NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 14 e Sábado, 15 de Março de 2026.
Um dos aspectos mais marcantes dos anos 90 foi o seu inconfundível sentido estético e de moda. Em sextas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das marcas e modas mais memoráveis entre os jovens da ‘nossa’ década.
As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.
Apesar de, hoje em dia, terem uma orientação mais turística, as Baixas de Lisboa e Porto eram, em tempos, conhecidas como a principal zona de concentração de lojas históricas e 'da moda', numa daquelas 'misturas' que, apesar de eclécticas, acabavam por fazer sentido e dar às duas zonas a personalidade de que hoje carecem. Um desses estabelecimentos – nascido na Baixa mais a Norte mas popularizado pela do Sul – era uma loja de roupa absolutamente revolucionária para a época em que foi criada e que, apesar de já mais 'normalizada' nos anos 90, chegou ainda a criar memórias para muitos membros da Geração X, e até alguns 'millennials' mais velhos.

Falamos da Porfírios (ou Porfírios Contraste) a qual, após revolucionar totalmente a moda portuguesa dos anos 60 com as suas influências londrinas – sendo parcialmente responsável pela difusão da mini-saia, por exemplo – cores garridas e até desfiles de moda próprios, logrou manter-se icónica durante as décadas seguintes, tanto graças a essa estética própria como às próprias instalações, inspiradas nos clubes da capital inglesa e repletos de passagens estreitas e escuras, luzes psicadélicas e escadas em caracol, que quase faziam esquecer estar-se numa loja (um pouco como sucede, hoje em dia, com as lojas da Abercrombie & Fitch, embora os Porfírios fossem mais originais e distintos.) A loja do Porto tinha, mesmo, uma secção central com barraquinhas, cada uma com um tipo diferente de adereço, e com espaço adicional para pendurar quadros, desenhos e outras peças de arte, muitas delas feitas pelos próprios clientes, algo que ajudava a distinguir ainda mais o estabelecimento da vulgar loja de roupa da altura.
Infelizmente, como sucedeu com tantas outras lojas clássicas, históricas ou icónicas, também os Porfírios sucumbiriam à inefável marcha da 'fast fashion', sofrendo um declínio acentuado nos últimos anos do século XX e vindo a encerrar portas logo após a viragem do Milénio, em 2001. Apesar disso, a loja foi, ainda, a tempo de deixar marca nas gerações mais novas da época (mesmo que não tanta quanto nas dos seus pais) sendo ainda hoje recordada como uma das mais originais de sempre do comércio português, e merecendo bem estas linhas recordatórias, no ano em que se assinala o exacto quarto de século sobre o seu desaparecimento.
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