poético (e curto o suficiente para não dissuadir o seu público-alvo) é 'O Tesouro', de Manuel António Pina. Muito mais declaradamente 'infantil' que qualquer dos outros livros mencionados nesta rubrica, trata-se de uma alegoria que, sem nunca mencionar situações específicas (pelo menos até ao último parágrafo), fala sobre o 'País das Pessoas Tristes', no qual se procura o titular 'Tesouro' – a liberdade – permitindo assim às crianças aprender sobre a data em causa mediante o uso da imaginação e da fantasia. As ilustrações semi-abstractas, em jeito de quadro, compõem um 'ramalhete' mais que apelativo, mesmo trinta e dois anos após a edição desta obra destinada a assinalar os vinte anos da Revolução.


É, pois, evidente que a última década do século XX viu serem lançados muitos e bons livros sobre o 25 de Abril destinados ao público mais jovem, e dos quais os três títulos aqui referidos são apenas uma amostra, embora significativa e duradoura, do nível literário que essa data inspirou entre os autores portugueses – um paradigma que, aliás, se continua a manter quase três décadas depois.

Saturday, 4 May 2024

Saídas ao Sábado: Os 20 Anos do 25 de Abril

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


De entre as datas assinaláveis da História de Portugal, apenas uma mão-cheia rivaliza, em importância, com o 25 de Abril de 1974, o dia em que uma revolução militar inteiramente pacífica põs fim a quarenta anos de ditadura fascista e restaurou a independência no seio da República Portuguesa; neste ano de 2024, tal data revestiu-se de ainda maior significado, por se terem assinalado exactas cinco décadas sobre o memorável dia, as quais foram celebradas a preceito com uma das maiores concentrações e manifestações verificadas desde então em Portugal. Quem faz parte das gerações 'X' ou 'millennial', no entanto, terá, nessa Terça-feira, recordado um outro marco relativo à Revolução dos Cravos, verificada durante a sua infância, e devidamente assinalada pela maioria das instituições nacionais: a comemoração dos vinte anos.


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Cartaz das comemorações realizadas pela Câmara Municipal de Almada.


Memoravelmente denominada '25 de Abril – 20 Anos', a campanha de organização de eventos para assinalar tal efeméride teve lugar um pouco por todo o País – embora, naturalmente, com particular incidência nas zonas metropolitanas, sobretudo a de Lisboa, local onde se desenrolou a revolução – e traduziu-se numa série de espectáculos, exposições e até eventos desportivos, que terão, sem dúvida, proporcionado Saídas de Sábado memoráveis para quem era, então, criança ou adolescente. Os corolários foram, sem dúvida, a exposição com lugar na Biblioteca-Museu República e Resistência e o espectáculo organizado pela RTP e pela Associação 25 de Abril na antiga Feira Internacional de Lisboa (FIL), transmitido em directo pela emissora estatal e que contou com apresentação de Ana Zanatti e Paulo de Carvalho; no entanto, de Norte a Sul do território, verificaram-se toda uma série de outras actividades de tanto ou maior interesse para a demografia infanto-juvenil, como o sarau de ginástica organizado pela Câmara Municipal de Almada, em que o autor deste 'blog', então a caminho dos nove anos, participou durante um inesquecível fim-de-semana daquele Abril de 1994, e que viria a ser o primeiro de uma série de eventos anuais que perduram até aos dias de hoje.


Qualquer que tenha sido o evento em que um jovem daquela altura tenha participado, no entanto, é de acreditar que o mesmo tenha ficado retido na sua lembrança como a ocasião inesquecível e irrepetível que foi, e que o tenha motivado a procurar criar memórias semelhantes aos seus filhos por ocasião da comemoração dos cinquenta anos de uma data que não deve jamais ser esquecida, ou mesmo ignorada, pelas gerações vindouras.

Wednesday, 26 October 2022

Quartas aos Quadradinhos: A Obra de Miguel Rocha

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Apesar de nunca ter lançado um artista de projecção verdadeiramente internacional, à semelhança do que fazem Estados Unidos, França, Bélgica, Brasil ou Japão, Portugal possui uma rica e já longeva ligação à BD, a qual remete às caricaturas e 'cartoons' de artistas como Bordalo Pinheiro, ainda no século XX. E a verdade é que, apesar da falta do referido nome reconhecido internacionalmente, a 'cena' portuguesa não deixou (e deixa) de ter os seus nomes de relevo, que vão de veteranos como os falecidos José Garcês ou Fernando Relvas a nomes mais contemporâneos como Luís Louro, José Carlos Fernandes, Luís Pinto-Coelho, António Jorge Gonçalves ou o nome de que falamos esta semana, Miguel Rocha.


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Nascido em Lisboa em 1968, crescido em Alhandra e formado na Escola António Arroio – principal escola técnica de artes plásticas da Grande Lisboa, e uma das principais do País – Miguel João Pinheiro Soares Rocha insere-se na nova geração de autores de BD lusitanos, tendo desenvolvido a grande maioria da sua obra do lado 'de cá' do Terceiro Milénio; não obstante, a sua carreira remonta a finais da década de 90, tendo a sua estreia oficial como artista de banda desenhada sido feita através de uma folha mensal integrada na revista Pais & Filhos – um dos muitos veículos pouco ortodoxos que os artistas da 'nova escola' portuguesa utilizaram como 'rampa de lançamento' para os seus trabalhos. Antes, Rocha havia feito o habitual 'périplo' pela área da publicidade e artes gráficas, e colaborado, na qualidade de paginador, com a revista Selecções BD, o compêndio mensal de clássicos do género editado pela Meribérica-Liber.


O talento, esse, era já óbvio, mesmo nessa fase mais embrionária, e não tardaria até Rocha ver o mesmo ser reconhecido com galardões, nomeadamente o Prémio Especial Revelação no prestigiado Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, no caso com o seu segundo álbum, 'As Pombinhas do Sr. Leitão', sucessor de 'O Enigma Diabólico', lançado no ano anterior. Pelo meio ficavam colaborações com o prestigiado jornal 'Público', e a oportunidade de ilustrar, com uma pequena história, o catálogo de uma exposição dedicada ao 25 de Abril – a primeira de muitas obras institucionais que o autor viria a criar. Ainda em 1999, saem outros dois trabalhos, o álbum 'O Polvo' e a história 'Borda D'Água', inserida na revista LX Comics, e que voltaria a ser publicada no ano seguinte – agora em versão a cores - na revista 'Pública', um dos suplementos do jornal acima referido.


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A segunda obra do autor valeu-lhe o primeiro do que viriam a ser sete galardões no prestigiado Festival Internacional de BD da Amadora.


O ano 2000 vê, aliás, a carreira de Miguel Rocha seguir de vento em popa, com o lisboeta a arrecadar mais dois prémios no Festival de BD da Amadora, incluindo o de Melhor Álbum Português para 'Eduarda', adaptação da obra literária do mesmo nome da autoria de Georges Bataille, e desenvolvida em parceria com o argumentista Francisco Oliveira; o outro prémio, o de Melhor Desenhador, vai para 'Março', o outro álbum grande formato lançado nesse ano. Além destas duas obras, Rocha volta ainda a colaborar com o 'Público', agora com uma ilustração para a série dos 'Sete Pecados', e cria um álbum de pequeno formato, 'Transcomix – Lisboa ao Quadrado', para distribuição gratuita no âmbito do Dia Europeu Sem Carros. No ano seguinte, o desenhador é alvo de uma retrospectiva no âmbito do FIBDA, prova cabal do estatuto que lograra obter em apenas quatro curtos anos de carreira.


Os anos seguintes desenvolvem-se na mesma toada, entre álbuns de originais e participações institucionais, destacando-se, destas últimas, a adaptação de um conto de Miguel Torga para inserção num álbum alusivo ao Dia Mundial do Livro 2002, e a criação do cartaz oficial do Euro 2004, talvez o projecto de maior visibilidade de toda a sua carreira. O auge do seu reconhecimento na comunidade bedéfila chega, no entanto, apenas dois anos depois, quando o seu trabalho sobre Salazar, em parceria com João Paulo Cotrim, arrecada nada menos do que quatro prémios no Festival da Amadora, ganhando Melhor Álbum, Melhor Argumento e Melhor Desenho, além do Prémio Juventude. E apesar de o artista não lançar qualquer trabalho de originais há mais de uma década a esta parte (os últimos dois são de 2010) o contributo que deu à BD portuguesa ao longo dos doze anos anteriores foi mais que suficiente para lhe outorgar o estatuto de nome 'grande' da nova geração de artistas nacionais de banda desenhada, restando, apenas esperar para ver o que o futuro reserva para a sua carreira.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...