Portugal Anos 90
Uma viagem nostálgica pela realidade portuguesa durante uma década irrepetível
Tuesday, 4 August 2026
Férias
Monday, 3 August 2026
Sábados aos Saltos: Cinco Brinquedos de Verão Icónicos
NOTA: Este 'post' é correspondente a Sábado, 01 de Agosto de 2026.
Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.
As épocas estivais dos anos 90 ficavam, para as crianças e jovens da época, indelevelmente associadas a uma série de brinquedos e acessórios que faziam parte integrante de qualquer brincadeira de jardim ou praia. Abaixo, deixamos apenas cinco dos mais icónicos.
Raquetes
Talvez o brinquedo mais sinónimo com o Verão, até por poderem ser usadas em qualquer espaço aberto – embora, claro, fosse a praia o seu 'ambiente natural'. O jogo do Verão por excelência para grande parte dos 'Millennials' portugueses, actualmente estranhamente em declínio, embora as raquetes em si continuem a ser presença ubíqua em qualquer barraca de artigos de praia, entre as toalhas, os chinelos e os baldes.
Nem todas as crianças tinham a sorte de ter uma – ou, sequer, um quintal onde a usar – mas, para quem tinha, este era outro dos objectos que assinalava a chegada do tempo quente, e propiciava muitos 'banhos' a quem, por uma razão ou outra, não tinha forma de chegar à praia para chapinhar no mar.
Formas e Baldes
Outro brinquedo icónico actualmente em vias de extinção, apesar de ainda vendido perto de qualquer praia nacional; nos anos 90, no entanto, não havia criança que 'abalasse' para a praia sem, pelo menos, o balde e a pá, para construir castelos de areia.
Colchões Insufláveis
Utilizáveis quer numa piscina 'a sério' (para quem tinha a sorte de ter uma) quer à beira-mar, na zona rasa, estes colchões nunca deixavam de divertir o público-alvo – sobretudo aqueles que tinham partes transparentes que permitiam ver através do colchão, adicionando uma camada extra àquele que era, já de si, um produto que proporcionava muitos e bons momentos às crianças e jovens. Como os restantes produtos nesta lista, é raramente visto nos dias de hoje, pelo menos no contexto do litoral.
E, claro, melhor que os colchões insufláveis só mesmo as pranchas de bodyboard tamanho 'miniatura', que permitiam às crianças mais pequenas imaginarem-se no lugar dos adolescentes e adultos que, mais à frente na linha de água, enfrentavam verdadeiramente as ondas e demonstravam a sua mestria no desporto em causa. Único produto da lista que nunca perdeu a popularidade – algo que, aliás, dificilmente acontecerá, dado o continuado interesse das crianças em surf e bodyboard, e o cada vez maior número de escolas de surf presentes nas praias portuguesas.
Apesar de podermos ainda mencionar outros tantos brinquedos icónicos da época e hoje quase desaparecidos (como as Super Soakers, barbatanas, braçadeiras, bóias ou papagaios de papel) ficamo-nos, por agora, pelos cinco produtos – os quais, por si só, terão já decerto feito despontar memórias de infância na mente de muitos leitores deste 'blog', e fomentado o desejo de apresentar alguns ou todos estes brinquedos à geração mais nova, para que não se percam as 'tradições' de praia portuguesas...
Saturday, 1 August 2026
Sessão de Sexta: 'O Melga' (!996) - A Comédia Mais 'Negra' de Jim Carrey
NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-feira, 31 de Julho de 2026.
Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.
Já aqui anteriormente falámos do absoluto 'estado de graça' de que Jim Carrey gozava entre as crianças dos anos 90 (em Portugal e não só) graças a êxitos de bilheteira como 'Doidos À Solta', 'A Máscara', 'Batman Para Sempre' ou 'O Mentiroso Compulsivo'; assim, não é de surpreender que até filmes ligeiramente mais 'sombrios' (pelo menos a nível do conceito) acabassem por entrar na consciência colectiva juvenil, e por atrair às salas de cinema espectadores bem mais novos do que talvez fosse esperado. É o caso, por exemplo, do filme, estreado há pouco mais de trinta anos nos cinemas portugueses, a que as próximas linhas dizem respeito.
Chegado a Portugal a 19 de Julho de 1996, 'O Melga' ('The Cable Guy' no original) traz Carrey no papel de um técnico de TV Cabo que, ao ser chamado a casa de um cliente (interpretado por Matthew Broderick, que havia sido Ferris Bueller e viria a ser o Inspector Engenhocas) se torna obcecado por ele, tentando por todos os meios conquistar a sua amizade – incluindo de formas altamente questionáveis. Uma premissa bem ao estilo 'comédia negra', algo distante do habitual material tanto de Carrey como do aqui realizador Ben Stiller, mas que – por ter o 'Máscara' num dos papéis principais – terá certamente sido visto por muitas crianças e jovens da altura durante a sua estadia nos ecrãs portugueses.
Infelizmente, 'O Melga' não logrou ter a longevidade dos outros êxitos de Carrey, fazendo hoje parte de um 'lote' de filmes representativos daquela era da carreira do actor, quando era exclusivamente um comediante capaz de expressões elásticas, e ainda não se havia consagrado como actor mais 'sério'. Ainda assim, o tom mais 'sombrio' e adulto (com referências a doenças mentais, como a que acomete o próprio personagem de Carrey) talvez faça deste filme uma boa Sessão de Sexta para fãs do actor entretanto 'crescidos' e em processo de revisitação da infância e juventude, que talvez encontrem, depois de adultos, toda uma nova dimensão naquilo que, há trinta anos, parecia apenas mais uma comédia tresloucada com o 'selo' Jim Carrey.
Thursday, 30 July 2026
Quintas de Quinquilharia: A 'Edição de Verão' das 'Janelas Mágicas'
Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.
Numa edição anterior desta rubrica, falámos das 'Janelas Mágicas', um dos mais memoráveis brindes do Bollycao para quem era de uma certa idade em inícios dos anos 90; o que poucos saberão (ou do que poucos se recordarão) é que a Olá procurou, também ela, capitalizar sobre o sucesso daquele conceito, tendo lançado uma série protagonizada por uma das suas mascotes, no caso o rapazinho ruivo que, desde há décadas, vem sendo figura de proa do Epá.
Surgiam assim, num daqueles longos e quentes Verões dos anos 90, as 'Janelas Mágicas Epá', presumivelmente oferecidas na compra do gelado, e cuja mecância era em tudo semelhante às precursoras do Bollycao: cada cartão tinha uma pequena cena que podia, depois, ser 'colorida' mediante a aplicação de um pedaço de plástico sobre a ilustração. A única diferença, conforme mencionámos, é que a colecção da Olá tinha como protagonista exclusivo o personagem licenciado da marca, que surgia em nada menos do que uma dezena e meia de situações, retratadas por meio de ilustrações detalhadas ao estilo de banda desenhada, as quais revelavam até algum esforço por parte do seu anónimo criador.
Infelizmente – talvez por ser um conceito já antes visto, ou por o Epá estar longe de ser o mais popular de entre os gelados da Olá – esta segunda colecção de 'Janelas Mágicas' ficou longe do sucesso da antecessora, constituindo hoje, sobretudo, uma curiosidade esquecida de uma época em que até o mais simples pedaço de papel oferecido na compra de alimentos conseguia surpreender e deliciar a grande maioria das crianças portuguesas e não só; numa altura do ano em que o calor aperta e os gelados vivem o seu período áureo de vendas, nada melhor, portanto, do que recordar uma das poucas instâncias em que as guloseimas veranis deram direito a brinde.
Wednesday, 29 July 2026
Quartas aos Quadradinhos: Trinta Anos da Divulgação do Trabalho de Um Precursor
A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
A vastidão de banda desenhada de qualidade presente no mercado português de finais do século XX e inícios do seguinte poderia levar qualquer jovem da altura a esquecer que, como qualquer movimento artístico, o florescimento dos 'quadradinhos' em Portugal teve, forçosamente, de ter um ponto de partida. Felizmente, em meados da década, várias editoras fizeram sua a missão de celebrar e divulgar estes pioneiros para uma nova geração, através de álbuns como 'O Mosquito – 60 Anos' (de que falámos na última Quarta aos Quadradinhos) e o tomo de que falamos esta semana, que resgata o trabalho do 'pai' da BD nacional, Rafael Bordalo Pinheiro.
Bem conhecido pelo seu trabalho como caricaturista, e como criador do Zé Povinho (o estereótipo do português de classe trabalhadora da época), Bordalo deixou também, no entanto, a sua marca na sociedade portuguesa de finais do século XIX como criador de banda desenhada, publicada em formato de 'tiras' no jornal 'O Comércio do Porto Illustrado' ao longo de mais de uma década, entre 1892 e 1904. Eram essas bandas desenhadas que o álbum publicado em 1996 pela editora Aventura Gráfica, e simplesmente intitulado 'Bandas Desenhadas de Rafael Bordalo Pinheiro', reunía e apresentava, um século depois, às novas gerações.
Embora o trabalho de recolha e divulgação fosse louvável, no entanto, o estilo de banda desenhada praticado na época de Bordalo era (e é) demasiado diferente para poder ser apreciado fora de contexto, podendo parecer estranhamente 'chato' para leitores modernos (ainda que a qualidade artística seja inegável). Talvez por isso não se tenha ouvido falar mais extensamente desta obra da Aventura Gráfica, quer à época da sua publicação, quer nas três décadas subsequentes. Ainda assim, e conforme acima mencionámos, trata-se de um esforço mais que louvável, e que bem merece esta nota por alturas do trigésimo aniversário da sua publicação.
Tuesday, 28 July 2026
Terças Tecnológicas: Vinte e Cinco Anos de Um Jogo 'Invulgar'
NOTA: Por razões de relevância temporal, esta Terça será Tecnológica.
A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
Os últimos anos da década de 90, e primeiros da seguinte, viram dar-se uma alteração no mundo dos videojogos, com os títulos mais simples e lineares característicos da era dos 8, 16 e 32-bits a darem lugar a jogos com narrativas mais complexas, visual cinematográfico, e jogabilidade menos directa e mais envolvente – um paradigma que apenas se viria a solidificar no quarto de século subsequente. E se títulos como 'Shenmue' ou 'Hitman' se afirmavam, desde logo, como precursores dessa tendência, seria há quase exactos vinte e cinco anos que o novo género ganharia um dos seus representantes verdadeiramente 'de peso', e que faria correr muita tinta na imprensa especializada da época.
Falamos de 'Max Payne', originalmente lançado para PC a 25 de Julho de 2001, e que misturava a estética 'policial aos quadradinhos' de 'Sin City' com o estilo cinematográfico de John Woo, o famoso efeito 'bullet time' de 'Matrix' e até elementos da mitologia nórdica, para criar um produto final em que a história quase se sobrepunha à jogabilidade. Em termos práticos, tratava-se de um jogo de acção em terceira pessoa, com elementos de evasão ao estilo 'Hitman' ou 'Metal Gear Solid', mas esse estava longe de ser o seu único factor de interesse; pelo contrário, era na ambientação e enredo cinematográficos que o jogo apostava na sua tentativa de cativar o público-alvo.
Mesmo à distância de vinte e cinco anos, e apesar de mostrar, naturalmente, a sua idade, é fácil perceber a razão por detrás do sucesso de 'Max Payne', jogo que oferecia algo ainda pouco comum à época e que, como tal, não podia deixar de cativar os fãs de videojogos que procurassem algo novo e fora do vulgar em que se 'enredar'; razão mais que suficiente para que aqui celebremos o histórico aniversário que acaba de se assinalar, e dediquemos umas breves linhas ao 'gerador' de uma franquia que viria a dominar o panorama dos jogos em terceira pessoa durante a década subsequente, e que continua a ser lembrada com afecto até aos dias que correm.
Monday, 27 July 2026
Segundas de Sucessos: Em Memória de Luís Represas (1956-2026)
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
Há pouco menos de uma semana, o panorama da música portuguesa viu-se, infelizmente, deprivado de mais um dos seus grandes nomes – um músico conhecido tanto da Geração X como dos 'millennials', embora por razões diferentes, e cujo contributo para o panorama musical nacional é absolutamente inegável. Falamos de Luís Represas, o cantautor de quem já aqui anteriormente falámos 'de passagem' mas a quem nunca prestámos verdadeiramente homenagem – algo que fazemos agora, como forma de assinalar o seu falecimento, aos apenas sessenta e nove anos de idade.
Membro da geração 'construtora' do pop-rock português moderno, e contemporâneo de nomes como Tim ou Jorge Palma, além de membro fundador dos seminais Trovante, Luís Represas deixaria a sua marca de forma algo mais abertamente 'comercial' que estes, sabendo sempre envolver as suas mensagens muitas vezes contestatárias em 'embalagens' musicais acessíveis e prontas para o 'airplay' radiofónico, sempre com a sua característica e distintiva voz como elemento principal. Tendo em conta este aspecto da sua música, não deixa de ser curioso que o seu segundo maior sucesso tenha surgido em forma de dueto, no caso com o congénere cubano Pablo Milanés, com quem grava a imortal e arrepiante 'Feiticeira', demonstração cabal do poder vocal de ambos os intérpretes, e que, juntamente com o hino de solidariedade com Timor-Leste, 'Ai Timor', constitui a música mais conhecida da carreira do arista.
Com nome estabelecido ainda antes da gravação do primeiro álbum a solo, não era difícil a Luís Represas notabilizar-se no meio musical português, tendo o cantautor rapidamente adquirido um estatuto que lhe permitia apresentar programas na RTP ('A Música DosOutros', do qual já aqui anteriormente falámos), ser convidado para interpretar missas em ambiente solene, gravar retrospectivas de carreira com orquestras sinfónicas, compôr 'jingles' para campanhas de solidariedade (a contagiante 'Quero Uma Casa Deste Tamanho', gravada para uma iniciativa da Swatch em 2002) ou mesmo escrever um livro infantil! Isto, claro, além dos nove álbuns de originais e inúmeras colaborações com músicos de relevo dos PALOPS que efectuou ao longo das suas três décadas de carreira a solo, que chegaram abruptamente ao fim no passado dia 22 de Julho, menos de dois anos após o lançamento daquele que acabaria por ser o seu registo de despedida, 'MIRAGEM'. Que descanse em paz.
Férias
O Anos 90 vai de férias de Agosto. Vemo-nos em Setembro, com os mesmos conteúdos nostálgicos de sempre. Até lá!
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