Monday, 27 July 2026

Segundas de Sucessos: Em Memória de Luís Represas (1956-2026)

Qualquer jovem é, inevitavelmente, influenciado pela música que ouve – e nos anos 90, havia muito por onde escolher. Em segundas alternadas, exploramos aqui alguns dos muitos artistas e géneros que faziam sucesso entre as crianças daquela época.

Há pouco menos de uma semana, o panorama da música portuguesa viu-se, infelizmente, deprivado de mais um dos seus grandes nomes – um músico conhecido tanto da Geração X como dos 'millennials', embora por razões diferentes, e cujo contributo para o panorama musical nacional é absolutamente inegável. Falamos de Luís Represas, o cantautor de quem já aqui anteriormente falámos 'de passagem' mas a quem nunca prestámos verdadeiramente homenagem – algo que fazemos agora, como forma de assinalar o seu falecimento, aos apenas sessenta e nove anos de idade.

Membro da geração 'construtora' do pop-rock português moderno, e contemporâneo de nomes como Tim ou Jorge Palma, além de membro fundador dos seminais Trovante, Luís Represas deixaria a sua marca de forma algo mais abertamente 'comercial' que estes, sabendo sempre envolver as suas mensagens muitas vezes contestatárias em 'embalagens' musicais acessíveis e prontas para o 'airplay' radiofónico, sempre com a sua característica e distintiva voz como elemento principal. Tendo em conta este aspecto da sua música, não deixa de ser curioso que o seu segundo maior sucesso tenha surgido em forma de dueto, no caso com o congénere cubano Pablo Milanés, com quem grava a imortal e arrepiante 'Feiticeira', demonstração cabal do poder vocal de ambos os intérpretes, e que, juntamente com o hino de solidariedade com Timor-Leste, 'Ai Timor', constitui a música mais conhecida da carreira do arista.

Com nome estabelecido ainda antes da gravação do primeiro álbum a solo, não era difícil a Luís Represas notabilizar-se no meio musical português, tendo o cantautor rapidamente adquirido um estatuto que lhe permitia apresentar programas na RTP ('A Música DosOutros', do qual já aqui anteriormente falámos), ser convidado para interpretar missas em ambiente solene, gravar retrospectivas de carreira com orquestras sinfónicas, compôr 'jingles' para campanhas de solidariedade (a contagiante 'Quero Uma Casa Deste Tamanho', gravada para uma iniciativa da Swatch em 2002) ou mesmo escrever um livro infantil! Isto, claro, além dos nove álbuns de originais e inúmeras colaborações com músicos de relevo dos PALOPS que efectuou ao longo das suas três décadas de carreira a solo, que chegaram abruptamente ao fim no passado dia 22 de Julho, menos de dois anos após o lançamento daquele que acabaria por ser o seu registo de despedida, 'MIRAGEM'. Que descanse em paz.

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