Sunday, 31 July 2022

Domingos Divertidos: Os Jogos de Pesca Magnéticos

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


Uma criança que, por uma razão ou outra, não pudesse (ou quisesse) sair de casa num fim-de-semana à tarde tinha, nos anos 90, quase tantas opções para se entreter como nos dias de hoje. Isto porque, apesar de a presença dos computadores e da Internet ser, à época, ainda muito reduzida ou até inexistente, havia ainda assim uma vasta panóplia de diversões disponíveis para este tipo de situações, que ia desde os jogos criados à mão com papel e caneta até aos de tabuleiro, passando pelas pistas de carros eléctricas, pelos carrinhos, pelos puzzles e jogos de cubos, pelas sempre populares consolas de jogos e jogos LCD portáteis, pelas figuras de acção, soldadinhos, bonecas, peluches e bonecos de borracha, pelos intemporais LEGOs e pelos conjuntos de 'bonecos' da Pinypon, Playmobil ou Polly Pocket, entre muitas outras. Fora de todos estes grupos, no entanto – de todos, estaria talvez mais próximo dos jogos de tabuleiro, sobretudo dos que incluíam elementos mecânicos – havia um brinquedo que qualquer criança dos anos 90 recorda com afeição como tendo proporcionado muitos e bons momentos de diversão em circunstâncias deste género: o jogo da 'pesca'.


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Uma imagem que causa nostalgia imediata a toda uma geração.


Disponível tanto em tamanho 'de mesa' (adquirível em qualquer boa loja de brinquedos ou secção correspondente de uma loja generalista, supermercado ou hipermercado) como em versão portátil, esta quase elegível como Quinquilharia de bolso, este jogo tinha um daqueles conceitos tão simples, quanto infalíveis: o mecanismo central consistia de uma placa giratória com uma série de buracos embutidos, dentro de cada um dos quais se encontrava um rechonchudo peixe com um íman na boca, pronto a ser 'pescado' com recurso às canas de pesca magnéticas que cada jogador empunhava. Quem acabasse o jogo com mais peixes, ganhava – uma missão que, apesar de parecer fácil, era significativamente dificultada não só pelo movimento constante da placa central (conseguido com recurso a pilhas na versão de tamanho completo, ou simplesmente 'dando corda' à portátil) como também ao facto de que os peixes fechavam periodicamente a boca, escondendo assim o seu íman interior, e obrigando os jogadores a esperar pelo momento certo para os voltarem a alvejar com a cana. O resultado era, simultaneamente, semi-frustrante e extremamente divertido, podendo facilmente ocupar uma ou duas horas durante uma tarde de 'descanso' em casa.


Ao contrário de muitos outros produtos que abordamos nesta e noutras secções do blog, estes jogos ainda continuam a ser produzidos, com muito poucas diferenças em relação aos dos anos 80 e 90, tornando-os um daqueles produtos que permitem às novas gerações descobrir, em primeira mão, exactamente porque é que os seus pais o achavam tão divertido. O mais provável, no entanto, é que os referidos jovens de hoje em dia prefiram simplesmente 'sacar' uma versão virtual com controlos 'touch', perdendo assim o elemento de diversão familiar do jogo original; resta, pois, esperar que não seja esse o caso, e que os 'pequenotes' do novo milénio saibam apreciar a diversão simples que este tipo de brinquedo proporciona, e desfrutem de muitas tardes em família ou com amigos passadas em redor do mesmo...

Saturday, 30 July 2022

Saídas ao Sábado: Os Convívios das Modalidades

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


De entre os muitos aliciantes à prática de uma actividade ou modalidade por parte dos jovens dos anos 90 (e, quiçá, ainda de hoje em dia) um dos mais significativos eram os tradicionais convívios, periodicamente organizados pelos responsáveis da maioria dos clubes, por forma a permitir a socialização entre alunos não só da mesma turma, como de outros horários ou até sucursais.


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Crédito da imagem: B. S. João Atlético Clube


Tomando, normalmente, a forma de uma 'jantarada' num qualquer restaurante próximo ao(s) clube(s), estes eventos tendiam, naturalmente, a ser altamente antecipados pelos membros mais novos da referida actividade, para quem constituíam uma quebra no 'rame-rame' diário comparável ao causado por uma visita de estudo – para além, claro, de permitirem uma interacção mais informal, sem as obrigações que os treinos ou aulas naturalmente acarretavam. No caso de um outro tipo de convívio – os torneios inter-sucursais ou até de teor regional ou nacional – estes factores eram, ainda, acrescidos não só da aliciante da competição (intrínseca à maioria das crianças e jovens) mas também da possibilidade de fazer novas amizades dentro do 'círculo' da modalidade, ou apenas de comparar experiências com alunos de outras escolas, cujas vivências eram, por vezes, marcadamente distintas (e, com um pouco de sorte, de se gabar aos mesmos sobre o desempenho superior de um clube em relação ao outro).


Fosse qual fosse a configuração do evento, no entanto – quer se tratasse de algo um pouco mais formal, como um estágio ou torneio, ou apenas de uma 'jantarada' interna – o mesmo não deixava de ficar marcado, não só no calendário, como também na memória dos jovens participantes, na pior das hipóteses apenas pela 'novidade', mas mais frequentemente, pelo teor verdadeiramente divertido que acabavam por adoptar.


Ao contrário de muitas outras Saídas ao Sábado que aqui temos abordado (e à semelhança de outras tantas) é de crer que esta vertente da prática de uma actividade extra-curricular não se tenha alterado grandemente ao longo das últimas três décadas; é certo que, hoje em dia, o convívio consistirá mais da comparação de perfis das redes sociais do que da criação de quebra-cabeças humorísticos nas toalhas de papel do restaurante, mas, à parte essas pequenas diferenças decorridas do passar do tempo e da evolução tecnológica, a experiência terá mantido as mesmas características essenciais que a tornavam tão divertida quando os pais dos actuais participantes eram, eles próprios, daquela idade...

Friday, 29 July 2022

Sextas com Style: Os 'Pullovers' de Imitação de Burberrys e Polo Sport

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Num dos primeiros posts desta rubrica, abordámos as tão frequentes quanto gloriosas peças de vestuário de contrafacção que se podiam (e ainda podem) encontrar em bancas de feira e outros ambientes semelhantes, um pouco por esse Portugal afora. Aquando desse post, deixámos, no entanto, involuntariamente de fora um tipo específico de peça dessa categoria, erro que rectificamos esta semana, ao falarmos das míticas e memoráveis camisolas de malha da 'Burberry' e 'Ralph Lauren' com que todos convivemos naqueles anos de final do Segundo Milénio.


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Esta é autêntica, mas façam de conta...


Adquiríveis na mesma 'boutique' que as camisolas a imitar No Fear ou as calças de fato de treino a imitar Adidas ou Reebok – o chão da rua – estas camisolas constituíam contrafacções bem mais cuidadas do que os dois exemplos supra-mencionados, sendo o único sinal suspeito (além, claro está, do facto de serem vendidas na rua, por um preço relativamente acessível) a qualidade da malha, e as cores muitas vezes duvidosas, de que as marcas certamente não teriam aprovado para as respectivas colecções, como o azul-turquesa e o rosa-choque. De resto, estes produtos eram, em tudo, idênticos aos autenticamente comercializados pelas marcas à época, não sendo, portanto, de admirar que tenham 'enganado' muito boa gente na altura.


Tal como sucedeu com as outras peças mencionadas, também estes 'pullovers' se acabaram por tornar menos comuns à medida que a indústria da contrafacção se passou a centrar em outros estilos e marcas; no entanto, o seu carácter significativamente mais intemporal do que as outras imitações da altura faz que, de quando em vez, ainda se vá vendo uma destas camisolas surgir numa qualquer feira portuguesa, pronta a aliciar um comprador menos atento, exigente, ou a quem o símbolo da 'griffe' interesse mais do que a qualidade – adjectivos que descrevem, também, perfeitamente a maioria das pessoas que, à época, tinha no armário uma (ou mais) destas peças...

Thursday, 28 July 2022

Quintas de Quinquilharia: As Canetas Multi-Cores

Trazer milhões de ‘quinquilharias’ nos bolsos, no estojo ou na pasta faz parte da experiência de ser criança. Às quintas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos brindes e ‘porcarias’ preferidos da juventude daquela época.


E se na edição anterior desta rubrica falámos das canetas com vibração, chega agora a vez de falarmos do outro tipo de caneta praticamente sinónimo com essa altura da História, e que todo o estudante (sobretudo do sexo feminino) daquele tempo conhecia: a caneta multi-cores.


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Quem não se lembra?


De conceito extremadamente simples – tratavam-se, simplesmente, de vários 'tubos' de caneta, nas quatro cores mais comuns (azul, preto, verde e vermelho) inseridos num só invólucro exterior, o qual contava com um sistema de molas, que permitia escolher e activar a cor desejada, bastando para isso empurrar para baixo a mola da cor desejada, revelando e activando assim o bico dessa mesma cor; e quando se precisasse de trocar, bastava repetir o processo com a nova cor, sendo que, neste caso, a mola (e bico) anteriormente activados voltavam automaticamente à posição inicial, num efeito simultaneamente entusiasmante e frustrante (porque não terá, decerto, havido criança que não tivesse desejado poder utilizar dois bicos de cores diferentes, ou até todos, em simultâneo).


Apesar de serem, sobretudo, do agrado das raparigas (já que a metade masculina da população tem, famosamente, dificuldade em perceber a necessidade de canetas de outras cores que não o azul e preto) a verdade é que estes instrumentos não só permitiam a quem gostava de usar várias cores para tomar notas poupar no preço das canetas (não que as mesmas fossem muito caras, mas ainda assim...) mas também libertar no estojo espaço para as várias outras Quinquilharias de que aqui vimos falando, periodicamente, às Quintas-feiras - sendo as várias cores disponíveis, inclusivamente, benéficas ao criar uma delas, os icónicos Quantos-Queres.


Tal como muitos desses mesmos pequenos objectos, aliás, também estas canetas são, hoje em dia, visão menos comum nas prateleiras de lojas e estojos de estudantes do que em tempos foram – o que as torna, ainda mais, um elemento nostálgico da infância e adolescência de toda uma geração, hoje adulta, mas que certamente ainda se lembrará de usar este tipo de instrumento (em conjunto com os inevitáveis marcadores grossos, outro favorito das alunas femininas) para 'organizar' os apontamentos daquela disciplina particularmente difícil...

Wednesday, 27 July 2022

Quartas de Quase Tudo: As Listas Telefónicas

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog..


...como é o caso das listas telefónicas.


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Alguns dos muitos volumes que todo o português viu serem deixados à sua porta, anualmente, durante as últimas décadas do século XX.


Uma das mais subtis e, no entanto, mais importantes mudanças trazidas à sociedade pela era digital foi a possibilidade de comunicar com qualquer pessoa de (praticamente) qualquer parte do Mundo civilizado. O advento, primeiro, dos telemóveis e, mais tarde, dos computadores portáteis com acesso à Internet fez com que deixasse de ser necessário esperar até chegar a casa ou procurar uma cabine telefónica (e potencialmente comprar um Credifone) para efectuar chamadas ou enviar mensagens de forma remota, e fez com que os próprios telefones caseiros se transformassem, progressivamente, numa raridade, cada vez mais frequentemente descartada pelas gerações que já cresceram na era da sociedade em rede.


Esta passagem para o digital, e subsequente obsolescência de meios como o telefone, teve, no entanto, um efeito colateral a lamentar, pelo menos de um ponto de vista nostálgico – a progressiva redundância e (eventualmente) inevitável desaparecimento das listas telefónicas. E enquanto que as gerações mais novas já dificilmente saberão o que tal denominação apresenta, quem cresceu no milénio transacto certamente terá, ainda, bem presente a imagem de encontrar, uma vez por ano, dois ou três 'calhamaços' à entrada de casa, ali deixados pelo distribuidor de serviço, e prontamente levados para dentro e colocados junto ao telefone; viva será também, na mente desses ex-jovens, a memória de querer telefonar a um amigo (ou 'àquela' miúda especial) e percorrer com o dedo as aparentemente infinitas colunas da lista, tentando adivinhar qual das múltiplas iniciais com apelidos semelhantes corresponderia à dos pais da referida pessoa – uma tarefa em muito facilitada quando o destinatário tinha um daqueles apelidos invulgares ao ponto de serem únicos...


Muito mais interesse do que a lista telefónica 'normal', no entanto, tinha o outro tomo normalmente distribuído em conjunto com esta, que continha os números de empresas e serviços e era baptizada segundo a sua característica mais marcante; isto porque, ao contrário das listas residenciais, as Páginas Amarelas permitiam a inserção de anúncios, alguns dos quais com ilustrações e outros detalhes que faziam com que a referida publicação parecesse quase um catálogo, ainda que sem quaisquer produtos que se pudessem adquirir directamente...


Conforme já referimos no início deste texto, as listas telefónicas (de ambos os tipos) foram, ao longo dos anos, perdendo preponderância praticamente ao mesmo ritmo que perdiam páginas - do formato A3 bem grosso com que a geração de 90 cresceu, ambas as publicações passaram, no novo milénio, a um formato mais pequeno e bastante mais delgado, até cederem definitivamente o papel de referência para consulta de números de telefone aos motores de pesquisa. Mesmo assim, as Páginas Amarelas souberam adaptar-se à era digital, reinventando-se sob a forma de uma directoria de serviços 'online' – o bem conhecido Yell (ou Yelp, dependendo da parte do Mundo em que se esteja). Para muitos ex-jovens de finais do século XX no entanto, a mera menção de qualquer dos dois volumes abordados nestas linhas evocará, de imediato, memórias de uma pilha de 'calhamaços' amontoados por baixo ou ao lado do telefone, prontos a revelar o número de telefone daquele familiar ou conhecido com quem apenas esporadicamente se falava...

Tuesday, 26 July 2022

Terças de TV: 'Mix Max', o 'Outro' Programa Infantil da TVI de Finais dos Anos 90

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Quem pensa em blocos de programação infantis da TVI de finais dos anos 90, decerto pensará de imediato no lendário Batatoon, um dos maiores sucessos da História do canal, e um dos mais conhecidos e populares programas infantis de sempre em Portugal, principalmente devido à sua mirabolante grelha de desenhos animados, que incluiu séries  como 'Samurai X', 'Sonic Underground', 'Navegantes da Lua', 'Homens de Negro' ou 'Digimon Adventure'; quem, no entanto, assistia ao mesmo canal aos dias de semana da parte da manhã, durante a mesma época, certamente se lembrará de um segundo programa, apresentado por uma dupla de 'bonecos' com pinta de radialistas e química a condizer que, sem nunca ter atingido os níveis de audiência do congénere das tardes da 'Quatro', apresentou ainda assim uma alternativa bem válida ao mesmo para quem tinha aulas depois do almoço.


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Falamos de 'Mix Max', bloco infanto-juvenil estreado mesmo ao 'cair do pano' do novo milénio – a primeira emissão vai ao ar algures em 1999 - e que, sem bater o recorde de longevidade do Batatoon, conseguiu ainda assim permanecer nos ecrãs nacionais uns honrosos dois anos, até 2001. De conceito substancialmente diferente do programa dos palhaços Batatinha e Companhia (apesar de uma sinopse divulgada no artigo relativo ao programa do nosso congénere Desenhos Animados Anos 90 falar em audiência ao vivo, bem como de um terceiro boneco, do sexo feminino, este formato planeado nunca chegou a ser levado avante, sendo o programa uma emissão exclusivamente de estúdio e centrada no duo homónimo) este bloco vivia muito mais da qualidade e interesse dos segmentos e desenhos animados que exibia, o que poderá explicar o porquê de não ter durado tanto quanto o seu programa-irmão, cuja índole era bem mais variada; ainda assim, os apresentadores DJ Mix e MC Max – um daqueles duos de 'melhores inimigos', à semelhança dos 'colegas' Batatinha e Companhia e de personagens como Egas e Becas, da Rua Sésamo, com uma aparência que lembrava um cruzamento entre Terrence e Phillip, de 'South Park', e o famoso 'Boneco Amarelo' do 'Curto Circuito' – chegaram a ser responsáveis por proporcionar muitos e bons momentos às crianças e jovens nacionais, nomeadamente através da exibição dos excelentes 'animes' inspirados em histórias clássicas, aos quais já aqui dedicámos um 'post'.


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A carismática dupla de apresentadores do programa


Ainda assim, fosse pelo horário menos ideal fosse pelo teor mais simplista do próprio conceito do programa, a verdade é que Mix e Max nunca lograram intrometer-se no 'monopólio' que Batatinha e Companhia detinham sobre os programas infantis da estação de Queluz à época – uma situação que nem um tema de abertura tão ou mais memorável que o do programa dos palhaços ajudou a alterar.



O contagiante genérico do programa não foi, infelizmente, suficiente para o tornar mais memorável junto do público-alvo.


Quem lá esteve, no entanto, sabe que este programa, apesar de 'menor', tinha ainda assim os seus méritos, nomeadamente o de proporcionar desenhos animados de qualidade a quem não conseguia estar em casa a horas de ver o 'Samurai X' ou os 'Digimon' – argumento, por si só, mais que suficiente para lhe valer a homenagem nesta rubrica do nosso blog.



'Spot' promocional alusivo ao programa

Monday, 25 July 2022

Segundas de Sucesso: As Colectâneas 'Street Sounds From Sony'

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Quando se pensa em colectâneas disponíveis em Portugal na década de 90, os títulos que tendem, imediatamente, a vir à memória são, sobretudo, os das lendárias séries Electricidade (da Rádio Cidade) e Now! That's What I Call Music, que – entre elas – ajudaram a moldar o gosto musical de muitos jovens da época. No entanto, estas estavam longe de ser as únicas representantes desse tipo de lançamento; pelo contrário, o mercado fonográfico português viu vários outros títulos deste tipo surgir nos escaparates ao longo dos últimos dez anos do século XX, contando-se entre as mais memoráveis 'The Beautiful Game' (a colectânea do Euro '96, de que já aqui falámos) 'Fido Apresenta Número 1' (da qual, paulatinamente, aqui falaremos) e a dupla de que falamos hoje, intitulada 'Street Sounds From Sony'.


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Compostos por uma ecléctica mistura de europop, pop rock, hip-hop e electrónica, os dois volumes da série foram lançados em anos consecutivos de meados da década pela fabricante japonesa - quando a mesma ainda era associada, sobretudo, a produtos áudio, e não tanto a consolas -  e incluídos, a título de oferta, na compra de um dos sistemas de som portáteis da marca, os carinhosamente apelidados 'tijolos', presumivelmente como método para comprovar as capacidades reprodutivas dos mesmos - por aqui, por exemplo, recebeu-se o segundo volume, de 1995, ano em que surgiu lá por casa o primeiro destes aparelhos. Assim, quem adquirisse uma 'boombox' da marca não só passava a ser dono de uma excelente 'fábrica de produção de mixtapes' como de uma espécie de 'mixtape oficial', seleccionada e curada pela própria Sony Europa (a compilação é de origem holandesa), o que não deixava de ser um atractivo de peso no momento da decisão sobre que fabricante escolher, independentemente de se ser ou não fã dos artistas incluídos.


E por falar nestes, os mesmos serviam de exemplo quanto à diversidade do catálogo do braço editorial da companhia à época, incluindo nomes tão díspares como Cypress Hill, Alice in Chains, Meatloaf ou uma Celine Dion pré-fama interplanetária (no primeiro volume) e Bad English, The Jacksons, Toto, Cyndi Lauper ou Apollo 440 (no segundo); curiosamente, ambos os discos incluíam ainda músicas de Culture Club e Gloria Estefan, os únicos dois 'repetentes' entre volumes. No total, eram vinte e nove faixas (catorze no primeiro volume e quinze no segundo) que só deixavam mesmo de fora os estilos mais pesados, sendo que até mesmo as lendas do 'grunge', Alice in Chains, surgiam com um dos seus temas em registo mais acústico e acessível, no caso 'No Excuses'; de resto, havia mesmo algo para todos os gostos, sendo provável que a maioria dos jovens que adquirisse um destes CD's encontrasse, pelo menos, um par de faixas que fosse do seu agrado.


Em suma, apesar de algo limitados pelo conceito e editora, estas duas colectâneas não deixavam de cumprir com louvor a sua função de apresentar a uma nova audiência alguns dos principais artistas dos respectivos anos, bem como de anos transactos – o que, associado ao seu cariz promocional e de oferta, os terá certamente tornado parte muito apreciada das colecções de CD de muitos jovens lusitanos da época. Por aqui, pelo menos numa primeira fase, era certamente esse o caso...

Sunday, 24 July 2022

Domingo Desportivo: Lendas do Campeonato Nacional - Aloísio, o Verdadeiro 'Super-Dragão'

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


Quando se fala dos campeonatos portugueses da década de 90, há alguns nomes que vêem imediatamente à baila, seja pelo talento invulgar, pela falta do mesmo, ou simplesmente por parecerem já fazer parte da 'mobília' no início de cada nova época. Nesta nova rubrica, o Portugal Anos 90 propõe-se recordar as carreiras de algumas dessas Lendas do Campeonato Nacional.


E para começar, nada melhor do que recordar um nome que será lembrado com saudade ou com antagonismo (dependendo do clube do coração) pela maioria dos adeptos que ainda recordem esses tempos: Aloísio Pires Alves, 'centralão' do FC Porto conhecido por ser – a par de Jorge Costa ou Paulinho Santos - uma das principais caras daquelas equipas extremamente físicas que os 'Dragões' apresentavam no início da década, e um dos últimos resistentes das mesmas (a par do referido Jorge Costa) a sobreviver à transição para o 'novo' Porto europeu, no virar do milénio.


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O central com a camisola com que se tornou sinónimo


Nascido em Pelotas, Rio Grande do Sul, a 16 de Agosto de 1983, Aloísio iniciou a sua carreira profissional dezanove anos depois, ao serviço do Internacional de Porto Alegre, onde permaneceria seis épocas e realizaria mais de cem jogos, ajudando a equipa a conquistar três campeonatos estaduais, bem como a atingir uma inédita segunda posição na Série A brasileira (então conhecida como Copa União) em 1987.


A preponderância que assumia no seio da equipa gaúcha, bem como o elevado nível exibicional que mantinha, acabaram eventualmente por propiciar o sonho de qualquer jogador sul-americano, nomeadamente, o de se transferir para um grande clube europeu. No caso de Aloísio, foi o Barcelona quem mostrou interesse, acabando mesmo por assinar contrato com o jogador no início da época 1988/89. Surpreendentemente (ou talvez não), Aloísio conseguiu corresponder às expectativas associadas a tal transferência, encontrando o seu espaço no Barça dos anos pré-'dream team', pelo qual alinhou um total de 48 vezes ao longo de duas épocas, uma das quais na final da Taça dos Campeões Europeus (hoje, Liga dos Campeões) da época 1988/89, que terminaria com o triunfo dos 'blaugrana' frente à Sampdoria por 2-0. As suas boas exibições ao serviço dos catalães valer-lhe-iam ainda, nessa mesma época, a chamada à Selecção Nacional brasileira, pela qual realizaria seis jogos, a juntar aos quatro que já lograra ao serviço dos Sub-20, ainda nos tempos do Internacional.


Apesar de se afirmar como parte importante da equipa catalã em ambas as épocas em que alinhou com o seu escudo, no entanto, Aloísio viria mesmo a embarcar em nova aventura a tempo da época 1990/91, galgando as montanhas transmontanas para assinar pelo Futebol Clube do Porto, então em fase dominante no contexto do Campeonato Nacional da I Divisão. Do resto, reza a história: no total, foram onze épocas (mais de metade da carreira total do brasileiro) e quase quinhentos jogos oficiais ao serviço dos 'Dragões', ao longo dos quais conquistou dezanove títulos (incluindo um penta-campeonato, louvor que partilha com apenas cinco outros jogadores em toda a História do clube), formou parte integrante de uma fortíssima defesa portista nos primeiros anos da década, alinhou em pelo menos 28 dos trinta e poucos jogos do campeonato em todas as épocas à excepção da última, e conquistou um lugar como figura maior não só da 'mística' portista, como dos campeonatos da década de 90 como um todo - o que torna mais que merecida a sua inclusão na lista de Lendas do Campeonato Nacional daquela época, e a honra de inaugurar mais esta nova rubrica do nosso blog.


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Aloísio com os quatro uniformes da sua carreira

Saturday, 23 July 2022

Sábados aos Saltos: As Piscinas Insufláveis de Quintal

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Com a época balnear oficialmente em curso, e as temperaturas a atingirem máximas poucas vezes vistas, poucas coisas apetecem mais do que um mergulho, seja na praia, numa piscina pública ou num dos cada vez mais raros aqua-parques ainda resistentes em certos pontos do País; isto porque, infelizmente, a outra opção disponível para as crianças e jovens dos anos 90 e 2000 já não é, pelo menos para esses mesmos ex-'putos', viável.


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Quem sabe, sabe...


Falamos das piscinas de quintal, aqueles mistos de brinquedo e instrumento utilitário que, depois de devidamente insuflados, davam a quem tinha a sorte de os possuir muitos momentos de diversão em dias de maior calor, muitas vezes até na companhia de familiares ou amigos da mesma idade.


E se é verdade que, na era do digital e da conectividade global, é difícil perceber o apelo do que era basicamente uma versão mais 'chique' de uma tina ou tanque (especialmente uma que apenas permitia um volume de água extremamente raso) a verdade é que nenhuma criança daquela época que tenha tido a sorte de ter essa experiência a trocaria por qualquer aparelho 'Bluetooth' ou 'drone', especialmente em épocas como a que actualmente se vive em Portugal, com o calor abrasador e a fazer estragos; a conveniência de apenas ter de chegar ao quintal para se refrescar (e de poder permanecer na água o tempo que se quisesse, ao contrário do que acontecia, por exemplo, com os banhos de mangueira) tinha muito mais valor do que se pudesse, à primeira vista, pensar – tanto assim que quem não tinha espaço ou dinheiro para adquirir uma destas piscinas, normalmente desejava que a situação fosse a contrária, para que também eles pudessem disfrutar da experiência que os amigos e colegas viviam naqueles Sábados em que os únicos Saltos que apetecem dar são mesmo dentro de água...


É de crer que, hoje em dia, as piscinas de quintal para crianças não tenham ainda desaparecido; afinal, a simples diversão de um banho rodeado de brinquedos (e, com sorte, amigos) é daquelas sensações verdadeiramente intemporais. A verdade, no entanto, é que estes apetrechos cada vez se vêem menos, quer em lojas, supermercados e hipermercados, quer em quintais por esse País fora, pelo que resta esperar que este não seja mais um daqueles produtos nostálgicos para toda uma geração, mas actualmente em 'vias de extinção'...

Friday, 22 July 2022

Sessão de Sexta: 'Homens de Negro' (1997) - Uns Polícias do Outro Mundo

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Mesmo depois do incidente ocorrido durante a cerimónia dos Óscares deste ano, continua a ser seguro considerar Will Smith uma das mais conhecidas celebridades do Mundo. Um raro caso de sucesso a duas frentes (além de um dos actores mais bem pagos da actualidade, conseguiu também enorme sucesso com a sua carreira discográfica) o natural de Filadélfia é uma daquelas caras instantaneamente reconhecíveis até para os mais distraídos – e é difícil negar que grande parte desse reconhecimento deve-se ao que o artista construiu durante a década de 90.


De facto, foi durante a última década do século XX que Smith viveu o apogeu da sua carreira, apresentando-se ao Mundo por meio da mítica 'sitcom' 'O Príncipe de Bel-Air' (que, paulatinamente, aqui merecerá destaque) e fazendo posteriormente a transição para o grande ecrã através de uma série de filmes de grande orçamento e ainda maior sucesso, iniciada em 'Os Bad Boys', de 1995 (que o lançou como actor de cinema e marcou outra estreia cinematográfica, no caso a do realizador Michael Bay), e que incluiu ainda dois mega-'blockbusters', que cimentaram definitivamente o estatuto do actor: primeiro 'O Dia da Independência', de Roland Emmerich, em 1996, e depois, no ano seguinte, o filme que abordamos neste texto, 'Homens de Negro'.


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Estreado por terras lusas há quase exactos 25 anos – a 28 de Julho de 1997 – a adaptação da BD homónima a cargo de Barry Sonnenfeld foi um dos maiores sucessos daquele ano, muito por conta da incrível química entre Smith e o seu coadjuvante, o veterano Tommy Lee Jones. No papel de dois agentes intergalácticos cuja missão é localizar e apreender extra-terrestres infiltrados entre os humanos – conhecidos apenas pelas suas iniciais, J e K – os dois actores elevam aquele que era já um guião de qualidade, tirando o máximo proveito dos seus 'tipos' opostos (o habitual homem pacato e carismático de Smith e o 'durão' de poucas palavras e com cara de poucos-amigos de Jones) para criar uma parelha dicotómica, mas que se prova capaz de trabalhar em conjunto para resolver a missão encomendada pelo seu chefe, Z; juntem-se a esta receita actuações secundárias de enorme qualidade, 'bonecos' impagáveis (como Frank, o carlino falante que se tornou imagem de marca da série) e uma mistura perfeita de humor, acção e ficção científica, e não é de admirar que 'Homens de Negro' tenha 'caído no gosto' da juventude portuguesa – como, aliás, já se passara no resto do Mundo.


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Cartaz da primeira sequela, lançada em 2002


Este sucesso prolongou-se, aliás, suficientemente no tempo para manter a 'marca' 'Homens de Negro' relevante não só até à estreia nacional da série animada baseada no filme (de que já aqui falámos num post recente), em 1999, como até à estreia da primeira sequela, cinco anos após o original e de há quase exactamente duas décadas a esta parte; previsivelmente, esse reconhecimento ajudou a que o segundo filme conhecesse, também, considerável sucesso – que, aliás, merecia, ficando quase ao nível do primeiro em termos de guião e desempenhos.


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Os dois últimos filmes da série já não conheceram o sucesso dos seus antecessores


O mesmo, infelizmente, não se pode dizer das duas sequelas seguintes, sendo que o terceiro filme (lançado DEZ ANOS depois de 'Homens de Negro II', e há quase exactamente uma década) apresentava uma fórmula já algo 'estafada' e a perder gás, enquanto que o quarto, de 2019 (já sem o envolvimento de qualquer dos actores principais do original) é universalmente considerado um daqueles 'remakes' desnecessários, cujo único intuito é capitalizar numa vaga percepção de nostalgia em relação ao 'franchise' em causa; nada, no entanto, que retire o mérito ao filme original, que continua – exactamente um quarto de século após a sua estreia em Portugal – a constituir uma excelente forma de passar duas horas em família, numa tarde chuvosa.


 


 

Thursday, 21 July 2022

Quintas ao Quilo: B Cool, a Bebida 'Esquecida' da Danone

Todas as crianças gostam de comer (desde que não seja peixe nem vegetais), e os anos 90 foram uma das melhores épocas para se crescer no que toca a comidas apelativas para crianças e jovens. Em quintas-feiras alternadas, recordamos aqui alguns dos mais memoráveis ‘snacks’ daquela época.


Hoje ligados a uma vertente mais dietética e 'fitness', os iogurtes líquidos apontavam, nos anos 90, a um público mais jovem, como aliás acontecia à época com a maioria dos produtos do mesmo tipo; longe dos grafismos sóbrios, adultos e 'chatos' de hoje em dia, produtos como o Yop e o Yoggi – os dois líderes de mercado – apostavam em logotipos atractivos e elementos ligados a uma atitude jovem e até 'radical', com vista a atrair um público que, na verdade, já se rendera à combinação vencedora de sabor, saúde e conveniência apresentada por estes produtos.


A tentativa mais declarada neste sentido, no entanto foi feita por uma das outras líderes de mercado, a Danone, cuja entrada no mercado dos iogurtes líquidos se fez com um produto que, mais do que sugerir uma atitude progressiva e 'cool', a exibia aos quatro ventos, num daqueles exageros de 'marketing' que não mais se veriam após os primeiros anos do novo milénio.


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Um daqueles anúncios modelo 'ver para crer' - e a única prova de que o B Cool existiu disponível na Internet neste momento!


Posicionando-se como uma resposta alternativa e 'fixe' às bebidas 'quadradas' até então disponíveis (representadas nas publicidades por um sumo Tetra-Pak, que fazia as vezes dos verdadeiros alvos, as competidoras) a fabulosamente denominada B Cool apresentava, numa só embalagem, todos os elementos que a cultura popular de hoje em dia associa à primeira metade dos anos 90, do referido nome ao esquema de cores deliberadamente berrante e às designações alternativas dadas a cada um dos sabores disponíveis, como 'Sunrise' – tudo com o âmbito de se fazer valer como mais do que aquilo que era: um bom iogurte líquido, nem pior nem melhor do que os competidores mais estabelecidos, ainda que permitisse provar alguns sabores ligeiramente mais exóticos.


Ironicamente, apesar de todo o 'marketing' e das tentativas quase cómicas de captar a atenção do público-alvo, o B Cool teria uma vida relativamente curta nas prateleiras dos supermercados – tanto assim que, hoje em dia, faz parte do selecto grupo dos Esquecidos Pela Net, tendo sido necessário recorrer a uma captura de ecrã retirada de uma digitalização em PDF para ilustrar este post. Ainda mais ironicamente, o iogurte que tomaria o lugar deste produto (muito) do seu tempo – o delicioso Dan'Up - apresentaria um grafismo muito mais sóbrio, valendo-se, não de quaisquer truques de marketing, mas antes do nome e reputação do fabricante e de uma combinação invulgar e deliciosa de sabores (morango e banana) para encontrar o seu público, não sendo, pois, de surpreender que continue a ser comercializado até aos dias de hoje. Quanto ao seu irmão mais velho, a sua curta e pouco memorável existência serve de advertência a companhias que dêem primazia a um estilo de marketing imediatista e rapidamente datado, sobre outro mais sóbrio e intemporal: embora a táctica tenda a resultar num primeiro momento, o mais provável é que o produto em causa rapidamente caia no esquecimento quando a referida abordagem 'passar de moda' - como foi, claramente, o caso com o B Cool...

Wednesday, 20 July 2022

Quartas aos Quadradinhos: O Álbum de 'Haggar, O Terrível' de 1993

A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.


Já por várias vezes, nesta mesma rubrica, falámos das compilações de 'tirinhas' de jornal norte-americanas (as chamadas 'comic strips') lançadas em Portugal por editoras como a Gradiva, sendo que, pela sua importância no contexto da referida indústria, nomes como Mafalda, Calvin e Hobbes e Garfield tiveram direito a posts individuais sobre as suas versões portuguesas; agora, chega a vez de juntar mais um nome a essa selecta lista (ainda que um com bem menos expressão nacional do que os restantes acima enumerados) e falar do primeiro álbum de Hagar, o Terrível lançado em território nacional.


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Corria o mês de Agosto de 1993, quando Haggar – então com vinte anos – desembarcava do seu 'drakkar' em costas lusitanas, pela mão da Livros Horizonte, uma editora sem expressão no meio da banda desenhada, mas sem a qual os fãs portugueses do obeso 'viking' teriam ficado 'em seco' no tocante a tirinhas traduzidas para a nossa língua; mesmo assim, e apesar de 48 páginas (cada uma com cerca de quatro ou cinco tiras) serem melhor do que nada, a oferta para fãs do personagem de Dik Browne ficou muito, mas muito aquém daquilo a que as personagens que o rodeavam nos suplementos de Domingo norte-americanos tiveram direito no nosso país.


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Exemplo de uma página do livro


Ainda assim, 'a cavalo dado não se olha o dente', e a verdade é que, apesar de 'magro' e sem grande brilho em termos de grafismo de capa, o volume em causa possui tradução cuidada, e serve como uma excelente amostra do trabalho de Browne; o problema reside mesmo no facto de essa amostra cumprir demasiado bem a sua missão de abrir o apetite para mais – sendo que, neste caso, o 'mais' apenas chegaria aos escaparates mais de uma década e meia depois, sob a forma de dois volumes editados em 2008 pela pequena Libri Impressi, cujo esforço de publicar cronologicamente todas as tiras do personagem se ficaria, infelizmente, por aí...


Quanto ao álbum da Horizonte, aqui em análise, a sua mais-valia reside mesmo no facto de oferecer material de Haggar (bem) traduzido para português, algo que, conforme demonstrámos nos parágrafos acima, não está propriamente disponível em abundância, e ainda menos em 1993; só esse facto já servia (e continua a servir) para justificar o (modesto) investimento neste álbum por parte dos fãs do 'viking' mais sedentário da História. Já quem não conhece Haggar, tem também aqui um bom ponto de partida por onde iniciar a sua exploração dos já quase cinquenta anos de tirinhas alusivas ao personagem editadas pelos sindicatos de BD americanos...

Tuesday, 19 July 2022

Terças Tecnológicas: Os Jogos dos 'Homens de Negro'

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.


No nosso último post, falámos da tendência para qualquer propriedade intelectual dos anos 80 e 90 acabar, mais cedo ou mais tarde, por dar azo a uma versão animada; pois bem, o mesmo se passava no tocante a jogos de computador e consola, com a maioria dos 'franchises' mais populares entre os jovens da época a servirem de inspiração a um (ou mais) títulos nos sistemas mais em voga na altura. De Batman a Space Jam, foram inúmeros os títulos licenciados a ver a luz do dia durante aquelas duas décadas, a maioria de qualidade não mais do que suficiente quando comparada aos grandes títulos do seu género. Como é evidente, um dos maiores 'blockbusters' não só de 1997, mas de toda a década não podia deixar de receber, também ele, este tratamento, pelo que foi sem surpresas que os 'gamers' da altura viram surgir nas prateleiras, ainda durante esse mesmo ano, um jogo oficial licenciado relativo ao filme 'Homens de Negro'.


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Lançado primeiro para PC/Windows e mais tarde (já em 1998) também para a então todo-poderosa Sony PlayStation, o videojogo de 'MIB' destaca-se, desde logo, pela curiosa escolha de um género pouco ou nada associado ao filme que supostamente o inspirava: enquanto que a mistura de acção, comédia e ficção científica da longa-metragem se prestaria lindamente a um típico jogo 'shoot 'em up' em terceira pessoa, tão típico da época, o jogo da Gigawatt opta pelo género 'survival horror'. Sim, o jogo dos Homens de Negro é um clone de 'Resident Evil', contando mesmo com controlos semelhantes a nível de movimentos – isto apesar de o filme não conter quaisquer elementos de horror ou terror!


Esta aposta algo insólita poderia ter resultado, no entanto, se o resto do jogo não oscilasse – pelo menos segundo a crítica – entre o mediano e o medíocre, com as maiores críticas a recairem sobre os gráficos escuros e feios e a jogabilidade demasiado precisa, do estilo que deixava o jogador 'preso' num local até este descobrir, ao acaso, um detalhe que lhe permitia avançar no jogo. Estes elementos, aliados à execução banal e sem chama por parte da programadora, fizeram com que 'Homens de Negro', o videojogo, tivesse uma recepção exacerbadamente negativa, e fosse considerado uma das maiores 'bombas' não só daquele ano, mas (no caso da PlayStation) de todo o catálogo da consola da Sony!


Não menos negativa foi a recepção às adaptações oficiais em videojogo da série animada de 'MIB', lançada para Game Boy Color e Game Boy Advance em 1999 e 2000, respectivamente.


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Capa do primeiro dos dois títulos portáteis, lançado para Game Boy Color em 1999


Ao contrário do seu 'irmão mais velho', ambos estes títulos se tratavam de jogos de acção e plataformas sem quaisquer surpresas, iguais a dezenas de outros que saíam para as portáteis da Nintendo todos os meses, o que talvez possa ajudar a explicar a falta de entusiasmo dos críticos, que, à época, começavam já a ficar algo cansados de ver a mesma fórmula repetida jogo após jogo, sem grandes inovações técnicas ou a nível de jogabilidade.


Ainda assim, não duvidamos que terá havido quem, à época, estivesse disposto a fazer 'vista grossa' aos defeitos de qualquer destes títulos em troca do prazer de poder controlar os então super-populares agentes intergalácticos J, K e L através de uma série de missões; este post é, pois, dedicado a esses verdadeiros fãs da franquia, que certamente apreciarão ver um dos jogos da sua juventude recordado, ainda que brevemente, de forma menos negativa que o habitual...


 

Monday, 18 July 2022

Segundas de Séries: A Série Animada de 'MIB - Homens de Negro'

Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.


Nos anos 80, um dos maiores axiomas do 'marketing' dirigido ao pùblico mais jovem ditava que qualquer propriedade intelectual de sucesso tinha, inevitavelmente, direito a uma adaptação televisiva em formato desenho animado, independentemente de ser ou não apropriada para a demografia em causa – uma mentalidade, aliás, que se estendeu à década seguinte, que viu personagens supostamente para adultos, como Rambo, serem convertidas para animação e sujeitas a um formato episódico e serializado, com uma evidente e necessária redução dos níveis de violência, mas de outro modo inalteradas, atingindo graus maiores ou menores de sucesso entre o público-alvo.


Dada a natureza de muitas das propriedades sujeitas a este tratamento ao longo das duas décadas em causa (muitas das quais já em fase decadente, ou com relevância reduzida, como 'Highlander Os Imortais') não é de espantar que um dos maiores sucessos de bilheteira da última década do século XX tenha, também, sido convertida a este formato – no caso, 'MIB – Homens de Negro', o mega-sucesso de 1997 que misturava ficção científica, acção e comédia, e que cimentou o estatuto de Will Smith como estrela de cinema internacional.


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Surgida no mesmo ano do filme, e com envolvimento directo do criador do conceito, Lowell Cunningham, a série animada de 'MIB' é, diga-se em abono da verdade, mais fiel ao espírito do filme do que muitos dos outros esforços deste tipo, explorando as diferentes missões dos agentes J, K e L (esta, curiosamente, uma personagem totalmente distnta da sua homónima cinematográfica) e mantendo intactas as personalidades e a química entre as personagens; até mesmo a música de abertura, uma memorável faixa electrónica, não deixava ficar mal o 'rap' original de Will Smith, presente no filme. A grande pecha era, pois, a mesma da maioria das séries congéneres – a animação, que apresenta aquele estilo meio 'preso de movimentos' típico de finais dos anos 90, apesar de a série ter a chancela da Warner Brothers (o que explica, também, o porquê de o 'design' dos personagens se aproximar muito do da série animada de 'Batman'.)


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O elenco principal de personagens da série, cujo 'design' lembra o das suas homólogas da série animada de Batman


Apesar desta pecha, no entanto, a versão animada de 'MIB' fez sucesso suficiente para justificar quatro temporadas, continuando em produção nos seus EUA natais até 2001 – e, falhando assim, curiosamente e por pouco, a estreia da sequela, que sairia no ano seguinte. Já em Portugal, a série estrearia em 1999 – dois anos depois do filme, mas com a propriedade intelectual Homens de Negro ainda suficientemente relevante para o justificar – no icónico espaço infantil da TVI, Batatoon (onde passaria, também, outra adaptação animada de um 'blockbuster', no caso 'Godzilla' – sim, ESSE, Godzilla!) onde acabou, naturalmente, por passar algo despercebida em meio à mirabolante selecção que o bloco ofereceu durante o seu tempo de vida, e que incluiu séries tão inesquecíveis e populares como Samurai X, Alvin e os Esquilos, Sailor Moon, Digimon ou Sonic. Ainda assim, na semana em que o filme que a inspirou completa um quarto de século sobre a sua estreia em Portugal, não fica mal recordar a mais modesta, menos icónica, mas ainda assim bem-conseguida versão animada do mesmo.

Sunday, 17 July 2022

Domingos Divertidos: Os Jogos de 'Papel e Caneta'

Ser criança é gostar de se divertir, e por isso, em Domingos alternados, o Anos 90 relembra algumas das diversões que não cabem em qualquer outra rubrica deste blog.


O conceito desta rubrica sempre foi documentar as diversas formas que as crianças e jovens dos anos 90 tinham de se divertir sem saírem de casa; como tal, não podíamos, evidentemente, deixar de falar de uma das mais populares e económicas formas de passar um Domingo Divertido dentro de portas - os jogos de 'papel e caneta'.


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O eterno jogo do 'Stop', grande favorito dos jovens noventistas


Qualquer ex-jovem daquela época os conhece, e jogou; é, até, provável que a geração que lhes sucedeu continue a utilizá-los como distracção durante uma aula particularmente aborrecida, ou um fim-de-semana mais 'parado'. Do clássico jogo do 'galo' ao não menos clássico 'Stop', passando por aqueles quebra-cabeças desenhados cujo objectivo era apanhar o adversário em 'contrapé' com respostas de 'rasteira', eram mil e uma as formas como as crianças daquele tempo conseguiam transformar um par de folhas de papel e canetas em longos momentos de diversão, numa espécie de versão 'Domingo-em-casa' dos não menos icónicos Quantos-Queres e aviões, chapéus ou barcos de papel dobrado.


Melhor – pela sua própria natureza, estes jogos não implicavam a compra de qualquer produto (já que papel e caneta são apetrechos que tendem a existir em qualquer gaveta da sala, quarto ou escritório) e que estimulavam a actividade mental, fosse para tentar 'fechar' os caminhos ao adversário na grelha do jogo do 'galo' ou para conseguir preencher todas as colunas do jogo do 'Stop' – aqui, de preferência, com respostas menos óbvias, comuns ou imediatas, para evitar as duplicações, causadoras de 'anulamento' da respectiva categoria. Até mesmo os quebra-cabeças 'traiçoeiros' convidavam à criação de soluções para os problemas expostos, ainda que, no final, nenhuma delas fosse a correcta, dado o carácter intencionalmente falacioso das respostas.


Fosse qual fosse o jogo por que se optasse, no entanto, a diversão estava garantida, pelo menos até os jogadores perderem o interesse no jogo em causa, altura em que poderiam, simplesmente, virar para o reverso da folha e iniciar, imediatamente, outro jogo, sem precisar de retirar nada da gaveta, prateleira ou armário, ou de adquirir qualquer acessório extra - o que, sem dúvida, ajudava a tornar estes jogos tanto do agrado dos pais como das próprias crianças, fazendo deles a alternativa ideal para um Domingo Divertido de recursos limitados...

Saturday, 16 July 2022

Saídas ao Sábado: Os Locais 'Proibidos' dos Anos 90

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais.


Desde o início desta rubrica, temos vindo a cobrir locais nostálgicos, por uma razão ou outra, para as crianças e jovens dos anos 90. No entanto, tal como existiam inúmeras Saídas capazes de 'fazer' o Sábado a um 'puto' noventista, existiam também locais que, por serem destinados a um público mais adulto, lhes ficavam inevitavelmente barrados, o que apenas aumentava a sua aura de mistério – sendo os exemplos mais flagrantes, pelo menos para quem cresceu num meio urbano, os cinemas XXX (uma ideia, hoje, perfeitamente vetusta) e esses misteriosos espaços com 'Pub' ou 'Club' no nome, invariavelmente ocultos por detrás de uma porta fechada.


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Um dos nossos 'pubs' locais, fonte inexorável de mistério para o autor deste blog em pequeno.


E se no caso dos cinemas XXX a razão para a interdição era óbvia e aparente – e o interesse relativamente reduzido, pelo menos até aos anos da adolescência – os referidos 'pubs', bares e clubes para adultos nunca deixavam de despertar a curiosidade de quem ainda não tinha idade para lá entrar, e ponderava o que esconderiam aqueles pesados e austeros portões de metal ou madeira; e ainda que a realidade não fosse, na maior parte das vezes, particularmente entusiasmante (alguns destes espaços ofereciam 'strip-tease', mas a maioria era apenas um bar como qualquer outro) terá certamente havido muito quem desse asas à imaginação sobre o que se passaria dentro desses restritos espaços – pelo menos, até ter idade suficiente para ver por si mesmo.


Numa categoria à parte, até por serem destinadas a uma demografia algo mais jovem, estavam ainda as discotecas e os bares de música (os espaços anteriormente conhecidos como 'boates'); desses, no entanto, falaremos noutra altura – até porque a entrada era bastante mais fácil para os 'putos' daquela época e, por conseguinte, os segredos bastante menores do que os dos espaços acima referidos. Assim, por hoje, ficamo-nos por recordar os dois tipos de estabelecimento – talvez a par dos salões de jogos manhosos tão característicos da época – em que um jovem menor de idade dificilmente entraria durante as últimas décadas do século XX...

Friday, 15 July 2022

Sextas com Style: As Imitações de Converse All-Star

Um dos aspetos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.


Quando se fala em peças de roupa 'intemporais', um dos primeiros exemplos que vem à cabeça de qualquer ex-jovem dos anos 90 são os inevitáveis ténis Converse All-Star. Apesar de, à época, gozarem já de várias décadas de popularidade (a qual, aliás, continua até aos dias de hoje) é mesmo com os anos 80 e 90 que este tipo de calçado tende a ser associado, até por ter sido quando gozou o seu auge de popularidade.


Tanto assim foi que quem entrasse numa das lojas generalistas 'barateiras' tão típicas dessa era da História social portuguesa encontraria a prova acabada dessa mesma popularidade - nomeadamente, imitações mais ou menos bem-feitas do artigo original. Poder-se-à, claro, argumentar que ainda hoje é possível encontrar ténis de lona a emular o estilo clássico concebido por Chuck Taylor em lojas como a Primark; a diferença reside, no entanto, no facto de essas sapatilhas copiarem o modelo 'raso' dos All-Star (isto é, sem cano) ao passo que as imitações dos 90s optavam, invariavelmente, pela variante de cano alto, a mais popular à época.


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Um exemplo contemporâneo, neste caso para bebé


E a verdade é que, à primeira vista, estes ténis mais 'genéricos' até passavam bem por All-Star genuínos – pelo menos até serem escrutinados mais a fundo. Isto porque a principal diferença entre os modelos autênticos da marca e as cópias em causa estava nos detalhes, saindo as opções mais baratas, obviamente, a perder. Por exemplo, onde os All-Star tinham uma estampa aplicada na zona do tornozelo, estes ténis tendiam a ter pedaços de borracha - muitas vezes com um desenho de uma estrela, mas em casos menos cuidados, lisos – ou até a deixar essa área vazia; de igual modo, enquanto que os All-Star têm sempre uma risca a dividir a lateral da sola ao meio, certas cópias anónimas tendiam a omiti-la, deixando a lateral da sola lisa, num modelo mais próximo da não menos icónica versão nacional dos All-Star, os Sanjo. Detalhes pequenos, mas que ajudavam a que o artigo genuíno se distinguisse das imitações baratas, servindo para informar o consumidor no momento da compra.


Ainda assim – e talvez surpreendentemente, tendo em conta a mentalidade vigente à época – havia muita gente que sabia 'ao que ia', e não se importava grandemente; isto porque, ao contrário da maioria dos artigos declaradamente de contrafacção, estas imitações de Converse All-Star tendiam a ser socialmente bem aceites entre os mais jovens, vá-se lá saber porquê. E apesar de, hoje em dia, estarem praticamente extintos (até porque os ténis populares passaram a ser de marcas como a Adidas ou a New Balance), a verdade é que quem cresceu em Portugal em finais dos anos 90 e inícios de 2000, e não dispunha de 'fundos ilimitados' para reposição de guarda-roupa, certamente se terá cruzado, pelo menos uma vez na vida, com um par de ténis destes – por aqui, por exemplo, existiram pelo menos dois duarante os anos de adolescência - e ostentado orgulhosamente o mesmo para a escola, talvez combinado com um par das não menos inevitáveis meias brancas de raquetes...

Thursday, 14 July 2022

Quintas no Quiosque: As Revistas da Sega e Nintendo

Os anos 90 viram surgir nas bancas muitas e boas revistas, não só dirigidas ao público jovem como também generalistas, mas de interesse para o mesmo. Nesta rubrica, recordamos alguns dos títulos mais marcantes dentro desse espectro.


As 'fanzines' – publicações criadas por e para fãs de determinado artista ou propriedade intelectual – eram, ainda, relativamente comuns nos anos 90, o mesmo podendo ser dito das revistas afiliadas a clubes de fãs oficiais, ou a clubes comerciais para jovens, bastando aqui lembrar a popular Revista Rik e Rok ou os fantásticos Almanaques Clube Caminho Fantástico. O que era significativamente menos comum era ver revistas deste tipo fazer a transição para o circuito de distribuição alargada e venda comercial – e, no entanto, foi isso mesmo que se passou com, não apenas uma, mas duas publicações deste tipo, em meados da década.


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Falamos das publicações oficiais dos Clubes Sega e Nintendo, que - como todos os outros aspectos relativos a estas duas instituições - partilhavam mais semelhanças do que diferenças, a começar no nome, que, em ambos os casos, seguia precisamente a mesma nomenclatura, juntando metade do nome da consola mais popular de cada companhia à época a um adjectivo indicativo de pujança e atitude dominadora - Mega Force no caso da Sega, Super Power no da Nintendo.


Também os conteúdos de ambas as revistas eram, previsivelmente, muito semelhantes, com cada uma a apresentar notícias, críticas e outros artigos relativos às últimas novidades lançadas por cada companhia, sendo que a Nintendo se limitou a manter a fórmula que já apresentava na sua publicação exclusiva para assinantes, embora agora com textos originais, por oposição a traduções do Francês. Até mesmo a editora era a mesma para ambas as publicações – no caso, a todo-poderosa Abril Jovem (mais tarde Abril Controljornal), à época a magnata das publicações temáticas em Portugal, quer se tratasse de banda desenhada ou de revistas especializadas, como as que abordamos neste post; com este facto em mente, não é de espantar que o formato de ambas as revistas fosse suficientemente aproximado para quase poder ser considerado idêntico.


Apesar de a Nintendo ter o benefício da experiência prévia, no entanto, no que toca a longevidade, foi a revista da Sega quem levou a melhor, tendo conseguido manter-se nas bancas dois anos, entre 1993 e 1995 – uma 'vida' curta, mas, ainda assim, duas vezes mais longa que a da sua congénere, que apareceu e se extinguiu no mesmo ano, 1994 (talvez por a Abril oferecer uma modalidade de assinatura anual, em exclusivo, a membros do Club Sega, os quais receberam ainda o primeiro número da revista de forma gratuita). Ainda assim, apesar da pouca longevidade (nenhuma das duas revistas viu dealbar a geração 32-bit) qualquer destas duas publicações terá, decerto, feito as delícias dos fãs dos videojogos de ambas as companhias, os quais talvez ainda guardem um ou outro exemplar algures na arrecadação dos pais...e que, não sendo esse o caso, sempre poderão recordar a infância clicando aqui ou aqui!

Wednesday, 13 July 2022

Quartas de Quase Tudo: As Anedotas e o 'Politicamente Correcto'

Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog..


...como é o caso da mudança de atitudes na sociedade.


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Provavelmente, acabam de ofender vários grupos minoritários sem sequer o saberem...


Muito se fala, hoje em dia, do 'politicamente correcto', e do impacto (por vezes excessivo) que o cuidado (por vezes extremo) para não ofender vem tendo na vida quotidiana. Quer se goste ou não, a sociedade ocidental avançou consideravelmente, a nível de mentalidades, nos últimos trinta anos, e para se perceber isso basta lembrar as anedotas que todos contávamos no recreio da escola, ainda antes de a nossa idade atingir os dois dígitos, e que seriam, hoje, suficientes para nos 'cancelar' social e culturalmente.


Mais do que os próprios dichotes – contados, afinal de contas, por crianças – é a atitude indiferente e casual da sociedade de então em relação aos mesmos que verdadeiramente choca hoje em dia; ainda que pais ou professores pudessem repreender ou tentar corrigir quem era apanhado a contar esse tipo de anedotas, o próprio facto de elas existirem era olhado com naturalidade e descontracção pelo mundo 'adulto', não sendo o potencial ofensivo das mesmas tido em conta, excepto em contextos muito específicos (como a presença de um elemento de uma minoria étnica no momento em que a anedota era dita, por exemplo). Uma atitude que é, hoje em dia, diametralmente oposta - e ainda bem, pois fica aí demonstrado o crescimento exponencial da sociedade neste parãmetro específico.


Precisamente por este motivo, dificilmente ouviremos uma criança actual contar aos amigos da mesma idade este tipo de anedota; na verdade, até mesmo os adultos evitam dizê-las hoje em dia, por respeito a quem possa ser ofendido. No entanto, isso está longe de constituir um ponto a desfavor da sociedade do novo milénio – pelo contrário, pode ser considerado um dos casos em que o 'politicamente correcto' não só tem razão de ser, como beneficia activamente o 'clima' social quotidiano.

Tuesday, 12 July 2022

Terça de TV: 'Os Segredos do Mimix'

Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.


Quando o assunto são blocos de entretenimento infantil da década de 90, alguns nomes são incontornáveis: a SIC teve o lendário 'Buereré', a TVI teve 'A Casa do Tio Carlos' e, mais tarde, o não menos icónico 'Batatoon', e a RTP teve o 'Brinca Brincando'. Estabelecido ainda durante os anos 80, o espaço infantil da RTP diferia dos supramencionados blocos da 'concorrência' por apresentar, periodicamente, uma mudança de conceito, apresentação e formato, que lhe permitia manter-se 'fresco' e relevante, captando assim continuamente a atenção do público-alvo.


Uma dessas 'lavagens de cara' deu-se, precisamente, nos primeiros dias da nova década, quando a emissora estatal levou ao ar o primeiro episódio de 'Os Segredos do Mimix', o novo conceito unificador do bloco, que via a actriz Paula Fonseca contracenar com o 'robot' do título, um suposto extraterrestre cuja nave se havia despenhado no sótão da infeliz jovem, e cuja existência a mesma tinha de manter oculta do resto do Mundo – uma ideia não tanto inspirada como copiada de séries e filmes de enorme sucesso à época, como 'E.T,' ou 'Alf'. A diferença residia no facto de Mimix ser um enorme terminal de computador 'à moda antiga', cuja principal fonte de alimentação eram cassettes VHS com desenhos animaos, que Paula inseria periodicamente na ranhura que servia de boca ao 'robot', justificando assim a proveniência dos desenhos animados exibidos.


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A peculiar dupla de apresentadores do programa


Apetrechado com todos os factores necessários ao sucesso – da boa química existente entre a actriz e o intérprete vocal do 'robot' a uma excelente selecção de desenhos animados, e música de abertura do então omnipresente Carlos Alberto Moniz – não foi de estranhar que Mimix e Paula fossem bem recebidos pelo público-alvo, e que a rubrica que co-apresentavam tivesse conseguido durar mais de um ano, surgindo ambos os protagonistas no Especial de Natal da RTP de 1990. E embora, inevitavelmente, o Brinca Brincando tivesse continuado na sua senda de mudança, deixando para trás o alienígena comedor de VHS e a sua amiga secreta, a verdade é que os mesmos constituíram uma das mais memoráveis e populares duplas de apresentadores do espaço, merecendo bem a homenagem neste nosso blog.


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Paula Fonseca e José Jorge Duarte, o 'Lecas' - dois dos apresentadores infantis mais populares da sua era de televisão

Monday, 11 July 2022

Segundas de Sucessos: Santamaria

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Face ao sucesso que faziam, em finais dos anos 90, os grupos vocais e de dança constituídos por jovens bem-parecidos de ambos os sexos, não foi de admirar que Portugal quisesse 'entrar na onda' e produzir as suas próprias versões deste fenómeno para 'consumo interno'. Já aqui recordámos, numa edição anterior desta rubrica, as tentativas de fabricar uma 'boy-band' 'made in Portugal'; agora, chega a altura de lembrar aqueles que foram os principais representantes lusitanos do também mega-popular movimento Europop, os Santamaria.


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Oriundos de Santa Maria de Lamas (de onde, presume-se, terá vindo a inspiração para o nome) os integrantes do grupo juntaram-se pela primeira vez em 1997, quando os irmãos Marlene e António (Tony) Lemos se juntaram a Américo Marante e a duas bailarinas para formar um grupo cuja sonoridade ficava a meio caminho entre o referido som 'Europop'/'Eurodance', muito em voga na altura, e o não menos popular 'pimba' (ou não se tratasse de um grupo português) com o qual partilhavam espaço naqueles eternos escaparates de 'cassettes' e CD's omnipresentes em todas as tabacarias e bombas de gasolina do País à época.


O primeiro fruto desta união sai menos de um ano depois, em Março de 1998, e consegue desde logo vendas impressionantes, atingindo a marca de tripla platina, sobretudo à conta do single e tema-título 'Eu Sei, Tu És...', uma daquelas músicas que se infiltra na mente pelo mero acto de ler o título, e que continua a ser, ainda hoje, o principal 'cartão de visita' do grupo junto dos ouvintes mais 'casuais' e desatentos.


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O disco de estreia do grupo foi desde logo um sucesso de vendas


Por muito sucesso que a estreia tenha feito, no entanto, o segundo disco, 'Sem Limite' - lançado logo no ano seguinte - supera-a largamente em volume de vendas, logrando atingir a quádrupla platina, e estabelecendo os Santamaria como nome de respeito dentro do movimento 'Europop', conforme comprova o dueto com a dinamarquesa Whigfield (de 'Saturday Night') no tema 'Happy Maravilha'. O quinteto nortenho terminava, assim, em alta a década, século e milénio, dando o mote para o que se verificaria nos vintes anos seguintes.


E o que se verificou foi um sucesso continuado e extraordinário, com todos os discos do grupo na primeira década do novo milénio a atingirem, pelo menos, vendas de platina, com a maioria a dividir-se entre a dupla e tripla platina (o disco menos bem sucedido deste período foi '4 Dance', de 2002, que conseguiu ainda assim mover 40.000 unidades) e a banda a ver ser-lhe atribuído um Globo de Ouro (!) para 'Melhor Grupo', em 2001, bem como um prémio relativo à mesma distinção, atribuído pela Romântica FM, em 2009


E embora os anos 2010 não tenham sido tão favoráveis ao grupo como os dez anteriores, a carreira dos lamenses segue de vento em popa, mesmo após a morte do fundador Tony Lemos, em 2020. Logo a abrir a década, o grupo foi galardoado por vendas médias superiores a 50.000 unidades para cada um dos seus discos, e desde então, foram quatro os discos de originais lançados, datando o mais recente, 'Eterno', do ano transacto. Junte-se a este número uma mão-cheia de colectâneas e um conjunto de CD e DVD ao vivo comemorativo dos quinze anos da banda, e a única conclusão a que se pode chegar é que os Santamaria ainda estão para ficar na cena musical popular portuguesa; para muito boa gente, no entanto, o grupo será sempre, apenas, aquela banda que perpetuou um dos muitos hinos 'foleiros' das 'playlists' de rádio portuguesas de final dos anos 90...


 


Sunday, 10 July 2022

Domingo Desportivo: Os Grandes dos 'Pequenos' - Martelinho

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidades do desporto da década.


Na última edição desta rubrica, falámos de Serifo, jogador que desenvolveu toda a sua carreira profissional num único clube, o Leça; esta semana, toca a vez a um nome que, embora não tendo batido o recorde do guineense, mostrou a mesma dedicação a um único emblema – Joaquim Pereira da Silva, conhecido futebolisticamente pela alcunha de Martelinho, e que fica indelevelmente ligado à trajectória noventista do seu clube do coração, o Boavista.


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O jogador com a camisola de que se tornou sinónimo


De facto, grande parte da carreira do extremo foi passada nos axadrezados do Porto, onde ingressou ainda em idade de júnior, vindo do Feirense, e onde passou nada menos do que doze épocas - ainda que, nas duas primeiras, tenha sido alvo de empréstimos, a Marco e Aves, respectivamente. Tendo sido figura importante em ambas as equipas durante as respectivas temporadas (pelo Marco, fez 32 jogos e marcou quatro golos, enquanto que pelo Aves alinhou 33 vezes, contribuindo com seis golos) o ainda jovem jogador foi, no início da temporada 1995/96, reintegrado no plantel boavisteiro, o qual não voltaria a abandonar durante precisamente dez anos, durante os quais conquistaria (merecidamente) o estatuto de capitão e figura maior do conjunto nortenho, ainda mais do que nomes como William, Jimmy Hasselbaink, Erwin Sánches ou até Ricardo. No total, foram 189 jogos e 23 golos pelos axadrezados, dos quais trinta (e quatro golos) durante a época mais bem-sucedida da História recente do clube – foi, aliás, seu o único golo da vitória contra o Porto, que permitiu ao Boavista de 2000/2001 ultrapassar os rivais nortenhos e ocupar o topo da tabela, onde viriam a terminar a referida prova.


Terá, pois, sido com relativa surpresa que os adeptos axadrezados viram a sua figura de proa abandonar o clube no fim da época 2004/2005, para rumar aos amadores espanhóis do Portonovo, uma equipa de dimensão substancialmente menor do que o Boavista. A 'aventura' no estrangeiro duraria apenas um ano (durante o qual o médio logrou apenas 14 exibições), tendo Martelinho regressado a Portugal em 2006/2007 para ingressar, não no Boavista, mas no igualmente nortenho Penafiel; após apenas nove partidas ao longo de uma época, no entanto, o extremo voltaria a rumar a Espanha, para nova temporada no Portonovo, antes de efectuar nova mudança de rumo, 'pendurando as botas' como futebolista de campo para ingressar na equipa de futsal do Cidade de Lourosa.


Terminada essa aventura, o histórico do Boavista – então já com 34 anos - viria mesmo a assumir a reforma, fazendo, como tantos outros dos nomes que aqui focamos, a transição natural para a função de treinador, primeiro dos juniores de Feirense e Boavista (as mesmas equipas que o haviam lançado como profissional, quinze anos antes) e, mais tarde, das equipas sénior do Cesarense e Lourosa, pelo qual efectuou duas passagens, tendo a primeira rendido à equipa o título de campeão da AF Aveiro 2012-2013. Uma carreira indubitavelmente honrosa, e nada menos do que fascinante, mas cuja principal contribuição para o imaginário colectivo dos adeptos portugueses será mesmo o 'lugar cativo' que, durante várias épocas, o jogador teve no flanco direito do Boavista de Jaime Pacheco, pelo qual se afirmou como um verdadeiro 'Grande dos Pequenos'.


 

Saturday, 9 July 2022

Sábados aos Saltos: As Alternativas ao Futebol de Rua

Os Sábados marcam o início do fim-de-semana, altura que muitas crianças aproveitam para sair e brincar na rua ou no parque. Nos anos 90, esta situação não era diferente, com o atrativo adicional de, naquela época, a miudagem disfrutar de muitos e bons complementos a estas brincadeiras. Em Sábados alternados, este blog vai recordar os mais memoráveis de entre os brinquedos, acessórios e jogos de exterior disponíveis naquela década.


Apesar de o futebol de rua ser, de longe, a escolha mais comum para qualquer grupo de crianças munidas de uma bola (fosse na década de 90 ou em qualquer outra altura da História) o mesmo estava longe de ser a ÚNICA opção disponível nesse aspecto; e se opções como o voleibol ou o basket eram igualmente populares, ainda que a sua prática implicasse a existência de infra-estruturas facilmente acessíveis, outros jogos havia que necessitavam, apenas, do mais básico em termos de material – uma bola, jogadores em número suficiente, e espaço para levar a cabo a actividade.


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Era o caso, por exemplo, do jogo da parede, que recentemente aqui abordámos, mas também da sempre popular 'rabia' (ou 'meiinho'), essa actividade tão popular como aquecimento para aulas de Educação Física como como brincadeira competitiva, e cujas regras eram simples: o jogador no centro do círculo tentava interceptar a bola que era casualmente passada entre os colegas, sendo substituído por quem quer que tivesse feito o passe 'transviado'.


Não havendo jogadores suficientes para uma 'rabia' ou um 'três-para-três' (o número mínimo aceitável para uma partida de futebol de rua) podia, ainda, jogar-se às 'fintas' – onde, como o nome indica, a humilhação do adversário era mais importante do que os remates ou golos – ou à sempre popular variante 'baliza-a-baliza' (também conhecida como 'baliza-balizinha') em que até quatro jogadores, divididos em equipas de dois, tentavam marcar golo de um lado ao outro do campo – ou, em certas variantes mais 'benevolentes', de qualquer ponto até à linha de meio-campo própria.


Além destes jogos 'universais' – jogados aproximadamente da mesma maneira em qualquer ponto do País – cada zona, ou até bairro ou escola, tinha as suas próprias variantes do que fazer com uma bola e um grupo de crianças ou jovens. Na nossa escola preparatória, por exemplo, vigorava em meados da década um jogo conhecido como 'Um-Dois-Mata', que consistia em dar determinado número de toques de vólei entre o grupo (normalmente dois ou três), podendo o jogador que se seguisse 'matar' um qualquer membro do círculo, mediante uma certeira 'sapatada'; no entanto, se o referido alvo almejasse agarrar a bola, em vez de ser atingido por ela, era o 'assassino' quem se teria de retirar do círculo, podendo a 'vítima' continuar em jogo.


Enfim, como terá ficado bem patente, os únicos requisitos para uma tarde de diversão com bola nos anos 90 eram um grupo de amigos e muita imaginação – um paradigma que, desconfiamos (e ao contrário de tantos outros que abordamos neste nosso blog) se manterá até aos dias que correm...


 

Friday, 8 July 2022

Sessão de Sexta: 'Os Bad Boys' --Os Polícias Mais Estilosos do Cinema

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.


Hoje em dia, o nome de Michael Bay é imediatamente evocativo de filmes 'blockbuster' repletos de explosões, efeitos especiais, enredos sem grande substância (com algumas excepções, como o surpreendente 'A Ilha') e, provavelmente, com o envolvimento de Megan Fox algures – no fundo, o realizador representa uma espécie de James Cameron com as ambições megalómanas substituídas por uma dose 'extra' de impacto visual.


Em meados dos anos 90, no entanto, a situação era algo distinta, sendo Bay apenas mais um dos muitos realizadores de 'videoclips' musicais com ambições de fazer a transição para o mundo do cinema, a exemplo de um McG, por exemplo; e, como muitos dos seus semelhantes, o californiano viria mesmo a almejar o seu objectivo ainda nessa mesma década, e logo com um filme de acção de grande orçamento, e com o envolvimento de uma das maiores estrelas de cinema (na altura, ainda em ascensão) da era moderna.


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Falamos de 'Os Bad Boys', comédia policial que comemora no próximo fim-de-semana os vinte e sete anos da sua estreia em Portugal, e que junta Martin Lawrence e Will Smith (que cimentaria aqui as credenciais que o levariam a ser escolhido para 'O Dia da Independência' e 'Homens de Negro', dois dos mais bem-sucedidos filmes da década) como uma dupla de polícias com sentido de humor, ao mais puro estilo 'Arma Mortífera' ou 'Hora de Ponta' – ainda que, claro, bem mais 'cool' do que os 'trapalhões' Chris Tucker e Jackie Chan, ou os rezingões 'demasiado velhos para esta treta' interpretados por Mel Gibson e Danny Glover.


De facto, todo o filme é bastante mais 'estiloso' do que a maioria das produções suas contemporâneas (ou não se tratasse de uma película de Michael Bay), tendo mais em comum, do ponto de vista visual, com o que se viria a fazer no género alguns anos depois, já perto do final da década. Pode, pois, dizer-se que, pelo menos neste aspecto, Bay esteve 'à frente do seu tempo'; pena que, no que toca aos restantes parâmetros, 'Os Bad Boys' esteja longe de ser uma obra-prima, ainda que não deixe de ser um exemplo perfeitamente aceitável de 'filme de Sábado à tarde'.


Independentemente da qualidade, no entanto, a verdade é que a estreia de Bay como realizador fez sucesso suficiente para justificar uma sequela, já no novo milénio, e que, previsivelmente, mais não faz do que repetir a fórmula do original, utilizando a química entre Smith e Lawrence para 'carregar' mais uma historieta que pouco mais é do que um pretexto para tiros, perseguições automóveis e as famosas explosões de que o realizador se tornou sinónimo.


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Ainda que tão ou mais bem-sucedida do que o original, no entanto, 'Os Bad Boys II' não deu azo a nova sequela...pelo menos não no imediato, já que, DEZASSETE anos depois da estreia da segunda parte, o mundo do cinema viu a série ser elevada, à laia de 'presente' pelo seu vigésimo-quinto aniversário ao estatuto de trilogia, com a estreia de 'Bad Boys Para Sempre' ('Bad Boys For Life') que voltava a juntar a dupla de comediantes – agora mais velha e menos 'em forma' – para 'mais uma corrida, mais uma viagem' repleta de todos os elementos que os fãs da série certamente esperavam – à excepção de um enredo, claro está.


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Tendo em conta as idades avançadas dos protagonistas, e no rescaldo do 'estalo ouvido no Mundo inteiro', é, no entanto, muito pouco provável que alguma vez volte a ser produzido outro episódio da saga d''Os Bad Boys' – embora, a julgar pelo exemplo da supramencionada série 'Arma Mortífera', será mesmo melhor seguir o ditado que aconselha a 'nunca dizer nunca'... Enquanto se espera que Bay recupere e reviva a carreira do ostracizado e excomungado Will Smith, no entanto, resta recordar o filme que apresentou ao Mundo um deles, cimentou o segundo como 'mega-estrela', e ofereceu ao chamado 'cinema-pipoca' moderno o seu mais conhecido e divisivo realizador.

Sessão de Sexta: Vinte e Cinco Anos de Um 'Mudança de Maré' No Mercado da Animação

  Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos...