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Wednesday, 18 June 2025

Terças Tecnológicas / Quartas aos Quadradinhos: Os Primórdios dos 'Webcomics' - O Início de Algo Maior

NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Terça-feira, 17 de Junho de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


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O lendário 'Penny Arcade', ainda hoje actualizado.


Hoje em dia, a criação artística com recurso a meios digitais é comum e normalizada ao ponto de quase ser expectável, em grande parte devido aos avanços tecnológicos e subsequente aumento na variedade e acessibilidade dos produtos e materiais necessários. Em finais do século XX, no entanto, a situação era diametralmente oposta, com os equipamentos disponíveis a serem tão caros quanto rudimentares e, como tal, utilizados sobretudo por aqueles que não tinham qualquer outra forma de atingir o seu objectivo, eram 'tecnocráticos' o suficiente para saber o que fazer com eles, ou reuniam ambas as condições.


Não foi, pois, sem uma certa admiração e surpresa – misturada com prazer – que os fãs de banda desenhada com acesso à Internet em finais dos anos 90 se depararam com todo um novo leque de opções de leitura em formato digital, antes acessível apenas a quem se movimentasse em meios informáticos, fizesse parte dos velhos 'fóruns', ou soubesse utilisar serviços como a Usenet. Por comparação, estas novas criações (no bom e velho formato HTML) apenas requeriam conhecimento do endereço em que se encontravam para poderem ser apreciadas, garantindo assim, desde logo, um público muito maior e mais global - ainda que a língua inglesa exclusivamente utilizada nestas obras continuasse a constituir um entrave e a restringir a verdadeira globalização.


Quem percebia inglês a um nível satisfatório, no entanto – e tinha um sentido de humor voltado para o sarcasmo e para o humor referencial, base de muitos destes chamados 'webcomics' – não podia deixar de se deliciar com criações como 'Aaron A. Ardvark', 'Captain Jim' ou o lendário 'Penny Arcade' (precursor da tematização em torno dos videojogos, hoje tão popular) e com paródias como 'Dysfunctional Family Circus' e 'Neglected Mario Characters', entre outros. E se algumas destas obras podem, à luz dos dias de hoje, parecer algo primitivas, rudimentares e até imaturas, outras há que logram subsistir ao longo das décadas e manter-se relevantes, quais 'South Park' da banda desenhada digital, como é o caso do referido 'Penny Arcade'. Quem presenciou o início do meio, no entanto, sabe que a produção e oferta de hoje pouco tem da magia inovadora e verdadeiramente entusiasmante daquelas primeiras criações, a cujo impacto e influência vários criadores modernos devem uma carreira, e que, por isso, bem merece ver-lhe dedicado mais um 'post' duplo neste nosso 'blog' nostálgico.

Saturday, 26 March 2022

Saídas ao Sábado: A Ida À Biblioteca

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


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Não são todas as crianças que gostam de ler, mas para aquelas que gostam, uma ida à biblioteca é (ou era) uma Saída de Sábado tão válida quanto uma ida ao jardim ou ao parque infantil. Aquelas prateleiras atrás de prateleiras, cheias de segredos, aventuras, surpresas e mistérios prestes a serem revelados (quer 'in loco', quer mais tarde, com calma, em casa) conseguiam, no contexto certo, surtir o mesmo efeito de um corredor de hipermercado ou loja de brinquedos – até porque, para quem tem apetência para a leitura, os livros acabam por quase ser brinquedos...


Até mesmo quem não era muito de leituras, no entanto, tinha na biblioteca (quer municipal, quer de bairro ou até no contexto da escola) motivos de algum interesse, fossem os computadores de uso (quase) livre – durante muito tempo, a única forma de acesso à Internet para muitos jovens portugueses – fossem as pequenas, mas honestas, secções de filmes e CD's de música, onde se podia, com sorte, descobrir um novo filme para ver numa sexta à noite (sem que para isso fosse necessário ir ao videoclube) ou um álbum nunca antes ouvido de um artista favorito. Muitas bibliotecas tinham, ainda, arquivos de revistas de interesse cultural e científico, pelo que quem gostava de passar uma tarde a folhear volumes desse tipo acabava também, muitas vezes, por se inscrever para um cartão na biblioteca local.


Em suma, na sua essência, as bibliotecas (as quais existiam, e continuam a existir, na maioria das povoações portuguesas acima de um certo tamanho) serviam como um repositório de informação gratuita e acessível a qualquer instante – um papel que a então incipiente Internet estava ainda a algumas décadas de vir a desempenhar. Num mundo em que o Google não só existe, como é quase sinónimo com pesquisas de todos os tipos – e em que a maioria dos lares portugueses tem pelo menos um dispositivo capaz de aceder à Internet – este tipo de estabelecimento encontra-se, a par dos videoclubes e salões de jogos, numa rápida e inexorável espiral rumo à obsolescência, subsistindo hoje muito à custa de um público mais envelhecido e tradicionalista, bem como de eventos temporários, como exposições. Quem, nas décadas a que este blog remete, gostava de ler, de filmes ou de descobrir novos artistas musicais, no entanto, não esquecerá o papel e a influência que a 'sua' biblioteca, por muito humilde que fosse, desempenhou no cultivar desse gosto durante os seus anos de infância – razão mais que suficiente para que lhe sejam dedicadas estas breves linhas...

Tuesday, 19 October 2021

Terças Tecnológicas: Os Emuladores

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


NOTA: Este post é dedicado à malta dos emuladores da Escola Filipa de Lencastre, 1997-99: Paulo Melo, Bruno 'Icster', Nuno 'Screech' e Samuel. Se por acaso estiverem a ler, este é pelos velhos tempos.


Há exactamente duas semanas, na última edição desta rubrica, recordámos os mais populares motores de pesquisa dos anos 90; ora, um dos principais usos para o qual esses mesmos motores de pesquisa eram aplicados pelos jovens portugueses era a busca por emuladores – programas que permitiam jogar jogos originalmente concebidos para consolas no computador, por intermédio de um processo que fazia com que um PC caseiro se julgasse uma Mega Drive ou Game Boy (daí o nome 'emulador', proveniente de 'emular', ou 'imitar' algo.)


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Um dos primeiros emuladores lançados na década de 90, o NESTicle


Embora hoje em dia sejam corriqueiros ao ponto de virem incluídos com a maioria dos produtos tecnológicos de baixa gama oriundos da China, nos anos 90, os emuladores surgiam ainda envoltos numa aura de mistério, com os repetidos avisos quanto à ilegalidade do processo em si a darem a estes programas uma vertente 'marota' perfeitamente irresistível para toda uma geração de jovens criados à base de Duke Nukem, filmes de acção e música alternativa de cariz agressivo e rebelde. Não é, pois, de espantar que a demografia mais dada a jogos em geral não tivesse tardado a adoptar esta nova tecnologia como sua, havendo certamente muito quem tivesse instalado um ou outro destes programas nos computadores da escola para jogar nos intervalos ou 'furos' (por aqui, foi exactamente esse o caso...)


Os próprios nomes dos primeiros emuladores serão, certamente, nostálgicos para quem 'esteve lá' naquela época; do NESticle (retratado acima) ao Genecyst (aqui logo abaixo), não havia interessado neste campo que não soubesse de cor quais os melhores emuladores a 'sacar', e quais as melhores segundas e terceiras escolhas; no nosso grupo de amigos, por exemplo, havia todo um 'ranking' de programas, que qualquer membro do grupo saberia recitar de cor até, pelo menos, à quarta ou quinta casa...


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Um ecrã que certamente despertará a nostalgia de muitos jovens de finais dos 90s...


Outro elemento memorável da 'caça' aos emuladores em finais dos anos 90 eram os 'sites' aonde se podiam adquirir estes misteriosos programas (bem como os próprios ficheiros dos jogos em si, conhecidos como ROMs); isto porque, enquanto alguns tinham já um aspecto minimamente profissional (profissional para finais dos anos 90, entenda-se) outros eram, claramente, projectos pessoais, em que um qualquer internauta – provavelmente da mesma idade daqueles que acediam ao seu portal – partilhava a meia-dúzia de jogos que havia conseguido converter em ROM, listando cada um deles em letras rosa-choque contra fundo verde-alface, e acompanhados de comentários como 'este é o jogo favorito da minha irmã mais nova' (exemplo real). Símbolos (tal como a própria vaga original de emuladores) de uma Internet bem mais inocente e cativante que a actual, mas que, infelizmente, nunca mais voltará – o que não impede que seja lembrada nas páginas de 'blogs' como este...


Quanto aos emuladores propriamente ditos, conforme já referimos, os mesmos são hoje corriqueiros e de fácil acesso, tendo por isso perdido grande parte da sua mística; no entanto, quem fez parte da vaga original de 'nerds' que corriam para um cybercafé durante um 'furo' da escola para conversar no mIRC e jogar 'Dragon Ball Z' para Mega Drive num computador Pentium 90 sabe o quão apaixonante essa experiência podia ser – e, certamente, terá esboçado um sorriso ao começar a ler este post...

Wednesday, 6 October 2021

Terças Tecnológicas: Os Motores de Pesquisa dos Anos 90

NOTA: Este post é relativo a Terça-feira, 5 de Outubro de 2021.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Recentemente, celebrámos nesta mesma rubrica o aniversário do Sapo, plataforma hospedeira deste nosso blog e serviço de pesquisa cibernética de referência no nosso país desde a sua criação em 1995; no entanto, e por muita expressão que tivesse (e tinha) o anfíbio português estava longe de ser o único motor de pesquisa utilizado pelos jovens cibernautas lusitanos naqueles maravilhosos e hoje inacreditáveis anos anteriores ao aparecimento do Google.


De facto, com a plataforma do G multicolor a ter, hoje em dia, um tal monopólio sobre as pesquisas de Internet que as ditas passaram elas próprias a ser sinónimas do motor de busca em causa, torna-se difícil acreditar (ou mesmo recordar) que possa alguma vez ter havido outros recursos deste tipo; e, no entanto, como qualquer pessoa que tenha tido acesso a um computador e ‘modem’ em finais da década que nos concerne saberá, esse estava longe de ser o caso. Não só havia outros motores de busca antes do advento do Google, como havia VÁRIOS outros motores de busca antes do aparecimento do Google. São precisamente esses que iremos abordar no nosso post de hoje.


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E começamos, desde logo, pelo nosso anfíbio nacional. Fundado em 1995, no núcleo informático da Universidade de Aveiro, o Sapo foi pioneiro dos motores de pesquisa em Portugal e, pela sua acessibilidade e ‘Portugalidade’, rapidamente se tornou no serviço favorito de muitos internautas portugueses, que apreciavam a possibilidade de alcançar páginas nacionais – ou, pelo menos, escritas em português – que, em outros motores semelhantes, quase certamente seriam preteridas em favor de endereços estrangeiros. Daí para a frente, foi sempre a somar, com o Sapo a ser, eventualmente, absorvido pela toda-poderosa Portugal Telecom, e (já no novo milénio) a encontrar nova vida como provedor de referência no campo da Internet ADSL. Hoje, um quarto de século depois da sua concepção, o nosso amigo verde ainda por cá continua, agora mais virado para os ‘blogs’, mas ainda instantaneamente reconhecível para a maioria dos portugueses.


Ao contrário do que se possa pensar, contudo, a pesquisa cibernética em Portugal nos anos 90 não se resumia ao motor ‘feito em casa’; o nosso sapinho lusitano enfrentava a concorrência de dois motores de pesquisa internacionais, um dos quais continua, ainda hoje, a perder apenas para o Google no que toca a reconhecimento e popularidade da ‘marca’.


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Uma imagem que é um 'shot' de nostalgia directamente nas veias...


Falamos, é claro, do Yahoo!, aquele que era o líder de mercado neste nicho até ao aparecimento e subsequente expansão do motor começado por G – e com bons motivos, visto que se tratava de um motor intuitivo e relativamente abrangente, embora longe dos padrões mais tarde estabelecidos pelo actual líder incontestado. Ainda assim, o Yahoo terá ajudado muita gente a encontrar as suas páginas favoritas, e – mais tarde – a descobrir respostas às suas perguntas mais prementes, através do popular serviço de participação comunitária Yahoo Answers. Hoje em dia, o motor continua activo, sendo o mais antigo dos serviços deste tipo ainda existentes, mas está muito longe da expressão que um dia chegou a ter – não que a concorrência lhe tenha dado qualquer hipótese…


E falando em falta de hipóteses, é hora de relembrar o motor de busca mais ‘esquecido’ daquela época, mas que não deixava de ser excelente – o Altavista.


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O Altavista como muitos o conhecemos, na viragem do milénio.


Fundado em Dezembro de 1995 – um ano depois do Yahoo e alguns meses depois do Sapo – este nunca deixou no entanto de ser um serviço algo ‘de nicho’, sem a exposição de que os outros dois motores aqui referenciados dispunham - basicamente, quem sabia da existência do Altavista tinha de ter encontrado o serviço por si mesmo, já que dificilmente o mesmo seria ‘escarrapachado’ à frente dos seus olhos como um Yahoo. Pot esse mesmo motivo, e apesar de contar com alguns fãs entre a juventude portuguesa (como este que vos escreve) o Altavista foi (é) o único de entre os principais motores de pesquisa dos anos 90 a não ter sobrevivido até aos dias de hoje, tendo sido absorvido pelo Yahoo! em 2003, e encerrado definitivamente uma década depois. Ainda assim, para quem conheceu, fica a memória de um motor de pesquisa fluido e agradável de usar, com algumas semelhanças ao Google dos primórdios, mas que em última instância não dispôs das armas necessárias para fazer frente a este e ao Yahoo,


Como se pode ver, portanto, eram várias e bem válidas as alternativas para fazer pesquisas na Internet nos anos 90 - mesmo sem contar com as que nunca chegaram a vingar. Infelizmente, não demoraria muito para o início da hegemonia do Google vir pôr fim a essa era de verdadeira e sã concorrência no mercado dos motores de busca, implementando o ‘status quo’ que todos hoje conhecemos.


Apesar dos pesares, no entanto, a verdade é que estes motores de busca fizeram o suficiente para se afirmarem como marcantes para os jovens daquela época, merecendo bem, por isso, esta breve retrospectiva por parte, precisamente, de um desses jovens que com eles conviveu naquela época irrepetível…

Tuesday, 7 September 2021

Terças Tecnológicas: 26 Anos de SAPO

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O motor de pesquisa/serviço de email/providenciador de ADSL de referência do Portugal dos anos 90 e 2000 faz 26 anos - uma marca bonita para qualquer serviço deste tipo, e ainda mais para um 'apontador de sites' criado num qualquer laboratório de informática da Universidade de Aveiro, e que acabaria por se tornar uma alternativa autóctone, primeiro ao Yahoo, e depois ao todo-poderoso Google.


Parabéns, SAPO, e que ainda contes muitos!

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...