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Thursday, 10 September 2026

Quintas de Quinquilharia: Vinte e Cinco Anos de Uma Linha 'Acelerada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Quando o modelo de negócios de uma marca ou produto passa por incluir brindes no interior da embalagem durante literais décadas, é de esperar que, a dado ponto, a criatividade sofra um rombo, e as referidas ofertas decresçam um pouco de qualidade; mas se tal se aplicou, por exemplo, aos ovos Kinder (hoje muito longe dos tempos de incluir bonecos detalhados nas suas famosas cápsulas amarelas) a verdade é que todos os outros 'gigantes' alimentares infanto-juvenis não só evitaram esse declínio como lograram oferecer alguns dos seus melhores brindes em fases mais avançadas da sua existência. Foi o caso, por exemplo, do Bollycao, que, há cerca de vinte e cinco anos, oferecia uma colecção com um daqueles 'extras' que, para quem era de uma certa idade, a catapultava (passe o trocadilho) de apenas interessante para algo mais próximo do essencial.


Tratava-se da linha 'Bolly-carros', cujo nome não era a única demonstração de genialidade. Isto porque aquilo que, à primeira vista, aparentavam ser meros pedaços de cartão com imagens de carros de corrida genéricos podiam, quando conectados a um 'lançador' (ou 'Starter') disponível em loja ou através do 'site' do produto, ser projectados a alguma distância, num mecanismo, presumivelmente, semelhante ao que fazia voar os famosos BeyBlades, que se popularizariam poucos anos depois; em 2001, no entanto, a Panrico era pioneira desta tecnologia, e criava um conceito original e apelativo, o qual, surpreendentemente, cairia no esquecimento da segunda vaga de 'Millennials' lusitanos, talvez por não estar associado a qualquer licença mediática 'da moda'.

Ainda assim, quanto mais não seja pela originalidade da mecânica de lançamento, os 'Bolly-carros' fazem por merecer algumas linhas nesta nossa rubrica, no ano em que se completa um exacto quarto de século sobre o seu aparecimento no interior das embalagens de Bollycao. Pena, pois, que Portugal não tenha tido direito a receber a 'segunda vaga' desta colecção, bem mais detalhada, e criada em conjunto com a Scalextric, produtora de carrinhos à escala e pistas de corridas...

Thursday, 30 July 2026

Quintas de Quinquilharia: A 'Edição de Verão' das 'Janelas Mágicas'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Numa edição anterior desta rubrica, falámos das 'Janelas Mágicas', um dos mais memoráveis brindes do Bollycao para quem era de uma certa idade em inícios dos anos 90; o que poucos saberão (ou do que poucos se recordarão) é que a Olá procurou, também ela, capitalizar sobre o sucesso daquele conceito, tendo lançado uma série protagonizada por uma das suas mascotes, no caso o rapazinho ruivo que, desde há décadas, vem sendo figura de proa do Epá.


(Crédito da imagem: OLX)

Surgiam assim, num daqueles longos e quentes Verões dos anos 90, as 'Janelas Mágicas Epá', presumivelmente oferecidas na compra do gelado, e cuja mecância era em tudo semelhante às precursoras do Bollycao: cada cartão tinha uma pequena cena que podia, depois, ser 'colorida' mediante a aplicação de um pedaço de plástico sobre a ilustração. A única diferença, conforme mencionámos, é que a colecção da Olá tinha como protagonista exclusivo o personagem licenciado da marca, que surgia em nada menos do que uma dezena e meia de situações, retratadas por meio de ilustrações detalhadas ao estilo de banda desenhada, as quais revelavam até algum esforço por parte do seu anónimo criador.

Infelizmente – talvez por ser um conceito já antes visto, ou por o Epá estar longe de ser o mais popular de entre os gelados da Olá – esta segunda colecção de 'Janelas Mágicas' ficou longe do sucesso da antecessora, constituindo hoje, sobretudo, uma curiosidade esquecida de uma época em que até o mais simples pedaço de papel oferecido na compra de alimentos conseguia surpreender e deliciar a grande maioria das crianças portuguesas e não só; numa altura do ano em que o calor aperta e os gelados vivem o seu período áureo de vendas, nada melhor, portanto, do que recordar uma das poucas instâncias em que as guloseimas veranis deram direito a brinde.

Thursday, 9 July 2026

Quintas de Quinquilharia: O Brinde 'Mágico' da Chupa Chups

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Entre os muitos aspectos capazes de fascinar as demografias mais jovens, os truques de magia sempre gozaram de um estatuto relativamente elevado. Até o mais simples dos truques ou ilusões de óptica é capaz de deleitar uma criança ou jovem, e a perene popularidade das caixas demagia entre as gerações pré-digitais comprovava que, para os jovens daquele tempo, ser capaz de 'enganar', eles próprios, os amigos ou familiares revestia-se também de alguma importância. Não é, pois, de admirar que, quando uma companhia alimentar decidiu oferecer uma Quinquilharia baseada numa simples ilusão de óptica, o público-alvo tenha aderido com relativo entusiasmo, criando um dos mais bizarros produtos promocionais de finais do século XX.

Falamos da caixa Magic Pop da Chupa Chups, uma simples 'gaveta' com fundo falso onde se podia guardar um chupa-chupa e, com algumas 'palavras mágicas' e recurso ao referido alçapão, fazê-lo desaparecer e reaparecer ante os olhos estupefactos dos pares; um truque de uma simplicidade extrema, mas cujo mero conceito (e a respectiva associação a um campo invulgar, como o dos produtos alimentares) o tornava, por si só, meritório da atenção da demografia infanto-juvenil da época. E apesar do impacto relativamente curto que esta atracção teve aquando da sua chegada a Portugal há cerca de trinta anos, algures em 1996, a verdade é que se tratou de uma promoção original e diferenciada dos habituais cromos ou bugigangas de cartão oferecidas nas batatas fritas ou no Bollycao, o que lhe outorga um merecido lugar nesta rubrica dedicada aos melhores brindes oferecidos por produtos portugueses em finais do século XX e inícios do seguinte.


Thursday, 18 June 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Brindes do França '98 em Portugal

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

O Mundial de Futebol de França '98 terá, talvez, sido o que mais entusiasmo provocou por terras portuguesas – ainda que, curiosamente, a Selecção Nacional não se encontrasse entre as equipas qualificadas. Em relação aos dois certames anteriores – Itália '90 e EUA '94 – o Mundial de '98 apresentava, também, volumes bastante maiores de licenciamento, com inúmeras instâncias de 'merchandising' oficial e várias marcas mundiais a promover, naquele Verão, ligações ao torneio através dos seus brindes; Portugal não foi excepção a esta regra, tendo os jovens das gerações 'X' e – sobretudo – 'millennial' podido desfrutar de uma série de ofertas tematizadas na compra de certos produtos alimentares. Numa altura em que se disputa mais um Campeonato do Mundo – curiosamente, novamente realizado, em parte, nos Estados Unidos, tal como o de '94 – nada melhor, pois, do que recordarmos alguns dos brindes que as crianças nacionais podiam antecipar ao consumir alguns dos seus alimentos favoritos.

                      

Os 'posters' dos Golden Grahams, o melhor dos três conjuntos de brindes oferecidos pelos cereais da Nestlé

Curiosamente, foram relativamente poucas as marcas a aderir à 'febre' do Mundial por terras portuguesas, com a Nestlé a destacar-se como a única companhia de produtos de supermercado a verdadeiramente tematizar os seus brindes em torno do certame; a marca francesa não fazia por menos, no entanto, e oferecia três conjuntos distintos de brindes nos seus populares cereais de pequeno-almoço – uma colecção de vinte e três cromos Panini com o Nesquik (a qual era totalmente separada da caderneta oficial lançada pela mesma companhia), uma série de oito apitos coloridos com o Chocapic, e uma colecção de 'posters' estilizados e artísticos com os Golden Grahams. Das três, era naturalmente a última que se destacava, não só por ser um brinde maior e mais 'perene', mas também pelo 'design' dos 'posters',que não podia deixar de agradar a qualquer jovem adepto daquela época.


O quase inacreditável conjunto de brindes do Happy Meal da McDonald's.

Até mesmo os referidos cartazes empalideciam, no entanto, face à proposta da McDonald's para aquelas semanas de futebol; incluída no popular Happy Meal oferecido pelo restaurante, a promoção alusiva a França '98 oferecia aos pequenos clientes um de quatro objectos, qualquer dos quais no limiar do que se pode considerar uma 'Quinquilharia'. Senão veja-se: o conjunto incluía uma bola, um papagaio de papel, um disco 'frisbee', e a 'estrela da companhia', um relógio de pulso, o qual já se pode considerar extravasar a categoria em causa. Mesmo para a McDonald's, esta era uma promoção marcadamente generosa, que terá, decerto, feito as delícias de quem consumia do restaurante (o que, no Verão de 1998, não era, infelizmente, o caso com o autor deste 'blog', que, a cerca de um mês de fazer treze anos, teria adorado ganhar qualquer dos brindes acima elencados).

Uma oferta variada e relativamente entusiasmante, portanto (embora com clara vantagem para uma das companhias envolvidas) que ajudava os jovens entusiastas de futebol a entrarem (ainda mais) no espírito da competição internacional em curso – a qual se viria, aliás, a afirmar como uma das mais entusiasmantes da era moderna, um pouco à semelhança dos brindes que suscitara e inspirara, por terras nacionais e não só...

Thursday, 28 May 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma 'Imitação' Sem Inspiração

 Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Já aqui por diversas vezes falámos das variavelmente icónicas colecções de cromos e outros brindes em papel oferecidos com o Bollycao, o lendário pão com chocolate trans-geracional que, em finais do século XX, tinha como principal ponto de interesse, precisamente, os seus brindes; e, de entre estes, talvez o mais icónico de sempre tenha sido a colecção 'Tous', uma série de cromos em que um simpático 'bicharoco' verde-lima interpretava visualmente os estados de espírito descritos no cartaz que sempre segurava. Lançados em finais dos anos 80, mas com 'sequela' em princípios dos 90, estes cromos marcaram a 'intersecção' entre as gerações 'X' e 'millennial', tornando-se num dos grandes brindes promocionais do Portugal da época, ao lado dos 'Pega-Monstros', Tazos e Matutolas da rival Matutano e dos 'bonequinhos' dos ovosKinder. Não é, pois, de admirar que, mais de meia década após a série original, o Bollycao tenha tentado um conceito muito semelhante, desta vez com o incentivo adicional de um concurso acoplado; nascia, assim, a colecção 'Tás', lançada algures há trinta anos, na primeira metade do ano de 1996.


(Crédito das fotos: OLX)

Como o próprio nome indica, esta nova série mais não fazia do que repetir o conceito dos clássicos 'Tous' mas, desta, vez, de uma perspectiva de 'terceira pessoa', em que cada acção era ditada, não pelo próprio personagem, mas por uma espécie de 'narrador' invisível. A substituir o 'Tou' surgia, agora, um ser redondo, avermelhado e com picos, que o faziam assemelhar-se à tradicional imagem de um vírus patente nos desenhos animados ou materiais didácticos da época – talvez não tão simpático quanto o seu antecessor, mas ainda assim visualmente apelativo o quanto baste para atrair o público-alvo.

O principal factor de interesse da colecção para esse mesmo público-alvo era, no entanto, o concurso que lhe estava associado, em que os jovens se podiam habilitar a ganhar consolas PlayStation (o 'Santo Graal' dos prémios da época, tendo substituído nesse papel a Mega Drive), bicicletas de montanha ou (mais provavelmente) 't-shirts' alusivas à colecção. Qualquer que fosse o prémio, no entanto, obtê-lo não se afirmava tarefa fácil, já que era necessário encontrar um cromo com o texto 'Tás Com Sorte' e, (presumivelmente) enviá-lo para a Panrico em troca do prémio em causa (infelizmente, os detalhes de como obter o prémio em si perdem-se no tempo); nada que impedisse as crianças da época de tentar, devendo esta iniciativa ter resultado num aumento de vendas do produto naquela Primavera e Verão de 1996.

No entanto, e ao contrário da mítica inspiração, a colecção 'Tás' não ficaria particularmente na memória dos portugueses da faixa etária a que se destinava, tendo o 'isco' dos prémios resultado a curto-prazo, mas não disfarçado a falta de originalidade da série (ainda que a arte dos cromos fosse bastante bem conseguida). Vale, ainda assim, a pena recordar mais uma das muitas colecções com que o Bollycao assegurava vendas durante a sua 'década áurea', numa altura em que se celebram trinta anos sobre o lançamento da série em causa.

Friday, 8 May 2026

Quintas de Quinquilharia: Os Pokémon Tazos - Um Todo Menor Do Que A Soma Das Partes

 

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Uma das primeiras Quintas de Quinquilharia deste 'blog' lidou com os Matutazos, talvez a maior febre de recreio entre a geração 'millennial' lusitana, sobretudo a metade mais velha, que tinha cerca de dez anos quando o referido jogo tomou de assalto os pátios de escolas de Norte a Sul do País. Tendo em conta este sucesso meteórico e avassalador, não é de estranhar que, meia década depois, a Matutano tenha procurado repetir a 'proeza', e dar à segunda 'vaga' de 'millennials' a sua própria versão da 'Tazomania'; e, conhecendo o 'modus operandi' da marca nacional de batatas fritas, também é tudo menos surpreendente que a mesma se tenha voltado a alicerçar numa propriedade 'da moda', e que, por si só, quase garantia o sucesso. Estava dado o mote para, há exactos vinte e cinco anos, surgirem nas batatas os 'dignos sucessores' dos Matutazos originais – os Pokétazos.

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Sim, depois de 'Barbie', 'Taz-Mania' e 'Tiny Toons' (além de colecções 'menos oficiais' alusivas aos Power Rangers ou ao filme 'O Rei Leão') cabia aos Pokémon da geração original, bem como aos seus treinadores, a tarefa de 'dar a cara' pelas novas séries de Matutazos, das quais sairiam nada menos que sete (!) entre 2001 e 2002, a começar nos dez Pokémon Master Tazos e a culminar nos doze 'Pokémon Tazos League' – embora, na verdade, a única diferença estivesse no grafismo, sendo que as mecânicas de jogo se mantinham inalteradas relativamente não só a cada uma das colecções anteriores, como à série original de 1995.

Infelizmente, apesar do historial de sucesso, e da licença apelativa, os Pokétazos nunca lograram sequer chegar perto dos níveis de sucesso da colecção original – talvez pela relativa falta de originalidade, ou talvez por os 'millennials' da 'segunda vaga' estarem mais entretidos com o jogo de cartas de Pikachu e companhia, ou com os novíssimos jogos de segunda geração, acabados de sair para o Game Boy Color. Tal não dissuadiria, no entanto, a Matutano, que, ao longo dos vinte anos seguintes (até deixar, definitivamente, de haver brindes nas batatas fritas) tentaria, esporadicamente, 'reanimar' o conceito, sempre com sucesso irrisório, provando o velho adágio da Kellogg's de que 'o original é sempre o melhor': ainda assim, a primeira dessas tentativas não deixou de ter mérito, e afirmou-se como uma das últimas 'grandes' promoções de uma era de 'marketing' alimentar de foco infanto-juvenil que, sem que ninguém ainda o soubesse, caminhava a passos largos para o fim.


Friday, 17 April 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma Colecção 'Super'...Esquecida

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 16 de Abril de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui anteriormente falámos de muitas das memoráveis colecções de autocolantes, cromos e outros brindes que o Bollycao veiculava durante os anos 90. De facto, aquilo que, para todos os efeitos era um pão com chocolate (e muitas vezes já ressequido) soube posicionar-se como uma das comidas favoritas dos 'millennials' portugueses apenas e só por via de sucessivas colecções de brindes, cada uma mais apelativa que a seguinte, e que marcaram época junto da geração em causa. A promoção de que falamos neste 'post' – lançada há cerca de trinta anos, algures em 1996 – talvez não faça parte desse lote, mas não deixa ainda assim de ter sido bem-sucedida e de ter tido todos os elementos necessários para um sucesso que, algo surpreendentemente, acabou por não ter.


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Isto porque a colecção 'Supermarcas' apostava em algo que qualquer jovem da época achava perfeitamente irresistível – logotipos, dos quais havia um total de cinquenta e cinco, prontos a colar no respectivo poster 'A3' (ou, mais provavelmente, na capa de um caderno ou 'dossier', ou na porta do armário do quarto, como era hábito entre a demografia-alvo). De fabricantes de carros e aparelhos eletrónicos a produtos da própria Panrico (incluindo o Bollycao), passando por refrigerantes, consolas ou marcas de roupa, estas cinco dezenas e meia de cromos ofereciam um balanço equilibrado entre logotipos de companhias e produtos, todos os quais do agrado da juventude da época, e respeitantes a uma variedade de campos suficientemente abrangente para manter o interesse da referida demografia.


É, pois, algo surpreendente que 'As Supermarcas' não seja, hoje em dia, mencionada com tanta frequência ou saudosismo como as 'Janelas Mágicas' ou os míticos 'Tous', já que a promoção tinha um tema interessante e uma boa variedade e número de cromos para coleccionar, numa 'receita' muito semelhante à que fizera o sucesso daquelas e de outras colecções, não só do Bollycao como também de outros 'snacks' infantis. Resta, pois, 'resgatar' da semi-obscuridade esta promoção, e prestar-lhe a devida homenagem no ano em que se completam três décadas sobre o seu lançamento.

Friday, 27 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta e Cinco Anos de Um Brinde (Muito Pouco) 'Mágico'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 26 de Março de 2026.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.



Já aqui por diversas vezes mencionámos o facto de, numa era mais 'inocente' e ainda parca em 'truques' digitais, ser consideravelmente mais fácil intrigar, atrair e até maravilhar o público infanto-juvenil. Enquanto que, hoje em dia, o mesmo toma como garantida a existência de uma 'app' com jogos e passatempos, bastando para isso fazer 'scan' de um código QR, nos tempos de infância dos seus progenitores 'millennials' - há coisa de trinta e cinco anos - um objecto simples e quase banal podia ser tornado objecto de interesse e cobiça pura e simplesmente por ser retirado de uma caixa de cereais ou pacote de batatas fritas, e designado por um adjectivo como 'Mágico'. É o caso da 'Quinquilharia' a que dedicamos este 'post', veiculada nos pacotes de Cheerios da Nestlé algures durante o ano de 1991, e que, em quaisquer outras circunstâncias, dificilmente seria merecedora de mais do que um olhar 'de passagem' por parte do público-alvo.


De facto, a auto-designada 'Régua Mágica' mais não passava do que de uma vulgar régua lenticular, semelhante a outras tantas presentes nos estojos de crianças e adolescentes de Norte a Sul do País, na mesma altura; a única diferença eram, claro, os motivos promocionais alusivos aos cereais em causa, e o facto de figurar numa publicidade televisiva da época, o que, desde logo, ajudava a que o seu apelo disparasse em flecha. O referido interesse foi, no entanto, de curta duração, tendo as crianças da época (presumivelmente) visto o brinde pelo que ele era, e virado a atenção para outros prémios mais merecedores do seu tempo; prova disso é o facto de, hoje em dia, o referido anúncio (que encabeça este 'post') ser mesmo o único vestígio da existência desta oferta, para além da respectiva página no site Brindemania (onde a informação é tão parca quanto a veiculada nesta postagem). Ainda assim, nunca é demais relembrar um prémio que ilustra, cabalmente, a facilidade de 'vender' até o conceito menos interessante à juventude de finais do século XX, desde que acompanhado de uma campanha de 'marketing' suficientemente apelativa...

Thursday, 5 March 2026

Quintas de Quinquilharia: Trinta Anos de Uma Colecção 'Multi-Facetada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Qualquer português nascido ou crescido durante os anos 90 e 2000 reconhece essa era como sendo o período áureo para brindes oferecidos por produtos alimentares; das batatas fritas da Matutano aos cereais da Kellogg's e Nestlé, passando pelos ovos Kinder, pelos produtos da Panrico e até por fontes menos tradicionais (como iogurtes ou bolachas) eram inúmeras as marcas a procurar 'comprar' a atenção do público jovem através de ofertas mais ou menos extravagantes, que iam de simples cromos a figuras ou até brindes menos ortodoxos, como adereços, reflectores de bicicleta ou mesmo jogos de computador ou livros de banda desenhada. E se nem todas estas promoções atingiam o estatuto icónico gozado pelas mais memoráveis da época, algumas não se poupavam a esforços para pelo menos almejarem os seus 'quinze minutos de fama', sendo um dos melhores exemplos a colecção de que falamos neste 'post', veiculada há quase exactos trinta anos (algures em 1996) por um produto e companhia pouco usuais – o chocolate Twix, da Mars – mas que chegou a 'conquistar' os jovens portugueses aquando do seu lançamento, graças a um conceito e execução cuidados e apurados


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Tratava-se de 'Spacix', nome de uma colecção de cartas tematizadas em torno de extraterrestres inspirados em motivos musicais (e com 'designs' meio 'animados' e bem interessantes), e que oferecia dois grandes pontos de interesse para as crianças e jovens da época: por um lado, o efeito lenticular, que fazia com que as imagens 'mexessem' quando a carta era manuseada de uma certa forma, e, por outro, um típico jogo de 'valores', ao estilo do das populares Super Cartas da Majora ou das posteriores colecções 'Bollykaos' e 'Dragonflash'.


A série reunia, assim, em apenas um produto três dos principais 'chamarizes' para a então jovem geração 'millennial' – um efeito visual 'fixe' (numa era em que tais 'truques' ainda não haviam sido 'abafados' pela revolução digital), a vertente coleccionista e o sempre importante aspecto competitivo, que manteve os 'putos' da época a disputar 'duelos' de 'Spacix' durante os meses posteriores ao seu lançamento. E apesar de, hoje, ser apenas mais uma colecção esquecida pela memória colectiva nostálgica nacional, a verdade é que esta série é intemporal o suficiente para poder ser relançada hoje em dia e cativar os actuais 'miúdos' das gerações Z e Alfa como, há quase exactas três décadas, fez com os seus pais e educadores, merecendo por isso ser mais lembrada pelo seu (hoje adulto) público-alvo.

Thursday, 22 January 2026

Quintas ao Quilo / Quintas de Quinquiharia: 'Isto...' É Que Era Uma Colecção

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


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Alguns dos cromos da colecção (crédito da foto: Brindemania / Delfim Alexandre).


Em plena 'era de ouro' dos brindes em produtos alimentares – em que várias companhias se digladiavam para oferecer a próxima 'febre' de recreio nos seus pacotes de cereais, batatas fritas, iogurtes ou bolos vários – os produtos da Panrico destacavam-se por, apesar de mais discretos que alguns dos da 'concorrência', serem consistentes, e consistentemente bem recebidos e apreciados pelo seu público-alvo. De facto, apesar de nunca se desviarem muito das colecções de cromos e outras quinquilharias em papel, os brindes do Bollycao e das Donettes eram, invariavelmente, motivo de interesse para as crianças e jovens portuguesas de finais do século XX, que se regozijavam em coleccionar e trocar os cromos dos 'Tous', desdobráveis do Dragon Ball Z, as cartas dos Bollykaos ou as icónicas 'Janelas Mágicas'. Em meio a estas memoráveis promoções, no entanto, houve, claro está, outras que passaram mais despercebidas, não deixando grande marca nas gerações 'X' e 'millennial' lusitanas. É o caso daquela que abordamos neste 'post', levada a cabo há coisa de trinta anos – nos primeiros meses do ano de 1996 – e que, hoje em dia, apenas é lembrada em sites como a Brindemania, de onde sai a imagem que ilustra este 'post'.


Talvez o insucesso da colecção 'Isto...' (uma óbvia alusão à mais famosa colecção de sempre do Bollykao, os icónicos 'Tous...') se devesse à falta de foco temático da mesma. De facto, enquanto a maioria das outras gamas promocionais tinham algum tipo de fio condutor, 'Isto...' era tão vago quanto o próprio título, indo as imagens nos cromos desde os animais selvagens até objectos ou imagens mais caricaturadas – uma abordagem que resultava para certas gamas de Tazos, por exemplo, mas que, aqui, apenas denota uma certa falta de critério ao realizar a colecção, o que talvez a tenha ajudado a tornar menos memorável do que outras suas contemporâneas (à laia de comparação, na mesma altura, a Matutano propunha as icónicas Matutolas).


Assim, o principal motivo para coleccionar os cromos prendia-se mesmo com um daqueles concursos tão clássicos da época, com probabilidades efémeras, mas não impossíveis, de ganhar o grande prémio, e que constituíam razão suficiente para comprar mais e mais produto, na esperança de ver sair o cromo premiado. No caso do 'Isto...', o prémio em causa eram uns patins em linha, um dos tipos de objecto mais cobiçados de finais do século XX, e que a promoção apregoava dar às centenas, despertando a cobiça de qualquer 'puto' daquele período. Conquanto seja possível que os vencedores de tal concurso recordem com afeição a promoção, no entanto (por motivos óbvios) para os restantes 'X' e 'millennials' portugueses esta terá sido uma colecção que passou muito mais despercebida do que a maioria das outras do Bollycao ou produtos semelhantes, não sendo hoje, quase exactamente trinta anos depois, mais que uma 'nota de rodapé' na História dos brindes promocionais em Portugal.

Friday, 5 December 2025

Quintas de Quinquilharia: Os Ímanes de Frigorífico - Uma Quinquilharia Plena de 'Magnetismo'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram presença assídua em frigoríficos, quadros brancos, candeeiros de secretária e outras superfícies aderentes ou metalizadas; por vezes, em simples formatos geométricos (normalmente círculos ou rectângulos) com o padrão impresso, outras cortados para se assemelharem a objectos ou mesmo formas humanas, e por vezes a segurar mensagens, notas ou panfletos, outras apenas como enfeite, já que 'ficavam bem' nos locais em causa. Falamos, claro, dos ímanes de frigorífico, os quais, apesar de ainda existentes, viveram sem dúvida o seu último período áureo na primeira década do século XXI.


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Variantes oferecidas nos cereais Kellogg's


De facto, a crescente digitalização de recursos veio tornar semi-obsoletos estes outrora super-populares objectos, hoje reduzidos a peças de colecção, recordações turísticas ou (muito ocasionalmente) suportes para o panfleto da pizzaria, até o mesmo ser utilizado ou deitado fora. É, pois, difícil a quem não viveu aqueles tempos mais simples perceber o quão entusiasmante era adicionar mais um ímane à colecção – fosse ele um brinde dos cereais, uma oferta no âmbito de uma qualquer campanha, ou apenas uma 'quinquilharia' comprada em férias ou na 'loja dos trezentos'. Quem era da idade certa durante o período em causa, no entanto, certamente se lembra de 'encher' o frigorífico de pequenas formas coloridas, algumas das quais serviam mesmo como brinquedos quando o tédio se ameaçava instalar, ou como objectos de coleccionismo; é a eles que dedicamos este 'post' tão simples quanto os próprios objectos a que se refere.

Saturday, 15 November 2025

Quintas de Quinquiharia: Os 'Powercromos' da Panrico - Uma Promoção Simples, Mas 'À Prova de Falhas'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 13 de Novembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


No Portugal pré-Dragon Ball Z de meados dos anos 90 (e mesmo, durante algum tempo, em simultâneo com aquele histórico 'anime') os Power Rangers contavam-se entre as mais populares franquias entre o público mais jovem, sendo uma das pedras basilares por trás do sucesso da rubrica 'Buereré' da SIC. Os 'adolescentes com atitude' que se transformavam em super-heróis mascarados multicolores e derrotavam enormes monstros espaciais ao comando de um robô pareciam (como se vê por esta descrição) feitos 'à medida' para agradarem à demografia pré-adolescente, sobretudo no sector masculino, e foi precisamente isso que se verificou, não tardando até que a criação de Haim Saban e Shuky Levy demonstrasse ser uma verdadeira 'máquina de fazer dinheiro', dando origem a 'merchandising' (oficial e 'pirata') dos maiss diversos tipos, das inevitáveis figuras de acção, videojogos e vídeos de episódios a roupas, jogos de cama, fatos de Carnaval, e mesmo artigos alimentares, tendo, em Portugal, sido a primeira de muitas licenças a serem impressas no exterior dos famosos chupa-chupas Fantasy Ball, e dado a cara numa série de promoções e brindes de outros produtos 'comestíveis', como a que abordamos neste 'post'.


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(Crédito da foto: TodoColección)


Veiculados nos produtos Panrico (leia-se, Bollycao e Donettes) algures há trinta anos, os 'Powercromos Power Rangers' mais não eram do que isso mesmo – cromos autocolantes com imagens do programa da SIC e respectivos protagonistas, algumas tiradas dos próprios episódios, outras simples poses promocionais destinadas a publicitar o programa. No total, eram quase duas dezenas e meia de cromos para coleccionar – o que, claro, envolvia comer mais 'Bollycaos' do que até o mais glutão dos jovens da época poderia aguentar, fomentando o tradicional sistema de 'trocas' com outras crianças que também estivessem a fazer a colecção. A ausência de uma caderneta ou 'poster' onde colar os ditos-cujos, ou sequer de uma ordem declarada para os mesmos, fomentava, no entanto, uma utilização mais casual e descontraída para os mesmos, os quais seriam (à semelhança de outras colecções do Bollycao) mais passíveis de ser utilizados como decorações para a capa do caderno, porta do frigorífico ou gaveta da secretária do que como sérios objectos de colecção.


Ainda assim, e apesar da natureza simplista desta promoção, a popularidade da licença e do tipo de brinde entre o público-alvo tornava-a uma proposta de risco virtualmente nulo, e com enormes probabilidades de sucesso, fazendo com que não fosse preciso à Panrico pensar demasiado parra investir nesta empreitada, a qual, apesar de hoje algo esquecida, terá feito as delícias das crianças da época, habituadas a acompanhar semanalmente as aventuras dos jovens artistas marciais mascarados, e que passavam agora a poder também trazê-los no caderno ou estojo, ou colá-los no armário do quarto, afirmando assim o seu gosto por uma das mais populares séries infanto-juvenis do Portugal noventista.

Saturday, 17 May 2025

Quintas de Quinquilharia / Sextas Com Style: As Estampas do Dragon Ball da Pescanova

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 15 de Maio e Sexta-feira, 16 de Maio de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


De entre os muitos elementos que definiram a década de 90 em Portugal, a série de 'anime' japonesa Dragon Ball Z e as t-shirts estampadas com motivos alusivos a desenhos animados ou banda desenhada (sendo muitos destes respeitantes ao próprio Dragon Ball Z) são certamente dois dos que mais perduram na memória dos 'millennials' lusitanos. Não é, pois, de surpreender que a Pescanova tenha tentado capitalizar sobre ambas estas vertentes com uma promoção, sendo o único motivo de alguma estranheza o próprio 'timing' da oferta.


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Isto porque as estampas 'a calor' relativas à série e oferecidas nas igualmente populares caixas de douradinhos da companhia surgiam no mercado já nos primeiros meses do Novo Milénio, mais de quatro anos após o início da 'febre' Dragon Ball Z, e quando até mesmo a terceira parte, Dragon Ball GT, se encontrava já no 'retrovisor' juvenil português, estando ainda a cerca de um ano de se voltar a tornar relevante, através da repetição na 'recém-nascida' SIC Radical. Assim, não é de estranhar que a referida oferta tenha passado despercebida, e sido algo menos bem-sucedida do que outras iniciativas semelhantes lançadas no auge da popularidade da série – o que não deixa de ser lamentável, dado estas estampas, apesar de pequenas, serem bem-conseguidas, recorrendo a imagens dinâmicas e apelativas que qualquer jovem de meados dos anos 90 se orgulharia de colocar numa 't-shirt'. Pena, pois, que não se pudesse dizer o mesmo quanto aos pré-adolescentes de 2000, para quem os 'animes' de Akira Toriyama eram já coisa do passado semi-remoto...


Ainda assim, e apesar de menos 'badaladas' do que outras promoções semelhantes de que já aqui falámos, estas estampas não deixam de constituir uma belíssima ideia da parte da Pescanova, a qual teria, certamente, rendido frutos caso tivesse sido lançada um par de anos antes, e posto a juventude de Norte a Sul de Portugal a 'coleccionar' estampas, na esperança de encontrar a ultra-rara variante gigante, e fazer inveja aos colegas e amigos. Tal como foi, no entanto, esta promoção não passa de uma curiosidade esquecida da cultura popular juvenil portuguesa da viragem do Milénio...

Thursday, 21 November 2024

Quintas ao Quilo: Tosta Rica - Os Primeiros 'Traços' de Um Futuro Clássico

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Os anos 90 foram palco de uma espécie de 'renovação' no sector das bolachas em Portugal, com alguns nomes clássicos dos anos 80 a serem progressivamente descontinuados, e a darem lugar a novas propostas de cariz mais internacional, como as famosas Oreo. Ainda assim, o país vizinho continuava a ser o principal fornecedor estrangeiro de bolachas, sobretudo através da sua mais famosa produtora, a Cuétara, que se posicionava como principal rival da portuguesa Triunfo no mercado nacional do sector – uma posição que seria reforçada nos últimos anos do século XX, com o surgimento em Portugal de uma variedade de bolacha que se provaria duradoura o suficiente para permanecer à venda três décadas depois: a hoje clássica Tosta Rica.


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Embalagem 'de época' da bolacha em causa, no caso alusiva ao popularíssimo 'anime' de Pokémon


À primeira vista apenas uma típica bolacha recheada (embora absolutamente deliciosa, ao nível das melhores alguma vez comercializadas no nosso País), o segredo da Tosta Rica revelava-se ao analisar mais atentamente as suas 'mini-sanduíches', cada uma das quais trazia nos dois lados um desenho, traçado a castanho acima do logotipo da marca. E se, numa primeira fase, estes desenhos eram apenas ilustrações genéricas, pouco tardou até a Tosta Rica principiar a obter algumas das mais atractivas licenças infanto-juvenis disponíveis à época, e a substituir os desenhos iniciais por personagens ou motivos alusivos a cada uma delas. Esta segunda fase ficou, também, marcada pela oferta, em cada caixa de bolachas, de um pequeno brinde simbólico, um gesto tão ao gosto do público-alvo da época e que ajudou a que as bolachas em causa se destacassem em meio a um mercado variado e com muitos atractivos. Tanto assim que, trinta anos volvidos, a marca continua presente nos supermercados e hipermercados nacionais, talvez já sem a força que outrora teve, mas ainda assim pronta a fazer as delícias de toda uma geração de crianças, tal como sucedeu com os seus pais...

Friday, 6 September 2024

Quintas de Quinquiharia: As 'Mission Cards' de 'Dragon Ball Z' da Cuétara - A Força de Uma Licença

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 05 de Setembro de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui por várias vezes foi mencionado o estatuto da série de 'anime' Dragon Ball Z como maior 'febre de recreio' de sempre em Portugal, tendo o lendário desenho animado sido, inclusivamente, tema do primeiro post mais 'a sério' neste nosso 'blog'. E porque, no Verão que acaba de findar, Son Goku e os seus amigos parecem estar novamente 'em alta' entre a juventude portuguesa e não só (com artigos de 'merchandising' alusivos à série disponíveis em várias lojas e grandes superfícies) nada melhor do que viajar, mais uma vez, até ao tempo em que a série 'invadia' pela primeira vez os ecrãs de televisão da juventude noventista lusitana, e criava um 'monstro' de 'merchandising' desde então raramente repetido. Absolutamente tudo o que tivesse sequer a mais ténue ligação a 'Dragon Ball Z' se tornava um sucesso imediato – de t-shirts piratas a figuras de acção ou até discos de 'europop' manhosa– pelo que não é de espantar que, em plena era dos 'brindes das batatas fritas e do Bollycao', as 'suspeitas do costume' – Matutano, Panrico e Cuétara – tivessem centrado várias das suas icónicas promoções em torno dos personagens de Akira Toriyama. De alguns desses brindes, já aqui falámos em outras ocasiões; chega, agora, a altura de juntar mais um produto a essa crescente lista, no caso as 'Mission Cards' da Cuétara.


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Lançadas, presumivelmente, no auge da 'febre' (ou seja, entre os anos de 1996 e 1998) estas cartas mais não eram do que falsos cartões de identidade, algures entre o cartão da escola e aqueles que, por vezes, eram oferecidos promocionalmente por companhias com foco infanto-juvenil, mas com uma temática de 'missão', que as inseria também um pouco no Mundo do 'role-play'. Cada carta trazia, na frente, um personagem da série, e a respectiva missão, dividida em causa e objectivo, enquanto as costas apresentavam uma 'ficha de identidade' para preencher, quer com os dados da própria criança ou jovem, quer com aqueles que se supunham serem o do herói retratado. Era, assim, possível 'inventar' uma comida ou grupo musical favoritos para Son Goku, Vegeta e restantes heróis, num aspecto que, apesar de totalmente irrelevante, não deixava ainda assim de apelar à fértil imaginação dos 'millennials' portugueses, ainda não totalmente extinta pela chegada da era digital.


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Frentes e versos de uma colecção completa.


Um brinde que, apesar de à primeira vista nada ter de especial, tinha na licença um enormíssimo trunfo, o qual não impediu, no entanto, que o mesmo seja menos lembrado do que outros congéneres e contemporâneos, como as figuras tridimensionais ou as cartas Energy Attack, ambas da Panrico. Ainda assim, à época de lançamento, estes brindes terão, sem dúvida, 'enchido as medidas' ao público-alvo – o que, bem vistas as coisas, acaba por ser a única coisa que se exige a uma colecção deste tipo...

Friday, 26 July 2024

Quintas de Quinquilharia: As Tatuagens Temporárias - Entusiasmantes, Mas Controversas...

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Julho de 2024.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram um dos brindes mais populares entre os jovens portugueses dos anos 90 e, apesar de estarem longe de ser consensuais junto dos pais, adornavam muitas vezes a pele da demografia em causa ao longo daqueles últimos anos do século XX, surgindo frequentemente em locais algo invulgares, como as costas da mão, onde podiam ser devidamente admiradas por pares invejosos. Falamos das tatuagens temporárias, uma categoria de quinquilharia que nunca retinha esse estatuto durante muito tempo, mas que não deixa, ainda assim, de ser elegível para esta categoria.


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Adquiríveis em folhas completas na tabacaria ou, frequentemente, como brindes de produtos alimentares (como no caso das tatuagens das Tartarugas Ninja oferecidas pela Panrico no auge da popularidade das mesmas) estes desenhos, normalmente consistentes de personagens populares entre a 'pequenada' ou desenhos e símbolos universalmente considerados 'fixes', eram transferidos da folha adesiva para a pele (ou para qualquer superfície onde se desejasse colocá-las, já que serviam 'função dupla' como uma espécie de autocolante) por meio da aplicação de uma esponja ou pano húmido no reverso da tatuagem, criando assim uma espécie de 'cópia-borrão' da mesma, que podia depois ser removida com água ou álcool quando a criança se 'fartasse' – algo que muitas pessoas certamente desejariam ser possível com tatuagens reais! A desvantagem – e principal razão da natureza polémica destes brindes junto dos adultos – prendia-se com o risco de doenças de pele resultantes do processo, como a urticária, o que fazia com que muitos pais proibíssem o uso deste tipo de tatuagem na pele dos filhos.


Quer se pertencesse a este último grupo ou à percentagem da demografia que orgulhosamente exibia o seu desenho de uma caveira ou Tartaruga Ninja no braço ou nas costas da mão, uma coisa é certa: as tatuagens temporárias marcaram época junto de toda uma geração, em Portugal e não só. E embora este tipo de brinde tenha caido em desuso no mais informado mundo de inícios do século XXI, não é por isso que passa a ter menos nostalgia para quem, há duas ou três décadas atrás, vibrava com a ideia de transferir o recém-adquirido padrão para o seu braço, e causar inveja aos amigos no pátio da escola, no dia seguinte...

Thursday, 25 April 2024

Quintas ao Quilo: Os Ovos Kinder Surpresa - Prazer em Dose Dupla

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 em Portugal ficaram, para o segmento que era então de uma certa idade, marcados (entre outras coisas) por um autêntico 'festim' de doces e guloseimas das mais diversas índoles, algumas ainda 'vivas' (embora significativamente diferentes) e outras desaparecidas para sempre. No entanto, por muito populares que fossem a maioria destes doces e salgados, apenas uma fracção de entre eles atingiu um estatuto verdadeiramente icónico entre os 'putos' da época, fosse pelos apetecíveis brindes que oferecia (como no caso das batatas fritas da Matutano), por se tratar de um 'prazer guloso' (como os Bollycaos ou os Galak Buttons) por ser encontrada um pouco por todo o lado e estar ao alcance até mesmo da mais vazia das carteiras (como as pastilhas Gorila) ou, no caso do produto de que falamos hoje, devido a uma combinação de todos esses factores. Sim, chega agora, finalmente, a vez de falar daquela que talvez seja 'A' guloseima por excelência desse período da História portuguesa, e um pouco até aos dias de hoje: o ovo Kinder.


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Vastamente imitadas, mas nunca igualadas, aquelas deliciosas ovais feitas de dois tipos de chocolate (por fora 'normal', castanho e de leite, e por dentro branco) penetraram o mercado português na década de 80 para não mais o abandonarem, fazendo as delícias de várias gerações não só com a referida (e apetitosa) combinação, mas também (sobretudo) devido ao que continham no seu interior: um cilindro de plástico amarelo, aparentemente simples, mas que qualquer criança ou jovem sabia conter o segredo da felicidade – pelo menos no imediato. Isto porque cada uma das referidas cápsulas continha um pequeno brinquedo de montar ou, em alternativa, uma figura coleccionável de qualquer das inúmeras linhas que a Kinder promovia à época, normalmente tematizadas em torno de espécies animais, e que em breve aqui terão a sua própria Quinta de Quinquilharia. Assim, a compra de um ovo Kinder permitia não só a degustação de chocolate de alta qualidade, mas também a 'surpresa' adicional do brinquedo no interior (daí o nome 'oficial', Kinder Surpresa), oferecendo uma combinação irresistível para qualquer menor de idade; foi, pois, com naturalidade que a Kinder rapidamente se afirmou como uma das líderes do mercado dos chocolates em Portugal, à semelhança do que acontecera já em países como a sua Alemanha natal, o Reino Unido ou a vizinha Espanha.


Conforme acima referido, a marca alemã conseguiria manter essa mesma hegemonia ao longo das quatro décadas seguintes, sendo ainda hoje possível encontrar nas prateleiras ovos Kinder Surpresa; no entanto, os mesmos comportam já algumas diferenças significativas em relação aos que punham a 'salivar' qualquer membro das gerações 'X' ou 'Millennial'. Isto porque, em algum ponto da trajectória da Kinder em Portugal, a produção do chocolate para os referidos ovos deixou de ser centralizada, passando os mesmos a provir de Espanha; com esta mudança, veio um acréscimo no açúcar, passando os referidos ovos a saber menos a 'eles mesmos' e mais a um qualquer outro chocolate. Assim, quem, de momento, quiser recuperar o sabor da infância terá de se deslocar ao estrangeiro, onde os ovos permanecem como eram em Portugal naquela época – embora o elevado volume de problemas e escândalos em que a Kinder se vê periodicamente envolvida possa, potencialmente, servir como elemento desencorajador dessa 'viagem' nostálgica. O melhor mesmo, para poupar tempo, dinheiro e potenciais dissabores, será utilizar esta breve homenagem a um dos grandes doces da infância portuguesa de finais do século XX como forma de 'regressar' àquele tempo, ainda que apenas mentalmente, e sentir na boca aquele 'gostinho' da primeira trinca num ovo Kinder...

Thursday, 11 April 2024

Quintas de Quinquiharia: As Figuras Tridimensionais do Dragon Ball Z - Um Bom Conceito, Mal Executado

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Já aqui por várias vezes mencionámos a euforia em redor de 'Dragon Ball Z' como a maior febre a alguma vez assaltar os recreios portugueses. Ainda mais do que o seu antecessor, e certamente mais do que a sequela, a segunda parte da trilogia de adaptações em desenho animado da banda desenhada de Akira Toriyama captou os corações das crianças e jovens nacionais de uma forma que nem mesmo séries como 'Tartarugas Ninja', 'Os Simpsons' ou 'Power Rangers' haviam conseguido. Absolutamente tudo o que levasse estampadas as feições de Son Goku e amigos, fosse oficial ou pirata, tinha mercado garantido entre a demografia infanto-juvenil – o que, claro está, levou a que muitas companhias tentassem a sua sorte. De entre estas, destacava-se a célebre 'dupla alimentar' de Matutano e Panrico, à época responsável por dois terços dos brindes e quinquilharias coleccionados pelos jovens portugueses. E se algo como um jogo ou simples conjunto de cartas fazia sentido, e mesmo um cubo desdobrável tinha a seu favor o curioso e apelativo formato, já a quinquilharia de que falamos neste 'post' só poderia mesmo ter tido sucesso 'às costas´ de uma franquia mega-popular.


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Isto porque, se o conceito de figuras tridimensionais recortáveis é inerentemente interessante para o público jovem, o facto de a versão oferecida pela Panrico em 1997 não ser autocolante, nem tão-pouco dispôr de uma base para ajudar a colocar as figuras em pé, ou mesmo uma simples caderneta onde as guardar, à imagem do que fazia a Matutano com as suas colecções, tornava-as meros gastos de papel, bem como de espaço nos bolsos ou estojos do público-alvo, destinados a acabar a a 'ganhar pó' numa qualquer gaveta ou canto da casa, esquecidos em favor de novos brindes mais apelativos.


Ainda assim, no momento, aquelas duas dúzias de desenhos em relevo 'tridimensional' dos heróis e vilões da série mais popular de sempre em Portugal terão sido razoavelmente satisfatórios enquanto brinde, e capazes de arrancar um sorriso a quem os retirasse do Bollycao ou das Donettes; à distância de trinta anos, no entanto, é fácil ver 'através' deste brinde, que se afirma como um dos menos interessantes de entre a miríade que lutava pela atenção das crianças portuguesas da época, e hoje interessante apenas para coleccionadores.

Thursday, 21 March 2024

Quintas de Quinquilharia (de Páscoa): Os Brindes dos Ovos de Páscoa

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Qualquer jovem dos anos 90 se recorda do 'frisson' de encontrar, escondido num qualquer canto da casa ou mesmo no centro da mesa da sala na manhã de Domingo de Páscoa, um ou mais ovos de chocolate, prontos a serem 'devorados' sozinhos ou em família. No entanto, mais atractivos ainda do que o próprio chocolate eram os brindes que tendiam a vir 'acoplados' a estes ovos, e que iam de 'quinquilharias' mais simples a objectos ligados a qualquer potencial licença de que os ovos dispusessem.


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Exemplo moderno da tendência em causa.


Normalmente disponibilizados no exterior do ovo, por oposição ao seu interior, como no caso dos ovos Kinder, estes brindes tendiam a dividir-se em duas categorias: os de 'tamanho real' (como os memoráveis carros e peluches disponibilizados com os Kinder Gran Sorpresa) e aqueles que pouco mais eram do que versões maiores das icónicas miniaturas e brinquedos dos ovos de chocolate 'pequenos', comprados no café ou supermercado. E apesar de os primeiros serem, por razões óbvias, mais apetecíveis, a verdade é que até mesmo os mais pequenos faziam sucesso entre o público-alvo; afinal, qual é a criança que não gosta de receber brindes grátis?


Ao contrário de muitas outras tradições de que falamos nestas páginas, esta é uma prática que se mantém relativamente imutável até hoje, sendo quase inevitável ver, por esta altura do ano, ovos de chocolate multi-coloridos nas prateleiras das mais variadas lojas de Norte a Sul do País, muitos deles oficialmente licenciados, e outros com brindes quase maiores do que eles a oferecerem um atractivo adicional, como é o caso dos peluches de Coelhinho da Páscoa dos ovos da Milka. Assim, e por oposição ao que sucede com a maioria dos tópicos por nós abordados, esta é uma tradição partilhada tanto pelas gerações 'X' e 'millennial' como pelas 'Z' e 'Alfa', que - imagina-se - surjam na escola após as férias de Primavera tão 'impantes' com os seus brindes e 'quinquilharias' pascais como os seus pais quando tinham a mesma idade...

Thursday, 29 February 2024

Quintas de Quinquilharia: Os Adornos Para Lápis - A Definição de 'Quinquilharias'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


O dicionário Priberam de língua portuguesa define 'quinquilharia' como 'objecto de pouco valor, geralmente de pequena dimensão, como brinquedos de criança' – e poucas coisas se encaixam tão bem nessa definição como o tema do nosso 'post' de hoje. Isto porque o referido objecto era, de facto, de valor negligenciável – sendo, inclusivamente, prémio habitual das máquinas de brindes de finais do século XX – e adequado a apenas uma função, ela mesma praticamente inútil; e, no entanto, não haverá criança dos anos 90 (nem, a julgar pelos resultados de uma rápida pesquisa na Net, dos dias de hoje) que não tenha tido, e apreciado, pelo menos um exemplar do mesmo.


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Versões modernas do intemporal artigo.


Falamos dos enfeites para lápis, muitas vezes designados informalmente como 'cabeças' – aquelas pequenas figuras ou formas com um buraco na base, através do qual se inseria o lápis, criando assim uma pequena decoração para o mesmo – sendo este o único objectivo a que se destinavam tais 'bugigangas' (embora, indirectamente, ajudassem também a prevenir que os 'roedores' de lápis, como o autor deste 'blog' quando criança e adolescente, danificassem a zona da borracha ou mesmo a madeira do velho HB.) Disponíveis numa grande variedade de materiais – borracha mole, borracha dura, plástico ou madeira – e num número quase infinito de motivos e padrões, estas literais 'quinquilharias' não deixavam, pese embora a sua inutilidade, de fazer as delícias das crianças como elemento puramente estético, particularmente quando combinados com um lápis com padrão e cores semelhantes ao da 'cabeça'.


Mesmo nos mais 'básicos' lápis ´às riscas´ ou de cor sólida, no entanto, estas decorações ajudavam a dar um toque de interesse e originalidade, tornando a experiência de tirar notas, fazer um ditado ou cópia ou preencher um teste ligeiramente mais agradável e divertida. Talvez por isso, ou talvez pela sua alta disponibilidade e preço relativamente baixo, as 'cabeças' de lápis fossem presença assídua, e quase obrigatória, ao lado da caneta multicores e da borracha de cheiro, nos estojos dos alunos do ensino básico daqueles finais de Segundo Milénio – um estatuto de que, presumivelmente, continuarão a desfrutar até o uso de 'tablets' e portáteis substituir, e tornar definitivamente obsoletas, as notas escritas à mão. Ou seja, enquanto houver lápis nos estojos escolares de crianças pré-adolescentes, haverá grandes probabilidades de, algures no interior dos mesmos, se encontrar também uma versão moderna do mesmo objecto que adornou, há duas ou três décadas atrás, as pontas dos lápis dos então jovens 'millennials'...

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...