Tuesday, 28 April 2026

Terças Tecnológicas: 'Conker's Bad Fur Day' - A Aventura Mais 'Adulta' da Nintendo 64

A década de 90 viu surgirem e popularizarem-se algumas das mais mirabolantes inovações tecnológicas da segunda metade do século XX, muitas das quais foram aplicadas a jogos e brinquedos. Às terças, o Portugal Anos 90 recorda algumas das mais memoráveis a aterrar em terras lusitanas.

Apesar de, hoje em dia, o apelo dos videojogos ser absolutamente universal, a percepção da sociedade em geral sobre este tipo de produtos (e, sobretudo, sobre certos sub-géneros) continua a ser a de que o único público-alvo são as crianças e jovens. Em inícios do século XXI, esta visão era, se possível, ainda mais exacerbada – apesar da existência no mercado de franquias como 'Postal', 'Duke Nukem', 'Carmageddon' ou 'Grand Theft Auto' – pelo que o conceito de uma aventura em plataformas 3D, com gráficos coloridos e protagonistas antropomórficos, mas dirigida a um público declaradamente adulto era suficiente para fazer erguer (ou franzir) um sem-número de sobrolhos, e para garantir atenção imediata ao título em causa. E a verdade é que 'Conker's Bad Fur Day' (que celebrou no início deste mês os vinte e cinco anos do seu lançamento no mercado europeu, quase em simultâneo com os jogos da segunda geração de Pokémon) fazia por merecer essa fama, transformando aquela que seria 'apenas' mais uma cópia de 'Super Mario 64', 'Banjo-Kazooie' ou 'Croc' num dos jogos mais notáveis – e notórios – da galeria da Nintendo 64.

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Isto porque Conker – um esquilo de feições tipicamente 'animadas', bem ao estilo de outras mascotes da Nintendo - não era o típico protagonista inocente e virtuoso que ele próprio encarnara no seu descartável jogo de estreia, 'Conker's Pocket Tales', lançado para Game Boy Color no Verão de 1999. Nesse jogo, os seus objectivos passavam por salvar a namorada e recuperar os presentes de aniversário que lhe haviam sido roubados; nesta sequela em três dimensões, a sua principal preocupação é regressar a casa após uma noite passada no bar (!) a beber (!!) com amigos prestes a embarcar para a guerra (!!!), Mais: no seu caminho de regresso, Conker aceita missões em regime mercenário, vê-se envolvido com a Máfia local, e acaba a combater um exército fascista com estética vagamente Nazi, tudo isto enquanto diz palavrões, fuma e combate inimigos como um literal 'monte de esterco' ou os referidos mafiosos, representados (previsivelmente) por doninhas, naquela que é uma subversão completa dos estereótipos aliados a este género de jogo, numa altura em que o sucesso de 'South Park' demonstrava a viabilidade deste tipo de iniciativa.

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Os gráficos animados e coloridos escondiam um guião mais do que adulto...

Não é, pois, de admirar que esta original abordagem, aliada aos comprovados méritos técnicos e narrativos dos jogos da Rare, tenham ajudado a tornar a segunda aventura de Conker num sucesso de vendas entre um sector do público-alvo que se posicionava como mais 'adulto', mas, ao mesmo tempo, se deliciava com instâncias de humor escatológico e palavreado mais 'colorido' naquele que aparentava, à primeira vista, ser um produto dirigido sobretudo a crianças – e que, nos primórdios do seu desenvolvimento, estava previsto ser precisamente isso. Há que louvar, portanto, o funcionário ou equipa da Rare que teve a ideia de transformar um genérico 'Quest' num 'Bad Fur Day' e, com essa simples 'guinada' numa direcção mais madura (embora nada sofisticada), ajudou a criar aquele que talvez seja o maior clássico 'de culto' (e, sem dúvida, o jogo mais politicamente incorrecto, mais do que qualquer título do referido 'South Park') alguma vez lançado para Nintendo 64.

1 comment:

  1. Manuel da Rocha28 April 2026 at 11:21

    A N64 e a Gamecube já tinham jogos, mais virados para público teenager e adulto. O mesmo para a Sega Saturn (Deep Fear, Enemy Zero, Resident Evil...), que já levavam a ser jogados, por público adulto. O maior (e mais engraçado) "easter egg", no Resident Evil 4, é numa parte, ao usar a mira, da espingarda, surgiam, as cuecas, de uma miúda, que tínhamos de salvar. Essa piada, foi feita, pois havia observações, no Resident Evil 2, em que, a Claire, surgia, de vestido e, num movimento, se via outra cor, por baixo... as cores da Umbrella Corporation. Havia piadas, sobre isso. Usaram, de forma "obscena", com a cor branca, numa miúda. Era preciso conseguir colocar, numa altura específica...
    Além da Peach, várias vezes saltitar, sempre de modo real. :D

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