Em Segundas alternadas, o Anos 90 recorda algumas das séries mais marcantes para os miúdos daquela década, sejam animadas ou de acção real.
Já aqui por diversas vezes mencionámos a prolífica produção de séries de humor de qualidade no Portugal dos anos 90 e 2000, fossem elas dirigidas a adultos ou a um público mais jovem. É de um exemplo desta última categoria, estreado há quase exactos vinte e cinco anos, que falamos nesta Segunda de Séries.
Ida ao ar pela primeira vez a 29 de Março de 2001, 'A Minha Vida É Uma Animação' (adaptação localizada da série argentina 'Mi Familia Es Un Dibujo', de meados da década anterior)representava um novo e inovador passo na produção televisiva nacional, ao juntar a uma série de acção real um elemento animado - neste caso na 'pessoa' (ou antes, boneco) do personagem principal, o irreprimível Neco, que imediatamente se tornou um êxito entre o público-alvo, não tardando a sua cara travessa e 'melena' ruiva a surgir em todo o tipo de artigos de 'merchandising', alguns oficiais, mas a maioria piratas, como era apanágio do Portugal da época. De t-shirts a cadernos, nenhuma categoria de produto escapava ao sorriso maroto do Neco, que ainda hoje se afirma como um dos maiores sucessos de sempre a nível do 'merchandising' em Portugal.

O icónico protagonista da série, êxito de 'merchandising' entre o público jovem.
Face à avassaladora omnipresência do personagem animado (o qual se tornou praticamente sinónimo com a série, à semelhança do que acontecia com franquias como 'Pokémon') é fácil esquecer a premissa da mesma, que girava em torno das dinâmicas familiares de Neco com a sua família, da qual se perde ainda nos primeiros episódios da série (pouco depois do seu nascimento), sendo prontamente devolvido pelo ilustrador que o encontra. As duas temporadas seguintes giram em torno das peripécias da família Dias (encabeçada pelo Zé de Fernando Luís e pela Luísa de Ana Bustorff), sempre com o Neco em plano de destaque, e muitas vezes como catalista do 'problema da semana'. Uma fórmula já mais do que testada por programas como 'Alf' ou a alemã 'Pumuckl' (com cujo personagem animado Neco partilha muitas semelhanças) e que, com uma execução minimamente cuidada, um bom leque de actores e um genérico memorável e irresistível, como é o caso, não podia deixar de apelar ao público-alvo; não é, pois, de admirar que Portugal tenha mergulhado numa 'Necomania' durante o ano e meio seguinte, nem que a série tenha, desde então, sido repetida com regularidade, perpetuando o legado do Neco junto das gerações mais jovens. Será mesmo quem fez parte do público-alvo inicial, no entanto, que mais nostalgicamente recordará esta icónica série nacional, concordando esses que a mesma é bem merecedora de espaço neste nosso 'blog' por ocasião do quarto de século da sua estreia na SIC.
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