A banda desenhada fez, desde sempre, parte da vida das crianças e jovens portugueses. Às quartas, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos títulos e séries mais marcantes lançados em território nacional.
A vastidão de banda desenhada de qualidade presente no mercado português de finais do século XX e inícios do seguinte poderia levar qualquer jovem da altura a esquecer que, como qualquer movimento artístico, o florescimento dos 'quadradinhos' em Portugal teve, forçosamente, de ter um ponto de partida. Felizmente, em meados da década, várias editoras fizeram sua a missão de celebrar e divulgar estes pioneiros para uma nova geração, através de álbuns como 'O Mosquito – 60 Anos' (de que falámos na última Quarta aos Quadradinhos) e o tomo de que falamos esta semana, que resgata o trabalho do 'pai' da BD nacional, Rafael Bordalo Pinheiro.
Bem conhecido pelo seu trabalho como caricaturista, e como criador do Zé Povinho (o estereótipo do português de classe trabalhadora da época), Bordalo deixou também, no entanto, a sua marca na sociedade portuguesa de finais do século XIX como criador de banda desenhada, publicada em formato de 'tiras' no jornal 'O Comércio do Porto Illustrado' ao longo de mais de uma década, entre 1892 e 1904. Eram essas bandas desenhadas que o álbum publicado em 1996 pela editora Aventura Gráfica, e simplesmente intitulado 'Bandas Desenhadas de Rafael Bordalo Pinheiro', reunía e apresentava, um século depois, às novas gerações.
Embora o trabalho de recolha e divulgação fosse louvável, no entanto, o estilo de banda desenhada praticado na época de Bordalo era (e é) demasiado diferente para poder ser apreciado fora de contexto, podendo parecer estranhamente 'chato' para leitores modernos (ainda que a qualidade artística seja inegável). Talvez por isso não se tenha ouvido falar mais extensamente desta obra da Aventura Gráfica, quer à época da sua publicação, quer nas três décadas subsequentes. Ainda assim, e conforme acima mencionámos, trata-se de um esforço mais que louvável, e que bem merece esta nota por alturas do trigésimo aniversário da sua publicação.

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