NOTA: Este 'post' é respeitante a Quarta-feira, 25 de Março de 2026.
A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
Como deverá ter ficado bem patente no 'post' sobre as aventuras de Jim Del Monaco, a BD franco-belga dos anos 50 a 80 era fonte de inspiração para a maioria dos ilustradores e criadores de BD nacionais. No entanto, apesar de fortemente influenciados pelo estilo, poucos há que possam, efectivamente, reclamar um papel colaborativo com uma das suas inspirações; uma dessas (poucas) excepções é Luís Diferr, o recém-malogrado desenhista que, durante a última década do século XX, chegou a colaborar com o editor dos álbuns póstumos do popular herói franco-belga Alix, para além de ter lançado duas séries (num total de quatro álbuns) em nome próprio, e tido direito a extensa exposição no icónico Festival de Banda Desenhada da Amadora, em 1992.

Nascido em Angola em 1956, Diferr licenciou-se em Arquitectura, tendo chegado a exercer funções como professor de Geometria Descritiva, mas era na BD que residia a sua verdadeira paixão, a qual se ia traduzindo numa enorme diversidade de ilustrações, 'tirinhas' e pranchas 'espalhadas' por um sem-número de fanzines e outras publicações de finais dos anos 80 e inícios de 90. Seria, no entanto, apenas em Março de 1991 (há exactos trinta anos) que o sonho se tornaria realidade, com a edição do primeiro volume completo da autoria de Diferr, no caso a primeira de duas aventuras do cosmopolita Herb Krox, 'O Homem de Neanderthal', cuja continuação, 'Os Deuses de Altair - I', sairia apenas sete anos depois, já depois do lançamento de 'O Lago Iluminado', primeira e única aventura de Drakar, o Minossauro, criada em parceria com o argumentista José Abrantes.


As duas aventuras de Herb Krox, editadas em extremos opostos dos anos 90.
Após este ponto, a carreira de Diferr entraria em ciclo descendente, não obstante o aparecimento, em 2002, de dois novos personagens, no contexto de um volume de homenagem a Vasco Granja, e o lançamento do mais importante projecto do autor, um volume sobre Portugal inserido na colecção 'As Viagens de Lois', idealizada por Jacques Martin (criador de Alix) nos anos anteriores ao seu falecimento, em 2011. O próprio Diferr viria a deixar-nos em 2025, sem nunca ter atingido grande notoriedade no contexto da BD nacional ou internacional, mas tendo almejado um merecido estatuto de culto, conseguido também, em parte, pela sua actividade enquanto 'blogger', que manteria até 2016; já a este 'blog' (que não é seu) interessa, sobretudo, assinalar os trinta e cinco anos da publicação do álbum que daria início a esse percurso, e o colocaria pela primeira vez no 'radar' dos bedéfilos portugueses, e que serve como 'desculpa' para a breve retrospectiva de carreira levada a cabo nestas linhas.
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