Monday, 16 March 2026

Domingo Desportivo: A Bonita Carreira do 'Outro' Mozer

NOTA: Este 'post' é respeitante a Domingo, 15 de Março de 2026.


Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos desportivos da década.


Quando se fala em jogadores memoráveis ou históricos no contexto de um clube de futebol, está-se, na maioria dos casos, a falar dos 'artistas', aqueles atletas cujos movimentos ficam na retina, ou cujo número de golos é inegável; existe, no entanto, outro tipo de jogador que pode ascender a este estatuto – no caso, destacando-se pela consistência mais do que pela 'arte'. É, precisamente, sobre um desses jogadores, que celebrou este fim-de-semana o seu quinquagésimo-quarto aniversário, que versa este Domingo Desportivo.


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O jogador com as duas camisolas que o notabilizaram.


Formado no viveiro de talentos do bairro da Boavista (onde chegou a partilhar plantel com um jovem João Vieira Pinto) e no não menos histórico Rio Ave, foi nas divisões inferiores que Rui Miguel Batista Araújo primeiro se deu a conhecer, então já com a alcunha que lhe ficaria associada – Mozer (em homenagem ao histórico jogador do Benfica) Seria, no entanto, no Leixões que, pela primeira vez, ganharia mais visibilidade, tendo-se afirmado como um dos mais importantes jogadores dos 'Bebés do Mar' durante as três épocas que ali passou, e revelado qualidades que o apontavam a mais altos vôos; e os mesmos não tardariam a chegar, com o médio a transferir-se para a então Primeira Divisão a tempo de iniciar os treinos para a pré-época de 1996/97 com a camisola do Sporting Clube de Braga.


E seria mesmo na 'Pedreira' que Mozer se afirmaria como um dos bons médios dos campeonatos da altura, realizando ao todo cinco épocas ao serviço dos arsenalistas - as três primeiras como indiscutível – precisamente na altura em que o clube iniciava a caminhada rumo ao estatuto de 'quarto grande', contando com plantéis muito interessantes, onde pontuavam jogadores como Miki Féher, Mladen Karoglan ou o histórico Quim, e que chegou mesmo a disputar a Taça UEFA e a Taça das Taças, além de chegar a uma final da Taça de Portugal, perdida diante de um Porto em potência máxima. O Novo Milénio seria, no entanto, menos 'simpático' para com Mozer, que – após uma temporada com menor preponderância – iniciaria o século XXI com uma grave lesão (rotura de ligamentos) que o veria disputar apenas cinco partidas pelo plantel principal e mesmo jogar na equipa B para recuperar a forma – um fim de ciclo triste para um jogador que se afirmara como importante ao longo das temporadas anteriores.


A sorte de Mozer tão-pouco viria a mudar na época seguinte, com novos problemas físicos a travarem a sua afirmação na nova equipa, o Farense, pela qual somaria apenas doze presenças, cerca de um terço dos jogos realizados pelos alvi-negros nessa temporada. Seria, pois, novamente a Norte que o médio lograria relançar a carreira, com três boas épocas ao serviço de um dos seus clubes formadores, o Rio Ave, durante as quais se sagraria campeão da II Liga e recuperaria finalmente o estatuto de peça importante numa equipa de alguma projecção no principal escalão nacional. O passo seguinte, no entanto, seria 'para trás', com o jogador a ingressar no Trofense, antes de – a meio da época 2006/07, já com provectos trinta a cinco anos – arriscar a unica aventura internacional, ao serviço dos espanhóis do Vecindario.


O regresso a Portugal dar-se-ia seis meses depois, desta feita rumo aos Açores, antes de a natural curva descendente de carreira remeter o médio para as divisões inferiores, nível no qual penduraria as botas no Verão de 2011, aos trinta e nove anos (!) para arriscar uma curta carreira como treinador de Pedras Rubras (último clube representado), Candal e Nogueirense. Desde 2014, no entanto, o médio 'goza' a vida de 'anónimo social', estatuto bem merecido após uma honrosa carreira que o levou 'um pouco por todo o lado' dentro do futebol português e até ibérico em geral. Parabéns, e que conte muitos.

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