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Wednesday, 9 September 2026

Quartas de Quase Tudo: Trinta e Cinco Anos da Conclusão da A1

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.

Hoje em dia, a A1 – a auto-estrada que liga as cidades de Lisboa e Porto, também conhecida como Auto-Estrada do Norte – é uma das mais utilizadas e mais essenciais vias rápidas em todo o País, permitindo acesso a qualquer das 'duas capitais' em matéria de poucas horas. Pode, pois, ser difícil lembrar o quão recente é a sua construção, a qual se completou apenas já em finais do século XX.

Foi, de facto, apenas há cerca de trinta e cinco anos – concretamente, a 13 de Setembro de 1991 – que aquela que viria a ser a maior auto-estrada do País viu ser concluído o seu último troço, após exactos trinta anos de construção, encurtando assim significativamente o tempo de viagem 'entre capitais' a centenas de milhares de 'alfacinhas' e 'tripeiros', bem como a tantos outros residentes de outras localidades na sua rota que se deslocassem a qualquer das cidades a negócios, ou para compromissos temporários. No quarto de século subsequente, a via rápida em causa apenas viu aumentar o número de utilizadores diários, justificando obras de alargamento e cimentando-se como principal via automóvel em Portugal – o que torna mais do que meritória esta breve menção nas nossas páginas, na iminência do trigésimo aniversário da sua conclusão e do sexagésimo do início das obras.

Friday, 5 September 2025

Terças Tecnológicas: Quarenta Anos do Multibanco, Uma Inovação Cem Por Cento Nacional

NOTA: Este 'post' é respeitante a Terça-feira, 02 de Setembro de 2025.


A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


Hoje em dia, o conceito de 'levantar dinheiro' de uma Caixa Automática é um dado tão adquirido na sociedade portuguesa, que pode parecer difícil acreditar que a tecnologia apenas agora atingiu a 'meia-idade'. De facto, já em meados dos anos 80, era ainda necessário dirigir-se ao balcão de uma agência bancária e preencher 'papelada' para receber em mão notas extraídas da própria conta, o mesmo se passando com a realização de pagamentos, não só em lojas e supermercados como também a entidades, os quais chegavam, inclusivamente, a ser feitos através do hoje arcaico método do envio de cheques pelo correio – uma ideia capaz de 'arrepiar' qualquer mortal com menos de três ou quatro décadas de vida, tão habituado a este tipo de serviço automático como a qualquer outra inovação tecnológica.


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A 2 de Setembro de 1985, no entanto (exactos quarenta anos antes da data original em que este 'post' teria sido publicado) este paradigma viria a alterar-se para sempre, com o surgimento do serviço CaixAutomática, vulgarmente conhecido como Multibanco. Inicialmente disponível em apenas nove agências bancárias das duas cidades-capital (tendo a primeira surgido no ramo do Rossio do extinto Banco Nacional Ultramarino, e a segunda no igualmente desaparecido Banco Borges e Irmão da Rua do Bonjardim, no Porto), o serviço, de concepção e execução totalmente nacional, rapidamente se difundiria um pouco por todo o País, ajudando a modernizar o sistema de operações bancárias em Portugal, e a alinhá-lo com o que já se podia encontrar em diversas capitais europeias. Na altura, as máquinas apenas permitiam adquirir dinheiro e consultar o saldo, mas representavam ainda assim um considerável 'passo em frente', permitindo aos residentes de Lisboa e Porto efectuarem estas operações mesmo quando os respectivos bancos estavam fechados (ainda que, inicialmente, fossem desligadas entre a uma e as sete da manhã); os restantes serviços viriam a surgir, paulatinamente, ao longo das décadas seguintes, até a rede Multibanco (hoje com milhares de caixas) quase representar uma espécie de banco por direito próprio.


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O interface das caixas mudou muito pouco ao longo dos anos.


A ligar as diversas 'eras' das máquinas CaixAutomática estão o sistema de menus (que, àparte as naturais actualizações, é ainda muito semelhante ao original) e a mascote, o simpático e já icónico cartão antropomórfico que guia o utilizador através de toda a experiência. Ao longo dos anos, foram sendo adicionadas outras tecnologias, como ecrãs 'touch' (no lugar dos igualmente icónicos teclados) e vozes digitalizadas, das quais uma acaba de ser implementada como forma de celebrar as quatro décadas de existência do serviço – um 'presente' que pode parecer menor, mas que ajuda a garantir que o Multibanco continua a inovar no seu sector, tal como tem vindo a fazer ao longo dos últimos quarenta anos. Parabéns, e que conte ainda muitos.

Saturday, 23 November 2024

Saídas ao Sábado: Os Projectos de Conservação Natural dos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui anteriormente falámos dos esforços de sensibilização para a ecologia que foram uma das imagens de marca das décadas de 80 e, principalmente, 90; de igual modo, na última Saída de Sábado, abordámos alguns dos novos espaços verdes que esse mesmo foco na natureza ajudou a criar durante as referidas décadas, nomeadamente na região da Grande Lisboa. No entanto, não era apenas na capital que eram levados a cabo projectos de grande monta com vista à recuperação de espaços naturais, e das espécies que neles habitavam; pelo contrário, duas das três iniciativas mais famosas da época neste âmbito – todas focalizadas na recuperação de espécies consideradas à beira da extinção – tiveram lugar longe da capital.


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A primeira destas, com origem ainda nos anos 80, viu ser criada uma reserva natural na Serra da Malcata, no Norte de Portugal, com o objectivo de ajudar a reintroduzir no nosso País o animal que lhe serve até hoje de símbolo, o lince-ibérico. E ainda que a campanha em causa não tenha sido bem-sucedida – só décadas mais tarde, já nos anos 2020, é que a espécie voltaria a existir em Portugal, tendo mesmo sido dada como extinta no País pela Quercus, em 2007 – o espaço em si teve enorme impacto na conservação ecológica da área, mantendo-se até hoje como uma das principais áreas naturais protegidas do território nacional, além de proporcionar, desde a sua inauguração, uma excelente Saída de Sábado para as famílias residentes no Norte do País.


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Mais a Sul, concretamente na zona de Mafra, o projecto é outro, bastante mais bem-sucedido que o da Malcata, e com foco numa espécie igualmente ameaçada em Portugal. Em actividade desde 1987, e originalmente idealizado por um inglês, o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico continua, até hoje, a albergar membros da referida espécie que, por uma razão ou outra, são incapazes de sobreviver em liberdade, servindo assim como uma espécie de associação de abrigo para os animais em causa. No entanto, longe de resguardar os seus animais do grande público - como o faria um canil, por exemplo – o Centro encoraja visitas, permitindo aos visitantes admirar os lobos a partir de torres estrategicamente colocadas para facilitar a observação sem com isso interferir ou afectar o quotidiano semi-selvagem dos animais ali abrigados. Uma visita mais do que recomendada, portanto, e que deverá fazer as delícias das gerações X e Alfa, tal como aconteceu com as dos seus pais.


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O terceiro e último projecto mediático de conservação de espécies com origem nos anos 90 – e único situado em Lisboa – teve como alvo o esquilo-vernelho, animal também de existência restrita em Portugal (e extinto em outros países, devido à literal invasão do esquilo-cinzento, espécie invasora e directamente concorrente) e que, na década em causa (concretamente em 1993) foi reintroduzido no Parque Florestal de Monsanto, espaço do qual falámos na última edição desta rubrica e onde, ainda hoje, pode ser observado.


Em suma, são muitos os espaços naturais criados nos anos 80 e 90 do século passado que, além da função declarada de protecção de espécies animais ameaçadas, constituem também, desde essa época destinos privilegiados para uma Saída de Sábado para 'miúdos e graúdos' com interesse pela natureza.

Tuesday, 8 October 2024

Terças de TV: Os Vinte e Cinco Anos do CNL - A Morte Prematura de Um Pioneiro

NOTA: Por razões de relevância temporal, esta Terça será de TV, e a próxima Tecnológica.


Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


A chegada a Portugal da TV Cabo, na ponta final da década de 90, veio terminar definitivamente com a hegemonia dos canais abertos, completando um processo de transição e expansão iniciado aquando da criação dos dois canais privados, SIC e TVI, alguns anos antes. Pela primeira vez, o panorama televisivo português contava com uma amplitude e liberdade anteriormente inimagináveis, as quais abriam possibilidades nunca antes pensadas, nomeadamente no tocante à criação de 'alternativas' menos generalistas aos quatro canais originais. Escusado será dizer que este paradigma não tardou a ser explorado, tendo os primeiros anos do serviço assistido ao aparecimento de toda uma gama de novos canais 'feitos em Portugal', muitos deles tematizadas. E se algumas destas novas adições ditariam o 'mote' para o próximo quarto de século de emissões por cabo, outras tantas ficariam 'pelo caminho', destinadas a permanecer confinadas à memória dos primeiros adoptantes da TV Cabo. Entre estes, contava-se um canal sobre cujas primeiras emissões se acabam de celebrar, há coisa de três semanas,vinte e cinco anos, e que demonstrava as supramencionadas possibilidades do novo sistema televisivo nacional.


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Falamos do Canal de Notícias de Lisboa, vulgarmente abreviado para CNL, que surgia pela primeira vez nos ecrãs portugueses a 15 de Setembro de 1999, pela mão da SIC e da Portugal Telecom, que assim adquiria o seu segundo canal, depois da Sport TV. Por comparação com os canais generalistas abertos, o CNL apresentava um foco mais regional, explícito no próprio nome, e uma marcada e assumida aposta em jornalistas e 'pivots' mais jovens, que fazia com que os seus programas fossem mais bem aceites por espectadores de faixas etárias mais baixas, os quais se sentiam talvez mais 'representados' do que anteriormente. Esta opção pela juventude estendia-se, aliás, também aos programas de entrevista e debate, tendo o CNL entrado para a História da televisão portuguesa como o canal que albergou o formato original de um dos mais icónicos programas entre os portugueses da geração 'millennial', o famoso Curto Circuito. Por entre os diversos blocos informativos, havia ainda lugar a algumas 'bizarrias' difíceis de imaginar na grelha de outros canais, como o programa que fechava cada emissão, 'Morfina'.


Uma das consequências da inovação, no entanto, é o potencial para o insucesso – factor que, infelizmente, viria a afectar irremediavelmente o CNL, o qual, no seu formato original, não chegaria a completar um ano e meio de vida, sofrendo uma reestruturação menos de dezasseis meses após ir ao ar, a 8 de Janeiro de 2001. Desengane-se, no entanto, quem pensar que o canal se extinguiu; antes pelo contrário, o mesmo continua a marcar presença diária em muitos lares portugueses, embora agora sob um novo nome – SIC Notícias. Não deixa de ser curioso perceber, no entanto, que um dos maiores canais especificamente noticiosos da televisão portuguesa talvez não tivesse sido possível sem aquela 'aventura' de um ano e três meses, que acabou por 'desbravar' caminho a tanto do que se seguiu ao nível da informação por cabo...






 


 

Saturday, 28 September 2024

Saídas de Sábado: O Centro Cultural de Belém - Cultura À Beira-Rio

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


A zona de Belém, em Lisboa, é, tradicionalmente, um dos principais pólos culturais da capital portuguesa, devido à sua elevada concentração de edifícios históricos, museus e outros locais de índole educativa, bem conducentes a uma Saída de Sábado didáctica na companhia dos mais novos. E se os 'eternos' Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém se viram, já no século XX, acompanhados de instalações como o Museu dos Coches, o Museu de Marinha, o Museu de Arqueologia ou o Planetário Municipal de Lisboa, já na ponta final do mesmo – em inícios dos anos 90 – a icónica Praça do Império veria ser implementado mais um edifício, o qual rapidamente assumiria o seu lugar por entre as atracções que o circundavam.


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Oficialmente inaugurado em 1992, após meros três anos de construção, o Centro Cultural de Belém destinou-se, numa fase inicial, a servir de sede à Presidência do Conselho Europeu, na época da responsabilidade de Portugal. Logo desde o projecto inicial, no entanto, que a intenção passava, declaradamente, pela construção de um espaço que pudesse transcender essa primeira função e servir, a longo prazo, como pólo aglutinador tanto de cultura como de comércio e serviços, combinando as duas vertantes para proporcionar aos seus visitantes uma experiência o mais completa possível – uma planificação estratégica que voltaria a ser aplicada, novamente com excelente efeito, já no final da década de 90, aquando da construção do Parque das Nações, terreno da Expo '98.


Essa visão acabaria por ser tornada realidade pelo arquitecto português Manuel Salgado, cuja proposta, submetida em conjunção com um consórcio italiano liderado por Vittorio Gregotti, seria seleccionada de entre as quase seis dezenas submetidas a concurso público. O local seleccionado seria o anteriormente ocupado pelos pavilhões da exposição 'Mundo Português', de 1940 – uma escolha que não deixou de causar polémica, dado o volume e a traça marcadamente moderna do edifício, mas que tinha como justificação o facto de a referida área marcar o ponto de partida dos Descobrimentos.


Dos cinco módulos inicialmente propostos, seriam construídos três - o Centro de Exposições, o Centro de Espectáculos e o Centro de Reuniões, tendo sido descartados o módulo de hotel e a sala de equipamentos - cada um deles ligado por vias pedonais desembocando em pracetas e áreas ajardinadas, uma traça que torna o espaço tão adequado a um simples passeio como à organização de eventos culturais, e que valeria aos arquitectos o Prémio de Arquitectura em Pedra na Feira de Verona de 1993, mostrando que a opinião internacional sobre o edifício era algo distinta da nacional. Mesmo os portugueses, no entanto, rapidamente se habituaram ao novo 'mamarracho', e o CCB rapidamente floresceu na sua função de novo pólo cultural, tendo-se tornado local de 'romaria' para fãs de arte moderna, fotografia, teatro e música clássica, e englobando ainda eventos tão distintos como palestras e mostras de cinema, cumprindo assim o objectivo para ele delineado aquando do planeamento inicial, em 1988.


A sua importância enquanto potenciador de cultura na cidade de Lisboa valeu, aliás, ao edifício a distinção de Imóvel de Interesse Público, já no Novo Milénio, concretamente em 2002. Cinco anos depois, o seu estatuto entre os expoentes máximos da cultura em Lisboa seria reforçado com a instalação do Museu Colecção Berardo, sucedido, em 2022, pelo Museu de Arte Contemporânea, o qual constitui apenas mais um motivo para visitar um espaço que vem, há já mais de três décadas, contribuindo activamente não só para o panorama cultural lisboeta, como para o do País em geral.

Sunday, 7 July 2024

Saídas ao Sábado: A Praça Sony - O Local Onde O Futebol Tomou Uma Nova Dimensão

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


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À entrada para a segunda metade dos anos 90, a experiência de 'ir ver a bola' num local público que não o estádio ainda se resumia, para muitas crianças e jovens nacionais, a uma deslocação a um café ou restaurante, onde a partida era, normalmente, transmitida na única televisão, para benefício da clientela pagante. Tudo isso viria a mudar, no entanto, quando Portugal viu a sua candidatura a anfitrião da última Feira Mundial do século XX ser bem sucedida, levando a que se iniciasse de imediato a construção de toda uma nova infra-estrutura em terrenos abandonados da zona ribeirinha lisboeta, de forma a albergar condignamente a exposição.


Do referido certame, bem como do espaço em que foi levada a cabo e de algumas das várias infra-estruturas que viria a legar em permanência à capital portuguesa, já aqui falámos em outras ocasiões; no entanto, nesses 'posts' anteriores, descurámos falar de uma localização que, embora representasse apenas uma pequena parte do que se viria posteriormente a chamar Parque das Nações, assumia enorme relevância aquando de eventos como Mundiais ou Europeus de futebol, proporcionando aos lisboetas (e não só) a possibilidade de assistir a jogos de forma nunca antes imaginada, numa experiência apenas comparável à chegada do IMAX a Portugal.


Isto porque a Praça Sony – ainda hoje um ponto de referência no recinto do Parque das Nações – tinha como principal motivo de interesse o ecrã LED gigante, onde eram transmitidas não só imagens dos concertos e eventos que ali iam tendo lugar, como também de transmissões televisivas, com destaque para os jogos do Mundial de França '98 e, mais tarde, do Euro 2000. Para um País para quem o futebol era, ainda, visto em grande parte através de televisões CRT de imagem fosca e muitas vezes mal sintonizada, e onde a Sport TV ainda mal acabava de se estabelecer, este novo paradigma 'caiu' como uma autêntica revelação, levando multidões ao recinto da Expo '98 a cada dia de jogo, para uma espécie de 'versão alargada' do velho ritual de 'ver a bola' no café. E se as décadas subsequentes viram surgir mais 'pontos de encontro' públicos onde ver as competições internacionais – a ponto de banalizar a existência de ecrãs LED em espaços exteriores – a verdade é que, sem a Praça Sony como pioneira e 'cobaia', talvez a presente situação nunca se tivesse chegado a verificar...


Seja como for, a verdade é que a icónica praça da Expo – onde ainda hoje são realizados eventos – fica no coração e na memória dos 'millennials' portugueses, sobretudo os lisboetas, como o local onde o futebol televisionado tomou toda uma nova dimensão, e a experiência de 'ver o jogo' em público deixou, para sempre, de ser a mesma...

Friday, 15 March 2024

Sextas com Style: A ModaLisboa - Estilo 'Capital'

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Um dos principais conceitos a dar entrada na cultura popular durante a última década do século XX foi o de 'super-modelo' – aquela profissional das 'passerelles' cujo estatuto, beleza e fama a colocavam num patamar acima das suas congéneres, tornando-a naquilo a que mais tarde se viria a chamar uma 'celebridade'. Nomes como Cindy Crawford, Claudia Schiffer ou Naomi Campbell eram tanto (ou mais) figuras públicas como modelos, e as suas vidas despertavam o interesse do público seguidor de publicações 'cor-de-rosa'...e não só. Assim, é natural que os espectáculos de beleza onde estas e outras beldades desfilavam se tenham, também, revestido de interesse adicional para o público generalista, e conseguido deixar os seus 'confins' de Paris, Nova Iorque, Londres e Milão para se espalhar um pouco por todo o Mundo. Portugal não seria excepção, e a primeira metade dos anos 90 veria surgirem em solo lusitano não um, mas dois eventos anuais subordinados a esta temática, um em cada uma das duas capitais do País. Do organizado mais a Norte falaremos em tempo; esta Sexta, dedicaremos alguma atenção ao de Lisboa, cuja edição de Primavera de 2024 se acaba de encerrar há poucos dias à altura da edição deste 'post'.


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Surgida pela primeira vez como parte das Festas da Cidade, em 1990, foi, no entanto, no ano seguinte que a Moda Lisboa teve o seu arranque oficial, no formato ainda hoje utilizado, e que abrange uma série de eventos de moda realizados bi-anualmente (em Março e Outubro) ao longo de uma semana em espaços públicos, quase todos na popular e turística zona ribeirinha, tendo anos recentes visto mesmo o evento 'esticar-se' até à linha de Cascais. Em suma, um modelo em tudo semelhante ao que fazia sucesso nas grandes 'capitais da moda', e que dava aos fãs portugueses do estilismo uma oportunidade de se inteirarem das novas tendências, ou simplesmente de ver estonteantes modelos em desfile. Essa primeira edição teve, ainda, a particularidade de entrar na História como a primeira 'fashion week' fora dos grandes centros supramencionados, e de 'apresentar' Portugal ao Mundo da alta costura.


Infelizmente, não tardou até que a Moda Lisboa gerasse polémicas, e, em 1993, uma 'confusão' em torno de um convite ao estilista John Galliano levaria à suspensão do evento durante dois anos. Aquando do seu regresso, no entanto, a Moda Lisboa surgiria com ainda mais força do que tivera nas primeiras edições, e estabelecer-se-ia definitivamente como parte integrante do calendário cultural português. Desde então a esta parte, o evento apenas tem crescido, incorporando ora novas localizações para os desfiles (como o Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa) quer parcerias com o referido evento nortenho, e foi mesmo alvo de um documentário na RTP, aquando da quinquagésima edição, em 2020; e, a julgar pelo sucesso que cada novo evento continua a ter, parece improvável que este paradigma se altere num futuro próximo. Os adeptos da moda em Portugal podem, portanto, regozijar-se com o facto de o 'seu' evento anual continuar (quase) ininterrupto há (quase) três décadas, formando parte tão integral do calendário de eventos nacional como o Fantasporto ou os festivais de Verão, e fazendo-o sempre em grande 'estilo'...

Wednesday, 13 March 2024

Segundas de Sucessos: Hot Stuff - Quentes, Mas Não ao Rubro

NOTA: Este post é respeitante a Segunda-feira, 11 de Março de 2024.


Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Em inícios dos anos 90, o movimento 'metálico' que timidamente despontara em Portugal em finais da década anterior começava, finalmente, a conseguir ultrapassar a 'décalage' cultural que afectou o nosso País até ao último par de anos do século XX, potenciando não só a formação de mais grupos, mas também o surgimento de 'versões nacionais' do que ia fazendo sucesso 'lá por fora' – em particular, do 'hard rock' melódico que fizera as delícias de toda uma geração de jovens americanos na década anterior, sob as denominações 'hard FM', 'hard rock melódico' ou, mais comummente, 'glam metal' ou 'hair metal'. Não tardou, pois, para que se começassem a destacar na cena nacional alguns grupos deste estilo, com dois em particular a conseguirem algum sucesso naquele início de década: os Joker, a quem já aqui dedicámos algumas linhas, e a banda que focamos no post de hoje, os Hot Stuff.


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A formação que gravou o primeiro álbum.


Formados no início da década por um grupo de brasileiros radicados na zona de Lisboa, o grupo tinha como principal ponto de destaque a presença do baterista Rodrigo Leal, filho de Roberto Leal – esse mesmo, o 'crooner' romântico-pimba que, à época, marcava presença assídua nos rádios e leitores de 'cassettes' de muitas donas de casa portuguesas. Ao lado de Rodrigo na empreitada estavam, inicialmente, o vocalista Marcelo Lários, o exoticamente denominado Solly Hazan na guitarra, e o baixista português Mário Peniche, mais tarde substituído por Márcio Zaganin, naquela que se tornava assim uma formação cem por cento brasileira. Foi este o alinhamento responsável pelo primeiro disco, 'Kind of Crime', lançado em 1993, mas que o ouvinte mais incauto poderia acreditar ser oriundo dos Estados Unidos e editado três a cinco anos antes.



Isto porque o grupo investia numa sonoridade tipicamente 'glam metal', na vertente mais melódica e 'melosa' (ao estilo Bon Jovi) ao qual acrescentavam um 'funk-rock' a fazer lembrar Extreme, numa mistura que estava ainda a alguns meses de decair totalmente de popularidade. Prova disso é que o grupo conseguiu não só assinar contrato com a ubíqua Vidisco, talvez a maior editora de música popular em Portugal durante esse período, mas também rodar não um, mas dois vídeos no 'Top +' (o tema homónimo da banda e ainda a versão 'rockalhada' para 'Informer', único hit do 'Vanilla Ice canadiano' Snow), um marco com que muitas bandas nacionais da altura apenas sonhavam.




Os dois 'clips' da banda em destaque no 'Top +'


Encorajados por esse bom começo, o grupo partia para a gravação do sempre difícil segundo disco logo no ano seguinte, agora com Mauro Coelho a cargo das vozes, mas com o quarteto 'musical' e cerne da banda ainda intacto. E dado o ano de lançamento, e o 'estado' da cena hard rock melódica nesse período, não é de surpreender que 'Things Like That' traga ainda mais acentuado o lado funk-rock do grupo, que deixava de lado as 'poses' à Bon Jovi para investir descaradamente na sonoridade que, à época, ia ainda garantindo algum sucesso a grupos como Extreme ou Aerosmith, estes últimos em plena 'segunda vida' após o sucesso de 'Pump' alguns anos antes.



Os resultados, esses, foram bem menos encorajadores que os do álbum de estreia, o que também não é de todo surpreendente, se considerarmos que o álbum em causa foi lançado já depois da ascensão e ocaso de Kurt Cobain e da restante cena 'grunge', normalmente tida como responsável pela 'morte' comercial deste tipo de rock e ascensão do rock alternativo que dominaria os 'tops' na segunda metade da década. Para os Hot Stuff, era sem dúvida o fim da linha, tendo-se o grupo dissolvido poucos meses após o lançamento do segundo registo.


Mas porque, no Mundo do rock, nada é definitivo, eis que os Hot Stuff surgiam de novo na cena 'rock' nacional em finais dos anos 2010, agora bastante menos 'estilosos' e mais grisalhos, para uma série de concertos em eventos como o Cascais RockFest e a tradicional Concentração Motard de Faro. Já no início da presente década, por alturas da comemoração do quarto de século de actividade da banda, eram lançados um registo ao vivo e uma compilação 'Best Of', que reunía dezassete temas retirados dos dois LP's do grupo, ajudando assim a apresentá-los a um público demasiado novo para ter presenciado ou tido interesse activo no grupo durante o seu breve tempo em actividade.



Actualmente, no entanto, os Hot Stuff parecem ter voltado para o 'buraco' de onde haviam saído há dez anos atrás, sendo o últimos registo de actividade do grupo, precisamente, o concerto no Cascais RockFest a 24 de Janeiro de 2020, quase exactamente dois meses antes de ser declarada a pandemia de COVID-19. Antes de ditar a 'sentença de morte' do colectivo luso-brasileiro, no entanto, há que recordar a década e meia decorrida entre a sua formação e o seu regresso; por outras palavras, quem sabe, talvez, num ano em que se assinalam três décadas sobre o lançamento de 'Things Like That' e subsequente extinção do grupo, e quando o 'rock' melódico de cariz nostálgico ganha novamente força comercial, surja, sem se 'dar por ela', um novo registo de Hot Stuff nos escaparates nacionais, pronto a conquistar toda uma nova geração de 'rockers' com gosto por sons de décadas passadas, e a fazer voltar 'material quente' aos 'tops' musicais nacionais...


Monday, 12 February 2024

Segundas de Sucesso: Pólo Norte - Lições de Felicidade Musical

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui por várias vezes aludimos à fase áurea atravessada pelo 'pop-rock' nacional durante a década de 90. De facto, o referido movimento visivelmente 'transpirava' saúde, representada tanto por lançamentos marcantes por parte de artistas já veteranos, como Rui Veloso, GNR, Delfins, Resistência, Entre Aspas ou Xutos & Pontapés, como de novas e promissoras adições à cena, como Sitiados, Quinta do Bill, Silence 4, Ornatos Violeta, Pedro Abrunhosa, Hands on Approach ou a banda de que falaremos no 'post' de hoje, e que foi uma das muitas revelações apontadas como a 'próxima grande sensação' durante a referida década: os Pólo Norte.


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A formação clássica do grupo.


Formados em Belas, na região de Sintra, em 1992, das cinzas dos Honoris Causae, seria, no entanto, há coisa de trinta anos que a banda em causa verdadeiramente penetraria no imaginário popular, com o lançamento do seu primeiro disco, 'Expedição', e subsequente sucesso da faixa 'Lisboa', uma das músicas-estandarte do colectivo liderado pelo vocalista Miguel Gameiro. Também incluído neste registo de estreia está 'Grito', outro tema emblemático para o grupo e muito querido pelos seus fãs.



O primeiro sucesso do grupo...


Por muito auspiciosa que tivesse sido a estreia dos Pólo Norte, no entanto, nada fazia prever o que se seguiria com o seu segundo disco. 'Aprender a Ser Feliz', de 1996, dava ao mundo da música portuguesa o tema-título – que se tornaria ainda mais sinónimo com a banda do que 'Lisboa' - e ajudava a aumentar a base de fãs dos Pólo Norte de uma ponta à outra do País, muito por conta da grande rotação radiofónica da referida faixa homónima. Antes, a banda havia já conseguido destacar-se dos seus contemporâneos através de 'Amor É', uma versão musicada de um poema de Luís Vaz de Camões incluída na histórica colectânea 'Portugal ao Vivo II', veiculada com o jornal Blitz em 1995.



...e o seu verdadeiro tema-estandarte


Com a frequência e número dos concertos a aumentar, não é de estranhar que o terceiro álbum tenha demorado três anos a ser editado, por oposição aos menos de dois que mediaram entre 'Expedição' e 'Aprender a Ser Feliz'. Ainda assim, e apesar da demora, 'Longe' voltou a gozar de relativo sucesso, servindo mesmo de mote ao primeiro registo ao vivo do grupo, singelamente intitulado 'Pólo Norte ao Vivo' e lançado no dealbar do Novo Milénio. Em 2002, saía um novo registo de originais, 'Jogo da Vida', o quarto de uma carreira cada vez mais consolidada dentro do movimento 'pop-rock' nacional. Tudo parecia indicar a continuação de uma boa fase do grupo...não fora o hiato imposto por Miguel Gameiro, que procurava concentrar-se no projecto paralelo Portugal a Cantar.


Assim, passar-se-iam longos cinco anos até ser editado novo registo sob a denominação Pólo Norte – mas, como diz o ditado, 'mais vale tarde que nunca', já que 'Deixa o Mundo Girar', produzido pelo britânico Steve Lyons e de sonoridade mais 'rock' do que os seus antecessores, devolveu ao grupo o nível de fama e exposição dos tempos de 'Aprender a Ser Feliz', com diversos temas do álbum a figurarem em telenovelas e outras produções nacionais. Apesar deste sucesso, no entanto, o referido lançamento (reeditado dois anos depois com um segundo CD de bónus, composto por músicas ao vivo) saldar-se-ia, mesmo, como o último de originais do grupo, cujos registos subsequentes tomariam a forma de colectâneas, a primeira editada aquando da celebração de quinze anos de carreira do grupo, em 2008, e a segunda – intitulada 'Miguel Gameiro e Pólo Norte', lançada em 2014. De salientar que '15 Anos' trazia dois temas inéditos, até hoje os últimos alguma vez gravados pelos Pólo Norte.


Apesar de se assinalar nesse ponto o fim do grupo, no entanto, não era ainda a despedida de Miguel Gameiro, que lançaria um último CD a solo, 'A Porta Ao Lado' - que chegou a ser Top 10 de vendas em Portugal em 2010 – antes de se dedicar à sua outra paixão, a culinária. A carreira de 'chef' em estabelecimentos como o Casino Estoril e Quinta da Beloura foi, no entanto, mais uma vez posta em hiato em 2021, quando a banda se reuniu para uma celebração dos vinte e cinco anos de carreira, a qual, por sua vez, motivaria planos para uma 'turnê' completa, sob a designação Miguel Gameiro & Pólo Norte, a ter início no ano transacto. E apesar de tal desiderato ainda não se ter materializado, é bem possível que estejamos perante o início de uma 'segunda vida' para mais uma banda emblemática do 'pop-rock' nacional de finais do século XX. Resta aguardar para ver...

Saturday, 27 January 2024

Saídas ao Sábado: O Museu da Criança

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui mencionámos anteriormente que, apesar de serem locais de visita assídua durante uma Saída de Sábado, os museus dos anos 90 nem sempre tinham especial interesse para as demografias mais jovens; a apresentação 'à antiga', em particular, tornava o sucesso da visita directamente proporcional às áreas de interesse do próprio visitante, sendo que um museu sem grandes motivos de fascínio constituía uma experiência algo aborrecida. Foi, talvez, com isso em mente que, ainda durante a referida década, uma instituição tentou marcar a diferença, e afirmar-se como Saída de Sábado privilegiada para todos os jovens nacionais; a 'dica' estava no próprio nome – Museu da(s) Criança(s).


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As instalações actuais do museu, no recinto do Jardim Zoológico de Lisboa.


Inaugurado há cerca de trinta anos – algures em 1994 – num anexo do Museu da Marinha, na zona de Belém, em Lisboa, o Museu da Criança (ou 'das Crianças', dependendo da fonte) almejava a mais do que apenas uma experiência museológica tradicional, procurando fundir essa vertente com um aspecto de descoberta e interacção por parte dos próprios visitantes, o qual fomentava a pedagogia activa, por oposição à abordagem mais passiva dos museus tradicionais. Significava isto que quem visitasse o espaço, ou uma das exposições temporárias que ali se fixavam periodicamente, era encorajado a mexer, experimentar e interagir com os diferentes expositores e áreas que constituíam cada mostra, ao invés de apenas admirar objectos dispostos em configurações pré-definidas – um estilo de aprendizagem, tradicionalmente, bem mais apetecível para o público mais jovem do que o seu oposto. Assim, não é de surpreender que uma visita àquele espaço se parecesse, na maior parte das vezes, mais com uma tarde de brincadeira do que com a típica 'ida ao museu', deixando vontade de regressar e repetir a experiência num futuro próximo.


Tal foi o seu sucesso, de facto, que o Museu da Criança acabou mesmo por deixar as suas humildes instalações iniciais em favor de uma localização ainda mais apetecível, na 'zona franca' adjacente ao Jardim Zoológico de Lisboa, onde decerto continuará a fazer as delícias dos mais pequenos, contribuindo para aquela que é já, por si só, uma das melhores experiências disponíveis para uma criança ou jovem residente na zona da capital. Mesmo na sua forma original, no entanto, o museu em causa destacava-se já pela tentativa bem-sucedida de apresentar algo diferente do habitual, que o ajudava a conquistar o seu público-alvo e fazia com que valesse bem a pena uma visita – um paradigma, aliás, que se continua a verificar até aos dias de hoje...

Sunday, 5 November 2023

Saídas ao Sábado: A Quinta Pedagógica dos Olivais - O Campo na Cidade

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 4 de Novembro de 2023.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Hoje em dia, uma criança citadina que queira experienciar um pouco da vida campestre – nomeadamente no tocante aos animais vulgarmente encontrados em ambientes rurais – tem toda uma série de instalações onde o pode fazer, espalhadas de Norte a Sul do País; a maioria destas, no entanto, tem menos de duas décadas de existência, sendo que, em finais do século passado, apenas uma instalação oferecia tal possibilidade – a Quinta Pedagógica dos Olivais, em Lisboa.


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Vista aérea do espaço.


Visitado pelo menos uma vez por qualquer turma do ensino básico de uma escola lisboeta da segunda metade dos anos 90, este espaço de dois hectares gerido pela Câmara Municipal de Lisboa – situado em pleno coração urbano da cidade, mas que conseguia fazer parecer o contrário – abriu portas pela primeira vez há vinte e sete anos, concretamente a 16 de Abril de 1996, com a proposta de permitir às crianças urbanas ficar a conhecer e tomar contacto com animais com que os seus congéneres campestres conviviam diariamente, como cabras, ovelhas, galinhas, perus, cavalos ou vacas, entre outros. Ao visitar o espaço, as crianças eram, assim, encorajadas a interagir com cada um destes animais, o que ajudava, entre outras coisas, a minimizar quaisquer medos ou fobias relacionados com os mesmos. Além desta vertente principal, a Quintinha organizava também uma série de ateliers e actividades, ligados tanto aos trabalhos manuais quanto à horticultura ou culinária, o que fazia do espaço um excelente auxiliar pedagógico para diversas vertentes, que não apenas o Estudo do Meio ou a ecologia.


Escusado será dizer que a instalação era um sucesso entre o público-alvo, suscitando o aparecimento, em anos e décadas subsequentes, de um sem-número de espaços semelhantes, dos quais os primeiros se situaram no Jardim Zoológico de Lisboa e na zona dos Prazeres, na ilha da Madeira. Deve-se, portanto, àquele primeiro espaço em Lisboa o surgimento do paradigma actual, o que torna a instalação em causa mais do que merecedora de um lugar nesta nossa rubrica dedicada a espaços interessantes para uma Saída de Sábado nos anos 90.

Saturday, 7 October 2023

Saídas ao Sábado: O Aquário Vasco da Gama

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Na última edição desta rubrica, falámos do Oceanário, uma das mais memoráveis Saídas de Sábado para as crianças e jovens de finais dos anos 90, sobretudo as residentes na região de Lisboa. Para essas, no entanto, a nova atracção criada como parte da infra-estrutura da Expo '98 não era o único local onde se podiam ver, ao vivo e a cores, peixes e outros elementos da fauna aquática; nada mais justo, portanto, do que dedicarmos esta semana algumas linhas ao seu principal 'concorrente'.


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A fachada do edifício permanece praticamente inalterada desde a época em causa.


Falamos do 'velhinho' mas icónico Aquário Vasco da Gama, já à época centenário, mas ainda capaz de fazer as delícias dos entusiastas da vida aquática, com a sua vasta gama de peixes e algumas 'atracções especiais', que faziam com que uma Saída de Sábado ao dito estabelecimento valesse bem a pena – mesmo tendo em conta as relativas dificuldades em chegar à zona limítrofe de Algés e Dafundo, onde o mesmo se situava. Isto porque, se o Oceanário aliciava os visitantes com a possibilidade de ver lontras-marinhas, o Aquário contava, à época, com uma instalação dedicada aos leões-marinhos, onde os visitantes podiam admirar alguns exemplares da dita espécie; mais tarde, este mesmo recinto, localizado no extremo mais distante do edifício, passou a albergar pinguins, uma alternativa apenas marginalmente menos interessante e entusiasmante.


Além desta 'atracção principal', o Aquário Vasco da Gama dos anos 90 contava, ainda, com outro aliciante óbvio – no caso, um fóssil de lula gigante, com lugar de honra perto da entrada, e que não deixava de causar espanto e admiração nos jovens visitantes. Em conjunto com outros pequenos 'toques' interactivos (como a caixa que permitia ouvir os 'choques' emitidos pelas enguias eléctricas do outro lado do vidro) e com as instalações já de si atractivas e bem decoradas, estes elementos contribuíam para fazer do Aquário uma alternativa mais clássica e antiquada, mas não menos interessante ou apelativa, ao Oceanário, dando às crianças e jovens de Lisboa e arredores a possibilidade de escolha no tocante à observação de animais aquáticos – razão mais que suficiente para lhe dedicarmos algumas linhas nesta nossa rubrica dedicada a locais memoráveis para uma saída de fim-de-semana.

Saturday, 9 September 2023

Saídas ao Sábado: O Oceanário

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.


Já aqui falámos, por alturas do vigésimo-quinto aniversário da EXPO '98, de alguns dos edifícios com que a mesma contribuiu, à guisa de legado, para a malha urbana lisboeta. De uma gare centralizada (a Estação do Oriente) a uma nova ponte sobre o Tejo (a Vasco da Gama), passando por uma sala de concertos - que adquire nova designação a cada poucos anos, mas que será para sempre conhecida, informalmente, como o 'Pavilhão Atlântico' – o segundo maior 'shopping' lisboeta (também designado Vasco da Gama) e até a área circundante a todas estas infra-estruturas, o chamado Parque das Nações, local privilegiado para uma Saída de Sábado em dia de sol. E caso o tempo decida não 'colaborar' – como vem sendo o caso neste mês de Setembro de 2023 – o Parque oferece uma excelente alternativa a uma tarde passada no hipermercado, dentro de uma sala de cinema ou 'enfiado' por entre as lojas do centro comercial: uma singela estrutura conhecida como Oceanário de Lisboa.


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O espaço na actualidade.


Originalmente denominada Pavilhão dos Oceanos, durante a própria exposição, o espaço hoje conhecido como Oceanário destacou-se, desde logo, pela sua traça arquitectónica, semelhante à de uma aeronave projectada sobre uma baía artificial no Rio Tejo, e que não tardaria a conquistar os corações dos especialistas do ramo, tendo, ainda nesse ano de 1998, obtido uma menção honrosa para o Prémio Valbom de Arquitectura. O apelo do segundo maior aquário ibérico ia, no entanto, muito além do seu 'design', tendo o mesmo ano de 1998 visto o espaço granjear dois prémios relativos aos seus méritos científicos, o primeiro atribuído pela prestigiada revista Time, e o segundo obtido na cidade de Nápoles, em Itália – ambos, aliás,bem merecidos, já que o Oceanário proporcionava uma experiência muito além das oferecidas por infra-estruturas semelhantes, não só em Portugal, mas em toda a Europa.


De facto, a experiência de visitar este espaço era, para qualquer 'puto' português noventista, habituado ao 'velhinho' Aquário Vasco da Gama, absolutamente estonteante, já que permitia passear entre, e por baixo, dos peixes do aquário central, dando a sensação de estar, verdadeiramente, no fundo do oceano, com tubarões e raias a passarem a poucos centímetros dos visitantes. Também de enorme interesse para qualquer jovem da época eram as duas lontras-marinhas residentes no espaço, já que este era um animal, à época, pouco frequente em cativeiro, e que possuía as doses exactas de charme e comportamentos únicos para cativar qualquer pequeno entusiasta de animais. Talvez por isso, aquando da morte das lontras originais, Eusébio e Amália, o Oceanário tenha 'repescado' as duas crias das mesmas, denominadas Micas e Maré (ambas entretanto também já falecidas), do Jardim Zoológico de Roterdão, para que as mesmas dessem continuidade ao legado iniciado pelos seus progenitores.


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As lontras eram, à época, a principal atracção do Oceanário.


E se estas duas atracções – juntamente com três outros aquários adjacentes, tematizados a diferentes regiões do Mundo, e cerca de duas dezenas e meia de aquários mais pequenos – constituíam a 'espinha dorsal' do Oceanário original, uma visita ao espaço nos dias que correm oferece ainda muito mais que ver, já que o mesmo foi expandido já na segunda década do Novo Milénio, tendo sido construído um novo edifício, denominado 'Edifício do Mar'; pouco depois, em 2015, o Oceanário foi concessionado por trinta anos a uma subsidiária do Grupo Jerónimo Martins, que ainda chegou a tempo de recolher os dividendos das duas nomeações consecutivas como 'Melhor Aquário da Europa' por parte do site de viagens TripAdvisor, em 2015 e 2016. Desde então, o Oceanário tem seguido de vento em popa e, sob os auspícios da mascote oficial 'Vasco' (substituto do Gil) continuado a afirmar-se como um dos melhores espaços da sua índole na Europa, justificando tanto (ou mais) a visita hoje como há pouco mais de um quarto de século, quando constituía um dos destaques da excepcional Exposição Mundial de Lisboa.

Monday, 29 August 2022

Saídas ao Sábado: As Feiras do Livro de Lisboa e Porto

NOTA: Este post é respeitante a Sábado, 27 de Agosto de 2022.


NOTA: Dado o carácter temporalmente relevante deste post, o Sábado aos Saltos programado foi adiado uma semana. Assim, os próximos dois Sábados serão ambos de Saltos.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Apesar da enorme diversidade de títulos de qualidade para crianças e jovens, a leitura nunca foi, e continua a não ser, um passatempo consensual entre esta demografia: no entanto, para quem gosta de ler, há um evento anual que vem, desde há décadas, constituindo um dos pontos altos do calendário de cada ano: a Feira do Livro, o tradicional certame que, durante duas semanas de cada ano, reúne num só local todas as principais editoras nacionais, cada uma numa das tradicionais e icónicas 'barraquinhas', e todas oferecendo promoções e preços exclusivos para visitantes do referido evento.


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A Feira do Livro do Porto


Com lugar, habitualmente, de finais de Maio a meados de Junho (apesar de este ano terem sido adiadas um par de meses, tendo finalmente aberto na semana que ora finda, especificamente a 25 de Agosto) as Feiras do Livro de Lisboa e Porto podem já não ter o atractivo que outrora tiveram – na de Lisboa, por exemplo, sente-se a falta das tradicionais barracas coloridas, tendo a opção por um esquema de cores uniformizado em preto e castanho retirado ao certame muito do seu 'charme' visual – mas continuam a ser ponto de passagem obrigatório, a cada Verão, para os fãs de leitura (e intelectuais em geral) das duas principais cidades do País, oferecendo uma excelente oportunidade de colmatar lacunas na biblioteca pessoal, descobrir novos títulos em negócios de ocasião ou contactar em primeira mão com autores e editores. Assim, não é de todo de admirar que ambos os eventos continuem a ter níveis de adesão bastante consideráveis por parte das respectivas populações locais – até porque a localização de cada Feira (em bonitos parques do centro de ambas as cidades) propicia, e até convida, a um passeio, mesmo que não se tenha grande interesse em livros...


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O Parque Eduardo VII, a icónica localização da Feira do Livro de Lisboa


Conforme referido, no entanto, as Feiras do Livro perderam algum do charme e individualismo de que gozavam em finais do século XX e inícios do Terceiro Milénio, seguindo hoje um formato bastante mais padronizado e, como tal, menos interessante; ainda assim, a relevância e interesse deste certame no calendário cultural português continua a justificar plenamente a sua realização, que – espera-se – continuará em anos vindouros; afinal, qualquer incentivo à leitura, principalmente entre os jovens, apenas poderá ser considerado positivo...


 

Sunday, 13 June 2021

Saídas ao Sábado: Os Parques Aquáticos dos Anos 90

NOTA: Este post corresponde a Sábado, 12 de Junho de 2021.


As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


E como a onda de calor que se tem feito sentir já convida a uns mergulhos, nada melhor do que recordar um tipo de atracção de Verão que, infelizmente, ficou mesmo nos anos 90, sem hipótese de retorno, pelo menos nos moldes em que funcionavam..


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Um parque aquático abandonado, em Altura; muitos dos estabelecimentos semelhantes dos anos 90 encontram-se, hoje, nas mesmas condições


Falamos dos parques aquáticos, uma alternativa extremamente popular às habituais praia e piscina durante a ‘nossa’ década, sobretudo pela sensação refrescante que a descida num dos seus característicos escorregas de água (que, inevitavelmente, terminavam num enorme ‘chapão’ na piscina) proporcionava. Diz quem sabe que era uma sensação única – e quanto maior o escorrega, melhor…


Em Portugal, foram dois os parques aquáticos a adquirir especial relevância, embora por razões diametralmente distintas; o facto de ambas essas instalações terem, eventualmente, sucumbido ao mesmo triste final será, talvez, consequência dos eventos que trouxeram um deles para a ribalta, os quais abordaremos mais à frente.


O primeiro, e mais famoso, destes parques era o Ondaparque, inaugurado em 1986 e que representou a primeira tentativa portuguesa de criar uma instalação deste tipo.. Situado à entrada da vila da Costa de Caparica – um dos principais ‘destinos de praia’ dos lisboetas, situado na Margem Sul do rio Tejo – este parque chegou a ser icónico para as crianças da Grande Lisboa, com a sua configuração única de escorregas e piscinas, tantas vezes capturada em fotografias durante o auge da popularidade do Parque. Só a visão do complexo principal de escorregas, momentaneamente vislumbrável da auto-estrada, já fazia imaginar muitos e bons momentos de ‘chapões’ e ‘chapinhanço’, aguçando desde logo a vontade de visitar o parque – mesmo com o convidativo mar da Costa a proporcionar banhos tão bons ou melhores, apenas uns metros mais à frente…


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O Ondaparque da Caparica, com o seu clássico sinal estilo Hollywood e configuração de escorregas.


O Ondaparque foi, dos dois complexos abordados neste post, aquele que se pode considerar ter sido vítima das circunstâncias. Sem que tivesse quaisquer ‘culpas no cartório’, a instalação foi apanhada na ‘febre’ de fechar todo e qualquer parque aquático do seu tipo (derivada de acontecimentos a que aludiremos já a seguir) e continua, até hoje, abandonada, não tendo o espaço sido reaproveitado ou restaurado – o que não deixa de ser surpreendente, dada a área e potencial que o mesmo apresenta. Não deixa de ser triste ver o parque da nossa infância assim – velho, degradado, com o grafitti a substituir a água na superfície dos lendários escorregas, e as ervas daninhas a fazerem as vezes dos visitantes deliciados. Resta, pois, esperar que alguma empresa ou autarquia pegue neste, em tempos, icónico espaço e lhe dê nova vida, ainda que numa vertente diferente da original…


E tendo já falado do ‘parque bom’, chega agora a hora de nos debruçarmos sobre o ‘parque mau’. Chegou a hora de falarmos…do Aquaparque.


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A entrada do Aquaparque no auge da sua popularidade.


Situado no Restelo (outra zona da periferia lisboeta na rota directa de um popular destino de praia, no caso a linha de Cascais) o Aquaparque travou, em finais da década de 80 e princípios da que nos concerne, uma acirrada batalha com o Ondaparque pelo trono de principal parque aquático não só da região, mas de todo o país.  Esta ‘guerra’ natural entre espaços concorrentes viria, no entanto, a adquirir contornos mais sombrios quando, em 1993, duas crianças, ambas com nove anos, morreram em dias consecutivos, e da mesma maneira: ao serem sugadas pelos tubos que faziam a filtragem da água das piscinas, e que careciam de redes de protecção.



Reportagem de época sobre o trágico acidente


Um acidente horripilante, digno de filme de ficção científica, mas que – infelizmente – foi muito real, e ditou o ‘início do fim’ da era dos parques aquáticos em Portugal. Primeiro, foram as multidões a manifestar-se, tentando forçar a entrada no ‘Aquaparque da morte’, e atingindo à pedrada os agentes policiais que os procuraram restringir; depois, o assunto tornou-se matéria principal nos principais meios de comunicação; e, finalmente, tornou-se uma disputa legal, que viria a terminar apenas em 2002, com os familiares das jovens vítimas a serem indemnizadas pelo Estado português. O espaço, esse, ficaria encerrado por tempo indeterminado – e não demoraria até o ‘indeterminado’ se tornar ‘permanente’. Tal como aconteceu com o Ondaparque, chegou a falar-se em reconverter este espaço (no caso, em parque infantil, segundo veiculam várias notícias de meados de 2019) mas, um ano e meio volvidos, tal plano ainda não parece ter-se concretizado...


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Um parque aquático actual, em Santarém


Entretanto, passaram-se quase três décadas desde o auge dos parques aquáticos, e a verdade é que a ‘moda’ não tornou a pegar; embora existam ainda alguns complexos que vão mantendo este tipo de denominação (em Peniche, por exemplo) a maioria consiste apenas de piscinas ‘normais’, de diversos tamanhos, com uma ou outra prancha ou um ou outro escorrega pelo meio, sendo de duvidar que se torne a ver um parque como os descritos neste blog (até por questões de segurança, as quais se tornaram bastante mais rígidas desde aquela época). No entanto, aqueles que viveram a ‘era de ouro’ deste tipo de estabelecimentos nunca esquecerão a sensação de os visitar, e de estar no topo de um daqueles escorregas enormes, a olhar para a piscina lá bem ao fundo, à espera de descer…

Em Memória de Jorge Palma (1950-2026)

Nas primeiras horas do dia 21 de Setembro de 2026, o p anorama musical nacional ficava mais pobre após dizer adeus a mais um dos seus ídolos...