Friday, 5 June 2026

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

 Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Em inícios do século XXI, o mercado cinematográfico da animação vivia uma situação peculiar e sem precedentes: o lento declínio da Disney enquanto líder hegemónica (iniciado ainda em finais dos anos 90, e que tinha na absurda quantidade de sequelas directas para vídeo o seu principal indicador) abria caminho para o aparecimento de uma companhia capaz de rivalizar com a 'casa do Rato Mickey'. E, numa espécie de versão Hollywoodesca do que acontecia com a WWF e a WCW no mercado da luta livre, essa concorrente não tardaria a surgir, liderada (surpreendentemente, ou talvez não) por um ex-executivo da própria Disney na sua chamada 'Renascença' – Jeffrey Katzenberg, que havia sido substituído poucos anos antes pelo homem responsável pelas sequelas e outras manobras 'duvidosas', Michael Eisner – e com apoio financeiro de um dos maiores nomes de Hollywood da altura. Steven Spielberg.


Não admira, pois, que a Dreamworks não tardasse a estabelecer uma reputação firme como o 'segundo grande' da animação noventista, apresentando uma qualidade até então apenas presente nos filmes de Don Bluth, eles mesmos em lento mas perceptível declínio naqueles últimos anos do século XX. Mas enquanto que filmes como 'O Caminho Para El Dorado', 'O Príncipe do Egipto' ou 'Anastasia' (realizado pelo próprio Bluth) seguiam moldes muito semelhantes aos dos clássicos da fase renascentista da Disney, procurando competir com estes ao mesmo nível, seria com o seu primeiro filme do Novo Milénio que Katz e Spielberg verdadeiramente deixariam a sua marca no mercado da animação, com um filme subversivo e arrojado, que não só revolucionava e redefinia o conceito do que era um filme animado, mas também escarnecia directa e abertamente de todos os estereótipos empregues pela Disney nos seus tradicionais 'contos de fadas' desenhados, numa 'provocação' directa àquele que era, ainda, o maior estúdio de animação do Mundo,

Falamos, claro está, de 'Shrek', o primeiro 'capítulo' de um 'anti-conto de fadas' que dominaria a cultura popular (e as bilheteiras) durante as duas décadas seguintes, tornando-se a primeira de várias franquias altamente populares e reputadas lançadas pela Dreamworks, e dando azo a um 'império' de 'merchandising' encabeçado pelas três sequelas (a primeira das quais considerada uma das melhores 'segundas partes' de sempre, em qualquer género cinematográfico) e dois especiais (de Natal e 'Halloween'); e todo esse sucesso tinha início numa simples paródia da 'fórmula' Disney, protagonizada por um personagem explícita e propositadamente feio, e que surpreendia muita gente com uma 'reviravolta' final verdadeiramente inesperada.

É esse o filme que celebra, este fim de semana, o quarto de século sobre a sua estreia nacional (a 7 de Junho de 2001) aquando da qual atraía de imediato as atenções de uma geração já demasiado 'adulta' (e auto-conscienciosa) para filmes de 'desenhos animados', que encontrava na vertente satírica e sarcástica de 'Shrek' a 'desculpa' perfeita para satisfazer o seu lado mais infantil. E a verdade é que o filme não desapontava, mostrando-se tão ou mais apropriado para um público adolescente e adulto do que para o infantil, e impressionando não só na componente técnica (embora, hoje em dia, seja fácil perceber as limitações da animação, sobretudo por comparação com a primeira sequela, lançada dois anos depois) como no aspecto sonoro, com excelente utilização de música 'pop' (a abertura ao som de 'All-Star', dos Smash Mouth, é uma das mais icónicas de sempre) e elenco de luxo quer na versão original quer na dobrada em Português, e sobretudo na escrita, que conseguia misturar de forma harmoniosa referências visuais ao estilo 'Scary Movie' e 'alfinetadas' à rival Disney com um enredo algures entre o conto de fadas e a 'missão de um homem só' (ou, neste caso, de um ogre e um burro). O resultado não podia deixar de ser um sucesso, um clássico geracional que marcou de tal forma os 'millennials' de todo o Mundo que é algo 'penoso' ver 'Shrek' ser apenas um 'meme' para os elementos da geração seguinte.

É, pois, com relativa boa-vontade e nostalgia que esses mesmos 'millennials' recebem as intermináveis repetições de 'Shrek' e das suas sequelas nos Natais e Páscoas da televisão portuguesa, dedicando mesmo algum tempo a rever aqueles clássicos nostálgicos da sua juventude, nascidos da necessidade de um homem fazer o equivalente cinematográfico de um 'manguito' à sua ex-companhia. E a verdade é que o impacto cultural de 'Shrek' se fez sentir não só no imediato (com o filme a servir de inspiração a outra franquia 'perene', a sátira de sátira 'A Idade do Gelo') como a longo-prazo, com a Dreamworks a consolidar a sua posição no mercado e a atingir níveis de sucesso que quase rivalizam com os da própria Disney. E se, por entre dragões e pandas, teria sido fácil ao ogre, burro e restantes 'comparsas' perder-se na 'multidão', aconteceria, de facto, o exacto oposto, com um quinto capítulo de 'Shrek' actualmente em produção, exactos vinte e cinco anos após o discreto despontar daquela que viria a ser a primeira grande franquia de animação do Novo Milénio.



Wednesday, 3 June 2026

Quartas Aos Quadradinhos/Quintas No Quiosque: 'Maria Jornalista', Um Conceito Tão Audaz Quanto Esquecido

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Quinta-Feira, 04 de Junho de 2026.

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.

A existência de páginas de banda desenhada em jornais, ou nas respectivas revistas, não era, de todo, caso inédito na imprensa portuguesa dos anos 90, embora, na grande maioria destes casos, o material se resumisse a 'tirinhas' importadas da América do Norte - salvo, claro, algumas excepções, várias das quais já aqui abordadas. O que a Notícias Magazine fazia em 1994, no entanto, não tinha precedentes na História da banda desenhada em órgãos de imprensa escrita, e não deixa de ser surpreendente que, hoje em dia, a iniciativa se encontre algo esquecida, tanto pela Net como pelos próprios 'X' e 'millennials' nacionais.



As contribuições de Fernando Bento e José Ruy (crédito das fotos: Outras Leituras do Pedro)

Talvez esse reduzido impacto se deva ao curto espaço de tempo em que as aventuras de 'Maria Jornalista' surgiram nas páginas da revista de fim-de-semana do Diário e Jornal de Notícias – no total, a personagem teve direito a apenas uma dezena de pranchas, cada uma com duas páginas e desenhada por um autor diferente. No entanto, ao longo daquilo que, no fundo, era uma mini-série, o potencial do conceito era explorado ao máximo, com a rotação de criadores a permitir uma grande variedade de estilos e atmosferas, que iam da comédia à acção e aventura, e o apoio da Notícias Magazine a tornar possível a inserção, em cada história, de personagens e acontecimentos reais e relevantes à época de publicação. Uma empreitada verdadeiramente original e pioneira, portanto, que merecia ser melhor lembrada, mas que, surpreendentemente, nunca foi compilada em qualquer tipo de formato comercial – isto apesar de a própria Notícias ser, já à época, uma das principais casas editorias portuguesas!

Sem o apoio de um álbum, no entanto, era inevitável que 'Maria Jornalista' adquirisse, praticamente, contornos de 'audiovisual perdido', sendo as pranchas que ilustram esta edição o único vestígio existente na Web de que esta série efectivamente existiu – isto apesar da panóplia de nomes sonantes da BD portuguesa que davam vida às pranchas, entre os quais se incluíam Luís Louro, Luís Diferr, Baptista Mendes ou José Ruy. Cabe, pois, ao Anos 90 contribuir para a expansão do material digital sobre a mini-série da Notícias Magazine, para que a mesma não seja totalmente esquecida, e possa ser divulgada junto das novas gerações de 'bedéfilos' nacionais.

Tuesday, 2 June 2026

Terças Tecnológicas: Os 'Walkie-Talkies' Infantis - O Complemento Electrónico Às Brincadeiras de 'Faz de Conta'

 A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Já aqui amplamente falámos de como as décadas de 80 e 90 foram a era, por excelência, da expansão dos brinquedos tecnológicos e electrónicos. A globalização do comércio de componentes resultava numa baixa do preço dos mesmos, a qual, por sua vez, os tornava mais acessíveis aos fabricantes de produtos para revenda, que não hesitavam em 'inundar' o mercado com toda a espécie de brinquedos com funções de luz e som ou digitais, ou mesmo versões 'à escala' de verdadeiros aparelhos electrónicos, destinados a um público infanto-juvenil. É de um exemplo destes últimos, muito popular nas décadas em causa, que falamos esta Terça-feira.

Apesar de raramente funcionarem como deveriam a distâncias de mais do que alguns (poucos) metros, os 'walkie-talkies' infantis não deixavam, ainda assim, de exercer fascínio sobre o seu público-alvo, cuja fantasia e faz-de-conta ajudavam a fomentar. De facto, mesmo com a sua funcionalidade limitada, os pequenos rádio-receptores e transmissores permitiam aos mais novos imaginarem-se soldados, polícias ou espiões, em comunicação secreta e remota com os seus companheiros, 'acampados' ou em 'missão secreta' do outro lado do quintal ou da rua, ou numa das outras divisões do apartamento, tornando-os um elemento de valor nas brincadeiras de fim-de-semana.

Tal como sucede com muitos outros produtos abordados nestas páginas, no entanto, também a 'era áurea' dos 'walkie-talkies' descambou, inevitavelmente, para a obsolescência, sobretudo após o aparecimento de produtos que cumpriam a sua limitada função tão bem ou melhor que os mesmos, como os telemóveis; ainda assim, para os membros de determinada faixa etária, estes aparelhos representam, ainda, parte integrante de muitos bons momentos de infância, justificando assim o destaque que ora recebem nestas páginas.

Monday, 1 June 2026

Segundas de Séries: Trinta Anos da Recuperação de Um Clássico da Comédia

 Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.

Uma das formas que os quatro canais portugueses tinham, em finais do século XX, para preencher espaços livres nas suas grelhas era através da repetição de séries clássicas de décadas passadas, dando assim a todo um novo público a oportunidade de as conhecer e, potencialmente, as começar a seguir. E apesar de o canal mais pródigo nesta estratégia ser a RTP2 – que preenchia, invariavelmente, os seus inícios de noite da época com 'sitcoms' clássicas dos anos 60 – as outras emissoras tão-pouco eram avessas a esta prática, como o demonstra o facto de, em inícios de Junho de 1996 (há quase exactos trinta anos, portanto) a TVI ter dedicado um bloco dos seus próprios inícios de noite a 'Olho Vivo', outro exemplo histórico e icónico do modelo de 'sitcom' americano, da mesma época das da RTP2.

Foi assim que toda uma nova geração de jovens ficou a conhecer o azarado Smart, Maxwell Smart, Agente 86 de uma das muitas agências que proliferavam na ficção da altura, obcecada com o género da espionagem. A diferença é que o serviço secreto a que Smart pertencia havia sido criado por Mel Brooks, o que garantia muitas gargalhadas ao longo de três temporadas, com conceitos como o 'Cone de Silêncio' (que funcionava até bem demais) e a tensão romântica entre Smart e a parceira, a Agente 99, uma 'beldade' de botas altas e vestido curto, bem ao estilo da época.

E apesar das então quase três décadas entre a estreia da série nos EUA e o seu regresso à TVI, a comédia de 'Olho Vivo' revelou-se intemporal o suficiente para criar novos fãs, tendo o programa, inclusivamente, sido repetido ainda alguns anos mais tarde, como parte da grelha de um dos canais de 'Memória' da TV Cabo. Uma aposta ganha pela estação de Queluz, portanto, que não só preenchia um dos espaços da sua grelha como também 'recuperava' um clássico, várias décadas depois, e o apresentava a todo um novo público, menos habituado a este tipo de comédia, mas ainda assim pronto a ter mais um programa para seguir naqueles inícios de noite frente à televisão...

Sunday, 31 May 2026

Domingo Desportivo: A Primeira Vez Que O Torreense Foi 'Tomba-Gigantes'

 Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade d desporto da década.

Precisamente uma semana antes da data de edição deste 'post', o histórico mas historicamente modesto Torreense chocou o Mundo do futebol português ao bater o Sporting na final da Taça de Portugal, por 2-1, já no prolongamento (e nunca tendo estado a perder) tornando-se a primeira equipa de um escalão secundário a conquistar o troféu, e a carimbar o passaporte para as competições europeias da próxima época – sim, o Torreense vai jogar na Liga Europa! Esta não foi, no entanto, a primeira vez que o conjunto de Torres Vedras excedeu expectativas e foi 'tomba-gigantes'; já em Fevereiro de 1999, os homens do Centro haviam, pela primeira vez, feito virar as cabeças dos adeptos nacionais ao eliminarem da mesma prova outro gigante – no caso o Futebol Clube do Porto, que avançava a todo o gás para a conquista de um inédito pentacampeonato (conquistado há quase exactos vinte e sete anos), mas que dava, no terreno do Torreense, um 'tombo' inesperado, que o tirava da luta pela 'dobradinha' naquele ano.


Os heróis de 1999

Na ocasião, o 'herói improvável' chamava-se Cláudio Oeiras, o marcador do único golo do jogo, obtido a cinco minutos do final do tempo regulamentar, e que representava um verdadeiro 'balde de água fria' para os adeptos portistas, que – mesmo com um plantel claramente em gestão – esperavam uma vitória fácil. O tento valeria, aliás, a Cláudio Oeiras um contrato com o terceiro 'grande' mencionado neste texto, o Benfica, embora o avançado nunca tivesse logrado extravasar a equipa de reservas; quanto ao Torreense, voltaria a 'bater de frente' com uma equipa primodivisionária nesse ano de 1999 – no caso o Vitória de Guimarães – e a dar boa conta de si, adiando a decisão para a segunda mão após um empate a zero; no Castelo, no entanto, terminaria o sonho dos homens de Torres, que sairiam vergados a um 3-0 que os eliminava da última Prova-Rainha completa do século XXI. Apesar deste desfecho, no entanto (e da modesta carreira futura do seu goleador) os torreenses poderão, para sempre, orgulhar-se daquele que foi, indubitavelmente, um dos maiores momentos da sua História, apenas suplantado pelo capítulo que o seu plantel de 2026 acabou de escrever, no Estádio do Jamor, há apenas uma semana...

Saturday, 30 May 2026

Saídas ao Sábado: As Lojas de Fotografia - 'Vítimas' do Avanço Tecnológico

 As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Já aqui por diversas vezes abordámos tipos de estabelecimentos comerciais que, nas duas décadas e meia desde o início do Novo Milénio, se tornaram obsoletos e acabaram por ficar à beira da extinção, senão mesmo por desaparecer por completo; e enquanto que muitos destes foram, simplesmente, substituídos pelas cada vez mais ubíquas grandes superfícies, outros casos houve em que a obsolescência se deveu ao desaparecimento do tipo de produto em que se especializavam. É de um destes casos, familiar a muitos jovens de finais do século XX, que falamos nesta Saída de Sábado.


Intimamente ligados à popularidade das máquinas fotográficas de rolo, não é, pois, de espantar que, com o advento da tecnologia digital neste tipo de aparelho, os estúdios e lojas de fotografia tenham acabado por, mais ou menos discretamente, desaparecer das ruas portuguesas. Aqui e ali, sobra ainda uma ou outra loja deste tipo, mas o foco, hoje em dia, está declaradamente na vertente mais técnica, com o público-alvo a ser constituído na sua quase totalidade por entusiastas da fotografia 'à moda antiga' ou profissionais do ramo; a loja que muitos portugueses conheceram em criança, onde se iam revelar os rolos de imagens da vida quotidiana ou tirar o 'retrato' para o cartão da escola, Cartão Jovem ou para ocasiões especiais, encontra-se inexoravelmente extinta, substituída pela conveniência, primeiro, de um cabo de transferência e um CD de instalação no computador e, mais tarde, da tecnologia 'Bluetooth' e facilidade de armazenagem de imagens na 'Cloud', que tornavam os serviços oferecidos por este tipo de estabelecimento redundantes.

Para quem viveu a época áurea da fotografia 'caseira' analógica, no entanto, aqueles estabelecimentos com frontispícios patrocinados pela Fujifilm e Kodak representaram parte integrante das memórias de infância e adolescência (até por terem directamente contribuído para a sua preservação), tendo constituído, à época, uma Saída de Sábado menos frequente do que outras que aqui abordámos, mas tão ou mais entusiasmante...

Friday, 29 May 2026

Sextas Com Style: Cavalinho - A Grande Marca de Carteiras Nacional

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.

Outros paìses têm a Louis Vuitton, a Gucci, a Prada ou a Yves Saint-Laurent, e respectivas imitações; no Portugal de finais do século XX e inícios do seguinte, no entanto, a marca de carteiras indicativa de estatuto social (ou, pelo menos, codificada com o mesmo) era a Cavalinho (que não deve ser confundida com o papel do mesmo nome, produzido por uma empresa totalmente diferente). De facto, com o seu padrão distintivo – presente quer no forro, quer no exterior – as malas produzidas pela fábrica familiar de Santa Maria da Feira afirmavam-se, quase, como as equivalentes nacionais às marcas acima referidas, das quais, aliás, tiravam alguns elementos estéticos e de 'design'.


Esta associação entre um visual distinto e inconfundível e conotações com estatuto social levavam, inevitavelmente, a que grande parte da população portuguesa tivesse ou quisesse uma carteira Cavalinho – ou, à falta de 'fundos' para a aquisição da mesma, uma das imitações 'aproximadas' que proliferavam nas feiras de Norte a Sul do País; de facto, o único aspecto mais inesperado e impressionante deste ciclo foi o facto de as malas em causa não saírem de moda durante, pelo menos, duas décadas, um período áureo cerca de cinco a dez vezes maior do que o da maioria dos artigos de vestuário ou acessórios, quer à época, quer nos dias de hoje. 

Seria, efectivamente, apenas já numa fase bastante avançada do século XXI que estas carteiras se tornariam menos omnipresentes nos ombros das mulheres portuguesas, preteridas em favor de marcas estrangeiras como Michael Kors ou Bimba Y Lola; nada, no entanto, que afectasse a continuidade da marca em si, que, mesmo já longe do seu 'pico' de popularidade, prossegue até aos dias de hoje como um dos muitos exemplos de qualidade e resiliência do sector têxtil e de manufactura em Portugal, fazendo por merecer o destaque que lhe outorgamos nestas breves linhas.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...