Sunday, 14 June 2026

Saídas ao Sábado/Domingo Desportivo: Trinta e Cinco Anos da Consagração da Geração de Ouro

 NOTA: Este 'post' é parcialmente respeitante a Sábado, 13 de Junho de 2026.

As saídas de fim-de-semana eram um dos aspetos mais excitantes da vida de uma criança nos anos 90, que via aparecerem com alguma regularidade novos e excitantes locais para visitar. Em Sábados alternados (e, ocasionalmente, consecutivos), o Portugal Anos 90 recorda alguns dos melhores e mais marcantes de entre esses locais e momentos.

Aos Domingos, o Portugal Anos 90 recorda alguns dos principais acontecimentos e personalidade do desporto da década.

Apesar de não se revestirem da importância normalmente dada às suas congéneres seniores, as competições internacionais de jovens não deixam, ainda assim, de proporcionar a um adepto de futebol toda a emoção inerente ao desporto-rei, com a vantagem de lhe apresentar, ao mesmo tempo, alguns dos talentos emergentes um pouco por todo o Mundo; não é, pois, de estranhar que, aquando da primeira competição internacional organizada por Portugal (e que arrancava exactos trinta e cinco anos antes da data da edição deste 'post', a 14 de Junho de 1991) fosse grande o entusiasmo entre os fãs de futebol nacionais – até por a Selecção Nacional de Esperanças ser campeã em título, tendo, assim, a oportunidade de o defender em solo nacional. Não deixa, pois, de ser irónico que Portugal tenha sido a segunda escolha para acolher o Campeonato Mundial de Esperanças de 1991, tendo adquirido esse direito apenas após a anfitriã original – a Nigéria, que Portugal derrotara na final do Mundial do Catar, dois anos antes – ter sido desqualificada por falsificação de idades.

Esta mudança, no entanto, apenas tornou o desfecho final do torneio ainda mais poético, permitindo ao grupo de jovens conhecido como a Geraçãode Ouro reforçar o seu estatuto em 'casa própria', num Estádio da Luz repleto de adeptos em êxtase – muitos deles crianças que, pela primeira vez, tinham oportunidade de se deslocar a um estádio numa Saída de Sábado, não para ver o seu clube, mas para assistir a um jogo internacional, disputado por jovens pouco mais velhos do que elas próprias. E a verdade é que o espectáculo proporcionado naquela tarde de 31 de Junho não desapontou os sobreditos entusiastas de futebol, tendo a Selecção Nacional levado de vencida a sua congénere brasileira (da qual faziam parte nomes como Giovane Elber ou um lateral-esquerdo chamado Roberto Carlos) na 'lotaria' dos 'penalties', após empate a zero no final do prolongamento.

As selecções das Quinas e 'canarinha' estavam, no entanto, longe de ser as únicas com futuros nomes sonantes entre os seus escolhidos. Senão, veja-se: o melhor marcador da prova foi um tal de Sergei Cherbakov, avançado da União Soviética que viria a ser bem conhecido dos adeptos sportinguistas; na selecção sueca alinhavam o guarda-redes Magnus Hedman e o defesa Niclas Alexandersson; da Austrália faziam parte Kevin Muscat e os guarda-redes Zeljko Kalac e Mark Bosnich; o avançado de Trinidade e Tobago era um tal de Dwight Yorke, cujo futuro parceiro de ataque, Andy Cole, alinhava na selecção inglesa, ao lado da futura lenda do Tottenham, Ian Walker, e dos futurosbenfiquistas Scott Minto e Steve Harkness; no Uruguai estava Paolo Montero, futura lenda da Juventus, e na Argentina figuravam Juan Esnáider e um tal de Mauricio Pocchettino – sim, esse mesmo! A própria Selecção Nacional trazia vários nomes futuramente conhecidos, que se afirmariam como esteios dos respectivos clubes e (pelo menos em alguns casos) formariam a base da equipa sénior durante os anos seguintes - de Figo e Rui Costa a Emílio Peixe, Jorge Costa, Abel Xavier, Rui Bento, Capucho, Tulipa, Nélson ou os dois 'Joões Pintos', Vieira e Oliveira.

Naquela segunda quinzena de Junho de 1991, no entanto, nenhum destes nomes poderia sequer imaginar a futura grandeza que os esperava, sendo cada um deles apenas 'mais um' jovem talento que (ao lado de colegas destinados a carreiras mais 'anónimas') almejava à conquista do troféu mais importante do futebol jovem mundial, e entusiasmava os adeptos do seu país, tanto os presentes nos diferentes estádios de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães e Faro onde se desenrolava o certame como aqueles que apenas tinham oportunidade de assistir a partir de casa.

No final, no entanto, seria mesmo a Selecção anfitriã a atingir a glória máxima, pondo assim um ponto final no 'conto de fadas' iniciado no Médio Oriente, dois anos antes, e inscrevendo para sempre na História do futebol português os nomes tanto das supracitadas 'estrelas' como dos seus colegas que, por vicissitudes da vida, acabariam por 'ficar pelo caminho', e construir carreiras mais discretas, se bem que não menos honrosas. Para a História fica, também, o primeiro certame futebolístico internacional organizado por Portugal, que acabava por servir como uma espécie de 'ensaio' para outro, de bastante maiores dimensões, disputado uma década e meia depois e do qual fariam ainda parte vários dos jogadores presentes no torneio de '91 – embora, infelizmente, o clímax dessa história (que se desenrolava, novamente, no estádio do Benfica, embora não exactamente no MESMO estádio do Benfica) tivesse um desfecho bem menos feliz do que o primeiro, impedindo que a Geração de Ouro se despedisse do futebol internacional da mesma forma que a ele se apresentara...

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