A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.
Na última Sessão de Sexta, falámos dos dois primeiros filmes da série 'Toy Story', que apresentou ao Mundo a companhia de animação Pixar, hoje uma das maiores do panorama cinematográfico infanto-juvenil; e porque nenhum filme infantil que se preze passa sem artigos de 'merchandising' a si alusivos (incluindo, claro está, videojogos oficiais) nada melhor do que nos debruçarmos agora sobre os títulos electrónicos interactivos relacionados a cada uma dessas duas longas-metragens.
Comecemos, pois, por analisar o jogo oficial do primeiro 'Toy Story', lançado no mercado europeu há quase exactos trinta anos – no Verão de 1996 – para as consolas líderes de mercado da altura: Mega Drive, Super Nintendo e Game Boy (tendo a versão para Windows ficado do outro lado do oceano). E apesar de desenvolvidas por companhias diferentes – Tiertex para o título portátil, Disney Interactive para o de Windows, e Traveller's Tales para os outros dois – todas as versões se inseriam, grosso-modo, nos mesmos moldes de jogo de plataformas bem típico da época, com o protagonista Woody a atravessar níveis horizontais, da esquerda para a direita, usando o seu cordão de fala para atordoar inimigos e ascender a áreas fora do alcance, e ocasionalmente conduzindo o carro telecomandado de Andy ou percorrendo a labiríntica máquina de garra para salvar os pequenos extra-terrestres nela residentes, a caminho do confronto final com um 'inimigo-chefe'. Nada que destacasse o jogo de dezenas de outros disponíveis para as consolas da altura – não fossem os gráficos com efeito 3D (apesar de bidimensionais) e a utilização de modelos e animações do próprio filme, que revestem o título da qualidade e riqueza de detalhes típica dos jogos da Disney da época.
O mesmo, aliás, se pode dizer de 'Toy Story 2 – Buzz Lightyear to the Rescue', um jogo de aventura e plataformas 3D em tudo típico do mercado da sua época (foi lançado na Europa no ano 2000) mas que cativa pela qualidade dos gráficos, animações e sonoplastia, que remetem ao ambiente da franquia cinematográfica. Lançado, mais uma vez, para as consolas 'topo de gama' da época (PlayStation, Nintendo64 e Dreamcast) bem como, por razões desconhecidas, para computadores Macintosh (apesar de a versão Windows ter, mais uma vez, ficado restrita ao mercado norte-americano) o jogo é, como o seu predecessor, emblemático de uma 'era de ouro' para os jogos de video da Disney, a qual lançava, nos anos finais do Segundo Milénjo e inícios do seguinte, uma série de jogos de aventura licenciados capazes de 'encher as medidas' aos jogadores mais novos. De referir que este título teve, também, a inevitável e obrigatória versão 'portátil', para Game Boy Color, a qual – sem qualquer surpresa – tomava a forma de um jogo de plataformas 3D típico do 'hardware' em causa.
Apesar de não 'rebentarem a escala' nem surpreenderem por aí além, portanto, os jogos alusivos aos dois primeiros filmes da saga 'Toy Story' afirmam-se, ainda assim, como excelentes exemplos do seu tipo de videojogo, merecendo um lugar tanto na memória nostálgica dos jovens da época (portugueses e não só) como nas páginas deste 'blog', poucos dias após termos feito menção aos filmes que os inspiraram, e numa altura em que se prevê a sua inclusão numa compilação a ser lançada para as consolas de nova geração – prova cabal do lugar que ambos conseguiram conquistar na cultura popular nos anos desde o seu lançamento.
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