Friday, 13 March 2026

Quartas de Quase Tudo: Dez Anos, Três Mandatos, Dois Presidentes

NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 11 de Março de 2026.


Em quartas-feiras alternadas, falamos sobre tudo aquilo que não cabe em nenhum outro dia ou categoria do blog.


A cada cinco anos, repetem-se, em Portugal, dois rituais, sempre em datas muito próximas: em meados de Janeiro, elege-se um Presidente da República (ou renomeia-se o existente) e, perto de dois meses depois, o mesmo é oficialmente indigitado em funções. Foi, precisamente, esta última cerimónia que teve lugar na passada Terça-feira, com a entrada oficial no cargo de António José Seguro, sucessor de um Presidente icónico, memorável e com enorme aceitação entre os Portugueses – uma situação extremamente semelhante à vivida, há exactos trinta anos, por Jorge Sampaio.


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O momento da transferência de poderes, em 1996.


De facto, ao assumir a cadeira máxima da política portuguesa, a 13 de Março de 1996, Sampaio tinha pela frente a missão de igualar o trabalho de Mário Soares, cujo segundo termo (obtido por maioria absoluta) tivera início pouco mais de cinco anos antes, a 9 de Março de 1991, e decorrera de forma relativamente calma a nível sócio-económico, graças, em parte, às capacidades de liderança de Soares, ainda hoje justamente recordado como um dos mais icónicos Presidentes da República dos tempos modernos, Tão consensual era o demissionário, aliás, que o referido segundo mandato conseguiu a rara proeza de reunir o consenso dos dois extremos da política nacional, com Soares a ser apoiado tanto pelo PS como pelo PSD.


E porque tentar equiparar-se a tão icónica personalidade era praticamente impossível, que Sampaio logrou, à sua maneira mais discreta, continuar a orientar o País naquele que foi um primeiro mandato bastante calmo, pesem embora alguns sustos a nível da saúde, e que lhe viria a outorgar a confiança para garantir um segundo, sem sequer necessitar de recurso a segunda volta; ao contrário do primeiro, no entanto, este segundo termo ficou marcado, entre outros problemas, pelo desastre de Entre-os-Rios, ocorrido apenas dois dias depois da tomada de posse oficial de Sampaio.


No cômputo geral, no entanto, este foi, também ele, um mandato sem grande 'história', estando o País ainda longe de imaginar o que lhe sucederia, em termos económicos, meros anos depois. Talvez por isso – e pelo carisma e capacidade de liderança dos Presidentes da República de antanho – haja uma parcela tão elevada da população portuguesa desejosa de poder regressar aos simples e descomplicados anos imediatamente anteriores à viragem do Milénio.

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