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Saturday, 11 July 2026

Saídas de Sábado: Trinta Anos de 'Bons Dias'

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui, em tempos, falámos do aparecimento dos primeiros hipermercados em Portugal, os quais vieram revolucionar por completo a forma de fazer compras no País, influenciando directamente as abordagens estratégicas, preçários e até horários das lojas mais tradicionais, subitamente ameaçadas por estes novos competidores. E, há cerca de trinta anos (em 1996) essa situação apenas se agravou ainda mais, quando um dos 'gigantes' das grandes superfícies, o Grupo Sonae, decidiu criar uma solução de comércio de proximidade, para rivalizar com cadeias de supermercados locais estabelecidas, nomeadamente o Pingo Doce, o Minipreço e o espanhol Dia. Nascia assim o Modelo Bonjour, que se valia da denominação já existente desde os anos 80 como forma de diferenciar as suas lojas do 'primo' de maiores dimensões – uma distinção que se manteria em vigor durante os primeiros quinze anos de vida da cadeia, tantos quantos leva a actual designação de Continente Bom Dia.

E a verdade é que, apesar da prevalência das referidas cadeias nos bairros e povoações portuguesas, o Modelo Bonjour não tardou a afirmar-se como uma 'terceira opção' bem válida, com preços competitivos e uma boa selecção de produtos – embora, claro, menor que a dos supermercados da 'cadeia-mãe' Continente. Assim, na mesma altura em que o Pingo Doce lançava a sua própria grande superfície – o histórico e entretanto malogrado Feira Nova – o Grupo Sonae fazia o 'caminho inverso' com ainda maior sucesso, provando-se capaz de 'cavar' um lugar para si próprio no mercado de proximidade, onde ainda hoje se mantém, quase exactas três décadas após a abertura da primeira loja, ainda e sempre desejando aos seus clientes um 'Bom Dia', agora em bom Português...

Friday, 20 March 2026

Quintas ao Quilo: Os Produtos 'A Granel' - Uma Parte Desaparecida da Infância Noventista

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 19 de Março de 2026.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


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Numa era em que as normas europeias de segurança alimentar são mais estritas e fomentadas do que nunca, em Portugal e não só, pode parecer estranho recordar um passado, não muito distante, em que qualquer criança ou jovem podia entrar numa qualquer loja ou supermercado, dirigir-se à secção de frutos secos ou gomas, abrir uma 'portinhola' e simplesmente servir-se – para dentro de um saco, ou mesmo da própria boca, se fosse particularmente 'corajoso'.


De facto, a venda de frutos secos e pequenos doces 'a granel' não só era prática comum, como era o método preferencial para a comercialização deste tipo de alimentos em superfícies comerciais – algo hoje impensável fora do contexto muito particular das lojas especializadas ou mais 'à moda antiga', elas mesmas em rápido processo de extinção, embora ainda vigentes um pouco por todo o País (sobretudo as de venda de doces). Mais – este desaparecimento deu-se de forma suficientemente gradual para ser quase imperceptível, tornando-se aparente apenas quando a memória nostálgica traz ao de cima recordações de idas ao supermercado coroadas com sacos cheios de doces.


Há meros trinta anos, no entanto, era ainda possível desfrutar, em Portugal, do processo conhecido em países anglófonos como 'pick'n'mix' – em que, como o nome indica, se 'escolhem e misturam' diferentes tipos de doces ou nozes conforme a preferência. E apesar de os referidos alimentos nada terem de diferente das versões embaladas (sendo, muitas vezes, apenas selecções de um tipo específico de noz ou doce contido nas mesmas) este é um daqueles casos em que a 'experiência' também conta, como qualquer residente em Portugal em finais do século passado poderá atestar; nada mais apropriado, portanto, do que dedicar algumas linhas àquele que, apesar de ser um elemento bastante 'menor' no cômputo geral, não deixou ainda assim de tornar melhor a infância e adolescência dos 'millennials' portugueses.


 

Sunday, 17 December 2023

Saídas ao Sábado (de Natal): As Primeiras 'Grutas do Pai Natal' nos Hipermercados

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 16 de Dezembro de 2023.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


O advento da chegada dos 'shoppings' e hipermercados a Portugal, em meados da década de 90, fez da visita aos mesmos uma das 'tradições' natalícias da maioria das famílias portuguesas de finais do século XX e inícios do seguinte; e à medida que este novo paradigma se ia cimentando nas vidas dos portugueses de então, foram sendo introduzidos e adicionados ao mesmo uma série de novos elementos, muitos deles 'importados' de contextos semelhantes em outros países. Um destes elementos, talvez o mais famoso e duradouro, foram as 'grutas do Pai Natal', onde as crianças até certa idade podiam conviver e tirar fotografias com o bom velhinho - ou, como era dito a alguns, com um dos seus ajudantes especialmente seleccionados.


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A 'Gruta' do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, uma das mais antigas e populares do País.


Escusado será dizer que este tipo de iniciativa fez tanto sucesso em Portugal como nos outros locais onde já havia sido introduzido; afinal, que criança deixaria passar a oportunidade de não só conhecer o 'dispensador' anual de presentes e símbolo de bondade e espírito natalício, mas de conversar com o mesmo, lhe transmitir os seus desejos de Natal, e tirar uma fotografia para a posteridade? Com isto em mente, não era de admirar que as filas para a maioria das 'Grutas' de supermercado fossem, e continuem a ser, consideráveis, mesmo após os primeiros dias da iniciativa; e embora não seja descabido que alguém, algures, venha futuramente a criar uma 'app' para conhecer o Pai Natal em 'streaming', enquanto tal não acontece, é de esperar que as 'Grutas' e 'Casas' do Pai Natal nos supermercados, hipermercados e 'shoppings' deste País continuem a constituir uma antecipada e entusiasmante Saída de Sábado anual para as gerações mais novas.

Saturday, 30 October 2021

Saídas ao Sábado: A Ida ao Supermercado

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Nas primeiras edições desta rubrica, abordámos o fenómeno dos hipermercados e dos shoppings, e o fascínio que – por factores como a dimensão e a novidade – os mesmos exerciam nos jovens portugueses dos anos 90; hoje, damos conscientemente um passo atrás, a fim de demonstrar como uma ida ao bom e honesto supermercado do bairro podia, também, ser uma experiência divertida e fascinante, ainda que não tão memorável quanto as atrás descritas - até porque bastante mais corriqueira.


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De facto, ao passo que uma ida ao hipermercado implicava, muitas vezes, um planeamento cuidado de todo ou quase todo o dia, a visita ao supermercado fazia-se de forma bem mais espontânea, estando o único planeamento relacionado com a execução de uma lista de compras e uma vista de olhos ao folheto, para perceber onde cada produto se poderia encontrar mais barato. A partir daí, bastava pôr pés a caminho até à sucursal local do supermercado pretendido e adquirir os produtos necessários.


A simplicidade e mundaneidade deste processo escondiam, no entanto, um atractivo adicional para as crianças e jovens mais curiosos. Isto porque os supermercados dos anos 90, muito menos padronizados e mais individuais que os de hoje em dia, escondiam mil e uma surpresas, fossem os carrinhos que apenas se soltavam após a inserção de uma moeda, os expositores de nozes a granel (das quais se conseguiam sempre 'roubar' algumas para a boca) as secções de brinquedos (bem mais pequenas que as dos hipermercados, mas ainda assim de algum interesse) ou até simplesmente produtos bem do agrado das crianças, como bolachas, sobremesas, bolos, iogurtes ou cereais - já para não falar da oportunidade de ajudar os pais ou familiares a procurar cada produto, tirá-lo do expositor e colocá-lo no carrinho, um acto simples, mas que deixava muitos de nós pouco menos que ufanos da nossa utilidade.


Para as crianças mais pequenas, havia ainda o divertimento de se sentar dentro do próprio carrinho e ser 'conduzido' numa visita guiada às prateleiras, sendo que alguns supermercados incorporavam mesmo uma área para este fim nos seus carrinhos, talvez a fim de evitar que as crianças tivessem de se sentar na área destinada às compras. No fim da visita, para os mais bem comportados, havia ainda a (forte) possibilidade de ser presenteado com um doce – como um chupa-chupa, um chocolate, um pacote de Sugus ou uma simples pastilha – ou uma banda desenhada, como recompensa pela maturidade demonstrada. Razões mais do que suficientes para considerar a simples e singela visita ao supermercado da esquina, na companhia dos pais ou avós, como parte integrante da experiência da infância, quer nos anos 90, quer hoje em dia.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...