Tuesday, 30 September 2025

Segundas de Séries: As 'Aparências' Iludem...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 29 de Setembro de 2025.


Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


As adaptações localizadas para formatos bem-sucedidos no estrangeiro não são nada de novo, tendo sido uma fórmula adoptada pelos países mais periféricos desde os primórdios dos 'mass media'. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, antes pelo contrário – são inúmeros os exemplos desta prática ao longo dos anos, sobretudo no espectro televisivo, onde os produtos deste tipo se dividem entre adaptações declaradas e o mais literais possíveis, e conceitos simplesmente inspirados por outros criados 'lá por fora'. A série que abordamos neste 'post', e sobre a estreia da qual se assinalaram este mês os exactos vinte e cinco anos, insere-se na primeira categoria, 'copiando' fielmente um formato britânico e aplicando-lhe uma 'demão' de 'verniz nacional', para mais facilmente captar e cativar o seu público-alvo. O resultado é uma série que, apesar de ficar bem aquém do sucesso do original, merece ainda assim ser relembrada por ocasião do seu quarto de século.


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Estreada a 7 de Setembro de 2000, na SIC (à época a principal veiculadora de 'sitcoms' nacionais) 'Cuidado Com As Aparências' é uma adaptação da série do mesmo nome produzida pela BBC em inícios dos anos 90, e cujo título original era 'Keeping Up Appearances'. Londres dá lugar a Lisboa, Hyacinth Bucket torna-se Jacinta Bimbó, mas tanto o conceito (uma mulher de classe baixa com pretensões à 'subida' social) como muitas das situações são transferidas directamente do original britânico – o que não é de estranhar, já que a maioria das mesmas era relativamente universal, sem grande 'carga' social específica do Reino Unido, e, como tal, fácil de adaptar a uma realidade tão diferente (mas também tão semelhante) como era a portuguesa.


A dar a cara e o corpo às 'aportuguesadas' aventuras de Jacinta e da sua família declaradamente e orgulhosamente popular estavam um conjunto de actores bem habituados às lides da comédia, e capazes de fazerem até as situações mais caricatas ressoar junto do público-alvo. Catarina Avelar (que vivia Jacinta), Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro ou Vítor de Sousa eram apenas alguns dos nomes num elenco fixo cujo talento era inversamente proporcional ao seu tamanho, e que era capaz, por si mesmo, de justificar a sintonização da série – como, aliás, sucedia com a maioria dos projectos em que se envolviam.


Infelizmente, conforme mencionado nas linhas iniciais deste texto, a versão portuguesa de 'Cuidado Com As Aparências' não logrou o mesmo sucesso da original, dando origem a apenas duas temporadas (por oposição às cinco da série da BBC) e encontrando-se hoje largamente esquecida pelo público telespectador da época. Ainda assim, a mesma não deixa de ser um exemplo relativamente bem conseguido – e absolutamente típico – de 'sitcom' portuguesa do período em causa, fazendo por merecer ser revisitada por fãs deste tipo de programa, no mês em que se celebram os vinte e cinco anos da sua primeira 'ida ao ar.'


Monday, 29 September 2025

Domingo Desportivo: Promessas Adiadas - Porfírio, ou, As Aventuras de Um 'Viajante Azarado'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 28 de Setembro de 2025.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Um dos maiores axiomas do senso comum futebolístico é que a maioria dos jovens com potencial formados em grandes clubes 'ficam pelo caminho', acabando por fazer carreira em emblemas mais pequenos, muitas vezes como peças destacadas dos mesmos. E apesar de este fenómeno ser, hoje em dia, prevalente ao ponto de constituir a norma, tal não significa que, em outros períodos da História do desporto-rei, tal não fosse também o paradigma; antes pelo contrário, o século XX viu um sem-número de jovens jogadores falharem na sua tentativa de singrar profissionalmente num 'grande', apesar do talento nítido e óbvio. Portugal não foi, de todo, excepção a esta regra, tendo oferecido ao mundo futebolístico de finais do Segundo Milénio um verdadeiro 'ror' de 'promessas adiadas', que tardavam ou falhavam em evidenciar o seu potencial. É, precisamente, sobre um desses jogadores que nos debruçamos neste 'post', por ocasião do seu quinquagésimo-primeiro aniversário – um futebolista que foi internacional português, jogou por Sporting e Benfica, foi feliz em Inglaterra, mas não deixou, ainda assim, de passar ao lado de uma carreira ao nível do seu talento.


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Com a camisola do Benfica.


Nascido em Lisboa e formado nas escolas do Sporting (já então um viveiro de jovens talentos, mesmo uma década antes de construída a sua famosa Academia), Hugo Cardoso Porfírio destacou-se o suficiente para ser promovido à equipa principal dos 'Leões' no seu primeiro ano de sénior, em 1992, reencontrando assim o colega de equipa dos Juniores, Emílio Peixe. Ao contrário deste, no entanto, Porfírio não singraria de leão ao peito, realizando apenas uma dúzia de partidas com a 'Listrada' ao longo de duas épocas antes de, em 1994, se ver sem espaço no plantel e com viagem marcada para um clube mais pequeno – ou, no caso, três.


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Porfírio no Sporting.


De facto, entre as temporadas de 1994-95 e 1996-97, o extremo rumaria primeiro a Santo Tirso, depois a Leiria, e por fim, inesperadamente, a Londres, Inglaterra, onde representaria o West Ham. Apesar da escala marcadamente distinta dos três empréstimos, em nenhum deles Porfírio 'fez feio', tendo realizado épocas de excelente nível, e sido presença regular nos jogos de todos os emblemas que representou durante este período – feito que lhe valeu a presença na equipa que representava Portugal no Euro '96, no decurso do qual fez a sua estreia como Internacional A (antes, havia sido presença assídua nas Selecções jovens, tendo disputado os Campeonatos Europeus de sub-16 em 1990 e sub-18 em 1992, e o Mundial de sub-20 em 1993) jogando quinze minutos da partida contra a Turquia, e seguindo depois viagem para os Jogos Olímpicos de Atlanta.


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Em acção pelo Tirsense, e no seu único jogo no Euro '96.


As boas indicações deixadas ao longo daqueles três anos não foram, no entanto, suficientes para garantir a Porfírio um lugar no plantel principal do Sporting, que o dispensava no Verão de 1997. O extremo via-se, assim, obrigado a abraçar novos desafios, acabando por rumar a Espanha, para representar o Racing Santander. Ao contrário da primeira experiência internacional, no entanto, esta segunda 'aventura' pelo exterior não lhe correria de feição, levando a que, apenas um ano depois – e com o Racing Santander já despromovido da La Liga – caísse a 'bomba': Porfírio, o antigo 'leão', assinava contrato com o grande rival da Segunda Circular, passando assim a fazer parte do grupo dos 'vira-casacas', isto é, jogadores que representaram dois clubes grandes em Portugal. Ainda assim, durante este período, conseguiria ainda a sua terceira e última internacionalização pela Selecção Nacional, participando no jogo contra a Ucrânia, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de França '98.


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As aventuras internacionais no West Ham, Racing Santander e Nottingham Forest.


Ao contrário de 'companheiros' ilustres como Yuran, João Vieira Pinto, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma ou Mário Jardel (entre outros) Porfírio não viria, no entanto, a relançar a carreira no rival do seu clube de origem; antes pelo contrário, seria ainda menos utilizado do que havia sido no Sporting, totalizando metade das exibições que fizera pelo clube de Alvalade ao longo de duas épocas, e vindo a ser emprestado ao Nottingham Forest, onde passaria também despercebido, antes de se desvincular do clube das Águias, alegando salários em atraso, e se 'mudar' para as ilhas, para representar o Marítimo. Não tardaria mais que uma época, no entanto, até regressar à Luz, para mais três temporadas anónimas, a maioria das quais passada na equipa B. O outrora promissor extremo entrava assim, oficialmente, no ocaso de uma carreira que o veria ainda passar por clubes semi-amadores da zona da Grande Lisboa antes de rumar às Arábias (então ainda longe do estatuto desejável que possuem hoje) para pendurar definitivamente as botas ao serviço do Al-Nassr, hoje conhecido como o clube de Cristiano Ronaldo, mas, à época, um emblema perfeitamente desconhecido para a maioria dos adeptos europeus.


Consumava-se, assim, o estatuto de 'promessa (eternamente) adiada' de um jogador cuja 'sorte' e oportunidades estiveram sempre algo aquém do talento que exibia nos pés (mesmo numa era que favorecia os 'baixinhos' com 'magia', como ele), e que será sempre lembrado como um dos grandes 'e se...?' do futebol português moderno – estatuto que lhe vale, agora, a presença nestas páginas, à laia de 'prenda de anos'. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Sunday, 28 September 2025

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: As 'Rivais' da Moda Masculina em Portugal

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Apesar de o foco deste 'blog' serem as memórias de juventude, e os locais, produtos e acontecimentos de maior interesse para quem era menor de idade em finais do século XX, tal não significa que descuremos produtos ou serviços surgidos durante essa década e destinados a um público-alvo mais velho – até porque alguns deles lograram manter-se activos tempo suficiente para serem úteis àqueles mesmos 'X' e 'Milllennials' já depois de adultos. É, precisamente, o caso das duas companhias de que falamos neste 'post', as quais se degladiam há já mais de três décadas pela clientela masculina profissional ou de meia-idade, em detrimento de qualquer outra demografia.


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Referimo-nos, claro está, à Massimo Dutti e à Giovanni Galli, duas rivais ibéricas com nome italiano (ou não continuasse a ser esse o país estereotipadamente conotado com a moda) que desde inícios dos anos 90 travam uma batalha comercial, sem que, até hoje, qualquer delas tenha conseguido provar definitivamente a superioridade do seu país de origem – o que acaba por ser lisonjeiro para a nacional Giovanni Galli, que se opõe de forma independente àquela que é apenas mais uma 'face' do gigantesco Grupo Inditex, também 'dono' da Zara, Pull & Bear e Bershka, entre outras marcas. No entanto, a Massimo Dutti tem a seu favor o facto de possuir também, desde há já trinta anos, uma linha feminina e ainda outra, mais recente, de criança - embora ambas tenham destaque quase nulo num catálogo que continua a ter o público masculino como principal alvo. Ainda assim, este acaba mesmo por ser um factor vantajoso para a empresa espanhola relativamente à rival nacional, cujo foco continua a ser exclusivamente a roupa de homem.


Apesar destes pontos vantajosos, no entanto (e dos preços algo mais acessíveis) a Massimo Dutti perde, aos olhos do público nacional, em dois aspectos: por um lado, a conotação com o 'fast fashion', que faz com que as suas roupas sejam vistas como mais descartáveis e de menor qualidade, e, por outro, o facto de muitos artigos da Giovanni Galli continuarem a ser produzidos em solo nacional, estando as origens da companhia profundamente ligadas à reputada indústria têxtil do Norte de Portugal, uma ligação que a marca faz questão de manter, e que constitui um trunfo importante junto da demografia que a mesma visa captar, e que talvez se sinta algo 'acima' de uma marca 'de centro comercial' como a Massimo Dutti. A contrapartida, claro está, passa pela necessidade de realizar maiores volumes de negócio para conseguir ter lucro, um paradigma que tem, recentemente, 'vitimado' algumas das mais de três dezenas de lojas da empresa em Portugal.


Mau-grado este revés para a marca nacional, no entanto, tudo leva a crer que a rivalidade a dois no seio do mercado de roupa masculina 'elegante' se mantenha ainda em anos vindouros, pelo menos num futuro próximo. Se a mesma terá ou não alguma vez uma vencedora declarada é algo que apenas se poderá saber paulatinamente; nos entrementes, quem favorece um estilo 'smart casual' ou 'business casual' continua a ter duas opções bem distintas onde adquirir roupa de qualidade e com bom corte a preços acessíveis, ambas as quais, curiosamente, teriam também sido alternativa para os seus pais, três décadas antes - uma situação que diz muito da força e posicionamento no mercado de ambas as marcas, e que lhes vale este 'post' tanto duplo como partilhado.

Saturday, 27 September 2025

Quintas ao Quilo: Gelly-Já - O Poder do Bom 'Marketing'

NOTA: Este post é respeitante a Quinta-feira, 25 de Setembro de 2025.


Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


De entre as sobremesas típicas de uma mesa portuguesa, a gelatina sempre esteve entre as mais populares junto dos mais jovens. Não é, pois, de admirar que as versões instantâneas desta mesma iguaria surgidas em Portugal na recta final dos anos 90 tenham 'caído no gosto' tanto dos 'putos' como dos seus pais, que podiam assim preparar uma surpresa aos filhos em poucos minutos, e com um mínimo de esforço.


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Uma das mais populares de entre estas gelatinas – talvez pelo esforço de 'marketing' que fazia, com um nome memorável e 'jingle' a condizer – era a Gelly-Já, da Alsa, à época a principal concorrente da líder de mercado Royal. Sem apresentar qualquer outro traço distintivo relativamente às outras gelatinas instantâneas disponíveis no mercado, a referida variante da gama da Alsa fazia-se mesmo valer dos elementos acima referidos para estabelecer o seu nome junto do público-alvo – estratégia que resultava em pleno, pondo miúdos e graúdos a entoar 'treme-tremeeee!', e levando a que esta 'palavra de ordem' fosse adoptada em outros contextos sociais, como quando alguém hesitava ou mostrava receio relativamente a uma qualquer situação. E embora seja mesmo este o grande legado da entretanto desaparecida Gelly-Já para a cultura 'millennial' portuguesa, o mesmo é, ainda assim, suficiente para valer a esta gelatina um lugar nesta nossa secção relativa aos alimentos mais populares entre a juventude portuguesa de finais do século XX.


 

Friday, 26 September 2025

Quartas de Quase Tudo: Um Casamento Real 'À Portuguesa'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


Até bem recentemente, com o casamento de Kate Middleton com o Príncipe William de Inglaterra, o termo 'casamento real' era quase sinónimo com o anterior matrimónio no seio da Família Real inglesa – o casamento de Carlos e Diana, levado a cabo com pompa e circunstância na histórica Abadia de Westminster, em Londres, em 1984. E porque Portugal não leva a bem ficar atrás de qualquer outro país da União Europeia, a década seguinte veria o nosso País tentar realizar a sua própria versão ´à portuguesa' do evento, com o habitual atraso de vários anos, uma fracção do orçamento e da atenção, nenhumas implicações políticas e de governação (à entrada para o evento, poucos eram os que sabiam que Portugal sequer tinha um rei), e os Jerónimos a 'fazer' de Westminster. O resultado, previsivelmente, foi bem menos memorável que a versão original, pese embora persista ainda na memória dos portugueses nascidos até finais da década de 80.


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Isto porque, brincadeiras à parte, o casamento de D. Duarte Pio, Duque de Bragança, com Isabel de Herédia foi suficientemente grandioso para justificar o acompanhamento televisivo, e o significativo 'share' de audiência que o mesmo conseguiu – afinal de contas, é muto difícil à maioria dos seres humanos (e decididamente aos portugueses) conseguirem resistir a uma boa cerimónia. Assim, terão sido inúmeros os jovens lusitanos que acompanharam em directo o acontecimento, através da RTP, certamente sintonizada por um qualquer familiar mais velho. E embora quase nenhum deles soubesse, até àquele momento, quem era ou que título tinha D. Duarte Pio (um rei nunca oficialmente empossado, e cujo nome não figura, subsequentemente, nos livros de História) o ar bonacheirão e radiante do mesmo ao lado da nova esposa (fazendo lembrar um tio-avô simpático e brincalhão) ajudou a que muitos simpatizassem de imediato com o monarca, e passassem a acompanhar o seu 'trajecto' rumo a um final feliz ao lado da nova Duquesa.


E a verdade é que tal se veio mesmo a verificar, com o casal a permanecer junto até aos dias de hoje, trinta anos depois, e a dar à luz três filhos, cujos nomes intermináveis, com quatro nomes próprios e outros tantos apelidos, chegou a ser 'meme' corrente no Portugal da época: os infantes Afonso e Dinis e a infanta Maria Francisca, ela própria recentemente casada. Apesar de ser muito pouco provável, senão impossível, que Portugal volte a ser uma monarquia, caso isso aconteça, a sucessão está, assim, bem assegurada, como resultado de um processo que se começou a delinear numa tarde de fim-de-semana de Primavera, há já mais de trinta anos, e cujo primeiro passo colou grande parte do País ao ecrã de televisão, para presenciar uma efeméride então inédita no seu tempo de vida, e cujos efeitos perduram até aos dias de hoje.

Thursday, 25 September 2025

Terças de TV: Trinta Anos de 'Alegria' na 'Praça'

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 23 de Setembro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Para a geração nascida ou crescida em Portugal durante os anos 90 e 2000, o formato 'talk show' faz parte integrante e indelével do panorama televisivo nacional, tanto ou mais do que os concursos, 'reality shows', partidas desportivas ou telenovelas portuguesas e brasileiras. É, assim, fácil esquecer que este tipo de programa pouca ou nenhuma expressão teve no nosso País até meados da última década do século XX, altura em que uma série de programas passaram a degladiar-se pela honra de serem 'barulho de fundo' para uma manhã de tarefas domésticas no típico lar português. E se alguns destes formatos tiveram vida relativamente curta, outros lograram ficar no ar durante literais décadas, com um ou outro dos mais famosos a perdurar até aos dias de hoje, como é o caso do programa a que aludimos neste 'post', que comemorou há poucos dias o trigésimo aniversário sobre a sua estreia. E embora seja verdade que a referida emissão nem sempre esteve no ar de forma constante durante este período, é também inegável que a mesma foi, é e continuará decerto a ser uma referência no panorama de entretenimento televisivo leve em Portugal, e a fazer parte da 'paisagem' do principalcanal estatal português.


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Seria na manhã de 18 de Setembro de 1995 que iria pela primeira vez ao ar na RTP1 aquele que se viria a tornar um dos expoentes máximos do seu género a nível nacional, e a fazer com que o seu criador e apresentador, Manuel Luís Goucha, ficasse definitivamente associado aos programas de variedades, por oposição à culinária em que brilhara na década anterior. Com nome inspirado numa conhecida praça portuense (que o cenário procurava emular), 'Praça da Alegria' via o ex-mestre de cozinha fazer dupla, numa fase inicial, a Anabela Mota Ribeiro, embora não viesse a passar mais de um ano antes de o mesmo encontrar a sua parceira 'definitiva', e actual apresentadora com mais tempo à frente do programa, Sónia Araújo. Juntos, estes dois apresentadores manteriam entretidas as donas de casa, reformados, desempregados e algumas crianças portuguesas durante os seis anos seguintes, ao longo dos quais desenvolveram uma natural química mútua, a qual, a juntar ao seu 'charme' natural, fazia as delícias das audiências, tanto em casa quanto no próprio estúdio de Vila Nova de Gaia.


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Sónia Araújo com os seus dois parceiros de apresentação.


Justamente quando parecia que o programa havia encontrado a sua fórmula definitiva, no entanto, 'cai a bomba': Manuel Luís Goucha está de saída para a TVI, onde irá apresentar o concorrente 'Olá Portugal'. Para o seu lugar é escolhido outro nome bem conhecido do meio: Jorge Gabriel, então já veterano da apresentação, mantendo-se Sónia Araújo como 'âncora' do programa, e elo de ligação entre as duas fases. E se com Goucha haviam sido quase sete anos, com Jorge Gabriel seriam mais de dez, até nova mudança radical, com a passagem do programa para Lisboa (decisão que causou considerável celeuma, dando mesmo direito a protestos do Bispo de Setúbal!) e a entrega das 'rédeas' a João Baião e Tânia Ribas de Oliveira – uma experiência que desvirtuava o programa de tal forma que não podia senão dar errado, tendo esta fase do programa durado pouco mais de um ano até a metade masculina da dupla decidir 'regressar a casa' para apresentar a 'Grande Tarde' da SIC. Deixada sozinha no comando de um programa que nunca havia sido o seu, Tânia valentemente 'aguenta o barco', mas o destino da 'Praça da Alegria' estava traçado, vindo o programa a sair do ar durante outros quinze meses.


O regresso (embora com nome encurtado para apenas 'A Praça') dar-se-ia quase exactos vinte anos após a primeira emissão do original (a 21 de Setembro de 2015), e veria o programa regressar às 'origens' portuenses e 'repescar' a dupla de Gabriel e Araújo, como que num esforço concertado para fazer esquecer aquela experiência gorada de um par de anos antes. Três anos depois, em 2018, o programa recuperaria o seu nome original, completando-se assim o regresso total e declarado à 'segunda fase' do programa (a da primeira década pós-Goucha). Os resultados não podiam ter sido melhores, tendo a 'Praça' permanecido mais ou menos imutável desde então até aos dias de hoje, em que continua a fazer as delícias de muitos dos mesmos espectadores que a seguiam quando, há três décadas, estabelecia o 'livro de estilo' para os 'talk shows' em Portugal, e a provar que, mesmo sem o seu criador, merece o seu lugar como referência máxima do formato a nível nacional. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Wednesday, 24 September 2025

Domingos Divertidos / Segundas de Sucessos: Os Microfones Com Efeitos Sonoros - Um Espectáculo Em Si Mesmos

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 21 de Setembro e Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Numa ocasião anterior, falámos aqui dos microfones com eco, um brinquedo que, partindo de uma premissa simples, oferecia diversas formas de diversão ao seu público-alvo, não só através da mecânica como também das possibilidades a nível da imaginação e do faz-de-conta. No entanto, este estava longe de ser o único recurso que as 'futuras estrelas musicais' tinham a sua disposição à época; pelo contrário, quem quisesse emular mais aproximadamente a experiência de dar um concerto ao vivo tinha um brinquedo justamente à sua medida, especificamente idealizado e concebido para permitir dar largas à imaginação nesse sentido.


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Exemplo moderno do produto em causa.


Falamos dos microfones a pilhas, equipados com uma base na qual estavam inseridos um ou mais botões de efeitos sonoros, que podiam ser activados a qualquer momento mediante pressão com o pé. E, para tornar a ilusão ainda mais realista, a gama de sons não incluía apenas recepções positivas, como aplausos, mas também um simulacro de vaias e descontentamento, perfeito para quem procurasse fazer auto-crítica, ou para quem tivesse um irmão, primo ou amigo com gosto por 'partidas' que entrasse 'à sucapa' para interromper o 'concerto' com tais sons.


Qualquer que fosse o caso, o saldo final era quase sempre suficientemente divertido para justificar quaisque revezes, e claramente apelativo que chegasse para manter estes microfones no mercado até aos dias de hoje – embora, como sucede com tantos outros brinquedos de que falamos nestas páginas, já sem a relevâmcia que outrora tiveram, e algo 'relegados' para plataformas de revenda 'online'. Ainda assim, não deixa de estar presente a oportunidade para os 'Millennial' e 'X' apresentarem às gerações mais novas mais um dos muitos brinquedos que, mediante mecânicas e propostas simples mas absolutamente irresistíveis, faziam as delícias da 'pequenada' no dealbar da era tecnológica.

Sunday, 21 September 2025

Sábados aos Saltos: As Bolas de Trapos, O Último Brinquedo 'Improvisado' do Século XX

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 20 de Setembro de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Os anos finais do século XX representaram o último 'sopro de vida' para muitos dos brinquedos e brincadeiras que haviam inspirado e entretido as gerações passadas. O advento e rápida expansão das novas tecnologias, bem como a globalização do comércio e consequente decréscimo dos preços de muitos produtos, fizeram com que muitas crianças da Geração 'X' em diante não quisessem ou sequer precisassem de conhecer os jogos e objectos de lazer 'improvisados' com que os seus pais e avós conviviam. Havia, é claro, excepções à regra – algumas das quais se mantêm até aos dias de hoje – mas, grosso modo, as décadas de 80 e 90 foram mesmo as últimas em que se utilizaram, ou sequer viram, certos produtos.


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Um bom exemplo deste paradigma são (ou foram) as bolas de trapos, um daqueles brinquedos 'inventados' pela falta de recursos, e que viria a ser erradicado pela facilidade em obter uma bola de espuma, borracha ou couro em qualquer loja de brinquedos ou desporto, drogaria, supermercado, grande superfície ou mesmo loja dos 'trezentos'. Com tal variedade e facilidade de acesso, aquele amontoado de folhas de jornal dentro de uma meia que os mais velhos haviam usado na sua infância acabava por parecer redundante, e até um pouco risível.


Apesar disto, ainda terá havido, no período em causa, quem tenha recheado, ou visto familiares rechearem, o referido pedaço de tecido com trapos, meias, jornais ou papel rasgado, para criar um brinquedo perfeitamente funcional, e que, por ser leve, podia mesmo ser utilizado dentro de casa, durante um Domingo Divertido – ainda que a maioria dos familiares não visse com bons olhos esse tipo de ideia. Por essa razão, e apesar de já à época serem praticamente uma relíquia do passado, fica apenas bem dedicar estas breves linhas a um dos últimos brinquedos clássicos do século XX a verdadeiramente deixar de existir.


 

Saturday, 20 September 2025

Sessão de Sexta: Trinta e Cinco Anos de 'Dick Tracy', O 'Blockbuster' Esquecido de Inícios dos 90

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 18 de Setembro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Qualquer membro da geração 'millennial' tem bem presente que os filmes baseados em bandas desenhadas apenas começaram a ser sucessos garantidos a partir do dealbar do Novo Milénio, quando os 'X-Men' de Bryan Singer revolucionaram o paradigma em termos de qualidade, e 'abriram a porta' àquele que, hoje em dia, talvez seja o género cinematográfico mais lucrativo e bem-sucedido. Para que se chegasse a esse ponto, no entanto, foi necessário passar por consideráveis 'dores de crescimento', sendo que, durante décadas, os fãs de 'comics' americanos nunca podiam saber o que esperar de cada nova adaptação cinematográfica, já que para cada mega-sucesso como o 'Batman' de Tim Burton havia outros quatro filmes que passavam despercebidamente para o mercado do vídeo, incapazes de concorrer com as mega-produções Hollywoodescas. O filme sobre o qual nos debruçamos nesta Sessão de Sexta (poucos dias após se terem completado trinta e cinco anos sobre a sua estreia em Portugal, a 14 de Setembro de 1990) fica a meio-caminho entre estas duas vertentes, tendo logrado ser um sucesso à época do seu lançamento, mas tendo caído no esquecimento quase generalizado nas três décadas e meia subsequentes.


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Falamos de 'Dick Tracy', adaptação da banda desenhada do mesmo nome, presença assídua nas páginas de BD dos jornais americanos, e que narra as desventuras do detective homónimo, reconhecível pela icónica gabardine amarela, na sua luta contra os mafiosos que regem a típica cidade dos anos 30 ou 40 onde vive. Um conceito mais na linha dos velhos livros de ficção barata do que propriamente dos super-heróis da Marvel e DC, mas que, ainda assim, apresenta semelhanças com séries como 'Batman', 'Sin City' ou 'Spirit', cujos filmes empregariam elementos estéticos a fazer lembrar os do filme em causa - o qual, no entanto, ficaria bastante aquém de qualquer deles em termos de impacto duradouro no Mundo cinematográfico.


Para os jovens cinéfilos daquele ano de 1990, no entanto, o filme trazia bastantes atractivos, da gama de cores da roupa dos personagens (a remeter intencionalmente aos tons vivos do Technicolor) até à presença de Madonna, então em alta, como interesse romântico do Tracy vivido pelo também realizador Warren Beatty, a participação de nomes como Al Pacino, Dustin Hoffman, James Caan ou Dick Van Dyke, ou mesmo apenas o apelo estético do icónico logotipo do personagem, que gerou alguma procura a nível de 'merchandise' alusivo ao filme imediatamente após a sua estreia.


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O elenco recheado de estrelas do filme.


Infelizmente, ao contrário de outros exemplos de que já aqui falámos, e apesar da 'parada de estrelas' que constituía o seu elenco a adaptação em 'carne e osso' de 'Dick Tracy' não logrou suster esse nível de interesse a longo-prazo, tendo-se rapidamente tornado 'apenas' mais um filme, mesmo enquanto a BD original continuasse de 'pedra e cal' nas páginas dos jornais. Ainda assim, numa altura em que se assinala um 'aniversário' marcante para o filme de Beatty, é justo homenageá-lo com estas singelas linhas, as quais (quem sabe?) talvez motivem quem ainda não conhece o filme – ou mesmo quem já o tenha visto – a procurar forma de o (re)ver nos tempos modernos...

Friday, 19 September 2025

Quartas aos Quadradinhos/Quintas no Quiosque: A 'Wizard' Brasileira - Um Oásis Desactualizado no Deserto Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 17 e Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2025.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


Já aqui por diversas vezes mencionámos a natureza salutar da imprensa periódica portuguesa em finais do século XX e inícios do seguinte. Para além da enorme variedade de jornais mais ou menos eruditos em oferta, o nosso País via também surgirem com regularidade revistas especializadas referentes aos mais diversos assuntos, quer criadas e editadas em solo nacional, quer importadas do estrangeiro, sobretudo dos mercados espanhol (pela proximidade) britânico (pela difusão e reputação) e, claro, brasileiro, cujas revistas, devido à língua partilhada e facilidade de importação, tomava para si um volume considerável do mercado português, sobretudo no tocante à banda desenhada, ramo no qual alguns exemplos persistem mesmo até aos dias de hoje. Não é, pois, de surpreender que, em meados dos anos 90, os aficionados de BD portugueses tenham visto surgir nas bancas e quiosques nacionais, não mais um dos inúmeros 'gibis' que tanto sucesso faziam por estas bandas, mas uma revista especializada com foco nos 'comics' norte-americanos, e que era, ela própria, uma adaptação de um original surgido nos Estados Unidos.


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O primeiro número da edição brasileira da revista, originalmente editado em 1996.


Tratava-se da edição brasileira da lendária revista Wizard, cujo primeiro número era lançado em terras de Vera-Cruz algures em 1996, o que – observando a habitual 'décalage' na chegada das publicações brasileiras a Portugal – a terá colocado nas bancas nacionais algures no ano seguinte. Uma situação longe de ideal para um tipo de publicação dependente da relevância temporal, mas certamente melhor do que nada para os jovens 'bedéfilos' portugueses, os quais, por essa altura, já tinham visto surgir e desaparecer a tímida tentativa da Abril-Controljornal de criar uma publicação deste tipo (a hoje algo esquecida 'Heróis', que, mesmo nos seus melhores momentos, ficava a 'léguas' da apresentação e qualidade da revista que lhe servia de inspiração) e que acolhiam de braços abertos a oportunidade de se manter a par do que ia acontecendo com os seus heróis favoritos, e logo naquela linguagem 'gingada' típica das publicações brasileiras, e que tornava a leitura ainda mais prazerosa...


De facto, ainda que não se pudesse afastar muito dos moldes da publicação-mãe (ou não fosse, na prática, um 'franchise' da mesma), a 'Wizard' brasileira fazia questão, como acontecia com tantas outras revistas daquele país, de afirmar a sua 'brasilidade', o que a tornava ainda mais apelativa para o público nacional do que a original americana, mais cara, menos acessível, e repleta daquele humor típico norte-americano que nem sempre se 'traduz' bem para os contextos de outros países. Uma receita que tinha tudo para dar certo, não fosse o facto de a 'Wizard' brasileira, na sua edição original sob a alçada da bem conhecida editora Globo, não ter chegado a ficar um ano e meio nas bancas, cessando a publicação após o número 15, para apenas a retomar já no Novo Milénio, agora pela mão da editora Panini. Essa segunda série viria a tornar-se bastante mais estabelecida, durando oito anos antes de ser extinta, e a Wizard transformada em publicação apenas digital – embora não sem deixar um legado adicional, sob a forma do site Guia dos Quadrinhos, principal referencial para compra e venda de 'gibis' no Brasil até aos dias de hoje.


Quanto a Portugal, por essa altura, a banda desenhada internacional era já uma realidade bem entranhada na cultura nacional, com lojas e revistas especializadas (entre elas a 'Wizard' original), pelo que a perda da revista brasileira não fez grande mossa. Numa era em que a oferta era praticamente nula, e ainda mais a nível internacional, no entanto, a 'verrrsão brasileirrraaaa' da icónica revista de 'comics' terá certamente, durante o seu curto tempo de vida, feito as delícias de muitos fãs de banda desenhada, e levado a que 'torrassem' a semanada numa publicação que, mesmo desactualizada, se afirmava como referência num mercado de outra forma praticamente inexistente.

Tuesday, 16 September 2025

Terças Tecnológicas: 'Tombi!' - Uma Aventura de Culto

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


A febre dos 'remakes' e reinvenções de videojogos nostálgicos tem tomado de assalto a indústria em causa nos últimos anos, com títulos tão populares como 'Crash Bandicoot', 'Spyro The Dragon', 'Final Fantasy VII', 'Tomb Raider', 'Doom', 'Metal Gear Solid', 'Tony Hawk's Skateboarding' ou 'Monkey Island' a merecerem reinvenções actualizadas a nível do grafismo e jogabilidade. E, com muitos dos principais personagens e 'franchises' já reimaginados e 'vendidos' a uma nova geração de entusiastas de jogos de vídeo, não é de estranhar que as produtoras procurem, agora, explorar filões algo mais obscuros ou 'de culto'. É neste contexto que se insere o 'remake' do videojogo que abordamos neste 'post', originalmente lançado em 1997, em exclusivo para a PlayStation, e cuja 'Special Edition' surgiu na quinta geração da referida consola, bem como na Nintendo Switch e na plataforma de jogos para PC Steam, há quase exactamente um mês. Nada melhor, portanto, que dedicar a primeira Terça Tecnológica após as férias a um título que, apesar de bem recebido na sua época, havia caído um pouco no esquecimento até esta revitalização.


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Um de apenas uma mão-cheia de jogos lançados pela Whoopee Camp, companhia fundada por ex-funcionários da Capcom, 'Tombi!' insere-se no sempre popular (ainda que sobrepovoado) género da acção-aventura em plataformas, do qual a PlayStation original estava já bem servida em 1997, com Crash, Klonoa e Gex a marcarem já presença no seu catálogo, e um certo dragão roxo muito próximo de se estrear. Talvez por isso 'Tombi!' nunca tenha tido honras de título de 'primeira linha' na consola da Sony, pese embora a atenção mediática bastante positiva de que gozou aquando do seu lançamento.


Não que não haja muito do que gostar neste jogo – antes pelo contrário, tanto o protagonista (um pequeno homem das cavernas com cabelo rosa-choque) como os aspectos técnicos de 'Tombi!' facilmente 'cairão no gosto' de qualquer fã deste género de jogo, com os gráficos ao estilo 'anime' e os leves (e sempre populares) elementos de RPG a distanciarem o título de alguns dos seus concorrentes directos, e a proporcionarem uma experiência sumamente agradável, ainda que pouco original. O principal factor distintivo, no entanto, são os 'eventos' – cerca de cento e trinta mini-objectivos inseridos em cada nível, e que dão ao jogador pontos necessários para aceder a novas áreas ou abrir baús do tesouro para encontrar itens, numa estratégia inteligente para prolongar o interesse e longevidade do título.download (3).jpeg


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Apesar destas ligeiras inovações, no entanto, 'Tombi!' nunca conseguiu ir além do estatuto de culto, algo que a sequela – lançada na Europa em Junho de 2000 – nunca sequer almejou. De facto, 'Tombi! 2 – The Evil Swine Return' salda-se entre os mais obscuros títulos para a consola da Sony, algo a que pouco ajuda o facto de ter sido já lançado na fase final da vida da mesma, poucos meses antes do surgimento no mercado da lendária PlayStation 2. Ainda assim, os fãs de 'Tombi!' que ansiassem por uma continuação da experiência de jogo podiam regalar-se com esta sequela, que, como qualquer 'parte dois', oferecia 'mais do mesmo melhorado'. No entanto, tal como sucedia com o original, a falta de elementos distintivos acabou por condenar este jogo ao esquecimento, pelo menos até também ele receber um 'remake' modernizado. O seu antecessor, no entanto, continua até hoje a gozar do estatuto de 'jogo de culto', justificando não só a recém-lançada continuação como o seu espaço neste nosso blog nostálgico.

Monday, 15 September 2025

Segundas de Séries: 'Seinfeld' - Um 'Nada' Com Piada

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


'Um programa sobre nada'. É essa a premissa por trás daquela que é muitas vezes considerada uma das melhores séries televisivas de sempre, capaz de unir gerações na base da gargalhada, mesmo quando algumas das situações apresentadas são já algo ultrapassadas quer do ponto de vista social, quer mesmo de uma perspectiva funcional, sendo hoje improváveis ou muito fáceis quer de prevenir, quer de resolver. Ainda assim, o conceito-base – a dinâmica entre quatro melhores amigos solteirões, cada um com sua 'pancada', numa espécie de versão mais neurótica e sarcástica do contemporâneo 'Friends' – mantém-se universal, sendo presumivelmente, a par da genial escrita, o principal factor que continua a atrair espectadores de todas as idades, mesmo três décadas e meia depois da estreia original da série nos EUA.


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Falamos, claro, de 'Seinfeld', uma das mais famosas e populares 'sitcoms' de sempre, e que lançou as carreiras dos seus quatro protagonistas – não só do comediante e criador Jerry Seinfeld (que interpreta uma versão semi-ficcional de si mesmo) como dos coadjuvantes Julia Louis-Dreyfus (que interpreta Elaine, a representante do sexo feminino no grupo), Jason Alexander e Michael Richards, estes últimos as verdadeiras 'estrelas da companhia', nos papéis do ultra-neurótico e inseguro George Costanza e do declaradamente tresloucado Cosmo Kramer, respectivamente. Juntos (e bem apoiados por profissionais da comédia como Larry David ou Jerry Stiller) os quatro criaram, ao longo dos nove anos de existência da série, situações e dichotes que penetraram na cultura popular não só do seu país de origem, como também de nações como Portugal – afinal, quem nunca lançou um 'nosoupforyou!' ou 'get outta here!'?


Com esta combinação única de talentos cómicos, excelentes guiões, tiradas icónicas (sempre ancoradas pela não menos intemporal e reconhecível linha de baixo 'slap' ouvido no genérico e em todas as transições) não é de admirar que, aquando da sua chegada a Portugal (curiosamente, já depois de concluída a transmissão nos EUA) a série tenha imediatamente granjeado um enorme número de adeptos, que passaram a sintonizar fielmente a TVI todas as noites, para meia-hora de riso garantido. Apesar de concebida num país com uma cultura completamente diferente da lusitana, a série adaptava-se marcadamente bem ao ambiente vivido no nosso País durante aqueles últimos anos do século XX, e 'caiu no gosto' de toda uma geração sarcástica, irónica e que se revia parcialmente naqueles personagens tão 'complexados' e cheios de problemas mundanos quanto eles, mas que se recusavam a deixar-se 'afundar' nas suas depressões, ou a criar dramas a partir das mesmas – o que, já de si, demarcava 'Seinfeld' da maioria das séries suas contemporâneas, e lhe dava um apelo muito mais intemporal do que as mesmas, ao mesmo tempo que a falta de 'linha condutora' ou enredo entre episódios convidava à revisão isolada dos momentos favoritos.


Prova dessa intemporalidade é, aliás, o facto de 'Seinfeld' fazer regressos periódicos aos ecrãs nacionais até aos dias de hoje (a última das quais em inícios de 2024) e marcar presença perene em muitos serviços de 'streaming', pronta a ser encontrada e apreciada pelas novas gerações, da mesma forma que sucedeu com os seus pais e até avós. Nada mau, para um 'programa sobre nada...'

Sunday, 14 September 2025

Domingo Desportivo: Grandes dos 'Pequenos' - Paulo Ferreira, O 'Amadorense Adoptivo'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.


Da quase infinita quantidade de jovens futebolistas que passam pelas camadas jovens dos grandes clubes mundiais, apenas uma ínfima parte logra, efectivamente, ascender à equipa principal, ficando a restante (esmagadora) maioria 'pelo caminho', seja por questões técnicas, por tardarem a demonstrar o potencial esperado, por opção técnica dos treinadores, ou até por razões do foro pessoal. Portugal não é, de todo, excepção a esta regra, sendo habitual ver jovens jogadores acabados de sair dos 'fornos' de Sporting, Benfica e Porto reforçarem emblemas de menor dimensão, e construírem carreiras que, embora honrosas, acabam por ficar longe do esperado. Cabe, pois, a cada jogador decidir como encarar este trajecto alternativo, acabando por ser tantos os que desanimam com o que percebem como um 'falhanço' como aqueles que vêm o 'copo meio cheio', e decidem, literalmente, 'vestir a camisola' do novo clube.


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Na década de 90, um dos exemplos desta última filosofia foi Paulo Alexandre Marques Ferreira. Formado nas escolas do Sporting em finais da década de 80, seria, no entanto, num outro clube da zona de Lisboa que viria a completar a formação – nomeadamente, o histórico Estrela da Amadora, então da antiga II Divisão de Honra, onde viria a passar literalmente toda a década de 90, primeiro como júnior e, mais tarde, como membro efectivo da equipa A, ao lado de nomes como os futuros internacionais Dimas e Paulo Bento. E se, a princípio, a sua participação na mesma era tão periférica quanto a de qualquer outro jovem em início de carreira, paulatinamente, vir-se-ia mesmo a afirmar como peça importante do plantel dos alvirrubros, tomando conta da ala esquerda na grande maioria das impressionantes sete épocas e meia (de um total de nove) que ali passou como sénior, e conseguindo mesmo honras de campeão da II de Honra, com apenas 19 anos, na época 1992/93, tendo os seis jogos em que participou ao longo dessa campanha sido suficientes para lhe outorgar esse título, e para lhe valer um lugar nas Selecções Nacionais Sub-20 e Sub-21, com as quais disputou, nesse Verão, o Torneio de Toulon (em que fez três jogos) e o Campeonato Mundial da categoria (em que participou em dois).


Ao mesmo tempo que a lealdade de Ferreira ao emblema da Reboleira fazia dele um Grande dos Pequenos naquele histórico do futebol português, as boas exibições chamavam a atenção dos ditos 'grandes', acabando o extremo por ser mesmo abordado por um deles, no caso o então 'campeão crónico' Futebol Clube do Porto, para o qual se transferia no final da época 1998/99. No entanto, a estadia do extremo na Invicta não foi feliz, não indo a sua participação de azul e branco além de cinco jogos na equipa B (em que, ainda assim, logrou marcar um golo) em menos de quatro meses passados no antigo Estádio das Antas. De facto, logo em Janeiro de 1999, o nome de Paulo Ferreira constava já da lista de dispensáveis, estando o extremo a um passo de voltar a 'casa' por empréstimo, mas acabando a escolha por recair no Farense, onde ingressou para o que restava da época, e onde voltou a ser feliz, participando em catorze jogos e contribuindo com dois golos para ajudar os algarvios a evitar a despromoção da Liga Portuguesa, antiga I Divisão.


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O 'regresso a casa' de Paulo Ferreira teria, pois, de esperar até à época seguinte, tendo o extremo ingressado a título efectivo no clube que o vira despontar para o futebol, e onde voltaria a ser peça-chave, agora a um nível mais elevado. Duraria apenas uma temporada esta segunda passagem de Ferreira pela Reboleira, no entanto, sendo que a época seguinte o via envergar novamente as cores do Farense, desta vez a título efectivo. No final de mais uma bem-sucedida época, nova mudança, desta vez para o Varzim, onde se viria a iniciar o ocaso de carreira do jogador, que poria no futebol amador, ao serviço do 9 de Abril de Trajouce, ponto final definitivo numa carreira honrosa, em que, embora passando ao largo dos grandes palcos, conseguiu ser ídolo em pelo menos um clube, e rectificar adequadamente todos os (poucos) passos em falso. Razão mais que suficiente, pois, para a honrarmos, e ao próprio jogador, no dia em que este completa cinquenta e dois anos de idade. Parabéns, Paulo, e que conte ainda muitos.

Saturday, 13 September 2025

Sextas com Style/Saídas ao Sábado: A Mango em Portugal - Mais de Três Décadas a 'Vestir' As Mulheres Lusitanas

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sexta-feira, 12 de Setembro de 2025.


Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Numa edição anterior desta rubrica, falámos do aparecimento em Portugal das lojas de 'fast fashion', sem, no entanto, destacarmos qualquer uma delas em particular. Chega, pois, agora o momento de olhar mais a fundo para uma delas, que sempre quis ser menos 'fast' e mais 'fashion' do que as restantes, e que, por entre controvérsias, mantém inalteradas tanto a sua linha condutora como a forte presença em zonas comerciais de Norte a Sul de Portugal, país que continua a constituir o seu segundo maior mercado.


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Falamos da Mango, cadeia espanhola que abriu as suas primeiras lojas no 'outro' país ibérico em 1992, menos de uma década após a sua fundação – curiosamente, não em Lisboa ou no Porto, mas em Coimbra. Não tardaria senão mais uns meses, no entanto, até as 'capitais' começarem, também elas, a receber lojas da cadeia, entre elas a mais antiga hoje em actividade, inaugurada no CascaiShopping a 2 de Novembro de 1993. Era o início de uma expansão que, eventualmente, veria a Mango operar mais de cinco dezenas de lojas em território nacional, e tornar-se um dos nomes mais reconhecíveis do comércio de vestuário em Portugal, muito graças à oferta algo mais sofisticada e estética do que as da concorrência – mais perto de um Cortefiel do que de uma Zara ou Bershka, e mais coadunante com o público ligeiramente mais velho que a cadeia pretendia atingir.


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A loja do CascaiShopping, a mais antiga ainda em actividade.


E a verdade é que esta estratégia resultou em pleno, garantindo à Mango uma clientela demograficamente diversificada, grande parte da qual continua até hoje a visitar as lojas da marca – e, no caso das clientes mais jovens da época, a 'apresentá-la' também às novas gerações. Os cortes, padrões e acessórios, esses, continuam tão intemporais e clássicos como sempre (uma das imagens de marca da cadeia) tornando as suas peças adequadas a qualquer ocasião, e fáceis de 'transitar' de um ano para o outro sem parecerem antiquadas, e continuando a garantir o sucesso da marca como fornecedora de 'básicos' para o dia-a-dia, sobretudo para o público feminino.


E a verdade é que, embora não esteja imune a algumas controvérsias – a mais recente das quais ligada à actual guerra na Ucrânia – a cadeia fundada pelos irmãos Andic há mais de quatro décadas, e presente em Portugal há mais de três, não parece dar sinais de abrandar, quer na sua expansão, quer no volume de vendas, continuando a figurar entre as favoritas dos consumidores portugueses no sector do vestuário, o que faz prever uma presença continuada em Portugal, senão durante mais três décadas, pelo menos no futuro mais próximo.


 

Quintas de Quinquilharia: Os Marcadores, Os 'Todo-O-Terreno' da Arte Infantil

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quinta-feira, 11 de Setembro de 2025.


Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


Eram um dos principais símbolos de 'status' do regresso às aulas – especialmente se viessem naqueles estojos grossos com uma imagem bonita no topo, mas também na sua forma mais simples, dentro de um invólucro plástico e com uma folha de cartão com a marca a tapar as tampas. E apesar de, invariavelmente, acabarem secos e sem tampa dentro de poucas semanas (senão mesmo dias, no caso de um tratamento especialmente descuidado) eram, até esse momento, um dos 'ex-libris' das mochilas da escola de crianças e jovens da idade pré-escolar até ao ensino secundário.


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Falamos, claro, dos tradicionais marcadores, os 'todo-o-terreno' da arte infantil, já que requeriam menos precisão que os lápis de cor ou de cera, não precisavam de ser afiados como os primeiros, e duravam bastante mais do que os segundos, tornando-os ideais para crianças mais novas, menos pacientes ou simplesmente com menos talento para as artes. Mesmo quem tinha 'jeito', no entanto, não deixava de aproveitar qualquer oportunidade para comprar um estojo grande, com o espectro completo de cores (e, de preferência, da Molin) com o qual fazer inveja aos colegas de turma nas primeiras semanas do novo ano lectivo – única altura em que a maioria dos pais se mostrava disposta a fazer tal investimento, sendo que, em qualquer outra ocasião, o mais natural seria receber um estojo mais simples, de cores básicas, que fazia menos vista mas servia perfeitamente o propósito-base de pintar ou criar desenhos.


Fosse qual fosse o formato, no entanto, os marcadores formavam parte integrante do dia-a-dia de qualquer criança de finais do século XX e inícios do seguinte – e, apesar de longe da expressividade que outrora tiveram, continuam presentes no quotidiano escolar das gerações Z e Alfa, mostrando que, por mais tempo que passe, há conceitos e produtos que se afirmam como verdadeiramente imortais.

Friday, 12 September 2025

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos do OVNI de Alfena - Um Mistério Ainda Hoje Inexplicado

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Setembro de 2025.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A existência (ou não) de vida inteligente em outros corpos galácticos que não apenas a Terra tem, pelo menos desde há dois séculos, exercido um fascínio considerável sobre grande parte da população Mundial, não sendo Portugal excepção à regra. A dificuldade em explicar certos eventos a nível cognitivo, aliada à tendência muito humana para extravasar e extrapolar acontecimentos, leva a que muitos indivíduos um pouco por todo o Mundo acreditem na existência de raças extraterrestres, capazes de se deslocar pelo espaço em veículos mecanicamente muito mais avançados do que os tradicionais carros e, assim, visitarem outros planetas, entre eles a Terra. E ainda que continuem a existir poucas ou nenhumas provas de que seja este o caso (e nenhuma delas conclusiva) a verdade é que, uma vez por outra, ocorre algo que se afigura verdadeiramente difícil de explicar racionalmente. Um desses eventos, sobre o qual se celebraram há poucos dias exactos trinta e cinco anos, teve lugar numa improvável aldeia do interior de Portugal, onde várias pessoas afirmaram ter avistado um Objecto Voador Não Identificado (OVNI), naquele que permanece, até hoje, o mais significativo evento ligado à vida extraterrestre a ter ocorrido no nosso País.


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Uma das quatro fotos existentes do OVNI de Alfena, conhecido como a 'Medusa' devido à sua forma.


Foi às oito e meia da manhã do dia 10 de Setembro de 1990 que diversos habitantes da aldeia de São Vicente de Alfena, no concelho de Valongo, na Área Metropolitana do Porto, afirmaram ter avistado um objecto estranho no céu, o qual permaneceria sobre a aldeia durante cerca de cinquenta minutos, ora estático, ora em movimento. Fotografias tiradas por uma das testemunhas, e autenticadas tanto pela NASA como pela Kodak, mostrariam tratar-se de um objecto esférico e com apêndices a fazer lembrar patas ou tentáculos, configurando uma aparência algures entre a de um disco voador estereotipado e a do organismo marinho conhecido como medusa, nome pelo qual ficou informalmente conhecido.


Esta prova foi, desde logo, considerada suficiente para dar início a uma investigação internacional sobre o incidente, e a pacata aldeia nortenha via-se assim, de um dia para outro, no epicentro de uma pesquisa digna dos 'Ficheiros Secretos', que envolvia agências francesas e americanas, além de vários laboratórios nacionais, na tentativa de discernir a natureza e origem do objecto, tendo a ocorrência chegado mesmo a ser tema de um episódio de uma série sobre eventos ligados ao contacto extraterreste produzida pela National Geographic. E ainda que a maioria das pesquisas tenha sido inconclusiva, os cientistas conseguiram, ainda assim, concluir que o objecto não se assemelhava a qualquer dispositivo aéreo conhecido e que pudesse ajudar a explicar o mistério, como uma sonda ou um balão metereológico. Tendo o evento tido lugar décadas antes da comercialização em massa de 'drones' teleguiados, o objecto no céu de Alfena permaneceu, assim, impossível de identificar, acabando por ser 'arquivado' na memória popular como mais uma prova de que existe algo mais na vastidão do espaço, que talvez procure estabelecer contacto com os habitantes de outros planetas ou, no mínimo, visitá-los – algo que qualquer habitante de São Vicente de Alfena presente naquela manhã de Setembro há trinta e cinco anos decerto não terá qualquer problema em corroborar...

Thursday, 11 September 2025

Terças de TV: Vinte e Cinco Anos do 'Big Brother', O Programa Que Mudou A Televisão Portuguesa

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 09 de Setembro de 2025.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


De entre as dezenas (senão mesmo centenas) de programas propostos pelos quatro canais nacionais ao longo de cada ano, existem aqueles que rapidamente caem no esquecimento, aqueles que 'pegam de estaca' e acabam por se eternizar na memória colectiva, tornando-se nostálgicos, e aqueles que transcendem o mero estatuto de entretenimento televisionado, extravasando as fronteiras do ecrã para se estabelecerem como parte integrante da cultura popular nacional. E embora estes casos sejam relativamente raros (ou talvez por causa disso), quando um deles surge na grelha televisiva da RTP, SIC ou TVI, a sua influência tende a manter-se muito para além do tempo de transmissão, sendo os mesmos ainda relembrados várias décadas após a sua conclusão. É, precisamente, esse o caso com o programa que abordamos neste 'post', sobre cuja estreia se celebraram há cerca de uma semana exactos vinte e cinco anos, e cujo legado continua bem vivo não só na mente dos portugueses, como nos próprios ecrãs das suas televisões, mesmo um quarto de século após a sua introdução na grelha da 'Quatro'.


O serão de dia 3 de Setembro de 2000 marca, pois, o ponto em que o panorama televisivo lusitano se alteraria irreversivelmente, e em que os espectadores nacionais tomariam pela primeira vez contacto com aquele que se viria a tornar um dos géneros mais populares do século XXI. Isto porque era nesta data que a TVI apresentava, pela primeira vez, o seu novo concurso, adaptado de um popular formato holandês, e que propunha seguir de perto, e em directo, a vida de catorze portugueses comuns, forçados a cohabitar numa casa especialmente construída para o efeito, e sujeitos a eliminações decididas pelo público, com base nos seus comportamentos e capacidade de engajar (ou não) quem via o programa. Era o início do 'Big Brother' em Portugal, e também de uma febre comparável à causada junto dos jovens por 'Dragon Ball Z', alguns anos antes, mas desta vez extensível a todas as faixas etárias e demográficas do País.


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De facto, o 'reality-show' da TVI (primeiro do seu género em Portugal) era de tal modo inescapável que até quem evitava declaradamente acompanhar o programa não conseguia deixar de estar a par do que nele se passava. Elementos como o confessionário, as provas (que garantiam ao vencedor imunidade contra a eliminação nessa semana) e as famosas 'câmaras nocturnas' instaladas nos quartos de cama rapidamente se tornaram tema recorrente de conversa, o mesmo sucedendo com grande parte dos concorrentes – ainda que alguns fornecessem mais 'tema de conversa' do que outros. Em particular, destacavam-se o afável pedreiro Zé Maria, o campeão de 'kickboxing' Marco (protagonista do mais controverso e polémico momento do programa), o recatado Telmo e, do contingente feminino, a carismática Susana e a 'desbocada' Sónia. Outros, por seu lado, mal deixariam marca na memória colectiva, havendo pouco quem se lembre de Riquita (a professora de Inglês eliminada em primeiro lugar) ou dos dois Ricardos, que rapidamente se lhe seguiram.


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A grelha de concorrentes do primeiro Big Brother.


Dos restantes, no entanto, parte significativa encontraria lugar cativo na cultura popular portuguesa, fosse por saberem como 'jogar o jogo', por terem simplesmente personalidades mais vincadas ou expansivas, ou por serem protagonistas de momentos controversos, como actos sexuais em directo (algo que chegou, previsivelmente, a gerar escândalos à época) ou momentos de descontrolo emocional, como aquele que viu Marco ser expulso da casa, apesar de não ter sido o escolhido do público, após agredir Sónia com o pontapé mais famoso da História da televisão portuguesa, senão de sempre, pelo menos desde os tempos áureos de Eusébio. O facto de tal acto (contra uma mulher, ainda para mais) não ter imediatamente excomungado o 'kickboxer' da memória popular nacional – tendo o mesmo, pelo contrário, adquirido estatuto de celebridade menor – diz muito do poder do 'Big Brother' sobre a psique colectiva portuguesa naquele período de pouco mais de três meses na segunda metade do ano 2000, cujo efeito sobre a sociedade fez com que parecesse muito mais longo.


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Marco, protagonista do mais polémico momento do programa, e único concorrente expulso da casa sem direito a votação.


De facto, era logo na véspera de Ano Novo que Zé Maria - o simples e espontâneo pedreiro que ajudara a colocar Barrancos no mapa por razões não ligadas à tauromaquia, e que conquistara o coração dos portugueses ao longo dos três meses anteriores - 'roubava' audiências aos habituais espectáculos da noite e recebia das mãos da anfitriã Teresa Guilherme o cheque que viria a mudar indelevelmente a sua vida, tomando o seu lugar como 'pedra basilar' de uma dinastia que, vinte e cinco anos depois, não mostra sinais de abrandar, com variações do 'Big Brother' a serem produzidas e transmitidas pela TVI até aos dias de hoje, quer no formato original, quer com a participação de celebridades. O sucesso do programa daria, também, o mote para o surgimento de uma série de outros 'reality shows' nas grelhas televisivas nacionais, o primeiro dos quais da responsabilidade da SIC, canal que rejeitara originalmente o Big Brother e procurava 'emendar' o seu erro. Nenhuma destas tentativas viria, no entanto, a ter sequer uma fracção do sucesso das duas primeiras séries do 'Big Brother', sendo apenas com 'Quinta das Celebridades' que o formato voltaria verdadeiramente a cativar audiências em massa.


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O momento da coroação de Zé Maria.


Mas se, para a TVI, o resultado foi positivo, já para o vencedor do concurso, a súbita riqueza e fama provariam ser demasiado 'pesadas', causando problemas do foro psíquico e levando a que Zé Maria se isolasse da sociedade, situação que ainda hoje se mantém, e que ninguém poderia ter previsto naquele momento em que, aos vinte e sete anos, o pedreiro recebia um cheque de vinte mil 'contos' e um carro, sob as luzes de um estúdio de televisão. Ainda assim, e apesar de tudo fazer para que o seu nome seja esquecido, Zé Maria estará, juntamente com os outros concorrentes, para sempre ligado ao início de uma nova etapa na programação portuguesa, e do 'reino' continuado de um novo formato que, um quarto de século depois e na sua 'enésima' edição, continua a gerar temas de conversa e a render lucro e audiências à estação que o transmite.

Wednesday, 10 September 2025

Segundas de Sucessos: A Insólita História de Jordy, Ou Como Criar Um 'Hit' 'Sem Saber Ler Nem Escrever'...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Segunda-feira, 08 de Setembro de 2025.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


De quando em vez, as tabelas de vendas musicais mundiais são 'tomadas de assalto' por uma 'daquelas' músicas – um tema concebido, não para o assalto aos 'tops', mas apenas como uma piada (ou, no limite, algo mais experimental) e 'interpretada' por um desenho animado, um fantoche, um criador de conteúdos, alguém sem o mínimo talento musical ou, como sucedeu momentaneamente na Europa de inícios dos anos 90, uma criança pequena.


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De facto, um dos mais notórios 'one-hit wonders' de toda a última década do século XX foi, não um qualquer artista estabelecido que lograva sair brevemente da mediania, nem tão-pouco um grupo de anónimos artistas de estúdio escondidos atrás de um avatar, mas um menino francês de apenas quatro anos e meio, que 'cantava' conforme sabia uma letra sobre como era difícil ter essa idade, por cima de uma batida de dança a cargo do próprio pai, naquilo que havia começado como um exercício de memorização de falas para um anúncio de fraldas. Quase parece um enredo para um filme ou livro (ou um qualquer delírio do ChatGPT), mas trata-se de uma história bem real: a do pequeno Jordy Lemoine, à época conhecido apenas pelo seu primeiro nome, e protagonista de um dos mais bizarros momentos da música comercial moderna.



Isto porque, conforme acima relatado, o futuro recordista (consta do Livro de Recordes do Guiness, enquanto artista mais jovem de sempre a conseguir ser número um de um 'top' de 'singles', e foi também o mais jovem a entrar no famoso 'Hot 100' da Billboard americana, além de deter o recorde de permanência no topo das tabelas francesas, com umas impressionantes quinze semanas como número 1) pôs toda a gente a cantar (em Francês!) sobre como era duro ser bebé, sem sequer conseguir enunciar correctamente a maioria das palavras. Claramente, a ideia era tirar partido do 'factor fofura' daquele menino classicamente bonito, loiro e de olhos verdes – um plano que se pode dizer ter resultado em pleno, dado o sucesso da sua música de estreia.


Infelizmente, o interesse no menino cantor gaulês não se estenderia para lá desse primeiro 'single', e daqueles poucos meses no Outono de 1992 – pelo menos na Europa, já que na sua França natal ainda viria a gozar de fama suficiente para lançar mais dois discos após 'Pochette Surprise', o álbum que continha a referida 'Dur, Dur, D'Être Bebé'. Ainda assim, são poucos (ou nenhuns) os artistas que podem dizer que a sua carreira na 'ribalta' terminou aos sete anos de idade, e que, ainda em idade escolar, já faziam parte do inevitável círculo de (ex-)celebridades a aparecer em 'Quintas' e outros programas que tais. E a verdade é que, mesmo sob estas circunstâncias, Jordy não desistiu por completo do 'sonho' musical, tendo mesmo lançado um 'single' já depois de adulto, em 2006, embora o mesmo não tenha tido qualquer sequência. Na memória colectiva europeia, no entanto, o hoje trintão será para sempre aquele miúdo loiro e 'bolachudo' que, durante um par de meses em fins de 1992, foi (literalmente 'sem saber ler nem escrever') protagonista de uma das mais insólitas histórias de sucesso 'instantâneo' do mundo da música popular contemporânea.

Monday, 8 September 2025

Sábados aos Saltos/Domingos Divertidos: As Raquetes Com Fio

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sábado, 06 de Setembro e Domingo, 07 de Setembro de 2025.


Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Numa ocasião anterior, lembrámos aqui os icónicos brinquedos de 'cone e bola', cujo objectivo passava por conseguir equilibrar a segunda na base do primeiro. Apesar de ter sido, de longe, o mais popular brinquedo de destreza do seu estilo no nosso País, no entanto, esse estava longe de ser o único representante do seu género, havendo pelo menos mais um produto similar que ajudou a 'matar' algum do tempo livre das crianças das gerações de 80 e 90.


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Semelhante, em muitos aspectos, ao famoso cone, a raquete com fio (ao qual estava amarrada a bola) requeria, no entanto, menos 'jeito', passando o objectivo apenas por bater a bola contra a raquete com cada vez maior velocidade, exibindo assim a coordenação motora do jogador. No fundo, uma espécie de cruzamento entre o cone, o não menos icónico 'Diabolo' e uma raquete de pingue-pongue – mas que, ao contrário dos dois últimos, podia ser utilizado em casa, tornando-a adequada tanto a um Sábado aos Saltos no exterior como a um Domingo Divertido entre paredes. Um brinquedo, portanto, que, estando longe de ser prioritizado em relação a um Game Boy ou bola de futebol – ou mesmo a algo mais 'à sua escala' como uma Ondamania – não deixava de constituir uma boa opção de recurso para aqueles dias mais 'parados' ou em que falta a inspiração para novas brincadeiras.


Tal como tantos outros produtos abordados nestas rubricas, estes brinquedos ainda são comercializados, embora sobretudo em grossistas 'online', os 'cemitérios' de conceitos cujo tempo já há muito passou. Ainda assim, naqueles anos mais simples e menos tecnologicamente carregados de finais do século XX, este brinquedo chegou a divertir, ainda que momentaneamente, muitas crianças em Portugal e não só, fazendo assim por merecer esta breve menção nas nossas páginas.

Sunday, 7 September 2025

Sessão de Sexta: 'Passagem Por Lisboa' (1994) - Uma 'Pérola' Esquecida do Cinema Português Noventista

NOTA: Este post é respeitante a Sexta-feira, 05 de Setembro de 2025.


Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Apesar de, nos anos 90, a era de ouro do cinema português estar já a algumas décadas de distância, o período em causa não deixou ainda assim de contribuir com vários títulos para a lista de longas-metragens lusitanas contemporâneas. 'Adeus, Pai', 'Até Amanhã, Mário', 'Zona J' ou 'Pesadelo Cor-de-Rosa são apenas alguns dos principais destaques da década no tocante a produção cinematográfica, aos quais há ainda que juntar, por exemplo, o 'Hollywoodesco' filme de espionagem (!) realizado em 1994 por Eduardo Geada, e que poderá ser uma opção interessante para uma Sessão de Sexta mais voltada para a reconstituição histórica.


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Tirando partido do estatuto da capital portuguesa como território neutro durante a Segunda Guerra Mundial – o qual, por sua vez, a tornava 'porto seguro' para espiões, informadores e outros 'infiltrados' – Geada propõe-se contar a história da 'Passagem Por Lisboa' de vários personagens, de um francês misteriosamente assassinado a três descodificadores de mensagens alemãs, não esquecendo 'celebridades' como uma reconhecida actriz, um banqueiro ou o Duque de Windsor. Todos estes personagens se vêem, em maior ou menor escala, envolvidos não só no mistério da morte do francês, como também numa intriga de espionagem bem ao estilo dos filmes realizados na época em causa, e que Geada claramente procura homenagear e emular.


O resultado é um filme bem mais ambicioso do que seria necessário (no bom sentido) e que, com um orçamento e actores ao nível de produções análogas internacionais, poderia ter-se tornado um favorito 'de culto' para cinéfilos com interesse em filmes históricos. Isto porque, até mesmo com as limitações inerentes ao seu país de produção, 'Passagem Por Lisboa' faz por valer a descoberta, não só do filme, como também da igualmente 'esquecida' adaptação em banda desenhada, da qual aqui falaremos numa futura Quarta aos Quadradinhos. Até lá, valem estas breves linhas que, espera-se, possam ajudar a redescobrir um filme cuja maior pecha foi mesmo ter sido produzido no Portugal de finais do século XX...

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...