Monday, 23 March 2026

Segundas de Sucessos: Um, Dois, Três, e 'Morrer' de Vez

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.


Já aqui sobejamente falámos no passado da quase inacreditavelmente rica cena 'pop-rock' portuguesa das décadas de 80 e 90, a qual produziu a esmagadora maioria dos artistas pelos quais a música 'de guitarras' nacional é, ainda hoje, conhecida: Xutos & Pontapés, GNR, UHF, Clã, Ornatos Violeta, Rádio Macau, Rio Grande, Pólo Norte, Sitiados, Quinta do Bill, Resistência, The Gift, Entre AspasDelfins ou Silence 4 foram apenas alguns dos muitos nomes surgidos naquele período de cerca de duas décadas, e cujas músicas continuam, ainda hoje, a ter lugar cativo nas ondas radiofónicas nacionais. No entanto, em meio a estes nomes instantaneamene reconhecíveis existem outros que, embora mais esquecidos pela consciência popular nacional, continuam ainda assim a perdurar por intermédio de uma das suas músicas, como é o caso da banda que abordamos neste 'post'.


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Formados em 1988 como Easy Gents, e vencedores da quinta edição do Rock Rendez-Vous ainda com esse nome, os Ritual Tejo viriam a lançar três álbuns durante a última década do século XX - o primeiro dos quais editado há cerca de trinta e cinco anos, algures em 1991, e o último a poucos meses da passagem do Milénio - a participar em tributos a António Variações e José Afonso e a figurar em compilações de bandas do mítico Johnny Guitar; e, no entanto, a carreira relativamente longa e plena de pontos altos do grupo fica, para a maioria dos portugueses, reduzida a uma única música, um daqueles temas 'pegajosos' e com um elemento imediatamente distinto, no caso, um coro infantil que ajuda a tornar o refrão ainda mais memorável.



De facto, enquanto 'Foram Cardos, Foram Prosas' - o 'hit' imediato do primeiro álbum, 'Perto de Deus', originalmente cantado por Manuela Moura Guedes (sim, essa mesmo!) - se encontra, hoje em dia, um pouco esquecido, o mesmo não se pode dizer de 'Nascer Outra Vez', um daqueles hinos intemporais e imortais do 'pop rock' lusitano que, muito provavelmente, nunca deixará de passar nas rádios nacionais, e de cativar ouvintes tanto novos como existentes.


Parte integrante de 'Histórias de Amor e Mar', lançado há cerca de três décadas, o tema tornar-se-ia, de longe, o grande elemento identificativo de um grupo que, excepção feita a esse momento, nunca chegou a consolidar o nível de sucesso que desejava. Pior - mesmo depois de conseguido esse grande êxito, o grupo não conseguia evitar um processo de cisão, que levou à saída de dois dos seus cinco elementos (um deles, Fernando Martins, mais conhecido pelo envolvimento com o 'Chuva de Estrelas' do que propriamente pela sua banda de originais). Ainda assim, o grupo perserverou, e logrou chegar a um terceiro registo, simbolicamente intitulado 'Três Vidas', mas que passou totalmente despercebido numa cena cada vez mais concorrida.


Foi, assim, sem surpresa que os Ritual Tejo se 'esbateram' discretamente do 'quadro' do 'pop rock' nacional (pese embora o lançamento de uma colectânea póstuma, em 2006), deixando como único vestígio da sua presença no mesmo um tema inesquecível, indelével, mas que se insere firmemente na categoria das músicas instantaneamente reconhecíveis, mas de que poucas pessoas saberão nomear correctamente os autores...

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