NOTA: Por razões temporais, esta Segunda será de Sucessos. As Segundas de Séries regressarão na próxima semana.
Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.
Ao falar de pop-rock português, o nome de Rui Veloso é incontornável, tendo o cantautor portuense sido um dos pioneiros e 'criadores' do próprio movimento, conforme seria conhecido nas últimas décadas do século XX. Não é, pois, de admirar que Veloso e o seu parceiro e letrista de sempre, Carlos Tê, entrassem na década de 90 a 'todo o gás', como dupla já estabelecida dentro do panorama musical português, mediante sucessos como 'Chico Fininho' ou 'Porto Côvo', e prontos a dar o passo seguinte nas respectivas carreiras – no caso, um álbum conceptual duplo. Nascia assim 'Mingos e os Samurais', primeiro registo de Rui Veloso nos anos 90, e ainda hoje um dos mais bem-sucedidos da carreira do vocalista e guitarrista.

Utilizando como motivo narrativo a carreira de uma banda de garagem nos anos 60 e 70 – numa espécie de versão suburbana portuguesa do 'Ziggy Stardust' de David Bowie – 'Mingos' viria, de facto, a definir a carreira de Veloso, ainda mais do que a estreia 'Ar de Rock'. Isto porque, no ano e meio subsequente ao seu lançamento, o disco venderia quase trezentas mil cópias - naquele que era, à época, um recorde absoluto para um artista nacional – atingiria a séptupla platina (!), passaria quase meio ano no topo das tabelas de vendas de discos nacionais, e colocaria três músicas nos 'tops' de 'singles' ao longo do ano de 1991, sendo a mais icónica 'Não Há Estrelas No Céu', que passaria seis semanas em primeiro entre Fevereiro e Março, tendo a sua hegemonia sido interrompida apenas por 'I'm Your Baby Tonight', de Whitney Houston, e pela 'outra' música de Rui Veloso, 'A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)'. Em conjunto com 'Logo Que Passe A Monção' (que teria direito a duas semanas a número um no último terço do ano) as duas faixas ajudavam a estabelecer Rui Veloso como o grande artista nacional daquele ano, tendo o músico sido um de apenas dois artistas nacionais a atingir o primeiro lugar das tabelas naquele ano, sendo o outro Marco Paulo, cuja música 'Taras e Manias' atingiria os lugares cimeiros nada menos que três vezes, uma delas destronando Veloso.
Com tal trio como 'alavanca', e dada a reputação de que já gozavam os seus autores, não é de admirar que 'Mingos e os Samurais' tenha almejado os níveis de sucesso descritos no parágrafo anterior, e se tenha rapidamente estabelecido como um dos álbuns essenciais e definitivos da última década do século XX em Portugal – um feito notável, tendo em conta o facto de ter saído ainda nos primeiros meses da década, e que torna bem merecidas estas linhas, no mês em que 'Não Há Estrelas No Céu' celebra os exactos trinta e cinco anos da sua chegada ao número um das tabelas de 'singles' portuguesas.
No comments:
Post a Comment