Showing posts with label vhs. Show all posts
Showing posts with label vhs. Show all posts

Wednesday, 21 May 2025

Terças Tecnológicas: Os Primórdios do 'Home Video'

NOTA: Este 'post' é correspondente a Terça-feira, 20 de Maio de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


download (2).jpeg


Até ao último terço do século XX, a captura de vídeo era algo apenas ao alcance dos profissionais, fosse pelo exorbitante preço do equipamento ou pela sua complexa funcionalidade. Mesmo depois de surgirem os primeiros formatos de vídeo caseira, a tecnologia em uso continuava a pautar-se pela rudimentaridade, com formatos como a Super 8 a suprirem apenas as mais básicas necessidades neste campo. De facto, na segunda metade da década de 80 que o vídeo caseiro se viria verdadeiramente a globalizar – e, mesmo então, com custos exorbitantes e proibitivos para a grande maioria das famílias ocidentais.


Tal não impediu, no entanto, que a câmara de vídeo caseira se tornasse um dos 'brinquedos' tecnológicos mais populares e cobiçados dos anos 80, e se difundisse no seio da sociedade a ponto de penetrar na cultura popular, fosse através de programas de vídeos caseiros como o 'Isto Só Vídeo!' ou por intermédio da caricatura do turista ou pai de família de câmara na mão, a captar cada momento das férias dos seus envergonhados familiares – ainda hoje um baluarte de um certo tipo de comédia. E a verdade é que esta popularidade não era, de todo, descabida, já que a simples possibilidade de captar momentos íntimos em cassette – fosse ela Betamax, VHS, ou até de um formato especial para câmaras de vídeo – e com qualidade quase profissional, longe das imagens granuladas e isentas de som da Super 8, era tão mirabolante e inacreditável quanto havia sido a de um sistema de jogos de vídeo caseiro, alguns anos antes. Não é, pois, de surpreender que duas gerações de ocidentais tenham gasto boa parte das suas economias numa câmara deste tipo, e boa parte da sua vida de rosto colado à mesma, a filmar memórias ao mesmo tempo que as criava.


Tal como inevitavelmente acontece com qualquer tecnologia, no entanto, também as câmaras de filmar caseiras se acabaram por tornar obsoletas. No entanto, ao contrário da maioria dos casos que aqui abordamos, tal deveu-se, não tanto à falta de interesse do público pela funcionalidade, ou à obsolescência da mesma, como ao facto de os referidos aparelhos terem sido directamente substituídos por outro – o 'smartphone', nova 'ferramenta' favorita dos cinéfilos amadores, que substitui a 'cassette' pela Internet, mas que continua a permitir captar momentos da vida quotidiana e guardá-los para a (quase) posteridade, podendo por isso ser considerado sucessor em espírito da tecnologia a que este 'post' diz respeito, e novo 'standard' de captura de vídeo para o século XXI, tal como o aparelho em causa o foi para os finais do Segundo Milénio.

Thursday, 24 October 2024

Quintas no Quiosque / Sessão de Sexta: Os 'Filmes de Quiosque' - 'Embustes' Irresistíveis

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O advento do 'streaming', através de plataformas como a Netflix, Disney+ ou o próprio YouTube, entre outras, veio colocar nas pontas dos dedos dos assinantes destes serviços toda uma gama de conteúdos outrora apenas acessíveis com considerável esforço e dispêndio de dinheiro. É, por exemplo, possível ver nestas plataformas várias séries completas de Power Rangers e South Park (na Netflix), os velhos desenhos animados do icónico Clube Disney (no Disney+) ou mesmo todos os episódios do não menos lendário Bocas, que alguém fez o favor de reunir numa única playlist no YouTube, à guisa de 'serviço público' para nostálgicos perto da meia-idade.


Toda esta 'bonança' quase faz esquecer que, há meros vinte anos, quem quisesse desfrutar dos programas anteriormente listados era obrigado a fazê-lo em grupos de três a cinco episódios, editados de forma espaçada, com capas duvidosas, e sem haver qualquer certeza de a totalidade da série alguma vez vir a ser lançada. Quase todas as principais franquias de interesse para os jovens eram alvo deste tratamento – de Dragon Ball Z a Power Rangers, Tartarugas Ninja, Zorro, Looney Tunes e mesmo séries mais antigas como o supramencionado Bocas ou as histórias do Panda Tao-Tao – e a grande maioria delas acabava, inevitavelmente, colada a uma cartolina e pendurada da 'janela' de um qualquer quiosque ou tabacaria de bairro.


image (1).webp


Exemplo de um lançamento que poderia perfeitamente ser avistado num quiosque noventista.


Falamos, claro, dos famosos 'vídeos de quiosque', lançamentos que, embora oficiais, não chegavam às prateleiras das grandes superfícies, por uma razão ou outra – normalmente, por se tratarem de produtos de baixíssimo orçamento, com grafismo e materiais pouco cuidados, em que as capas faziam, invariavelmente, lembrar as versões 'caseiras' de personagens famosos normalmente reservadas para a decoração de carrinhas de gelados ou diversões de feira, os erros de ortografia e incorrecções quanto aos enredos não eram, de todo, infrequentes, e, os conteúdos eram quase sempre desenhos animados de domínio público, muitas vezes sem qualquer tratamento de som ou imagem em relação aos originais dos anos 30 ou 40. Alternativamente, poderiam tratar-se de lançamentos episódicos, como os acima mencionados, caso em que a ideia era forçar o consumidor a uma compra habitual, à semelhança do que sucedia com as colecções de fascículos, também muito populares na altura. Ainda uma terceira vertente trazia lançamentos 'honestos' que, por qualquer motivo, haviam apenas escolhido uma forma alternativa e independente de chegar ao grande público, como era o caso de alguns 'impostores animados' da GoodTimes ou Classic Animations.


Fosse qual fosse o contexto por detrás destes lançamentos, no entanto, a verdade é que os mesmos se afirmavam irresistíveis, quanto mais não fosse para descobrir o que se escondia por detrás das capas mal-amanhadas, e até que ponto iria o 'embuste' – paradigma que, aliás, se manteve com a transição do VHS para o DVD como formato dominante. Escusado será dizer, no entanto, que a 'Internet das Coisas' veio acabar com tão obsoleta práctica – o que, por um lado, é positivo (permitindo o acesso fácil e imediato a grande parte da infância e juventude) mas, por outro lado, veio acabar com essa sensação de mistério, e com o 'gozo' de imaginar (e, potencialmente, descobrir) o que conteria aquela cassette avistada durante uma Quinta no Quiosque, e prontamente trazida para casa para ser vista numa Sessão de Sexta em família...

Thursday, 30 June 2022

Quartas de Quase Tudo: As Cassettes VHS Promocionais

NOTA: Este post é respeitante a Quarta-feira, 29 de Junho de 2022.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Numa altura da História em que tudo está disponível mediante uma rápida pesquisa na Internet, torna-se progressivamente mais difícil perspectivar a quantidade desses elementos que, na era analógica e primórdios da digital, ofereciam uma conjuntura específica e invariavelmente limitada de acesso. Os mais óbvios são, claro, imediatamente identificáveis, das enciclopédias em formato físico aos os jogos de vídeo em disquete, cartucho ou CD-ROM; no entanto, para cada um destes, há outro, mais insignificante ou obscuro, que o tempo vem, paulatinamente, tratando de fazer esquecer.


Um exemplo perfeito desta última categoria são as cassettes VHS promocionais, muito populares na década a que este blog diz respeito, mas cujos conteúdos teriam, meros anos mais tarde, sido incluídos no menu de opções especiais de um qualquer DVD, ou mesmo disponibilizados gratuitamente no YouTube. Estando qualquer destes meios ainda a cerca de uma década de distância, no entanto, o VHS afigurava-se mesmo como o melhor veículo para divulgar os documentários 'making-of' de certo e determinado filme, ou os vídeos de antevisão, truques e dicas para jogos 'da moda' - estes últimos, normalmente, lançados pelas próprias companhias.


maxresdefault.jpg


Um dos VHS promocionais lançados pela Sega, em exclusivo para os membros do seu clube de fãs.


No entanto, independentemente do valor histórico que possuem hoje em dia - como documentos de uma época desaparecida - estas cassettes não representavam, mesmo à época, uma particular mais-valia, muitas vezes consistindo de uma única peça, relativamente curta, ou de uma série de segmentos de duração equivalente; felizmente, as mesmas também não tendiam a ser, regra geral, vendidas comercialmente, surgindo mais frequentemente como brinde ou prémio em promoções, ou como parte da subscrição a um clube de fãs (o que também ajuda a inflacionar o seu valor nos dias que correm, dada a sua raridade.)


Escusado será dizer que este é um paradigma que se encontra total e inapelavelmente erradicado da sociedade ocidental actual, pelo menos até uma penetração informática ou cataclismo natural erradicar o elemento digital da mesma, ou até a actual onda nostálgica atingir o seu limite máximo; e o mínimo que se pode dizer é que, neste caso, tal constitui uma mais-valia, visto as cassettes promocionais terem sido, mesmo na 'sua' altura da História, um artefacto algo sem sentido, com mais valor como curiosidade do que como obra audio-visual propriamente dita.

Thursday, 2 June 2022

Quartas de Quase Tudo: As Cassettes Virgens

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 1 de Junho de 2022.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Eram caixinhas de surpresas. Folhas em branco, à espera de serem povoadas com o que mais aprouvesse a quem as adquiria. Portas para um mundo mágico, repleto de possibilidades ao alcance dos dedos (e da carteira). Instrumentos de sedução. Provas de amizade. Métodos de documentação. Tudo isto, e muito mais, pelo preço de duas semanas da mesada de um jovem dos anos 90.


s-l300.jpg


Falamos das cassettes ditas 'virgens' (tanto de áudio, como de vídeo), que estiveram entre as invenções mais populares das décadas de 80 e 90. Numa altura em que a aquisição dos formatos 'oficiais' – vinil, cassettes musicais pré-gravadas, CD, Betamax ou VHS – requeriam algum investimento, esta inovação veio permitir a muitos jovens gravar os seus filmes, músicas e programas de televisão ou rádio favoritos, em blocos de várias horas, dependendo da duração e qualidade da cassette; escusado será dizer que poucos foram os jovens que não tiraram partido dessa apelativa possibilidade.


Cassetes-Audio-Novas-TDK-20210529161642.3442130015


Comercializadas, em Portugal, sobretudo pela Sony, TDK, Fuji, Mitsubishi e BASF (embora não fosse, de todo, difícil encontrar 'marcas' muito menos conhecidas, algo mais baratas, mas de qualidade significativamente menos comprovada) este tipo de cassette era relativamente fácil de encontrar, podendo normalmente ser adquirida na secção audio-visual de estabelecimentos dos mais variados tamanhos, desde lojas de bairro a supermercados e hipermercados – o 'truque' estava, apenas, em descobrir onde eram praticados os preços mais apelativos. Depois – uma vez adquirido o número desejado de cassettes em branco – restava gravar a nosso bel-prazer, tanto quanto as horas das referidas cassettes permitissem, e, no fim, identificá-las através de um dos característicos rótulos que qualquer ex-jovem da época terá repetidamente criado para saber o que continha cada 'volume' (ou, caso a família fosse leitora da TV Guia, através de uma das não menos icónicas 'capas' oferecidas semanalmente pela revista, e alusivas aos grandes filmes a passar na televisão nessa semana.)


Em suma, um verdadeiro ritual de passagem de qualquer adolescente da época, que perdurou durante toda a década seguinte (apenas substituindo as cassettes por CDs ou DVDs) mas que, como tantos outros de que falamos nestas páginas, inexoravelmente se perdeu na era do 'streaming'. Hoje em dia, as 'mixtapes' são 'playlists', e os filmes que não estão na Netflix acabam, mais tarde ou mais cedo, por entrar em rotação constante num qualquer canal da TV Cabo. Restam, pois, as memórias de toda uma geração para preservar a experiência que era pôr uma cassette em branco no vídeo, aparelhagem ou 'tijolo', e nela documentar os gostos pessoais naquele ponto das nossas vidas...


 

Saturday, 15 January 2022

Saídas ao Sábado: Os Videoclubes

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Os anos 80 viram nascer aquele que se viria a tornar um dos mais bem-sucedidos e revolucionários aparelhos tecnológicos da História, o leitor de videocassettes. Ao contrário do que se passava até então – em que um qualquer filme tinha de ser visto enquanto estivesse em cena, caso contrário havia que esperar por uma eventual repetição – graças ao leitor de vídeo, qualquer cinéfilo podia, agora, ver o seu filme preferido no conforto da sua casa, quantas vezes quisesse e sempre que quisesse.


Esta premissa apenas tinha um problema – nomeadamente que, como qualquer tecnologia recém-criada, tanto os próprios leitores de VHS e Betamax como as cassettes com eles compatíveis eram proibitivamente caros para a carteira média da época; mesmo dez anos mais tarde, já depois de a tecnologia se ter popularizado, e de o VHS ter ganho a batalha dos formatos e tornado obsoleto o seu 'irmão mais velho', continuava a não ser barato alimentar o 'vício' por filmes em casa. Não foi, pois, de surpreender que o sempre oportunista mundo dos negócios tenha 'inventado' toda uma nova forma de lucrar com este paradigma e, ao mesmo tempo, permitir ao cidadão médio ver filmes em videocassette sem ter que abrir os cordões à bolsa.


pexels-lucas-pezeta-2398356.jpg


Surgidos ainda nos anos 80, precisamente como resposta ao problema acima delineado, os videoclubes não tardaram a popularizar-se, primeiro nos dois extremos do continente americano, e mais tarde um pouco por todo o Mundo – incluindo Portugal. O seu conceito era simples: a inscrição como sócio de um destes serviços permitia a qualquer pessoa alugar filmes por um período de uma a cinco noites, tendo cada modalidade um preço fixo – uma solução que, apesar de temporária, caiu no gosto da tal percentagem da sociedade ocidental que não tinha meios para comprar vídeos de forma permanente. Graças aos clubes de vídeo, a prática de juntar toda a família frente a um filme numa Sexta ou Sábado à noite tornou-se prática corrente, e muita gente deixou de ter desculpa para ainda não ter visto tal ou tal filme.


Com o seu aspecto e atmosfera característicos – em Portugal, a maioria eram pequenas 'lojecas' de bairro, longe do 'glamour' de uma Blockbuster – e o óbvio atractivo de oferecer filmes de todos os tipos, desde os maiores 'blockbusters' aos filmes de série B mais 'chungas' – os clubes de vídeo tinham, para as crianças dos anos 80, 90 e 2000, uma atracção muito especial, que apenas aumentava no caso dos videoclubes que permitiam alugar jogos de vídeo. Ir ao clube de vídeo alugar um filme, ou até devolvê-lo, era uma parte marcante da semana de qualquer criança ou jovem da época, e terá sido nestes espaços que muitos deles terão descoberto alguns dos seus filmes favoritos - uma situação que não se alteraria durante as duas décadas seguintes, mesmo depois de o VHS sofrer o mesmo destino que inflingira ao Betamax, e ser tornado obsoleto pelo formato DVD.


Não, a 'morte' dos clubes de vídeo viria a dar-se, como é tantas vezes o caso com os produtos e conceitos que abordamos neste blog, com o dealbar da era digital 2.0, com as suas plataformas de vídeo e streaming, que tornariam obsoletos não só este tipo de estabelecimentos, como o próprio conceito de formatos físicos para gravação e reprodução de filmes. Após o aparecimento de serviços como o YouTube, não tardaria muito até aqueles carismáticos 'buracos' escuros e esconsos, cheios de uma ponta à outra com estantes repletas de filmes de todos os tipos, estilos e géneros, fecharem portas para sempre, e para o próprio conceito que representavam desaparecer da consciência popular da sociedade ocidental. Os mais velhos, no entanto – aqueles que se lembram da sensação de ir, sozinho ou acompanhado, buscar os 'filmes da semana' ao videoclube mais próximo – não deixarão morrer a memória destes espaços, tão icónicos e indissociáveis da cultura jovem da época como as lojas de discos, os cinemas de bairro, os salões de jogos 'manhosos' ou as discotecas de cave de centro comercial.

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...