NOTA: Este 'post' é correspondente a Segunda-feira, 09 e Terça-feira, 10 de Março de 2026.
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
Porque nem só de séries se fazia o quotidiano televisivo das crianças portuguesas nos anos 90, em terças alternadas, este blog dá destaque a alguns dos outros programas que fizeram história durante aquela década.
Na era anterior ao surgimento de 'Popstar', 'Ídolos' e restantes programas de talentos (e mesmo antes de 'Chuva de Estrelas' se tornar o primeiro representante nacional do género) o Festival RTP da Canção representava o epicentro absoluto das emissões televisivas de cariz musical em Portugal, tanto por conta do seu histórico de contribuições para o cançonetismo nacional como também por decidir o representante anual do País no ainda mais histórico Festival da Eurovisão. Não é, pois, de estranhar que a esmagadora maioria dos vencedores do certame – independentemente da prestação na Europa – lograssem algum sucesso, pelo menos dentro de portas e no imediato. Mais difícil, no entanto, era consolidar essa primeira vaga de popularidade para, a partir dela, construir uma carreira de sucesso – feito que apenas dois dos vencedores da década de 90 conseguiram verdadeiramente almejar. E porque de um desses nomes, Sara Tavares, já aqui falámos anteriormente, resta, agora, debruçarmo-nos sobre a cantora que vencia o certame há exactos trinta e cinco anos: Dulce Pontes, ou, neste caso, apenas Dulce.
Então conhecida, sobretudo, por participações em programas televisivos e peças de teatro, Dulce José Silva Pontes veria a sua vida mudar por completo a 9 de Março de 1991, quando, em directo na RTP, venceria a edição daquele ano do festival com a música 'Lusitana Paixão', a mesma que levaria à Eurovisão, meses depois, e com a qual almejaria o então terceiro melhor resultado de sempre do País na competição, atingindo o oitavo lugar; já no final mesmo ano, voltaria a representar Portugal em outro festival internacional, cantando o tema 'Ao Sul da América' na vigésima edição do Grande Prémio da Canção Ibero-Americana, realizado em Acapulco, no México. Eram os primeiros passos de uma carreira que teria, com naturalidade, o seu inicio 'oficial' no ano seguinte, com o álbum 'Lusitana'; seria, no entanto, no sucessor 'Lágrimas', de 1993, que figuraria o tema que se tornaria sinónimo com Dulce Pontes: 'Canção do Mar', que chegou a fazer parte da banda-sonora de filmes de Hollywood e que serviu de tema de abertura para a série 'Southland', já no Novo Milénio.
Longe de se acomodar com o sucesso obtido, no entanto, Dulce Pontes partiu para uma carreira algo mais 'aventurosa', ousando incorporar influências de fado e outras músicas do Mundo naquele que, a princípio, havia sido um som puramente 'pop', criando assim a sonoridade única pela qual ficaria conhecida. Os discos, esses, surgiriam a um ritmo mais ou menos constante, tendo sido lançados mais dois de originais e um registo ao vivo até final do Novo Milénio, e mais sete nos vinte e cinco anos subsequentes, o último dos quais em 2022, intitulado 'Perfil'. Ao longo da sua ilustre carreira, a cantora teve ainda o privilégio de colaborar com outros grandes nomes da 'world music', como Cesária Évora, Caetano Veloso, Daniela Mercury ou mesmo Andrea Bocelli, ajudando assim a cimentar não só o seu nome como o de Portugal no cenário internacional – e tudo graças a duas músicas, uma das quais cantada há quase exactos trinta e cinco anos por uma jovem e inexperiente actriz, então conhecida apenas pelo seu primeiro nome, que talvez mal sonhasse com as portas que essa participação lhe abriria...
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