Saturday, 4 July 2026

Sessão de Sexta: Os Primórdios de Uma Franquia Que Não É 'Brinquedo'...

NOTA: Este 'post' é respeitante a Sexta-feira, 03 de Julho de 2026.

Os anos 90 estiveram entre as melhores décadas no que toca à produção de filmes de interesse para crianças e jovens. Às sextas, recordamos aqui alguns dos mais marcantes.

Ainda que as franquias animadas com diversos capítulos não sejam nada de novo, sobretudo desde o início do Terceiro Milénio, é ainda assim incomum encontrar uma que leve já três décadas, sempre com o mesmo grau de sucesso. 'Em Busca do Vale Encantado', por exemplo, encontra-se desde há muito remetido para o mercado do vídeo, o mesmo sucedendo com 'Alfa e Ómega'; séries como 'O Panda do Kung-Fu', 'Como Treinar o Seu Dragão' ou 'Gru, O Mal-Disposto', por outro lado são significativamente mais recentes, deixando apenas 'Shrek' como o único verdadeiro concorrente da franquia a que dedicamos este 'post', e cujo quinto capítulo faz actualmente sucesso nas bilheteiras mundiais. Altura ideal, portanto, para recordar os humildes inícios de um 'cowboy' e de um astronauta que, nos mais de trinta anos desde a sua estreia, cimentaram merecidamente um lugar no imaginário infanto-juvenil mundial.

Produzido em 1995 e estreado em Portugal na Primavera do ano seguinte, 'Toy Story – Os Rivais' marcava não só a estreia em longa-metragem da californiana Pixar – até então produtora de 'spots' publicitários e curtas-metragens – como também uma autêntica revolução no mercado da animação, à época ainda dominado por filmes de produção totalmente artesanal e que, do dia para a noite, via surgir nas salas de cinema uma obra totalmente criada por computador. Mais – ao contrário do que se poderia esperar, o filme não se fazia valer do factor 'novidade', apresentando uma história cuidada e que nada perderia caso a animação fosse 'feita à mão'.

Com personagens memoráveis – não só os protagonistas Woody e Buzz como os restantes brinquedos 'vivos' do quarto do pequeno Andy – diálogos hilariantes (potenciados, em Portugal, por uma das melhores dobragens alguma vez produzidas num estúdio nacional) e os inevitáveis momentos emocionais, o primeiro 'Toy Story' não podia deixar de ser um sucesso entre a 'pequenada', e foi sem surpresas que a aventura dos dois 'parceiros melindrados' se tornou um dos grandes sucessos não só da sua época de estreia, mas do próprio catálogo da Disney, então em plena fase hegemónica de 'Renascença', justificando assim os esforços da Pixar e tornando o nome da companhia sinónimo de animação por computador de qualidade. E ainda que, hoje em dia, a animação 3D comece a parecer algo antiquada, o filme afirma-se ainda suficientemente cativante para justificar uma Sessão de Sexta, quer como parte de uma maratona, quer apenas emparelhado com a sua primeira sequela, amplamente considerada uma das melhores de todos os tempos.

De facto, 'Toy Story 2: Em Busca de Woody' – terceiro filme da Pixar, após o algo mais fraco 'Uma Vida de Insecto' – consegue a proeza de ombrear com o seu antecessor, levando ao expoente máximo a fórmula 'mais do mesmo, mas maior e melhor'. Aquilo que poderia apenas ser uma 'cópia' do primeiro filme com os papéis trocados – com Buzz a ter, desta feita, de salvar Woody – atreve-se, pelo contrário, a explorar novas dimensões do 'mundo' de Toy Story, introduzindo novas personagens (o que se viria a tornar um dos esteios da série) e tornando a aventura dos brinquedos significativamente mais ampla que a do primeiro filme, com mais cenas de exterior, muito mais acção, e um tema musical que muitos consideram ainda melhor do que 'Sou Teu Amigo, Sim'. Como tal, foi novamente sem surpresas que o filme 'arrasou' nas bilheteiras nacionais aquando da sua estreia em Fevereiro de 2000, inscrevendo mais um nome naquela que viria a ser uma longa lista de sucessos para a Disney-Pixar.

O que, efectivamente, surpreendeu foi o facto de os capítulos seguintes da série (estreados em 2010 e 2019, respectivamente) serem, também eles, filmes cuidados, sendo 'Toy Story 3', inclusivamente, considerado tão bom ou melhor do que os seus dois antecessores. E ainda que 'Toy Story 5' vá, para já, dividindo opiniões, o impacto daquela que sempre foi a série-estandarte da Pixar (e onde 'tudo começou' para a companhia) não parece dar sinais de enfraquecer, podendo Woody, Buzz e companhia vir potencialmente a fazer parte do imaginário infantil de quatro gerações – algo de que poucas companhias àparte a própria Disney se podem gabar. Oportunidade perfeita, pois, para recordar os primórdios da série, e 'regressar' aos tempos da estreia do original, em que a geração 'millennial' era da idade do protagonista Andy e se debatia, ela própria, com a questão de qual seria o seu brinquedo favorito...

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