Tuesday, 22 September 2026

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o panorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos – Jorge Palma, vitimado por um ataque de coração na sua casa em Lisboa, pouco mais de dois meses após ter celebrado o seu septuagésimo-sexto aniversário.

Ainda que associado sobretudo à cena musical portuguesa dos anos 80, em que viveu o seu período de maior sucesso, o cantautor lisboeta (nasceu na Penha de França) teve, ainda assim, papel preponderante no 'boom' do pop-rock nacional que se prolongou até finais da época seguinte, na qual participou enquanto membro do super-grupo RioGrande e, mais tarde, da 'continuação', denominada Cabeças No Ar. Ainda antes, em inícios da década, foi peça fulcral na criação e abertura do Johnny Guitar, principal bar de 'rock' da Lisboa da época, no qual actuava frequentemente com o seu outro super-grupo, Palma's Gang, fundado juntamente com elementos dos Xutos e Pontapés e Rádio Macau. Pelo meio, logrou manter o ascendente na carreira a solo, tendo o seu trajecto nos anos 90 sido coroado com uma série de exibições no recinto da Expo '98, hoje Parque das Nações. O sucesso prolongar-se-ia, aliás, até aos dias que correm, datando o último álbum de 2023, e tendo Palma sempre sido merecedor do mesmo respeito que lhe vem sendo demonstrado nas horas desde a sua morte. Que descanse em paz.

Wednesday, 16 September 2026

Segundas de Séries: Vinte e Cinco Anos de Uma Série Diferente

 NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026.

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

As séries 'episódicas', daquelas em que cada nova emissão traz um caso a resolver com urgência ao mesmo tempo que progride a narrativa alargada, não têm, historicamente, grande tradição em Portugal. O nosso País nunca teve, por exemplo, uma versão localizada de 'CSI' ou 'Serviço de Urgência' – o que não significa que tal tipo de programa nunca tenha sido tentado em solo nacional. De facto, no início do Novo Milénio, a RTP procurou colmatar esta lacuna e produzir uma série de advogados 'à portuguesa', seguindo o típico formato anglófono, mas com personagens e tramas adaptadas à realidade nacional. Surgia assim 'Segredo de Justiça', exibida pela primeira vez a 14 de Setembro de 2001 – precisamente um quarto de século antes da data prevista de publicação deste 'post'.


Ricardo Carriço como João Castello

Com um advogado recém-regressado do Brasil como personagem principal (João Castello, interpretado pelo então ainda 'em alta' Ricardo Carriço) a série segue uma estrutura que será familiar a qualquer adepto de ficção televisionada – em cada episódio, Ricardo defende uma nova vítima, enquanto no seu tempo livre prossegue a busca pelo pai, também advogado e misteriosamente desaparecido, narrativa transversal que alimentou os treze episódios exibidos entre meados de Setembro e o final do ano.

Infelizmente, tal como sucedia e sucede com tantas outras séries, também 'Segredo de Justiça' não foi além de uma temporada, talvez devido à forte concorrência de outros programas nacionais,com destaque para 'Anjo Selvagem', a icónica novela da TVI que completou vinte e cinco anos durante as férias do Anos 90, a 03 de Setembro. Ainda assim, vale recordar esta tentativa declarada de fazer algo de diferente no panorama televisivo português, quando também ela celebra um quarto de século sobre a sua estreia.

Tuesday, 15 September 2026

Domingo Desportivo: Trinta Anos de Futebol Feminino Profissional em Portugal

 NOTA: Este post é respeitante a Domingo, 13 de Setembro de 2026.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar da maior representatividade de que gozou nos últimos anos, o futebol feminino foi – ao contrário de outras modalidades, como o voleibol – parente muito distante e algo ignorado do congénere masculino, com muitos países a demorarem décadas a 'abraçar' o desporto-rei 'de saias'. Um desses países foi Portugal, onde o mais antigo campeonatos nacional feminino desta modalidade – a Taça Nacional Sénior - completa este ano apenas três décadas de vida.

Hoje segundo escalão do FutFem nacional, a Taça Sénior começou por ser a única competição disputada em Portugal, estatuto que manteria durante quase duas décadas, até à criação do Campeonato Nacional, em 2013-14. Assim, quem nos anos 90 e 2000 quisesse ver a 'nata' do futebol feminino mais não tinha do que escolher entre um dos doze jogos semanais, embora a visualização do mesmo fora do próprio estado se pudesse revelar complicada, dada a falta de cobertura.

Logo desde os primeiros campeonatos, ficou claro quem seria a equipa hegemónica dessa primeira meia-década, com o GCD Del Negro a conquistar 'sem espinhas' os quatro primeiros campeonatos da modalidade alguma vez disputados em Portugal; curiosamente, no entanto, essa agremiação concederia, no final da década, a hegemonia ao Benfica, ganhando apenas mais dois títulos até aos dias de hoje (os quais fazem dela, ainda assim, a equipa mais condecorada da competição.) Seriam, pois, as 'águias' a dominar os anos 2000, sagrando-se tetracampeões e ganhando um total de cinco campeonatos durante esse período, antes de a fasquia competitiva nivelar e deixar de haver claros favoritos.

Hoje em dia, tal como referimos, a Taça Nacional Sénior cedeu o protagonismo ao Campeonato Nacional de Futebol Feminino; os amantes de 'longa data' da modalidade não esquecerão, no entanto, esta pioneira prova, hoje relegada para 'segunda divisão', mas sem a qual o desporto-rei no feminino talvez nunca tivesse chegado a desabrochar em Portugal.

Monday, 14 September 2026

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: Printemps - Um 'Luxo' de Loja

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 11 e Sábado, 12 de Setembro de 2026.

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

O final dos anos 80 e inícios dos 90 foi uma época áurea para o surgimento em Portugal de cadeias internacionais, que aproveitavam a maior abertura do País para o Mundo (resultante da adesão à CEE, em 1985) para o incluírem nos seus esforços de expansão internacional. Uma dessas cadeias juntava-se aos vários outros exemplos desta tendência há pouco mais de trinta e cinco anos (em Maio de 1991, pouco depois da sua assimilação ao grupo Pinault-Printemps-Redoute), assentando 'arraiais' no local por excelência para este tipo de lojas à época - o icónico CascaiShopping, nos arredores de Cascais, na Grande Lisboa, onde rapidamente se tornaria loja de referência e motivo para visita.

Com foco tanto em moda como em decoração e naquilo a que se viria a chamar 'lifestyle', a Printemps afigurava-se perfeita para o público daquela zona, sempre atento a novas tendências e com gostos sofisticados aliados a algum poder de compra – precisamente a demografia a que a cadeia francesa ainda hoje aponta. Assim, não é de admirar que a loja (que, ao contrário do que é habitual, permaneceria única em Portugal) lograsse prosperar durante toda a década final do século XX, vindo a fechar apenas já perto do dealbar do Novo Milénio, numa altura em que o CascaiShopping perdera a sua 'aura', derivado da abertura, em Lisboa e Porto, de novasgrandes superfícies comerciais.

Ainda assim, durante os quase exactos oito anos que passou em Portugal, a Printemps foi capaz de marcar época junto da sua demografia-alvo, afirmando-se como mais uma das lojas que certa parcela da geração 'millennial' portuguesa (embora não toda) guarda com afeição na sua memória colectiva, e merecendo portanto plenamente este destaque nas páginas do nosso blog.

Thursday, 10 September 2026

Quintas de Quinquilharia: Vinte e Cinco Anos de Uma Linha 'Acelerada'

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.

Quando o modelo de negócios de uma marca ou produto passa por incluir brindes no interior da embalagem durante literais décadas, é de esperar que, a dado ponto, a criatividade sofra um rombo, e as referidas ofertas decresçam um pouco de qualidade; mas se tal se aplicou, por exemplo, aos ovos Kinder (hoje muito longe dos tempos de incluir bonecos detalhados nas suas famosas cápsulas amarelas) a verdade é que todos os outros 'gigantes' alimentares infanto-juvenis não só evitaram esse declínio como lograram oferecer alguns dos seus melhores brindes em fases mais avançadas da sua existência. Foi o caso, por exemplo, do Bollycao, que, há cerca de vinte e cinco anos, oferecia uma colecção com um daqueles 'extras' que, para quem era de uma certa idade, a catapultava (passe o trocadilho) de apenas interessante para algo mais próximo do essencial.


Tratava-se da linha 'Bolly-carros', cujo nome não era a única demonstração de genialidade. Isto porque aquilo que, à primeira vista, aparentavam ser meros pedaços de cartão com imagens de carros de corrida genéricos podiam, quando conectados a um 'lançador' (ou 'Starter') disponível em loja ou através do 'site' do produto, ser projectados a alguma distância, num mecanismo, presumivelmente, semelhante ao que fazia voar os famosos BeyBlades, que se popularizariam poucos anos depois; em 2001, no entanto, a Panrico era pioneira desta tecnologia, e criava um conceito original e apelativo, o qual, surpreendentemente, cairia no esquecimento da segunda vaga de 'Millennials' lusitanos, talvez por não estar associado a qualquer licença mediática 'da moda'.

Ainda assim, quanto mais não seja pela originalidade da mecânica de lançamento, os 'Bolly-carros' fazem por merecer algumas linhas nesta nossa rubrica, no ano em que se completa um exacto quarto de século sobre o seu aparecimento no interior das embalagens de Bollycao. Pena, pois, que Portugal não tenha tido direito a receber a 'segunda vaga' desta colecção, bem mais detalhada, e criada em conjunto com a Scalextric, produtora de carrinhos à escala e pistas de corridas...

Wednesday, 9 September 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Conclusão da A1

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Hoje em dia, a A1 – a auto-estrada que liga as cidades de Lisboa e Porto, também conhecida como Auto-Estrada do Norte – é uma das mais utilizadas e mais essenciais vias rápidas em todo o País, permitindo acesso a qualquer das 'duas capitais' em matéria de poucas horas. Pode, pois, ser difícil lembrar o quão recente é a sua construção, a qual se completou apenas já em finais do século XX.

Foi, de facto, apenas há cerca de trinta e cinco anos – concretamente, a 13 de Setembro de 1991 – que aquela que viria a ser a maior auto-estrada do País viu ser concluído o seu último troço, após exactos trinta anos de construção, encurtando assim significativamente o tempo de viagem 'entre capitais' a centenas de milhares de 'alfacinhas' e 'tripeiros', bem como a tantos outros residentes de outras localidades na sua rota que se deslocassem a qualquer das cidades a negócios, ou para compromissos temporários. No quarto de século subsequente, a via rápida em causa apenas viu aumentar o número de utilizadores diários, justificando obras de alargamento e cimentando-se como principal via automóvel em Portugal – o que torna mais do que meritória esta breve menção nas nossas páginas, na iminência do trigésimo aniversário da sua conclusão e do sexagésimo do início das obras.

Tuesday, 8 September 2026

Segundas de Sucessos/Terças de TV: Vinte e Cinco Anos de Um Programa Vanguardista

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026.

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.

Hoje em dia, programas como 'Dancing On Ice' ou 'Dancing With The Stars' continuam a fazer sucesso, nos seus vários formatos localizados e internacionais, um pouco por todo o Mundo, Portugal incluído; nos primeiros anos do século XXI, no entanto, este estilo de programa encontrava-se, ainda, numa fase muito embrionária – o que torna ainda mais surpreendente descobrir uma criação original portuguesa em plena grelha de programação da RTP (talvez o canal mais inesperado no qual ver algo deste tipo) em pleno ano de 2001! Falamos de 'Danza Café', emissão dedicada às danças e estilos latinos que fazia a sua estreia nas noites da RTP há exactos vinte e cinco anos, a 9 de Setembro daquele ano.

A dupla de apresentadores.

Apresentado pela dupla Patrícia Bull e André Maia, o concurso em causa testava o conhecimento de danças latinas e de salão dos concorrentes, com cada par a dançar, primeiro, ao som de dois temas de um estilo previamente definido (interpretados ao vivo por uma banda) antes de, na verdadeira 'prova de fogo' de cada emissão, os dois melhores pares de cada 'eliminatória' verem testada a sua capacidade de improviso ao terem de reagir a um 'medley' de diversas músicas e estilos. Os grandes vencedores de cada episódio apuravam-se para a semi-final e, com sorte, para a finalíssima, onde seriam encontrados os grandes vencedores de toda a temporada.

Um formato que combinava vários elementos do agrado dos portugueses – concursos, danças latinas, danças de salão e pessoas 'bonitas' – e que, num dos canais privados, talvez tivesse ido ainda além dos quatro meses da primeira temporada. Na RTP, no entanto, ficou-se mesmo por aí esta primeira tentativa de criar um concurso de dança televisionado em horário nobre; ainda assim, quanto mais não seja pelo arrojo da ideia, não é demais celebrar com estas linhas os vinte e cinco anos de uma emissão que se pode, verdadeiramente, considerar vanguardista para a sua época.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...