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Saturday, 1 August 2026

Sessão de Sexta: 'O Melga' (!996) - A Comédia Mais 'Negra' de Jim Carrey

 NOTA: Este 'post' é correspondente a Sexta-feira, 31 de Julho de 2026.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Já aqui anteriormente falámos do absoluto 'estado de graça' de que Jim Carrey gozava entre as crianças dos anos 90 (em Portugal e não só) graças a êxitos de bilheteira como 'Doidos À Solta', 'A Máscara', 'Batman Para Sempre' ou 'O Mentiroso Compulsivo'; assim, não é de surpreender que até filmes ligeiramente mais 'sombrios' (pelo menos a nível do conceito) acabassem por entrar na consciência colectiva juvenil, e por atrair às salas de cinema espectadores bem mais novos do que talvez fosse esperado. É o caso, por exemplo, do filme, estreado há pouco mais de trinta anos nos cinemas portugueses, a que as próximas linhas dizem respeito.

Chegado a Portugal a 19 de Julho de 1996, 'O Melga' ('The Cable Guy' no original) traz Carrey no papel de um técnico de TV Cabo que, ao ser chamado a casa de um cliente (interpretado por Matthew Broderick, que havia sido Ferris Bueller e viria a ser o Inspector Engenhocas) se torna obcecado por ele, tentando por todos os meios conquistar a sua amizade – incluindo de formas altamente questionáveis. Uma premissa bem ao estilo 'comédia negra', algo distante do habitual material tanto de Carrey como do aqui realizador Ben Stiller, mas que – por ter o 'Máscara' num dos papéis principais – terá certamente sido visto por muitas crianças e jovens da altura durante a sua estadia nos ecrãs portugueses.

Infelizmente, 'O Melga' não logrou ter a longevidade dos outros êxitos de Carrey, fazendo hoje parte de um 'lote' de filmes representativos daquela era da carreira do actor, quando era exclusivamente um comediante capaz de expressões elásticas, e ainda não se havia consagrado como actor mais 'sério'. Ainda assim, o tom mais 'sombrio' e adulto (com referências a doenças mentais, como a que acomete o próprio personagem de Carrey) talvez faça deste filme uma boa Sessão de Sexta para fãs do actor entretanto 'crescidos' e em processo de revisitação da infância e juventude, que talvez encontrem, depois de adultos, toda uma nova dimensão naquilo que, há trinta anos, parecia apenas mais uma comédia tresloucada com o 'selo' Jim Carrey.

Friday, 13 May 2022

Sessão de Sexta: 'O Mentiroso Compulsivo' (1997)

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


O cinema dos anos 90 foi frutíferos, acima de tudo, para actores de três géneros específicos: o romance, a acção e a comédia. E enquanto que Richard Gere, Brad Pitt, Johnny Depp e Leo DiCaprio arrasavam corações, e Bruce Willis, Stallone, Schwarzenegger e Van Damme arrasavam 'mauzões', no campo da comédia, agigantavam-se dois nomes: Robin Williams e Jim Carrey.


Em lados opostos do espectro de carreira – um já veterano de duas décadas, o outro ainda a lançar carreira – estes dois homens travaram, ao longo da década, uma fascinante batalha pela supremacia no campo da comédia 'mainstream' juvenil, a qual rendeu ao mundo do cinema alguns dos melhores exemplos de sempre do género; e enquanto Robin conquistava o público alvo com o seu trabalho de voz em 'Aladdin' e 'Ferngully', além de filmes como 'Papá Para Sempre', 'O Fabricante de Sonhos' ou 'Flubber - O Professor Distraído', Carrey utilizava da melhor maneira a sua impressionante elasticidade facial para dar vida a desenhos animados 'de carne e osso', em filmes como 'Doidos Á Solta', 'A Máscara', 'Batman Para Sempre' ou o binómio de filmes de Ace Ventura.


Desenrolava-se, assim, uma batalha fascinantemente 'taco a taco', que coincidiu até mesmo nos seus pontos mais fracos, tendo ambos os actores visto os seus filmes menos memoráveis serem lançados no mesmo ano, 1997. Mas se o referido 'Flubber', de Robin Williams, rapidamente cairia no esquecimento, a contribuição de Jim Carrey afirmar-se-ia, ainda assim, como um pouco mais memorável.


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Não, não existe imagem melhor do cartaz português do filme (crédito da imagem: Wook)


Prestes a completar vinte e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal (a 16 de Maio de 1997), 'O Mentiroso Compulsivo' destaca-se hoje em dia, sobretudo, por ter marcado o final da 'fase cómica' da carreira de Carrey, tendo o actor procurado, em filmes subsequentes, diversificar o seu leque de géneros, com resultados surpreendentemente favoráveis; aqui, no entanto, o comediante surge ainda firmemente apoiado nas bocas, expressões e caretas que o haviam tornado conhecido, e que faziam, à época, o gáudio do público-alvo. No papel do titular mentiroso compulsivo – um advogado a quem um desejo de aniversário do filho obriga a apenas dizer a verdade durante 24 horas – Carrey tem inúmeras oportunidades para utilizar todo o seu repertório de expressões faciais, bem como os restantes truques no seu arsenal, das vozes aos gestos exagerados; pena é que o filme não seja suficientemente bom para dissipar a sensação de que a performance de Carrey nada mais é do que 'mais do mesmo', e que mais valia estar a ver novamente qualquer dos outros filmes do actor lançados até essa altura da década.


De facto, embora ainda hoje seja frequentemente exibido na televisão portuguesa, e esteja disponivel no Netflix europeu, 'Liar Liar' (o título original do filme) não é particularmente memorável, sendo até um pouco 'piroso' e sentimental, como só os filmes de família dos anos 90 o sabiam ser; comparado com a restante obra de Carrey, fica a faltar à obra de Tom Shadyac aquela sensação de anarquia e imprevisibilidade que o actor sempre trazia a qualquer um dos seus papéis. Como despedida do actor do mundo da comédia familiar, é, certamente, bem menos do que o mesmo merecia, e dá até algumas indicações sobre as razões que o levaram a afastar-se deste género – por sinal, no momento certo, justamente quando se arriscava a ficar, para sempre, 'preso' a um tipo de papel.


Em suma, na filmografia de Jim Carrey, 'O Mentiroso Compulsivo' perde-se entre as referidas obras-primas da comédia noventista e os não menos bem-conseguidos dramas que se lhes seguiram (e dos quais aqui paulatinamente falaremos), e só mesmo a efeméride do aniversário da estreia justifica que lhe sejam dedicadas estas linhas - isso e o facto de, à época, o filme ter (por qualquer razão inescrutável) sido pretexto para a oferta de um calendário de bolso na revista 'Super Jovem', que, ainda hoje, talvez seja a melhor coisinha associada a esta descartável comédia...



O YouTube não tem o 'trailer' em português, mas pelo menos tem os 'bloopers'...

Saturday, 5 June 2021

Sessão de Sexta: A Máscara

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Em finais de 1994 e inícios de 1995, um inusitado filme de comédia captava a curiosidade das crianças portuguesas, graças a uma premissa original e a uma campanha de marketing extremamente bem estruturada e orquestrada, toda ela centrada em torno do personagem principal, um monstrengo verde, de fato amarelo-canário, com todo um arsenal de frases-feitas e piadas prontas a disparar ao ritmo de cinco ou dez por ‘trailer’.


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Falamos, é claro, de ‘A Máscara’, filme que viria a lançar as carreiras não de um, mas de dois futuros pesos-pesados de Hollywood. O principal, claro está, seria Jim Carrey, o homem por baixo da maquilhagem verde, e capaz de recriar todas as ‘caras e bocas’ do Máscara sem recurso a quaisquer técnicas de computador – habilidade que, basicamente, lhe valeu a carreira, pelo menos até se conseguir afirmar como actor ‘sério’ com os seus papéis em ‘O Despertar da Mente’, ‘The Truman Show’ e ‘O Homem na Lua’. A seu lado, como principal interesse romântico do ‘nerd’ Stanley Ipkiss estava, no entanto, outra futura ‘megastar’, uma jovem de 21 anos de ascendência cubana que obtinha ali o seu primeiro papel de destaque. O seu nome? Cameron Diaz…


Mesmo com a bombástica loira a desviar ocasionalmente as atenções, no entanto, não restam qualquer dúvidas de que ‘A Máscara’ é o filme de Carrey. Depois de efectivada a transformação que dá azo aos restantes acontecimentos, é raro o momento em que a câmara se desvia do tresloucado ‘boneco’ que corre, pula, rodopia, canta e diz dichotes, claramente deliciado pela oportunidade de o fazer - com a apoteose a surgir na famosa cena em que o personagem interpreta um número de 'cabaret'.


 



 


 


O 'Máscara' é, para todos os efeitos, um desenho animado vivo - o tipo de personagem tresloucado, hiperactivo e 'espertalhaço' que as crianças daquela época se haviam habituado a ver nos seus desenhos animados de eleição, com claras semelhanças tanto com Beetlejuice (outro favorito das crianças cuja vida havia começado numa comédia negra para adultos) como com Freakazoid.


O conceito de um 'cartoon' de carne e osso não podia, evidentemente, deixar de agradar ao público infanto-juvenil - e foi isso mesmo que se verificou, com 'A Máscara', ironicamente planeado como comédia negra para adultos, a tornar-se o novo ‘filme-que-tem-de-se-ver’ dos recreios por esse país afora – e, verdade seja dita, um pouco por todo o Mundo também. Pouco tempo depois da estreia do filme, o seu personagem principal era já objecto de uma série animada – o sinal inequívoco de que algo ‘pegou’ entre a miudagem – e de algum merchandise, incluindo bonecos de acção, outro sinal claro de interesse infanto-juvenil. Enfim, tal como outra famosa propriedade intelectual da época , também ela baseada numa BD de humor negro para adultos, este filme e o seu protagonista foram alvo de uma acentuada ‘infantilização’ imediatamente após o seu lançamento – a qual, tal como no outro caso citado, acabou por render dividendos a longo-prazo.


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Algumas das figuras de acção alusivas ao filme e à respectiva série animada.      


De facto, ainda que tivesse ‘condenado’ Carrey a vários anos de papéis baseados em ‘caretas’ e exageros, não há dúvida de que este filme foi uma enorme bênção para a carreira do norte-americano, que, sem ele, talvez nunca tivesse atingido os níveis de sucesso que mais tarde conheceu (o mesmo se passando, aliás, com Cameron Diaz, a quem um falhanço de bilheteira poderia, literalmente, ter 'afundado' a carreira de actriz ainda antes de esta ter começado).


Independentemente do furor que causou à época da sua estreia, no entanto, a pergunta que se impõe vinte e sete anos depois de o filme ter causado sensação pelo Mundo fora, é: afinal, ‘A Máscara’ é ou não um bom filme? E a resposta é, ainda, um inequívoco ‘sim’. Seja como comédia de humor negro ou como ‘cartoon’ de acção real tresloucado, o filme continua a constituir uma excelente forma de passar uma hora e meia, a dar umas gargalhadas, admirar as pernas da Cameron Diaz (que nunca esteve tão bonita) e recordar a loucura que o filme suscitou nos tempos da nossa infância. Em suma, e como diria o próprio personagem, o filme continua ‘SSSSSSSSSmokinnnnnn’!’


 

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...